PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O Terminal Fantasma


Na Zona Leste existe uma grande estrutura de metal enferrujado, uma estranha garagem, cheia de sucatas de ônibus, paradas, aparentemente jogadas ali, deixadas ao sol, chuva e intempéries.
É como se fosse uma estrutura assombrada, construída por algum prefeito, ou governante da bélle époque manauara, esquecida logo depois de inaugurada... ou depois de muito tempo, como boa parte dos monumentos e prédios históricos.
Por lá não se vê viva alma passando. Pelo menos, não sabemos direito... às vezes vê-se criaturas como zumbis, andando a esmo, esperando, como se as sucatas de ônibus um dia viessem a voltar a andar, para levá-los ao seu trabalho, ou para suas casas.
Até onde sabemos, quem entrou ali, não mais saiu. Pelo menos, se saiu, não mandou notícias. Contam que quem consegue sair dali, é numa daquelas sucatas de ônibus, para onde vão, é ignorado, mas não são mais encontrados.
Esse lugar, essa estranha estrutura metálica, um pequeno pedaço de cidade fantasma é conhecido apenas como... T-4!

Beijo de Judas


Ela se maquia,
Se perfuma,
Se ajeita.
É para sair,
Mas não comigo.
É para encontrar outro.
Chega a hora.
Ela sorri para mim
E se despede.
Vem e me beija o rosto.
Um beijo de Judas...

domingo, 18 de setembro de 2011

Olhares Desencontrados

Tento e não consigo
Deixar de pensar em você...
Me sinto mal
E também
Me sinto mau
Por me sentir assim sobre você...
Sei bem
Você flana linda e leve
Por outros céus
De cores e tons diferentes
Em outros olhos vê o amor
Que esperava refletir nos meus,
Tola pretensão a minha...
Nossos olhos se cruzaram uma vez
Nossos caminhos não mais se cruzarão
Nossas idéias nos distanciam
Em dimensões paralelas
Onde não mais nos encontraremos
Bem, talvez seja melhor assim, ao menos...
Só te encontro como gostaria
Em meus sonhos
Imagino se, quem sabe,
Em outros universos,
Em outras linhas de tempo,
Atuais, mas diferentes,
Tocamos um o coração
E a alma do outro
Se é em meus braços
Que encontra o calor
Que tem agora em outros abraços
Se em meu olhar se reflete
O amor que almeja
E encontra nos dele...
(Eu acho)
Se posso em teu sorriso
Acalmar meu coração...
Talvez exista uma dimensão assim
Mais provável eu estar viajando...
Neste mundo cada um
Tem o seu caminho
Você não vê em mim o amor ideal
E eu tampouco encontro
O meu ideal de você...
Você hoje está
Onde não pretendo ir,
Onde estou
Você não pode vir
Não mais se cruzarão nossos olhos
Não mais esquecerei
A primeira vez em que se cruzaram,
Desde aquele dia pensei que
Nossos destinos estariam entrelaçados,
Mas o mundo nos prepara surpresas...
Nem sei se tenho você na minha vida,
Ou se te faço mesmo alguma falta...
Sei que nossos destinos não estão unidos
Por nenhuma força superior
Idiotice minha achar que só eu percebo
Uma ligação que só eu senti
Desde a primeira vez que te vi...
Até passo bem, sem ter você no pensamento,
Acho que essas palavras tampouco são
O que gostaria de ler (ouvir) de mim...
É, eu quis te provar,
Que eu é quem podia te dar mais
Do que você tem dele...
Juro, eu tentei, mas não consegui desgostar...
Hoje resolvi te dizer,
Ainda te amo, eu sei,
Parece uma grande bobagem
(E é!!)
E continuo esperando,
Torcendo, melhor dizendo,
Que você ainda goste de mim...

sábado, 10 de setembro de 2011

Tese de Boteco: Identidade Nacional


Conversas de bar: o que se diz na mesa de bar, não se escreve. É algo que já ouvi em algum lugar, só não me lembro onde. Talvez, numa mesa de bar!
De vez em quando gosto de sair para beber com os amigos. O que mata é o preço da cerveja... mas enfim, gosto de sair, espairecer, conversar, aquela coisa toda. Gosto de cometer alguma indiscrição, de vez em quando... só de vez em quando! Mas é quase inevitável que numa mesa de bar você acabe soltando algo além do que gostaria, ou do que poderia dizer. Talvez por isso se diga que o que se diz na mesa de bar, fica na mesa de bar.
Mas mês passado tive um daqueles insigts que sempre tenho, não só quando estou bêbado, aquelas idéias de jumento que nem sei de onde surgem. Foi a última, numa conversa com um professor de história, muito inteligente, porém grande cachaceiro... ou cervejeiro, como se autodenomina. Falávamos sobre a identidade nacional brasileira, etc, até que ele disse algo que, achava ele, provavelmente causaria uma acalorada discussão, afinal, eu era desse Brasil “que não é Brasil”, o Rio Grande do Sul. Estando um tanto bêbado, já àquela altura, fiz o contrário do que esperava o nobre professor, eu concordei com ele. Por quê? Bem, senão vejamos...
O professor universitário esse, que conheci numa informal conversa de bar, fez uma afirmação que pra mim não é inédita: o gaúcho não é brasileiro. E concordo, efetivamente o gaúcho não é da tal “nação” brasileira, ou seja, aquela que aceita se colonizar e se adaptar ao que o Eixo do Mal dita como “cultura” e “identidade nacional” genuinamente brasileiras. Um parêntese: pra quem não conhece a expressão, que não foi usada por mim pela primeira vez com um outro sentido, não se referindo a Alemanha, Itália e Japão, os três países que firmaram aliança durante a II Grande Guerra, entre o fim dos anos 30 e metade dos 40, mas para designar o eixo Rio – São Paulo, esse é o termo que alguns internautas – de fora do Eixo do Mal, obviamente – usamos para nos referir a essas duas metrópoles.
Pois bem, voltando: concordei com o referido professor que, realmente, os gaúchos não têm aquele “quociente de brasilidade” tão superestimado pelo já referido também Eixo do Mal e que ninguém entende que #¬&*@ é essa! Por quê? “Ah, porque o gaúcho teve mais influência dos argentinos e uruguaios na sua cultura que do português, índio e negro.” te dirá algum professor de história da 5ª série do ensino fundamental. E ele está errado: recentes pesquisas, feitas por diversos folcloristas, inclusive o mais renomado especialista em folclore e cultura sul-brasileira, Paixão Cortes, demonstram que, o que menos ouve no Rio Grande do Sul, foi uma influência da cultura platina na cultura sul-rio-grandense, que em verdade fora influenciada, sim, e muito, por portugueses, índios e africanos trazidos como escravos nos séculos XVII e XVIII. Pasmem! Sim, muito historiador e folclorista de fora do RS, principalmente aqueles vindos do Eixo do Mal ficaram pasmos com tal informação. “Ah, mas na fronteira...” sim, sim, amigo, na fronteira ainda há uma maior troca entre pessoas de dois países do que no resto de seu território, isso é óbvio! Daí a achar que todo gaúcho brasileiro foi influenciado da mesma maneira que os nascidos e criados na região de fronteira...
Mas então, o que faz do gaúcho tão peculiar e diferente do resto dos brasileiros? Bem, comecemos dizendo que nem todo sul-rio-grandense é gaúcho. Embora, claro, nos digamos todos gaúchos. O gaúcho propriamente dito é uma pessoa do campo, é um povo de fortes ligações com o meio agrícola, de criação de gado, etc. O que, por exemplo, não é o meu caso: nascido no Rio Grande do Sul e tudo o mais, mas essencialmente urbano, não curto muito o campo, lugares isolados, imensidões de espaço livre, essa coisa toda. Talvez como um turista, como uma mudança de ares ocasional, mas não me vejo muito tempo longe de uma cidade, grande, ou pequena. Portanto, se analisarmos friamente... só o fato de gostar de um bom churrasco de costela na brasa do carvão, ou da lenha, não faz de mim um gaúcho, não é mesmo...!? Outra coisa: “gaúcho” não se restringe aos nativos do Estado do Rio Grande do Sul, mas é um povo que se espraia por todo Norte da Argentina e Uruguai; o próprio RS, Oeste de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mais boa parte de Rondônia, no Brasil, e um pequeno pedaço do Paraguai. Há uma identidade cultural e folclórica que está acima das fronteiras impostas meramente pela política, que une esses vários “gaúchos” – ou gauchos, como são chamados por nossos hermanos argentinos, uruguaios e paraguaios – numa espécie de nação própria, sem pátria e sem território próprios.
Sim, isso é uma tese de botequim, sem a devida pesquisa aprofundada, nem nada. A mesma tese usei em relação aos amazonenses e ao Amazonas. Que poucos sabem – inclusive aqui, veja você – mas não era para pertencer ao Brasil. Voltemos às aulas de história lá da 6ª série, quem lembrar: até o começo do século XIX Portugal não mantinha apenas uma colônia aqui na América do Sul, mas sim duas: o Brasil, que ia do Nordeste – exceto o atual Estado do Maranhão – até a atual República Oriental do Uruguai, e o Grão-Pará, ou melhor dizendo, Vice-reino de Grão-Pará e Maranhão. O Amazonas, boa parte do atual Norte brasileiro e a Guiana Francesa – sim, sim! – eram para ser um outro país de língua portuguesa na América do Sul, mas quando o rei dom João VI veio para cá, fugido das tropas de Napoleão Bonaparte, resolveu unificar as duas colônias portuguesas numa só, o que causou uma certa revolta por aqui, provocando até mesmo uma guerra.
A Amazônia também é uma nação sem território próprio, formada obviamente pelos Estados do Norte do Brasil, parte de Colômbia, Venezuela, Peru, Bolívia, mais as Guianas. O guianês é amazônida, bem como o surinamês, pelo menos metade dos peruanos, colombianos, venezuelanos... estes também têm uma cultura e um folclore bastante similares ao nosso, da nossa Amazônia brasileira. Isso é fato, adianta nada brigar comigo. O povo da Amazônia brasileira se ressentem e sabem-se isolados do resto do Brasil. Bom, os gaúchos não temos essa necessidade de sermos reconhecidos como brasileiros. Nos sabemos como os bascos, galegos e catalães, nações diferentes unidas de forma meio forçada a uma Espanha. Não temos idiomas diferentes, temos dialetos diferentes – o gauchês tem algumas diferenças bem marcadas do amazonês, mas não passam de dialetos de um mesmo idioma, o português – mas temos uma rica cultura própria que nos diferem dos brasileiros. Eu não me importo de admitir que sou mais gaúcho – e amazônico – que brasileiro. Uma é a nação em que nasci, que só não tem bandeira nem Estado próprios, e nem precisa, a outra é a nação em que me naturalizei, com uma diversidade maior de idiomas e dialetos.

Semana da Pátria


É feriado
O calor arrefece
Após a chuva
As horas correm devagar
Feito doce riacho
É sete de setembro
E cada um se ufana de sua pátria:
“Viva o Ceará!!”
“Viva o Rio!!”
“Viva o Gaúcho!!”
E ninguém é pelo Amazonas...