Ainda dizem que perco tempo, enfurnado aqui
na casa onde estou hospedado. Tenho feito o trabalho deles, tenho ficado de
vigia da sua casa, tenho lavado os pratos, copos e talheres, hoje pela manhã
lavei minhas roupas, varri o piso do quarto improvisado, lavei o banheiro,
passei uma vassoura e um pano no piso da cozinha e do pátio – na parte onde há
cerâmica... me diga, conhece algum hóspede que trabalha na casa dos seus
anfitriões?! Pois é, também não conheço, não. E realmente, estou perdendo
tempo... o MEU tempo!
Ontem, o tempo foi melhor aproveitado. Fiz
bem menos, mas aproveitei bem mais. Caminhei daqui até os shoppings, na avenida
Djalma Batista. Passei a tarde e parte da noite nos três shopping centers,
escrevi pelo menos uns dois textos, que espero aproveitar mais tarde. Aqui, não
consigo terminar um, tenho mais privacidade na rua, que aqui na casa. Anotação
mental: da próxima vez que vir a Manaus – se é que virei – ficar num hotel. Pelo
menos, terei privacidade, que me falta. Sinto que ta enfraquecendo a amizade...
de quem realmente importa, ter menos um na minha aba, querendo se fingir de
amigão pra ganhar alguma beira, tentando falar mal de mim pra quem já me
conhece faz uma cara... isso não pode ser tão mal assim!
Enfim, a utilidade do shopping, pra mim, é
climática, acho que já falei disso. Ontem, o calor na rua, debaixo do sol
forte, estava cruel, e dentro dos shoppings estava uma friaca de dar gosto. Simplesmente
uândeful. De qualquer forma, vou aos shoppings de Manaus por outro motivo, pra
saber das novidades e lançamentos fonográficos do momento, em particular dos
que sei que vou curtir. Tem vez que saio frustrado por encontrar tanta coisa
legal e não ter dinheiro suficiente para adquiri-las. Não é bem um lançamento,
mas ontem, numa das lojas dos Benchimol, encontrei o último cd da banda
escocesa Belle and Sebastian, do fim do ano passado. Esse último álbum é
chamado “Writing about Love”, ou alguma coisa assim. Descobri Belle and
Sebastian lá no comecinho dos anos 2000, ouvindo a uma música que tocava em uma
rádio universitária do Rio Grande do Sul. Assim que pude, busquei tudo o que
pudesse encontrar do grupo. É raro gostar de cantores, músicos e grupos pop, só
quando não fazem parte do mainstream global, como é o caso dessa banda
escocesa. Seus clipes todos são bacaninhas e suas músicas, a grande maioria,
pelo menos, fala de amor, relacionamentos, etc. Apesar disso, gosto muito
deles. Havia uma música, chamada “Funny Little Frog”, que escutava sem cansar,
quando estava apaixonado por uma menina aí... teve um dado momento em que não
podia mais ouvir a música sem chorar. Um dia conto essa história... ou não!
Ontem, escutando os trechos de um minuto das
músicas do cd, lembre de uma das músicas mais antiguinhas, falando dessa coisa
de conhecer uma garota, se apaixonar, relacionamentos que não dão certo, sonhos
e decepções. É “The Wrong Girl”...
“The wrong girl
The wrong kind
The wrong hand to be holding
The wrong eyes to go searching behind
The wrong dream to have on my mind”
A garota errada, o tipo errado, a mão errada
para segurar, os olhos errados para buscar algo atrás, o sonho errado para ter
na minha cabeça...
Certas palavras soam erradas, estranhas,
para mim. “Coleguinha” é uma dessas palavras. Sei lá por quê, acho que alguém
usou essa palavra num tom meio sarcástico, ao falar comigo, desde então penso
em “coleguinha” como uma palavra pejorativa. Um termo pra ser usado quando você
não quer xingar a outra pessoa com alguma expressão chula. É, eu sei que parece
– e é! – uma grande bobagem, mas sinto que ser taxado de “coleguinha” é pra
acabar... pode notar, colega, não gosto nem de falar essa palavra! Será um
problema arranjar uma expressão para falar dos colegas de escola dos meus
filhos, quando, e se vier a tê-los, algum dia. Enfim. Voltando àquela música...
Sinto igualmente, em certos momentos, que só
me apaixono, só gosto, amo, adoro, me envolvo, me relaciono – raramente – com a
garota errada. Mesmo agora, quando penso na menina que é minha musa, minha mais
recente paixão platônica... imagino se também é a garota errada. Têm dias que
minha filha por adoção parece ser a garota errada... mas, no caso dela,
trata-se de uma pré-adolescente, ela está recém começando aquela fase
complicada, e desconfio que as flutuações de humor tenham alguma coisa a ver
com determinados ciclos mensais...
Minhas paixões anteriores, meus amores, pra
toda vida e para as próximas, sempre pareceram fazer questão de mostrarem-se
como a garota errada. A futilidade de uma dessas antigas paixões só me deu a
certeza desse fato. Está tudo bem, sempre foi assim...ah, não, essa é uma outra
música! Nem preciso de uma Amanda – personagem da série global “A Mulher Invisível”
- as versões idealizadas das garotas erradas que passaram por minha vida me
assombram nos sonhos, de vez em quando.
Cheguei a pensar que conseguiria usar o que
aprendi com esses relacionamentos, mas acho que continuo fazendo errado,
procurando a garota certa no lugar errado... talvez deva fazer como o cara do
clipe dessa música, que só encontrou a sua garota, a certa, no final, depois de
muito procurar. Só não vou dizer onde, que é pra não estragar a surpresa, caso
você ainda não o tenha visto...

















