PESCANDO NO BODOSAL

sábado, 27 de agosto de 2011

Inverno em Manaus


Faz inverno em Manaus
Faz inverno em meu coração
Lá fora chove e venta
Um vento frio
Aqui dentro chove uma saudade amarga
E venta o frio da solidão... 

Ficar na Saudade


Está cada vez mais perto o dia
E quem poderia imaginar!?
Você estará partindo
E eu sou quem vai ficar
Na saudade...

domingo, 21 de agosto de 2011

O Fantasma da Ópera Amazônica


Teatro das dores
Em cujo largo
O fantasma perambula
Triste figura
De uma ópera amazônica
Buscando a sombra de sua diva
Rebuscando lembranças das tardes
Em que procurava
Sem encontrar
Porém era encontrado
Sem ser procurado

Morpheus

Fecha teus olhos
Suavemente,
Relaxa teu corpo
Fica confortável
Entrega-te em meus braços
Depositarei um beijo em tuas pálpebras
Embalarei teus sonhos
Acalentarei
E vigiarei teu sono

Emancipação ou Morte!!


Os políticos, quando o assunto lhes desperta algum interesse, logo se mobilizam para aprovar o projeto. Por exemplo: li esses dias que está tramitando no congresso um projeto de lei que confere aos Estados autonomia para a criação de novos municípios. Sei que, segundo a notícia, que se não me engano, consta no portal D24AM.com, os políticos amazonenses ficaram alvoroçados. Não duvido que em muitos outros Estados também essa nova lei será bastante apreciada. Em todos, até!
Enfim, o site dava conta de várias localidades no interior do Amazonas que poderiam ser, digamos... “beneficiadas” com essa nova medida. Dentre essas, o Cacau Pirera, do outro lado do rio Negro, ainda pertencente a municipalidade de Iranduba.
De um modo geral, sou contrário sou contrário a essa coisa de desmembrar municípios e até Estados, pois normalmente o que se ganha com novas cidades e Estados é mais uma porrada de cargos eletivos e mais três cadeiras no Senado, por exemplo, no caso da criação de uma nova unidade da Federação.
No momento, o Cacau Pirera não precisaria ser emancipado, a meu ver, pois é naquela comunidade que situa-se a entrada do município de Iranduba e constitui a via de acesso a outras cidades, como Manacapuru e Novo Airão.  Por enquanto, não precisaria. Talvez depois que a ponte sobre o rio Negro estiver pronta e em pleno funcionamento... porque agora, com a travessia entre Manaus e as cidades do lado de lá sendo feita por meio de balsas e voadeiras, o Cacau é a porta de entrada e saída dessas localidades. É em torno daquela comunidade que gira o tráfego de pessoas e mercadorias. Depois que a ponte estiver pronta, as pessoas não precisarão mais passar por ali para ir até Iranduba. Não sei, talvez não precisem nem para se deslocar a Manacapuru e Novo Airão. O que acontecerá, então, com o Cacau Pirera? O que vai acontecer com o pequeno porto das balsas, com a economia, com as pessoas daquela comunidade?
Na verdade, não sei se a emancipação seria uma solução para o Cacau. Talvez sim... possivelmente não. Acho que, com a ponte do rio Negro, talvez aquela área fique um pouco mais abandonada, o que seria uma pena. Lembro que comentei a notícia com uma gaiatice, me oferecendo como candidato a ser o primeiro prefeito do novo município. Acho que não ia agüentar, não por medo dos peixes grandes da política local, mas porque eu iria querer implantar lá melhorias e sei que, por “forças ocultas”, não conseguiria... se fosse mesmo entrar pra política e quer ser prefeito, não sei se acabaria me corrompendo, como a maioria deles... talvez! Mas penso que iria querer fazer uma administração decente, honesta, também. E do jeito que é a burocracia nesse nosso país, eu sei que não conseguiria... ficaria muito frustrado! E o pior é que simpatizo com aquele lugar! Não iria querer ser seu primeiro prefeito e não fazer sequer o mínimo que possa por aquela comunidade. É por isso que nem tento... espero sinceramente que a promessa de progresso para Iranduba, que passa pela ponte, não deixe aquele lugar de fora.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Saudade Doída - Te Vejo Por Onde Ando

Saudade doida
Doída
Aperto no peito
Saudade de ouvir tua voz
Saudade dos teus olhos
Grandes pérolas escuras
A perscrutar o horizonte
Saudade do som do teu riso
Saudade da luz que irradia
De teu rosto belo, harmonioso
Saudade alucinada
Pesada
Saudade de ver você


Por onde ando
Imagino te ver
No Largo, sentada
Num banco de praça
A observar a movimentação
Caminhando pela avenida
Passos lentos, parecendo estudados
Andando em meio à multidão
Nas ruas do Centro da cidade
Passando por mim no ônibus...

Te vejo na moça do caixa de supermercado
Na menina risonha de vestido
Que brinca despreocupada
Na noite enluarada
Na jovem séria, compenetrada,
Óculos pendurados no nariz,
Lendo um livro
Te vejo um anjo
De longas, belas e brancas asas
De rosto iluminado
De olhar sereno
Te vejo,
Imagino que te vejo
Sorrio e agradeço
Por ter podido te ver

Jeremias

Li no jornal Manaus Hoje, edição de terça-feira, 16 de agosto de 2011, uma notícia sobre o desaparecimento de um rapaz, na Cidade Nova. Segundo o jornal, Jeremias dos Santos foi visto pela última vez no último sábado e a família encontra-se muito preocupada, pois o rapaz é deficiente auditivo.
Pensei, pode ser que seu sumisso não tenha nada a ver com a sua situação, mas com o desejo de sumir, desaparecer mesmo, ficar longe de tudo e de todos. Mas é provável também que tenha se perdido... a zona Norte é grande! Tempo desses, quase me perdi, lá pros lados do Oswaldo Frota, aquele conjunto pra lá da Cidade Nova. Aliás, a Cidade Nova é praticamente uma cidade, mesmo... não na estrutura, mas na extensão e povoamento. Pois se, para mim fica fácil me perder no emaranhado de ruas da zona Norte de Manaus, mesmo podendo comunicar-me, pedir informação, procurar um ponto de referência, imagine para um portador de necessidades especiais, como no caso de Jeremias!
Ok, Jeremias talvez até consiga dizer para alguém quem é, que encontra-se perdido, não sabe onde está, quer voltar pra casa e tudo o mais, mas o problema todo é ser entendido... ele pode saber falar, através da linguagem dos sinais, mas quantas pessoas sem deficiência auditiva também conhecem essa linguagem? Te digo, bem poucos. Seja em Manaus, São Paulo, Porto Alegre, ou Rio Branco... há surdos que são “analfabetos” na linguagem dos sinais. Eu sou completamente analfabeto nisso. É uma vergonha! Mas não há um interesse real em se integrar os portadores de necessidades especiais à sociedade. Você vê que não há muitas calçadas adaptadas para os cadeirantes. Pior, quando há calçadas, os estabelecimentos usam-nas como estacionamento! Claro, vejo isso todo dia, aqui em Manaus, inclusive quase fui atropelado, sendo obrigado a caminhar na pista da avenida Perimetral, no Parque Dez. Mas esse fenômeno é nacional. Para os deficientes visuais também temos várias armadilhas Brasil afora. Noite dessas, esperando meu ônibus, observava três cegos que vinham se dirigindo para a parada do seu, ali em frente ao porto privatizado. Caminhavam os três lado a lado, batendo suas bengalas, balançando-as de um lado para o outro como um radar improvisado. Pois o radar de um deles não funcionou e ele foi de encontro a uma imensa placa daquelas que ficam nos pontos, tão forte que se ouviu um estrondo! Se você estiver rindo, enquanto lê isso, pare imediatamente, porque não é nem um pouco engraçado.
De vez em quando, nessa mesma parada, vejo um pequeno grupo de deficientes auditivos conversando entre si, no seu idioma. Me parece um grupo muito fechado, o dos surdos. Penso até se esses grupos não são células de uma organização maior, com o intuito secreto de dominar o mundo.
Não tenho muita idéia do que se pode fazer para integrar, de verdade, pra valer, os PNEs à sociedade. Mas, lendo a notícia, me ocorreu algo, que não sei se seria a solução, mas enfim, é uma idéia: acabar-se aos poucos com as escolas especiais para deficientes auditivos. E como seria isso? Bom, se adaptariam as escolas, digamos assim, normais para ensinarem no modo tradicional e na linguagem dos sinais. Do primário ao nono ano do ensino fundamental, pelo menos, pra começar, todas as crianças, deficientes auditivas, ou não, iriam aprender a linguagem dos sinais. É, pelo menos, talvez, a vida dos deficientes auditivos ficasse mais fácil. Mas é mais certo que eu esteja dizendo alguma besteira, então... não precisam levar a sério, mas se alguém levar essa idéia a sério, tente também levar adiante! Quem sabe dá certo.

domingo, 14 de agosto de 2011

O Velho Matrinxã


Domingo, dia dos pais. Como no caso dos dias das mães, das crianças, dos avós, dos namorados, da amante... tem se tornado mais uma data cujo significado é meramente comercial. Não tenho certeza, mas acho que as escolas públicas não fazem mais aqueles trabalhinhos das aulas de educação artística, para dar-se de presente para os pais, ou para as mães, conforme a data.
Hoje em dia, os presentes oferecidos pelos grandes magazines, a preços módicos e em suaves prestações a perder de vista, são mais sofisticados e vão além da meia, gravata e/ou caixa de ferramentas. Infelizmente porque, bem, agora poderia estar ganhando um celular, ou um tablet, ou até mesmo um bom whisky importado, que com certeza seria muito apreciado, no seu dia.
Pois é, faz alguns anos que o velho matrinxã deixou o nosso convívio. Não o temos mais para comemorarmos o dia dos pais. O velho Matrinxã era velho mesmo: nasceu na primeira metade do século passado, a II Grande Guerra era um fato da atualidade, e Getúlio Vargas era o presidente da República, na sua mocidade. O velho Matrinxã gostava de contar histórias daquela época. Meu irmão mais novo e eu gostávamos de escutar essas histórias, algumas das quais, hoje em dia, desconfio que não fossem exatamente verídicas. E se o fossem, talvez não tivessem tido sua participação, a não ser como expectador, ou ouvinte!
A confusão já começava por sua origem: segundo minha mãe, os Matrinxãs da nossa família, teria contado ele, teriam vindo de outros rios, dos da França... mas para mim, ele contara outra história, dissera ele que seu avô e seu pai seriam nordestinos, vindos, talvez, de Pernambuco, ou da Paraíba, para o Rio Grande do Sul. Se seu avô era europeu, ou brasileiro, não sabemos, mas sua mãe era argentina! Matrinxã gaúcho, filho de nordestino com correntina!
O velho Matrinxã nos contava também dos seus tempos como funcionário civil da Aeronáutica, no Rio de Janeiro, então ainda capital federal. Da rivalidade que havia com os paulistas que lá estavam, que nunca engoliram aquele gaúcho da fronteira como presidente da República. Algumas de suas histórias me fizeram interessar por assuntos que depois fui estudar mais profundamente, como um episódio em que colegas seus foram hipnotizados por um oficial, um nordestino, profundo estudioso da psicologia humana. Depois fui procurar informações sobre a psicologia, o subconsciente, as manifestações da nossa imaginação, etc. Em outro momento, ele contou-nos ter sido testemunha, com mais dois amigos, um capitão e mais uma porrada de gente, de um estranho acontecimento, envolvendo um objeto desconhecido, de forma circular, que pairava, ao que parece, sobre a lagoa Rodrigo de Freitas. Segundo ele nos contou, o objeto era imenso e ficou ali, flutuando sobre as águas por vários minutos, fazia evoluções, desaparecia no horizonte, voltava... até que, enfim, alçou vôo e desapareceu no espaço! Plena manhã! Não sei se a história contada era verídica, mas de qualquer forma, me atiçou a curiosidade sobre esses objetos não-identificados e seus tripulantes, que de vez em quando vêm nos visitar.
Com o velho Matrinxã fizemos viagens inesquecíveis, nas férias! Fomos, diversas vezes, no verão, a Florianópolis. Floripa, a ilha da magia... e hoje, dos turistas argentinos! Naquele tempo, nem ia tanto argentino assim pra lá. O velho Matrinxã gostava muito das praias catarinenses. Olhando as orlas gaúcha e paulista, você logo entende o porquê. Ele nos levou até lá num Karman Ghia, numa Brasília – azul, não amarela - , numa Caravan e até num Maverick, ano 1978, motor V8! Isso que é estilo, hein!? Enfrentamos enchentes e deslizamentos de terra, na estrada da capital catarinense! Lembro que, enquanto meu pai dirigia, víamos uma pedra imensa descendo morro abaixo e crescendo pra cima de nós! Férias radicais, mas radicais mesmo, eram com o velho Matrinxã! Satisfação garantida, ou seu dinheiro perdido!
Não é só neste dia que sinto falta do velho Matrinxã. Várias vezes acontece de nos lembrarmos dos bons tempos, dos bons momentos passados com nosso pai. Sentimos saudades das histórias que ele nos contava, dos jogos de xadrez – também de canastra, dominó, etc – das discussões filosóficas sobre qualquer assunto. Em sua atual morada, feliz dia dos Pais, velho Matrinxã! Muito grato por tudo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Preparando o Coração


Não queria ter de pensar essas coisas ainda. Nos últimos dias, as coisas estão se encaminhando, me forçando a pensar a respeito. Fiz o que pude, ou acho que fiz o que podia para sequer precisar pensar a respeito. Talvez pudesse tentar algo mais, mas me escapa, o que quer que seja. É bom que não me venha a idéia quando for tarde! Vou odiar muito o momento em que isso vier a acontecer.
Não quis me adiantar tanto nos acontecimentos, não quis criar muitas expectativas, mas também não queria ter de pensar nos acontecimentos prováveis. Aparentemente, não adianta muito não querer. Tentei proteger alguém que tentou me proteger, gostei dos momentos que tivemos, embora curtos. Mesmo gostando, sempre tive a impressão de que nossas conversas ficavam inacabadas, tanto mais quanto mais profundas. Até nossos desencontros são, para mim, carregados de poesia. E nem eles são tão freqüentes assim... e talvez não ocorram mais... mesmo sendo raros, ainda há a possibilidade de que ocorram... agora! Mas e depois?!
Por que fui me apaixonar? Por que me apeguei tanto, em tão pouco tempo, a essa pessoa? Que me importa eu, me preocupei mais em que ela não sofresse! Pergunto-me, seria assim tão ruim se tivéssemos participado mais um da vida do outro? Talvez, não sei, que importa agora, também, quem tem razão?! Talvez não ficasse somente na sua órbita?! Não sei, pode ser... e mais uma vez, que importa isso agora?? Eu que não quis pensar nisso tudo antes... fiz o que pude e esperei as coisas se encaminharem. Só que não estão se encaminhando como o esperado. Até um novo concurso, o qual já estava examinando a possibilidade de fazê-lo, está dando para trás.
Pensei diversas vezes em diversas coisas e deixei de fazê-las, ou de tentá-las, por um medo idiota, por entender que não seria certo, ou que, estando as coisas mais ou menos seguras e encaminhadas, novas oportunidades surgiriam... enfim, tudo isso tem a ver com medos e receios. E agora tenho pensado no que fazer... se é que há algo que se possa fazer. Sei que apesar das proteções, vou sofrer, que já estou sofrendo. Temo que os próximos dias sejam ainda piores. Eu sei, não devia ter me apegado tanto assim... talvez demore muito para nos vermos outra vez... talvez não nos vejamos mais... simplesmente. Talvez esteja me preocupando a toa, mas pode ser que o tempo esteja mesmo passando e tenha que se pensar nisso, agora.

O Andarilho

Quanto mais eu andarilho
Mais preocupado fico
Quanto mais parado eu fico
Mais sem paradeiro me encontro

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Medo da Despedida


Já me assaltam dúvidas
Já não sei o que fazer
Sinto em meu peito uma dor
Sinto já uma tristeza em mim
Sinto um medo crescente
Daquilo que não quero
Daquilo que pode estar por vir
Não quero ir
Não quero deixar para trás
Temo nunca mais vê-la
Temo não saber o que nos esperava
E sequer saber que destino teríamos
Temo amanhã ser o último desencontro
Temo chegar o dia
Em que estaremos novamente longe
Em que não seremos um para o outro
Senão somente nomes que piscam na tela do computador...
A cada dia que passa
Tenho mais medo de não conseguir




Tenho medo da despedida

sábado, 6 de agosto de 2011

No Ponto de Ônibus

Ele acordou atrasado, às 5:30 da manhã, correu para se ajeitar, ajeitar as suas coisas, bebeu uma xícara de café pelando de quente, também correndo, colocou os sapatos nos pés, pegou as chaves de casa, colocou sua bolsa no ombro e correu para o ponto do ônibus, para pegar o seu para o trabalho.
Chega às 6:20 na parada, um tanto cheia, esperando o “bendito” ônibus passar. Conforme o tempo vai passando, o seu ônibus não vem, a parada começa a esvaziar, depois a encher de novo... e ele começa a irritar-se. Ou o ônibus das 6:30 passou antes, ou não passou e nem vai passar! Sua irritação vai aumentando com o passar do tempo, tanto mais quando ele vê pelo menos seis ônibus da linha que ele tem de pegar passarem na direção do Centro, enquanto que nenhum passa na direção do bairro.
Nisso, passa-se uma hora. Uma hora inteira em que ele está ali, parado no ponto, começando a sentir o calor e o sol começa a queimar, lentamente, sua pele, já quase completamente esturricada. A essa altura, ele já está, praticamente, praguejando alto, abusando do palavreado chulo, contra o maldito ônibus que não vem. Ele pensa que vai ter de enfrentar o sol do meio-dia para terminar o seu trabalho daquele dia, pensa em explodir o maldito ônibus, assim que ele chegar naquela parada, pensa em xingar o motorista e tirar satisfações pela demora daquele cretino. Pensa em dar meia-volta e seguir pro outro lado, já que seu dia de trabalho fora comprometido, mesmo... até que enfim...
Até que enfim! Não, não é o ônibus que chega, para cessar com a onda de raiva e impropérios! Se fosse o ônibus, provavelmente iria arrefecer sua ira, mas não iria cessá-la... ele ainda continuaria com muita raiva pelo atraso, doido pra descontar no cobrador fuleiro e no motorista bagaceiro. Não, só mesmo ela, sua musa, sua amiga predileta, sua paixão platônica, seria capaz de acalmar aquele cabeça quente! Ele a viu se dirigindo para a parada do outro lado da avenida e, por um instante, ele esqueceu o ônibus que não vinha, um sorriso besta apareceu em seus lábios. Pensou em chamar sua atenção, mas preferiu não fazê-lo: não queria deixá-la envergonhada logo de manhã cedo. Quase sentiu-se feliz por seu ônibus atrasar, pois assim pôde vê-la, se dirigindo para o seu ponto, para também pegar seu ônibus para seu trabalho. Notou que ela olhava para a frente, reto, como que concentrada no seu caminho. No seu caminho... ou no seu dia? Ele se perguntou em que ela estaria pensando, se estaria preocupada com alguma coisa. Aparentemente, ele não foi visto, mas provavelmente porque ela estaria com a cabeça muito ocupada pra ver quem quer que fosse.
Enfim, chegou seu ônibus, ele teve de interromper seus pensamentos, teve de embarcar no ônibus e deixá-la para trás, perdê-la de vista. Isso sempre lhe dá um aperto no coração... mas ele ainda dá mais uma olhada para trás. Uma última olhada, antes que o dia volte a ficar cinza.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Termos & Sermos


Cada dia que passa me sinto mais apaixonado por minha musa inspiradora! A cada momento, a cada conversa que temos, sinto-me mais atraído para sua órbita. Cada vez mais apaixonado pela pessoa que ela é. Penso demais nela, sorrio, às vezes entre lágrimas emotivas, lembrando algum gesto seu, algo que fora dito, alguma brincadeira que a fez rir... fecho os olhos, para vê-la nos mínimos detalhes; seu rosto, seus cabelos, olhos, boca, nariz, mãos, pés, enfim... para ouvir sua voz, seu jeito, seus gestos... penso em cada conversa, em cada palavra dita... romantizo, imagino coisas até meio adolescentes, imagens de um “mundo perfeito” – bom, talvez, para mim – mas que não ouso falar abertamente sobre. Cada dia que passa tenho mais certeza – ou “certeza”, talvez – de que já a amo, sinto uma certa frustração por não fazer mais por ela, penso até coisas que já pensei antes, em outros momentos, que a tendo, estando a seu lado, poderia ser feliz...
Um pequeno parêntese: segunda-feira fui ao centro da cidade, passei o dia por lá, tive uma entrevista de emprego, depois disso fui à Federação Espírita, também lá no Centro. Ouvir uma palestra, receber passe, orar para que certas aflições sejam resolvidas, para agradecer as oportunidades que andaram se desenhando, agradecer por ela, por tê-la conhecido... enfim, por aí vai! Pois o palestrante discorreu sobre a felicidade, sobre o que buscamos em nome dessa tal, sobre o ter e o ser – referia-se a que o ser humano ainda busca a felicidade nas coisas, na posse, de objetos e de pessoas, etc. Gostei da palestra. Geraldo, parece que era esse o nome do palestrante. Irmão Geraldo. O que ele disse me fez refletir. Pois é, não é...? Por muito tempo pensei em ter alguém, que minha felicidade dependia completamente dessa pessoa, ou melhor, de tê-la, mesmo! Queria com essa pessoa formar uma família, todas aquelas convenções sociais e românticas, tipo envelhecer juntinhos, etc. Queria ter e pertencer a alguém, pensava que a felicidade seria assim.
Aí, após a palestra de segunda-feira, eu me perguntei: se a amo mesmo... se tenho por ela sentimento tão sublime... por que quero tê-la?! Pra que prendê-la, maneá-la, de certa forma tirar-lhe a liberdade?! Ser dela também... ok... mas por que ter alguém? Tê-la a meu lado, exatamente como imaginava, me faria feliz mesmo?! E ela? Ela seria feliz, comigo?! Quando a gente romantiza e idealiza, não pensa muito no que deixaria o outro feliz, acho eu. Não me sentiria bem tendo uma pessoa... tendo minha musa e sabendo-a não muito feliz. É um tanto romântico demais querer TER essa pessoa e viver com ela apenas momentos felizes. E muito imbecil querer mantê-la sempre consigo, protegida dos problemas. É. Pois é... tudo isso veio a minha mente, pensando no que falou Geraldo, o palestrante, na segunda-feira, na Federação Espírita.
Achei interessante a abordagem dele. Pelo que pude depreender, somos ainda escravizados pela ilusão de que, para sermos felizes, precisamos tão somente do que o mundo material pode nos proporcionar, que precisamos ter objetos, ter a fama e o sucesso, ter o poder, ter alguém.
Gostaria de ter já sublimado todas essas coisas. Gostaria de não sentir ciúmes, pois ainda sinto isso, pois se algum dia vê-la com alguém, sei que ficarei enciumado. Bobagem, eu sei! Não vou mentir que tê-la e ser tido, como imaginei diversas vezes, não pareça mais atraente. Só que ser também é bastante interessante. SER em vez de TER. Gosto muito do que somos hoje. Não do que sou, exatamente, desse eu, queria gostar um pouco mais... não sei exatamente o que sou para ela... se ainda sou uma companhia agradável, gosto muito de sê-lo! Assim como adoro ser seu admirador! Ela é minha musa, e já é alguém muito importante, com quem gosto de compartilhar minhas opiniões, meus ideais, etc. Gosto muito disso. Espero mesmo sermos, um para o outro, sermos juntos... eu gostaria muito! Sermos nós mesmos, e acho que não se consegue isso, tendo e pertencendo a alguém... sei que ainda não a conheço tão bem, mas já gosto muito de quem ela é. Como disse, estou bastante apaixonado por ela, por quem é.
Quanto a sermos juntos, bem, não vou procurar alimentar falsas esperanças. Acho que é meio óbvio o que gostaria que fôssemos juntos. Enfim, seja como for, quero que sejamos por um bom tempo. Sejamos um casal, ou uma dupla; sejamos amigos, namorados, companheiros – bem, acho que isso todos somos, companheiros de jornada – quase irmãos... o que importa é que sejamos! É o que desejo. E mais importante, que sejamos felizes!

Quereres


Queria te ligar
Queria te ver
Queria te encontrar
Queria te falar
Queria ver-te rir
Pois gosto de saber
Que você riu alto
Mas quero estar presente
Quando espocares de rir...
Queria não sentir tanta falta
Queria não te querer
                                desse jeito
Queria só te querer bem
Queria te querer como me queres
                                          como amigo
Queria não ter me apaixonado
Queria não imaginar – visualizar
Nós dois caminhando juntos, de mãos dadas
Queria participar mais de tua vida
Queria que quisesses, também, da minha
Queria mais curtir e menos pensar
Queria não temer arriscar
Queria não me preocupar o dia de amanhã
                                                         E o que ele nos reserva
Queria apenas não querer tantos quereres!