PESCANDO NO BODOSAL

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Círculo Vicioso


Você a ama
Você lhe quer bem
Você a quer
Você está apaixonado
E ela não
Você precisa mais dela
Que ela de você
Você sente muito sua falta
E ela não sofre se não te ver
É sempre você quem se apaixona
Por quem não se apaixona por você
Você já devia ter aprendido!
Mas continua se entregando
Todo alegre
A esse círculo vicioso...

Tudo no Olhar


Meu coração bate mais forte
Sorrio feito leso
A vejo, subindo a rua,
Apontando na esquina
Minha musa, toda linda
Com seu andar gracioso
Vindo do outro lado da avenida
Eu hesito...
Não quero assustá-la!
Resolvo arriscar
Vou até ela
Enlaço-a pela cintura
E avanço o sinal
Beijo-lhe os lábios
Com vontade, com pressa
Ela sorri e me pergunto
Se de algo desconfia
Faço tudo isso num olhar
São apenas uns segundos
Seu sorriso doce
E seu olhar
Me desarmam
E me bastam...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Dia do Amigo


Ontem foi dia do amigo. Mais uma data que está se tornando comercial, infelizmente... na tv, no rádio, nos encartes de jornal, você via lá, promoções e ofertas, para você dar um presente ao seu melhor amigo! É complicado, você definir o preço de uma amizade... e se der presente pra um, terá de presentear os outros... e, se der um presente de valor material mais alto pra um e um mais simplesinho para outro, como fica?!
Já foi o tempo em que eu entupia a caixa de e-mails, ou o mural de recados, no Orkut e Facebook de amigos, com mensagens desejando um feliz Dia do Amigo. É, nem sempre era eu quem escrevia a mensagem, mas mesmo as prontas, que você encontra naqueles sites de cartões virtuais, eu fazia questão de procurar ao máximo não repeti-las. Para cada amigo eu procurava aquela que imaginava combinar mais... sempre tive esse grilo!
Ontem, não entrei na internet, não pude felicitar meus amigos de twitter pela data... enviei mensagens de celular para as amizades mais chegadas. Não sou muito bom pra escrever esse tipo de mensagens, acho... não sei escolher as palavras pra dizer o quanto os amo, o quanto gosto da sua presença, quão importantes na minha vida são. Costumam dizer que amizade é quase amor... e não! Amizade é amor... do mesmo tipo que temos – ou deveríamos ter, pelo menos – por nossos irmãos e irmãs... amizade é um amor fraterno por alguém que não é do mesmo sangue, é, como já disse, certa vez, um amor mais livre, sem cobranças, sem tanto exclusivismo, que é dado sem esperar nada em troca.
Não fosse tão tímido... talvez fosse mais fácil demonstrar, pelo menos aos amigos mais chegados e os mais antigos, meu afeto, meu carinho... ser amigo de minha musa inspiradora... é uma grande coisa! É algo maravilhoso! Queria saber dizer-lhe, demonstrar-lhe isso... ontem, só pude agradecer. Foi só no que consegui pensar. Foi bem menos do que gostaria de fazer. Não vou mentir, vivo uma paixão platônica por ela, que tem sido muito especial, para mim. Gostaria de ser um pouco mais, mas não sofro, minhas lágrimas, quando as tenho, são de alegria e gratidão... porque tenho, na verdade, mais do que esperava... sei que tenho seu amor, de uma certa forma, seu carinho, seu afeto... queria dizer-lhe que o que faz por mim é muito! Quisera fazer mais por ela, também... quero o meu amor sempre aquecendo seu coração, sem jamais lhe pesar.

domingo, 17 de julho de 2011

Perdido em Pensamentos


Domingo, quase 8 horas da noite. E eu num cyber, na pista, no Parque 10, próximo ao Shangrilá. E pensando agora... como será que está minha musa? Como passou seu fim de semana? Terá se divertido com os amigos, terá ficado em casa hoje, terá sofrido com a seleção brasileira? Ou então, com o calor que fez nesta tarde...?
Acabei de ouvir uma música que tem a ver com isso aí acima, de um certo Paulinho Moska:
“Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Pensar em te esquecer
Pois quando penso em você
É quando não me sinto só
Com minhas letras e canções
Com o perfume das manhãs
Com a chuva dos verões
Com o desenho das maçãs
E com você me sinto bem

Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Te esquecer...”

Lembro das nossas conversas, das últimas duas semanas... das mensagens de celular que trocamos de vez em quando. Da nossa última conversa, quando nos encontramos no Centro, onde fui, na última sexta, para ler um texto seu, e fomos ao shopping, passar um tempo escapando do calor daquela tarde e conversando. De como senti um aperto no peito, imaginando a situação exasperadora em que ela ficou, certa vez. De como parecia que as palavras de um diálogo que ela me narrava eram dirigidas a mim, em determinados momentos. De como alguns inxiridos pareciam escutar nossa conversa e rirem-se, pensando a mesma coisa. De como meu incômodo com certos estilos musicais que tocam no sistema de som de algumas lojas foi facilmente vencido, ao vê-la balançar graciosamente a cabeça, ao ritmo de um sucesso de uma dessas duplas sertanojas universitárias! Amei ficar ali, meio bobo, observando-a gingar delicadamente, ao sabor da melodia... e daí tive a idéia de um pequeno poema. Lembro que pensei, como traduzir em palavras o que via e o que sentia?
O tempo é malvado, quando estamos próximos, ele passa muito rápido, aí temos que interromper nossas conversas, temos que nos despedirmos... e assim que saí, pela porta que dava para a Constantino, senti uma saudade já antecipada. Saudade que vem num crescendo. Que me faz lembrar seu rosto, seu sorriso, seu olhar... quando estamos próximos, me perco em seu olhar, que às vezes parece mirar um horizonte bem distante. Há momentos em que é bom se perder... me perco agora nesses pensamentos, nessa doce saudade, naquela cálida lembrança, daquela música, do seu jeito gracioso de balançar ao som dela. Não quero pensar na dor, ainda. Não quero que ela sinta-se culpada. Quero só devanear, lembrar, pensar nela... pensar em fazer-lhe bem e sentir prazer de tê-la perfumando e colorindo meu dia-a-dia.

sábado, 16 de julho de 2011

Melodia, Letra e Música


Tenho pensado, às vezes...
Em escrever um poema dedicado a você
Mas como traduzir em palavras
Como fazer um poema sobre a poesia?
Nem Drummond, nem Quintana,
Nem Bandeira, nem Buarque
Fizeram poesia que traduzisse
A harmonia de tua beleza
A fineza de teus traços
Você é melodia, letra e música
Para meus olhos, meus ouvidos
E coração...

Triângulo Quadrilátero


Tive um sonho, que pra muita gente, seria muito bom, mas pra mim, foi perturbador. Sonhei que estava num aeroporto, esperando para pegar um vôo. Pra onde eu ia e de onde vinha, não tenho bem certeza. Falava com minha mãe, por telefone, dizia que logo iríamos nos ver. Enfim, embarcava na aeronave, colocava minha mala no bagageiro, sentava-me num assento incrivelmente confortável, de cor escura... e começava a sentir-me estranho. Pensava que já tinha chegado, como se já tivesse partido de algum lugar antes. Sentia-me angustiado, ficava agoniado, querendo sair, querendo desembarcar, desistir da viagem. Fiquei um bom tempo sentado, apenas pensando. Querendo desembarcar, pesando os prós e contras... só que o avião começa a se movimentar, o piloto começa a falar. Ele disse de onde estávamos saindo, disse que ia até o Rio de Janeiro – ou qualquer lugar assim – e passaria pelo Ceará, Pernambuco, Bahia e “países da América do Sul”.  Sim, ele disse isso. É um sonho, nos sonhos nem tudo segue a lógica desse nosso mundinho! E haviam por sobre as poltronas cordinhas para puxar e fazer parada, no avião. Sim, haviam cordinhas de pedir parada! Pois enquanto o piloto falava e o avião taxiava, eu hesitei, mas puxei a bendita cordinha e fiquei segurando... cara de desolado... o piloto nem deu atenção. O avião decolou, começou a subir! E eu ali, segurando a corda, querendo desesperadamente descer.
Que sonho doido, né?! Não, mas eu fiz terapia, para ser menos travado e inseguro do que já sou, e a psicóloga que me tratou falava do significado dos sonhos. Ela não seguia muito nem a escola de Freud, nem a de Jung, seguia mais uma outra escola, um pouco mais nova, que falava também em simbolismos, arquétipos, etc. Mas que esses símbolos representam uma coisa para cada pessoa.
Ok, o simbolismo do avião pode até ser bem claro.  Mas um avião que você pode pedir pra falar, quando chegar no seu ponto? Acho que tem a ver com meu estado de espírito, há dias em que penso em desistir desse bendito concurso que vim fazer, penso em partir, ir embora sem olhar pra trás, pra talvez não mais voltar... me preocupo com minha mãe, que está lá, tão longe, se preocupando comigo aqui... queria poder deixá-la tranqüila e confortável, independente de onde eu estiver. Ao mesmo tempo que, alguma atitude, ou palavra, de alguém que eu tinha em muito alta conta, me faz querer partir, deixar tudo pra trás, há motivos suficientes para eu não querer ir, motivos que são meus, que nem pra todos são válidos. Eu a conheci esses dias, pessoalmente, vou partir assim e arriscar de não vê-la mais?! Penso, será que esse sonho não quis me mostrar que estou dando uma de Zeca Pagodinho? Sabe, deixando a vida me levar...? Deixando que essa gente, de um lado e de outro, me controle, me regule, minha vida, meus horários... sem moral, mas querendo mostrar-me o que é justo. Deixando que o “destino” se encarregue daquilo que quero e do que tiver de ser... sempre inseguro de um e de outro. Hoje acordei às 5h da manhã. Me sentindo perturbado com o sonho. Mas é assim que tinha de ser sempre... após cada noite de sono, após cada sonho, você deve despertar, levantar-se, mover-se. Não esperar simplesmente que as coisas aconteçam, como num sonho.

Não Sei se Fico ou se Vou


Tive um sonho, que pra muita gente, seria muito bom, mas pra mim, foi perturbador. Sonhei que estava num aeroporto, esperando para pegar um vôo. Pra onde eu ia e de onde vinha, não tenho bem certeza. Falava com minha mãe, por telefone, dizia que logo iríamos nos ver. Enfim, embarcava na aeronave, colocava minha mala no bagageiro, sentava-me num assento incrivelmente confortável, de cor escura... e começava a sentir-me estranho. Pensava que já tinha chegado, como se já tivesse partido de algum lugar antes. Sentia-me angustiado, ficava agoniado, querendo sair, querendo desembarcar, desistir da viagem. Fiquei um bom tempo sentado, apenas pensando. Querendo desembarcar, pesando os prós e contras... só que o avião começa a se movimentar, o piloto começa a falar. Ele disse de onde estávamos saindo, disse que ia até o Rio de Janeiro – ou qualquer lugar assim – e passaria pelo Ceará, Pernambuco, Bahia e “países da América do Sul”.  Sim, ele disse isso. É um sonho, nos sonhos nem tudo segue a lógica desse nosso mundinho! E haviam por sobre as poltronas cordinhas para puxar e fazer parada, no avião. Sim, haviam cordinhas de pedir parada! Pois enquanto o piloto falava e o avião taxiava, eu hesitei, mas puxei a bendita cordinha e fiquei segurando... cara de desolado... o piloto nem deu atenção. O avião decolou, começou a subir! E eu ali, segurando a corda, querendo desesperadamente descer.
Que sonho doido, né?! Não, mas eu fiz terapia, para ser menos travado e inseguro do que já sou, e a psicóloga que me tratou falava do significado dos sonhos. Ela não seguia muito nem a escola de Freud, nem a de Jung, seguia mais uma outra escola, um pouco mais nova, que falava também em simbolismos, arquétipos, etc. Mas que esses símbolos representam uma coisa para cada pessoa.
Ok, o simbolismo do avião pode até ser bem claro.  Mas um avião que você pode pedir pra falar, quando chegar no seu ponto? Acho que tem a ver com meu estado de espírito, há dias em que penso em desistir desse bendito concurso que vim fazer, penso em partir, ir embora sem olhar pra trás, pra talvez não mais voltar... me preocupo com minha mãe, que está lá, tão longe, se preocupando comigo aqui... queria poder deixá-la tranqüila e confortável, independente de onde eu estiver. Ao mesmo tempo que, alguma atitude, ou palavra, de alguém que eu tinha em muito alta conta, me faz querer partir, deixar tudo pra trás, há motivos suficientes para eu não querer ir, motivos que são meus, que nem pra todos são válidos. Eu a conheci esses dias, pessoalmente, vou partir assim e arriscar de não vê-la mais?! Penso, será que esse sonho não quis me mostrar que estou dando uma de Zeca Pagodinho? Sabe, deixando a vida me levar...? Deixando que essa gente, de um lado e de outro, me controle, me regule, minha vida, meus horários... sem moral, mas querendo mostrar-me o que é justo. Deixando que o “destino” se encarregue daquilo que quero e do que tiver de ser... sempre inseguro de um e de outro. Hoje acordei às 5h da manhã. Me sentindo perturbado com o sonho. Mas é assim que tinha de ser sempre... após cada noite de sono, após cada sonho, você deve despertar, levantar-se, mover-se. Não esperar simplesmente que as coisas aconteçam, como num sonho.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Ligações, Famílias e Espíritos


Estava eu pensando a respeito dessas coisas do coração... dessas ligações afetivas, quase familiares, desses laços que a gente tem, com pessoas às vezes bem distantes de nós e que nem sempre só “afinidade” consegue explicar. Laços que mantemos com pessoas, sem nem entender direito por que os temos ainda, sem saber por que ainda sentimos, por que ainda gostamos de quem gostamos... sentimo-nos estranhos, como se tivéssemos um casamento com certas pessoas, como se fossem irmãos, ou filhas nossas, muito embora...
Na casa onde estou parado, as meninas estavam discutindo, ou melhor, a mais velha das duas irmãs estava discutindo com a mais nova, que resmungava e reclamava da comida, dizia não gostar da pele do frango assado que eu havia buscado para almoçarmos, que a salada era virada só em folha, etc. A mais velha estava impaciente, mas não saía do lado da outra, querendo que a menina fizesse um esforço para comer direito. Dizia ter um compromisso, foi repreendida pela irmã mais nova, por causa de suas saídas com amigas, etc. e saiu-se com esta: “Você é minha filha? Ou meu marido? Que eu saiba, não tenho filho, muito menos, marido!”
Se você visse a cena anterior, teria certeza de que se tratavam, na verdade, de mãe e filha... apesar do que ela tinha acabado de dizer! Vai saber... é, eu acredito nessas bobagens de vidas passadas, imortalidade – e evolução – do espírito, de laços entre almas que vêm de muito tempo, que se formaram em outras encarnações...
Esse, acho eu, é um desses casos. Se a irmã mais velha, desde antes de conhecê-la, já tratava a irmã mais nova como sua criança, como sua filha, fazendo tudo, praticamente, pela menina, inconscientemente ela está sendo a mãe que, em uma outra encarnação deve ter sido, para ela. A menina está entrando naquela fase fascinante da adolescência, está mais rebelde, e tendo sido mimada... já viu! Por sua vez, a mais velha está rebelando-se, agora, contra essa obrigação, que ela mesma se impôs, de cuidar e se responsabilizar pela mais nova. Freud explica, como diria um ilustríssimo professor... a mim parece que, realmente, são duas almas que se encontram ligadas por laços muito fortes, muito profundos, que não vêm de agora, desta atual relação consangüínea entre as duas.
De minha família, somos em quatro irmãos. Dos quatro, um está casado desde os 19 anos, com a mesma mulher, teve dois filhos; os outros dois casaram-se duas vezes, um foi pai só no primeiro casamento, o outro tem um filho de cada. O único que sobrou fui eu, que nem o caçula sou e, como já falei antes, não tive muitas grandes paixões, não fui casado, nem tive filhos. Apesar disso, tem uma menina que, aos seis anos me chamou de paizinho, na brincadeira, e brincando, brincando, seu paizinho fiquei sendo, desde então. Constantemente a chamo de filha, minha filha, filhota... foi engraçado o modo como nos conhecemos e, sem nenhum laço de sangue, ou parentesco, mesmo que distante – até onde eu saiba – ainda assim, acabamos de alguma forma ligados. Se como pai e filha, não sei, mas talvez tenhamos uma ligação que venha de outras vidas. Procuro fazer o que posso por ela, tenho tentado lhe aconselhar, a gente conversa, eu a escuto... gosto muito dela, sinto-me ligado a ela, como se fosse da minha família, mesmo, de um modo que não faria muito sentido pra um bando de gente... acho que a filosofia espírita meio que explica isso daí!
A moça lá, se não tem um “marido” por aí, também? Ah, vai saber...!

sábado, 9 de julho de 2011

Uma Tarde no Largo


Semaninha chata... tristonha, modorrenta, depressiva, cinzenta, parada, morta. Nem o resultado do concurso foi capaz de me animar. Na verdade, me deixou foi mais angustiado! Tenho pensado em como fazer pra agüentar mais um, talvez dois meses para esperar pela segunda fase do concurso.
Nada nesta semaninha valeu a pena... senti-me desprezado, senti-me como um intruso, senti raiva, senti solidão, fiquei deprimido... sei lá, melhor esquecer esta semana. Será?! Não fosse por ontem, acho que esta semana podia ser riscada da lembrança, mesmo! Não fosse pela sexta-feira, em que decidi pensar menos naquele pessoal, decidi que ninguém iria me empatar de sair para encontrá-la, para rever... minha musa inspiradora!
Havia combinado de vê-la durante a semana, no Largo, mas não imaginava que seria tão difícil, nem esperava tantos... contratempos! Surgiam empecilhos do nada. A medida que a semana ia passando, ia me preocupando, imaginando até o que ela poderia pensar... mas na quinta à noite havia decidido, de sexta não passava, eu sairia de qualquer jeito, precisava espairecer, estava sentindo-me cada vez pior. Não ia agüentar mais uma tarde de marasmo e calor, como a anterior. Mas principalmente, queria vê-la!
Fui até o Centro, temendo não chegar a tempo, temendo não vê-la no Largo. Fui até lá sentindo borboletas esvoaçando em meu estômago. Todo nervoso e com a boca seca. Acho que passei por ela e só a vi quando me voltei para o largo, fiquei encabulado, obviamente ela me viu antes que eu a visse. O que devia estar pensando de mim, meu Deus?!
Bem, nos sentamos lado a lado, embaixo da sombra de uma árvore... e aquele momento valeu por toda a semana! Aquele momento de paz, conversando, falando de nós mesmos, do prefeito, da cidade, de coisas mais profundas e outras nem tanto, de amenidades... foi o que salvou a semana, penso. Semana que não vinha sendo tão boa, até aquele instante! Até os momentos de silêncio, onde ficava eu, meio apatetado, tentando achar o que dizer, foram bons. Admirá-la em pessoa é melhor do que pela internet, prestar atenção em cada detalhe do seu rosto, olhá-la e virar para o lado, para não ofuscar os olhos na sua luz... e não parecer que tava encarando... admirar seus olhos, sua boca, seu sorriso, o modo como seus cabelos lhe emolduram o rosto, a cor dos seus cabelos, da sua pele, dos seus olhos. Admirar sua voz, me encantar com seu jeito de falar...
Algo que ela me contou me deixou um pouco apreensivo. Talvez não seja pra tanto, talvez ela tenha pressentido umas idéias que estavam em minha cabeça, já antes, não sei. Como se isso fosse possível, fiquei ainda mais apaixonado! Passei o resto do dia relembrando aquele momento, um tanto curto, relembrando seu rosto, sua voz, seus suspiros, nossa conversa... repassando ponto por ponto. Pensando em maneiras de lhe escrever uma mensagem de e-mail, ou de celular, em vê-la novamente, visualizando ridículas versões românticas da imagem mental, da memória fotográfica, melhor que qualquer TecPix, de nós dois ali, sentados no largo, sob a sombra da árvore, lado a lado... quando ler isto, por favor, me desculpe. Não consegui evitar! Não fosse por ver minha adorável musa inspiradora, até meu fim de semana estaria com uma cara mais chocha.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

Durma-se Com um Barulho Desses...


Calor demais para dormir. Mosquitos demais em volta de mim. Não consigo conciliar o sono. Deitei cedo, pensando que não teria dificuldades... havia feito uma boa caminhada, estava quase feliz com meu corpo, quase feliz com os resultados do meu emagrecimento. Com os pés doendo, por conta da caminhada. Cochilo. Nada mais que um cochilo... acordo suado. Sendo implacavelmente picado pelos mosquitos. Ouço vozes. Altas horas. Minhas meninas! Não consigo mais dormir. Me levanto, vou ao banheiro, depois até a cozinha, bebo um gole d’água. Falo alguma coisa. Recebo um olhar gelado. Um olhar de desprezo. Meu sangue gela. Deito novamente, tento dormir. Não consigo, estou suando, os carapanãs continuam a me atacar com raiva, mesmo com repelente. E isso é o de menos. Começo a chorar. Meu peito a apertar e a doer. Penso no olhar. Penso na decisão que se aproxima. Penso na idéia que tive, que pretendi fazer, quando se aproximasse mais o tempo de partir. Penso como sou idiota... penso que, se Deus achar por bem me levar, como levou meu pai, com um infarto, não irei me importar... o coração parece pesar uma tonelada. Uma tonelada de tristezas! Sinto-me só, por estar sem sono e não ter nem sequer com quem conversar... altas horas da noite. Quase meia-noite. Ela não está com pouco sono? Ela não pode ao menos isso, conversar? Não, não pode... está ocupada demais com o seu celular, fingindo ler alguma mensagem, me ignorando... não temos mais intimidade para conversar? Para ao menos fazer companhia um ao outro? Sim, temos. Mas e daí?! Não tenho o carro certo. Nem sei dirigir. De repente, a minha percepção de estar mais magro torna-se poeira. Sinto-me muito grande, muito gordo e desengonçado. Eu quis, de repente, ter alguém para ligar. Para mandar uma mensagem. Conversar pessoalmente, ou pelo messenger. Não precisaria desabafar... podia conversar besteira, mesmo! Só para desanuviar. Para tirar o peso do meu peito. Quis vê-la... ela. Sinto-me triste. E com raiva. Porque ainda não consegui revê-la, reencontrá-la... a minha musa. Quis ligar-lhe e tentar explicar... como é que ainda não bateram nossos horários. Quis escrever-lhe, talvez, uma mensagem de e-mail, quem sabe uma mensagem de texto, para seu celular... mas não quis incomodá-la, talvez esteja já deitada, no terceiro sono, cansada e exausta demais para aturar um chato – que nem bêbado está, pra pensar nisso – a essa hora da noite. Senti-me sozinho demais. Cheguei a pensar: se me vissem chorar, se ficariam do meu lado, me abraçariam, se ao menos passariam a mão na minha cabeça... e me senti ridículo! Pra que quero que me vejam chorando? Odeio sentir-me carente desse jeito. Não gosto nada dessa solidão. Detesto estar sensível e aflito, com o peito doendo assim, desse jeito. Não queria passar a noite com isso entalado. Então vim novamente à cozinha, meu Evangelho segundo o Espiritismo, meu caderno, meu celular e minha música. Vim escrever. Não havia mais nada que eu pudesse fazer. Não dá pra eu fugir, não tem onde me refugiar. Vim para escrever sobre meus desgostos... enquanto elas dormem. Sou eu e o cão. Dois guardiões, ignorados, vigiando a casa, enquanto o resto dorme o sono dos justos. Odeio estar tão a flor da pele!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Minha Queixa


Chorei ouvindo uma música de Caetano Veloso. Uma que diz mais ou menos assim: “Um amor assim delicado/ você pega e despreza/ Não devia ter despertado/ ajoelha e não reza/ Dessa coisa que mete medo/ Pela sua grandeza/ Não sou o único culpado/ Disso eu tenho a certeza/ Princesa, surpresa, você me arrasou/ Serpente, nem sente que me envenenou/ Senhora, e agora, me diga onde vou/ Senhora, serpente, princesa/ Um amor assim violento/ Quando torna-se mágoa/ É o avesso de um sentimento/ Oceano sem água/ Ondas, desejos de vingança/ Nessa desnatureza/ Batem forte sem esperança/ Contra a tua dureza/ Princesa, surpresa, você me arrasou/ Serpente, nem sente que me envenenou/ Senhora, e agora, me diga onde eu vou/ Senhora, serpente, princesa/ Um amor assim delicado/ Nenhum homem daria/ Talvez tenha sido pecado/ Apostar na alegria/ Você pensa que eu tenho tudo/ E vazio me deixa/ Mas Deus não quer que eu fique mudo/ E eu te grito esta queixa/ Princesa, surpresa, você me arrasou/ Serpente, nem sente que me envenenou/ Senhora, e agora, me diga onde eu vou/ Amiga, me diga...”
Odeio sentir-me assim! É claro, gosto de estar apaixonado, quem não gosta? Só que isso... independe de estar apaixonado, ou não. É carência, pura e simples. É você querer ser um pouco mais que um admirador, é você querer que aquele amor antigo não teime mais em lutar contra os sentimentos e permita uma reaproximação... é, às vezes, querer só um abraço, um beijo.
Uma amiga, um dia, me perguntou há quanto tempo não transava. Como se todos os meus problemas se resumissem a isso! A dor que into é mais em cima. É no meu peito que a sinto. Dentro do meu peito. Se o que me fizesse perder noites de sono, sentir uma tristeza sem saber de onde vem, sentir tensões e dores nas juntas e costas, fosse nada mais que a falta de um pouco de prazer carnal... eu não estaria nem sequer aqui, escrevendo! Seria bem mais fácil de se resolver.
Já falei que seria tudo mais fácil, se pudesse sentir apenas o amor puro e desinteressado, aquele amor mais sublime, que DEVÍAMOS ter por todas as criaturas? Já, né... eu tento! Por que não tem outro jeito. Também sinto a falta de um afeto, de um carinho. Pode ser que não pareça, mas eu também gosto de um chamego. Às vezes – como hoje – sinto-me desesperar e sentir como uma dor física a falta desse toque, desse carinho, de aconchegar num abraço... só a ausência já me dói. Ainda fico enciumado com situações que já não me dizem mais respeito. O sonho que tive, no último fim de semana, veio com um significado. Ainda ver por trás daqueles olhos alguma fagulha de uma chama, e à noite saber, ou suspeitar, que as carícias trocadas com os olhares são sentidas e dadas por outro corpo.
Gosto de admirá-la, de acariciá-la com o olhar, enroscar dedos invisíveis em seus cabelos, acariciar seu rosto, sua pele, roçar seus lábios e seu pescoço... gosto de me perder em seus olhos, no seu sorriso... sentir o coração bater mais forte, como quando a vi e fui visto. Gosto de mergulhar no seu olhar, no escuro mais profundo de seus olhos. Já amo sua voz. Já tenho por hábito procurá-la toda vez que subo a avenida, de dia ou de noite. Gosto de tê-la como minha musa, gosto de ser seu admirador nada secreto! A mesma musa que me inspira também me dói... hoje, dói. É assim que meu coração escolheu. Mas não gosto quando a carência de um xodó parece ser mais forte que o amor sentido.
 

domingo, 3 de julho de 2011

Sonhos e Medos - todos tolos


Vez por outra conto aqui meus sonhos. Num dia, sonhei com um conhecido, no sonho o cara ficava me enchendo as pacovas com besteiras, e eu lhe dizia pra calar a boca. Assim que ele chegou bem perto do meu ouvido, pouco antes de acordar, o levantei pelo pescoço, estrangulando-o com uma das mãos. Você já teve essa sensação, de queria esganar alguém muito chato, até que essa pessoa perdesse todo o ar e não pudesse falar por um bom tempo? O outro sonho foi menos agradável, estava eu na casa onde estou parando, ali no Shangrilá VII, junto da menina que é minha filha do coração, quando adentrava a cozinha o meu ex-amor, sempre conturbado. Ela ia até a porta da frente, aparentemente para sair com um sujeito, com quem andou ficando, uns tempos atrás. Nesse momento, em vez de ouvi-la sair, ouço-a chamar o cara para entrar, vindo de mãos dadas com um sujeito, parecendo uns 15 anos mais velho, com uniforme militar. O sujeito me olha com um ar meio constrangido e eu o olho de volta da mesma maneira. Ela nos apresenta e nos cumprimentamos sem apertar as mãos. Ela parece não perceber, ou estar gostando de ver a tensão entre nós dois.
E enfim, o sonho que tive esta manhã! Gostei desse sonho. Mas é um sonho, é idealizado, enfim, não preciso nem narrá-lo, ou resumi-lo. Nele, ocorria um encontro para o qual, digamos, estou preparando o espírito. Bastante idealizado, devo reconhecer.
Liguei pra mulher do meu irmão mais novo, hoje. Ela não está aqui, está lá no Rio Grande do Sul, e não a vejo com nenhum olhar de cobiça, romântico, ou qualquer coisa assim. Liguei para ela, porque a operadora do seu celular é a mesma do meu, assim a ligação sai mais barata, pago apenas 25 centavos e falo com meu irmão, minha sobrinha, falei até com minha mãe e meu padrasto! Com a família toda! Quis saber se minha mensagem de celular, referente ao aniversário do meu irmão havia chegado. Era pra confirmar, e também pra falar com a turma lá do Sul, saber como está minha família, coisa e tal. Diz que lá ta uma friaca maravilhosa... pra quem gosta de frio, óbvio! Minha cunhada, por exemplo, disse que por lá a temperatura estava, em média, nuns 10 graus. Eu não podia deixar de contar vantagem, lhe disse que aqui estavam fazendo 33, 34 graus. O que ela disse? Que já tava querendo vir pra cá. Nem imagino o porquê! Também não curto o frio. Por isso, não estou curtindo muito essa idéia de voltar pra lá no mês que vem – justamente o pior período do inverno! Agosto costuma ser o mês mais rigoroso. Até ouvi a voz da minha sobrinha mais novinha, que até já está falando mais palavras do que quando eu vim de lá! Gosto muito desses momentos, sério. Certas malas falam do dia da minha partida como se fosse um momento muito negro no meu futuro próximo. Eles não entendem que, se eles estão aqui por não ter pra onde ir, eu tô aqui porque quero estar. Se na sua terra, a sua família não está muito afim de vê-lo por lá, a minha está muito afim de me ter de volta. Enfim, cada um, cada um...
Mas pois é... estava eu ligando para minha família do Sul e me preparando pra fazer uma outra ligação. Vim para o cyber, pensando em ficar só um pouquinho, enviar meu currículo para os e-mails de uns anúncios que peguei no jornal de hoje... tirar uma cópia impressa também... e cá estou, escrevendo texto atrás de texto, tuitando, atualizando minha página do Facebook... em vez de estar ligando. Confesso minha insegurança. Não sei nem como vai ser recebida minha ligação... sinto um frio na espinha, que só vai passar quando eu ligar, e paradoxalmente to muito afim de lhe ligar! E mais, de vê-la outra vez. Conversar com ela. Talvez seja isso... sou sempre louco para vê-la, mas nunca me sinto visível... é, difícil de entender, eu sei... ou nem tanto! Aliás... vai entender se perder uma tarde de domingo aqui, escrevendo!?