Hoje chamam de mini mercado, ou mercadinho, mas, na nossa infância, chamavam de armazém, venda, ou taberninha... local onde você encontra de tudo: pão, misturas, erva mate e pupunha a granel, pirarucu seco pro almoço de sexta-feira santa, uma caninha da boa, envelhecida em barris de carvalho e um ou dois dedos de prosa... entre e fique a vontade!
Ontem foi dia do amigo. Mais uma data que está se
tornando comercial, infelizmente... na tv, no rádio, nos encartes de jornal,
você via lá, promoções e ofertas, para você dar um presente ao seu melhor
amigo! É complicado, você definir o preço de uma amizade... e se der presente
pra um, terá de presentear os outros... e, se der um presente de valor material
mais alto pra um e um mais simplesinho para outro, como fica?!
Já foi o tempo em que eu entupia a caixa de
e-mails, ou o mural de recados, no Orkut e Facebook de amigos, com mensagens
desejando um feliz Dia do Amigo. É, nem sempre era eu quem escrevia a mensagem,
mas mesmo as prontas, que você encontra naqueles sites de cartões virtuais, eu
fazia questão de procurar ao máximo não repeti-las. Para cada amigo eu
procurava aquela que imaginava combinar mais... sempre tive esse grilo!
Ontem, não entrei na internet, não pude felicitar
meus amigos de twitter pela data... enviei mensagens de celular para as
amizades mais chegadas. Não sou muito bom pra escrever esse tipo de mensagens,
acho... não sei escolher as palavras pra dizer o quanto os amo, o quanto gosto
da sua presença, quão importantes na minha vida são. Costumam dizer que amizade
é quase amor... e não! Amizade é amor... do mesmo tipo que temos – ou deveríamos
ter, pelo menos – por nossos irmãos e irmãs... amizade é um amor fraterno por
alguém que não é do mesmo sangue, é, como já disse, certa vez, um amor mais
livre, sem cobranças, sem tanto exclusivismo, que é dado sem esperar nada em
troca.
Não fosse tão tímido... talvez fosse mais fácil
demonstrar, pelo menos aos amigos mais chegados e os mais antigos, meu afeto,
meu carinho... ser amigo de minha musa inspiradora... é uma grande coisa! É
algo maravilhoso! Queria saber dizer-lhe, demonstrar-lhe isso... ontem, só pude
agradecer. Foi só no que consegui pensar. Foi bem menos do que gostaria de
fazer. Não vou mentir, vivo uma paixão platônica por ela, que tem sido muito
especial, para mim. Gostaria de ser um pouco mais, mas não sofro, minhas lágrimas,
quando as tenho, são de alegria e gratidão... porque tenho, na verdade, mais do
que esperava... sei que tenho seu amor, de uma certa forma, seu carinho, seu
afeto... queria dizer-lhe que o que faz por mim é muito! Quisera fazer mais por
ela, também... quero o meu amor sempre aquecendo seu coração, sem jamais lhe
pesar.
Domingo, quase 8 horas da noite. E eu num cyber, na pista,
no Parque 10, próximo ao Shangrilá. E pensando agora... como será que está
minha musa? Como passou seu fim de semana? Terá se divertido com os amigos, terá
ficado em casa hoje, terá sofrido com a seleção brasileira? Ou então, com o
calor que fez nesta tarde...?
Acabei de ouvir uma música que tem a ver com isso aí acima,
de um certo Paulinho Moska:
“Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Pensar em te esquecer
Pois quando penso em você
É quando não me sinto só
Com minhas letras e canções
Com o perfume das manhãs
Com a chuva dos verões
Com o desenho das maçãs
E com você me sinto bem
Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Te esquecer...”
Lembro das nossas conversas, das últimas duas semanas... das
mensagens de celular que trocamos de vez em quando. Da nossa última
conversa, quando nos encontramos no Centro, onde fui, na última sexta, para ler
um texto seu, e fomos ao shopping, passar um tempo escapando do calor daquela
tarde e conversando. De como senti um aperto no peito, imaginando a situação
exasperadora em que ela ficou, certa vez. De como parecia que as palavras de um
diálogo que ela me narrava eram dirigidas a mim, em determinados momentos. De
como alguns inxiridos pareciam escutar nossa conversa e rirem-se, pensando a
mesma coisa. De como meu incômodo com certos estilos musicais que tocam no
sistema de som de algumas lojas foi facilmente vencido, ao vê-la balançar graciosamente
a cabeça, ao ritmo de um sucesso de uma dessas duplas sertanojas
universitárias! Amei ficar ali, meio bobo, observando-a gingar delicadamente,
ao sabor da melodia... e daí tive a idéia de um pequeno poema. Lembro que
pensei, como traduzir em palavras o que via e o que sentia?
O tempo é malvado, quando estamos próximos, ele passa
muito rápido, aí temos que interromper nossas conversas, temos que nos
despedirmos... e assim que saí, pela porta que dava para a Constantino, senti
uma saudade já antecipada. Saudade que vem num crescendo. Que me faz lembrar
seu rosto, seu sorriso, seu olhar... quando estamos próximos, me perco em seu
olhar, que às vezes parece mirar um horizonte bem distante. Há momentos em que é
bom se perder... me perco agora nesses pensamentos, nessa doce saudade, naquela
cálida lembrança, daquela música, do seu jeito gracioso de balançar ao som
dela. Não quero pensar na dor, ainda. Não quero que ela sinta-se culpada. Quero
só devanear, lembrar, pensar nela... pensar em fazer-lhe bem e sentir prazer de
tê-la perfumando e colorindo meu dia-a-dia.
Tive um sonho, que pra muita gente, seria muito
bom, mas pra mim, foi perturbador. Sonhei que estava num aeroporto, esperando
para pegar um vôo. Pra onde eu ia e de onde vinha, não tenho bem certeza. Falava
com minha mãe, por telefone, dizia que logo iríamos nos ver. Enfim, embarcava
na aeronave, colocava minha mala no bagageiro, sentava-me num assento
incrivelmente confortável, de cor escura... e começava a sentir-me estranho. Pensava
que já tinha chegado, como se já tivesse partido de algum lugar antes. Sentia-me
angustiado, ficava agoniado, querendo sair, querendo desembarcar, desistir da
viagem. Fiquei um bom tempo sentado, apenas pensando. Querendo desembarcar,
pesando os prós e contras... só que o avião começa a se movimentar, o piloto
começa a falar. Ele disse de onde estávamos saindo, disse que ia até o Rio de
Janeiro – ou qualquer lugar assim – e passaria pelo Ceará, Pernambuco, Bahia e “países
da América do Sul”. Sim, ele disse isso.
É um sonho, nos sonhos nem tudo segue a lógica desse nosso mundinho! E haviam
por sobre as poltronas cordinhas para puxar e fazer parada, no avião. Sim,
haviam cordinhas de pedir parada! Pois enquanto o piloto falava e o avião
taxiava, eu hesitei, mas puxei a bendita cordinha e fiquei segurando... cara de
desolado... o piloto nem deu atenção. O avião decolou, começou a subir! E eu
ali, segurando a corda, querendo desesperadamente descer.
Que sonho doido, né?! Não, mas eu fiz terapia,
para ser menos travado e inseguro do que já sou, e a psicóloga que me tratou
falava do significado dos sonhos. Ela não seguia muito nem a escola de Freud,
nem a de Jung, seguia mais uma outra escola, um pouco mais nova, que falava
também em simbolismos, arquétipos, etc. Mas que esses símbolos representam uma
coisa para cada pessoa.
Ok, o simbolismo do avião pode até ser bem claro.
Mas um avião que você pode pedir pra
falar, quando chegar no seu ponto? Acho que tem a ver com meu estado de espírito,
há dias em que penso em desistir desse bendito concurso que vim fazer, penso em
partir, ir embora sem olhar pra trás, pra talvez não mais voltar... me preocupo
com minha mãe, que está lá, tão longe, se preocupando comigo aqui... queria
poder deixá-la tranqüila e confortável, independente de onde eu estiver. Ao
mesmo tempo que, alguma atitude, ou palavra, de alguém que eu tinha em muito
alta conta, me faz querer partir, deixar tudo pra trás, há motivos suficientes
para eu não querer ir, motivos que são meus, que nem pra todos são válidos. Eu
a conheci esses dias, pessoalmente, vou partir assim e arriscar de não vê-la
mais?! Penso, será que esse sonho não quis me mostrar que estou dando uma de
Zeca Pagodinho? Sabe, deixando a vida me levar...? Deixando que essa gente, de
um lado e de outro, me controle, me regule, minha vida, meus horários... sem
moral, mas querendo mostrar-me o que é justo. Deixando que o “destino” se
encarregue daquilo que quero e do que tiver de ser... sempre inseguro de um e
de outro. Hoje acordei às 5h da manhã. Me sentindo perturbado com o sonho. Mas é
assim que tinha de ser sempre... após cada noite de sono, após cada sonho, você
deve despertar, levantar-se, mover-se. Não esperar simplesmente que as coisas
aconteçam, como num sonho.
Tive um sonho, que pra muita gente, seria muito
bom, mas pra mim, foi perturbador. Sonhei que estava num aeroporto, esperando
para pegar um vôo. Pra onde eu ia e de onde vinha, não tenho bem certeza. Falava
com minha mãe, por telefone, dizia que logo iríamos nos ver. Enfim, embarcava
na aeronave, colocava minha mala no bagageiro, sentava-me num assento
incrivelmente confortável, de cor escura... e começava a sentir-me estranho. Pensava
que já tinha chegado, como se já tivesse partido de algum lugar antes. Sentia-me
angustiado, ficava agoniado, querendo sair, querendo desembarcar, desistir da
viagem. Fiquei um bom tempo sentado, apenas pensando. Querendo desembarcar,
pesando os prós e contras... só que o avião começa a se movimentar, o piloto
começa a falar. Ele disse de onde estávamos saindo, disse que ia até o Rio de
Janeiro – ou qualquer lugar assim – e passaria pelo Ceará, Pernambuco, Bahia e “países
da América do Sul”. Sim, ele disse isso.
É um sonho, nos sonhos nem tudo segue a lógica desse nosso mundinho! E haviam
por sobre as poltronas cordinhas para puxar e fazer parada, no avião. Sim,
haviam cordinhas de pedir parada! Pois enquanto o piloto falava e o avião
taxiava, eu hesitei, mas puxei a bendita cordinha e fiquei segurando... cara de
desolado... o piloto nem deu atenção. O avião decolou, começou a subir! E eu
ali, segurando a corda, querendo desesperadamente descer.
Que sonho doido, né?! Não, mas eu fiz terapia,
para ser menos travado e inseguro do que já sou, e a psicóloga que me tratou
falava do significado dos sonhos. Ela não seguia muito nem a escola de Freud,
nem a de Jung, seguia mais uma outra escola, um pouco mais nova, que falava
também em simbolismos, arquétipos, etc. Mas que esses símbolos representam uma
coisa para cada pessoa.
Ok, o simbolismo do avião pode até ser bem claro.
Mas um avião que você pode pedir pra
falar, quando chegar no seu ponto? Acho que tem a ver com meu estado de espírito,
há dias em que penso em desistir desse bendito concurso que vim fazer, penso em
partir, ir embora sem olhar pra trás, pra talvez não mais voltar... me preocupo
com minha mãe, que está lá, tão longe, se preocupando comigo aqui... queria
poder deixá-la tranqüila e confortável, independente de onde eu estiver. Ao
mesmo tempo que, alguma atitude, ou palavra, de alguém que eu tinha em muito
alta conta, me faz querer partir, deixar tudo pra trás, há motivos suficientes
para eu não querer ir, motivos que são meus, que nem pra todos são válidos. Eu
a conheci esses dias, pessoalmente, vou partir assim e arriscar de não vê-la
mais?! Penso, será que esse sonho não quis me mostrar que estou dando uma de
Zeca Pagodinho? Sabe, deixando a vida me levar...? Deixando que essa gente, de
um lado e de outro, me controle, me regule, minha vida, meus horários... sem
moral, mas querendo mostrar-me o que é justo. Deixando que o “destino” se
encarregue daquilo que quero e do que tiver de ser... sempre inseguro de um e
de outro. Hoje acordei às 5h da manhã. Me sentindo perturbado com o sonho. Mas é
assim que tinha de ser sempre... após cada noite de sono, após cada sonho, você
deve despertar, levantar-se, mover-se. Não esperar simplesmente que as coisas
aconteçam, como num sonho.
Estava eu pensando a respeito dessas coisas do
coração... dessas ligações afetivas, quase familiares, desses laços que a gente
tem, com pessoas às vezes bem distantes de nós e que nem sempre só “afinidade”
consegue explicar. Laços que mantemos com pessoas, sem nem entender direito por
que os temos ainda, sem saber por que ainda sentimos, por que ainda gostamos de
quem gostamos... sentimo-nos estranhos, como se tivéssemos um casamento com
certas pessoas, como se fossem irmãos, ou filhas nossas, muito embora...
Na casa onde estou parado, as meninas estavam
discutindo, ou melhor, a mais velha das duas irmãs estava discutindo com a mais
nova, que resmungava e reclamava da comida, dizia não gostar da pele do frango
assado que eu havia buscado para almoçarmos, que a salada era virada só em
folha, etc. A mais velha estava impaciente, mas não saía do lado da outra,
querendo que a menina fizesse um esforço para comer direito. Dizia ter um
compromisso, foi repreendida pela irmã mais nova, por causa de suas saídas com
amigas, etc. e saiu-se com esta: “Você é minha filha? Ou meu marido? Que eu
saiba, não tenho filho, muito menos, marido!”
Se você visse a cena anterior, teria certeza de que
se tratavam, na verdade, de mãe e filha... apesar do que ela tinha acabado de
dizer! Vai saber... é, eu acredito nessas bobagens de vidas passadas,
imortalidade – e evolução – do espírito, de laços entre almas que vêm de muito
tempo, que se formaram em outras encarnações...
Esse, acho eu, é um desses casos. Se a irmã mais
velha, desde antes de conhecê-la, já tratava a irmã mais nova como sua criança,
como sua filha, fazendo tudo, praticamente, pela menina, inconscientemente ela
está sendo a mãe que, em uma outra encarnação deve ter sido, para ela. A menina
está entrando naquela fase fascinante da adolescência, está mais rebelde, e
tendo sido mimada... já viu! Por sua vez, a mais velha está rebelando-se,
agora, contra essa obrigação, que ela mesma se impôs, de cuidar e se
responsabilizar pela mais nova. Freud explica, como diria um ilustríssimo
professor... a mim parece que, realmente, são duas almas que se encontram
ligadas por laços muito fortes, muito profundos, que não vêm de agora, desta
atual relação consangüínea entre as duas.
De minha família, somos em quatro irmãos. Dos
quatro, um está casado desde os 19 anos, com a mesma mulher, teve dois filhos;
os outros dois casaram-se duas vezes, um foi pai só no primeiro casamento, o
outro tem um filho de cada. O único que sobrou fui eu, que nem o caçula sou e,
como já falei antes, não tive muitas grandes paixões, não fui casado, nem tive
filhos. Apesar disso, tem uma menina que, aos seis anos me chamou de paizinho,
na brincadeira, e brincando, brincando, seu paizinho fiquei sendo, desde então.
Constantemente a chamo de filha, minha filha, filhota... foi engraçado o modo
como nos conhecemos e, sem nenhum laço de sangue, ou parentesco, mesmo que
distante – até onde eu saiba – ainda assim, acabamos de alguma forma ligados. Se
como pai e filha, não sei, mas talvez tenhamos uma ligação que venha de outras
vidas. Procuro fazer o que posso por ela, tenho tentado lhe aconselhar, a gente
conversa, eu a escuto... gosto muito dela, sinto-me ligado a ela, como se fosse
da minha família, mesmo, de um modo que não faria muito sentido pra um bando de
gente... acho que a filosofia espírita meio que explica isso daí!
A moça lá, se não tem um “marido” por aí, também? Ah,
vai saber...!
Semaninha chata... tristonha, modorrenta,
depressiva, cinzenta, parada, morta. Nem o resultado do concurso foi capaz de
me animar. Na verdade, me deixou foi mais angustiado! Tenho pensado em como
fazer pra agüentar mais um, talvez dois meses para esperar pela segunda fase do
concurso.
Nada nesta semaninha valeu a pena... senti-me
desprezado, senti-me como um intruso, senti raiva, senti solidão, fiquei
deprimido... sei lá, melhor esquecer esta semana. Será?! Não fosse por ontem,
acho que esta semana podia ser riscada da lembrança, mesmo! Não fosse pela
sexta-feira, em que decidi pensar menos naquele pessoal, decidi que ninguém
iria me empatar de sair para encontrá-la, para rever... minha musa inspiradora!
Havia combinado de vê-la durante a semana, no
Largo, mas não imaginava que seria tão difícil, nem esperava tantos... contratempos!
Surgiam empecilhos do nada. A medida que a semana ia passando, ia me
preocupando, imaginando até o que ela poderia pensar... mas na quinta à noite
havia decidido, de sexta não passava, eu sairia de qualquer jeito, precisava
espairecer, estava sentindo-me cada vez pior. Não ia agüentar mais uma tarde de
marasmo e calor, como a anterior. Mas principalmente, queria vê-la!
Fui até o Centro, temendo não chegar a tempo,
temendo não vê-la no Largo. Fui até lá sentindo borboletas esvoaçando em meu
estômago. Todo nervoso e com a boca seca. Acho que passei por ela e só a vi
quando me voltei para o largo, fiquei encabulado, obviamente ela me viu antes
que eu a visse. O que devia estar pensando de mim, meu Deus?!
Bem, nos sentamos lado a lado, embaixo da sombra de
uma árvore... e aquele momento valeu por toda a semana! Aquele momento de paz,
conversando, falando de nós mesmos, do prefeito, da cidade, de coisas mais
profundas e outras nem tanto, de amenidades... foi o que salvou a semana,
penso. Semana que não vinha sendo tão boa, até aquele instante! Até os momentos
de silêncio, onde ficava eu, meio apatetado, tentando achar o que dizer, foram
bons. Admirá-la em pessoa é melhor do que pela internet, prestar atenção em
cada detalhe do seu rosto, olhá-la e virar para o lado, para não ofuscar os
olhos na sua luz... e não parecer que tava encarando... admirar seus olhos, sua
boca, seu sorriso, o modo como seus cabelos lhe emolduram o rosto, a cor dos
seus cabelos, da sua pele, dos seus olhos. Admirar sua voz, me encantar com seu
jeito de falar...
Algo que ela me contou me deixou um pouco
apreensivo. Talvez não seja pra tanto, talvez ela tenha pressentido umas idéias
que estavam em minha cabeça, já antes, não sei. Como se isso fosse possível,
fiquei ainda mais apaixonado! Passei o resto do dia relembrando aquele momento,
um tanto curto, relembrando seu rosto, sua voz, seus suspiros, nossa
conversa... repassando ponto por ponto. Pensando em maneiras de lhe escrever
uma mensagem de e-mail, ou de celular, em vê-la novamente, visualizando ridículas
versões românticas da imagem mental, da memória fotográfica, melhor que
qualquer TecPix, de nós dois ali, sentados no largo, sob a sombra da árvore,
lado a lado... quando ler isto, por favor, me desculpe. Não consegui evitar! Não
fosse por ver minha adorável musa inspiradora, até meu fim de semana estaria
com uma cara mais chocha.
Calor demais para dormir. Mosquitos demais
em volta de mim. Não consigo conciliar o sono. Deitei cedo, pensando que não
teria dificuldades... havia feito uma boa caminhada, estava quase feliz com meu
corpo, quase feliz com os resultados do meu emagrecimento. Com os pés doendo,
por conta da caminhada. Cochilo. Nada mais que um cochilo... acordo suado.
Sendo implacavelmente picado pelos mosquitos. Ouço vozes. Altas horas. Minhas
meninas! Não consigo mais dormir. Me levanto, vou ao banheiro, depois até a
cozinha, bebo um gole d’água. Falo alguma coisa. Recebo um olhar gelado. Um
olhar de desprezo. Meu sangue gela. Deito novamente, tento dormir. Não consigo,
estou suando, os carapanãs continuam a me atacar com raiva, mesmo com
repelente. E isso é o de menos. Começo a chorar. Meu peito a apertar e a doer.
Penso no olhar. Penso na decisão que se aproxima. Penso na idéia que tive, que
pretendi fazer, quando se aproximasse mais o tempo de partir. Penso como sou
idiota... penso que, se Deus achar por bem me levar, como levou meu pai, com um
infarto, não irei me importar... o coração parece pesar uma tonelada. Uma
tonelada de tristezas! Sinto-me só, por estar sem sono e não ter nem sequer com
quem conversar... altas horas da noite. Quase meia-noite. Ela não está com
pouco sono? Ela não pode ao menos isso, conversar? Não, não pode... está
ocupada demais com o seu celular, fingindo ler alguma mensagem, me ignorando...
não temos mais intimidade para conversar? Para ao menos fazer companhia um ao
outro? Sim, temos. Mas e daí?! Não tenho o carro certo. Nem sei dirigir. De
repente, a minha percepção de estar mais magro torna-se poeira. Sinto-me muito
grande, muito gordo e desengonçado. Eu quis, de repente, ter alguém para ligar.
Para mandar uma mensagem. Conversar pessoalmente, ou pelo messenger. Não
precisaria desabafar... podia conversar besteira, mesmo! Só para desanuviar.
Para tirar o peso do meu peito. Quis vê-la... ela. Sinto-me triste. E com
raiva. Porque ainda não consegui revê-la, reencontrá-la... a minha musa. Quis
ligar-lhe e tentar explicar... como é que ainda não bateram nossos horários. Quis
escrever-lhe, talvez, uma mensagem de e-mail, quem sabe uma mensagem de texto,
para seu celular... mas não quis incomodá-la, talvez esteja já deitada, no
terceiro sono, cansada e exausta demais para aturar um chato – que nem bêbado
está, pra pensar nisso – a essa hora da noite. Senti-me sozinho demais. Cheguei
a pensar: se me vissem chorar, se ficariam do meu lado, me abraçariam, se ao
menos passariam a mão na minha cabeça... e me senti ridículo! Pra que quero que
me vejam chorando? Odeio sentir-me carente desse jeito. Não gosto nada dessa
solidão. Detesto estar sensível e aflito, com o peito doendo assim, desse
jeito. Não queria passar a noite com isso entalado. Então vim novamente à
cozinha, meu Evangelho segundo o Espiritismo, meu caderno, meu celular e minha
música. Vim escrever. Não havia mais nada que eu pudesse fazer. Não dá pra eu
fugir, não tem onde me refugiar. Vim para escrever sobre meus desgostos... enquanto
elas dormem. Sou eu e o cão. Dois guardiões, ignorados, vigiando a casa,
enquanto o resto dorme o sono dos justos. Odeio estar tão a flor da pele!
Chorei ouvindo uma música de Caetano Veloso.
Uma que diz mais ou menos assim: “Um amor assim delicado/ você pega e despreza/
Não devia ter despertado/ ajoelha e não reza/ Dessa coisa que mete medo/ Pela
sua grandeza/ Não sou o único culpado/ Disso eu tenho a certeza/ Princesa,
surpresa, você me arrasou/ Serpente, nem sente que me envenenou/ Senhora, e
agora, me diga onde vou/ Senhora, serpente, princesa/ Um amor assim violento/ Quando
torna-se mágoa/ É o avesso de um sentimento/ Oceano sem água/ Ondas, desejos de
vingança/ Nessa desnatureza/ Batem forte sem esperança/ Contra a tua dureza/
Princesa, surpresa, você me arrasou/ Serpente, nem sente que me envenenou/ Senhora,
e agora, me diga onde eu vou/ Senhora, serpente, princesa/ Um amor assim
delicado/ Nenhum homem daria/ Talvez tenha sido pecado/ Apostar na alegria/ Você
pensa que eu tenho tudo/ E vazio me deixa/ Mas Deus não quer que eu fique mudo/
E eu te grito esta queixa/ Princesa, surpresa, você me arrasou/ Serpente, nem
sente que me envenenou/ Senhora, e agora, me diga onde eu vou/ Amiga, me
diga...”
Odeio sentir-me assim! É claro, gosto de
estar apaixonado, quem não gosta? Só que isso... independe de estar apaixonado,
ou não. É carência, pura e simples. É você querer ser um pouco mais que um
admirador, é você querer que aquele amor antigo não teime mais em lutar contra
os sentimentos e permita uma reaproximação... é, às vezes, querer só um abraço,
um beijo.
Uma amiga, um dia, me perguntou há quanto
tempo não transava. Como se todos os meus problemas se resumissem a isso! A dor
que into é mais em cima. É no meu peito que a sinto. Dentro do meu peito. Se o
que me fizesse perder noites de sono, sentir uma tristeza sem saber de onde
vem, sentir tensões e dores nas juntas e costas, fosse nada mais que a falta de
um pouco de prazer carnal... eu não estaria nem sequer aqui, escrevendo! Seria
bem mais fácil de se resolver.
Já falei que seria tudo mais fácil, se
pudesse sentir apenas o amor puro e desinteressado, aquele amor mais sublime,
que DEVÍAMOS ter por todas as criaturas? Já, né... eu tento! Por que não tem
outro jeito. Também sinto a falta de um afeto, de um carinho. Pode ser que não
pareça, mas eu também gosto de um chamego. Às vezes – como hoje – sinto-me
desesperar e sentir como uma dor física a falta desse toque, desse carinho, de
aconchegar num abraço... só a ausência já me dói. Ainda fico enciumado com
situações que já não me dizem mais respeito. O sonho que tive, no último fim de
semana, veio com um significado. Ainda ver por trás daqueles olhos alguma
fagulha de uma chama, e à noite saber, ou suspeitar, que as carícias trocadas
com os olhares são sentidas e dadas por outro corpo.
Gosto de admirá-la, de acariciá-la com o
olhar, enroscar dedos invisíveis em seus cabelos, acariciar seu rosto, sua
pele, roçar seus lábios e seu pescoço... gosto de me perder em seus olhos, no
seu sorriso... sentir o coração bater mais forte, como quando a vi e fui visto.
Gosto de mergulhar no seu olhar, no escuro mais profundo de seus olhos. Já amo
sua voz. Já tenho por hábito procurá-la toda vez que subo a avenida, de dia ou
de noite. Gosto de tê-la como minha musa, gosto de ser seu admirador nada
secreto! A mesma musa que me inspira também me dói... hoje, dói. É assim que
meu coração escolheu. Mas não gosto quando a carência de um xodó parece ser
mais forte que o amor sentido.
Vez por outra conto aqui meus sonhos. Num
dia, sonhei com um conhecido, no sonho o cara ficava me enchendo as pacovas com
besteiras, e eu lhe dizia pra calar a boca. Assim que ele chegou bem perto do
meu ouvido, pouco antes de acordar, o levantei pelo pescoço, estrangulando-o
com uma das mãos. Você já teve essa sensação, de queria esganar alguém muito
chato, até que essa pessoa perdesse todo o ar e não pudesse falar por um bom
tempo? O outro sonho foi menos agradável, estava eu na casa onde estou parando,
ali no Shangrilá VII,
junto
da menina que é minha filha do coração, quando adentrava a cozinha o meu
ex-amor, sempre conturbado. Ela ia até a porta da frente, aparentemente para
sair com um sujeito, com quem andou ficando, uns tempos atrás. Nesse momento,
em vez de ouvi-la sair, ouço-a chamar o cara para entrar, vindo de mãos dadas
com um sujeito, parecendo uns 15 anos mais velho, com uniforme militar. O
sujeito me olha com um ar meio constrangido e eu o olho de volta da mesma
maneira. Ela nos apresenta e nos cumprimentamos sem apertar as mãos. Ela parece
não perceber, ou estar gostando de ver a tensão entre nós dois.
E enfim, o sonho que tive esta manhã! Gostei
desse sonho. Mas é um sonho, é idealizado, enfim, não preciso nem narrá-lo, ou
resumi-lo. Nele, ocorria um encontro para o qual, digamos, estou preparando o
espírito. Bastante idealizado, devo reconhecer.
Liguei pra mulher do meu irmão mais novo,
hoje. Ela não está aqui, está lá no Rio Grande do Sul, e não a vejo com nenhum
olhar de cobiça, romântico, ou qualquer coisa assim. Liguei para ela, porque a
operadora do seu celular é a mesma do meu, assim a ligação sai mais barata,
pago apenas 25 centavos e falo com meu irmão, minha sobrinha, falei até com
minha mãe e meu padrasto! Com a família toda! Quis saber se minha mensagem de
celular, referente ao aniversário do meu irmão havia chegado. Era pra
confirmar, e também pra falar com a turma lá do Sul, saber como está minha família,
coisa e tal. Diz que lá ta uma friaca maravilhosa... pra quem gosta de frio, óbvio!
Minha cunhada, por exemplo, disse que por lá a temperatura estava, em média,
nuns 10 graus. Eu não podia deixar de contar vantagem, lhe disse que aqui
estavam fazendo 33, 34 graus. O que ela disse? Que já tava querendo vir pra cá.
Nem imagino o porquê! Também não curto o frio. Por isso, não estou curtindo
muito essa idéia de voltar pra lá no mês que vem – justamente o pior período do
inverno! Agosto costuma ser o mês mais rigoroso. Até ouvi a voz da minha
sobrinha mais novinha, que até já está falando mais palavras do que quando eu
vim de lá! Gosto muito desses momentos, sério. Certas malas falam do dia da
minha partida como se fosse um momento muito negro no meu futuro próximo. Eles
não entendem que, se eles estão aqui por não ter pra onde ir, eu tô aqui porque
quero estar. Se na sua terra, a sua família não está muito afim de vê-lo por lá,
a minha está muito afim de me ter de volta. Enfim, cada um, cada um...
Mas pois é... estava eu ligando para minha
família do Sul e me preparando pra fazer uma outra ligação. Vim para o cyber,
pensando em ficar só um pouquinho, enviar meu currículo para os e-mails de uns
anúncios que peguei no jornal de hoje... tirar uma cópia impressa também... e cá
estou, escrevendo texto atrás de texto, tuitando, atualizando minha página do
Facebook... em vez de estar ligando. Confesso minha insegurança. Não sei nem
como vai ser recebida minha ligação... sinto um frio na espinha, que só vai
passar quando eu ligar, e paradoxalmente to muito afim de lhe ligar! E mais, de
vê-la outra vez. Conversar com ela. Talvez seja isso... sou sempre louco para vê-la,
mas nunca me sinto visível... é, difícil de entender, eu sei... ou nem tanto! Aliás...
vai entender se perder uma tarde de domingo aqui, escrevendo!?