PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Alguém Como Ele


Suas amigas a convidaram para ir ao cinema, para assistirem juntas a um desses filmes da moda, desses que as jovenzinhas adolescentes vão suspirar e dar gritinhos pelos galãs do elenco. Daquele tipo de filme ao qual se vai assistir sem o namorado, pois, dizem, “falta-lhe sensibilidade para entender”... daquele tipo de filme que não faz muito a sua cabeça, mas enfim, vá lá, tudo bem, com as amigas, ela ia, iria ser divertido, mesmo que não gostasse do filme.
Após a seção, as amigas foram para a praça de alimentação de um shopping, continuaram a conversa que começaram, aos sussurros, há umas duas horas, na sala de cinema. O filme em si não foi discutido. O roteiro, ela já desconfiava, não era assim tão importante. As meninas discutiam animadamente sobre os galãs da película. Como eram belos, como o abdômen era bem definido, a expressão do olhar, o sorriso, etc. Ela não tinha sido afetada por nada disso. Tanto que, quando sentenciou: “são uns canastrões!” um silêncio sepulcral tomou conta da mesa onde se reuniam. Parecia que toda praça de alimentação se calara, por alguns instantes. Ela sentiu o ambiente pesar um pouco, sentiu os olhares das amigas, trespassando-a com chispas de animosidade. Deu um sorriso forçado, balançou os ombros, soltou um tímido “eu achei...”, quase constrangido.
Enfim, o resumo daquela conversa toda, todas falando ao mesmo tempo e, incrivelmente, se entendendo era: que todas sonhavam encontrar alguém como o galã do filme, se não o próprio, em pessoa! Todas, menos ela! Não era aquele seu “sonho de consumo”.
Seu galã não era famoso, não era nenhum artista conhecido, não estampava capas de revista, nem fazia nenhuma novela. Mas era ele quem lhe causava encanto. Era ele quem tomava conta dos seus pensamentos, seus sonhos, despertos, ou dormidos. A única coisa em comum com os astros do filme que vira com as amigas era ele estava distante, falava com ele apenas nas redes sociais, ele morava em outra cidade, em outra região. Não fosse por isso...
Enquanto suas amigas voltavam à conversa animada sobre o “instigante” filme, ela se perdia em seus próprios pensamentos, sorria de e para si mesma, imaginando que, não fosse pela distância, com certeza o teria na sua vida. Pensou que, realmente, seria muito bom ter alguém como ele junto dela...


quinta-feira, 28 de junho de 2012

Quem Foi Rei...


Diz a tradição que quem é rei, nunca perde a majestade. Mas a cultura popular nega certos ditados. Reescreve-os. Tira a majestade do ex-rei, mesmo quando não a quer.
David era rei. Entrou na arena e peleou com o que tinha de melhor, a sua voz, a sua vibração, a sua garra, o seu modo de incendiar o povo e provocar seus adversários. David rei virou Golias, se agigantou, tornou-se maior, tornou-se imbatível. Tomava a frente nas batalhas e levava seu povo a vitórias grandiosas!
Parecia, de fato, que o grande rei jamais perderia sua coroa, sua majestade, parecia até que, depois dele, não viria mais ninguém. Os adversários tentaram, por anos, encontrar um líder como ele, alguém que pudesse equiparar-se, que pudesse, enfim, desbancá-lo. Nunca o conseguiram...
Não parecia, também, que o rei David, agigantado por seu talento e por seu povo, fosse renunciar ao seu reino e a sua realeza, que renunciaria a todo seu poder assim, tão facilmente.
Porém, por força da grana, que ergue e destrói coisas belas, ele renunciou, deixou o povo sem rei, mudou de lado, de nação, e o fez de muito bom grado. O povo do outro lado não o engoliu assim, de boa vontade, mas a “lógica de mercado” de seus aristocratas procurou curvá-los e conseguiu seduzi-lo.
Deram-lhe uma nova coroa, mais rica, mais reluzente, deram-lhe um título ilusório de imperador. David pensou, assim, que se tornaria ainda maior, que o povo do seu novo “império” fosse apoiá-lo da mesma forma, que seu antigo povo iria continuar a amá-lo como antes. Deixou de lado a garra e a gana com que sempre lutara, na arena. Deixou de projetar a voz como antigamente. Achou que não precisava mais se empenhar, apequenou-se!
De outro lado, o jovem Sebastião veio de longe, de outro reino, humilde e inteligentemente. No primeiro ano, não se soltou, o uirapuru não abriu completamente suas asas. Estava se estudando, estudando seu adversário, o ex-rei. No segundo ano, o uirapuru virou Príncipe e, junto do valoroso apresentador, seu companheiro de arena, tomou a frente do povo da Baixa e o levou a uma vitória clamorosa, uma vitória em que o até então imbatível “imperador”, com seu título pomposo, maior que aquele com o qual fora tantas vezes campeão, fosse, enfim, abatido.
E aquela tradicional máxima se confirmou: quanto mais alto se levantar, maior será a queda. Sempre!


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Nostalgia do EX


Eurico Miranda, deputado (ou ex), federal, foi, até a primeira metade dos anos 2000, um controverso dirigente de futebol, acusado de usar o cargo público para traficar influência, em favor do seu clube, junto às federações, tribunais desportivos e até mesmo no Congresso. Enfim, hoje a direção do clube carioca, o Vasco da Gama, é outra, com o ex-craque Roberto Dinamite à frente. E vários vascaínos, agora, lembram com uma ponta de nostalgia, principalmente após alguma derrota, do ex-dirigente que, até bem pouco tempo, era um dos mais execráveis cartolas do futebol brasileiro.
Apenas um dos maiores, já que o maior e mais controverso cartola foi, até o fim do ano passado, ou início deste, o aparentemente “imexível” Ricardo Teixeira. Mais de 20 anos a frente da Confederação Brasileira de Futebol, dirigindo-a com mão de ferro, majoritariamente a favor dos clubes “brasileiros”, em detrimento dos “periféricos”, mantendo uma relação de certa forma promíscua com uma grande rede de comunicação, durante esse período... ou, pelo menos, sendo acusado disso, ainda mais por outros grupos de comunicação.
Até que, por conta das inúmeras denúncias e investigações, envolvendo seu nome, Ricardo, enfim, resolveu renunciar, pelo bem da sua “saúde”. Todos disseram que o dirigente já tinha partido tarde!
Em seu lugar, assumiu um ex-dirigente da Federação paulista, José Maria Marin. De fato, não houve nenhuma grande mudança, nada de muito consistente, na forma de administrar o futebol, em âmbito nacional. No entanto, por alguma estranha, inexplicável razão, o atual presidente da entidade começou a ser questionado, e já tem gente que evoca o “santo nome” do doutor Ricardo Teixeira com uma pontada de saudade de tempos que não mais vão voltar.
Estranhas essas saudades, de tudo que não nos agradava antes, de pessoas que víamos como atrasos de vida... enquanto participavam de nossas vidas, enquanto governaram o país, ou, enfim, nos davam aula, na faculdade, não valorizávamos seus pontos fortes, só tínhamos olhos para seus defeitos. Verdade, os homens têm o mau hábito de falar as piores barbaridades da ex, enquanto estão com ela. Quando passa a ser a ex, eles a vêem com outros olhos, ela torna-se novamente interessante, sente-se falta da sua companhia, da sua espirituosidade, etc. O inverso, algumas vezes, é verdadeiro. Ela demonstra sentir nossa falta, algumas vezes, sendo que em outros tempos negou existir essa possibilidade num futuro próximo.
É como o ex-presidente Lula, que enquanto estava no governo, admitiu certas qualidades dos mesmos “monstros desumanos” que governaram o país, nos anos de chumbo, na “longa noite” da ditadura militar. Sim, sabe-se que muita gente prefere esconder o que foi dito. E após oito anos de governo Lula, onde seu nome fora banido da discussão “política”, Fernando Henrique Cardoso volta a ser lembrado, até com um certo carinho, por parte, inclusive, de antigos opositores de seu governo... FHC mereceu elogios até da atual presidente, Dilma Rousseff! Dependendo do veículo de mídia, da empresa, ou grupo a que pertença, isso é mais ou menos divulgado. Mas é um fato, para o qual não temos uma resposta lógica, ou plausível e que nos causa um certo constrangimento: mais cedo ou mais tarde, alguém sentirá uma estranha nostálgica saudade de um ex... qualquer coisa!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

To Stalk


Stalkear é feio.
Stalkear é muito feio! Stalkear pode até dar cadeia!
Recentemente, o congresso decidiu, além de muito feio, stalkear é crime! Ou contravenção, alguma coisa assim...
Ele não gosta desses tais stalkers! Acha feios seus hábitos. Ele não é um desses! Ele não quer ser um desses! E ele nem sabe direito o que é um stalker, o que ele faz, o que o caracteriza... qual é o limite?!
Até que, então, ela o chamou de stalker. Ele ficou surpreso! Sentiu-se culpado, até, pode-se dizer. Então, ele descobriu que ele também era um stalker! Stalker dela.
Mas ela, ela o fascina, com seu sorriso franco, seus belos olhos, escuros e profundos... o encanta!
Ele se interessa por quase tudo que ela gosta, fala, ou indica... ele curte! Desconfia que desde quando a conheceu, desde a primeira vez que a viu passar, desde então ficou assim, fascinado, hipnotizado... apaixonado, talvez?!
Alguém disse, certa vez, que stalker é um apaixonado pela objeto de stalk. Um apaixonado platônico.
Ele é seu stalker, então, devotadamente seu, se somente seu, ele não tem certeza, mas sabe que ela é a quem mais lhe agrada “stalkear”... é sua favorita!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Saudadinhas


Ela é pequena, ele a viu umas duas vezes, sabe que sua testa bate no ombro dele, mais ou menos. Ele ainda lembra, aliás, ele não esqueceu, ainda, da vez em que se cruzaram... ele pensa que jamais vai esquecê-la, pelo menos, espera nunca esquecê-la.
Pois é, sabe a pequena? Ela acabou crescendo muito na memória afetiva dele. Mesmo distante, ele a sente presente, a sente próxima. Gostaria que de fato estivesse!
Ele pensa demais nela. Gosta de procurá-la nas redes sociais, são os únicos lugares onde pode encontrá-la, ultimamente. Pois, teve um dia em que ela ficou sumida das redes sociais. Por algum motivo, ficou afastada. Apenas a “viu” quando postou uma música para ela. Ele gosta de fazê-lo. Ele, bem, sentiu a sua falta, naquele dia. Demais! Ele até gosta do microblog do passarinho e do novo Orkut... mas, sem ela por perto... por assim dizer... não é a mesma coisa. Ele precisa dizer-lhe isso, de vez em quando.
Já basta o fim de semana, quando tanto ele quanto ela se afastam um pouco da vida on-line. É no fim de semana, apenas, que ele gosta de sentir um pouco a sua falta, de pensar se a recíproca, de repente, é verdadeira. São os dois dias em que ele passa cultivando saudadinhas dela...

Bem Vindos aos Inv(f)erno


O inverno está chegando, já andou mostrando a sua cara, que beleza! Já pudemos tirar os casacos dos guarda-roupas, já pudemos puxar os cobertores e edredons... ah, que delícia é o frio! Ah, as delícias e as atividades do frio! Tipo: comer! Beber, também! O frio é convidativo a um bom vinho das serras gaúcha e catarinense, ou então, se você puder, um vinho chileno... o frio torna mais atrativas as sopas também! Cappeletti, agnolli, mocotó... ah, as mesas fartas do café colonial nas serras gaúcha e catarinense! Sem nos esquecermos do fondue! Isso tudo é muito lindo... se você não tiver que aguentar por quase seis meses!
O frio só é gostoso de se sentir em duas ocasiões: quando é o friozinho na barriga, ou quando se vai dormir... aliás, as únicas “atividades de inverno” existentes são comer e dormir. Todo o resto, todas as formas de se “aproveitar” o frio que dizem existir são só a falácia. Ninguém, a não ser turistas, “aproveita” o frio. Você não “curte” o frio, você SUPORTA o frio!
O inverno é a época do ano em que o diabo vem para a região Sul passar férias e manda ligar o split no máximo! Os sulistas reclamam do calor que faz por pouco mais de dois meses no ano e pedem o frio. Só que o frio da região Sul não é o sonhado friozinho agradável que costuma fazer em Minas Gerais e/ou São Paulo... eles esquecem-se desse pequeno detalhe! Aí você vê o paradoxo, as pessoas que, até então, reclamavam do calor e do horário de verão – curiosamente as mesmas que costumavam passar todo fim de semana na praia – são as mesmas que agora questionam o porquê de fazer tanto frio, sendo que o inverno mal começou!
Aqui já foi dito, aqui repetimos: “inverno” e “inferno” são palavras parecidas demais, tem que ver direitinho isso daí! Não pode ser à toa! Frio é para turistas, não para você!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Concursos: Professores, Expliquem!


Concurso público, uma vez, era sonho de consumo de muita gente boa, a última esperança de ter-se um bom salário e estabilidade, num emprego honesto... bom, mais ou menos isso! Até este, que vos blogueia, um dia, acreditou que sua grande chance na vida viria por meio de um desses concursos.
Já perdeu-se a conta de quantos concursos, nas esferas municipal, estadual e federal, já foram feitos. Por que este que ora escreve ainda insiste, é um mistério até para si mesmo, já que, há anos que não se leva fé na idoneidade dos institutos e órgãos públicos onde ainda tenta uma vaga.
Pode-se dizer que não se crê mais nos concursos públicos, não alimenta-se mais nenhuma esperança nesse tipo de pleito. Há anos em que esses certames correm sob inúmeras suspeitas, inclusive de graves desvios e mera sanha arrecadatória.
Em 2011, participei de meu último concurso, no caso, o dos Correios, para a função de carteiro – e uma outra da qual não lembramos. Escolheu-se como local da função uma determinada cidade da Amazônia brasileira, por motivo de ordem emocional, nenhuma motivação ingênua de crer ser mais fácil ingressar no serviço público naquela região. Acredite, entre os fatores de dificuldade há o bom nível e preparo intelectuais dos candidatos, inclusive da própria região. Bom, para o cargo de carteiro, haveria uma segunda fase, constituída de testes físicos... que, até onde sabe-se, dizem ter havido em poucos lugares, a maior parte localizada nos Estados da região Sudeste. Sul, Norte, Nordeste, pelo que se sabe até agora, não foram contemplados e ainda esperam-se os referidos testes de aptidão física. Enquanto isso, a ECT, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, continua contratando terceirizados para exercer o trabalho. Não é curioso?!
Lembramos esse pequeno fato por conta de várias notícias referentes a concursos públicos que têm chegado. O poder público e os institutos que elaboram as provas e as seleções, aparentemente, não têm agido da forma mais correta, ultimamente, a aparente má fé destes estando, a cada dia, mais escancarada, como podemos ver através de uma pequena notícia aqui transcrita:

CONCURSO POLÊMICO GERA CERCA DE 850 RECURSOS
  • Governo não quer refazer prova para Magistério

A polêmica em torno do concurso estadual para o magistério, que reprovou mais de 92% dos candidatos, entra agora na etapa dos recursos. Conforme estimativa da entidade responsável pela elaboração das provas, a Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos – FDRH, são entre 800 e 850 recursos encaminhados para análise. Uma banca composta por professores está encarregada de julgar os questionamentos.
O diretor de Desenvolvimento Institucional da FDRH, Cláudio Roberto dos Santos, acredita que até 15 de junho as contestações já terão sido analisadas. 'Mas isso é uma previsão, não é uma data certa', pondera. Santos avalia que o número está abaixo do que a Fundação esperava e, dentro do universo de 69 mil candidatos, não pode ser considerado expressivo.
Apesar das críticas de candidatos, Santos também não acredita na possibilidade de anulação do concurso. 'A FDRH foi contratada para fazer e executou aquilo que o contratante exigiu. Não houve falha com relação à qualidade da prova', enfatiza.
A quantidade de recursos, entretanto, ficou acima do que esperava a diretora-adjunta de Recursos Humanos da Secretaria da Educação (SEDUC-RS), Virgínia Nascimento. 'Na verdade, esta estimativa nem foi discutida na Secretaria. Mas eu esperava em torno de 700 recursos, pois a Fundação me disse que o número de recursos, em geral, ficava sempre em torno de 10%', explica.
Mesmo assim, ela defende a prova, que considerou 'muito bem elaborada'. A diretora avalia que o novo padrão da prova, mais apoiado na interdisciplinaridade, pode ter surpreendido muitos candidatos. Por conta disso, Virgínia entende que no novo concurso, que deverá ser realizado no final do ano, ou início do próximo, a taxa de reprovação será bem menor.
ENTENDA O CASO
Em 15 de abril, mais de 63 mil candidatos realizaram a prova para o concurso do magistério da rede estadual de ensino do Estado (tio Óbvio redigiu esta matéria – N. do B.). A intenção da Secretaria da Educação era de nomear 10 mil professores. Porém, apenas pouco mais de 5 mil foram aprovados. O elevado número de candidatos reprovados, que atingiu 92% do total de inscritos, causou forte reação. Foram muitas as queixas de que as provas estava mal elaboradas. A Secretaria da Educação, entretanto, considerou que a prova foi bem feita e, no momento, aguarda os julgamentos dos mais de 800 recursos. Para preencher as demais vagas restantes, está sendo preparado outro concurso que será realizado entre o final deste ano e o início de 2013."
(matéria do Jornal ABC, de domingo, 03 de Junho de 2012)

Ou seja, o que se pode compreender, lendo a notícia acima, é que nem os bruxos e afilhados dos atuais funcionários dos altos escalões na SEDUC-RS entenderam direito o que foi proposto na prova do concurso do magistério estadual, de forma que a Secretaria, infelizmente, terá de fazer novo concurso, para suprir o resto dos cargos, que não puderam ser supridos nesse último certame. E isso que as provas foram “muito bem elaboradas”, segundo palavras dos diretores da Fundação e da Secretaria da Educação, imagine você se não fossem! Algumas suspeitas pairam sobre o concurso, que parecem estar se confirmando, através da notícia reproduzida acima, mas não se enganem, achando que nas regiões mais frias do país haja maior respeito com os candidatos, ou com a coisa pública, como na teoria que diz “não há possibilidade de civilização nas regiões mais quentes”. O TCE, MPE, ou quem quer que tenha de fazê-lo, não demonstrou, até o momento, interesse em apurar os fatos, tampouco a imprensa local demonstrou tencionar levar a história mais a fundo. Afinal, pra que um estado periférico, como o Rio Grande do Sul, vai precisar investir na contratação de novos professores, não é mesmo...!? Outra notícia, publicada num importante jornal, hoje pela manhã, demonstra a importância dada pelos nobres mandatários locais para a educação. Mas voltaremos ao assunto na seguência...

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Nada Tão Diferente Assim, Aníbal!


Sim, nós compreendemos, você está indignado! Compreendemos sua ira, sua raiva pela infâmia perpetrada pelos nobres senhores, donos do poder na cidade e/ou no Estado. Sim, concordamos, também nos sentimos indignados com o rumo que tudo isso tomou, também nos incomodou tamanha sanha, tamanha perseguição. Entendemos que, no calor da emoção, sua zanga possa ter sido mal direcionada. Acontece! Por isso mesmo, não podemos concordar com a ideia, de um certo modo ingênua, de que a cidade e o Estado onde ora vive o amigo, de onde vêm notícias de escândalos cada dia mais escabrosos, são os piores em toda a “Federação”.
Ok, sua ira tem toda razão de ser, já concordamos com isso, já foi dito aqui, estamos um tanto distantes para saber direito o estado das coisas, no momento presente – embora, ano passado, tenha-se estado na região, vendo de perto a situação da terra que... desculpe... se ama. Sim, se ama! Por motivos que já foram amplamente discutidos e que, por ora, não vêm ao caso! Sim, sabe-se que o amigo tem, digamos, um ponto diferenciado, por estar no olho do furacão, de certa forma. Por isso, apenas por isso, entende-se que se dirija tamanha ira para os que estão ao seu redor, que não reagem diante dos acontecimentos, por razões que, cremos, desconhecemos ambos. Cada um sabe onde aperta o calo, o amigo deve saber bem disso. Talvez, com a cabeça quente, não tenha percebido o peso das próprias palavras, ainda. O peso do quase ódio que destila contra a cidade, o Estado, seu povo. Considera-se uma certa ingenuidade, a qual, sabe-se, o amigo não é lá muito dado, achar que deva-se desistir desse chão, da terra onde nasceu, onde seu nome tem alguma relevância. Pensar que, dentro da mesma Federação, casos parecidos não ocorram com a mesma frequência, ou, quem sabe, até maior, imaginar que, fora da terrinha, as coisas são muito diferentes, que não há uma “nata” de políticos, magistrados e imprensa rapinando humildes cidadãos e regiões, ou que sua região é muito diferente de outras, no pior sentido da expressão.
Não, desculpe, não é. Esperamos que o link a seguir lhe ajude a entender. A notícia é antiga. Não se falou mais no caso. As pessoas “certas”, provavelmente, foram caladas. Vamos dar uma pincelada: um secretário municipal começou a denunciar esquema de corrupção no serviço de coleta de lixo na capital do Estado. No esquema estariam mancomunados uma empresa terceirizada, o secretário municipal da pasta de limpeza pública, alguns vereadores, gente ligada ao governo ESTADUAL, à época, etc. Em 2010, o referido secretário municipal – da pasta da Saúde, perceba – fora abordado por dois homens, na saída de um culto religioso e morto com tiros à queima-roupa, na frente de familiares. Não havia policiais próximo ao local, segundo testemunhas, a Brigada demorou a atender, etc. A Polícia Civil teria feito uma investigação relâmpago, que apontava para “latrocínio”, como o provável motivo do crime. A família do secretário não confirmou a versão oficial, setores da imprensa aceitaram rapidamente tal versão, outros setores, cuja orientação política era, à época, oposicionista, não a aceitaram, refutaram, melhor dizendo. Somente dois anos depois, começou-se a falar abertamente no assunto, novamente, novas informações, omitidas anteriormente, foram trazidas à tona. O amigo sabe onde aconteceu isso? “Ah... em alguma cidade do interior do meu Estado”, talvez imagine. Não, caro, o caso deu-se há milhares de kilômetros de sua cidade, mais propriamente em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul! Sim, no Sul do Brasil ocorrem essas coisas, também! Por ser, como no caso da capital do seu Estado, uma região periférica, imagina-se que tal fato nem tenha chegado a seu conhecimento. Desculpe por destruir-se, aqui, sua ilusão, mas se seus amigos devem desistir de sua cidade e de seu Estado, é melhor desistirem, também, do nosso país! O que ocorre no Norte, muito provavelmente, terá semelhante, ou equivalente, no Sul, e vice-versa. Ou permanece-se e luta, amigo... ou desiste-se de vez do todo! A expressão “não tá fácil pra ninguém” nunca foi tão verdadeira, na situação atual.
Está perigoso ter-se opinião, ponto de vista, denunciar o que há de errado, etc... em qualquer lugar que você for! Essa peculiaridade não é só da sua terra. Se não serve de consolo, ao menos, que sirva de alerta.
Caso Eliseu Dois Anos Depois