PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Doutor Ximango


O doutor ximango não entende nem aceita que haja gente que não aceite nenhum dos dois candidatos que estão aí. Que prefira se rebelar contra a obrigatoriedade de votar em qualquer uma dessas piras purulentas e fedorentas. Engraçado, falar tanto em aceitação, de resultados, de situações, mas ser contrário a aceitação de certas opiniões alheias... pior, se rebelar contra a aceitação inevitável de que nem todos são obrigados a serem ximangos, sejam “do bem”, ou sejam “do mal”.
Doutor ximango não entende, ou não aceita que, se seu candidato vencer as eleições, o problema não é só seu... é meu também! Doutor ximango também não entende, ou não aceita, que se o adversário vence, o problema não é só dos outros... é nosso, também!

Com tristeza e com pesar


Adoniran Barbosa e Elis Regina - Tiro ao Álvaro|| Pra arguém que tô frechano dilonge!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Radicalizações, Projetos, Indiretas JÁ!!

Nunca antes, na história deste país, se mentiu tanto, se aviltou tanto a população, se fingiu tanto ser o que não se é, pra conseguir-se levar adiante um projeto pessoal, quanto este ano. Não estou falando de mim. Nem de ninguém em particular. Fora os dois candidatos a presidência da república. O quê: não se trata de um projeto pessoal dos dois candidatos? Em que país você vive? Em que MUNDO você vive!?? Pois não é só José Serra que está atrás de um projeto pessoal, amigo! Pergunte – ou peça pra alguém perguntar – se Dilma Rousseff está se sacrificando, ou sacrificando algum projeto de vida seu em nome da “continuidade da mudança”! Não espere que ela responda, o mais provável é ela mandar um segurança dar uma coça em você – ou no trouxa que foi na tua e perguntou isso daí. Ambos, Dilma e Serra, têm um projeto PESSOAL SEU, o de ser presidente da República, usufruir do poder e das benesses de um presidente da República numa democracia fraca e alienada como a nossa. Eu disse ambos!?? Não há equívoco nenhum aí! É isso daí mesmo: AMBOS!!! Estou radicalizando?! No lo creo... não mais que os imbecis alienados que se esforçam em convencer a nós outros que se está, aqui neste país, nesse segundo turno dessas malditas – sim, malditas – eleições, decidindo por um modelo de país, um modelo político. Tudo bem, não há radicalismo nenhum em dizer que há, em disputa, dois modelos políticos, sim. Concordo que haja dois modelos disputando estas eleições. Dois modelos que, na minha humilde opinião – humilde, porém não ingênua, não confunda as coisas, não confunda centavos novos com sentar nos ovos, nem bife de caçarolinha com rifle de caçar rolinha – não deram certo. Houveram acertos? Sim, houveram acertos. Tanto nos oito anos de tucanato quanto nos sete anos e dez meses de governo do polvo. Porém, os erros – dos dois “sistemas” – foram bem mais numerosos. E os acertos, acredite, não mudaram de forma substancial as nossas vidas. O problema é a pirotecnia. É muita propaganda pra pouco trabalho, muito comercial “de margarina” enfeitando o país e as nossas vidas. Não ouvi mais um slogan que o governo do molusco criou pra falar do seu lindo e maravilhoso SUS: “saúde de primeiro mundo”... de primeiro mundo! Tudo bem, eu não conheço, a não ser pela tevê, nenhum país de primeiro mundo... nem tenho freqüentado muito os hospitais públicos, nem os postos de saúde, graças a Deus, que me deu uma saúde suficientemente forte. Mas eu sei que a saúde no Brasil ainda está MUITO LONGE de ser comparável à dos países de primeiro mundo! Inclusive, já ofereci uma alternativa ao slogan, a alguns amigos petistas de ocasião: “SUS: saúde de primeiro e doenças de terceiro mundos!”. Não sei porquê, não gostaram muito... Nunca antes, na história deste país, se radicalizou tanto uma eleição. O quê, agora no segundo turno? Onde é que você tava até agora, fio?!? Votou em trânsito em outro país??

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Nos Nivelando por Baixo

A necessidade de segundo turno só serviu pra uma coisa: para o presidente molusco, seus “cumpanheros”, todo seu secto, toda a sua corte de “nobres” e “pensadores”, toda a corja de malfeitores com que se juntou nesses últimos oito anos, para “garantir a governabilidade” ficarem mais ligadinhos. Perceberam que comprando votos com bolsas família e fazendo pirotecnias em cima de projetos com mais alarde do que fins práticos, como o PAC, Minha Casa Minha Vida, etc, ainda assim não estão seguros no poder, como já se imaginavam. Terão que disputar ainda mais um turno, com o segundo colocado no primeiro. Que não é exatamente quem eu gostaria. Quanto à “verdadeira” função de um segundo turno em uma eleição... alguém acredita, mesmo, que o tal do debate de idéias, os projetos, que isso seria realmente discutido! ÓBVIO que não! Não acredito em discussões de idéias numa eleição, seja no primeiro, ou no segundo turno! Sobretudo nas eleições deste ano, em que, mais uma vez, a disputa fica entre os representantes dos dois partidos que mais favoreceram, já nos últimos dezesseis anos, a bipolaridade e a evasão da discussão política. Você nega, a maioria dos seus amigos nega, a maioria dos seus conhecidos também nega, os adversários do seu candidato – seja qual for – negam, mas já é fato consumado: o debate de idéias e a discussão de propostas, de governo, de poder, simplesmente não apareceram, sequer no primeiro debate em rede de televisão deste segundo turno. Qualquer tentativa de expor-se uma idéia qualquer que seja se esvai em meio a trocas de farpas e acusações, discussões banais e sem sentido sobre quem é mais religioso, quem tem biografia, quem é do bem e quem é do mal. O atual governo, do presidente molusco, nos seus quase oito anos, se encarregou de apropriar-se de feitos do governo anterior, como o controle da inflação, o plano Real, o assistencialismo governamental – e agora político/constrangedor – do bolsa escola, que teria sido “melhorado”, na forma do atual bolsa família. Seus companheiros, irmãos em armas, iguais, seu secto, sua corte e seus comparsas se encarregaram de propagar aos quatro ventos a grande mentira, que antes do “pai do povo”, o presidente molusco, nada aqui existia. Todas as boas idéias do governo anterior continuam “funcionando” porque ELE é quem governava já naquele tempo e dava as diretrizes para o trabalho que deveria ser feito e por ele continuado, após 2002. O quê: não é o que foi dito? Não é o que estão insistindo em dizer, na propaganda eleitoral da “escolhida” do grande molusco? Então é mais uma “calúnia” que teria sido engendrada pela “galera do mal” que se esconde atrás de spans e mensagens de internet que os atuais donos do poder – muitos dos quais os mesmos de sempre, que apenas mudaram de lado, como Sarney, Barbalho, Braga, Mendes, Simon, Maluf, dentre tantos outros – estariam tentando, de todas as formas, apagar todos os feitos dos governos anteriores, ou creditando ao grande molusco, muitos deles? É mentira então que o grande molusco elogiou os governos militares das décadas de 60 e 70, por alguns feitos. Só pode ser! Difamação patrocinada pelos grandes vilões donos da grande mídia! Este mesmo presidente, este imperador, este déspota pouco esclarecido e todo seu secto, no entanto, fizeram uma ferrenha campanha política de excomunhão do tucanato de FHC, e de qualquer um que admita, ou elenque, qualquer bom feito daquele governo.

Reage, Batman!!

É uma coisa simplesmente difícil de se entender. Eles dizem que o Inter tem boas “peças de reposição”, pra alguma eventual ausência dos jogadores titulares. Mas o que vejo é que essas “peças”, esses que são considerados reservas imediatos, só mostram alguma qualidade quando entram no decorrer dos jogos, ou seja, quando os titulares estão à disposição do técnico pra jogarem! Eu não sou nenhum “conhecedor” de futebol – nem os ditos conhecedores conhecem o esporte que se propõe comentar – sou torcedor, e de vez em quando, um observador.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Tenso!!

Tenso. Hoje estou me sentindo tenso. Nem sei se é isso mesmo... desde hoje pela manhã, sinto uma certa agitação. Que se torna irritabilidade, algumas vezes, como hoje pela manhã, com a história dos trens parados por causa dum caminhoneiro apressadinho que derrubou uma grade de proteção de cima de um viaduto em cima dos trilhos. Ou então, quando inventam que tenho de ir ao banco. Ou quando insinuam que seus passeios em horário de trabalho é que são importantes, mesmo que não passem de passeios – há alguém, inclusive, que já está acostumado a sair em horário de trabalho sem dar explicações. Me engana que é a trabalho? Não. Enfim. Sinto um pequeno estremecer nas minhas mãos, sola dos pés, braços, pernas... enfim, no corpo todo. Sinto uma agitação, um não sei quê... alguma preocupação, talvez, alguma ansiosidade, uma esperança qualquer, sei lá. Não faz muito sentido, mas quem faz sentido é soldado.

Relaxa e goza!

Fim de semana começando bem. Ahn... not! Previsão do tempo falhada, disse que ia ventar e esfriar, e que parava de chover durante a noite. Não deu-se assim: chuva desde a madrugada, com vento frio e forte, pra completar. Quer dizer, não pra completar. Porque o que completou mesmo, foi um acidente com um caminhão, em cima do viaduto que passa por cima da linha do trem, entre as estações São Luiz e Mathias Velho, em Canoas. O resultado foi que o trem parou por mais de uma hora, e quando tentou voltar ao normal, tava ainda pior.
A solução foi pegar um ônibus até o centro de São Leopoldo, onde peguei outro ônibus, um Central, pra vir até o serviço, em Canoas. Cheguei às 10 horas da manhã, mais de uma hora atrasado. Definitivamente, não foi uma boa manhã, tampouco um bom começo de fim de semana. Não tá nada fácil... Não, isso não foi o que me estressou, me estressei bem mais com a página do tal “novo” twitter. Não deu certo. Dá mais problemas que o antigo. Embora uma situação como a falta de trens, a perspectiva de ter que gastar em passagens de ônibus, além do risco de pegar um ônibus lotado... sim, isso me parece bem estressante! Parece, mas nem foi. O ônibus para São Leopoldo não demorou tanto quanto eu temia. Da mesma forma, o que vinha na direção de Porto Alegre, vindo de Novo Hamburgo e passando pelo Centro de São Leopoldo. Não me agrada nem um pouco fazer esses passeios mais longos, inda mais em dia de chuva.
Mas não me estressou tanto. Ia me estressar muito mais se demorasse muito pra pegar um trem superlotado. Não ia prestar. Mas minha tarde já não vai prestar! Greve dos bancos e inventam que tenho que ir pagar sei lá o que no Banco do Brasil, o pior serviço bancário de todos! Perder uma tarde naquele banco... sem muita necessidade, vamos dizer a verdade! Isso sim, é estressante! Já sei que vou perder um tempo que normalmente, sem greve, eu perderia só a metade! No que funcionário do BB puder amorcegar, ele amorcega, amigo, não tenha dúvida. E na cara dura, bem mais que qualquer outro funcionário de banco, público ou privado!
Não sei, não tenho certeza se esses acidentes, a piora do trânsito, sobretudo na BR 116, que não é a principal via de ligação entre Porto Alegre e algumas cidades da Região Metropolitana e Vale dos Sinos, é A ÚNICA via, a piora e a lentidão crescente no serviço dos trens têm alguma ligação com as eleições. Não sou do tipo que acredita em toda teoria conspiracionista que apareça. Mas não duvido que haja alguma relação entre tais coisas...
O governo do molusco está estendendo a linha do trem de passageiros, que já liga o centro da cidade de São Leopoldo ao de Porto Alegre, e tem se concentrado apenas nisso, em colocar mais trilhos, agora até o centro de Novo Hamburgo. Mas e a manutenção das composições, e melhorias nas estações que já existem, e a compra de novos trens, talvez uma renovação de todos comboios? Não tenho ouvido falar uma palavra sobre isso, não tenho lido uma linha sequer nesse sentido, em jornal algum. Os periódicos de linha mais governista até entendo que não escrevam uma linha a respeito, e finjam-se de mortos, mas os outros também não falam absolutamente nada sobre isso! Nem colunistas falam nada a respeito. Apenas o jornal de linha mais popular de uma dessas empresas de comunicação faz, às vezes, algumas reportagens sobre o sucateamento da linha de trens urbanos da região metropolitana de Porto Alegre, mas essas também não repercutem muito e o assunto acaba escanteado, inclusive pelo próprio jornal... é, realmente, transporte coletivo público não é uma coisa que preocupe muito as pessoas, não é mesmo! Não é tão importante assim... por que é que estou me preocupando, afinal? É o que eu me pergunto, muitas vezes... sim, eu sei que o trem tá sucateado, mas é o que tem. E não vai melhorar, se for até Novo Hamburgo. Já anda lento e lotado, em qualquer horário, não só nos horários de pico. Vai ficar ainda mais lento. Os funcionários não fazem nada a respeito, nem sei se podem fazer muita coisa, mesmo. A empresa – que é pública, federal – não fez nenhuma melhoria nos trens ou nas estações. Algumas reformas pontuais, apenas na estação terminal, Mercado, no centro de Porto Alegre. Apenas isso. Nada mais. Deveria haver reformas em TODAS estações. Remodelações. Para dar mais conforto aos usuários. Não vejo nenhuma ação nesse rumo, de lado algum. Claro que quero que o trem vá até Novo Hamburgo – enquanto estiver morando por aqui, voltando a morar em Manaus, tô cagando pra isso! Mas não de qualquer jeito! Esse governo do molusco faz tudo pela metade, faz tudo “nas cochas”, como se diz. Você pode dizer que o importante mesmo é que o governo tá fazendo. Eu concordaria com você. Mas não concordo. Por um simples motivo: se você se propõe a fazer algo, o que se espera é que se faça direito! Não basta estender a linha do trem até Novo Hamburgo! Tem que dar condições para que essa linha funcione e bem, para que atenda o número de passageiros que vai atender, com eficiência e confortabilidade! Não é fazer uma linha de trens de carga pra amontoar pessoas em composições sucateadas, em plataformas de embarque/desembarque que não vão comportar, nem suportar, de forma apropriada, os passageiros que terão que usar essa linha. Pra muita gente, o trem vai ser a única forma de ligação entre a casa e o trabalho, ou escola, ou faculdade. Não pode ser de qualquer jeito. Não devia nem ser a única opção de transporte! Já pra ir de Sapucaia a Porto Alegre, por exemplo, é a única opção existente! Ônibus, só se você for até o centro da cidade, e mesmo assim, em determinados horários! Do contrário, terá de se deslocar até o centro de Esteio!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Temores

Hoje mesmo me visualizei subindo a Leonardo Malcher, em direção ao Centro de Manaus. Não gosto disso. Me deixa triste. Porque quero ir para lá, estar lá, e não posso. Tenho planos de estar por lá, mesmo que a passeio, no ano que vem. Às vezes dá muita vontade de estar por ali. Andando pela praça da polícia, remexendo nos livros das banquinhas que ficam por ali... será que ainda estão por ali? Gostaria de saber se ainda têm aquelas sessões de cinema ao ar livre, no Largo de São Sebastião, bem em frente ao Teatro Amazonas... toda noite de sábado passava algum daqueles filmes clássicos... lembro de ter assistido pela primeira vez ali a O Sol Nasce Para Todos. Grande filme... Penso até nos ônibus que eu pegava. Um dos bairros que mais gostei de morar foi o Centro de Manaus. Outro, foi o São Jorge. Nesse último, sempre morei próximo à vila militar. E quando morei numa rua mais boca braba, logo fiz amizade com os galeritos. Acredite, ou não, até hoje, com 33 anos de idade, nunca fui assaltado. Escapei por um triz, algumas duas ou três vezes! Em uma delas, a boa relação com os galeritos da área foi de importância vital: fui reconhecido como “dos nossos”, quer dizer que eu também era da área. Lembro de ir ao cinema mais seguidamente, quando morei na Cachoeirinha. Ia a pé dali até o Studio 5, lá embaixo, entre o Distrito Industrial e o Japiim. Dava o quê... uns quarenta minutos “de a pé”! Fim de semana, ônibus demorava pra caramba, era bem mais fácil e rápido sair de casa, pegar a avenida Tefé, uma rua transversal, depois a avenida... enfim! Ia muito na sorveteria aquela, a Glacial, na avenida Getúlio Vargas, no Centro da cidade, atrás do colégio estadual, Pedro II, que fica em frente à praça Heliodoro Balbi, também conhecida como Praça da Polícia. Aliás, mais conhecida por esse nome! Tanto que só quando vim para o Sul é que descobri que aquela praça tinha outro nome! Trabalhava por ali por perto, numa loja de móveis, na rua Marcílio Dias, na antiga Zona Franca. A loja, pelo que soube, nem existe mais. Tenho muita saudade de lá. Já falei isso antes... parece que quando morei em Manaus, foi quando me encontrei, quando encontrei, enfim, o meu lugar no mundo. Sim, é sério! Desde que vim pra cá, quero estar de volta lá. Quero saber sempre notícias do pessoal que conheci lá, os amigos, os ex-colegas de trabalho, o pessoal que eu via na FEA do Centro, quase todas noites de sexta-feira. Minha família em Manaus, minha filha... penso muito neles. Gostaria de falar mais vezes com eles. Não por telefone, embora o DDD pela operadora que uso no celular não seja o bicho... muito mais legal falar pessoalmente! Por isso, estou quase sempre no twitter. Lá, eu sigo os portais de notícias mais conhecidos do Amazonas. Sigo muita gente que é de lá, que mora lá, ou que tem alguma ligação, mesmo que remota, com Manaus. Pra me manter ligado. Pra me manter por dentro das notícias, da política local... que não é tão diferente assim do Rio Grande do Sul, ou do Brasil, quanto se pensa... infelizmente! Para ambos, Amazonas, e Rio Grande do Sul! Amo o primeiro, nasci no, e gosto bastante do segundo... amazonense não é tão alienado pra política, quanto o povo de lá diz, e gaúcho não é tão politizado, ou interessado em política, quanto dizem por aqui. Velhos mitos que devem ser desmascarados. O jeito de fazer a política é tão perverso num quanto no outro. O jeito como parte da população interage com isso não é nem um pouco diferente, a maioria torce para os políticos como se as eleições fossem um gre-Nal. Há vários fatores que me fazem querer muito, algumas vezes, desesperadamente, estar em Manaus, já, agora, neste exato momento. Um deles é o medo de perder qualquer laço de carinho com minha filha. Quase três anos sem vê-la, não é nada fácil... nesse período, nos vimos, algumas vezes, via webcam, conversando pela internet, e tal. Mas não é a mesma coisa! Ela tá crescendo. Já tem 14 anos. Não é mais exatamente a menininha do papai, tem lá seus amigos, está entrando na puberdade, provavelmente já está começando a se interessar pelos garotos... eu queria participar dessa fase, ser presente, ser o paizão, mesmo, como ela me chamava, como eu gostaria de ser. Bom, mas esse é UM deles. Só um. Há ainda outros fatores. O outro, por exemplo, é: um medo meio besta, de que Manaus suma do mapa, pelo menos a Manaus que conheço, ou conhecia, ou... sei lá! Nada do tipo uma explosão atômica, ou a cidade derreter com o calor muito forte, no período da vazante, ou desaparecer totalmente debaixo d'água, depois de uma puta enchente do rio Negro... é, na verdade, essa da enchente me parece bem plausível, pelo menos no momento atual. E me dá bastante medo. Ano passado, teve a maior cheia da história, desde que começou a ser medida, sei lá em que ano, lá no início do século passado. Eu lia todas notícias que conseguia encontrar sobre o assunto, no Manaus On-line, no Portal Amazônia, no Maskate, nA Crítica... quando dava pra abrir a notícia, que antes o site desse jornal era uma putaria. Você tinha que ser assinante do jornal. Como é que, tando na Grande Porto Alegre, vou virar assinante dessa porra de jornal!? Não sabem que não tem nem no aeroporto, pra comprar, cavalo?? Aliás, abrindo um parênteses, essa é uma idéia que eu tenho, não sei nem se daria certo, mas ganhando hoje, mesmo que uma décima parte do grande prêmio da mega sena, acho que já dá pra tentar pôr em prática: abrir uma distribuidora de jornais! Pra levar às principais bancas de jornais da capital amazonense, os principais jornais do RS, tipo Zero Hora e Correio do Povo, por exemplo – pra gauchada que tá lá ler as notícias daqui. Mais pra frente, talvez, levar pra Manaus também o Diário Catarinense, enfim, outros jornais de Santa Catarina; e distribuir em Sampa e Rio de Janeiro – pra começar – A Crítica, Diário do Amazonas, e outros jornais de Manaus. Sei lá, acho que era uma legal! Mas deve precisar ter muito cacife pra bancar um negócio desses. Lembro que, lá pela segunda metade dos anos 80, meu pai e um amigo dele tavam planejando entrar na sociedade de um jornal feito aqui no Brasil, pro público argentino. Desistiram pouco tempo depois, acho que foi porque descobriram que em Porto Alegre, algumas bancas tinham o Clarín... Voltando ao assunto, então, tenho medo de não encontrar mais a minha “casa”, o meu “lar”, ou seja, Manaus, lá onde tá. Parece até que a cidade vai se mandar correndo, ou que vai ser envolta em brumas, como Avalon, naquele romance da Marion Zimmer Bradley. Então, ultimamente, as notícias que tenho recebido da minha cidade – posso chamá-la assim? Deixam? Não? Foda-se, chamo assim mesmo – têm me deixado sobressaltado. Já a notícia de que Serafim Corrêa não fora reeleito para a prefeitura municipal, perdendo pra raposa velha e marota, Amazonino Mendes... me deixou de cabelos em pé! Não peguei a época dele à frente da prefeitura, quando lá cheguei, o vice-prefeito, um tal de Carijó, era o prefeito, porque esse Amazonino tinha saído, pra candidatar-se à reeleição, acabando por perder a prefeitura pro Serafim. Mas quase todo mundo com quem falava dava conta de que o Negão não era lá flor que se cheire... eu, sinceramente, quando soube, não entendi. Se Serafim não tinha sido assim tão bom prefeito, se a população acabou não gostando das coisas no tempo dele, até entendo que quisessem mudar. Mas que quisessem de volta o sujeito que tinha deixado a cidade falida, sem fazer nada por ela, isso eu não entendi! E pior que tudo aquilo que pensei a respeito, que viria a acontecer, com Amazonino à frente da administração municipal, efetivamente aconteceu. Notícias e impressões pessoais de “amigos de twitter” davam conta do caos que a cidade estava virando. A greve dos ônibus, meses atrás, até mesmo esse anúncio de licitação pra contratação de empresas de transporte coletivo, um pouco antes, a novela do preço das passagens, tudo isso me deixou bastante receoso de quando estiver por lá. Não tenho carro, nem sei dirigir. Pelo que tenho entendido, das notícias que me chegam de lá, o transporte público coletivo de Manaus está à beira do caos. E duvido muito que, com essa licitação, novas empresas entrem nesse mercado de Manaus. Não é nada tão fácil assim, como o prefeito tenta fazer parecer. Tô sabendo também que vão fazer estacionamentos rotativos no Centro da cidade, a tal Zona Azul, como há em várias cidades daqui da região metropolitana. Sei lá, aqui há os que defendam, a grande maioria é contra, mas estão se acostumando. E não acabou com a problemática dos flanelinhas, o prefeito Amazonino, se pretende realmente usar isso como solução, que desista logo da idéia. Notícias têm dado conta dos apagões de energia elétrica, cada vez mais constantes, em Manaus e cidades próximas, como Iranduba e Manacapuru... desculpem, ato falho: ESSAS são as únicas cidades próximas de Manaus! Falam numa região metropolitana, que inclui Itacoatiara, que fica a uma distância que é como de Porto Alegre a Torres! Você não leva menos de quatro horas, num ônibus pinga-pinga – e sim, no Amazonas também tem ônibus pinga-pinga. Os tais apagões, parece, têm a ver com o período de seca, que, dizem, é o maior da história. Eu peguei a seca de 2005, que já foi braba, mas muito braba, aquela já era a pior seca da história. Agora, cinco anos depois, vem uma seca ainda pior. Temo estar lá e vir uma seca, se não pior, igual a deste ano. Imagina, que delícia, pegar uma cheia tão grande quanto 2009 e em seguida, uma seca igual a deste ano, no ano que vem! Esse é um cenário que simplesmente me apavora. Toda notícia sobre Manaus, ultimamente, tem me apavorado! Sexta passada, li a respeito, vi fotos, etc., de um temporal que teve na tarde daquele dia, lá em Manaus. As imagens me deixaram com o coração na mão. Imediatamente, me preocupei com minha gente, minha família lá de Manaus. E pra ajudar, estava completamente sem voz. Não tinha como ligar pra eles e perguntar como estavam, se viram o tal temporal, etc. Ainda não tenho muitas notícias deles. Estou esperando recuperar totalmente a voz, pra entrar em contato. Notícias sobre a violência também me deixam extremamente preocupado. Vai que minha sorte acabe... claro que não quero pensar nisso! Como falei, até hoje, nunca sofri assalto. Tá bom, fui furtado uma vez, mas a carteira que o bonitão me surrupiou, no furdunço duma banda de carnaval, no centro de Manaus tava vazia. Só tinha minha identidade. Eu não havia recebido ainda. E o pouco dinheiro que eu tinha, tava num outro bolso, nesse o ladrão não chegou. Não levou nem meu dinheiro, nem meu celular. Enfim. Fora isso, nunca fui assaltado, ou fui agredido, ou qualquer coisa assim. Mesmo assim, até quando vai durar minha sorte!? Não sei. Tá, pode acontecer por aqui, também. Principalmente aqui, já que, no momento, tô morando aqui. O país todo tá uma zorra, uma insegurança só. Li, anteontem, o relato de um blogueiro, sobre a noite de terror que ele, esposa e amigos passaram, por conta de um assalto, e depois, todo descaso das autoridades constituídas, que em pleno domingo de eleição, não estavam muito afim de mostrar serviço, digamos assim. Fiquei profundamente consternado, senti a garganta embargada, como se fossem pessoas conhecidas minhas, mais que isso, amigos, bem conhecidos e queridos, que tivessem sofrido tais humilhação e terror. Causou-me profundo mal-estar. E me deixou preocupado, com a situação de insegurança, que não é muito diferente daqui. Que está cada vez mais parecida com a insegurança que se passa no Rio Grande do Sul! A violência, por aqui, era um pouco maior que lá. Isso é um fato. Que está mudando, infelizmente. Por isso quero tanto estar em Manaus. Quero, mais tardar, estar indo pra lá até o ano que vem, 2011! Pelo menos rever minha cidade mais uma vez... antes que venha 2012 e a leve embora!

"Todo artista tá do lado da esquerda e do PT"... você acredita nisso? É... não é bem assim, irmão!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Micareta Eleitoral: O Golpe do Golpe de Estado!

Hoje, nem estão falando tanto. Ontem, tava aquele verdadeiro carnaval fora de época! E eu aqui com cara de turista gringo que não tá entendendo nada, diante das tuitadas ferozes – e outras bem menos – na internet: “eu não estar entendendo, o carnival não foi em febrerou?” Pois é. Duvido que algum turista americano leia este blog (graças a Deus!), então não sei se há quem entenda o que estou dizendo. Enfim! Hoje, fora as linhas que li nos jornais impressos – Zero Hora, mais especificamente – e on-line, ninguém também falou sobre o debate. Talvez seja o dia, talvez seja por ser começo de fim de semana, atípico, mas ainda assim fim de semana, sexta-feira, moçada pensando mais na balada, nos agitos, em sair pra zoeiras, bebedeiras, pegar umas gatas... eu, particularmente, a esta hora, 13:12h, horário de Manaus – embora na Grande Porto Alegre, acrescente uma hora – estaria pensando já no sabor da pizza, naquela belíssima Norteña estupidamente gelada me esperando, no filme, ou episódio de House, que iria assistir. Por causa de uma provável rinite alérgica, hoje não é o caso. Pois nem sobre o tal do debate da rede glóbulo vi falarem muito! Ou quase ninguém viu, ou a grande maioria estava de acordo com aquele que disse: “o debate da Globo foi tão morno que eu não lembro o que foi dito, você não lembra o que foi dito e hoje, nem o Plínio Arruda lembra o que foi dito!” E eu não duvido, mesmo, que até o velho tenha esquecido o que debateu ontem à noite, com os outros candidatos... se perguntar pra ele quem estava lá debatendo com ele, Plínio ainda vai te dizer que eram João Goulart, Jânio Quadros e Tancredo Neves! Todos garotões, que nem ele... Mas olhe, hoje eu tinha certeza que ia ver principalmente uns blogueiros “de esquerda da vera” tocando o terror, falando do grande golpe que foi desbaratado em Equador, ontem! Que de golpe, não teve absolutamente nada, vale dizer. Ontem as notícias que vinham eram no calor do momento, Equador em estado de exceção, policial nas ruas, protestando contra o governo do presidente Rafael Correa, que diga-se de passagem, é uma flor de pessoa, manifestantes tomando conta de quartéis policiais e até do aeroporto de Quito. Tá, quando acontece uma coisa dessas você já pensa “pronto, $£deu, mais uma revolução, voltamos aos golpes de Estado na América Latrina!”, porém a história não é bem assim, e o buraco é bem mais embaixo. Hoje, nos jornais da manhã, particularmente o global e o da Bandeirantes, que são os que consigo ver – não sou blogueiro engajado, da esquerda, do PCB, não tenho curso de jornalismo, não trabalho em portal de afiliada da Globo, nem tenho tevê a cabo – pela manhã, dão conta que a tal “tentativa de golpe” não era EXATAMENTE uma tentativa de golpe. Realmente, quando falaram em POLICIAIS mantendo refém o presidente equatoriano, e disseram que o EXÉRCITO do país tinha um plano de ação para resgatá-lo de dentro de um hospital pra onde fora levado, eu desconfiei que se tratasse, mesmo, de um golpe, de uma tentativa pra derrubar o presidente e derrubar o governo daquele país. Ah, o carnaval ontem à noite tava bonito, já tava entrando até o bloco do “fora ianque”, botando pilha, dizendo que os malditos americanos é que tinham feito a cabeça dos manifestantes, pra tomar conta dos quartéis e das ruas, e que depois tinha ficado só assistido, de camarote! Aham, Cláudia, senta lá! E ainda quiseram comparar o que acontecia no Equador com aquela patacoada lá de Honduras, com aquele cretino, o tal Manuel Selaya! Não é nem parecida, que dirá igual, imbecil! Por isso, cheguei a comentar, hoje pela manhã: o pessoal tá muito ligado na campanha eleitoral, então qualquer coisa tem que ser exagerada, tem que ganhar cores vivas, que nem os meninos do Restart! Uns exageraram nas informações oficiais do governo equatoriano, outros nas trazidas pelas redes internacionais, ou por gente daqui que tá por lá. Tudo pra dar a impressão de que “quem vota na esquerda, tá a favor do presidente Correa, quem vota na direita, tá contra”. Quer maior prova disso que caboclo insinuar um grande complô estadunidense contra o governo equatoriano!? De novo: Aham, Cláudia, senta lá!

Franz Ferdinand - Walk Away