PESCANDO NO BODOSAL

terça-feira, 31 de julho de 2012

O Que os Sonhos Dizem


Anos atrás, toda vez que acordava de um sonho – e isso era bastante frequente – levantava e anotava os detalhes de tantos quantos fosse possível lembrar, e em algumas noites tinha de lutar contra a preguiça, pois eram muitos sonhos... mais tarde, procurava analisá-los, buscar sentido, significado, quem sabe, ler nas entrelinhas algo que explicasse o que estava passando, ou sentindo. Aprendi a me conhecer dessa forma, acabei descobrindo algumas outras coisas também...
Mas isso foi há anos atrás. Hoje, por diversos motivos – ou desculpas – não anotam-se mais os sonhos. Por consequência, imagino eu, lembra-se menos dos sonhos, somente aqueles mais marcantes, mesmo, aqueles que provocam alguma reflexão, ou suscitam emoções, ou me fazem lembrar de pessoas queridas. Há alguns sonhos assim, alguns um tanto perturbadores, como um de anos atrás, do tempo em que se anotava qualquer mínimo sonho, onde buscava-se a cura para uma doença mortal, provocada por uma espécie de arma biológica, ou bactereológica, usada há uns 40 anos, no Vietnã, ou Camboja... já deve fazer bem uns 15 anos que tive esse sonho. E lembro vagamente de ter lido uma notícia, sobre uma epidemia misteriosa, que estaria vitimando pessoas desses países aí! Não pensava há anos nesse sonho, mas assim que li a notícia, me veio à mente o dito cujo na mesma hora. Seria possível?!
Meses atrás, sonhara com ela, de tempos em tempos lembro desse sonho. Marcou-me por vários motivos, um deles, uma emoção que, na realidade, não tem tanto assim a ver, mas... ocorreu um dia após o dito. No último fim de semana cheguei a sonhar com ela, só lembro disso, não consigo lembrar os detalhes. Semana passada sonhei com uma amiga paulista, que só conheço via web. Conversávamos como se fôssemos vizinhos, ou algo assim. Ela me falava de pessoas amigas minhas, que ela sequer conhece, mas no sonho era como se fossem amizades em comum. Pelo que ela me disse, no sonho, acordei preocupado com essas amizades, ou pelo menos, com uma delas. Tenho pensado se algo aconteceu, ou se tentaram entrar em contato comigo, sem sucesso.
A última noite foi particularmente agitada. Todo tipo de sonhos, sono entrecortado. O último de que lembro tinha a ver com uma revolução, a tentativa de criar-se um novo sistema político, etc. Deu o que pensar. Tenho pensado nisso, ultimamente. Não só por ser ano de eleição.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Caderno Aberto


O caderno aberto sobre a mesa, à espera de uma luz, de uma ideia, ou inspiração para escrever alguma coisa, qualquer coisa, sobre qualquer assunto, até mesmo sobre assunto nenhum!
A mente vaga, lenta, vagarosamente, em busca de certas palavras que possam soar como certas, procurando novas formas de dizer todas as coisas que já disse e queria dizer, as coisas por onde divaga o pensamento.
Uma semana passou-se, com a mente espraiada em todas as direções, perdida em meio a tantas distrações, ideias indo e vindo, sobre assuntos tão diversos, estórias imaginadas num átimo de segundo, para logo depois serem esquecidas; outras que iam e vinham, intermitentemente, voltando quando os assuntos eram os do coração...
Uma semana tentando escrever, de uma forma bela, o sentimento por causa de sua ausência, procurando a forma mais poética de dizer que, quando não a vejo, é como se o dia não tivesse valido, como se estivesse incompleto. Horas a fio pensando na melhor maneira de dizer que aquela música sempre me traz a sua lembrança... ou como, às vezes, basta uma curtida, ou uma palavra sua, para melhorar meu estado de espírito, vislumbrar seu belo e indefectível sorriso para as nuvens negras serem sopradas para longe e começar a sorrir também... que acordo no meio da noite de um domingo qualquer e me pergunto se estará num daqueles seus passeios tardios, a procura de um lanche... tentando imaginar, ainda, uma maneira tão maneira quanto a daquela banda de te dizer o quanto gostaria que fosse a minha pequena!
E aí, mais um dia termina, o caderno ainda aberto sobre a mesa, nenhuma linha, nenhum pensamento posto no papel, nenhum sentimento esmiuçado. As ideias vêm, vão, voltam e vão-se novamente... então desisto, deixo para amanhã, quem sabe...? Hoje, novamente, não consigo, nada vai sair.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Meus Bons Amigos


Meus bons amigos, onde estão?
Notícias de todos quero saber
Cada um fez a sua vida
De forma diferente
Às vezes me pergunto
Malditos ou inocentes?
Nossos sonhos, realidades
Todas as vertigens, crueldades
Sobre nossos ombros
Aprendemos a carregar
Toda a vontade que faz vingar
No bem que fez pra mim
Assim, assim
Me fez feliz assim
O amor sem fim
Não esconde o medo
De ser completo
E imperfeito...
(“Meus Bons Amigos” - Frejat)

Tenho vários bons amigos. Graças à internet, tenho bons amigos espalhados pelo país e até uns colegas em outras partes do mundo. Tenho amigos professores, enfermeiros, jornalistas, publicitários, acadêmicos, historiadores, turismólogos, dentistas... e amigos que fazem de tudo um pouco!
Tenho bons amigos que não vejo há muito tempo. Amigos de infância, com os quais não tenho tanto contato, como nos tempos do antigo 1º grau – sim, no meu tempo era chamado assim – mas que, quando os vejo, é como se não tivesse passado mais que um dia da última vez que nos vimos. Há amigos que nunca vi na vida, pessoalmente, mas que me conhecem melhor que meus vizinhos – alguns dos quais me vêm desde que era moleque, aliás! Têm amigos que bastou vê-los uma só vez na vida para ficar seu amigo pra sempre. Têm amigos que torcem até pro maior rival do meu Internacional, até mesmo pro boi contrário! Mas não é por um deslize besta desses que deixarão de serem meus bons amigos.
Tenho bons amigos que são minha segunda família, que amo como se irmãos e irmãs fossem. Posso pensar menos em uns, mais em outros, mas não os esqueço, a qualquer momento me lembro deles! Mantenho contato, pergunto como estão, envio e recebo notícias. Meus bons amigos, por onde estiverem, estarão comigo, debaixo de sete chaves, junto ao coração, como cantou o poeta. Estarão comigo nos melhores momentos e nas roubadas, onde quer que eu vá, mesmo não estando, de fato, comigo. Meus bons amigos, todos eles, graças às lembranças e aos sentimentos, estão aqui comigo, agora, enquanto escrevo. E eu com eles, onde estiverem, se assim o quiserem. Hoje e sempre!


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Quisá, Talvez, Quem Sabe...


My body, my hand
My heaven, my land
My guardian angel is mine
And you say..
My dreams, my head
My sex, my bed
And it's my Corona with lime
And then I say..
Maybe we could divide it in two
Maybe my animals live in your zoo
And you say..
My head, my frown
My kingdom, my crown
My palace and court is mine
And then I say..
Maybe we could divide it in two
Maybe my animals live in your zoo
And then I say..
Maybe..
Maybe I'm in love with you..
But you say..
My coat, my hat
My bones, my fat
My zipper is shut by me
And you say..
My skin, my blood
My devil and my God
My freedom is what you see
But then I say..
Maybe we could divide it in two
Maybe my animals live in your zoo
Then I say..
Maybe
Maybe I'm in love with you..
But then I say
Maybe we could divide it in two
Maybe my animals live in your zoo
Then I say
Maybe..
Maybe I'm in love with you!
My begining, my end
My nuclear bomb to pretend
My begining, my end
My nuclear bomb..              ("Maybe" - Brainstorm)

Outro dia estava pensando... talvez não consiga, tão facilmente, deixar de observar você, de admirar tua beleza e esperteza, de, ahn... vigiar você. Talvez não consiga sair do vício, sem uma boa dose de esforço. Ganhei de você um apelido, que talvez não seja considerado muito honroso, mas... talvez eu o mereça.
Mas, talvez... estava eu pensando... talvez eu devesse parar de, ahn... stalkear. Talvez esteja carente demais, por isso esteja querendo ficar tão “próximo”, porque também estou distante demais. Talvez devesse buscar o que tem me feito falta, a tanto tempo, em outro lugar. É que o frio do corpo, à noite, talvez não seja só por conta do rigoroso inverno. Mais tenebroso e longo tem sido o “inverno” dessa solidão companheira... talvez a tenha sentido muito severa, ultimamente. Talvez esteja sentindo a falta do calor de um abraço, de um alguém para esquentar. Talvez... talvez devesse procurar alguém por perto.
Ou talvez devesse deixar de lado tantos “quiças”... talvez deva deixar claro logo que a cada curtida em cada foto tua é o desejo velado de um toque, um carinho... ou talvez não! Talvez meus sonhos sejam apenas sonhos, talvez nada disso venha a se tornar real... talvez isso tudo nem seja tão importante assim! Sem talvez, nem quem sabe, com certeza, sim, estou apaixonado por você e quando penso no beijo que anseio dar, é tua boca que desejo beijar.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Boi de Piranha


Você, você para na frente da TV, você assiste ao jornal matutino, o jornal mostra a matéria sobre o depoimento do prefeito de Palmas, Tocantins, na CPMI do Cachoeira. Ele falou... e você ficou convencido... de que o cara é um tremendo 171! De que ele tinha, sim, algo a ver com o esquema de contravenção e corrupção patrocinado por Charlie Waterfalls e que, na tentativa de explicar porque não tinha nada a ver aquilo dali, acabou demonstrando o contrário, que tinha, sim, toda culpa que lhe estava sendo incutida.
Saindo do congresso, o digníssimo prefeito de Palmas disse que era uma caça às bruxas, que estava servindo de bode expiatório, pagando de único bandido envolvido na tramóia, etc... ora essa, onde já se viu tamanho despautério!? CLARO QUE NÃO É NADA DISSO!! Raul Filho, prefeito, afiliado ao PT-TO é boi de piranha, na verdade! Para passarem os bois maiores, como por exemplo, os governadores de Goiás, Rio de Janeiro e Distrito Federal, o boi menor, mais maleixo e cheio de piras foi jogado no rio cheio de piranhas vorazes e ávidas por sangue, que atacam qualquer coisa que venha descendo cachoeira abaixo!
A expressão, comum na região do Pantanal, aqui, cai com extrema perfeição. É para isso que Raul Filho serve, foi para isso que ele foi ontem ao Congresso Nacional, não para se explicar, prestar esclarecimentos aos honrados senadores e deputados da CPI, ele foi lá para ser sacrificado, pelo bem da boiada! Mesmo que ficasse calado, a coisa seria do jeito que foi.
O outro boi de piranha foi devorado hoje, o senador e último bastião da moral e da ética na política – ou pelo menos um dos seus últimos sobreviventes – Demóstenes Torres foi cassado por seus pares, que não o perdoaram, não exatamente por estar envolvido num esquema de corrupção, mas por ter tido escrúpulos de esconder isso de todos, inclusive de outros membros da sua classe, em vez de fazer tudo às claras e ainda dizer, com a cara mais deslavada, que é tudo intriga da oposição, situação, ou da mídia... porque, afinal de contas, todo mundo sabe: a Globo mente, a Veja mente, a Carta Capital mente e por aí vamos.
Enfim, os bois de piranha já foram sacrificados, devidamente devorados pelos peixinhos vorazes e famintos, agora a boiada já pode passar tranquila e incólume, os senhores governadores, prefeitos, ministros, congressistas e empresários bem sucedidos já podem voltar aos seus negócios costumeiros sem serem importunados, enquanto os membros da CPMI, enquanto não for fechada oficialmente, continuarão dando uns migués, mostrando trabalho e dando provas de merecimento do seu suado salário, porque, obviamente e na prática, ela já acabou! Podem trazer o próximo escândalo da pauta, faz favor!

terça-feira, 10 de julho de 2012

Que Nem Você


Dizer as coisas em tom de brincadeira, ter coragem de deixar transparecer meias verdades, ainda por cima com pretensão de te chamar a atenção e te fazer sorrir, quem sabe, quem sabe... é, esse sou eu. Acordado no meio da madrugada, sono agitado, desfocado demais até pra dormir... e pensando em você, pensando no que escrevi, nas entrelinhas.
Há dias pensando no mesmo tema, há eras pensando naquilo que tive tão pouco, que me faz tanta falta... há tanto tempo respirando o mesmo ar saturado. Sem tempo, disposição ou coragem para desligar-me da “matrix” e buscar o que me falta, sem paciência para me jogar em conquistas, a cada dia sentindo mais a necessidade de ficar on-line, no afã de ficar próximo – até demais – de você... chegar ao absurdo de pedir a Deus para encontrar algo que não existe; alguém como você! Não é bonito não ter coragem de dizer com todas as letras que queria você além da “matrix”, quero você na minha vida!


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Anda Difícil...


Stalkear não é legal. Agora tem lei, pra quem acredita que elas existam para ser cumpridas e realmente teme alguma punição. Praquele stalker ali, stalkear não tá mais tão legal assim...
Ela o fascina, tudo o que ela possa exalar, tudo o que lhe faça referência. Músicas, filmes, livros, cidades, praia , ou serra. Difícil, quase impossível não curtir cada foto sua, ou em que ela aparece, cada sorriso para a câmera, que automaticamente deixa-o com um sorriso bobo no rosto, que ele admira extasiado, hipnotizado.
Cada link aberto, lido e repassado, cada gesto seu nas redes sociais querendo ser interpretado como um sinal de afeto e admiração, como se fosse um afago em seu belo rosto. Cada curtida dela lhe faz sorrir por dentro e por fora, cada comentário, ou reply lhe devolve o sol e o calor nos dias mais gelados e cinzentos!
Mas tá difícil stalkear... às vezes ele vê o que não lhe agrada tanto assim. Sente-se quase culpado de ser tão enxerido. Complicado sentir ciúmes que não deveriam existir... não fosse a frieza da internet, seria impossível ocultar certos sentimentos que tem guardado mais para si, demonstrando timidamente, arrependido da sua fraqueza, ou falta de coragem. Já está difícil esconder que tem pensado muito nela, que quase tudo que é dito, feito, escrito, é pensando nela.
Ele a espia, ele procura ouvir certas músicas que o remetam a ela, ele espera suas curtidas, um comentário, um :*, etc... complicado ouvir aquela música do Agridoce e lembrar de um sonho que teve com ela sem derramar ao menos algumas lágrimas... stalkear anda bem difícil. E bem difícil não stalkear.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Atrapalhando o Trafego


Avenida Djalma Batista, 19 horas. Calor, ônibus até o tucupi, carros, motos, buzinas berrando freneticamente. O engarrafamento de todo santo dia, o trânsito em marcha de tracajá. Mais uma noite como as outras, mais duas horas de vida perdidas no caminho do trabalho pra casa, de casa pro trabalho.
O ônibus se arrastava próximo ao Plaza, parecia que há meia hora, atrás de uma fila gigantesca de ônibus, microônibus e carros. Na parada em frente ao shopping centenas de pessoas entrando e saindo dos coletivos, mais algumas dezenas esperando impacientemente seu transporte para ir pra casa.
Vindo do Centro da cidade, ele conseguira, por obra e graça divinas, um lugar para sentar, escorar a cabeça no vidro e ficar observando a avenida lotada, entregue a um tédio e uma melancolia aos quais já estava habituado. O ônibus parou de andar, o motorista parecia ter desistido de prosseguir viagem. Um burburinho de pessoas irritadas começou a ser ouvido dentro do coletivo. E ele só pensava: “mais duas horas de vida perdidas...”
Piscou, levantou a cabeça do vidro, arregalou bem os olhos para ter certeza: do outro lado da avenida, na direção bairro-centro, os carros passavam com mais fluência e ela, cheia de livros e apostilas, esperava aflita por uma oportunidade para atravessar a rua.
Abriu um largo sorriso, esqueceu-se do cansaço, do tédio, da melancolia e do marasmo, esqueceu-se até que ainda estava muito longe da sua casa. Levantou-se, abrindo espaço no mar de gente suada, cansada e mal-humorada, fez sinal, gritou, assobiou, suplicou para que o motorista abrisse a porta para ele descer, podia ser fora do ponto, mesmo... o homem da camisa cor de boto rosa disse, num tom inamistoso que não poderia fazer nada, era contra o regulamento, perigava até levar multa dos marronzinhos. Ele insistiu, alguns outros passageiros engrossaram o coro, iriam descer ali mesmo. Até que o motora, irritado com a zoeira, abriu a porta.
Ele desceu rápido feito foguete, estacou quase em cima dum carro parado na saída do estacionamento do shopping. Meio exasperado, tentou enxergá-la por entre o trânsito de pessoas, carros e coletivos, sorriu novamente, viu-a correndo, sem notá-lo ainda, desviando de motoristas apressados demais, que buzinaram enraivecidos. Veloz como um raio, ele correu na sua direção, chamando seu nome, quase pulando em cima do capô de um táxi, passando por trás de uma kombi, na frente de um motoboy.
Antes que ela tocasse o pé no canteiro central, ele a aparou nos braços, tal como o moleque que apara cuidadosamente o pião rodopiante na palma da mão. Seus olhos encontraram-se, a surpresa nos dela, o êxtase apaixonado nos dele. Os pés dele resvalaram pelo canteiro estreito, parando quase no meio da via, atrapalhando o trânsito. Sorriu, beijou-a carinhosamente, os olhos semicerrados, os ouvidos surdos por uns minutos, até o ar quase faltar. Ela riu, “tu é doido, menino...”, disse. Enlaçou o pescoço dele com os braços, voltando a beijá-lo em meio a um mar de buzinas, gritos e aplausos.



terça-feira, 3 de julho de 2012

Luminosa e Iluminada


Você vem
Linda, leve, graciosa, você vem
Como se flutuasse, seus passos tão delicados
O seu sorriso doce me cativa e me extasia
Desde a primeira vez que te vi.
Te vejo
Num vestido branco, esvoaçante
Parecendo um anjo de sorriso límpido
Luminosa e iluminada
Toco teu rosto, acaricio-o com ternura
Sorrio, sentindo uma paz interior
Beijo teu rosto com suavidade
Você é meu pequeno anjo
Me enche o coração de calma
E de intensa alegria

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Vou-me Embora Dessa Cidade!


Estou cansado disso aqui! Estou cansado desse povo burro, dessa cidade suja e mal-cuidada! Sem infra-estrutura, sem árvores, sem calçada pra gente andar, sem praça pra nossas crianças brincarem!
Tenho só me estressado com essas notícias que me vêm, de suspeita de fraude em concurso da prefeitura, em licitação da merenda escolar, prefeito que privatizou o abastecimento da água dizer que vai expulsar a concessionária e, no fim das contas, tudo continuar na mesma...
Cansei, não quero mais saber! Vou-me embora dessa cidade! Não tem mais jeito! Oito candidatos à prefeitura e nenhum se salva! Não há renovação, pelo menos dois já foram prefeitos, um é um grande bandido, isso sim! Vou-me embora, que essa cidade não tem mais jeito!
Mas, para onde vou?! Para qual cidade?? Para alguma cidade do interior?! Mas, se a internet e o transporte público aqui já são uma vergonha, imagine no interior do Estado! Sem falar em saúde, educação e... bem, enfim! É, vou ter que ir para outra cidade de outro Estado, alguma mais séria, com pessoas mais politizadas... quem sabe São Paulo?!
Lá o prefeito proíbe a distribuição de sopa aos pobres e moradores de rua, no inverno; a crackolândia não deixou de existir, só se espalhou pela cidade; Maluf e Netinho de Paula se unem pra apoiar o candidato do PT à prefeitura... não, São Paulo pode ser a maior cidade do país, mas com certeza não é a melhor.
Irei para onde, então? Porto Alegre?! Como aqui, lá o transporte público é deficitário e não tem cara de que vá melhorar tão cedo! Lá também, a propaganda da prefeitura diverge bastante da realidade. E os candidatos de lá não são nada melhores que os daqui! Sem falar que é muito frio! E o frio não tem “curtir”, ou você suporta, ou não!
Decidi, então, que vou ficar. Não adianta, a cidade não vai mudar por si só. Nada me assegura que em outra cidade as coisas serão melhores, sobretudo no Brasil! Terei de mudar de país?! Não, isso não vai resolver o problema. Posso sair, por um tempo, da minha cidade, mas ir embora de vez... não, isso não vai adiantar. Parece que não tenho opção. Mas é melhor assim, escolho ficar e resistir.