PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A Solidão é uma Canoa

Conheço essa música desde moleque, desde piá, já a escutava nas rádios... mas nunca antes ela fez tanto sentido para mim, como começou a fazer recentemente... é, bem recente, não mais que dois anos... sinto como se ela contasse a história dos meus amores, das minhas paixões, das minhas decepções. E não foram poucas... tem dias que uma lágrima furtiva escorre pelo canto do olho ao ouvir essa estrofe: "uma andorinha no céu passou e disse que o amor que eu tinha foi-se embora... ai desacerto que cruza nossas vidas tão normais! É solidão que já vem, é alegria que vai..."
Por vezes sinto como uma coisa boa se estar apaixonado, outras vezes, a solidão é irritante, nos grita aos ouvidos, mostra-nos velhas "fotos" dos amores do passado, das lembranças boas que carregamos, assim como das ruins, que tentamos ignorar, pensando, algumas vezes, em como as coisas seriam, se tivessem corrido diferente, se aquele amor não tivesse se ido. A solidão é uma canoa, mas se o rio está tempestuoso, uma canoa não é a forma mais segura de se viajar.

Ela Está Comprando Uma Escada Para o Céu


Puta que pariu você, Jimmy Page!! Você é um monstro, é meu herói, você toca muito, com certeza é um dos melhores guitarristas, um dos melhores MÚSICOS de todos os tempos!!
Bom, após essa rasgação de seda pra quem não precisa, dedico esta música a um certo alguém, a uma certa garota, que mesmo à distância, mesmo a conhecendo apenas através do que um passarinho azul me conta, tem me apaixonado, tem me encantado cada dia mais.
Ela está comprando para si, uma escada para o céu (stairway to heaven), e espero sinceramente que consiga! Ela terá um futuro sem nuvens, um céu de brigadeiro pela frente, com toda certeza...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Pra Você - Duas Cidades


Escrevo.
Escrevo, escrevo e escrevo.
Escrevo porque gosto,
Escrevo porque não tenho coisa melhor a fazer
Escrevo pra exorcizar os fantasmas,
Escrevo de ansioso,
Escrevo pra acalmar e ajudar a pensar
Escrevo por compulsão...
E hoje, escrevo por compulsão!
Hoje, escrevo por mim
Pelo que sinto, por meus desejos, pelas emoções que sinto,
Toda vez que vejo você.
Hoje escrevo para você
Não importa o quê,
Nem se estou afim, se estou pensando com clareza,
Nem se não sei o que dizer...
Não importa qual o assunto
Eu escrevo pensando em você
Te imagino a ler meus textos
Desejo firmemente que os leia
Desejo dizer aqui, com todas as letras
O teu nome, que chamo todas as noites, antes de dormir
E todas as manhãs, ao acordar,
Teu nome, que incluo em minhas orações,
Toda noite pedindo à Mãe, Nossa Senhora, que te acompanhe, e te abençoe...
Penso em cada texto, pensando se irá lê-lo, se vai te agradar o que aqui escrevo...
Penso em escrever teu nome, deixar às claras o que sinto por você
Deixar bem claro, pra você e pra todo mundo,
O que digo, o que penso, o que sinto
E sinto que, a cada dia, estou mais apaixonado...
Freio a esferográfica, deixo o dedo pairar sobre o teclado
Temo te assustar, temo te expor aos outros,
Como me exponho, não a eles, mas a você!
Somente deixo pistas...
Falo de teus detalhes, daqueles pequenos detalhes
Que me chamam atenção, que me atraíram, que me encantam
Falo da tua grande, imensa, incomensurável beleza (aos meus olhos)
Dos teus olhos, lindos, duas pérolas negras, que me hipnotizam
Dos teus cabelos longos, o próprio Rio Negro, onde quero me perder,
Dos teus lábios e teu sorriso, doce, lindo e delicado,
Da tua pele, agradavelmente morena, enfim...
Atiço a curiosidade de todos, pelo menos os que lêem, penso eu
Na esperança de também atiçar tua curiosidade
De, quem sabe, até te conquistar...
Mas ainda somos dois virtuais, um para o outro!
De que adiantaria, te conquistar,
Agora que não dá?
Agora te quero abraçar
Te malinar, beijar teus cabelos, tuas pálpebras, teus lábios,
Quero dizer, no teu ouvido, o teu nome, como a canção
Que não canço de repetir,
Quero dizer-lhe, demonstrar-lhe o quanto te adoro
Quero não te fazer promessas falsas, ou tolas,
Quero só prometer-lhe meu coração,
Quero só segurar tua mão, te aconchegar em meus braços,
Quero em meu ombro repousar tua cabecinha...
Agora, justo agora, que não dá! (E será que um dia dará?)
Escrevo sobre o que quero
Escrevo sobre outros assuntos, pra não ficar sempre na mesma
Escrevo algo que não estou afim, às vezes
Escrevo sobre coisas que talvez não te interessem
Escrevo sobre minha musa, que me inspira e que desejo, e também temo
Que um dia descubra que ela, na verdade, é você!
Eu, hoje, escrevo qualquer coisa, mas hoje,
Eu, hoje, só escrevo pra uma pessoa, e nem é pra mim,
Eu só escrevo pra você...

Numa, eu não nasci
Na outra, eu morei
E como diria Adoniran,
Foi os dias mais feliz da minha vida”...
Uma, eu amo como a uma velha tia,
Ou parente querida,
A outra, foi paixão à primeira vista,
Ainda ao encontrá-la no aeroporto!
Com uma, rolam uns desentendimentos
Com a outra, houveram algumas decepções
Com ambas, rolaram uns estresses, umas mágoas...
Mas a ambas continuando amando demais!
Ontem, eu estava com uma,
Hoje, estou vizinho da outra.
Amo cada uma a seu modo,
Cada uma tem seus pequenos defeitos irritantes,
Cada uma tem seus encantos, tão opostos, tão semelhantes...
Com uma, eu encontro velhas e novas paixões,
Com a outra, também encontro uma paixão, passada de pai pra filho, uma paixão de muitos!
Quando estava com uma, sentia falta da outra.
Agora que estou com a outra, quero voltar pra aquela uma!
Manaus e Porto Alegre, Porto Alegre e Manaus
Minha casa e meu Lar,
Numa, me sinto muito bem,
Na outra, foi onde me encontrei,
Entre as duas, me divido.
Cada uma me “disputa”, com o que cada uma tem de melhor,
Meu lar, ou minha casa?
Porto Alegre, ou Manaus; Manaus, ou Porto Alegre?
Em uma, me sinto bem comigo mesmo,
Na outra me sinto completo, inteiro.
Meus dois amores,
Meus dois sonhos (e também, meus pesadelos),
Meus dois lugares, minhas duas vidas,
Eu me divido em dois,
O gaúcho de nascimento,
O amazonense por opção,
Ambos orgulhosos e assoberbados,
Tronchos e lesos,
Misturando “Rs” carregados com “Ss” chiados,
Juntando gírias chibatas e expressões guascas,
Loucos e apaixonados
Por meus dois lugares, por minhas duas cidades.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Num Mundo Perfeito...


Num mundo perfeito, não seria tão difícil escrever, como o é, algumas vezes. Bom, num mundo perfeito, muita coisa seria bem diferente de como são neste. Num mundo perfeito, conseguiria trabalhar naquilo que gosto, por exemplo, escrevendo. Até agora, isso não passou de um sonho, não tive nenhum retorno, até agora, pelo menos, não financeiro. Sim, têm algumas pessoas que lêem meus textos, que gostam do que escrevo, mesmo quando eu não gosto muito, me incentivam, dizem que devo continuar nesse caminho, coisa e tal. Inclusive, uma amiga, lá de São Paulo, chegou a sugerir que eu devia fazer jornalismo, comunicação, qualquer coisa ligada a isso. É, pois é, quem sabe...
Num mundo perfeito, o clima, nas cidades que não têm praia, nem são em região montanhosa, seria assim: a temperatura mínima não ia baixar de 18, 17... tá, digamos, 15°C! E a temperatura máxima chegaria a 30, 32... 33°C, nos dias com mais sol, e olhe lá, que tá pra lá de bom! Sim, nessas regiões, o clima seria mais primaveril, nem muito calor, nem muito frio. Cidades como Canela, Gramado, Petrópolis, Campos do Jordão, São Joaquim, aí sim, a temperatura poderia chegar abaixo de zero, agora, essa temperatura em Porto Alegre, não faz muito sentido neste mundo, imagine no mundo perfeito... o mesmo vale para Florianópolis, Rio de Janeiro, Santos, Salvador, Recife, Fortaleza... por lá, se a temperatura beirar os 40 graus, é ótimo, na beira do mar, quanto mais calor, melhor! Claro, sem exageros... agora, em Manaus, pra quê fazer 40°C? 33 graus já é um calorzinho suficiente, não precisa subir o termômetro além disso, não!
Num mundo perfeito, a gente não frearia as palavras, não pensaria antes de falar, não precisaria. Diríamos sempre o que pensamos e o que sentimos... mas aí, também, ninguém se magoaria, ou se ofenderia com isso, nem haveria ninguém querendo agredir a gente com palavras. Sabe o que dizem, né, que uma palavra pode machucar mais que cem pedras. Pois um dia, passava eu, apressado, pela frente da catedral da Universal, na avenida Constantino Nery, quando fui abordado, e convidado a assistir a um culto. Procurei ser educado, o mais que pude, para recusar o convite, dizendo que numa próxima, quem sabe... e nisso, uma obreira disse: “que Deus te abençoe!”, num tom bastante raivoso, acho até que com um certo brilho de ódio no olhar! Foi a primeira vez que vi alguém querendo me agredir com uma benção! É, mas num mundo perfeito não haveria intolerância religiosa, de nenhum tipo.
Num mundo perfeito, o prefeito não bateria boca com moradores de áreas de risco, todo cidadão teria, garantida, a oportunidade de morar dignamente. Num mundo perfeito, você não teria que sair da terra onde nasceu para buscar oportunidades numa outra região, aparentemente mais desenvolvida. Você só sairia da sua cidade, do seu Estado, da sua região por vontade própria, por motivos apenas pessoais, pra se ter uma outra experiência, pra se encontrar no mundo, pra buscar aventuras, enfim, pelo motivo que você considere válido. Consequentemente, nesse mundo perfeito não haveria xenofobia!
Num mundo perfeito, o transporte coletivo seria eficiente e confortável, você não teria que enfrentar ônibus, micro, trem, ou metrô superlotado, atrasado, inseguro, sucateado. O motorista, motorneiro, maquinista, cobrador e trocador seriam bem treinados, bem remunerados, bem educados e bem-humorados. A integração entre as linhas funcionaria com pontualidade, você não perderia mais que uns dez minutos num terminal, ou estação, até chegar a sua outra condução. É claro que assim, muita gente que opta por utilizar veículo particular iria optar pelo coletivo! Mas enfim, isso só num mundo perfeito, mesmo...
Onde mais a política não nos causaria tanta vergonha e desgosto, se não num mundo perfeito?! Onde o administrador, municipal, estadual, ou federal trabalharia pelo povo e para o povo, como eles dizem nas propagandas oficiais e no horário eleitoral. Num mundo perfeito, por exemplo, o congresso brasileiro realmente defenderia os interesses da população, que elegeu seus representantes, os parlamentares iriam seguir o exemplo dos congressistas suecos, iriam à capital federal única e exclusivamente para servir, e bem, a sua comunidade, o seu Estado, a sua região e, principalmente, o seu país. Num mundo perfeito, um deputado, ou senador, teria plena consciência do dever e dispensaria qualquer luxo, ou regalia. Se as coisas ainda não são assim, é porque este ainda não é o mundo perfeito. Sinto muito...
Num mundo perfeito, o exterior das pessoa não seria mais valorizado que o interior... até porque, por dentro, as pessoas não seriam assim tão feias! A gente não se enganaria com as aparências, porque no mundo perfeito, as pessoas não teriam medo de demonstrar quem são, não iriam querer aparentar o que não são! A beleza interior estaria mais aparente, se refletiria na aparência externa de cada “serumano”. Mas infelizmente, não estamos no mundo perfeito!
No mundo perfeito, seria mais fácil se dividir em duas cidades. Talvez desse pra morar seis meses em cada uma, ou pelo menos ir a uma delas, uma, duas vezes ao ano, quem sabe uma vez... por mês! Não, perfeito mesmo seria já haver um sistema de teletransporte, você poderia morar em Recife, trabalhar em Curitiba, quem sabe passar os finais de semana em Bonito – MT... quem sabe!? Ah, mas não é esse o caso, nesse mundinho imperfeito...
Em verdade, eu tenho minha idéia de um mundo perfeito, você tem a sua, ambas provavelmente se assemelham, se unem, até, em diversos pontos, mas cada um considerará que o seu ideal de mundo é que é o melhor. Mas, no mundo perfeito, nem haveria esse tipo de discussão. Na verdade, se a gente estivesse num mundo perfeito, nem se cogitaria pensar em como seria um mundo perfeito, não é verdade...? Pois então... quem sabe se não estamos, realmente, no mundo perfeito?! Pois é sabido que somos nós, os seres imperfeitos, cheios de dúvidas, de descrenças, de temores, de conceitos, de preconceitos... então, o nosso mundo, o mundo que fazemos pra nós não é imperfeito, nós que somos! Será...? Bom, enquanto penso nisso... até mais ver!

Por que não o Aeromóvel?!


Em 1979, um ex-funcionário da Varig, de nome Oskar Coester, começava a testar uma criação sua, uma espécie de veículo leve sobre trilhos que, parece, viria a ser uma das soluções para problemas como o trânsito, locomoção e transporte coletivo, problemas esses que já começavam a dar as caras, na Porto Alegre do fim dos anos 70 e começo dos 80. O aeromóvel, criação do engenheiro brasileiro, gaúcho de Pelotas (sem brincadeira) parecia ser um futuro possível para o transporte coletivo; rápido, ágil, leve, confortável. Cada trem do aeromóvel teria a capacidade de levar até 150 passageiros em cada viagem.
Os testes de Coester, com as primeiras viagens do seu protótipo do aeromóvel, visavam à implantação, num primeiro momento, de uma linha-piloto, que ligaria parte do centro da cidade à zona sul. A evolução natural seria de, a primeira linha do aeromóvel ser implantada, depois, com o tempo, estendida por todo o Centro de Porto Alegre, interligando-o a terminais de integração com as linhas de ônibus, que levariam aos bairros mais distantes, e à linha 1 do metrô, implementado a partir de 1986, ligando a capital do Estado à região metropolitana.
Obviamente, as linhas de ônibus não entupiriam a região central da cidade, mais do que já está, restando aos engenheiros de tráfego resolver o problema com os veículos como os automóveis e as motocicletas. Quanto aos passageiros que usam os coletivos que saem da avenida Borges de Medeiros e do terminal Parobé, ao lado do Mercado Público, utilizariam um meio de transporte mais eficiente, pontual e confortável.
No futuro, ou seja, agora, nos nossos dias, provavelmente o aeromóvel já estaria funcionando, ou em fase de implantação em diversas capitais e cidades de outros Estados, Brasil afora, seguramente no Distrito Federal. Hoje, provavelmente esse novo modelo de transporte já estaria sendo exportado para o Mercosul, Estados Unidos e Europa. Um veículo relativamente barato, inclusive no custo de implementação, eficiente, rápido, leve, ecologicamente correto e, o melhor de tudo: criado aqui no Brasil, por um brasileiro! Uma tecnologia criada, estudada e desenvolvida por aqui mesmo! Pela lógica, o projeto deveria ter decolado... se fosse em outro país, provavelmente assim seria... afinal, por que não decolou?!
Bom, segundo dizem, no início dos anos 80, o Ministério dos Transportes desistiu do projeto. Arquivou o acordo e a implantação da linha-piloto do aeromóvel foi cancelada, o inventor do veículo terminou a primeira parte da linha, que jamais foi terminada, na avenida Loureiro da Silva, em frente à antiga Usina do Gasômetro, tirando do seu próprio bolso, por assim dizer, mais por teimosia que por outra coisa. Mas, fora algum fator técnico, alguma questão financeira, que impedira de o projeto ser tocado em frente?! Nada... foi o velho problema de sempre: questões de política! Acha que é só na sua cidade, no seu Estado que tem politicagem? Não, amigo, isso é um mal que aflige todo nosso país...
Pois, por questões bem mais políticas que técnicas, o metrô fora implantado na região metropolitana de Porto Alegre, cortando e modificando a cara das cidades, como já disse, a partir de 1986. Nesse mesmo ano, uma delegação do governo da Indonésia visitou Porto Alegre, a fim de estudar o tal de aeromóvel, que sabe-se lá porquê, o governo brasileiro esnobou, pra comprar uns trens japoneses usados, que estavam sendo substituídos por um modelo mais moderno, lá por Osaka, Kioto, ou sei lá onde. Tinham a intenção de levar esse novo tipo de veículo leve sobre trilhos para seu país, e instalar uma linha no centro da sua capital, Jacarta. Ouvi dizer, depois os governos de Taiwan, Coréia do Sul, teriam conhecido o NOSSO aeromóvel e também teriam se interessado em reproduzir o modelo em suas respectivas cidades. Hoje o trem, que segundo seu inventor, segue o princípio do barco a vela, emborcado, uma criação inovadora de um brasileiro, que poderia estar beneficiando o transporte por aqui mesmo, nas nossas cidades, está lá, do outro lado do mundo, beneficiando quase 500 mil passageiros/dia, do outro lado do mundo, em Jacarta!
Agora, só agora, mais de 30 anos depois, as administrações municipal, estadual e federal, visando “melhorar” o que sequer seria cogitado melhorar, não fosse a próxima copa do mundo de futebol sediada aqui, no nosso país, resolveram desencavar dois projetos: o “tal do aeromóvel” de Oskar Coester, e a já anacrônica linha 2 do metrô de Porto Alegre, do qual, aliás, ouço falar desde que inauguraram a linha 1, há mais de 20 anos.
Desta vez, o projeto do aeromóvel, pasmem, está mais adiantado que o do metrô... é que o prefeito da capital gaúcha renunciou ao cargo para ser candidato ao governo do Estado, ficando no seu lugar o vice, que tem maior trânsito com os atuais governos estadual e federal, afinal, né, já foi do mesmo partido, e tal... ou seja! Enfim, quanto ao projeto do aeromóvel, trata-se da idéia de se implantar duas linhas, a primeira ligando a estação do metrô ao terminal 1 do aeroporto internacional Salgado Filho; uma segunda seria implantada na cidade universitária, ligando o campus da PUC-RS ao hospital universitário, e esse à avenida Ipiranga. Sim, sem dúvida, isso tudo é muito interessante...
Não que seja contrário, agora, não que deixe de saudar a iniciativa dos governos atuais em “ressuscitar” o aeromóvel, que aliás, já cria eu, jamais o veria andar, quem sabe até andar num desses, a não ser que fosse pra Indonésia. Mas não há como não questionar: por que só agora?! Pra que esperar 30 anos, ou mais, pra tirar esse projeto do papel? Por que não incluir também, nesse novo projeto, o projeto piloto?! Talvez, a linha-piloto pudesse desafogar bastante o trânsito, do Centro até a zona Sul, quem sabe estendendo-a até a Mauá, ou até o Largo Vespasiano Veppo, ao lado da estação rodoviária... quem sabe?!
Enfim, mas agora parece que vai, então oremos. Quanto ao metrô, acho que é um projeto datado, que há 15, ou 20 anos, até seria uma boa saída pra Porto Alegre, mas agora, neste momento, essa iniciativa já está por demais atrasada, teria que modificar demais boa parte da cidade, o gasto não compensaria, pois o problema do trânsito só seria agravado, inclusive depois da conclusão e inauguração! É o que tudo indica, amigo... acho que, se o aeromóvel fosse inventado por um americano, japonês, chinês, em vez de por um brasileiro, a história teria sido bem outra, já estaríamos utilizando esse tipo de transporte há horas!
Engraçado, de repente a direção da Trensurb S/A insistir em implantar uma linha de metrô em Porto Alegre agora, quando no ano passado, já haviam descartado completamente a idéia. E o pior é a prefeitura da capital, ou mesmo o governo estadual, não estudarem outras alternativas, que pra outras cidades, outras regiões, seriam ótimas alternativas, como o BRT – Bus Rapid Transit – ou o VLT, e o próprio aeromóvel. Pois aqui também, seria uma boa alternativa, sim, senhores! Bora ver direitinho isso daí! Aqui e lá também, na cidade-sede amazônica da Copa do Mundo, em vez de estudar o ônibus gigante chinês, que nem eles sabem se vai dar certo, ou esse tal de monotrilho, que tal estudar as outras alternativas? O aeromóvel tá lá em Jacarta, senhor prefeito, aproveita que cê vai buscar muamba em Xangai, dá uma passadinha na Indonésia e vê o que um brasileiro foi capaz de inventar!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

BBB 11


Ontem foi noite de eliminação no Big Brother. Não me pergunte mais nada, nem quem foi eliminado, quem deixou de ser, se foi homem, ou se foi mulher... não estou acompanhando! Sim, eu sei, isso faz de mim um mala sem alça, me desculpa, mas já não acho mais graça em ver trocentas pessoas enfurnadas numa casa, só coçando o saco, mesmo o virtual... passei o último fim de semana como um BBB, choveu forte o sábado e o domingo inteiros e não pude pôr os pés pra fora de casa, então... desculpa, mas não tô vendo graça mais nisso daí não!
Sério, não vi mesmo a eliminação. E não li nada no jornal, nem nos sites. No mesmo horário, a Band tem passado uma espécie de reality show que a mim tem parecido ser mais interessante: O Mundo Segundo os Brasileiros. Eles mostram diversas cidades pelo mundo afora na ótica de brasileiras e brasileiros que estão vivendo lá fora. Ontem, o programa falava sobre Roma. Claro, a capital italiana é, praticamente, o berço da nossa civilização, o Império Romano foi, tipo assim, o avô do Brasil, digamos assim... a cidade é bonita, eu gosto de conhecer e admirar os prédios antigos e históricos, é um museu a céu aberto, ou seja, o que mais tem por lá é história! Mas, há outro lado de Roma que não me agradou muito. Lá é como aqui, o pessoal quase não usa transportes coletivos, geralmente optam por usar veículo próprio, que também raramente é uma bicicleta, ou seja... costumam usar mais automóveis e motocicletas... como fazemos aqui! Não gostei muito disso... não me chame pra morar em Roma, portanto!
Já falei disso antes, no post “Viagens”, neste mesmo blog, mas foi en passant: tenho uma lista, mental, não escrita, não necessariamente formal, de cidades que gostaria de conhecer, ou onde até aceitaria morar, aqui no Brasil, e lá fora. Com certeza, Roma seria uma dessas cidades que gostaria de conhecer. Continua sendo, mas também continua sendo uma cidade onde não moraria...
Pois assistindo ao episódio de estréia desse O Mundo Segundo os Brasileiros, decidi que não gosto muito de Jerusalém... enfim, nunca gostei muito, mesmo! Jerusalém, na verdade, nunca esteve na minha lista de lugares pra se conhecer mundo afora. Não estou negando a importância histórica e religiosa da cidade israelense, nada disso. Mas sempre achei que tem gente que superestima demais aquela cidade. Sem falar que, pelo que mostraram, o judeu israelense é um tanto fechado demais, um tanto grosseiro, mesmo com meros turistas. Dizem que faz parte da cultura da região, mas pasmem, os israelenses árabes pareceram mais abertos e cordiais com estrangeiros. Ou seja... não acredite no estereótipo criado no pós-guerra e perpetuado até hoje, principalmente por igrejas neo-pentecostais! Os judeus não costumam ser afáveis, nem se preocupar em ser agradáveis, quem costuma ser assim, são os árabes, sobretudo naquela parte do Oriente Médio! Mesmo assim... lá continua fora da minha lista.
Amsterdã recentemente, por causa desse mesmo programa, deixou a minha listinha. Era um lugar que eu gostaria de conhecer, bem como toda Holanda. Tá, tem cerveja boa, usam mais transporte público – pelo menos em Amsterdã – tem mulheres bonitas e tal. Mas não sou um usuário contumaz de drogas, só um Los Hermanos de leve, de vez em quando, e se nem aqui me animo em buscar sexo pago, que dirá atravessar o oceano pra isso! Sei lá, nenhum dos brasileiros que por lá estão me deixaram muito animado pra ir pra lá, não. Até me tiraram o interesse que porventura eu tinha! Seria um lugar onde eu moraria, pelo menos...
Tókio eu não moraria. Não, o trânsito talvez até fosse um problema, mas provavelmente eu iria usar mais transporte coletivo, o que parece que por lá não é um problema... seria mais pela comida, custo de vida e... bem, dizem que os japoneses não são lá muito amigáveis com estrangeiros que emigrem pra lá! Foi o que ouvi dizer... inclusive de uma colega da 7ª série, por quem tive uma paixão meio platônica, descendente de japoneses e tudo o mais, mas que... disse não ter sido muito bem recebida por lá! Diz que, fora os avós, que são de lá, nem os outros parentes a aceitaram muito bem. Nem sei, deve estar por lá, até hoje, ou talvez tenha voltado pra Porto Alegre, tanto faz... amores do colegial a gente fala em outro post, quem sabe, mas não agora!
Voltando, com certeza Tókio sempre foi uma cidade que eu, pelo menos, gostaria de conhecer! Por toda essa parte tecnológica, esse negócio de o japonês ser o povo mais “nerd” do mundo e haver um número bem expressivo de pessoas que se vestem como seus personagens preferidos dos quadrinhos, tevê e cinema. Isso faz parte da cultura de lá, eu sei, e sabe-se lá por que, sempre tive um grande interesse na cultura japonesa, em conhecer a cultura daquele país. Isso me leva às mais esdrúxulas cogitações, sobre reencarnação e tal, mas enfim, se é isso, não vou saber, só sei que gostaria de conhecer o Japão, sua cultura, etc. Quem sabe retomo o sonho antigo de aprender a falar japonês, o que com certeza me ajudará a mergulhar na cultura daquele país.
Gostei também do episódio que mostrava a terra dos filmes de ação, Hong Kong. Só não gostei de umas pessoinhas que moravam na parte “ocidental” da cidade e diziam que nem havia qualquer frieza com os brasileiros... claro que não, veja: os descendentes dos colonizadores britânicos também são considerados “estrangeiros” por lá! Se você não está no seu país, você não vai ser frio e distante com outras pessoas que TAMBÉM não estão no seu país! Vocês são todos estrangeiros, fio! Agora... tente se enturmar com os chineses!
Mas o curioso que achei foi a impressão que uns brasileiros que lá estão morando me deram, através da câmera da tevê, que é a de que Hong Kong... é uma gigantesca “free shop”! Me parece que Hong Kong é a Ciudad del Este da Ásia! Boa parte da cidade é atrolhada de shopping centers, vendendo versões “genéricas” de vários produtos, principalmente tecnológicos, como videogames, computadores, celulares, tevês de LCD... um rapaz disse, no programa, que tudo o que você encontra em Tókio, e no Japão, de um modo geral, você encontra bem mais barato em Hong Kong. Isenção de impostos, coisa e tal. Mas é claro, também têm as cópias chinesas, de produtos americanos, coreanos, japoneses, europeus. E onde é que a gente encontra réplicas chinesas de produtos importados, por aqui? Paraguai, lógico! No Uruguai e Argentina, você também encontra alguns produtos estrangeiros a preços mais baixos, mas os “genéricos”, você encontra no Paraguai! E nos maiores magazines brasileiros, atualmente... enfim, enfim, Hong Kong, por ter um forte lado ocidental – foram 200 anos de colonização britânica, isso deve servir de alguma coisa – seria o pedaço da China que eu gostaria de conhecer, juntamente com a Las Vegas da Ásia, Macau. A cultura chinesa também me parece interessante, um pouco menos que a japonesa, mas mesmo assim. Não sei, talvez até morasse em Hong Kong, quem sabe... não, só vou manter a cidade na minha lista de cidades pra conhecer, mesmo!
Gostei também do episódio em Barcelona, e daquele em Lisboa. O primeiro seria o único lugar na Espanha que eu gostaria de conhecer... até porque não é Espanha, propriamente dita, ali é Catalunha! Se fala outra língua, é outra cultura! É praticamente outro país... e o meu time, no campeonato espanhol, é o Barcelona, também! Lisboa já era uma cidade que eu gostaria de conhecer... pra mim, os portugueses foram os vilões da história, no período colonial, no entanto, a cultura portuguesa me parece interessante, talvez até porque, afinal, foi o país que “deu à luz” o Brasil, não é mesmo...!? Acho que até moraria, tanto em Lisboa, quanto em Barcelona. Ah, mas a Bandeirantes não perdeu a mania de colocar legendas pra “traduzir” o português de Portugal para o português do Brasil. Sim, eu sei, tem muita gente que diz que há “grandes” diferenças entre os dois idiomas, mas sou eu, amigo, sou assim... eu me permito discordar dos “doutores” e até mesmo compreender bem o “dificílimo” e “incompreensível” português de Portugal!
Já pensei em morar fora do país, sim... uns tempos atrás, tava saindo direto anúncio, do governo da província de Quebec, no Canadá, pedindo emigrantes pra ir pra lá. Você só tinha que ter alguma especialidade profissional e ter alguma noção de francês. É, porque o Canadá é um país bilíngue, há regiões do país onde só se fala inglês, como a capital, Ottawa, outra onde só se fala francês, no caso, Quebec, e outras províncias onde se falam os dois idiomas. No caso, era pra Quebec que estavam pedindo emigrantes... tava indo muito brasileiro, engenheiro, profissional da construção civil, pro Canadá. Agora, já não sei como tá, parece que o governo canadense vai dar uma freada na importação de mão-de-obra... puxa vida, justo quando eu tava começando a achar interessante ir morar um tempo por lá! E olhe que nem gosto de frio – e o Canadá é frio pra caramba, até neva, boa parte do ano – e não falo uma palavra em francês! Ok, falo en passant, mas é só... enfim, quando era mais moço, de repente até encarava uma roubada qualquer, ir morar no deserto australiano, qualquer coisa assim, mas hoje, os países pra onde eu aceitaria me mudar amanhã mesmo seriam o Uruguai, Argentina e São Paulo. Quê...?! Os paulistanos já estão mais resignados em serem brasileiros?! Tá bom, então...
Dando no que der, espero voltar pra casa, até o final do ano. E estou bem próximo de duas cidades, fora do Brasil, que gostaria bastante de conhecer, também... queria que minha viagem fosse o retorno definitivo, acho meio difícil, mas vamos ver, até lá! Um dia, um dia...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Amores


É difícil pra você escrever sobre amores, não é mesmo...? Sobre amores e paixões... quando você não tem muitas boas lembranças de seus amores, fica mesmo difícil. Ok, você não deve ser o único no mundo, amigo, a ter se decepcionado com todas suas grandes paixões. Fica difícil contar uma história alegre qualquer, alguma história de amor com final feliz... quando, parafraseando um personagem de desenho animado, você só se fode nessa merda!
Você nunca foi lá muito feliz nesses negócios de coração, né, meu bródi... acho até que tu é que atrai essas relações complicadas para si, essas mulheres que “não querem nada de sério, por agora”, ou que só querem, ahn... “diversão”... é o que te dizem, daria até pra dizer que não querem nada sério, que só querem diversão com VOCÊ!! Uma vez você achou até que ia ser bom, sem se envolver, sem compromisso, sem apego... sim, com certeza não houve apego. Não porque você não quis, ou teve medo, ou sequer escolha... porque quem não se apegou, quem evitou de se envolver, foram elas! Quanto a isso de não rolar envolvimento... bicho, tu te envolve fácil demais, égua! Você acaba gostando da pessoa, se encantando muito rápido... não é pra ser super-seletivo, também, mas você se apaixona com muita facilidade, com qualquer sorrisinho, que nem foi endereçado a ti, você se apega rápido, se envolve demais, se expõe, expõe o coração... e aí, é claro que acaba tendo mais decepções com seus amores do que alegrias. Não dá pra saber o que elas esperam, ou querem, não tente antecipar, não procure adaptar-se! Isso só dificulta as coisas, só te machuca mais, mais fundo.
Aí você se envolve mais que a outra pessoa. Se interessa mais por ela do que ela por você. Se preocupa quando ela não aparece, sem sequer se perguntar se ela faz o mesmo, você se condói de suas tristezas e doenças, e ela sequer acha tua depressão poética e bonita. Espera dela o que ela, em alguns casos, espera de você, mas não o que ela está disposta a te dar – se é que está disposta!
Você cria muitas espectativas, cara... e aí, as coisas não saem do jeito que você esperava, nem próximo, e o que acontece? Você se magoa, chora, sente o peito doer, o coração se apequenar, a vida perder toda a graça, etc. Você se culpa, você fica com remorso, você pensa que fez errado, que devia ter agido diferente, se isso, ou aquilo houvesse sido feito desse jeito, em vez daquele... não vale a pena ruminar frustrações, todos te dizem, inclusive eu! Era bom tu começar a escutar, bicho, isso é que é... não é pra deixar de amar, de se entregar, de admirar essas belas lindas criaturas. É só pra deixar de esperar demais, de se prender, de se deixar obsecar por tais paixões. Algumas delas não têm o menor escrúpulo de te fazer de idiota... você sabe como esse mundo funciona, os espertos só existem porque há os que se prestam ao papel de otários! Cansou? Ok, ótimo, então não seja mais tão leso! Eu sei o quanto me dói quando você se deixa levar assim...
Pois, nenhuma das suas paixões platônicas te causaram nenhuma dor, frustração... ok, você frustrou-se por não ter conseguido declarar-se. Mas também, quando se declarou, o que aconteceu?! Te falei que algumas delas não têm os mesmos escrúpulos que você, não têm o menor receio de machucar, magoar, frustrar e decepcionar, parece até que lhes faz bem fazer um homem de idiota e vê-lo arrastando-se, humilhado, a seus pés! Se nem todas são assim, você não sabe... nem tem como saber. Acaso conheceu alguma com receios de te ferir, quem sabe com algum medo de te perder? Não, amigo, você sabe que não... foi sempre você quem se humilhou, que tirou o pé, na hora que podia ter dado aquele totozinho, pra elas verem que você também sabe bater... você que sempre teve medo de perder seus amores! Na maioria das vezes, sem nem os ter ganho! Você se perdeu sem nada ter ganho, amigo, é cruel, mas é a real.
De seus amores reais você não levou nada, sofreu por ninguém, perdeu-se a si mesmo, diversas vezes. De seus amores reais, apenas de um você não esperou nada. Não foi magoado, não sofreu nenhuma decepção. Pelo contrário, encontrou-o onde sequer esperava, sequer imaginava! Ela é que veio, te conquistou, te adotou... você se tornou pai postiço, um quase pai, sua filha adotiva, filha do coração, é o único amor que esteve disposto a se dar e te receber como o são. É, sim, olha aí: você tem um amor que nunca te decepcionou, que sempre te deu mais alegrias... ah, os filhos... já, já, ela vai é te dar muita dor de cabeça! As crianças crescem, fazer o quê...
Não espere demais... você sabe, ela é linda, nas fotos, no seu avatar. Cá na internet, vocês parecem estar bem perto, e ela é bem articulada, assim como você. A cada dia mais você sente que gosta demais dela, você olha suas fotos, admira tamanha beleza e presença de espírito, parece que aqueles olhos estão mesmo te fitando, e cada vez que você admira aquele olhar e aquele sorriso... sim, a gente sabe, você está se apaixonado por ela! Sei lá, não há nada de errado em sentir-se assim, mesmo que por alguém que está há milhares de kilômetros de ti... nem em reconhecer-se apaixonado. Fabrício Carpinejar bem disse, estar-se apaixonado é voltar a ter bom humor. Só não crie muitas espectativas... ela até sabe que você existe, só não sabe os sentimentos que nutre por ela. Nem precisa saber, por agora... de que adiantaria, também? É melhor ter calma... você tem que aprender, o que tiver de ser, será. Você já se frustrou demais, já se decepcionou que chegue! Se por teus amores antigos não se quebrou o círculo vicioso, quebremos nós, agora. Ame-a, do jeito que nos é permitido, por agora. Se for o caso, se pudermos esperar, o tempo vai dizer, o Universo vai conspirar a favor do matrinxã. Continuemos apaixonados, amando-a como podemos, amando a quem podemos e admirando o sorriso eterno de nossa musa, a nossa Monalisa pessoal. Se tornar-se-á real, se continuará platônico, só no plano da nossa imaginação, que esse amor não seja triste, que como o amor de nossas mães, e o amor de nossa filha, o amor fraternal de nossos amigos, esse amor também nos traga apenas regozijo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Valantine's Day (?!?)


Dia dos namorados... diz que é hoje, o tal dia. Como é mesmo?! Valentine's Day!? Pois é, difícil pra ele lembrar-se de algum dia dos namorados feliz... talvez, só talvez, aqueles em que não sentia-se apaixonado/atraído por ninguém, nem carente, também.
Antigamente, nem tão antigamente assim, só havia um dia dos namorados no nosso calendário: a data era 12 de junho. Parece que ainda é aceita, essa data, sabe-se lá até quando. Não, é claro, se sabia que tinha outra data, que em outros países se festejava o dia de são Valentim, e que era essa a data considerada como dia dos namorados... só não dávamos atenção a isso, que nem com o Dia de Ação de Graças! Até hoje, nem sei direito por que consideram o dia do santo como dia dos namorados.
De uns tempos pra cá é que o pessoal começou a comemorar os dois Dias dos Namorados, o gringo, “Valentine's Day”, e o nosso, no tradicional 12 de junho. Os dirigentes lojistas, donos de motéis e de floriculturas amaram isso, nem preciso dizer por quê... né!?
Mas, para algumas pessoas, dia dos namorados devia ser em qualquer data... obviamente, quando se está namorando! Sabe, um rapaz resolver que uma segunda-feira, 4 de maio, é dia dos namorados e pronto: manda flores, liga, ou manda uma mensagem, diz que a ama... pra que ter uma data certa pra isso?! Seja um, ou dois, os Dias dos Namorados, por ano, tanto faz, pouco importa, pra algumas pessoas, não passa de mais uma data pra estimular o consumo... como se precisasse! Pra um cara estranho aí, não importa se, no início, ou no meio do ano, se é em inglês, ou em português, mesmo... dia dos namorados é sempre uma data muito triste. Triste e solitária. Que não traz nenhuma boa recordação.
Ele não se lembra de ter tido alguma boa razão para comemorar Valantine's Day, ou Dia dos Namorados. Tanto faz e pouco importa! Não é que nunca tenha namorado, ele teve suas namoradinhas, sim... nenhuma delas, no entanto, quis comemorar a data com ele. Por um motivo qualquer, num ano, ele não pôde estar ao lado da sua paixão, do seu amor, da sua namorada, justo no Dia dos Namorados. Ele lhe enviou um presente, uma gargantilha e um par de brincos, prateados, com pequenas estrelas. Sabia que era pouco, só não sabia que se faria tão pouco caso... sentiu que não era o bastante, queria fazer mais: estando por perto, poderia levá-la a um cinema, talvez, um jantar romântico – sempre idealizara isso – talvez um passeio de mãos dadas, aconchegá-la em seus braços, beijá-la nos lábios, apaixonadamente... lamentou muito ter de estar distante. Sentia muito a falta de sua amada, sentia mais ainda agora, que era o famigerado dia dos namorados. O primeiro, de que poderia se lembrar, em que tinha uma namorada, o primeiro que sentia, talvez, ter algum significado para ele. O primeiro e o único! Pelo menos, até agora... é, vamos tentar ter esperança! Bom, era bem chato, sim, estar longe da pessoa que se ama. Ele até sentia-se culpado por isso. Não queria estar longe, sobretudo nessa data. Sabia que não havia muito o que fazer, mas achava que devia tentar algo, qualquer coisa, pra diminuir a distância, pelo menos!! E justamente, buscando amenizar a ausência, ele lembra-se de tentar ligar pra ela, pelo menos. Ele já se ressentia demais por não poder comemorar o primeiro Dia dos Namorados deles, o que esperava ser o primeiro de muitos. Queria dizer-lhe isso, queria ouvir pelo menos sua voz, queria dizer-lhe o quanto sentia sua falta, o quanto doía viver longe dela, queria assegurar-lhe que, no próximo ano, de certeza, eles iam comemorar a dita data. Não tinham telefone móvel, ainda, nem ele, nem ela. Tentou encontrá-la em casa, ligou para o seu telefone umas duas vezes. E ela não estava. Atendeu o irmão, disse que não havia voltado do trabalho ainda, nem que horas ela chegaria. Sentiu, então, a frustração pela distância e a tristeza por não conseguir ouvir sua voz caírem pesadamente, como uma bigorna, sobre seu peito, e chorou amargamente. Agora me diz: pra quê? Sim, pra quê?!
Ele realmente acreditou que sua amada também sentia sua falta, que ela também estaria lamentando não estarem juntos, justo naquele dia, o seu primeiro Dia dos Namorados, que ela também quereria passar o dia ao seu lado, somente ao seu lado. Sim, pois ele só queria ela a seu lado, naquele momento, pobre otário romântico... achava que a recíproca era verdadeira, pobre coitado!
Meses depois ele veio a descobrir: enquanto passara o maldito dia todo sozinho e solitário, torturando-se, abraçando o nada, encolhido sob o edredon, naquela noite fria de começo de inverno, pensando apenas nela e chorando amargamente de saudades, sem que ele sequer pudesse desconfiar, ela havia encontrado uma outra pessoa pra passar aquele horrendo dia dos namorados! Azar, se ele esperava por ela, ela comemorou sem ele, mesmo! Sem dizer palavra, deixando-o pensar que o dia fora tão cinzento e sem graça para ela quanto fora para ele...
Que pessoinha mais agradável, não!? Ah, esses homens... tão frios, tão cruéis e egoístas, não é mesmo...?! Hein!?? Nessa narrativa, não é o homem quem foi o canalha?? Ah, sim... mas não tem nada de extraordinário nisso... ele não passa de um otário romântico, um cara estranho, que incompreensivelmente, se envolve tanto assim com alguém, que se joga de cabeça, sem nenhuma garantia, que acredita e confia cegamente. É bucha, também, né! Seu primeiro Dia dos Namorados e tinha de ser o mais traumático e deprimente possível! E parece que ele não aprende, não...vontade de dizer: “Oh, cara, tu é leso? Pára com isso, idiota! Isso não é pra você, não, desiste logo, te conforma, é assim que é a vida!” Mas não adianta, o coração já está estropiado demais, calejado demais, ferido, quase sem forças para bater, e ele insiste em se expor, gostar, amar, apaixonar-se... e esperar por um Dia dos Namorados melhor!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Flores!


Hoje, no rádio, o cara da previsão falou tudo aquilo que eu mais queria ouvir! Na verdade, não o que eu queria, mas o que já esperava ouvir: um tal de “ciclone extratropical” tinha saído do Estado, e o sol e o calor iriam voltar, hoje a temperatura chegaria à máxima de 30°C. Nossa, que calorão! Nisso, pelo menos, não erraram. Não fui lá fora depois que voltei do almoço, mas pelo suador que tô tomando, aqui dentro do prédio decadente que esquenta no verão e congela no inverno, onde trabalho, provavelmente essa é a temperatura que faz lá fora. Quanto ao resto, bom, parecia que o minino do tempo ia acertar, amanheceu com algumas nuvens, mas logo o sol apareceu por entre elas, iluminando e queimando a pele como se eu estivesse dentro de um forno de microondas.
Pois quando saio para o almoço, o céu está novamente nublado, sopra um ventinho bacaneinha e fica aquele jeitão de que pode chover a qualquer momento. E chove! Por sorte, só depois que volto do almoço. Não é sempre... acho que até vou jogar na mega sena, porque, vai que... né!?
Embora o sol, a chuva torrencial, depois o sol de novo, hoje meu caminho de casa para o trabalho foi pavimentado por flores, lindas flores, perfumadas flores, alegres e cheias de vida flores. Algumas, sim, poucas, sim, me pareceram murchas, tristonhas e sem viço... bonitas flores, ainda assim.
Gosto muito de flores, gosto de passar por um caminho todo florido, meus olhos passeiam por ele, meu olhar se prende nas flores que mais me atraem, me volto para admirá-las melhor, guardá-las na memória, nos seus mínimos detalhes.
De todas as cores, das pequenas, das grandes, solitárias, ou em ramalhetes, amo as flores. Gosto muito daquelas florzinhas silvestres, que brotam naturalmente por entre a grama, dum lado e doutro de uma estrada, às vezes esticando suas pétalas e folhas para receber e aproveitar ao máximo os raios de sol.
Gostei de ver, uma profusão de flores, de todas as cores; lilases, orquídeas, Narcisos, Violetas, Rosas, Margaridas... de casa até o trabalho, as vi, nas ruas, na plataforma da estação, no metrô de superfície – que eu chamo de trem! Lindas e adoráveis flores, tão lindas eram as flores que senti vontade de comê-las. Já no trem, tive a felicidade de vir cercado delas, uma bela e alta flor, um pouco murchinha, com um jeito de entediada, do meu outro lado via uma linda florzinha que tinha um singelo cãozinho tatuado em seu tornozelo direito. O quê... de que tipo de flores você pensou que eu estivesse falando?? É lógico que estou falando das mais belas flores que Deus achou por bem colocar no meio de sua Criação!
Pela tela do meu desktop também, todos os dias, me extasia, deixando-se colorir com várias flores, de todos os lugares, algumas conheço, outras só vejo, de relance, numa ou noutra notícia, ou página, pinçada daqui, ou dali. Muitas florzinhas que me alegram o dia, que me fazem sorrir, e até dar boas gaitadas, flores que me dizem coisas interessantes, dão boas dicas, filosofam e me fazem pensar, por vezes me instigam, me provocam e me suscitam algumas dúvidas, propõem novos conceitos e paradigmas.
Dentre elas todas, há uma florzinha que não me canso nunca de admirar, de aqui ressaltar essa minha predileção, que quando não aparece, deixa meu dia menos colorido e agradável. Adoro-a imensamente, adoro seu sorriso, quando a vejo meio tristonha e murcha, por dentro murcho um pouco também. É, não adiantaria muita coisa, se pudesse estar no mesmo jardim onde essa florzinha amazônica está... sim, bobagem minha pensar que poderia cultivá-la, cuidá-la, com todo carinho e afeto, nem sei se algum dia terei a oportunidade. Ainda ontem imaginei-me colocando uma pequena flor, branca e dourada, nos cabelos de ébano da minha flor, e ela sorrindo pra mim. Nessas horas sinto-me um adolescente. Pois é, um tolo romântico aborrecente, que adora flores, que já se machucou nos espinhos de algumas delas, não só uma, mas várias vezes – com uma ou outra, TODAS as vezes! – mas que jamais deixa de gostar das flores, que sempre quer ter alguma pra plantar em seu jardim e cultivá-la, com todo amor e carinho! Ou pra ganhar o direito de acessar o seu hábitat e poder admirá-la em toda sua formosura!
Talvez cruze com ela, pelos caminhos da vida, talvez possa vê-la, quem sabe, troque uma ou duas palavras... este ano, espero, quero, posso, devo, mereço, preciso... estarei nas proximidades. Quem sabe, quem sabe, até lá, veremos...

Ze Ramalho - Bicho de Sete Cabeças (Bônus)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Inverno Manauara en La Pampa Gaucha


Incrível, só você vendo pra crer! De manhã, aquele pé d'água, aquela chuvarada que lembrava um pouco a do último domingo, só não tão forte, nem com os mesmos estragos. E agora, início da noite, aquele sol que é uma lua cheia, redondinha! Pela manhã, com os transtornos, ter que pegar lotação, pra depois pegar o trem pra vir trabalhar, mas aquela chuva estava tão linda, hoje pela manhã! Eu nem queria que parasse... mas paciência, parou, infelizmente parou, pois daí o tempo abriu, o sol voltou a aparecer e, junto com ele, um calor abafado e deveras desconfortável da porra! Tava tão bom quando estava chovendo que até lembrei de “casa”, chegando a comparar o clima de hoje pela manhã a um inverno manauara em pleno pampa gaúcho. A imagem não é muito clara pra quem não conhece pelo menos um dos dois... e é translúcida pra quem conhece os dois! Hein!? Te mete!!
O que mais me fez lembrar da velha Paris dos trópicos, ex-Miami brasileira, Metrópole da Amazônia, mesmo? Hum, deixe-me lembrar... bom, mesmo com a chuvarada, o dia amanheceu com não menos de 24°C de temperatura. Não estava tão abafado, pelo menos, graças a uma boa brisa friazinha que soprava. E mesmo assim, já tinha gente nas ruas vestindo seus casacos, pulôveres, blusas com capuz... e, pasmem, sobretudos! Bom, quer dizer, um sobretudo, na verdade... vi apenas uma pessoa com essa peça de vestuário, no trem que parou na plataforma da estação Sapucaia, vindo no sentido Mercado (Porto Alegre) – São Leopoldo. Uma moça de pele clara, clarinha, com uns óculos escuros que quase tapavam sua cara e aquele sobretudo bege fechado quase até o pescoço! Essa ganhou o prêmio de exagerada ao extremo, acho eu, sem contestação!Que se vista uma camisa de manga longa, uma blusinha leve, vá lá... agora, casaco, jaqueta, moleton, pulôver, ou blusão de lã, pera lá, aí você já tá exagerando, amigo! Deixa isso daí pra quando estivermos em agosto, setembro, lá pelo meio do inverno! E se essas peças de roupa já são meio exageradas pra esta época do ano, então imagine um sobretudo, daqueles que os detetives usam nos desenhos clássicos, tipo Pica-pau, Pernalonga, Mickey e Donald; ou naqueles filmes policiais noir; que Humphrey Bogart usava, naquele filme clássico, Casablanca. Conseguiu imaginar a criatura, ali, sentada, bela e fagueira? Pois é... também achei, impressionante!
Pois mesmo que a temperatura estivesse mais agradável, como efetivamente estava, a criatura só não estaria suando em bicas se não tivesse sangue quente, como a gente... mulher-lagarto? Mulher-osga, ou algum tipo de ser extraterrestre reptiliano?? Isso me lembrou de uma série chamada V – A Batalha Final, que cuja história era sobre a invasão da Terra por uma raça alienígena reptiliana... lembro vagamente, ainda mais de uma parte, em que uma garota da Terra dava à luz uma criança meio humana, meio reptiliana!
Até dá pra desconfiar, né... não que a minina fosse extraterrestre, ou algum outro ser, que não descreio, mas como não tive nenhuma confirmação até hoje... bem, acho que você já deve estar mais ou menos acompanhando meu pensamento, não?! Olhe, até pensei numa história, talvez num conto, viajando na maionese em relação à garota de sobretudo... mas isso fica pra depois, quem sabe! Agora só tô imaginando como é que ela fez pra carregar aquele trambolho depois que o sol surgiu! Ou se teve coragem de sair nessa lua lá fora vestida naquilo! Se teve, oigalê tchê índia baguala! Tem que ser muito macho – no bom sentido, se é que há algum – pra se fazer algo semelhante! Coragem, já diria Cristian Pior...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Nina


Me lembrei de Nina. Uma guria que conheci, uns anos atrás, no dia de uma entrevista de emprego, acho que era pra trabalhar de telemarquetingue, acho que numa escola de informática, não estou bem lembrado. Mulher linda, inteligente, articulada, etc. Mas, em matéria de relacionamento, dessas cousas de sentimentos, emoções... acho que posso dizer, sem medo de errar, que ela não tinha esse tipo de inteligência mais emocional, como se diz... era meio fria. Porque diz-que, né, que mulher é que é mais sentimental, mais emocional, tem mais inteligência pra essas cousas, que nós homens é que somos os frios e calculistas, e tal e coisa... tá bom, né, tchê, pra quê que vamos discutir?! Eu só queria, então, ser mais homem, pra ser mais frio e não sofrer tanto com essas roubadas que o nosso coração insiste em nos meter... mas enfim!
Nina não era dessas mulheres sentimentais, não, ao contrário do que ela própria dizia, sendo que uma vez até se disse “sinestésica”, e desconfio que não usando a palavra no seu real sentido. E eu sei bem disso daí. Quer dizer, agora eu sei! Caso contrário, se fosse exatamente a pessoa que dizia ser, não teria, diversas vezes, brincado com os meus e sabe-se lá com os de quantos outros viventes! Na maioria das vezes, desconfio, só para sentir-se desejada, querida, amada, pra levantar a sua moral, pra ter certeza de que, haja o que houvesse, sempre tinha algum panaca capaz de se arrastar a seus pés, a beijar o chão que ela pisa. Toda vez que estava com a baixa estima lá no alto, ela recorria ao Julinho “do seu coração”, pra modo de lhe levantar o moral. E sei que eu fazia isso muito bem... acho que ainda o faço! Por vezes ela sumia e retornava só quando estava assim, meio down, como diriam Kleiton e Kledir. E vinha deitar a cabeça no ombro do Julinho do coração – que sou eu – e reclamar que estava só, que as pessoas não lhe compreendiam, que sua irmã, ou sua tia, não sabiam de nada e blá, blá, blá. Ou então, me chamava no messenger, quase sempre quando eu estava ocupado com algum trabalho, da faculdade, do estágio, ou algum dos meus escritos... e eu parava tudo, só para ficar a sua disposição, à disposição da Nina, da doce e linda Nina. Seu nome era Sheila, mas preferia ser chamada de Nina. Era o que me dizia, pelo menos... nas internet, no tal de iorkuch, eu via vários “amigos” lhe chamando por outros apelidos, um a denominava de gazela. Lá na minha terra, gazela é outra cousa... mas pelo que eu me lembre, Nina não tinha gogó! Enfim, tentei lhe dar um apelido carinhoso de bichinho, uma vez a chamei de “coelhinha” no messenger... e ela virou onça! Disse que não era pra eu nunca mais chamá-la de animal algum, que não gostava de se ver comparada a qualquer animal que fosse. E eu, burro e constrangido, nem me lembrei de lhe perguntar: “E aquele moço, lhe chama de gazela por quê?”. Pra quê discutir... com cara de guri cagado, aceitei a reprimenda.
Pois é, tchê, os sinais estavam ali, claros, cristalinos feito água de poço, os tais carinho, amizade e cumplicidade que ela dizia serem parte de nossa relação, não eram recíprocos: de minha parte, achava que sentíamos igual, mas eu lhe dava mais do que recebia. Mas, o burro aqui não via. Nem ouvia. Ou melhor, via e ouvia, sim, mas não queria crer, não admitia, se esforçava por perceber apenas aquilo que queria perceber.
Pensava nela, desde a hora que acordava até a hora que ia dormir... quando conseguia dormir, senão varava a madrugada pensando nela! Demorei a lhe contar que estava louco de amores, perdidamente apaixonado por ela. E, de vez em quando, cheguei a pensar que ela pudesse sentir a mesma coisa, ou algo próximo, porque toda vez em que ela estava pra baixo, fazia insinuações e dava sinais de que, se eu quisesse tentar me aprochegar, ela também estaria afim. E por muito tempo me culpei, achando que, se não tivesse demorado tanto, até ela ir embora, morar com uma outra irmã mais velha, funcionária da prefeitura em Manaus, talvez as coisas fossem diferentes. Claro que era só cousa da minha cabeça, que não tinha nada a ver e não fazia a menor diferença. Podia ter me declarado assim, logo no nosso segundo encontro, que ela agiria exatamente da mesma maneira! Ela só gostou “muito” de mim, enquanto achava que eu lhe fosse útil. Tenho amigos que chegaram a me avisar sobre isso, uns amigos em comum, inclusive. A irmã dela, daqui de Viamão, acho que quis me avisar alguma coisa assim, num dia aí, de que só iria me ferrar se me apaixonasse por Nina. Mas é que não adiantava! Eu já tava muito apaixonado, estava sempre mais inclinado em acatar o que ela me dizia, não importando nem as minhas próprias dúvidas quanto a sua sinceridade. Quando a gente tá perdido assim por alguém, não tem Cristo que dê jeito, amigo. Eu falo por mim...
E o gozado é que foi paixão à segunda vista. Já era um sinal! Sim, porque quando a vi pela primeira vez, naquela entrevista de emprego que te falei, numa escola de informática lá perto do quartel do 5º Comando Militar do Sul, na rua dos Andradas, não tive uma muito boa impressão daquela piguancha, não. Por sua aparência física, gostei foi bastante, moça miúda, 1,65m de altura, no máximo, cabelos longos até a cintura, bem negros, boca um poquito larga, com um beicinho charmoso, corpo pequeno, mas proporcional à altura, o bumbum bem torneado dava conta que era adepta da malhação, pela regatinha branca que usava naquele dia, notava-se que os seios eram médios, também proporcionais ao corpo, e pontudinhos. Detalhes interessantes aos olhos, mas mesmo com esses atributos, havia algo na moça, não sei se o olhar, o jeito, meio de nariz empinado, ou se havia alguma aura, alguma energia em volta dela que me fez sentir, à primeira vista, uma certa antipatia pela guria. Mas sabe que a entrevista era daquelas em que tu tem que te apresentar, ao entrevistador preguiçoso, num canto da sala, e às outras pessoas que estão ali tenteando a mesma vaga pra qual te candidataste... eu também detesto essas tais de dinâmicas de grupo! Se eu gostasse, faria terapia psicológica em grupo! Mas enfim, estando nós lado a lado, e tendo sido separados os candidatos em dupla, acabamos trocando umas idéias, falando sobre nós mesmos e, como sobrou um tempinho da tal dinâmica, conversando sobre outras coisas. E ela me contou que era rondoniense, mas filha de colonos vindos de Putinga, do interior do Rio Grande do Sul, e descendentes de italianos. E eu lhe contei que era do Alegrete, fronteira com o Uruguai, que tinha chegado há uns dois anos a Porto Alegre, pra estudar jornalismo na UFRGS, que estava tentando um trabalho, porque, né, aluguel não tava lá muito fácil... ela disse então que também queria estudar na federal, mas que só conseguira passar pra advocacia em uma faculdade particular, dessas novas e pouco conceituadas. O seu cantor preferido era Jorge Vercilo: menos um ponto. Disse que torcia para o Flamengo, no Rio, mas que tinha uma certa simpatia por um time do sul, o Grêmio: menos dois! Mas, depois daquela entrevista, trocamos números de telefone e endereços de e-mail, e messenger, mas não esperei que fôssemos mais longe que aquilo.
Nos ligamos, nos falamos, teclamos, ficamos amigos... e combinamos de nos encontrar de novo, dessa vez pra um chopp na praça de alimentação do shopping Total, que fica num prédio que era da antiga fábrica da cervejaria Brahma. Lá, ao vê-la chegar, mais ou menos uma hora depois da que tinha dito que viria, é que deu aquele estalo, e ao vê-la sorrir e acenar para mim, acabei me encantando naquele sorriso – é quase sempre assim comigo, começa com um encantamento com um sorriso bonito – quando dei por mim, já estava perdidamente apaixonado na primeira troca de palavras.
Mas... isso foi ela quem me contou, por ocasião da segunda vez em que nos vimos, ela tinha um namorado. Um alemão, parece que piloto da Lufthansa, ou Aerolíneas Argentinas, não lembro direito, também porque não fazia a menor diferença. Aquilo foi como um banho de água fria. E muito conveniente, também. Cheguei a pensar nisso, na hora, logo depois me recriminando por sequer cogitar alguma fraqueza de caráter numa guria tão bonita, meiga e agradável. Pois é, né tchê... homem apaixonado fica cego e burro, já dizia minha avó.
Só que não demorou muito, não tinha mais alemão. O bagual não tinha paradeiro, só viajava mundo afora, pra cima e pra baixo, coisa e tal... sabes, não ia dar certo, a longo prazo! Isso, mais uma vez, foi o que ela disse. Daí que, quando começava a tomar coragem, pra me declarar pra ela, tentando combinar algum novo encontro, mas nunca dava. Até que aparecia uma nova paixão, um novo homem da sua vida. Aí, só dava pra sair com a turma – na verdade, as turmas, a minha e a dela.
Mas, num verão, pouco antes de eu voltar pro Alegrete, pra visitar a família, não havia, novamente, nenhum homem da sua vida e deu o acaso de nossas agendas combinarem e podermos nos encontrar, num bistrô daqueles meio frescos, lá pros lados do bairro Moinhos de Vento. Até então, estava sendo uma noite agradável, o sol só estava começando a se pôr, eram quase 9 horas da noite, observávamos os transeuntes, bebemos, conversamos, rimos... e, quando o brilho na mente, por conta da cerveja, já estava soltando a minha língua, estava me sentindo pronto para lhe declarar todo amor que por ela guardava – e que não conseguia mais segurar no fundo da garganta, sem deixar que saísse pela garganta – ela pega na minha mão e, com um sorriso que li como meio triste, como que lamentando por isso, me contou que dali há dois dias estaria indo, de mala e cuia, para Manaus, morar com a irmã, e tentar o vestibular para a universidade federal de lá. Mais um delicioso banho de água fria. Sorri um sorriso amargo e lhe desejei sorte. Engoli, de novo, as palavras que já vinha ensaiando.
E depois de uns dois meses sem dar as caras, sem dizer palavra, sem aparecer onlaine no messenger, sem ligar, o celular sempre desligado, ou fora da área de cobertura... veio um e-mail seu: ela tinha passado, ia mesmo ficar por Manaus, lá do outro lado do país, no meio da Amazônia. “Bah, que tri!”, foi o que lhe respondi, “Fico muito feliz por ti, guriazinha!” Claro que menti. Na internet não tem como ver claramente isso. Mas desconfio que ela já esperasse não me agradar muito tal notícia. Ela ficaria longe. Provavelmente já antevira os sentimentos que me esforçava por não demonstrar, e sabia que a distância, além de uma boa desculpa, como bem sabia meu colega Giorgio, que inclusive chegou a me avisar a respeito, seria uma boa maneira de me enlouquecer, com esses sentimentos que já começavam a me corroer o coração por dentro. Mas... o que é que eu podia fazer?
Num belo dia, uns tempos depois, ela me ligava. Estava em Porto e queria me ver, pra conversar, matar as saudades, aquele papo de sempre. Ouvir sua voz já era um sonho doce, já derretia meu coração, mas voltar a vê-la, isso me animara como nada mais poderia animar, naqueles tempos. Nesse meio tempo ela já havia conhecido, namorado e dispensado, ou sido dispensada, por uns dois homens de sua vida, donos do seu coração, ou qualquer coisa assim. Pelo pouco que sabia, das vezes que conversávamos no messenger, geralmente nas madrugadas de sexta-feira, ela estava sem ninguém. E ainda me lembrava, talvez estivesse afim. Era mais uma chance que eu tinha para me declarar, dizer-lhe da minha paixão, quase obsessão, do quanto gostava dela, do quanto a queria, essas coisas todas. Até o encontro, no mesmo bar do mesmo shopping da segunda vez que nos vimos, passei quase uma semana ensaiando, projetando em minha mente a nossa conversa, como faria, como me declararia, etc.
No domingo nos encontramos, conversamos, bebemos, olhamos as pessoas que zanzavam observando as vitrinas das lojas. E depois do terceiro chopp, adquiri bastante coragem, com a mão pousada sobre as dela, exitante em fitá-la nos olhos, contei-lhe do que me ia, há uns dois anos, já, em meu coração. Sem dúvida vi em seus olhos uma certa surpresa. Ela tirou suas mãos de baixo da minha, colocou-as sobre os joelhos, e agora era ela que não conseguia me olhar nos olhos. Ficamos uns bons minutos em silêncio, sem trocar palavra. Pensei ver em seus lábios dançar por uns segundos um sorriso de satisfação um tanto mórbida, mas não queria crer. Ainda mais que uma ou duas olhadelas dela em minha direção, talvez simulando algum constrangimento, me fizeram sentir-me culpado por ter-lhe declarado o meu amor. Voltamos a falar, sobre outras coisas, ela me contou algumas coisas de Manaus, disse do que gostava por lá, e do que a fazia sentir imensas saudades da capital de todos os gaúchos. Depois de mais um silêncio, decidimos ir-nos, paguei a conta e fomos cada um para um lado, ela pegar o ônibus para Guaíba e eu caminhar até minha casa, não muito longe dali. Mas enquanto caminhava, deu pra remoer aquele fim de tarde, o nosso encontro, etc. Estava com uma sensação bastante estranha e nada boa. Tinha consciência de que não fora bem como eu esperava, que ela não reagira da forma que parecia que reagiria.
Sim, pois ela, até então, sempre tinha um alguém, sempre conhecia o homem da sua vida daquele mês, mas não perdia, jamais, a oportunidade de flertar comigo, de me fazer pensar que poderia corresponder, quase plenamente, os meus sentimentos. Por isso achei difícil tê-la assustado, tê-la surpreendido tanto assim, se flertava comigo da maneira que flertava, dando a entender que aceitaria uma maior aproximação, uma maior intimidade entre nós dois, que até lhe agradaria se a tivesse... mas, apesar da dor praticamente física no peito, não falei nada.
Mais tarde, ela voltou pra Manaus, não sem antes deixar-me a par de que lá havia um “dono do seu coração” lhe aguardando, que por isso, apenas por isso, por sentir-se obrigada a ser-lhe fiel, não me daria chance alguma. Eu acreditei que era isso. Só sei que quando pra lá voltou, não tinha mais nenhum homem apaixonado a lhe esperar. Já tinha partido pra outra, o tal índio bagual. Isso não foi ela quem me contou, fui eu que descobri, quando vi a mudança de status no seu iorkutchê, e quando um outro amigo virtual em comum me confirmou, que não tinha mais ninguém e que também estava tenteando, flertando com ela. Não sei se a ele Nina pretextou o mesmo empecilho que me dissera haver. Dissera e me dera a entender que não era porque ela não queria, que não correspondia a meus sentimentos, era porque não podia... e eu acreditei, mais uma vez. E mais muitas vezes, depois.
Por algum tempo não flertava mais comigo... foi por mais ou menos uma semana, depois voltando ao velho flerte sutil que só as mulheres sabem fazer, me encantando e engambelando vezes e vezes repetidas. Não podia me corresponder, porque não dava, nunca dava, sempre tinha um novo empecilho.
Por exemplo, num dia Nina me disse que não estava com ninguém, que não podia me dar nenhuma esperança, que não poderia nem mesmo cogitar manter uma relação amorosa de qualquer tipo, pois estaria sofrendo com uma doença grave, tinha até mesmo medo de morrer! Quem quase morreu fui eu, de dor no peito, de tristeza e preocupação, tive muito mais medo de ela partir, como se a tivesse, já, e pudesse vir a ficar sem ela. Pobre diabo imbecil... se havia alguma doença, obviamente fora aumentada, mais um empecilho para não estarmos juntos, mesmo à distância, porque... veja bem, não é que ela não quisesse... outra vez, acreditei!
Um dia recebi um e-mail dela. Dizia-se meio deprimida, pensando em mudar novamente para Porto Alegre, desistir da faculdade de advocacia, quem sabe, talvez, fazer algum outro curso, mudar de rumo, de emprego, de cidade... ela não gostava de inverno, mas Manaus já não lhe era mais tão agradável quanto dissera, das outras vezes. Dizia ter pensado muito em mim, estaria até cogitando de vir ficar comigo, dando a entender que admitiria dividir espaço, talvez morar na mesma casa... “nem que fosse só pra te fazer companhia”, dizia ela, na mensagem. E sim, eu acreditei. Eu acreditei! Já estava pensando nas modificações que teria que fazer, nas adaptações, para recebê-la e hospedá-la em minha casa, um simples apartamento tipo kitinete, sem muita mobília, alguns eletrodomésticos antigos e usados na minha cozinha/quarto/sala: um frigidaire de duas portas, daqueles primeiros duplex que surgiram, no tempo da minha mãe. O endereço não era muito glamouroso, nem era exatamente um bairro do tipo que eu imaginava ter mais a ver com Nina, o apartamento ficava num prédiozito antigo, na Garibaldi, próximo ao Indiscretu's – uma casa de tolerância, como diria minha avó – e ao hospital Presidente Vargas. “Pelo menos, não fica muito longe do Centro”, pensei eu. Lhe respondi que “mi casa és su casa”, etc. Mas pouco menos de dois dias vinha uma outra mensagem, ela dizia que tinha decidido outra coisa: que não sairia de Manaus, que ia voltar para o noivo, que ia parar de ficar mudando de rumo toda hora. Sei que ficou por lá, mesmo, mas o tal do noivo, esse parece que não aceitou voltar. Alguém me dissera – acho que sua irmã, de Guaíba – que ela já havia deixado o mancebo por um paquera que conhecera num forrozinho, um segurança, que trabalhava no Grupo Simões, a empresa que vende os produtos da Coca-cola lá pro Norte do país, que também já lhe dera um amigável pé na bunda. Não foi difícil entender por que o tal ex-noivo não aceitou voltar com ela.
Depois disso, sei que Nina sumiu por quase dois anos, sem dar notícias, sem sms, nem aparecer no messenger. Quando voltou a aparecer, a foto de avatar era ela, sorridente, com os braços parecendo duas jibóias apertando o pescoço de um rapaz com um sorriso meio cínico e olhar de Alain Delon. Teclando, falou-me que tinha uma grande notícia: agora iria morar no Rio de Janeiro. Dizia ela que ficaria mais fácil de nos vermos, do que ela continuando a morar na Amazônia, que muito em breve ela voltaria por aqui e iria me visitar. Fora isso, não me deu muitos detalhes, mas eu já havia somado dois e dois. Nem quis perguntar de quem se tratava, quem lhe bancaria a casa na cidade maravilhosa, se seria aquele rapaz atarracado de sorriso cínico. Depois de tantas, eu mesmo já estava assumindo um ar mais cínico em relação a ela. Pensei que o rapaz até poderia levá-la ao Rio, mas que não a levaria pra sua casa, e que assim que cansasse dela, a dispensaria. No final das contas, assim se deu. E, já vacinado com todos os empecilhos que ela criara para não ter dado-me nenhuma chance, só falsas esperanças, sabia que talvez agora ela estivesse se iludindo, e não adiantaria nada querer ser seu amigo e lhe avisar. Confesso, senti algum prazer mórbido, ao saber de seu desengano! Senti-me, até, de certa forma vingado. Não me orgulho disso, mas enfim.
E então, foi-se mais um ano em que Nina sumiu completamente, como gostava de fazer, quando estava se sentindo o máximo, sem deixar rastro, nem mandar notícias. Por um tempo até lhe enviei mensagens de e-mail, pedindo encarecidamente que ela se pronunciasse, que mandasse notícias. Mas sem muito entusiasmo. Já estava saindo pras baladas da Cidade Baixa, sozinho, ou com a turma, já estava mais interessado na campanha do meu Inter na Libertadores e no Brasileiro; me preocupavam as eleições de outubro e a simples lembrança de Nina já não me causava, nem nostalgia, nem tristeza, meu peito já não doía mais como se estivessem enfiando pregos em meu coração. Conheci uma guria no Beco, uma loirinha de sorriso insinuante e grandes olhos verdes-água, que não me fez esquecer totalmente de Nina, que na verdade não influenciou em nada: Nina já era um fantasma distante que não me assombrava mais. Na mesma noite em que conheci Amanda, mandei uma mensagem a Nina, uma despedida. Falei que devia ter medo de perder de perder as pessoas que me eram importante, mas só se realmente as tivesse, se também fosse importante para elas. Mandei-lhe desejos de felicidades, mas na verdade já não me importando com o que lhe acontecesse, dali em diante. Ela não era mais nada para mim. Senti-me liberto, após enviar a mensagem.
Depois disso, saí várias outras vezes com Amanda, ficamos, namoramos, passamos uns 15 dias numa casa alugada em Capão da Canoa, no verão, terminamos. Sem expectativas destruídas, sem decepções, sem traumas. Eu estou solteiro, sozinho de novo. Serei padrinho do casamento de Amanda, que vai ser na catedral de pedra, lá em Canela, mês que vem. Ficamos amigos! E nesse meio tempo, recebo uma mensagem, depois de mais de ano, da nossa querida Nina. Dizia-me que não devia sentir-me triste, que não deveria ficar assim, tão perdido, sem ela. Nossas vidas seguiam, não tinha por quê isso... que não importava o que eu tinha feito, se agisse diferente, que ainda assim as coisas teriam acabado da mesma forma, e tal. Que eu mesmo havia me enganado. Foi o que ela falou. E eu? Eu ri... o que mais poderia fazer?! Eu dei uma gostosa gargalhada, como há tempos não dava. Mandei-lhe uma resposta, também, curta e grossa: eu agi como deveria agir, nada do que fiz, nem do que disse, eu mudaria. As coisas poderiam, sim, ter acabado de outra forma... mas só se ELA agisse de outra forma! Mas que ela não se preocupasse com isso... não fazia a menor diferença, agora!
Dito isso, a deletei. Da agenda do meu celular, do messenger, da minha lista de contatos de e-mail, da minha vida. Aí ontem ela me adicionou nos seus amigos do Feicebuqui...