A dona presidenta Dilma disse que a inflação tá pequena e totalmente sob controle. Dona Dilma disse que a Petrobras não está quebrada, que é um problema pequeno e de fácil solução. Dona Dilma disse que o país não está estagnado, só deu uma paradinha momentânea, foi só um período sabático, porque o mundo todo está atravessando uma grave crise -- o Brasil, não, o Brasil, nunca! -- veja só, a China está projetando um crescimento pífio, de míseros 7%, um ponto a menos que no ano passado...!
Mas ok, dona Dilma reconhece, você tem todo o direito de se indignar com os últimos escândalos de corrupção, de se irritar com a escassez de água, de reclamar contra os altos preços dos combustíveis, da tarifa de energia e dos alimentos nos supermercados. Toda manifestação e todo protesto têm uma razão de ser. Não adianta você vir me dizer que não é bem assim, foi ela quem disse, ela que falou! Lembre-se de quem é a sua amada e idolatrada líder... "ain, maix ela pediu um pokinhu de paciência!" Sim, uma hora dessas tudo irá se resolver, como que num passe de mágica...
Ok, mas enfim, dona presidenta falou que o brasileiro médio está certo em ficar chateado, por ela ter prometido uma coisa, na campanha eleitoral, e estar fazendo outra, agora, que o brasileiro médio tem todo direito de protestar, portanto, alguns combinaram, via whatsapp (eu não tenho esse troço, então não recebi a convocação, e se recebesse, não tenho bem certeza de que tomaria parte) e vários fizeram barulho, numa manifestação, num panelaço, direto de suas janelas, varandas e sacadas, durante o instigante pronunciamento da dona presidenta Dilma.
Aí, então, o brasileiro médio disse que o brasileiro médio não poderia promover panelaços, que é feio protestar das janelas de condomínios de alto padrão e sacadas gourmet (mas que caraio, memo, gourmetizaram o trailer de lanche, agora as sacadas também?!). Do alto de suas sacadas gourmet, o brasileiro médio desqualifica o panelaço, fala em golpe, que foi orquestrado e patrocinado pelos partidos de oposição. Sim, é verdade, vi o FHC comprando dúzias e mais dúzias de conjuntos de panelas tramontina, ali no Tropical Multi Loja, agora tudo faz sentido...
Uma dona indignada com a carestia para se abastecer o seu carrinho 1.0, entra em parafuso, surta, sai feito louca pelo posto de combustíveis, abortando outros motoristas e tentando demovê-los da ideia de abastecer seus carros populares, a fim de "pressionar" pela queda dos preços: "é a lei da oferta e da procura", dizia a pobre... mas o brasileiro médio é zuera, é gaiato, tira onda, não ia perder a chance de fazer piada com a tiazinha... "e como vamos ridicularizá-la?!" Falando que ela surtou, que foi acometida de uma leseira baré, que desembestou, que endoideceu, que se desvairou, que se emputeceu, que despirocou de vez, talvez, de vez?!? "Não, muito melhor: vamos zoar a tia por ela usar boas roupas de grife, por ter carrinho do ano, não importando se é 1.0 bosta, por ter um iPhone, que talvez nem seja do modelo mais novo, ou esteja pagando em 24 vezes, na "promoção" daquela operadora lá, mas enfim, pouco importa, o que interessa é zoar essa tiazinha louca por ser coxinha, burguesa e alienada! É claro que diretamente do seu galaxy S5, ou windowsphone, ou nokia lúmia, senão, não é uma zuera de esquerda legítima!
O brasileiro médio diz que, se você tem smartphone, um carro do ano e compra nas lojas Renner, você não pode protestar! Você é coxinha, você é burguês! O brasileiro médio reclama da alta na tarifa de energia, na tarifa da passagem de ônibus, metrô, trem urbano, VLT, or whatever, nos combustíveis, nos alimentos, reclama que tá caro tudo... mas diz acreditar naquela informação, que nem sabe de onde veio, e que números usaram pra chegar a essa conclusão, que diz que o ganho real do salário mínimo nunca foi tão grande na história deste país! O brasileiro médio se indigna com os políticos, com os governos, com o congresso, com as prefeituras, mas defende a dona presidenta, com mais ardor do que se fosse sua própria mãe. O brasileiro médio, pra xingar e ofender a dona presidenta, usa palavras com as quais tem pudor até quando vai xingar o torcedor do time, da escola de samba, do boi rival, porque aí é muito pesado, aí já é desrespeito!
O brasileiro médio diz que quem defende o governo federal, recebe bolsa família, ou um por fora, pra ser blogueiro chapa branca. O brasileiro médio diz que quem reclama do governo federal é coxinha, pequeno burguês, elitista e tem horror a pobre. Sendo que AMBOS só têm contato com pobre quando dão esmola no trensurb, ou cumprimentam o porteiro e a faxineira. O brasileiro médio acha que é tudo culpa da presidenta Dilma, dos petralhas e da esquerda tirana. O brasileiro médio diz que a raiz de todos os males vem do FHC, da mídia e da direita golpista. Sendo que o brasileiro médio não manja nem o que é direita, nem o que é esquerda. O brasileiro médio se lamenta porque não se pode mais emitir opinião sem que alguém venha lhe ofender e desqualificar suas ideias. O brasileiro médio não suporta quem tem opinião contrária a sua, tem sempre uma resposta sarcástica, irônica, ou cheia de bons argumentos ("seu coxinha!" "seu esquerdinha caviar!") para rebater os "equívocos" opinativos alheios. O brasileiro médio não se toca que usuário de bolsa família tem smartpeba xing-ling só pra ver a Ana Maria na tv, enquanto anda no busão lotado, indo pra escola/faculdade particular EAD/trabalho. O brasileiro médio não se manca que os Matarazzo não saem por aí criticando esses coxinhas alienados da classe média, nem o Chiquinho Scarpa se abala a bater panelas e gritar da varanda de sua mansão "FORA DILMA!!!". O brasileiro médio briga mesmo é contra o brasileiro médio. O brasileiro médio corre atrás do próprio rabo. Brasil é o único país no mundo (que se saiba) onde existe uma subdivisão da classe média em três, a classe média baixa, a classe média média e a classe média alta. E eu sou o classe média baixa, o classe média alta pode muito bem ser você, MAS!, a verdade é que o brasileiro médio é você, e o brasileiro médio também sou eu!
O brasileiro médio ataca as pessoas erradas pelos motivos certos. O brasileiro médio ataca as pessoas certas pelos motivos errados. O brasileiro médio já tem 30 anos de liberdade e democracia, já teve ótimas oportunidades de aprender com seus erros, mas, até agora, só aprendeu a cometer mais erros! O brasileiro médio tem é de aprender a parar de morder o próprio rabo, de bancar o caranguejo no balde, puxando pra baixo quem chega na borda e começar a se unir, lutar contra quem se pretende estar lutando, se quiser, mesmo, de fato, e de direito, uma vida e um país melhores!
Hoje chamam de mini mercado, ou mercadinho, mas, na nossa infância, chamavam de armazém, venda, ou taberninha... local onde você encontra de tudo: pão, misturas, erva mate e pupunha a granel, pirarucu seco pro almoço de sexta-feira santa, uma caninha da boa, envelhecida em barris de carvalho e um ou dois dedos de prosa... entre e fique a vontade!
quarta-feira, 11 de março de 2015
terça-feira, 10 de março de 2015
Viva o Lugar
Dia desse, acho até que foi ontem, você disse algo interessante... que me pareceu um pouco equivocado, mas mesmo assim, interessante. Era algo como "não há coisa melhor que ouvir o 'seu falar'", o jeito, o sotaque, as gírias, as expressões, que você "só" ouve na terra em que nasceu. Várias dessas gírias e expressões, que você conhece tão bem, sobre as quais, diz que, se debruçou a pesquisar profundamente e eu, que nunca pesquisei nada a respeito, conheço desde piá/curumim/moleque, quer dizer... e você sabe, nem nascemos na mesma região, que dirá lugar!
Ontem mesmo, só que à noite, estava assistindo a um programa, que, infelizmente, peguei no finalzinho. Um rapaz, que saiu do seu país, para morar em um outro, um desses paraísos tropicais, do oceano Pacífico, ou do Caribe, enfim, pouco importa, era um belo lugar, e ele estava sendo entrevistado. E disse algo que também achei interessante. Me identifiquei muito com o que foi dito! Ele estava comentando sobre outros que foram pr'aquele mesmo paraíso tropical e lá construíram suas casas, mas, segundo ele, continuavam sendo meros turistas. Acho que compreendi bem o que ele disse, logo em seguida: "você não deve querer viver NO lugar, mas sim querer viver O lugar!"
Sei o que dizem, meu padrasto também dizia muito isso: "com dinheiro, se vive bem em qualquer lugar"... sim, não discordo totalmente dessa assertiva, tendo-se dinheiro, quer dizer, uma boa quantidade, pra garantir o conforto e segurança, onde quer que seja, se vive bem até no frio do inverno na Groenlândia. Mas eu não quero viver bem na Groenlândia, nem no verão, que dirá no inverno!
Ok, você quer viver em Campinas, em Florianópolis, em Miami, em Paris, em Brasília, eu entendi, mas veja, você vai pensando em viver NO lugar, porque, enfim, por vários motivos, que não vou ficar elencando aqui, mas vai continuar sendo do lugar que você vivia, apenas sendo "eterno(a) turista" do lugar EM QUE decidiu viver, é seu sonho de consumo, etc.
"Ok, mas como você entendeu aquele cara, provavelmente saído de um país rico do Ocidente, pra viver do outro lado do mundo?" É simples, quando saí daqui, fui para o Norte, para a Metrópole da Amazônia, digamos que minha experiência, como turista, foi bem curta. Me entranhei no lugar, me deixei entranhar pelo lugar, fundi o meu 'jeito de falar' ao jeito dos que circulavam a minha volta, queimei minha pele ao sol até ficar com a sua cor, comi o jaraqui, pois, quem come desse peixe, "nunca mais sai daqui(daí!)"... tenho síndromes de abstinência de tucumã, de cupuaçu e guaraná Baré. Eu compreendi o que aquele rapaz disse, porque foi o que vivenciei, o que quero voltar a vivenciar, voltei para onde nasci, voltei pra casa, mas não voltei ao lar, pelo contrário, saí. Sinto saudades, meus ouvidos se apuram, quando ouço um falar, no mínimo, parecido com o de lá, ouço certas músicas e quase choro... e nem são pra tanto. Vivi o lugar, continuo vivendo, me interessam as notícias que me vêm de lá, quero saber de tudo. Você pode, e volta, uma vez por ano, lá onde você diz querer ficar. Mas você não vive lá. Talvez não me compreenda, mas não se culpe, é que não é só questão de linguística, é algo mais holístico; é minha língua, meu espírito, meu ser, meu estar!
Ontem mesmo, só que à noite, estava assistindo a um programa, que, infelizmente, peguei no finalzinho. Um rapaz, que saiu do seu país, para morar em um outro, um desses paraísos tropicais, do oceano Pacífico, ou do Caribe, enfim, pouco importa, era um belo lugar, e ele estava sendo entrevistado. E disse algo que também achei interessante. Me identifiquei muito com o que foi dito! Ele estava comentando sobre outros que foram pr'aquele mesmo paraíso tropical e lá construíram suas casas, mas, segundo ele, continuavam sendo meros turistas. Acho que compreendi bem o que ele disse, logo em seguida: "você não deve querer viver NO lugar, mas sim querer viver O lugar!"
Sei o que dizem, meu padrasto também dizia muito isso: "com dinheiro, se vive bem em qualquer lugar"... sim, não discordo totalmente dessa assertiva, tendo-se dinheiro, quer dizer, uma boa quantidade, pra garantir o conforto e segurança, onde quer que seja, se vive bem até no frio do inverno na Groenlândia. Mas eu não quero viver bem na Groenlândia, nem no verão, que dirá no inverno!
Ok, você quer viver em Campinas, em Florianópolis, em Miami, em Paris, em Brasília, eu entendi, mas veja, você vai pensando em viver NO lugar, porque, enfim, por vários motivos, que não vou ficar elencando aqui, mas vai continuar sendo do lugar que você vivia, apenas sendo "eterno(a) turista" do lugar EM QUE decidiu viver, é seu sonho de consumo, etc.
"Ok, mas como você entendeu aquele cara, provavelmente saído de um país rico do Ocidente, pra viver do outro lado do mundo?" É simples, quando saí daqui, fui para o Norte, para a Metrópole da Amazônia, digamos que minha experiência, como turista, foi bem curta. Me entranhei no lugar, me deixei entranhar pelo lugar, fundi o meu 'jeito de falar' ao jeito dos que circulavam a minha volta, queimei minha pele ao sol até ficar com a sua cor, comi o jaraqui, pois, quem come desse peixe, "nunca mais sai daqui(daí!)"... tenho síndromes de abstinência de tucumã, de cupuaçu e guaraná Baré. Eu compreendi o que aquele rapaz disse, porque foi o que vivenciei, o que quero voltar a vivenciar, voltei para onde nasci, voltei pra casa, mas não voltei ao lar, pelo contrário, saí. Sinto saudades, meus ouvidos se apuram, quando ouço um falar, no mínimo, parecido com o de lá, ouço certas músicas e quase choro... e nem são pra tanto. Vivi o lugar, continuo vivendo, me interessam as notícias que me vêm de lá, quero saber de tudo. Você pode, e volta, uma vez por ano, lá onde você diz querer ficar. Mas você não vive lá. Talvez não me compreenda, mas não se culpe, é que não é só questão de linguística, é algo mais holístico; é minha língua, meu espírito, meu ser, meu estar!
segunda-feira, 2 de março de 2015
Por quê insistir?!
Reclamou que eu não ligava, pois bem, tentei lhe ligar, na semana, duas vezes. Em uma, me atende com uma voz de trêbada e logo dá um jeito de despachar. Em outra, nem sequer se dignou a atender. Não tenho enviado mensagens, porque o meu cotidiano não lhe parece mais, de qualquer forma, importante. Cansei de mandar mensagens efusivas e receber respostas protocolares e frias, como se fosse uma pesada obrigação. Cansei de sentir a falta de alguém pra quem eu não tenho feito falta nenhuma. Cansei de "incomodar" com meu "papinho desinteressante" e meus "problemas pequenos e banais" a quem tem "problemas demais, realmente importantes com que se preocupar". Não temos mais nenhum assunto em comum. Não temos mais agendas coordenadas. Não consigo mais pensar nela com o mesmo afeto, ou o mesmo desejo, or whatever. Não tenho nem mais nos visto em futuras viagens, não tenho mais visto futuro neste relacionamento. Estou procurando evitar pensar em mágoas, rejeições e tristezas. Não estou vendo mais sentido, nem bons motivos, nessa relação. Cansei de procurar 'melhorar', de uma forma que lhe pareça agradável, sem que a recíproca seja verdadeira. Não tenho mais visto os sentimentos pelos quais valesse a pena continuarmos a relação. Quanto mais procuro um bom motivo pra continuar, menos encontro e nenhum é demonstrado. Cobranças de um 'aporte' e um 'investimento' materiais na relação, que deixei bem claro, desde o início, não ter ainda. Agressões gratuitas e acusações sem razão, somente pelo fato de não ter a 'politização correta', leia-se, não TORCER para o mesmo partido, nem REZAR por sua cartilha, como se este fosse um time de futebol, ou uma congregação religiosa, coisa que, também desde o início, deixei bem claro, não faço por partido algum!
Pra quê continuar? Pra quê insistir no que parece já ter acabado? Só pra ter mais estresse, só pra dizer que tem um alguém, mesmo que somente mais alguém de quem reclamar? Isso não vale a pena, não...
Pra quê continuar? Pra quê insistir no que parece já ter acabado? Só pra ter mais estresse, só pra dizer que tem um alguém, mesmo que somente mais alguém de quem reclamar? Isso não vale a pena, não...
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