PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Os Bolsistas, os Alarmistas e A Calça de 300 Contos

MEU DEUS!! E AGORA, COMO VAI SER?! VÃO ACABAR COM O BOLSA-FAMÍLIA!? NÃO PODE SER!! ELES NÃO PODEM FAZER ISSO!! Ou podem!? Por que não, qual o problema, se eles acabarem com o programa?! Afinal, quando eram oposição, nem queriam mesmo... o programa, segundo eles, servia apenas para tornar os beneficiários dependentes do poder público e, dessa maneira, arrecadar votos! Não era isso?! Ah, claro que não, agora não é nada disso... isso foi só nos primeiros oito anos do programa do governo federal para redistribuição de renda e combate à vulnerabilidade social. Nos 10 anos seguintes, tudo tem sido diferente, o programa é um imenso, um estrondoso sucesso! Agora é diferente, o bolsa-família, agora, está atingindo o seu intuito, a sua função, está diminuindo a vulnerabilidade social, está até mesmo diminuindo a mortalidade infantil no nosso Brazil varonew, veja você! Tá no site da ONU! E agora, o que me dizem, ateus?? Não é isto mesmo?! Então me expliquem uma coisinha só... que porra é essa que aconteceu aí, por esses dias?!?
Na semana passada, o que tomou conta dos noticiários foi esse lance do bolsa-família e os boatos que o cercaram. Rolaram por aí, por exemplo, boatos de que o programa seria suspenso pelo governo, o que provocou um corre-corre dos beneficiários às agências da Caixa Econômica Federal. O governo apressou-se, por sua vez, a mandar publicar um “esclarecimento” que, por conta dos tais boatos, teria antecipado o pagamento da bolsa aos seus dependentes. O que, mais tarde, veio a ser desmentido por um jornal, o governo, na verdade, teria liberado o dinheiro um dia antes da onda de boatos que, pelas últimas informações, a Polícia Federal estaria encarregada de “investigar”. Outro boato é de que a ONU teria feito uma pesquisa e publicado, também na semana passada – olhem só, que curioso – dando conta de que o programa bolsa-família estaria ajudando na diminuição da mortalidade infantil. Presumindo que seja algo mais que um boato, o mais provável não é que a própria organização tenha feito a pesquisa, mas sim, tenha apenas divulgado números dados por órgãos do próprio governo brasileiro.
Pra fechar a semana com chave de ouro, um vídeo circulou pela internet, redes sociais e grandes corporações de comunicação, de uma senhora reclamando pois o dinheiro do programa bolsa-família seria insuficiente inclusive para comprar uma calça de grife para a filha. Foi o estopim que causou uma explosão de indignação e ira por parte dos bolsistas. Sabe, não os dependentes do programa, estes não têm tanto acesso à informação quanto dizem por aí os canais oficiais e oficiosos... e sim os defensores do programa bolsa-família, essa classe média que não necessita dessa ajudinha, mas que tem “consciência social”. Pois é, eles desancaram meio mundo por, segundo eles, não estarem respeitando o direito básico dos dependentes do programa governamental de desejarem melhorar de vida, de almejarem bens materiais, viajar à Europa, etc. Os verdadeiros defensores da justiça social criticaram os “alienados” das redes sociais, que não têm senso crítico, que estariam apenas partilhando informações sem confirmação e fora de contexto no piloto automático, que não estariam pensando fora da caixa, que não estariam vendo como este programa é importante pra tanta gente que tem fome, tem reduzido de forma decisiva a extrema pobreza, tem inclusive elevado muita gente à categoria de classe média! Os bolsistas, na verdade, têm um fascínio absurdo e gigantesco pela tal caixa, não cansam de admirar os números mágicos que ela apresenta. Não atentaram nem para a discrepância entre o que o governo anuncia como sucesso do seu principal programa social e as constatações preocupantes e alarmantes que a boataria sobre o fim do programa provocou. Não admitem, não acreditam, não vêem que, de fato, o programa tem sido mais efetivo no papel que na realidade, isso desde o seu início, no já longínquo, pra muita gente, governo Fernando Henrique Cardoso. Que ajudar, com uma quantia em dinheiro, apenas, não é o suficiente para fazer justiça social, que é, sim, necessário, dar aos beneficiários desse programa condições e infraestrutura básicas, de educação, saúde e trabalho, para que eles possam, de fato e de direito, progredir, sair e, principalmente, permanecer FORA da linha de pobreza, sem riscos de voltar para lá.
Mas os amigos bolsistas se conformam em acreditar no que lhes é dado mastigado pelo poder público e órgãos oficiais e oficiosos, se instalam na sua zona de conforto, acreditando que ainda não estamos na situação ideal, mas que tudo está se encaminhando, com o mínimo de esforço possível. Só levantam seus traseiros para defender o sistema, o status quo e programas absolutamente fantásticos – no papel – como o bolsa-família de alienados, reaças e leitores da revista Veja, como você. Os bolsistas são realmente uma raça curiosa, tanto, ou mais que os alarmistas. Só que não dá tempo de estudá-los, agora, a coisa vai mal, já dissemos, e constatamos isso aqui, antes. Já tá é bom de reinicializar a Matrix, desculpem...

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Vai Mals

O Brazil vai mal. Conversando com algumas pessoas, terça, no status de um amigo, no Facebook, vi que a coisa tá mal, aqui no Brazil. Dependendo de quem respondia, a coisa, ainda assim, vinha melhorando, devagar, mas vinha... ou está de mal a pior e estamos, inexoravelmente, rumando para o abismo e o caos. Não sei se é impressão minha, apenas, mas parece que o pessoal tá mesmo grenalizando absolutamente tudo, mesmo quem não faz ideia do que significa 'grenalizar'!
Bem, de qualquer forma, a discussão foi enveredando pelos médicos cubanos, pelas obras atrasadas para a Copa do Mundo, por qual o presidente mais “vilão” dos últimos tempos, até chegar ao ponto de convergência: ao Brazil, atualmente, faltam infraestrutura e educação! “E quem não sabe disso?” Aparentemente, nossos governantes não sabem...
Mas, quando dizem que nos falta educação, é importante ressaltar que isto significa: falta formação acadêmica! E, de fato, o bolsa-família, o enem e os sistemas de cotas não estão, ainda, suprindo as necessidades do mercado de trabalho. E vários formandos de cursos preferem tentar ingressar em lugares onde o mercado já se encontra saturado. Não é o caso de médicos e advogados, por exemplo? Acho que sim, apontam estudos.
O Brazil está, sim, com déficit de formação acadêmica, nós não estamos acompanhando as exigências do mercado de trabalho, os governos não estão preparados para oferecer a qualificação condizente, nem técnica, nem tecnológica, menos ainda a acadêmica.
Então! Falta educação, falta investimento em educação!” É subjetivo, não sei se falta, mesmo, investimento. Muita grana é destinada à educação de base e à formação acadêmica. É muito dinheiro mesmo. Talvez... só talvez, esse dinheiro esteja sendo mal empregado, mal investido. Para muitas disciplinas faltam professores. Isso vem desde os meus tempos de Ensino Fundamental. É, já faz um bom tempo. Disso, talvez, tenha surgido a tal “interdisciplinaridade” que, no Brazil, faz com que você não aprenda duas ou três disciplinas, em vez de aprender ao menos uma. Mas enfim!
Educação mesmo, de fato, não é dada na escola, é em casa, ouvi dizer. E aí, sou forçado a concordar, estamos mal-educados demais! Não pedimos licença. Não damos licença, quando nos pedem. Não respeitamos o pedestre, no trânsito, mesmo que esteja na faixa de pedestres. Como pedestres, não respeitamos o motoristas, atravessamos com o sinal aberto para o motorista, ou fora da faixa de segurança, ou andamos em meio aos carros por preguiça de usar a passarela. Falamos alto nas bibliotecas, igrejas, hospitais, ou qualquer lugar onde o bom senso nos pede silêncio. Falamos ao celular nos cinemas e no teatro. Desrespeitamos a religiosidade, ou a ausência de, do próximo. Arrotamos, chamamos palavrão e queremos impor nossa opinião à força. Ouvimos música alta, em casa, ou em público, não usamos fones, como o bom senso, mais uma vez, nos pede, incomodando ao próximo, que nem sempre compartilha do nosso gosto.
Por isso, o Brazil está mal, amiguinhos, a Copa do Mundo não vai ser a mais linda que já se viu, mas não tem importância, os gringos, apesar de tudo o que dizem a nosso respeito, vão com a nossa cara, gostam do nosso jeitinho, acham pitoresca nossa organização desorganizada. Mas tem todo o resto. Estamos ficando pra trás, inclusive em relação a nós mesmos. Os problemas, já os conhecemos de cor, está na hora de buscarmos soluções!

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Frio é Bom

Frio é bom, bom para comer, se empanturrar de biscoitos, cucas, bolos, chocolates e fondue... sim, certo, uma boa sopa quentinha, no inverno, sempre vem bem! Quanto ao fondue, vou ficar devendo, meu poder aquisitivo ainda não permite.
Frio é bom, bom mesmo, para bebidinhas quentes... cafés, chás, chocolate quente, conhaque, whisky – sem gelo! – um bom vinho, tinto, seco... embora minha cabeça tenha ficado ainda lá no café, adoraria sair agora e te pagar um capuccino...
Sim, frio é bom... bom para se ter preguiça, para se ficar um dia inteiro na cama, sob toneladas de cobertas, sob uma gruta de edredons, tal e qual um urso pardo, hibernando, enquanto o calor do verão não volta. Ou enquanto não vem o veranico de maio, aquele calorzinho agradável, que só te faz sair da gruta de cobertores e pegar um pouco de ar fresco!
O frio só não é tão bom pra quem é/está solteiro/sozinho. Ok, pra quem está resfriado, gripado, com sinusite, rinite e outros ites também não é lá muito bom. Frio não é lá muito bom, de qualquer forma, pra quem está sozinho(a)! Frio é bom pra se abraçar, pra esquentar alguém nos seus braços e buscar se aquecer no calor do corpo do(a) outro(a). No frio, é bom ter com quem dividir os cobertores, a não ser que a pessoa seja ladra de cobertas, na madrugada.
No frio de ontem à noite eu bem que quis... porque no frio bom mesmo é dormir de conchinha. É bom fazer do nosso ombro travesseiro de alguém. É bom encolher-se feito ostra, envolver a outra pessoa, como se fora uma pérola, protegê-la da noite gelada, dar-lhe abrigo e uns cafunés... neste frio, nada mais perfeito que dormir de conchinha com você.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Para Evoluir (ou "Há malas que vêm de trem...")

Semana passada encontrei um velho amigo. Velho mesmo, nos conhecemos há vários anos, ainda no ensino fundamental. Nos conhecemos no século passado! Fazia um ano, um pouco mais, ou um pouco menos, que não nos víamos. Parecia que não fazia mais de uma semana!
Meu velho amigo me contou as novidades. Saiu da ruim em que estava, agora não anda mais tão revoltado com a vida e com o mundo. Encontrou conforto na casa espírita, aceitou de vez Jesus na sua vida. “Ai, puxa, que coisa mais piegas, parece até evangélico falando...” Pois é, mas... ah, que seja!
Meu velho amigo está mais antenado com o que acontece no mundo, está nas redes sociais, tem tuírer, tem perfil no Feisse. Está estudando a doutrina espírita, está mais ligado em como as coisas funcionam, por aqui.
Pois, comentando sobre os rumos da política, dessa atual “guerra santa” do deputado federal, pastor Marco Feliciano contra homossexuais, homoafetivos, travestis, transsexuais, mulheres e pessoas de cor, do destaque que a grande mídia está dando a ele – desviando o foco dos mensaleiros, mas enfim.
Aí nos veio à mente algo que ouvi/li no espiritismo, sobre espíritos que encarnam neste mundo, pessoas que, com ideias equivocadas, maldosas, talvez, vêm para o nosso bem, para ajudar a humanidade a progredir, mental e espiritualmente. Napoleão e Hitler são exemplos de males que vieram para o bem da humanidade. O escândalo e a vergonha dos campos de concentração serviriam para abrir nossos olhos contra o racismo e a hipocrisia, chocando-nos com o impacto dos campos de genocídio e extermínio, onde milhares de judeus foram jogados. Até então, judeus, ciganos, negros e outros eram apartados da sociedade e certos crimes contra eles eram ignorados, ou tidos como naturais.
Hoje, no Brasil, o deputado pastor Feliciano e outros que, como ele, usam a mídia para difundir suas ideias equivocadas, estão, de alguma maneira, provocando reações, questionamentos e reflexões, a respeito de espiritualidade, religiosidade, sexualidade, afetividade, etc. As pessoas estão, bem, ou mal, se questionando sobre tudo isso. Se perguntando, o que isso tudo influi na vida de cada um, qual a sua posição sobre gays, casamento entre pessoas do mesmo sexo, se isso muda alguma coisa em relação a si mesmos, ou não... buscando ter uma opinião a respeito! De certa forma, talvez, Marco Feliciano pode estar fazendo um bem, que nem mesmo ele suspeite. Talvez, só talvez, esteja dando uma contribuição, mesmo que pequena, mesmo que ao inverso da sua real intenção, para que progridamos um pouco mais, como espécie humana... isso, claro, só o futuro poderá dizer.