PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Pegar o Bonde Andando

Lembrei de uma velha expressão, que hoje em dia não é assim, mais tão utilizada: “pega o bonde andando e quer ficar na janelinha”. Os antigos ainda falam, de vez em quando. Eles também não a tem usado mais com tanta frequência. Acho que pensam não fazer mais sentido, nos dias de hoje. Nem mesmo no Rio de Janeiro, último lugar a ainda manter linhas de bondes, parece que, hoje em dia, só para levar turistas a passear pelo centro histórico... até descarrilar um, há uns meses, e a prefeitura, o governo do Estado, ou qualquer autoridade competente, interditar, por falta de segurança.
Bem, meu pai dizia que andava de bonde, pra cima e pra baixo, em Porto Alegre, no tempo em que era jovem, para ir à escola, depois, para a faculdade e por fim, antes de acabarem de vez, para chegar no trabalho. Ele lembrava que teve um tempo, em que o bonde não tinha, exatamente, paradas, como têm os ônibus, que ele circulava direto, do ponto de partida até o ponto final, e que então, você tinha que correr, pra pegá-lo andando, literalmente. Portanto, presume-se que, quem pegava o bonde do seu ponto de partida tinha melhor chance de pegar um acento ao lado da janela e ia, bem acomodado, apreciando a paisagem, durante a viagem, ao contrário de quem o pegava a partir do meio do itinerário, por exemplo. É de se imaginar, então, que para algumas pessoas, como papai, essa expressão era plena de significado, fazia todo sentido! Já pra gente, hoje em dia...
Bom, pra quem nunca andou de bonde, aí estão as redes sociais, pra nos dar aquela impressão de... como vou dizer...? Estar pegando o bonde andando! No twitter, principalmente, a gente pode ter essa impressão, ao ler um “reply”, ou retuíte. É como se você pegasse um debate pela metade e não soubesse bem qual é o assunto que está sendo tratado! Alguns tuítes soltos já nos deixam com uma pulga atrás da orelha, às vezes... tanto que, dia desses, uma amiga tuitou mais ou menos o seguinte: “têm coisas aqui, que não entendo e prefiro não entender... é melhor!” Bem, dizem que, nas redes sociais, indiretas voam como balas em um tiroteio. As frases soltas são, geralmente, as mais perigosas. Nem sempre são indiretas, são mais como alguma idéia, que passa por sua cabeça e você, então, a tuíta, ou compartilha, no Face, é mais ou menos o ato de pensar em voz alta... quem nunca?!
Quando você solta uma frase, sem muita pretensão, a não ser, quem sabe, chamar a atenção daquela pessoa na qual você tem pensado muito, ultimamente, dificilmente corre o risco de ter a atenção pretendida, mas corre sério risco de alguém entender aquilo errado. O contrário também ocorre, portanto não se assuste! Todos os dias, quando entramos nas redes sociais e sites de relacionamento – usando uma linguagem mais, ahn, jornalística – estamos todos pegando um bonde andando, descendo a ladeira e prestes a descarrilar. E, em raríssimas ocasiões, poderemos pegar o lugar perto da janelinha!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A Mesma Velha História

Eles estão insistindo na velha mentira. Eles argumentam com as mesmas velhas ideias requentadas a cada dois anos. Votar nulo é votar errado. O voto nulo é inútil, o voto nulo e o voto em branco não servem para nada. Voto nulo não pode mudar o panorama da política, não pode influenciar nos rumos de uma eleição. É o que todos eles dizem e você repete, sem sequer se dar conta, sem nem pensar muito a respeito. Alguém disse que pensar não é um exercício muito saudável, mesmo.
Ok, então, suponhamos que esteja certo isso de o voto em branco e o voto nulo não valerem, então por que eles se preocupam tanto com isso? Por que eles vêm de dois em dois anos reforçar a mensagem, se não tem valor algum? Pra que essas campanhas massivas em jornais, rádios, televisão e redes sociais, pela importância do que consideram “voto válido”?! Me convença, ou pelo menos tente, que votar no Tiririca foi uma forma muito melhor de “protestar” contra o Sistema do que os votos em branco e nulo! Prove-me, se realmente puder, que escolher um candidato qualquer, a despeito das próprias crenças e ideologia, ou votar no “menos pior” de dois, com cujos os quais nenhum dos discursos você se afina, estará mudando, de forma substancial, o jeito de se fazer política por essas bandas. Me diga como se faz para escolher um candidato melhor nas cidades onde há um só candidato! Imagine que loucura, se houvesse um candidato único à prefeitura do seu município, ou ao governo do seu Estado... qual é a sua alternativa, se você não concordar que aquele deva ser o seu representante, ou o administrador da sua comunidade? Votar naquele candidato único, porque, né, não tem outro jeito?! É isso mesmo?! É esse o jeito?? Não há outro?? Não, digo que não é, do contrário, a urna eletrônica nem teria o botão para voto em branco!
De minha parte, ainda não decidi o meu voto. Estivesse em outro lugar, no lugar onde há candidatos a quem ainda creio ser possível depositar um pingo, que seja, da minha confiança, já estaria meio decidido. Pelo menos o vereador já estaria certo, já teria meu voto garantido. Quanto ao candidato a prefeito, ainda estaria decidindo, por um ou por outro. Mas aqui... aqui, dos cinco candidatos, tenho pensado, talvez um, só um, possa servir. O atual prefeito só criou cabides de emprego, para privilegiar os amigos e gente da sua base aliada; a “obra” mais importante, na administração do prefeito anterior foi ter levado o Sapucaiense, time de futebol da cidade, à elite... do Campeonato Gaúcho!! E nada mais!! Tem ainda um candidato que foi citado, um mês atrás, numa reportagem-denúncia transmitida para todo o país, sobre funcionários fantasmas na ALE-RS. Há mais um candidato, ao qual nem vale a pena citar aqui, muito embora minha simpatia pelo partido ao qual pertence. Resta, então, esse candidato, que, até onde sei, não tem nada a pesar sobre sua candidatura, nada de irregular, ou suspeito, do qual ainda tive algumas boas referências. Só que, para depositar-lhe o meu pingo de confiança, precisaria conhecer-lhe as propostas, ver quais são factíveis, quais seriam apenas falaciosas, ou artifícios para angariar votos.
       Caso contrário, o voto nulo e o voto branco continuam sendo meu direito e minha prerrogativa e, na ausência de políticos razoavelmente sérios, não terei receio de usá-la.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Em Hibernação

Não mais era esperado, e por isso mesmo ele voltou com força, de com tudo, com ventos e muita chuva. O infernal inverno parecia que já tinha ido embora, as árvores do parque Farroupilha já estão completamente floridas, flores de todas as cores, rosadas, amarelas, azuis, lilases, brancas... enfim! O calor já era quase de verão, nos finais de semana já estávamos desejosos de pegar uma praia.
Só que veio o vento, as nuvens carregadas e cinzentas, chegando da banda oriental do Uruguai, o sábado amanheceu muito úmido, muito feio e frio. A chuva caiu torrencialmente desde o amanhecer até à noite e continuou assim por todo o domingo. Com chuva e frio, sem muito pila nos bolsos, o convite para a preguiça e o sono é praticamente irresistível, não nos resta muito a fazer a não ser se encasular sob mantas e cobertores, numa caverna escura e funda, a que chamamos de quarto e, enquanto esperamos a chuva passar e, quem sabe, o verãozinho retornar, hiberna-se.
E enquanto hiberna, ele viaja. Passeia por estranhas versões deste nosso mundinho. Volta por uns instantes para sua casa e vê os digníssimos governantes, em algum evento oficial, para inaugurar, com toda pompa e circunstância, um novo projeto na Ponta do Eymael. “Mas... por que na Ponta do Eymael?”, ele se pergunta. “E não seria Ponta do ISMAEL?!” Ele, pelo menos, ouvia chamarem assim...
Depois, subia a ladeira, no avançado da noite, entre a estação de metrô do Centro e a da avenida Louis Pasteur, para encontrar uma pessoa conhecida...(?) não encontrando o que havia ido procurar, voltava, em pleno dia, pedalando perigosamente por entre os carros, em meio a um trânsito pesado, ao qual não se lembra de estar habituado, passando por prédios dos quais não tem certeza se conhece, descendo a ladeira de volta, sentindo-se desconfortável com a sensação de que aquela ladeira sequer deveria existir.
Depois, ele ia a um restaurante elegante, vestido igualmente elegante, para encontrar com você, com a bela morena por quem ele se perde, de vez em quando. Ou será que estão na praça de alimentação daquele shopping, em frente ao qual vocês se viram uma vez? Bom, tanto faz, na verdade ele tem alguma noção de que, na verdade, ainda está na sua caverna escura, encapsulado nas suas cobertas, hibernando e sentindo os pés gelados, mesmo com os dois pares de meias. Ele até tem a impressão de ter já escrito isso, em algum lugar!
O frio ainda não foi de todo embora, a chuva ainda cai pesada, lá fora, mas o fim de semana, enfim, se acabou e ele tem de levantar-se, então ele acorda. Sentindo-se estranho, por estar ali, por ter sentido como real tudo aquilo que ele viu durante a sua hibernação. E o que será sonho, o que será real? Ou poderia mesmo ele ter se transportado para outros mundos, durante aquele final de semana? A gente se pergunta, se ficamos o tempo todo dentro da caverna, ou se realmente perambulamos por ruas e lugares que nos pareceram familiares e ao mesmo tempo desconhecidos. O que é sonho, mesmo, e o que é real? A gente se pergunta... e imagina, para onde vão nos levar, na próxima hibernação.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Saber, eu sei...

Eu sei exatamente o que quero, só não sei como chegar lá. Talvez ninguém saiba direito. Não sei bem como falar, não sei bem o que lhe falar. Escrevo porque, às vezes, me parece mais fácil colocar no papel o que me vai pela cabeça, essas maluquices todas aí, o que vai pelo coração.
Vejo fotos de belas paisagens, clipes musicais, onde aparecem aeroportos, pessoas pegando a estrada, se despedindo, se reencontrando e sinto uma vontade doida, eu quero, tenho a sensação de que preciso estar lá, preciso viajar, ver outros portos, outras pessoas, mudar de ares, voltar pra casa, aquele velho lugar, onde tive alegrias e dissabores, mas que sinto em meu coração que é meu lugar.
Ouço uma música e ela fica gravada na minha mente, fica tocando em looping contínuo, cantarolo aquela estrofe, porque me faz pensar em você, te quero em meu mundo, quero um cantinho no teu... eu sei, é confuso, sim!
Eu quero dormir, os olhos pesam, quase como se a noite anterior eu não tivesse dormido. Quero dormir, pelo tempo que for, quero dormir até te reencontrar, até achar uma forma de ir até você, quero dormir para poder sonhar e quero sonhar só se for com você!
Passo horas olhando fotos, passo boa parte do meu dia pensando no que dizer, depois que digo, me sinto um tonto, acho que poderia ter dito algo melhor. Olho os contornos e imagino o que queria fazer, beijar e acariciar o tragus da tua orelha... sim, eu sei que não devo. Ou será que devo?!
Quero agora te fazer um agrado, te fazer sorrir, te fazer todas as vontades, estar por perto, ser menos complexo – ou me sentir menos assim, confuso – não me sentir mais incompleto, não ter dias incompletos, quando não te vejo, ouvir Scracho na tua voz e, quem sabe, fazer um dueto contigo. Quero viajar, te levar, nem que seja na saudade, virar o mundo de cabeça pra baixo ao teu lado. Quero te fazer um jantar, um almoço e o café da manhã, te encontrar pra um cinema, ir ao show com você, filmar e botar no Youtube. Quero não fazer mais nenhum sentido, só quero alguns desejos atendidos, atender alguns outros, tipo gênio de Alladin, quero teu sorriso, não importando se sou eu o motivo. Sim, é só isso que quero, só isso que peço, todas as noites, a essa força cósmica, a Deus. Sei bem o que quero, só não sei direito é como faço pra conseguir!

Será que Esquecemos de Alguma Coisa...?

Sim, sim, tô sabendo... os Jogos Olímpicos já terminaram, teve festa de encerramento e tudo, com as Spice Aunties mostrando que ainda batem um bolão e tals. Já faz umas duas semanas, mais ou menos. Uns dois meses antes dos Jogos, as expectativas quanto a chances de medalhas por parte da delegação brasileira eram imensas, alimentadas exacerbadamente por uma certa rede de tv. Muito justo, já que nossos atletas são todos os mais bem-preparados, pela própria vida que levam, mas nunca antes, na história deste país, tivemos tantos atletas de ponta, nem se investiu tanto no esporte brasileiro... e por aí vai! Ah e nem se fez, jamais, uma transmissão da Olimpíada como foi essa de Londres, tão completa, tão emocionante, tão, tão... ah, sei lá, são tantos adjetivos para qualificar! Só a conhecida rede de tv, ligada a uma certa igreja, poderia fazer tão bem a transmissão de um evento tão importante.
Enfim, encerrou-se mais uma Olimpíada, mais expectativas foram frustradas, principalmente pra você, que acreditava no futebol da seleção do Mano (eu não o considero técnico pra seleção brasileira e ademais, acho que deviam separar e preparar uma seleção olímpica, independente da seleção pra Copa do Mundo). Algumas críticas aos atletas se fizeram ouvir, algumas soaram injustas, evidenciando que, bem... a despeito de uma certa inveja, por parte de outras grandes redes midiáticas, ficou demonstrado que o investimento, feito pelo governo e autarquias públicas federais foi mais em propaganda que nos atletas, em si. Ou, quem sabe, esqueceram de avisá-los, não é?! Quem sabe, quem sabe! Enfim, sabe-se lá por quê, nem todo mundo sabe que as Olimpíadas não se resumem ao futebol, vôlei, basquete, atletismo e natação! Menos ainda que, tirando os dois – talvez os três – primeiros esportes citados, no Brasil não existe um investimento tão grande em outros esportes menos conhecidos e divulgados, também pouquíssimos incentivados. A maioria das pessoas não fazemos ideia do quanto custa, para um Esquiva Falcão, ou uma Fabiana Murer, participar de uma Olimpíada, como a de Londres. Geralmente, os custos são bancados pelos próprios atletas – sim, amigo, tem esportista que paga do próprio bolso pra representar nosso país em competições internacionais como esta.
Ok, enfim, mas os Jogos Olímpicos já se acabaram, já estão todos de volta em casa, discutimos um pouco a importância de mais incentivo para o esporte, a fim de formar atletas de ponta, melhorar nossa colocação no quadro de medalhas das próximas competições, coisa e tal, passa uma semaninha e esquecemos do assunto por mais uns quatro anos. E não se fala mais nisso! Mas... espere um instante... espera só um pouquinho... ninguém tá falando nada! Ou será só impressão?! Bem, mas... há uns quatro anos, você se lembra...? Não, que me lembre, nenhum canal chegou a transmitir as competições, mas chegaram a mencionar alguma coisa... sim, divulgaram, sim, alguns resultados, a colocação do Brasil no quadro de medalhas, etc. Não tinha tido uma Para-olimpíada em Beijing, cidade-sede dos Jogos Olímpicos anteriores a esses que houveram em Londres?! Será que este ano não teve, não rolou? Ou nossos atletas nem foram, desta vez?! Porque, né... bom, mas que se saiba, já faz alguns anos que há Olimpíadas e, logo em seguida, as Para-olimpíadas! E, se rolaram jogos para-olímpicos, por que não sai uma linha nos jornais, sobre o assunto? Por que a rede de mídia oficial dos Jogos Olímpicos no Brasil não tem nem divulgado o quadro de medalhas? Onde estão nossos destaques? Em 2008 ainda chegaram a apresentar alguns, teve aquele menino, que sofria de uma deficiência mental, ou psicomotora, que tinha trazido algumas medalhas de ouro, na natação para-olímpica. Ou estarei equivocado...? Ele não apareceu naquele programa dominical de esportes, de uma rede de tevê carioca, ou no programa matinal da apresentadora Ana Maria Braga?! Sei lá, pensei...
Bom, enfim, de qualquer forma, seja qual for o motivo para não se divulgar ao menos os resultados – o que, a meu ver, é um desrespeito maior do que aos esportistas “convencionais” que, se esses já não têm muito incentivo, imagine para um para-atleta, que, além da já patente falta de interesse e incentivo, tanto por parte do poder público, como por parte da iniciativa privada, além sofre com a falta de acessibilidade, dentre outros problemas! Ok, ok, isso não é considerado importante, mesmo, quê que a gente tem que ficar aqui falando? Tudo foi lindo e maravilhoso, em Londres, será ainda mais lindo na nossa casa, bora parar de reclamar, então! Acho que só eu senti falta dos para-atletas, mesmo... mas tudo bem, deixa pra lá, agora vem eleição e Copa do Mundo, vamos enterrar o assunto e deixá-lo dormindo por mais quatro anos, como sempre! E segue o barco!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Oração

Senhor, agradeço por mais um dia que, se não foi do jeito que eu queria, também não foi um desperdício, nem um mau dia, me deste algumas surpresas e alegrias, como é de praxe!
Peço a Ti que me envies bons sonhos, agora que me preparo para dormir, me permita o merecido e repousante descanso e que me renoves as forças, para que amanhã possa viver mais um novo dia.
Sei que posso não ser ainda merecedor, Senhor, mas peço-Te, por intercessão da Mãe Aparecida, que a fortuna que almejo me seja dada, ao menos a parte que me caiba. Se possível for, realiza esse milagre, Senhor, traz, assim, a tranquilidade ao peito de minha mãe e diminui suas preocupações. Ao menos, dá-lhe mais resignação, para aceitar o que ainda não puder ser mudado e a paz de espírito.
Senhor, abençoa e conforta a minha família, àqueles cuja relação se encontra no sangue e àqueles cuja relação está além da carne. Abençoa meus irmãos de sangue, de afinidade e de espírito. Abençoa, Senhor, aquela cujo sorriso me alegra os dias, leva até ela, Senhor, um beijo meu e deposita-o em seus belos olhos.
Peço-Te o milagre, Senhor, permite que não Te esqueça e que, diante das vicissitudes, não esmoreça. Envia-me, no momento do meu sono reparador, Tua mensagem e ensinamentos, para eu refletir e acordar melhor, amanhã pela manhã e todos os dias, como tem sido, até hoje. Assim seja.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Só no Stalk

Antes tivesse ficado só no stalk... stalkear agora é crime, mas em verdade, em verdade, todo mundo stalkeia todo mundo; eu stalkeio você, que stalkeia ele, que nos stalkeia, que stalkeamos o sujeito aquele lá.
Stalkear é esporte, se stalkeia pessoas que curtam as mesmas coisas que a gente, stalkeia-se aquela pessoa cuja vida pareça um pouco mais interessante que a nossa... ou aquela que, até postar as fotos daquele show que você queria muito assistir, daquela banda que cê ama de paixão, você nem imaginava que ia nas mesmas baladas que você!
Stalkear só é perigoso pra você, que está sendo perseguido(a) nas redes sociais em casos raros, em algumas exceções, porque todo mundo tem suas loucuras, mas os maníacos ainda são a minoria – salvo algum equívoco nosso. Stalkear é muito mais perigoso pra quem stalkeia do que para quem é stalkeado. Porque, tudo começa de forma inocente, você começa a stalkear a menina, ela, mesmo que não queira, mesmo que de longe, te fascina, você se afeiçoa, se interessa demais, além do além, por cada passo seu e quando dá por si, não está mais apenas lhe seguindo os passos, não se contenta mais em interagir só um pouco, se chateia quando ela não aparece, sente sua ausência como algo triste, torna-se quase dependente e carente dela na sua timeline, como se fizesse parte da sua vida... e é mesmo como se fosse! Num belo dia, você percebe que não é mais o seu stalker... que na verdade está a vendo até nos seus sonhos, que está pensando nela o tempo todo, desde a hora que acorda até quando vai dormir. Você vive uma paixão platônica, incontrolável, por ela. E isto é muito mais perigoso que apenas stalkear! É, amigo... antes você tivesse ficado só no stalk!


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Votar no Pitoresco

Hoje pela manhã, caminhando na direção do Centro da cidadezinha onde moro, escuto um carro de som passando, tocando o “jingle” de um candidato a vereador. Não lembro o nome do sujeito, apenas lembro dos adesivos e do número 14 do PTB, Partido Trabalhista Brasileiro. O “jingle” foi o que me chamou mais a atenção, por ser uma versão da canção-tema do desejo Bob Esponja Calça Quadrada. Proposta pra quê, não é?! Será que ele merece o meu voto?!
Sapucaia do Sul, uma pequena cidade pertencente a região metropolitana de Porto Alegre, cortada pelo trem urbano, chamado por alguns de “metrô de superfície”, você pode se deslocar do centro dessa cidadezinha ao centro da capital em pouco mais ou menos de 50 (cinquenta) minutos.
Ainda assim, essa cidade me remete a outra, em outra região do país: Iranduba, no Amazonas! Só que lá não havia nenhum trem para ligar o centro do município ao de Manaus. Não havia, bem dizer, nem estrada! Agora há uma ponte, ligando as duas cidades, ou seja, há ainda uma explicação plausível para o jeito interiorano deles... e quanto a Sapucaia? Qual a desculpa?!
A cidade só tem uma emissora de rádio “popular”. Para o Ibope, e outros institutos de pesquisa, simplesmente não existe. O povo ainda está na era Orkut e não é muito dado a discutir política. Há uma única empresa de ônibus, que não é muito dada a cumprir horários, ou discutir o aumento das tarifas. Nem pense em pedir-lhes passe livre em feriados e datas de eleições! A Câmara de Vereadores mais onerosa da região metropolitana é a de Sapucaia do Sul. Talvez venha a ser a mais onerosa do Estado, até as próximas eleições majoritárias. E quase ninguém questiona isso, parece até que poderia questionar, desde que, em vez de sair na imprensa local, dessem uma notinha num dos blocos do Jornal Nacional.
Há cinco candidatos à Prefeitura Municipal, neste pleito, de cujos quais, um é o atual prefeito, concorrendo à reeleição, outro é o ex-prefeito, sobre o qual recai a suspeita de corrupção e ainda outro que apareceu, há mais ou menos duas semanas, numa reportagem que denunciava, em rede nacional, funcionários fantasmas recebendo gordos salários na Assembléia Legislativa do Estado, sem sequer baterem ponto. Os outros dois, bem, parecem desconhecidos, mas são velhos conhecidos da política citadina, nos quais ninguém deposita muita confiança. Nada que encoraje o eleitor mais criterioso a escolher um candidato e confiar-lhe o voto, nem no poder executivo, nem no legislativo.
Gostaria, até, que essa cidadezinha, aparentada da pequena Iranduba, na mentalidade, fosse menos passiva, politicamente. Que se discutisse uma cidade realmente melhor, em vez de usar-se o dinheiro do município pra apoiar o clube de futebol local, ou encher de cargos sem função determinada na rede de saúde. Gostaria de estar em outra cidade, que me título de eleitor tivesse sido mudado para lá, onde ao menos alguém parece merecer meu voto; um amigo das redes sociais, cujos ideais se assemelham um pouco com os meus. Gostaria, sobretudo, de ver como as pessoas que usam as velhas frases feitas de sempre, para justificar a inutilidade do voto nulo justificariam a obrigatoriedade de ter de escolher um, um candidato que seja!, numa cidade onde o jogo político ainda é o de políticos sem proposta tentando ganhar teu voto na base da simpatia (ou do menos antipático) e do “pitoresco”.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

SOLTEIRO

Ele teve, até hoje, um... só um! Talvez dois... dias dos namorados para comemorar. Ele não lembra direito, porque faz tempo, muito tempo... ele não teve muitas namoradas, até hoje, para presentear, ou comemorar o Dia dos Namorados... ele não gosta muito nem de falar a respeito, prefere esquecer.
Há muito, muito tempo, ele está sem paquera, amizade com “vantagens”, ficante, ou namorada. Há tempos que não há nenhum relacionamento eventual, ou sexo casual – que aliás, nunca teve, mesmo, nem nunca sentiu falta disso em sua vida, mas enfim!
Então, num belo dia, ele olha no calendário, vê alguma 'hashtag' nas redes sociais... quer dizer, então, que hoje é seu dia, é isso?! Sério mesmo?? Dia do Solteiro?!? Deveria ficar, mesmo, feliz por ter uma data no calendário, acaso deveria comemorar?! Por quê...?? Ele está solteiro, sim. E já há um bom tempo. Bom, na verdade, desde que se entendeu por gente. Já faz alguns anos, desde que teve seu último relacionamento sério, estável... desde então, tem se encontrado só. Teve algumas paqueras, no meio do caminho, mas isso também já faz algum tempo.
Bem, anos atrás ele ficava chateado, por não poder comemorar o Dia dos Namorados e nem o Valantines Day americano, de uns tempos para cá é que ele mudou sua postura: ok, não tinha alguém ao seu lado, ultimamente, muito menos na data, não a comemoraria, mas também não ficaria chateado por isso. Era só um dia... quanto a essa outra data... Dia dos Solteiros?! Ainda lhe parece inacreditável.
Todos seus dias são os dias de um solteiro, que trabalha, estuda, passa os finais de semana na casa dos pais, escapa uma ou outra noite, para um cinema solitário, com um pacote de pipoca e um refrigerante; ou um happy hour com ozamigos... às vezes lembra, com uma certa nostalgia, dos relacionamentos passados... mas, sem dúvida, não quer voltar atrás. O que passou, passou, e foi bom! Mas já foi. Tem uma menina, por quem está encantado, tem-se sentido atraído, talvez até esteja apaixonado por ela. Pensa nela quase o tempo todo, sonha com ela, algumas noites, curte quando ela curte algo que posta em seu mural, mas... é apenas um flerte platônico. Algumas vezes vê os casais e sente falta de, com alguém, formar um par... outras vezes, se ressente por estar sozinho, ter de fazer todas as coisas só para um... e quase tudo o que faz, ele faz sozinho! Não há ninguém para importuná-lo, em compensação, não tem ninguém por quem se preocupar, também. Todos os dias, ele sabe que está solteiro, então, por que uma data a mais para lembrar-lhe que é “forever alone”?! Não, ele resolveu que esta data, não se comemora... não tá afim! Quem sabe outra hora...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

DEZENOVE

Meus pais são de outra época. De outras épocas, pra falar a verdade! Meu pai veio ao mundo em 1926. Minha mãe, em 1945. É, algumas coisas das quais a gente só ouviu falar, nas aulas de história, eles chegaram a vivenciar... dezenove anos de diferença entre os dois... o mesmo tempo faz que ele se foi: junho de 1993! Longínquos dezenove anos...
Creio que aprendi mais de História do Brasil – e Universal, também – com ele, do que nas próprias aulas. Ele era moleque, quando espocou a Revolução de 1930, viveu infância e adolescência nos anos da 2ª Grande Guerra, viu a grande enchente de 1941, morou no Rio de Janeiro, quando ainda era capital federal...
Seo Antônio Ayrton ensinou muita coisa, da mitologia greco-romana – e indígena brasileira, também – da História, da Bíblia, da literatura, da vida e do coração. Ensinou muito de política: a discernir esta da politicagem, os tons de cinza entre o preto e o branco da dicotomia ilusória da vida, do futebol e da política, etc. Por vezes, dava a entender que gostava do estilo de vida americano, outras vezes, demonstrava uma certa admiração pelo modelo soviético – ele viu o mundo se dividir entre as duas visões, após a guerra e viu uma delas ruir com a queda do muro, jovens! Dessa forma, ensinou a ver o lado positivo e negativo que há em todos os sistemas políticos, porque, sim, todos eles têm esses dois lados!
Ensinou e vem ensinando... talvez, sejam apenas sonhos, que misturam ideias e pensamentos maturados, sobre diversos assuntos com lembranças dele; talvez sejam mesmo mensagens de muito além, trazidas por ele para refletir... quem sabe, ensinamentos que ficaram arquivados na memória, meio esquecidos, até que vêm de volta à tona... com ele aprendi a não desacreditar, nem descartar apressadamente nenhuma possibilidade, ou explicação. De qualquer forma, mesmo dezenove anos depois, continuo aprendendo com meu pai.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Não Diga Não Precisa

Têm músicas que nos marcam, que não gostamos, apenas, que somos tocados, às vezes mais pelas emoções e lembranças que elas suscitam do que pela letra, ou melodia. Têm músicas cuja harmonia e melodia me atraem, primeiramente, depois, vou procurar prestar atenção e compreender a letra. Há aquelas músicas que, na sua totalidade, já nos cativam, letra e melodia. Imagino que entenda o que quero dizer, você disse “Ludov é vida”. Realmente, da primeira vez que ouvi, não tive dúvidas disso, a identificação foi imediata.
Um mistério, no entanto, são aquelas músicas que você nem gosta... que não é exatamente o estilo que te atrai... mas que, num dia, você se pega ouvindo, porque, bem, não tem pra onde correr, não tem como se esconder... e acaba que você presta atenção no que diz a letra... e daí que rola uma identificação, digamos assim, com o que fala a canção!
Não gosto. Mas, no ano passado, escutava quase o tempo todo, estava na moda, aquela cantora sertaneja, não tinha pra onde correr, pois até no shopping tocavam sua música. Aí ocorre outro fenômeno, semelhante ao do inverno, milho e ervilha no xis, etc: você não gosta... mas se acostuma! Continuo não gostando das músicas dessa moça, continua não sendo meu estilo, apenas me acostumei.
Nesses momentos, você baixa a guarda, você está tão acostumado a ouvir aquilo que, num belo dia, se pega prestando atenção na letra daquela música e começa até a achar que aquilo faz algum sentido. Às vezes é porque você está meio fragilizado, com os sentimentos à flor da pele. Não é que você vá passar a gostar daquela música, mas alguma coisa, talvez o refrão, te chama a atenção e acerta na veia, encontra a brecha no coração para reverberar: “Mas tem que ser assim, é seu meu coração, não diga não precisa, ahahaaa!”
Sim, acredito que pode-se dizer que encontrava-me fragilizado, quando a música me chamou a atenção. Senti como verdadeiras aquelas palavras, como sentia verdadeiras as que eu mesmo tinha dito, afinal, não se chama uma mulher de musa à toa, nem impunemente... mas enfim! Talvez continuo “fragilizado”, tenho sempre os sentimentos transpirando pelos poros, mas o coração, bem, digamos que mudou de mãos... e a canção, não tenho mais ouvido com tanta frequência. A ouvi, ainda outro dia... estava deitado, de manhã cedo, naquele momento em que se acaba de acordar e fica-se refletindo um pouco, sobre a noite, sobre como vai ser o dia, sobre a vida, pra só depois levantar. Nesse momento, me retive em outra estrofe da música, sem querer, me peguei a analisá-la: “Eu já sonhei com a vida, agora vivo um sonho, mas viver ou sonhar, com você, tanto faz...”
Pensei comigo: “não tanto faz coisa nenhuma!” Te conheço há pouco, te vi poucas vezes, mal nos falamos, nosso convívio é mais através das redes sociais, foi por lá que te conheci um pouco mais, a minha playlist tem se modificado um tanto em função dos sons que vou descobrindo por teu intermédio, direto, ou indireto... mesmo assim, sabendo tão pouco de você, não considero indiferente, não acho que dê na mesma coisa! Preferiria muito mais viver a sonhar com você. Não que sonhar contigo seja ruim, sempre é bom, lembro até do primeiro sonho, neles tudo sai perfeitamente como a gente imagina e gostaria que fosse e tal... mas, conviver, viver com você, dividir e trocar experiências, mesmo que não corresponda às expectativas, é melhor que o sonho, sempre! Pra mim, não é indiferente, se me for dado escolher, preferirei mil vezes viver a sonhar.






segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Playlist

Preciso de um rádio. Ou de um aparelho de som, ou daquelas caixinhas auto-falantes, que os camelôs têm vendido, em tudo quanto é canto. Qualquer coisa que toque música, que dê para montar uma playlist e deixar tocando a noite toda. Qualquer coisa que possa sintonizar, até mesmo, aquelas rádios que tocam musiquinhas de elevador, de sala de espera de consultório de dentista... é que não posso ficar no silêncio, não aguento ficar sem música. E tv, para mim, serve para bem pouca coisa, mesmo. Nada me entretem mais que música... bom, talvez o Sim City Social!
Afinal, quem disse que precisamos de silêncio absoluto pra conseguir relaxar, concentrar-nos, refletir, etc? Eu só consigo isso com algum som, que de preferência seja música. Eu sei o que dá certo comigo, o silêncio externo não contribui para que o interior silencie, simples assim! Já tentei relaxar no silêncio profundo. Tentei me concentrar. A mente não sossega, fica dispersa. Às vezes preciso me concentrar, estudar, ler um texto, qualquer coisa assim... pra dormir, preciso de música!
Há dias que perco o sono no meio da madrugada e, no horário em que deveria estar acordando, sinto-me sonolento, cansado e com dificuldade para acordar. Uma semana atrás, isso não vinha acontecendo! Eu deixava o rádio ligado e ia dormir. Tinha um sono tranquilo e restaurador, acordava completamente descansado e de bom humor. Não tinha sono agitado, nem sonhos confusos... alguns eram com ela... a morena bela, a quem minha mente e meu coração se rementem, quase sempre que o rádio toca... qualquer música – boa – já me remete a ela. E me relaxa, me acalma o coração. Minha playlist tem “namorado” com ela, ou com a sua, ultimamente. Algumas das suas músicas agora são minhas, também. Com outras, tenho que me cuidar, ou passo os dias de olhos marejados... enfim, o que me deixa triste é ficar sem música! É o que tem me deixado irritadiço, mal dormido, mal-humorado. Preciso dormir ao som da playlist!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Pra Te Namorar


Oro toda a noite a Deus, Jesus, Buda e Nossa Senhora, para ter um amanhecer melhor que o anoitecer em que adormeço. Oro por todos os amigos, por alguns familiares e por você... penso em você quase todo tempo, penso se estará bem, oro para que esteja.
Oro toda santa noite pra encontrar aquilo que prometi procurar e levar pra você. Pra voltar para o Norte logo, o mais rápido possível, pra ser este o último inverno que enfrento inteiro. Pra voltar a te ver, mesmo que só uma vez mais... de preferência, poder te ver todos os dias, de então até o resto da minha vida.
Pra poder te abraçar, pelo menos uma vez. Melhor se forem duas, ou três! Pra passar uma tarde andando lado a lado, de havaianas, na areia fina da Ponta Negra. Pra conversarmos, sentados em meio à praça de alimentação dalgum shopping. Pra ir ao cinema com você, ver algum filme que queira(mos) muito ver. Pra te levar na micareta, no reagge, na rave, ou no show de rock, quem sabe dos Kooks, ou Ludov. Pra não deixar os olhos marejarem quando ouço uma música aí, daquela banda, Scracho. Pra meu colo te servir de travesseiro, para um cochilo, quando estiver cansada. Pra poder segurar tua mão, quando sentir-me fraquejar. Pra meu ombro ser teu apoio, quando sentir-se triste e quiser chorar. Pra você “se arriar”, quando meu time perder, e eu “me deitar”, quando for o seu. Pra eu demonstrar, sem receios, o efeito benéfico no meu emocional, toda vez que te vejo sorrir... e pra ser, de vez em quando, o motivo por trás desse belo sorriso. Pra sentir ciúmes sem me envergonhar, a não ser quando forem exagerados e/ou sem sentido. Pra discutirmos por algum motivo, mesmo que tolo, e nos reconciliarmos, assim que te fosse possível. Pra balançar contigo em uma rede, ao fim da tarde. Pra passar frio, te emprestando minha jaqueta jeans, numa noite gelada de inverno. Pra fugirmos a alguma praia, ou cachoeira, nos dias de verão.
Mas eu peço, em minhas orações, apenas uma coisinha, só, só isso, só pra... pra te namorar!