PESCANDO NO BODOSAL

quinta-feira, 31 de março de 2011

OUVIDOS DE MERCADOR - MEMÓRIA DE ELEFANTE

    Ouvido seletivo?! Ah, sim, acredite nisso, minha querida. Você fala o que bem entende. Me desanca na frente das amigas e eu nem tiligo. Finjo-me de bobo, finjo que não é comigo. E não é mesmo. Mesmo assim, você fala na minha frente. E finge que é de outra pessoa que estão falando. Ok! Finjo que sou o otário que você pegou "por pena", chego a babar na gola da camisa, pra dar mais verossimilhança. Mas estou escutando cada palavra, cada riso de escárnio, cada suspiro, cada entonação dada a cada palavra. Gravo e salvo numa pasta, onde mais tarde tudo será analisado minuciosamente. Eu memorizo cada coisa e guardo para mim. Não falo nada. Até quando julgar oportuno. No momento certo, falo com você, te pergunto daquele dia, coloco na mesa cada palavra que fora dita, até a entonação utilizada. Você se espanta: mas então, eu ouvi e guardei tudo? Tudo mesmo?? É... eu não tenho ouvido seletivo coisa nenhuma. Você procura, consciente, ou inconscientemente, descobrir isso SEMPRE da pior maneira. Insiste em me fazer questionar a veracidade das teorias em que um dia acreditei, de que está num patamar evolutivo ligeiramente acima do meu. Detesto que você haja assim, quando esperava de ti um pouco mais... de consideração, pelo menos! Mas adoro te ver constrangida, ao deparar-se com algo totalmente inesperado... porque, afinal, sou homem! DEVIA ser igual a todos os outros... e agora que você viu que descartou depressa demais, o que fazer?! Você inverteu os papéis. Te vejo como você me via. E sei que não estou enganado. Quem é que deveria ter memória seletiva, mesmo...?!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Diário de Bordo


Deus, como ela é linda! E como adoro ficar apenas admirando-a, adorando-a, em seu pequeno avatar, nas fotos de seu perfil nos sites de relacionamento... você sabe os nomes, talvez de mais sites do que os que já conheço. Pois na internet a gente interage, através desses sites, de vez em quando, só que... enfim. Só posso olhá-la por suas fotos, admirar sua grande beleza, sua perfeição... seu doce olhar, sua boca, seu nariz, seus cabelos longos... seus braços, suas pernas, seu corpo, suas roupas... é, sim, ela é linda e se veste muito bem! Ao menos é o que as fotos mostram.
Nossa, eu adoro ficar um bom tempo só olhando suas fotos, adorando-a, admirando o seu sorriso, seus olhos castanhos... só lhe admirando, mesmo. Diferentemente de outros amores platônicos que tive, não tenho imaginado encontrar-nos, não tenho idealizado nada de romântico e perfeito. É difícil projetar isso. Na verdade, nem consigo pensar em muita coisa, quando vejo sua foto, quando a vejo, digamos assim. Então, como imaginar, idealizar um encontro romântico e perfeito, quando sei que o encontro mais provável é aquele em que eu fique paralisado, estaqueado, suando frio, na testa e nas mãos, com borboletas dançando maracatu no meu estômago, sem conseguir dizer-lhe palavra, ou talvez, com um esforço hercúleo, o máximo que consiga seja lhe dizer um “oi” estrangulado, e só! Ainda mais que aumentarão consideravelmente as chances de eu vê-la passando pela rua, logo mais, daqui há poucos meses. Difícil imaginar... projeções românticas, coisa e tal... é curioso, sou perdidamente apaixonado por ela, com as paixões platônicas anteriores era relativamente fácil criar ambientes e projeções ideais, mas ela me hipnotiza de tal forma que... não consigo!
Pensar nela, à noite, é temer ser reconhecido por ela, por exemplo... e outras coisas, frutos da minha baixa auto-estima e insegurança – que até hoje já se mostrou, diversas vezes, bem fundamentada. É lembrar do seu sorriso, do seu olhar, que me hipnotizam e enfeitiçam, toda vez! E algumas vezes, ao lembrar seu rosto, seu olhar, me emocionar quase às lágrimas. Basta, às vezes, ela interagir só um pouco, ou apenas aparecer, que também me emociono indo quase às lágrimas. Pode ser ridículo – e na verdade, é mesmo – mas enfim, é assim que me sinto, em relação a ela. Meu coração bate mais forte sempre, toda vez que a vejo. Já disse aqui, o quanto isso parece estranho, até mesmo para mim?!
Quanto à possibilidade de nos vermos, ou o mais provável, eu a ver, em alguma de minhas voltas pelo Centro, imagine você, essa está perigosamente próxima. Até que enfim, terei uma coisa que não tenho há muito, muito tempo: férias! Um mês inteirinho, acredita?! E nessas férias, vou fazer a viagem que tenho adiado “até as coisas se ajeitarem” já há quase quatro anos. Ok, uns três anos e meio! Porque as coisas, enfim, não estão ainda bem azeitadas, mas estou trabalhando pra isso, e para planos mais elaborados. De qualquer forma, é uma viagem que não podia mais ser adiada. Tenho estado sem dormir direito, ultimamente, ansioso para que a tão esperada viagem chegue logo. A angústia começou a me sufocar, decidi que tentar esperar até o final do ano não seria uma boa idéia, já não sou muito normal, mas sinto que poderia estar enlouquecendo de forma irreversível. Então, decidi não adiar mais muita coisa, este ano. É, já estava sentindo-me como se estivesse adiando minha própria vida. Precisava ser mais agressivo nas minhas resoluções.
Quanto a declarar minha paixão, perdoe-me, minha musa inspiradora, ainda não será desta vez. Aos curiosos, resta imaginar quem é ela. E quanto ao local da minha viagem... bem, se não sabe, só saberá quando eu já tiver partido!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Xenofobias e Desconhecimento


Passam pela praça e acho graça. Falam mal de mim e eu acho graça. Falam mal do Sul... e já não acho mais nenhuma graça. Falam mal do Nordeste e eu não acho nenhuma graça. E fale mal do Norte perto de mim, se quiser arranjar briga!
Nasci gaúcho, do Estado do Rio Grande do Sul, portanto, sou do Sul. Morei em Manaus, por escolha e por identificação, que aí já é uma coisa que vai do coração, me tornei amazonense, portanto... sou do Norte, também! E dizia meu pai que seu avô teria vindo da Europa, talvez da França, ou de Portugal, mesmo... e teria se estabelecido aqui no Brasil, talvez lá por Pernambuco, ou pela Paraíba... nem ele sabia direito. Acho que nem chegou a conhecer o avô, deve ter ouvido o pai dele contar essa mesma história. Bom, mas enfim, presumindo que seja verdade, tenho também um pé no Nordeste, portanto. O que importa mesmo é que sou brasileiro. Não importa o que digam lá pelo Eixo do Mal. Até prova em contrário, sou brasileiro, sim. O falar mal, a idiotice, a deselegância, a piada de gosto duvidoso e de cunho preconceituoso e pejorativo, por fim, a xenofobia me causam muitos dissabores e deixam meu humor ligeiramente – ou bastante – bilioso. Sobretudo a xenofobia. “Ah, mas xenofobia é quando se odeia o estrangeiro, o estranho...” Não, o ódio irracional por pessoas que são do mesmo país que você, mas vêm de uma determinada cidade, ou região que não é a sua, pode ser considerado xenofobia, sim.
Como naquele caso do ódio contra os nordestinos, manifestado por uma aluna universitária paulistana, no site twitter, após a confirmação de que Dilma Rouchefe havia sido eleita presidente da República. Sou da teoria, ok, um pouco xenófoba, de que o paulista, o paulistano, principalmente, é quem gasta, é quem consome produtos e serviços, é quem faz a grana girar, quem movimenta a mola da economia. Quem realmente trabalha, no Estado, ou na cidade de São Paulo, é, sempre foi o nordestino. Nos últimos trinta, ou quarenta anos, também os nortistas, os cariocas, os gaúchos, os mineiros, os paranaenses... e por aí vai! Sabendo disso, ou não, aquela garota usou a eleição da atual presidente apenas como pretexto. Pra quê...? Ora, pra manifestar a sua intolerância, que nós sabemos ser de muitos, contra aquela gente que “invadiu” e tem “invadido” sua terra há anos, que têm “dominado” e “colonizado” culturalmente a sua grande e próspera cidade, que é próspera por que, mesmo?
Enfim, mas é fato, não se ofenda. É assim que eles pensam, tive várias demonstrações disso, conheço vários casos. Ademais, queiramos, ou não, todos somos xenófobos, em maior ou menor escala. Ou ninguém ainda se perguntou por que chamo o eixo Rio – São Paulo de Eixo do Mal? Há motivos que considero bastante razoáveis, para chamá-lo assim, mas em parte, há, sim, um certo preconceito e uma má-vontade para com nossos parentes paulistanos e cariocas. Sim, também acho paradoxal, detestar tanto a xenofobia e ser, ao mesmo tempo, um pouco xenófobo... mas enfim!
Muita gente tem confundido vacilo com xenofobia. Não é a mesma coisa, não, viu! Um bom exemplo disso é o episódio, já mundialmente conhecido, do Santa Etelvina ao Belém Novo, do baterista (?!) da bandinha de tinta guache Restart que, comentando sua expectativa em fazer um show em Manaus, no início do mês que vem, soltou a seguinte pérola: “que eles não sabiam como seria, se lá havia gente, ou civilização, e seria muito legal fazer um show no meio da floresta.” Sim, se estou bem lembrado, era mais ou menos isso mesmo. Claro, eu entendo, creio que toda indignação do povo amazonense é digna diante de tamanho absurdo, tamanho disparate. Mas tal disparate não foi cometido na forma de uma piadinha sem graça, um gracejo pejorativo e preconceituoso, como aquele feito por aquele famoso canastrão norte-americano, ao falar do nosso país. Naquele caso, sim, foi uma brincadeira, de muito mau-gosto, preconceituosa e xenófoba. Não foi o caso desse menino da Restart, o caso dele foi de absoluta ignorância! E um pouco de ingenuidade, também, ao falar a primeira merda que lhe veio à mente.
Mas enfim, a fúria e a indignação do povo amazonense foi, sim, justa, mas isso até muitos dos que se manifestaram contra a banda, pelo que pude acompanhar, através de páginas de comentários e em grupos de discussão, em blogs, começarem a confundir os canais, acharem-se vítimas da, já demasiadamente citada aqui, xenofobia por parte desses garotos, revidando, por sua vez, com mais xenofobia, incluindo em sua ira sem direção todo o Sudeste e Sul do país. Sem direção porque, primeiro, se somos vítimas da xenofobia alheia, neste país, é principalmente por conta do Eixo do Mal. Não inclua goianos, gaúchos, mineiros no seu ódio regionalista. Em segundo lugar, não finja que conhece o Sul do Brasil, que eu não finjo conhecer o Norte, ok? Estamos combinados assim?! Pois que vi a manifestação completamente equivocada de uma leitora de um blog aí, destilando seu ódio regionalista contra o Sul e Sudeste do país, mesmo dizendo-se nascida no Rio, e criada no Amazonas – chegando a dizer-se “mais amazonense que os amazonenses”. Minha filha... não diga isso... porque não é verdade! Você pode ser tão amazonense quanto o caboclo ribeirinho que vive lá pros lados do Cacau Pirêra, mas nunca mais do que ele! Pode ser, isso sim, mais bairrista. Eu me considero, por exemplo, bastante bairrista, enquanto amazonense, tanto, ou até um pouco mais, do que enquanto gaúcho. Ademais, vamos falar a verdade, não podemos cobrar do outro – nem mesmo dos moleques dessa bandinha horrível – que conheçam geografia, ou história do Brasil. Porque nós, brasileiros, sejamos do Norte, do Sul, do Sudeste, do Centro-oeste, ou do Nordeste, simplesmente não conhecemos nosso país! Não, amigo, nem mesmo a região, o Estado onde moramos, onde nascemos... sinto muito, sei que dói ouvir/ler isso, mas só até aceitarmos a verdade dos fatos: veja, o Brasil que conhecemos, ainda assim bem pouco, se reduz a Rio de Janeiro e São Paulo! Se estende a Salvador só em época de carnaval! Os dois únicos Estados, as duas únicas cidades que nos são mostradas pela grande mídia, sobretudo na tv, são... quais mesmo?! Rio de Janeiro e São Paulo!!! Você acha que as cenas que aquela afiliada de uma grande rede sediada no RJ mostra pra você, mostra também para o resto do país?! NÃO!!! Lógico que não! Isso fica apenas e tão somente para “consumo interno”, amigo. O que mostram da tua terra, para o resto do país, é aquilo que estiver mais de acordo com a linha editorial da mesma grande rede de mídia. Ponto. O amazonense, o gaúcho, o catarinense, o paraense, o acreano... esses não são mostrados como brasileiros típicos, ou ao menos semelhantes com aqueles encontrados no Rio, São Paulo, Minas, Bahia. Esses são mostrados como seres extraterrestres, exóticos, estranhos, pertencentes a regiões inóspitas e desconhecidas, com uma cultura e uma língua completamente diferentes daquilo que se subentende como “cultura nacional brasileira”.
Você que jura que conhece melhor o Sul, do que eu conheço o Norte, veja que dados curiosos: a maioria dos brasileiros acredita que no extremo Sul do Brasil, do seu próprio país, não existe verão, é sempre frio, até mesmo acreditam que não haja saída para o mar, que dirá, então, de praias! A imensa maioria dos brasileiros imagina que é absolutamente normal o sujeito andar pela capital gaúcha, ou pela região metropolitana, vestindo bombachas, calçando botas até quase os joelhos e usando chapéu de feltro. Muita, mas muita gente mesmo, ainda crê que se usem cavalos e charretes para se locomover dentro do perímetro das cidades gaúchas, não automóveis, motocicletas, ônibus. A maioria sequer imagina que possa haver uma linha de metrô ligando Porto Alegre à região metropolitana! E sim, há tal linha!! E amigo, em Porto Alegre, só se admite alguém andar pilchado, como se diz da roupa considerada tradicional do gaúcho, em épocas específicas do ano. Costuma ser no mês de setembro, e só. Em qualquer outra época do ano, é considerado ridículo quem faz isso. Bem como usar cocares e colares coloridos e andar sem camisa – os homens, obviamente – no Amazonas, fora do período das festas juninas e do festival folclórico, em Parintins, também soa ridículo. Ou me enganei...? Vá explicar isso pra um paulista, um baiano, um goiano... eles não vão crer, e se acreditarem, não vão aceitar! Porque aí, você sai fora do estereótipo regionalista, que não foi criado por nós, e sim pelos senhores das grandes redes nacionais de mídia e imprensa. Quer um exemplo? Mais um?? Ok, ligue na tv, no horário das 18 horas – ou 17h, dependendo de onde você se encontra – e preste atenção nos “gaúchos” mostrados numa novela aí. Note, o vilão, “gaúcho” da fronteira, usa bombacha, colete, lenço branco amarrado no pescoço. O mocinho, esse seria um “gaúcho” urbano, nascido e crescido na capital do Estado... muito embora, se vista igual a aqueles cowboys fajutos de Goiás e interior de São Paulo! Agora, vem a segunda parte da gincana: procure um gaúcho na sua cidade. Dependendo da cidade/região onde você vive, talvez encontre alguma dificuldade em achar um, mas gaúcho é que nem nordestino e chinês, em todo lugar tem um, pelo menos! Aí, quando encontrá-lo, veja, observe-o, seu jeito de vestir-se – que dificilmente será diferente do teu – de falar, etc. E aí?! Você pode vir a se decepcionar... pode vir, também, a descobrir o óbvio: a tv mente, amigo! Os estereótipos estão aí pra serem quebrados! Chato que você vai descobrir que seus preconceitos não condizem com a realidade.
Eu pude ver a realidade de Manaus, mas se assim não fosse, se não tivesse tido essa oportunidade, duvido que poderia confiar 100% nos meus conhecimentos sobre a região amazônica, também sobre Manaus, aqueles que adquiri ainda nos tempos de escola, posto que não seriam lá muito maiores que os dos meninos da tal Restart. Xenofobia?! Não! Ignorância, pura e simples! E sim, graças a nossas grandes redes midiáticas e ao nosso sistema educacional ultrapassado! Pois, falando dos dois casos que melhor conheço, sequer os amazonenses conhecem, verdadeiramente, o Amazonas, ou a Amazônia e tampouco os gaúchos conhecem o Rio Grande do Sul e a Pampa. Anos atrás, numa aula de cursinho pré-vestibular, em Manaus, descobri que não só os meus conhecimentos sobre a economia local andavam MUITO desatualizados, desde a 7ª série, pelo menos, como os próprios amazonenses andavam tão desatualizados quanto eu. Sim, pois a informação que me chegara, pela professora Sônia, de geografia, na cidadezinha da região metropolitana de Porto Alegre, era a mesma que fora repassada aos alunos da rede de ensino fundamental em Manaus e no Amazonas. Incrivelmente! Segundo aprendi, a principal atividade econômica, no Amazonas, ainda seria o extrativismo, ainda se estudava o seringueiro como principal trabalhador e os seringais como principais geradores de renda no Estado. Sim, ok, tinha-se o conhecimento da indústria madeireira, do garimpo – no Pará – e etc. Mas só depois, na mesma referida aula, é que vim saber que estávamos TODOS redondamente enganados, quando o professor, após bater ruidosamente na lousa e gritar um sonoro “não”, explicou-nos que a indústria e o comércio já haviam suplantado, e muito, o extrativismo, como principal atividade econômica no Estado da região Norte. Se você também não sabia, agora fica sabendo! Até porque, não duvido nada que aquilo que aprendi na escola, há uns 20 anos, quase, continua valendo no nosso sistema educacional, e seu professor pode ser daqueles que se acham doutores e donos da verdade.
Mas, ora, porra, ainda tem quem acredite, mesmo aqui, no Rio Grande do Sul, que a Revolução Farroupilha foi um movimento político, separatista, republicano e abolicionista! E não é verdade, desculpe! Não faz muito tempo, descobri que, de fato, a motivação principal da revolução não era política, mas sim, econômica! Todos os principais líderes farroupilhas eram estancieiros, fazendeiros, donos de vastas extensões de terra, criadores de gado bovino e donos de charqueadas. Todos estavam descontentes com os altos impostos que recaíam sobre o charque nacional, tornando-o muito caro. Mas nem todos estavam descontentes com o sistema político e social vigente no país, naquela época. O principal líder farroupilha, Bento Gonçalves, que depois veio a ser aclamado presidente, era monarquista, e escravagista, convicto. O único idealista dentre os farroupilhas, ou pelo menos, um dos únicos, era o general Antônio de Sousa Netto. Idealista, porém, veja bem, não era separatista! O general Netto queria que a revolta, que havia começado por causa do preço muito alto do charque, fosse, mesmo, uma revolução de cunho político e ideológico, queria levá-la a todo o país, queria implantar em nosso país o sistema republicano, como já havia nos nossos vizinhos, Argentina, Uruguai, Paraguai, queria mais autonomia para as províncias da época e, é claro, queria o fim da escravidão no nosso país. Infelizmente, eram poucos que queriam levar a revolução adiante. Quanto ao resto da história, acho que você desconfia...
Sabia disso?? Pois é... nem eu! Fui saber desses pequenos detalhes muito tempo depois... o que aprendi na escola, era e ainda é a versão oficial, a que se ensina ainda por aqui, e imagino que por aí também! O Eixo do Mal, se pudesse se sustentar sozinho, já tinha “implodido” o resto do país, mas como não dá, o “melhor” que eles conseguiram foi criar as lendas de que o Rio Grande do Sul – e o gaúcho, por conseqüência – é separatista e que o Acre não existe, só pra ficar nesses dois exemplos de propaganda difamatória que, fala a verdade, você conhece bem. Mas enfim, muito gaúcho também continua sem conhecer direito – e o que é mais assustador, não se importar com isso – a sua própria história. O amazonense também não conhece direito sua história e sua geografia e a juventude desse Estado, tristemente, também não se importa. O Eixo do Mal vai continuar, por um bom tempo, ainda, ao que tudo indica, ditando-nos quem somos, como somos, quem é brasileiro “de fato” e quem é “por karma”. Vamos continuar, sem nem conhecer direito o outro, aceitando os estereótipos que nos são impostos, alfinetando-nos mutuamente, com picuinhas, preconceitos e xenofobia de cunho regionalista. Fazer o quê, isso é Brasil! Me leva, Kubrusly!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Terremotos, Sonhos e Abalos Emocionais


Uma vergonha: hoje completando exatos 14 dias que não posto nada no blog. Pior que tenho escrito muito, mas nada que se aproveite. Quer dizer... deixa pra lá! Portanto, não é falta de idéias, é dificuldade para pô-las em ordem de uma forma lógica!
Tenho idéias do que escrever, mas acabo desistindo delas. Não ando mais tão concentrado. Ando meio desanimado, meio depressivo. Pensei em escrever, comecei trocentos textos nessas últimas duas semanas, mas toda vez eu acabei não sabendo como continuá-los, muito menos como terminá-los. Acabava me distraindo, me irritando com alguma coisa, perdendo o fio da meada, perdendo horas, inclusive as de sono, e por fim, desistindo. Hoje, mais uma vez, a esperança de que pelo menos um texto, este, eu consiga terminar. Ah, se nada pudesse abalar essa minha resolução...! O caso é que tô facinho de me abalar, por qualquer besteira, por uma canção qualquer... ah! Qualquer bobagem!
Acho que de tempos em tempos sofro desses abalos, que não são tão fáceis de se detectar, como um terremoto, mas que fazem um bom estrago: fazem a gente fraquejar, se questionar quanto a nossas escolhas, quanto à justeza do nosso destino, se culpar, se cobrar, perder a confiança, em si e nos outros e umas outras coisinhas mais. E não estou fazendo piada quanto ao Japão, quando falo em terremoto! Assim que as notícias chegaram, dando conta dos abalos terríveis que por lá houveram, que arrasaram comunidades, cidades inteiras e culminaram com mais de 6 mil mortos, milhares de desaparecidos e desabrigados, também fiquei muito triste. Também fiquei desassossegado. Mais do que já me encontrava.
Tenho estado, ultimamente, mais suscetível a certas situações, aos problemas meus e os alheios, tenho estado muito emotivo. Não sei se é da lua, ou se sou eu mesmo. Antes mesmo do terremoto e da tsunami que assolaram o Japão, já faz uma semana, já fiquei mais sensibilizado que de costume, ao assistir num noticiário local, uma reportagem sobre um acidente de trânsito no interior de Santa Catarina, entre um ônibus e um caminhão, que provocou 26 mortes, só no dia. Após o acidente, pelo menos mais três vítimas vieram a falecer, até hoje. Estavam hospitalizadas, mas isso só deu pra segurá-las mais uns dias vivas, infelizmente. De um modo geral, tenho verdadeira ojeriza a sensacionalismo, mas como ficar inabalável, sentado na frente da tevê, ao ver jovens, crianças e adultos chorando, desesperados, a perda de amigos, pais, irmãos, parentes, maridos, esposas...?! Me comoveu imensamente aquela imagem, passei o carnaval pensando nisso. Sim, foi em pleno feriado de carnaval! Se você ainda não soube, não é culpa sua: as grandes redes não costumam noticiar tragédias durante os feriados, especialmente os pautados pela alegria, como o Natal, Ano Novo e carnaval.
No carnaval, já é um costume meu, há pelo menos uns três anos, lamentar-me por não poder estar no sambódromo, em Manaus, indo atrás do trio elétrico, dançando, brincando, enfim, curtindo o Carnaboi. Este ano, por alguns motivos para mim óbvios, outros nem tanto, parece ter sido pior, mais dolorido, esse lamentar, essa tristeza por estar alijado desse pequeno universo de folia ao som de toadas. Me sinto desnorteado, fora do meu eixo, deslocado, longe de casa. Da casa que meu coração inventou de escolher. Sinto falta de andar pelas ruas do Centro histórico – que às vezes acho que só eu gosto – encontrar os velhos amigos e conhecidos, voltar a ver, poder abraçar a minha segunda família: a filha do coração, que do alto dos seus seis anos me adotou como pai, já faz uns bons seis anos... aquela que era pra ser minha querida futura sogra, mas que acabou me adotando também, por fim se tornando minha segunda mãe... essa saudade, não sei, tem horas que me faz mal! Quero estar lá até o fim deste ano, porque 2012, sabe-se lá o que nos espera... se o fim do mundo, ou a hiper-inflação, ou o desemprego, ou o quê... tem horas que sinto que está tudo meio emperrado, sem saída! Tem me provocado imensa agonia, essa incerteza toda, de tudo.
Depois do carnaval, isso sou eu quem diz, é assim que penso, não começa o novo ano, começam os desastres. Os grandes desastres. Veio o terremoto, e depois o maremoto, parece que para arrematar, no Nordeste do Japão. Depois ainda mais essa, o desastre nuclear em Fukushima, cujas informações são ainda muito confusas, dando a impressão de que a gente não sabe da missa a metade. Enquanto que por aqui, temos o cardápio requentado de sempre: enchentes no sul do Rio Grande do Sul, gente morta, centenas, ou milhares de desabrigados, praticamente aqui do lado. Médicos displicentes e negligentes que tiveram a coragem de amputar a perna de um bebê por vacilo, pura e simplesmente! Tempestades e deslizamentos de terra no litoral do Paraná, destruindo estradas e isolando comunidades inteiras, que não têm como se comunicar nem com o Sul, que dirá com o resto do país. Em Minas Gerais, milhares de desabrigados, no interior e na Capital, por conta das chuvas torrenciais. Nos dois Matos Grossos, os rios estão subindo, e os meteorologistas nos trazem notícias “animadoras”: as cheias no pantanal ainda estão longe de acabar, ainda subirão mais do que já subiram! No Pará, enxurradas também, destruindo casas, inundando ruas de vilas e cidades, deixando muita gente desabrigada. O terremoto que ocorreu no Japão, parece que reverberou no mundo inteiro, não só através das grandes redes de notícias: no Chile, antes do jogo do Santos, pela copa Libertadores, houveram fortes tremores, de magnitude 5.7! Ontem pela manhã, fiquei sabendo de tremores de terra no interior de Pernambuco, e à noitinha, soube de tremores também no interior de São Paulo. Tudo isso tem calado fundo no meu coração, tem me agoniado... um misto de tristeza e medo: sim, eu comecei a temer que os tremores chegassem até minhas duas cidades! Fiquei preocupado com todas as pessoas queridas, que estão nos dois extremos deste país.
Até uns dias atrás, já não vinha dormindo direito. Desde o começo do carnaval, não estava conseguindo dormir direito, acordava no meio da madrugada, e durante o dia ficava com a incômoda sensação de areia nos olhos. Não era conjuntivite, mas hoje pela manhã já fiquei alarmado, ao ver uma reportagem sobre epidemia dessa doença, lá em São Paulo. Tem muito otário que vai pra lá, sei lá pra quê, depois traz essas piras pra passar pra gente! Mas então, voltando, recentemente tive dois sonhos que só contribuíram, cada um a seu modo, pra me abalar ainda mais as estruturas e me tirar mais um pouquinho do meu eixo. Numa noite, acho que foi no fim de semana de, ou no fim do carnaval, sonho com as duas criaturas que mais têm dominado os meus pensamentos e meu coração: o meu amor mais verdadeiro neste momento, minha filha, a menina que me adotou, era uma, a outra que aparecia no sonho, sequer conheço pessoalmente, mas é aquela que, me hipnotizou com seu olhar cálido, com seu sorriso doce, que elegi como musa inspiradora, que a cada dia me sinto mais apaixonado, sem sequer ter-lhe visto pessoalmente, sem jamais ter-lhe ouvido a voz. E ainda dizem que Manaus é um ovo... como pode, então, eu jamais tê-la visto nem de relance?! Enfim, no sonho, estaríamos os três usando roupas imaculadamente brancas, sentados numa sala de uma casa toda branca, com móveis brancos, cortinas brancas, piso caiado e o sol entrava e tomava conta, iluminando todos os cômodos, graças às grandes janelas e aberturas nas paredes, que tornavam a casa muito iluminada e arejada. Estava minha musa sentada a meu lado, observando um álbum, meio como aqueles books de fotos, meio como um tablet do tamanho de um caderno universitário, com belas fotos, muito bem-feitas, da filhota, que como uma princesa, sentava-se a nossa frente e penteava os cabelos calmamente. Em dado momento, minha bela morena volta-se para mim e diz: “Tua filha é linda! Podia ser uma modelo...” como era meu inconsciente falando, minha musa, creio eu, manifestava de forma maternal a minha corujisse de pai... é, um tanto contraditório, eu sei. Faz tempo que não falo com um psicólogo, talvez devesse... sei que, ao acordar do sonho, me senti bastante bem, ao saber que tinha sonhado com minha paixão platônica e cibernética, ao mesmo tempo que com minha filha. Por pouco tempo... logo comecei a pensar nelas, me preocupar, a saudade começar a dialogar comigo, a solidão entrando no meio da conversa... enfim, acabei agoniado, inseguro, deprimido, quase chorando. Enfim, abalado, emocional e moralmente.
Dias depois, num outro sonho, creio que fui bastante influenciado pelas notícias dos desastres, que nos têm chegado todo santo dia, especialmente as do Japão. Sonhei que trabalhava com um grupo, como voluntário no resgate de corpos e possíveis sobreviventes, em uma região que fora devastada por uma tempestade, uma cheia e um grande desmoronamento do barranco de algum morro. Várias casas encontravam-se só os escombros, soterrados por toneladas de terra, areia e argila. Entrávamos num sobrado, cuja parte de baixo havia resistido e não ruíra, em busca de sobreviventes e corpos. Lá entrando, fomos surpreendidos por uma cena tétrica: várias pessoas, na maioria, mulheres, amarradas e amordaçadas com o que parecia ser fita adesiva, algumas com a cabeça completamente recoberta daquele material, penduradas no que restara do piso do andar de cima, como se tivessem sido enforcadas. Esse sonho me causou tão forte impressão, tão grande mau-estar que o meu sono só piorou nos dias posteriores. Lembro de acordar assustado após esse sonho, no meio da madrugada, e não conseguir mais dormir, só ficar deitado, olhando para o teto, talvez com medo que ele, de repente, viesse abaixo.
Tenho me emocionado com grande facilidade, tenho ido às lágrimas com facilidade maior ainda: dia desses, revendo pela enésima vez àquele filme, Click, comecei a chorar copiosamente em algumas cenas do filme, e não sei por quê, pensei, naquele momento, em meu amor e em minha paixão. O que pode ter aquele filme a ver comigo, com minha musa e/ou com minha filhota? É muito estranho. Eu sei. É estranho também pensar e temer que possa perdê-las, a minha filhota, pela distância, por ela estar crescendo, por não podermos nos falar todo o tempo, pelo menos todo o que quisermos... minha morena, temo perdê-la se ela souber o quanto a admiro e adoro, de forma platônica, se souber-se admirada por mim, ou então no caso de nos encontrarmos, mesmo que fortuitamente. É loucura. E me abala. Esses tremores estão me deixando simplesmente agoniado e fora do eixo. Precisaria e gostaria, muito, que esse terremoto emocional acabasse.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Pede a Benção


Sim, meu filho, sim...
O caminho é longo
A estrada é íngreme e perigosa
Mas filho, é assim que tem de ser...
É assim que é a vida!
Segue teu coração
Luta pelo que crês
Luta pelo que queres conquistar
Se puder, não esmoreça
Se tropeçar nalgum buraco, levanta-te
Recupera o equilíbrio
Por debaixo dessa ponte
Muita água passa,
Muita água ainda irá passar!
Ergue a cabeça, filho,
Dá tua mão,
Pede a benção à Mãe
E segue teu caminho...