Ouvido seletivo?! Ah, sim, acredite nisso, minha querida. Você fala o que bem entende. Me desanca na frente das amigas e eu nem tiligo. Finjo-me de bobo, finjo que não é comigo. E não é mesmo. Mesmo assim, você fala na minha frente. E finge que é de outra pessoa que estão falando. Ok! Finjo que sou o otário que você pegou "por pena", chego a babar na gola da camisa, pra dar mais verossimilhança. Mas estou escutando cada palavra, cada riso de escárnio, cada suspiro, cada entonação dada a cada palavra. Gravo e salvo numa pasta, onde mais tarde tudo será analisado minuciosamente. Eu memorizo cada coisa e guardo para mim. Não falo nada. Até quando julgar oportuno. No momento certo, falo com você, te pergunto daquele dia, coloco na mesa cada palavra que fora dita, até a entonação utilizada. Você se espanta: mas então, eu ouvi e guardei tudo? Tudo mesmo?? É... eu não tenho ouvido seletivo coisa nenhuma. Você procura, consciente, ou inconscientemente, descobrir isso SEMPRE da pior maneira. Insiste em me fazer questionar a veracidade das teorias em que um dia acreditei, de que está num patamar evolutivo ligeiramente acima do meu. Detesto que você haja assim, quando esperava de ti um pouco mais... de consideração, pelo menos! Mas adoro te ver constrangida, ao deparar-se com algo totalmente inesperado... porque, afinal, sou homem! DEVIA ser igual a todos os outros... e agora que você viu que descartou depressa demais, o que fazer?! Você inverteu os papéis. Te vejo como você me via. E sei que não estou enganado. Quem é que deveria ter memória seletiva, mesmo...?!
Hoje chamam de mini mercado, ou mercadinho, mas, na nossa infância, chamavam de armazém, venda, ou taberninha... local onde você encontra de tudo: pão, misturas, erva mate e pupunha a granel, pirarucu seco pro almoço de sexta-feira santa, uma caninha da boa, envelhecida em barris de carvalho e um ou dois dedos de prosa... entre e fique a vontade!
quinta-feira, 31 de março de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
Diário de Bordo
Deus,
como ela é linda! E como adoro ficar apenas admirando-a,
adorando-a, em seu pequeno avatar, nas fotos de seu perfil nos sites
de relacionamento... você sabe os nomes, talvez de mais sites
do que os que já conheço. Pois na internet a gente
interage, através desses sites, de vez em quando, só
que... enfim. Só posso olhá-la por suas fotos, admirar
sua grande beleza, sua perfeição... seu doce olhar, sua
boca, seu nariz, seus cabelos longos... seus braços, suas
pernas, seu corpo, suas roupas... é, sim, ela é linda e
se veste muito bem! Ao menos é o que as fotos mostram.
Nossa,
eu adoro ficar um bom tempo só olhando suas fotos, adorando-a,
admirando o seu sorriso, seus olhos castanhos... só lhe
admirando, mesmo. Diferentemente de outros amores platônicos
que tive, não tenho imaginado encontrar-nos, não tenho
idealizado nada de romântico e perfeito. É difícil
projetar isso. Na verdade, nem consigo pensar em muita coisa, quando
vejo sua foto, quando a vejo, digamos assim. Então, como
imaginar, idealizar um encontro romântico e perfeito, quando
sei que o encontro mais provável é aquele em que eu
fique paralisado, estaqueado, suando frio, na testa e nas mãos,
com borboletas dançando maracatu no meu estômago, sem
conseguir dizer-lhe palavra, ou talvez, com um esforço
hercúleo, o máximo que consiga seja lhe dizer um “oi”
estrangulado, e só! Ainda mais que aumentarão
consideravelmente as chances de eu vê-la passando pela rua,
logo mais, daqui há poucos meses. Difícil imaginar...
projeções românticas, coisa e tal... é
curioso, sou perdidamente apaixonado por ela, com as paixões
platônicas anteriores era relativamente fácil criar
ambientes e projeções ideais, mas ela me hipnotiza de
tal forma que... não consigo!
Pensar
nela, à noite, é temer ser reconhecido por ela, por
exemplo... e outras coisas, frutos da minha baixa auto-estima e
insegurança – que até hoje já se mostrou,
diversas vezes, bem fundamentada. É lembrar do seu sorriso, do
seu olhar, que me hipnotizam e enfeitiçam, toda vez! E algumas
vezes, ao lembrar seu rosto, seu olhar, me emocionar quase às
lágrimas. Basta, às vezes, ela interagir só um
pouco, ou apenas aparecer, que também me emociono indo quase
às lágrimas. Pode ser ridículo – e na verdade,
é mesmo – mas enfim, é assim que me sinto, em relação
a ela. Meu coração bate mais forte sempre, toda vez que
a vejo. Já disse aqui, o quanto isso parece estranho, até
mesmo para mim?!
Quanto
à possibilidade de nos vermos, ou o mais provável, eu a
ver, em alguma de minhas voltas pelo Centro, imagine você, essa
está perigosamente próxima. Até que enfim, terei
uma coisa que não tenho há muito, muito tempo: férias!
Um mês inteirinho, acredita?! E nessas férias, vou fazer
a viagem que tenho adiado “até as coisas se ajeitarem” já
há quase quatro anos. Ok, uns três anos e meio! Porque
as coisas, enfim, não estão ainda bem azeitadas, mas
estou trabalhando pra isso, e para planos mais elaborados. De
qualquer forma, é uma viagem que não podia mais ser
adiada. Tenho estado sem dormir direito, ultimamente, ansioso para
que a tão esperada viagem chegue logo. A angústia
começou a me sufocar, decidi que tentar esperar até o
final do ano não seria uma boa idéia, já não
sou muito normal, mas sinto que poderia estar enlouquecendo de forma
irreversível. Então, decidi não adiar mais muita
coisa, este ano. É, já estava sentindo-me como se
estivesse adiando minha própria vida. Precisava ser mais
agressivo nas minhas resoluções.
Quanto
a declarar minha paixão, perdoe-me, minha musa inspiradora,
ainda não será desta vez. Aos curiosos, resta imaginar
quem é ela. E quanto ao local da minha viagem... bem, se não
sabe, só saberá quando eu já tiver partido!
sexta-feira, 25 de março de 2011
Xenofobias e Desconhecimento
Passam
pela praça e acho graça. Falam mal de mim e eu acho
graça. Falam mal do Sul... e já não acho mais
nenhuma graça. Falam mal do Nordeste e eu não acho
nenhuma graça. E fale mal do Norte perto de mim, se quiser
arranjar briga!
Nasci
gaúcho, do Estado do Rio Grande do Sul, portanto, sou do Sul.
Morei em Manaus, por escolha e por identificação, que
aí já é uma coisa que vai do coração,
me tornei amazonense, portanto... sou do Norte, também! E
dizia meu pai que seu avô teria vindo da Europa, talvez da
França, ou de Portugal, mesmo... e teria se estabelecido aqui
no Brasil, talvez lá por Pernambuco, ou pela Paraíba...
nem ele sabia direito. Acho que nem chegou a conhecer o avô,
deve ter ouvido o pai dele contar essa mesma história. Bom,
mas enfim, presumindo que seja verdade, tenho também um pé
no Nordeste, portanto. O que importa mesmo é que sou
brasileiro. Não importa o que digam lá pelo Eixo do
Mal. Até prova em contrário, sou brasileiro, sim. O
falar mal, a idiotice, a deselegância, a piada de gosto
duvidoso e de cunho preconceituoso e pejorativo, por fim, a xenofobia
me causam muitos dissabores e deixam meu humor ligeiramente – ou
bastante – bilioso. Sobretudo a xenofobia. “Ah, mas xenofobia é
quando se odeia o estrangeiro, o estranho...” Não, o ódio
irracional por pessoas que são do mesmo país que você,
mas vêm de uma determinada cidade, ou região que não
é a sua, pode ser considerado xenofobia, sim.
Como
naquele caso do ódio contra os nordestinos, manifestado por
uma aluna universitária paulistana, no site twitter, após
a confirmação de que Dilma Rouchefe havia sido eleita
presidente da República. Sou da teoria, ok, um pouco xenófoba,
de que o paulista, o paulistano, principalmente, é quem gasta,
é quem consome produtos e serviços, é quem faz a
grana girar, quem movimenta a mola da economia. Quem realmente
trabalha, no Estado, ou na cidade de São Paulo, é,
sempre foi o nordestino. Nos últimos trinta, ou quarenta anos,
também os nortistas, os cariocas, os gaúchos, os
mineiros, os paranaenses... e por aí vai! Sabendo disso, ou
não, aquela garota usou a eleição da atual
presidente apenas como pretexto. Pra quê...? Ora, pra
manifestar a sua intolerância, que nós sabemos ser de
muitos, contra aquela gente que “invadiu” e tem “invadido”
sua terra há anos, que têm “dominado” e “colonizado”
culturalmente a sua grande e próspera cidade, que é
próspera por que, mesmo?
Enfim,
mas é fato, não se ofenda. É assim que eles
pensam, tive várias demonstrações disso, conheço
vários casos. Ademais, queiramos, ou não, todos somos
xenófobos, em maior ou menor escala. Ou ninguém ainda
se perguntou por que chamo o eixo Rio – São Paulo de Eixo do
Mal? Há motivos que considero bastante razoáveis, para
chamá-lo assim, mas em parte, há, sim, um certo
preconceito e uma má-vontade para com nossos parentes
paulistanos e cariocas. Sim, também acho paradoxal, detestar
tanto a xenofobia e ser, ao mesmo tempo, um pouco xenófobo...
mas enfim!
Muita
gente tem confundido vacilo com xenofobia. Não é a
mesma coisa, não, viu! Um bom exemplo disso é o
episódio, já mundialmente conhecido, do Santa Etelvina
ao Belém Novo, do baterista (?!) da bandinha de tinta guache
Restart que, comentando sua expectativa em fazer um show em Manaus,
no início do mês que vem, soltou a seguinte pérola:
“que eles não sabiam como seria, se lá havia gente,
ou civilização, e seria muito legal fazer um show no
meio da floresta.” Sim, se estou bem lembrado, era mais ou menos
isso mesmo. Claro, eu entendo, creio que toda indignação
do povo amazonense é digna diante de tamanho absurdo, tamanho
disparate. Mas tal disparate não foi cometido na forma de uma
piadinha sem graça, um gracejo pejorativo e preconceituoso,
como aquele feito por aquele famoso canastrão norte-americano,
ao falar do nosso país. Naquele caso, sim, foi uma
brincadeira, de muito mau-gosto, preconceituosa e xenófoba.
Não foi o caso desse menino da Restart, o caso dele foi de
absoluta ignorância! E um pouco de ingenuidade, também,
ao falar a primeira merda que lhe veio à mente.
Mas
enfim, a fúria e a indignação do povo amazonense
foi, sim, justa, mas isso até muitos dos que se manifestaram
contra a banda, pelo que pude acompanhar, através de páginas
de comentários e em grupos de discussão, em blogs,
começarem a confundir os canais, acharem-se vítimas da,
já demasiadamente citada aqui, xenofobia por parte desses
garotos, revidando, por sua vez, com mais xenofobia, incluindo em sua
ira sem direção todo o Sudeste e Sul do país.
Sem direção porque, primeiro, se somos vítimas
da xenofobia alheia, neste país, é principalmente por
conta do Eixo do Mal. Não inclua goianos, gaúchos,
mineiros no seu ódio regionalista. Em segundo lugar, não
finja que conhece o Sul do Brasil, que eu não finjo conhecer o
Norte, ok? Estamos combinados assim?! Pois que vi a manifestação
completamente equivocada de uma leitora de um blog aí,
destilando seu ódio regionalista contra o Sul e Sudeste do
país, mesmo dizendo-se nascida no Rio, e criada no Amazonas –
chegando a dizer-se “mais amazonense que os amazonenses”. Minha
filha... não diga isso... porque não é verdade!
Você pode ser tão amazonense quanto o caboclo ribeirinho
que vive lá pros lados do Cacau Pirêra, mas nunca mais
do que ele! Pode ser, isso sim, mais bairrista. Eu me considero, por
exemplo, bastante bairrista, enquanto amazonense, tanto, ou até
um pouco mais, do que enquanto gaúcho. Ademais, vamos falar a
verdade, não podemos cobrar do outro – nem mesmo dos
moleques dessa bandinha horrível – que conheçam
geografia, ou história do Brasil. Porque nós,
brasileiros, sejamos do Norte, do Sul, do Sudeste, do Centro-oeste,
ou do Nordeste, simplesmente não conhecemos nosso país!
Não, amigo, nem mesmo a região, o Estado onde moramos,
onde nascemos... sinto muito, sei que dói ouvir/ler isso, mas
só até aceitarmos a verdade dos fatos: veja, o Brasil
que conhecemos, ainda assim bem pouco, se reduz a Rio de Janeiro e
São Paulo! Se estende a Salvador só em época de
carnaval! Os dois únicos Estados, as duas únicas
cidades que nos são mostradas pela grande mídia,
sobretudo na tv, são... quais mesmo?! Rio de Janeiro e São
Paulo!!! Você acha que as cenas que aquela afiliada de uma
grande rede sediada no RJ mostra pra você, mostra também
para o resto do país?! NÃO!!! Lógico que não!
Isso fica apenas e tão somente para “consumo interno”,
amigo. O que mostram da tua terra, para o resto do país, é
aquilo que estiver mais de acordo com a linha editorial da mesma
grande rede de mídia. Ponto. O amazonense, o gaúcho, o
catarinense, o paraense, o acreano... esses não são
mostrados como brasileiros típicos, ou ao menos semelhantes
com aqueles encontrados no Rio, São Paulo, Minas, Bahia. Esses
são mostrados como seres extraterrestres, exóticos,
estranhos, pertencentes a regiões inóspitas e
desconhecidas, com uma cultura e uma língua completamente
diferentes daquilo que se subentende como “cultura nacional
brasileira”.
Você
que jura que conhece melhor o Sul, do que eu conheço o Norte,
veja que dados curiosos: a maioria dos brasileiros acredita que no
extremo Sul do Brasil, do seu próprio país, não
existe verão, é sempre frio, até mesmo acreditam
que não haja saída para o mar, que dirá, então,
de praias! A imensa maioria dos brasileiros imagina que é
absolutamente normal o sujeito andar pela capital gaúcha, ou
pela região metropolitana, vestindo bombachas, calçando
botas até quase os joelhos e usando chapéu de feltro.
Muita, mas muita gente mesmo, ainda crê que se usem cavalos e
charretes para se locomover dentro do perímetro das cidades
gaúchas, não automóveis, motocicletas, ônibus.
A maioria sequer imagina que possa haver uma linha de metrô
ligando Porto Alegre à região metropolitana! E sim, há
tal linha!! E amigo, em Porto Alegre, só se admite alguém
andar pilchado, como se diz da roupa considerada tradicional do
gaúcho, em épocas específicas do ano. Costuma
ser no mês de setembro, e só. Em qualquer outra época
do ano, é considerado ridículo quem faz isso. Bem como
usar cocares e colares coloridos e andar sem camisa – os homens,
obviamente – no Amazonas, fora do período das festas juninas
e do festival folclórico, em Parintins, também soa
ridículo. Ou me enganei...? Vá explicar isso pra um
paulista, um baiano, um goiano... eles não vão crer, e
se acreditarem, não vão aceitar! Porque aí, você
sai fora do estereótipo regionalista, que não foi
criado por nós, e sim pelos senhores das grandes redes
nacionais de mídia e imprensa. Quer um exemplo? Mais um?? Ok,
ligue na tv, no horário das 18 horas – ou 17h, dependendo de
onde você se encontra – e preste atenção nos
“gaúchos” mostrados numa novela aí. Note, o vilão,
“gaúcho” da fronteira, usa bombacha, colete, lenço
branco amarrado no pescoço. O mocinho, esse seria um “gaúcho”
urbano, nascido e crescido na capital do Estado... muito embora, se
vista igual a aqueles cowboys fajutos de Goiás e interior de
São Paulo! Agora, vem a segunda parte da gincana: procure um
gaúcho na sua cidade. Dependendo da cidade/região onde
você vive, talvez encontre alguma dificuldade em achar um, mas
gaúcho é que nem nordestino e chinês, em todo
lugar tem um, pelo menos! Aí, quando encontrá-lo, veja,
observe-o, seu jeito de vestir-se – que dificilmente será
diferente do teu – de falar, etc. E aí?! Você pode vir
a se decepcionar... pode vir, também, a descobrir o óbvio:
a tv mente, amigo! Os estereótipos estão aí pra
serem quebrados! Chato que você vai descobrir que seus
preconceitos não condizem com a realidade.
Eu
pude ver a realidade de Manaus, mas se assim não fosse, se não
tivesse tido essa oportunidade, duvido que poderia confiar 100% nos
meus conhecimentos sobre a região amazônica, também
sobre Manaus, aqueles que adquiri ainda nos tempos de escola, posto
que não seriam lá muito maiores que os dos meninos da
tal Restart. Xenofobia?! Não! Ignorância, pura e
simples! E sim, graças a nossas grandes redes midiáticas
e ao nosso sistema educacional ultrapassado! Pois, falando dos dois
casos que melhor conheço, sequer os amazonenses conhecem,
verdadeiramente, o Amazonas, ou a Amazônia e tampouco os
gaúchos conhecem o Rio Grande do Sul e a Pampa. Anos atrás,
numa aula de cursinho pré-vestibular, em Manaus, descobri que
não só os meus conhecimentos sobre a economia local
andavam MUITO desatualizados, desde a 7ª série, pelo
menos, como os próprios amazonenses andavam tão
desatualizados quanto eu. Sim, pois a informação que me
chegara, pela professora Sônia, de geografia, na cidadezinha da
região metropolitana de Porto Alegre, era a mesma que fora
repassada aos alunos da rede de ensino fundamental em Manaus e no
Amazonas. Incrivelmente! Segundo aprendi, a principal atividade
econômica, no Amazonas, ainda seria o extrativismo, ainda se
estudava o seringueiro como principal trabalhador e os seringais como
principais geradores de renda no Estado. Sim, ok, tinha-se o
conhecimento da indústria madeireira, do garimpo – no Pará
– e etc. Mas só depois, na mesma referida aula, é que
vim saber que estávamos TODOS redondamente enganados, quando o
professor, após bater ruidosamente na lousa e gritar um sonoro
“não”, explicou-nos que a indústria e o comércio
já haviam suplantado, e muito, o extrativismo, como principal
atividade econômica no Estado da região Norte. Se você
também não sabia, agora fica sabendo! Até
porque, não duvido nada que aquilo que aprendi na escola, há
uns 20 anos, quase, continua valendo no nosso sistema educacional, e
seu professor pode ser daqueles que se acham doutores e donos da
verdade.
Mas,
ora, porra, ainda tem quem acredite, mesmo aqui, no Rio Grande do
Sul, que a Revolução Farroupilha foi um movimento
político, separatista, republicano e abolicionista! E não
é verdade, desculpe! Não faz muito tempo, descobri que,
de fato, a motivação principal da revolução
não era política, mas sim, econômica! Todos os
principais líderes farroupilhas eram estancieiros,
fazendeiros, donos de vastas extensões de terra, criadores de
gado bovino e donos de charqueadas. Todos estavam descontentes com os
altos impostos que recaíam sobre o charque nacional,
tornando-o muito caro. Mas nem todos estavam descontentes com o
sistema político e social vigente no país, naquela
época. O principal líder farroupilha, Bento Gonçalves,
que depois veio a ser aclamado presidente, era monarquista, e
escravagista, convicto. O único idealista dentre os
farroupilhas, ou pelo menos, um dos únicos, era o general
Antônio de Sousa Netto. Idealista, porém, veja bem, não
era separatista! O general Netto queria que a revolta, que havia
começado por causa do preço muito alto do charque,
fosse, mesmo, uma revolução de cunho político e
ideológico, queria levá-la a todo o país, queria
implantar em nosso país o sistema republicano, como já
havia nos nossos vizinhos, Argentina, Uruguai, Paraguai, queria mais
autonomia para as províncias da época e, é
claro, queria o fim da escravidão no nosso país.
Infelizmente, eram poucos que queriam levar a revolução
adiante. Quanto ao resto da história, acho que você
desconfia...
Sabia
disso?? Pois é... nem eu! Fui saber desses pequenos detalhes
muito tempo depois... o que aprendi na escola, era e ainda é a
versão oficial, a que se ensina ainda por aqui, e imagino que
por aí também! O Eixo do Mal, se pudesse se sustentar
sozinho, já tinha “implodido” o resto do país, mas
como não dá, o “melhor” que eles conseguiram foi
criar as lendas de que o Rio Grande do Sul – e o gaúcho, por
conseqüência – é separatista e que o Acre não
existe, só pra ficar nesses dois exemplos de propaganda
difamatória que, fala a verdade, você conhece bem. Mas
enfim, muito gaúcho também continua sem conhecer
direito – e o que é mais assustador, não se importar
com isso – a sua própria história. O amazonense
também não conhece direito sua história e sua
geografia e a juventude desse Estado, tristemente, também não
se importa. O Eixo do Mal vai continuar, por um bom tempo, ainda, ao
que tudo indica, ditando-nos quem somos, como somos, quem é
brasileiro “de fato” e quem é “por karma”. Vamos
continuar, sem nem conhecer direito o outro, aceitando os
estereótipos que nos são impostos, alfinetando-nos
mutuamente, com picuinhas, preconceitos e xenofobia de cunho
regionalista. Fazer o quê, isso é Brasil! Me leva,
Kubrusly!
sexta-feira, 18 de março de 2011
Terremotos, Sonhos e Abalos Emocionais
Uma
vergonha: hoje completando exatos 14 dias que não posto nada
no blog. Pior que tenho escrito muito, mas nada que se aproveite.
Quer dizer... deixa pra lá! Portanto, não é
falta de idéias, é dificuldade para pô-las em
ordem de uma forma lógica!
Tenho
idéias do que escrever, mas acabo desistindo delas. Não
ando mais tão concentrado. Ando meio desanimado, meio
depressivo. Pensei em escrever, comecei trocentos textos nessas
últimas duas semanas, mas toda vez eu acabei não
sabendo como continuá-los, muito menos como terminá-los.
Acabava me distraindo, me irritando com alguma coisa, perdendo o fio
da meada, perdendo horas, inclusive as de sono, e por fim,
desistindo. Hoje, mais uma vez, a esperança de que pelo menos
um texto, este, eu consiga terminar. Ah, se nada pudesse abalar essa
minha resolução...! O caso é que tô
facinho de me abalar, por qualquer besteira, por uma canção
qualquer... ah! Qualquer bobagem!
Acho
que de tempos em tempos sofro desses abalos, que não são
tão fáceis de se detectar, como um terremoto, mas que
fazem um bom estrago: fazem a gente fraquejar, se questionar quanto a
nossas escolhas, quanto à justeza do nosso destino, se culpar,
se cobrar, perder a confiança, em si e nos outros e umas
outras coisinhas mais. E não estou fazendo piada quanto ao
Japão, quando falo em terremoto! Assim que as notícias
chegaram, dando conta dos abalos terríveis que por lá
houveram, que arrasaram comunidades, cidades inteiras e culminaram
com mais de 6 mil mortos, milhares de desaparecidos e desabrigados,
também fiquei muito triste. Também fiquei
desassossegado. Mais do que já me encontrava.
Tenho
estado, ultimamente, mais suscetível a certas situações,
aos problemas meus e os alheios, tenho estado muito emotivo. Não
sei se é da lua, ou se sou eu mesmo. Antes mesmo do terremoto
e da tsunami que assolaram o Japão, já faz uma semana,
já fiquei mais sensibilizado que de costume, ao assistir num
noticiário local, uma reportagem sobre um acidente de trânsito
no interior de Santa Catarina, entre um ônibus e um caminhão,
que provocou 26 mortes, só no dia. Após o acidente,
pelo menos mais três vítimas vieram a falecer, até
hoje. Estavam hospitalizadas, mas isso só deu pra segurá-las
mais uns dias vivas, infelizmente. De um modo geral, tenho verdadeira
ojeriza a sensacionalismo, mas como ficar inabalável, sentado
na frente da tevê, ao ver jovens, crianças e adultos
chorando, desesperados, a perda de amigos, pais, irmãos,
parentes, maridos, esposas...?! Me comoveu imensamente aquela imagem,
passei o carnaval pensando nisso. Sim, foi em pleno feriado de
carnaval! Se você ainda não soube, não é
culpa sua: as grandes redes não costumam noticiar tragédias
durante os feriados, especialmente os pautados pela alegria, como o
Natal, Ano Novo e carnaval.
No
carnaval, já é um costume meu, há pelo menos uns
três anos, lamentar-me por não poder estar no
sambódromo, em Manaus, indo atrás do trio elétrico,
dançando, brincando, enfim, curtindo o Carnaboi. Este ano, por
alguns motivos para mim óbvios, outros nem tanto, parece ter
sido pior, mais dolorido, esse lamentar, essa tristeza por estar
alijado desse pequeno universo de folia ao som de toadas. Me sinto
desnorteado, fora do meu eixo, deslocado, longe de casa. Da casa que
meu coração inventou de escolher. Sinto falta de andar
pelas ruas do Centro histórico – que às vezes acho
que só eu gosto – encontrar os velhos amigos e conhecidos,
voltar a ver, poder abraçar a minha segunda família: a
filha do coração, que do alto dos seus seis anos me
adotou como pai, já faz uns bons seis anos... aquela que era
pra ser minha querida futura sogra, mas que acabou me adotando
também, por fim se tornando minha segunda mãe... essa
saudade, não sei, tem horas que me faz mal! Quero estar lá
até o fim deste ano, porque 2012, sabe-se lá o que nos
espera... se o fim do mundo, ou a hiper-inflação, ou o
desemprego, ou o quê... tem horas que sinto que está
tudo meio emperrado, sem saída! Tem me provocado imensa
agonia, essa incerteza toda, de tudo.
Depois
do carnaval, isso sou eu quem diz, é assim que penso, não
começa o novo ano, começam os desastres. Os grandes
desastres. Veio o terremoto, e depois o maremoto, parece que para
arrematar, no Nordeste do Japão. Depois ainda mais essa, o
desastre nuclear em Fukushima, cujas informações são
ainda muito confusas, dando a impressão de que a gente não
sabe da missa a metade. Enquanto que por aqui, temos o cardápio
requentado de sempre: enchentes no sul do Rio Grande do Sul, gente
morta, centenas, ou milhares de desabrigados, praticamente aqui do
lado. Médicos displicentes e negligentes que tiveram a coragem
de amputar a perna de um bebê por vacilo, pura e simplesmente!
Tempestades e deslizamentos de terra no litoral do Paraná,
destruindo estradas e isolando comunidades inteiras, que não
têm como se comunicar nem com o Sul, que dirá com o
resto do país. Em Minas Gerais, milhares de desabrigados, no
interior e na Capital, por conta das chuvas torrenciais. Nos dois
Matos Grossos, os rios estão subindo, e os meteorologistas nos
trazem notícias “animadoras”: as cheias no pantanal ainda
estão longe de acabar, ainda subirão mais do que já
subiram! No Pará, enxurradas também, destruindo casas,
inundando ruas de vilas e cidades, deixando muita gente desabrigada.
O terremoto que ocorreu no Japão, parece que reverberou no
mundo inteiro, não só através das grandes redes
de notícias: no Chile, antes do jogo do Santos, pela copa
Libertadores, houveram fortes tremores, de magnitude 5.7! Ontem pela
manhã, fiquei sabendo de tremores de terra no interior de
Pernambuco, e à noitinha, soube de tremores também no
interior de São Paulo. Tudo isso tem calado fundo no meu
coração, tem me agoniado... um misto de tristeza e
medo: sim, eu comecei a temer que os tremores chegassem até
minhas duas cidades! Fiquei preocupado com todas as pessoas queridas,
que estão nos dois extremos deste país.
Até
uns dias atrás, já não vinha dormindo direito.
Desde o começo do carnaval, não estava conseguindo
dormir direito, acordava no meio da madrugada, e durante o dia ficava
com a incômoda sensação de areia nos olhos. Não
era conjuntivite, mas hoje pela manhã já fiquei
alarmado, ao ver uma reportagem sobre epidemia dessa doença,
lá em São Paulo. Tem muito otário que vai pra
lá, sei lá pra quê, depois traz essas piras pra
passar pra gente! Mas então, voltando, recentemente tive dois
sonhos que só contribuíram, cada um a seu modo, pra me
abalar ainda mais as estruturas e me tirar mais um pouquinho do meu
eixo. Numa noite, acho que foi no fim de semana de, ou no fim do
carnaval, sonho com as duas criaturas que mais têm dominado os
meus pensamentos e meu coração: o meu amor mais
verdadeiro neste momento, minha filha, a menina que me adotou, era
uma, a outra que aparecia no sonho, sequer conheço
pessoalmente, mas é aquela que, me hipnotizou com seu olhar
cálido, com seu sorriso doce, que elegi como musa inspiradora,
que a cada dia me sinto mais apaixonado, sem sequer ter-lhe visto
pessoalmente, sem jamais ter-lhe ouvido a voz. E ainda dizem que
Manaus é um ovo... como pode, então, eu jamais tê-la
visto nem de relance?! Enfim, no sonho, estaríamos os três
usando roupas imaculadamente brancas, sentados numa sala de uma casa
toda branca, com móveis brancos, cortinas brancas, piso caiado
e o sol entrava e tomava conta, iluminando todos os cômodos,
graças às grandes janelas e aberturas nas paredes, que
tornavam a casa muito iluminada e arejada. Estava minha musa sentada
a meu lado, observando um álbum, meio como aqueles books de
fotos, meio como um tablet do tamanho de um caderno universitário,
com belas fotos, muito bem-feitas, da filhota, que como uma princesa,
sentava-se a nossa frente e penteava os cabelos calmamente. Em dado
momento, minha bela morena volta-se para mim e diz: “Tua filha é
linda! Podia ser uma modelo...” como era meu inconsciente falando,
minha musa, creio eu, manifestava de forma maternal a minha corujisse
de pai... é, um tanto contraditório, eu sei. Faz tempo
que não falo com um psicólogo, talvez devesse... sei
que, ao acordar do sonho, me senti bastante bem, ao saber que tinha
sonhado com minha paixão platônica e cibernética,
ao mesmo tempo que com minha filha. Por pouco tempo... logo comecei a
pensar nelas, me preocupar, a saudade começar a dialogar
comigo, a solidão entrando no meio da conversa... enfim,
acabei agoniado, inseguro, deprimido, quase chorando. Enfim, abalado,
emocional e moralmente.
Dias
depois, num outro sonho, creio que fui bastante influenciado pelas
notícias dos desastres, que nos têm chegado todo santo
dia, especialmente as do Japão. Sonhei que trabalhava com um
grupo, como voluntário no resgate de corpos e possíveis
sobreviventes, em uma região que fora devastada por uma
tempestade, uma cheia e um grande desmoronamento do barranco de algum
morro. Várias casas encontravam-se só os escombros,
soterrados por toneladas de terra, areia e argila. Entrávamos
num sobrado, cuja parte de baixo havia resistido e não ruíra,
em busca de sobreviventes e corpos. Lá entrando, fomos
surpreendidos por uma cena tétrica: várias pessoas, na
maioria, mulheres, amarradas e amordaçadas com o que parecia
ser fita adesiva, algumas com a cabeça completamente recoberta
daquele material, penduradas no que restara do piso do andar de cima,
como se tivessem sido enforcadas. Esse sonho me causou tão
forte impressão, tão grande mau-estar que o meu sono só
piorou nos dias posteriores. Lembro de acordar assustado após
esse sonho, no meio da madrugada, e não conseguir mais dormir,
só ficar deitado, olhando para o teto, talvez com medo que
ele, de repente, viesse abaixo.
Tenho
me emocionado com grande facilidade, tenho ido às lágrimas
com facilidade maior ainda: dia desses, revendo pela enésima
vez àquele filme, Click, comecei a chorar copiosamente em
algumas cenas do filme, e não sei por quê, pensei,
naquele momento, em meu amor e em minha paixão. O que pode ter
aquele filme a ver comigo, com minha musa e/ou com minha filhota? É
muito estranho. Eu sei. É estranho também pensar e
temer que possa perdê-las, a minha filhota, pela distância,
por ela estar crescendo, por não podermos nos falar todo o
tempo, pelo menos todo o que quisermos... minha morena, temo perdê-la
se ela souber o quanto a admiro e adoro, de forma platônica, se
souber-se admirada por mim, ou então no caso de nos
encontrarmos, mesmo que fortuitamente. É loucura. E me abala.
Esses tremores estão me deixando simplesmente agoniado e fora
do eixo. Precisaria e gostaria, muito, que esse terremoto emocional
acabasse.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Pede a Benção
Sim,
meu filho, sim...
O
caminho é longo
A
estrada é íngreme e perigosa
Mas
filho, é assim que tem de ser...
É
assim que é a vida!
Segue
teu coração
Luta
pelo que crês
Luta
pelo que queres conquistar
Se
puder, não esmoreça
Se
tropeçar nalgum buraco, levanta-te
Recupera
o equilíbrio
Por
debaixo dessa ponte
Muita
água passa,
Muita
água ainda irá passar!
Ergue
a cabeça, filho,
Dá
tua mão,
Pede
a benção à Mãe
E
segue teu caminho...
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