Uma
vergonha: hoje completando exatos 14 dias que não posto nada
no blog. Pior que tenho escrito muito, mas nada que se aproveite.
Quer dizer... deixa pra lá! Portanto, não é
falta de idéias, é dificuldade para pô-las em
ordem de uma forma lógica!
Tenho
idéias do que escrever, mas acabo desistindo delas. Não
ando mais tão concentrado. Ando meio desanimado, meio
depressivo. Pensei em escrever, comecei trocentos textos nessas
últimas duas semanas, mas toda vez eu acabei não
sabendo como continuá-los, muito menos como terminá-los.
Acabava me distraindo, me irritando com alguma coisa, perdendo o fio
da meada, perdendo horas, inclusive as de sono, e por fim,
desistindo. Hoje, mais uma vez, a esperança de que pelo menos
um texto, este, eu consiga terminar. Ah, se nada pudesse abalar essa
minha resolução...! O caso é que tô
facinho de me abalar, por qualquer besteira, por uma canção
qualquer... ah! Qualquer bobagem!
Acho
que de tempos em tempos sofro desses abalos, que não são
tão fáceis de se detectar, como um terremoto, mas que
fazem um bom estrago: fazem a gente fraquejar, se questionar quanto a
nossas escolhas, quanto à justeza do nosso destino, se culpar,
se cobrar, perder a confiança, em si e nos outros e umas
outras coisinhas mais. E não estou fazendo piada quanto ao
Japão, quando falo em terremoto! Assim que as notícias
chegaram, dando conta dos abalos terríveis que por lá
houveram, que arrasaram comunidades, cidades inteiras e culminaram
com mais de 6 mil mortos, milhares de desaparecidos e desabrigados,
também fiquei muito triste. Também fiquei
desassossegado. Mais do que já me encontrava.
Tenho
estado, ultimamente, mais suscetível a certas situações,
aos problemas meus e os alheios, tenho estado muito emotivo. Não
sei se é da lua, ou se sou eu mesmo. Antes mesmo do terremoto
e da tsunami que assolaram o Japão, já faz uma semana,
já fiquei mais sensibilizado que de costume, ao assistir num
noticiário local, uma reportagem sobre um acidente de trânsito
no interior de Santa Catarina, entre um ônibus e um caminhão,
que provocou 26 mortes, só no dia. Após o acidente,
pelo menos mais três vítimas vieram a falecer, até
hoje. Estavam hospitalizadas, mas isso só deu pra segurá-las
mais uns dias vivas, infelizmente. De um modo geral, tenho verdadeira
ojeriza a sensacionalismo, mas como ficar inabalável, sentado
na frente da tevê, ao ver jovens, crianças e adultos
chorando, desesperados, a perda de amigos, pais, irmãos,
parentes, maridos, esposas...?! Me comoveu imensamente aquela imagem,
passei o carnaval pensando nisso. Sim, foi em pleno feriado de
carnaval! Se você ainda não soube, não é
culpa sua: as grandes redes não costumam noticiar tragédias
durante os feriados, especialmente os pautados pela alegria, como o
Natal, Ano Novo e carnaval.
No
carnaval, já é um costume meu, há pelo menos uns
três anos, lamentar-me por não poder estar no
sambódromo, em Manaus, indo atrás do trio elétrico,
dançando, brincando, enfim, curtindo o Carnaboi. Este ano, por
alguns motivos para mim óbvios, outros nem tanto, parece ter
sido pior, mais dolorido, esse lamentar, essa tristeza por estar
alijado desse pequeno universo de folia ao som de toadas. Me sinto
desnorteado, fora do meu eixo, deslocado, longe de casa. Da casa que
meu coração inventou de escolher. Sinto falta de andar
pelas ruas do Centro histórico – que às vezes acho
que só eu gosto – encontrar os velhos amigos e conhecidos,
voltar a ver, poder abraçar a minha segunda família: a
filha do coração, que do alto dos seus seis anos me
adotou como pai, já faz uns bons seis anos... aquela que era
pra ser minha querida futura sogra, mas que acabou me adotando
também, por fim se tornando minha segunda mãe... essa
saudade, não sei, tem horas que me faz mal! Quero estar lá
até o fim deste ano, porque 2012, sabe-se lá o que nos
espera... se o fim do mundo, ou a hiper-inflação, ou o
desemprego, ou o quê... tem horas que sinto que está
tudo meio emperrado, sem saída! Tem me provocado imensa
agonia, essa incerteza toda, de tudo.
Depois
do carnaval, isso sou eu quem diz, é assim que penso, não
começa o novo ano, começam os desastres. Os grandes
desastres. Veio o terremoto, e depois o maremoto, parece que para
arrematar, no Nordeste do Japão. Depois ainda mais essa, o
desastre nuclear em Fukushima, cujas informações são
ainda muito confusas, dando a impressão de que a gente não
sabe da missa a metade. Enquanto que por aqui, temos o cardápio
requentado de sempre: enchentes no sul do Rio Grande do Sul, gente
morta, centenas, ou milhares de desabrigados, praticamente aqui do
lado. Médicos displicentes e negligentes que tiveram a coragem
de amputar a perna de um bebê por vacilo, pura e simplesmente!
Tempestades e deslizamentos de terra no litoral do Paraná,
destruindo estradas e isolando comunidades inteiras, que não
têm como se comunicar nem com o Sul, que dirá com o
resto do país. Em Minas Gerais, milhares de desabrigados, no
interior e na Capital, por conta das chuvas torrenciais. Nos dois
Matos Grossos, os rios estão subindo, e os meteorologistas nos
trazem notícias “animadoras”: as cheias no pantanal ainda
estão longe de acabar, ainda subirão mais do que já
subiram! No Pará, enxurradas também, destruindo casas,
inundando ruas de vilas e cidades, deixando muita gente desabrigada.
O terremoto que ocorreu no Japão, parece que reverberou no
mundo inteiro, não só através das grandes redes
de notícias: no Chile, antes do jogo do Santos, pela copa
Libertadores, houveram fortes tremores, de magnitude 5.7! Ontem pela
manhã, fiquei sabendo de tremores de terra no interior de
Pernambuco, e à noitinha, soube de tremores também no
interior de São Paulo. Tudo isso tem calado fundo no meu
coração, tem me agoniado... um misto de tristeza e
medo: sim, eu comecei a temer que os tremores chegassem até
minhas duas cidades! Fiquei preocupado com todas as pessoas queridas,
que estão nos dois extremos deste país.
Até
uns dias atrás, já não vinha dormindo direito.
Desde o começo do carnaval, não estava conseguindo
dormir direito, acordava no meio da madrugada, e durante o dia ficava
com a incômoda sensação de areia nos olhos. Não
era conjuntivite, mas hoje pela manhã já fiquei
alarmado, ao ver uma reportagem sobre epidemia dessa doença,
lá em São Paulo. Tem muito otário que vai pra
lá, sei lá pra quê, depois traz essas piras pra
passar pra gente! Mas então, voltando, recentemente tive dois
sonhos que só contribuíram, cada um a seu modo, pra me
abalar ainda mais as estruturas e me tirar mais um pouquinho do meu
eixo. Numa noite, acho que foi no fim de semana de, ou no fim do
carnaval, sonho com as duas criaturas que mais têm dominado os
meus pensamentos e meu coração: o meu amor mais
verdadeiro neste momento, minha filha, a menina que me adotou, era
uma, a outra que aparecia no sonho, sequer conheço
pessoalmente, mas é aquela que, me hipnotizou com seu olhar
cálido, com seu sorriso doce, que elegi como musa inspiradora,
que a cada dia me sinto mais apaixonado, sem sequer ter-lhe visto
pessoalmente, sem jamais ter-lhe ouvido a voz. E ainda dizem que
Manaus é um ovo... como pode, então, eu jamais tê-la
visto nem de relance?! Enfim, no sonho, estaríamos os três
usando roupas imaculadamente brancas, sentados numa sala de uma casa
toda branca, com móveis brancos, cortinas brancas, piso caiado
e o sol entrava e tomava conta, iluminando todos os cômodos,
graças às grandes janelas e aberturas nas paredes, que
tornavam a casa muito iluminada e arejada. Estava minha musa sentada
a meu lado, observando um álbum, meio como aqueles books de
fotos, meio como um tablet do tamanho de um caderno universitário,
com belas fotos, muito bem-feitas, da filhota, que como uma princesa,
sentava-se a nossa frente e penteava os cabelos calmamente. Em dado
momento, minha bela morena volta-se para mim e diz: “Tua filha é
linda! Podia ser uma modelo...” como era meu inconsciente falando,
minha musa, creio eu, manifestava de forma maternal a minha corujisse
de pai... é, um tanto contraditório, eu sei. Faz tempo
que não falo com um psicólogo, talvez devesse... sei
que, ao acordar do sonho, me senti bastante bem, ao saber que tinha
sonhado com minha paixão platônica e cibernética,
ao mesmo tempo que com minha filha. Por pouco tempo... logo comecei a
pensar nelas, me preocupar, a saudade começar a dialogar
comigo, a solidão entrando no meio da conversa... enfim,
acabei agoniado, inseguro, deprimido, quase chorando. Enfim, abalado,
emocional e moralmente.
Dias
depois, num outro sonho, creio que fui bastante influenciado pelas
notícias dos desastres, que nos têm chegado todo santo
dia, especialmente as do Japão. Sonhei que trabalhava com um
grupo, como voluntário no resgate de corpos e possíveis
sobreviventes, em uma região que fora devastada por uma
tempestade, uma cheia e um grande desmoronamento do barranco de algum
morro. Várias casas encontravam-se só os escombros,
soterrados por toneladas de terra, areia e argila. Entrávamos
num sobrado, cuja parte de baixo havia resistido e não ruíra,
em busca de sobreviventes e corpos. Lá entrando, fomos
surpreendidos por uma cena tétrica: várias pessoas, na
maioria, mulheres, amarradas e amordaçadas com o que parecia
ser fita adesiva, algumas com a cabeça completamente recoberta
daquele material, penduradas no que restara do piso do andar de cima,
como se tivessem sido enforcadas. Esse sonho me causou tão
forte impressão, tão grande mau-estar que o meu sono só
piorou nos dias posteriores. Lembro de acordar assustado após
esse sonho, no meio da madrugada, e não conseguir mais dormir,
só ficar deitado, olhando para o teto, talvez com medo que
ele, de repente, viesse abaixo.
Tenho
me emocionado com grande facilidade, tenho ido às lágrimas
com facilidade maior ainda: dia desses, revendo pela enésima
vez àquele filme, Click, comecei a chorar copiosamente em
algumas cenas do filme, e não sei por quê, pensei,
naquele momento, em meu amor e em minha paixão. O que pode ter
aquele filme a ver comigo, com minha musa e/ou com minha filhota? É
muito estranho. Eu sei. É estranho também pensar e
temer que possa perdê-las, a minha filhota, pela distância,
por ela estar crescendo, por não podermos nos falar todo o
tempo, pelo menos todo o que quisermos... minha morena, temo perdê-la
se ela souber o quanto a admiro e adoro, de forma platônica, se
souber-se admirada por mim, ou então no caso de nos
encontrarmos, mesmo que fortuitamente. É loucura. E me abala.
Esses tremores estão me deixando simplesmente agoniado e fora
do eixo. Precisaria e gostaria, muito, que esse terremoto emocional
acabasse.


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