PESCANDO NO BODOSAL

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Desnorteado


Desnorteado, me encontro, a cada dia que passa, cada vez mais, desnorteado...
É complicado... ontem até perdi o meu ponto, desci duas estações antes, tive que esperar outro ônibus. E tudo por que, meu Deus, por quê?
Porque estou cada vez mais, e ficando completamente, desnorteado. Há tanto tempo, o coração avulso se encontra, sem paciência para bater, atrapalhando-me de pensar.
Não consigo lutar, penso que devo desistir, não importa o que faça, toda vez que lhe vejo, sinto meu coração balançar. Tento firmar a visão a frente, mas não consigo concentrar-me. Não consigo desviar o olhar de seu sorriso largo, e quando fecho os olhos, é nesse mar tépido, nesse sorriso, nesses olhos de profundo negror, nesses cabelos castanhos escuros que meus pensamentos se embaraçam, é de onde não consigo fugir, e me perco a devanear.
Lhe conheci ainda ontem, lhe conheço desde criança, lhe conheço há quatro anos, ou a dez... meses! Pouco importa, o tempo é relativo. Em um dia, um encontro, fui cativado e cativo por uma vida. Seu rosto, seu jeito, seu riso, seu olhar, são muitos e um só, escraviza meu pensamento, como escravizou meu coração.
Me faz sorrir, e me fez chorar, então. Me iludi e fui iludido, me machuquei com as dúvidas, e fui machucado com as certezas. Fui-lhe peça importante em sua vida, enquanto me entregar assim, de bandeja, foi-lhe útil. Acreditei não poder viver sem, ao menos, ver-lhe o sorriso, sofri muito o medo de perder todo contato consigo. E quando começo a me acostumar com sua falta...
Vejo-lhe novamente, ainda mais linda que da última vez, sinto-me novamente perdido em devaneios loucos, fico novamente cativo daquele olhar, daquele sorriso. Sinto inveja de quem da sua companhia porventura esteja desfrutando. Sinto meu coração descompassar, sinto-me perdendo o chão. Não consigo mais ficar sem lhe ver, apenas lhe ver. Mesmo sem ser visto. Mesmo que não me dirija a palavra, nem ao menos para dizer “oi”.
Não sei mais nada, não tenho mais certezas. Faço coisas sem esperar-lhe resposta, apenas as faço. Quero-lhe, apenas isso. Não importa como. Não importa se é possível. Nem se não fará possível. Desnorteio-me e continuo a amar-lhe. Sozinho. E mais desnorteado que nunca.
Quero-lhe e amo-lhe. Desnorteado, sem esperanças, sem expectativas, somente querendo-lhe o mínimo possível de atenção. Ou não... sonhando com o que tivemos – ou não – com o que teríamos e nunca tivemos. Sonhando em ter-lhe e acordando com um sorriso idiota de canto. Sem saber o que pensar, sem concentração, sem norte, sem chão. Desnorteado eu fico, desnorteado estou.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Bom Brasileiro


Pois hoje tirei pra rir porque tô mais pra chorar. É que é tradição, sexta-feia você não pode ficar de mal com o mundo, tem que sorrir, dar risada, alegrar-se porque tá começando o fim de semana, mesmo que sem muitas perspectivas boas, nem grana, nem com quem sair, desopilar, beber, e blá-blá-blá... é, rir demais acaba um pouco com minha produtividade no trabalho, mas a depressão afeta muito mais, então vamos rir! Vamos tentar insistir em rir e achar graça da vida!
Pois já sabem, também, que tô longe de casa. Ou do lugar onde chamo de lar. Se não sabiam, estão sabendo, pois já falei umas trocentas vezes por aqui. Aqui onde tô, tem metrô. E eu o pego, de segunda a sexta, de onde estou morando até o trabalho. E já contei do tipo de gente que cruza conosco, nas passarelas de acesso das estações do metrô. E já devo ter contado do tipo de gente que me aborrece dentro dos trens e das estações – e o seu entorno.
Hoje, talvez intuitivamente, pois antes de ler o fantástico texto do professor Sérgio Freire – que você pode ler aqui – já tinha decidido que não iria me deixar aborrecer. Tanto que, vendo um apressadinho, um rapaz dos seus vinte e poucos anos, vestido com camisa social cor creme e calça jeans escura, cabelo cortado bem curtinho, com uma daquelas bolsas estilo executivo a tira-colo, passar por mim esgueirando-se rapidamente, feito uma osga passando pela fresta da madeira, o máximo que consegui sentir foi pena do pobre indivíduo.
É que hoje, justo hoje, justo na sexta-feira, todo mundo resolveu descer, às 9 horas da manhã, a passarela em bloco. O apressadinho passou por mim e tudo o que pude fazer por ele foi sorrir e desejar-lhe sorte, pois já antevia o que ia acontecer logo ali adiante – e fatalmente aconteceu: ele não conseguiu mais passar por entre o mar de gente, tanto que o sujeito grandão e desengonçado que ele havia deixado pra trás – e que no caso era eu – quase pisou nos seus calcanhares pelo menos duas vezes. Na maioria das vezes me irritam os apressadinhos justamente por isso, fatalmente os encontro na “curva” da passarela, atravancando o caminho. Deve ser coisa da nossa cultura. Brasileiro é mesmo um povo fodástico, os apressadinhos querem chegar antes da gente lá adiante, pra ficar tastaveando, como diz minha mãe, bem na nossa frente, e os lerdos parece que, quando percebem que estão num passo mais lento que o nosso, fazem questão de andar ainda mais lentos, na nossa frente, e sem dar passagem, nem que disso dependam suas vidas!
E enquanto descíamos, aquele belo grupo compacto de pessoas bonitas, elegantes e sinceras, vinha subindo, do outro lado da passarela, um casal de anciãos. E não sei exatamente sobre o que os dois conversavam, mas tenho uma vaga ideia. O homem falava à senhora, que, imagino, era sua mulher: “Antigamente poucos chegavam aos 60 anos...” Imagino eu que estivessem falando sobre... a longevidade! E me peguei pensando...
Muitas vezes ouvi minha mãe dizer que “muita gente” chegava aos 60 anos, nos “antigamente”. Porém já tentei argumentar com ela, dizendo que “muita gente” não é o mesmo que “a maioria”! Não faz muito tempo, uns 50 anos, mais ou menos, era raro alguém chegar até os 60 anos de idade. Ponto! Com saúde, ou sem saúde, eram raros os que chegavam à casa dos 60, mais raros ainda os que passavam disso! Há quase vinte anos, meu pai falecia, antes de completar 67 anos, quer dizer, ele foi um desses que não venceram essa barreira.
Lembro que há uns 20 e poucos anos, quando eu era menino, quando se ouvia a notícia da morte de algum famoso, de alguma celebridade, ou autoridade, ou o que o valha, a gente ainda comentava que o dito já tinha vivido muito, caso tivesse chegado à famigerada casa dos sessenta. Hoje, já se ouve falar que fulano morreu e se surpreende por ter partido “tão moço”... nessa mesma casa aí, dos sessenta! É, a gente não se apercebe, na maioria das vezes, dessas sutis mudanças de parâmetros. Aí a gente pensa mais ou menos como minha mãe: que isso sempre foi assim, que sempre foi normal ter tanta gente chegando a uma certa idade, quando na verdade aquele nosso tio-avô lá de Nhamundá era um dos casos raros de pessoas longevas! E podemos perceber, duma hora pra outra, que nem foi tão longevo assim! Há uns anos atrás, eu ficaria contente se chegasse a idade que meu pai chegou. Hoje, se puder, penso que gostaria de chegar relativamente bem aos 90, talvez 100 anos! Por que não? Talvez, até lá, isso seja tão normal e corriqueiro quanto se chegar aos 60 é hoje. E quanto nunca foi antes! Ainda mais num país como o Brasil!
Acho que aqui, em relação a outros países, principalmente os desenvolvidos, há um fenômeno que não se repete em nenhum outro lugar no mundo! Sim, pois mesmo não tendo a estrutura que tem nos países da Europa ocidental, por exemplo, como Inglaterra, Itália, Espanha, Alemanha, França, etc, já estamos chegando à expectativa média de vida desses países! Mesmo com um sistema de saúde deficitário, mesmo faltando saneamento básico, mesmo com os índices alarmantes de insegurança – que não se resume só à criminalidade, não senhor, falta segurança nas estradas, melhor educação no trânsito, o risco de se viver em locais irregulares e insalubres, etc – ainda há uma boa porcentagem da população, quase metade, com uma elevada expectativa de vida.
Sei de um blogueiro que sigo no site de microblogs twitter, que critica todos aqueles lugares-comuns, todos aqueles jargões e motivos de que se fala pra “se ter orgulho de ser brasileiro”. Às vezes concordo inteiramente, ultimamente tenho considerado pura e simplesmente como rabugice de carioquinha de classe média alta que preferia ser “daselite”, mesmo. Preferia e não pode, sabe coé? Então. Pois esse moço tem sérias dúvidas sobre o que o brasileiro teria de mais que outros povos e outros indivíduos de outras nacionalidades. Pois hoje, me peguei pensando nisso, e cheguei a conclusão, que provavelmente amanhã, ou depois, vai se mostrar parcial ou inteiramente equivocada, mas enfim: o que nós temos de mais que os outros povos, qual a “vantagem” do brasileiro, se podemos dizer assim? Acho eu que é a teimosia! Pois, se apesar de todos os problemas listados, o brasileiro médio está vivendo mais... só pode ser por teimosia! Com essa saúde e saneamento básico ainda a níveis africanos, na imensa maioria de nossas cidades... a única explicação plausível é que somos um povo muito teimoso!
Apesar dos altos impostos, da falta de subsídios, das intempéries e outros fatores internos e externos, o país quebra recordes de safra de diversos produtos agropecuários há uns quinze anos seguidos! Apesar da imensa carga tributária, dos altos juros, da falta de crédito aos pequenos e microempreendedores, da baixa do dólar, da inflação, parcialmente controlada, dos rescaldos de uma crise econômica, que ainda vêm afetando o mercado internacional, a economia vem tendo um crescimento considerado de um bom volume. Sem falar nos pesares todos que, apesar deles, ainda temos a maior floresta do mundo ainda bem preservada! Não é espantoso?! o.0

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sensual Demais!


A Guerra no Rio


A guerra no Rio tá bombando! Essa é a nova onda do verão! Em todos os canais de tevê só se fala em outra coisa! Então, ora bolas, deixa eu falar também! Tá todo mundo se afundando, deixa eu me afundar um pouquinho, também!
Na verdade, não tenho muito o que falar a respeito. Nem sei se vou falar tanto assim sobre. Queria escrever é outra coisa, mas aquilo que eu escreveria, sim, teria que ser mais elaborado. Um pequeno texto sobre a crise do Rio de Janeiro não precisa. Não vou me aprofundar no assunto, não vou discorrer sobre os problemas.
Ontem à noite, tava vendo a cobertura da guerra do Rio, pelo jornalístico, depois do jogo. Lembrei de minha família manauara. Me ligaram no outro domingo, aí me contaram que tavam em dúvida, se iam para o Rio, pra passar a virada de ano, ou se vinham para Porto Alegre. Falta mais de mês pro reveillon, mas os cariocas já estão fazendo o show de fogos, todas as noites. Logo me lembrei deles e mandei-lhes uma mensagem de celular, pra acompanharem a queima de carros em Copacabana da televisão, lá em casa!
O problema do Rio é o mesmo de boa parte do país. Não se engane, o que está acontecendo no Rio, agora, neste momento, essa guerra civil, sem tréguas, entre o poder público e os criminosos, em maior parcela o tráfico de dorgas, Manolo, é a mesma que você mesmo já presenciou, na sua cidade, só que, talvez, em menor escala! O problema do Rio é o mesmo de Manaus, de Porto Alegre, de São Paulo, de Florianópolis, de Salvador, de Brasília... o governo, que é eleito por nós todos, é negligente, o Estado é desestruturado, mal-planejado, mal-aparelhado... a população não é assistida, não tem segurança, não tem educação, não tem saúde. Ouvi a presidente Dilma, ontem, na tevê, falando em dar “mais oportunidades”... e como ela pretende fazer isso? Como pretende erradicar a miséria e oferecer oportunidades de progresso? Aliás, o partido da presidente é meio avesso a esse negócio de “progresso”, “mérito”, “empreendedorismo”, “livre iniciativa”... e, em comum com os governos anteriores? Em comum com seus opositores? O descaso com a educação! A melhor forma de criar oportunidades pra população é essa! Ou você acha que a galera dos morros cariocas não sabe disso? É claro que sabe! Pode me chamar de ingênuo, mas acredito, sim, que a imensa maioria daquela gente queria ter acesso a uma boa escola, a uma boa educação, de boa qualidade... tipo a que receberam os filhos do presidente molusco, quando foram lá pra Europa!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Relações de Amizade e de Amor


Penso nas coisas e às vezes parece-me tarde pra falar sobre. Ou que, então, estou falando atrasado. Ontem ainda, estava me lembrando dum post-resposta, de um blogueiro conhecido meu, de Manaus, a um outro moço, playboyzinho qualquer de São Paulo – que provavelmente achava que somente isso bastava pra se ter um blog: ser paulista! Mas faz muito tempo que li esse texto! Enfim, à época me indignou muito tudo o que o playboyzinho falava sobre a cidade que conheci apenas em 2003 e aprendi a amar, como se lá tivesse nascido. Capitan, my capitan, dirá, talvez: “não pode!!”. E eu direi em resposta: pode sim! E foda-se quem pensa diferente!
Nunca fui playboy, sobretudo em Manaus! Morei mal, lá, mas uma vez só: paguei aluguel até baixo, porém muito alto, proporcionalmente ao buraco mal-construído, extremamente quente, desleixado e mal-ventilado onde habitei por alguns meses, cuja única vantagem era a localização: no bairro da Cachoeirinha, há umas duas quadras do Terminal de ônibus, umas três ou quatro do supermercado, padaria, farmácia, lanchonetes, barraquinhas de café da manhã – acredite, caro manauense, por aqui já estão lhes copiando essa idéia! – bem próximos; há uns três quilômetros do Centro, e uns seis do Studio 5... enfim, até gostava daquele bairro... num outro blog, uns dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, li um texto, que não falava EXATAMENTE do bairro, ou do Terminal 2 em si, mas que ao lê-lo, me senti transportado para lá!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Dias sem Dormir e a Paz no Teu Sorriso


Dias seguidos com problemas para dormir. Na madrugada, pensamentos caóticos... alguma depressão me leva a tempos atrás, no lugar onde hoje ainda queria estar. Saudades do que se foi, e do que não foi, também! O resultado cruel é que tenho levantado todas as manhãs – pelo menos nos últimos meses – como um zumbi, os olhos ardendo, a cabeça grogue, uma tentativa consciente de manter a atitude e o pensamento positivos, porém em vão; procuro não sucumbir à profunda tristeza e ao desespero, procuro repensar velhos planos, em idéias para textos, contos, etc. Tento escrever, tento pensar em você, tento me acalmar... e tem sido bem difícil. Tem sido mais complicado ainda passá-las para o papel, traduzir em palavras... sim, papel! Para o editor de texto e, posteriormente, para o blog, só vai a versão editada, melhorada – ou não!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

NENEM e a multidão de INEPtos


Só se fala em outra coisa. O concurso de humoristas de péssima qualidade, até mesmo para o Zorra e a Praça, teve a sua... sei lá, semi-final, ontem! E só hoje os humoristas realmente engraçados foram dar as caras! O presidente molusco arrancou gargalhadas, hoje, ao tascar essa: a eleição da “presidenta” Dilma foi uma vitória do “bom senso”(!!!). É isso mesmo, você não leu errado, ele disse: “bom senso”!! E você aí se esforçando pra achar graça nos mal-humoristas que se apresentaram ontem no domingão, veja você... o presidente molusco, que se despede do cargo que ocupou nos últimos oito anos, provavelmente já está de olho numa vaguinha no Casseta & Planeta, até hoje não preenchida, quatro anos depois do falecimento de Bussunda.
Bem como o diretor do INEP(to), que tentou explicar o inexplicável e, não resistindo ao clima super-descontraído de uma coletiva, quis mostrar-se também engraçado – desconfio que também tenha assistido ao mesmo quadro do referido programa dominical – e saiu-se com uma piada divertidíssima: “O ENEM foi um sucesso”! Uau!! Você também viu!? Foi um sucesso!! Só se foi em demonstrar-se um completo fiasco! Sim, que seria sucesso em quê!? Ah, esses novos humoristas, ainda me matam...!
No sábado, primeiro dia de provas do ENEM, problemas com os cadernos de provas – questões repetidas, ou faltando, etc – e folhas de respostas com a ordem invertida; depois, no domingo, numa escola de Belém do Pará, folhas de respostas e cadernos de questões com números de inscrição incorretos, ou faltando... e isso que o ENEM foi um “sucesso”! Imagina se não tivesse sido! Ano passado, já tivemos aquele escândalo do vazamento de provas, tentativa de venda pra fraudadores, etc. Este ano, não quiseram ficar pra trás, e a gráfica escolhida para imprimir as ditas cujas, por licitação, fez um serviço “nas coxas”, e pra ficar ainda mais “bonito” para o Ministério da (Des)Educação, entregaram-nas para que o INEP(to), que organiza, ou deveria organizar, revisasse as provas, em cujas quais não teria averiguado NENHUMA irregularidade, das tantas que foram posteriormente apresentadas. Será que as provas enviadas para revisão teriam sido outras?! Ou as pessoas pagas pelo instituto para fazer o trabalho simplesmente não revisaram?! É de se perguntar... pois mandaram aplicar assim mesmo!? Hoje pela manhã, no telejornal, ouço o sujeito dizer que “só naquele instante” (da entrevista coletiva) “haviam chegado ao seu conhecimento os problemas”! PUTA QUE PARIU, VÉI!!! Bom, pelo menos as eleições já passaram... sim, porque com certeza haveria algum imbecil pra dizer que se trata de “intriga da oposição”!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Os Vencedores Constrangidos

O dia seguinte... as pessoas começam a retomar suas vidas, mais ou menos de onde as deixaram, após meses entretidas com a campanha e os preparativos pra mais uma “festa da democracia”. Não sei vocês, mas tô pra ver uma eleição mais chata que esta de ontem! Mais chata e mais difícil: até as últimas eleições municipais tiveram mais opções, em termos de candidatos e de idéias. Tá, na cidade onde voto talvez nem tanto... mas você entendeu! Enfim!
Hoje, parece que, com a ressaca, veio uma tomada de consciência. Parece que, só agora, se aperceberam que ontem teve uma votação, teve o segundo turno de uma eleição. Parece que se aperceberam – até que enfim – que não se tratava de uma corrida de cavalos... apesar dos dois candidatos relincharem e se escoicearem mutuamente, em vez de apresentar propostas e idéias. Tampouco era um campeonato de futebol, não tinha taça pro vencedor levantar, ontem à noite!
De repente, vejo nas redes sociais, por exemplo, gente que antes “agitava bandeiras” e entoava “gritos de guerra” de determinado candidato, hoje demonstrando irritação com os abusos cometidos por “sua” torcida. Essa mesma gente, até uns três dias atrás, só apontava os abusos e equívocos da campanha adversária; apontava seus dedinhos encardidos na direção até de amigos – ou pessoas com quem tinha relações mais afáveis e respeitosas, pelo menos – de forma acusadora, como se lhe tivessem atacado e monitorado suas palavras. Não é errado... é bom ter algum senso de autocrítica. Mas soa estranho... ainda mais se manifestando tão tarde!
Se tivessem reconhecido a falta de condições dessas duas candidaturas, se percebessem a falta de discussão mais séria e o excesso de bate-boca... se percebêssemos o quão ridículo é torcer por um candidato, já seria uma grande coisa! Seria, talvez, um passo importante pra um maior amadurecimento... saca aquela coisa de não inventar razões pra votar em alguém, quando se sabe que não tem nenhuma!? Pois é, no dia que isso acontecer, Serra e Dilma não se elegem pra mais nada! Sei lá, eu espero, sinceramente...
A festa durou pouco, até, mas desconfio que a ressaca vai durar uns quatro anos, a contar de hoje. As “torcidas adversárias” estão abandonando as bandeiras que até ontem tremulavam nas ruas, e os “vencedores” já parecem constrangidos, antes mesmo de seus candidatos assumam os cargos para os quais foram eleitos... pois é, né! Em vez de buscar conhecimento, de sermos mais racionais e votarmos conscientemente, perdemos tempo e energia preciosos com discussões fúteis, radicalizações estúpidas e suscetibilidades emocionais. Agora temos que torcer, mais do que nunca, e orar muito, pra que tenhamos escolhido bem... e se não tiver sido o caso, agora é meio tarde, então oremos para que os anjos – ou alguém, ou uma força maior, sei lá – iluminem os passos desses governantes e legisladores... e tentar nos preparar mais e melhor, pra daqui há quatro anos não fazermos tudo de novo, não cometermos os mesmos erros e buscarmos nós, o país, o povo, a nação, etc, sermos os vencedores. Porque, do contrário, os “vencedores”, sejam quais forem, se sentirão constrangidos, mais uma vez.

Oh Capitan, my Capitan!!

O segundo turno das eleições é amanhã. Vou lá votar porque sou obrigado. Só isso. Se não fosse obrigatório, nem perderia meu tempo... sim, perder meu tempo! Sabe, ximango velho, ainda bem que você me abriu os olhos! Quanto à “perda de tempo” em lutar contra “o inevitável”?! Não, sabe o que é... acontece que não aceito resultados assim, tão passivamente... não aceito, nem sou obrigado a “engolir sapos”, sejam eles barbudos, ou carecas! Só você não aproveitou a oportunidade pra entender que você também não é: há diversas formas de se rebelar!
Você abriu os olhos, no que se refere – sim, eu sei que você entendeu a ironia – a perda de tempo que era discutir, demonstrar opinião própria, argumentar... pois um doutor, um sujeito estudado, um professor de faculdade, não estava nem um pouco preocupado em pesquisar, estudar, buscar conhecimento... não demonstrou argumento, não procurou ser racional, caiu na pasmaceira dominante e repetiu todas as frases feitas. Não discutiu, em momento algum, política, pelo contrário, caiu na mesmice, na mediocridade de discutir voto, mesmo tendo nós repetido inúmeras vezes que não nos interessava tal discussão pueril e patética. O senhor é doutor, o senhor é professor! Eu sou um mero auxiliar de escritório, com ilusões de escritor e cronista, que mal e porcamente tem o ensino médio, e um período mal-concluído de curso de Turismo!
Veja, não fui eu quem mediu-o por minha própria medida, eu não tenho sistemas... não viajei na maionese, não resolvi que você era o inimigo! Você não é meu inimigo, não tenho por inimigos gente dominada e fraca. Não, você é apenas mais um ximango. Só isso. Você é que decidiu por mim o meu voto, você decidiu ter-me como inimigo, pois eu seria obrigado a votar no adversário de teu candidato. Você separou as pessoas entre “aliados” e “inimigos”, demonizou uns e beatificou outros. E eu acabei, mesmo, separando as pessoas também... se não me engano, e bem me lembro, não há muitos independentes... sim!! Independentes! Por enquanto, sou eu e os outros. É a separação que faço. Adivinha em que grupo você se encontra!? Não se ofenda, todo ximango é dos “outros”!
Não me importa em quem você vote... nunca fiz segredo sobre o que penso, no que se refere a qualquer um dos candidatos! Sempre deixei claro que não pretendo escolher nenhuma das duas piras purulentas que sobraram no segundo turno. Mas você decidiu por mim, resolveu que eu devia escolher uma delas, e obviamente, que teria de ser o adversário! Oh, capitan, my capitan...
Quando faltaram-lhe argumentos para apoiar a sua falta de argumentos, quando faltaram-lhe razões para justificar em quem, e porque, vai votar, decidiu esquivar-se, decidiu usar da mesma arma do teu candidato: atacou os “inimigos” e acusou o “golpe sofrido”, monitorou o que diziam e fingiu-se vítima de um suposto monitoramento! A gente monitora a quem nos monitora primeiro. Neste país tornou-se proibido ter pensamento independente, mostrar-se descontente, saber e querer mais e melhor... e principalmente, tornou-se proibido discordar da maioria! E você sabe que isso não é democracia... mas pssssit! Não espalha! Sabe que ninguém é obrigado a escolher entre dois lados!