PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Oh Capitan, my Capitan!!

O segundo turno das eleições é amanhã. Vou lá votar porque sou obrigado. Só isso. Se não fosse obrigatório, nem perderia meu tempo... sim, perder meu tempo! Sabe, ximango velho, ainda bem que você me abriu os olhos! Quanto à “perda de tempo” em lutar contra “o inevitável”?! Não, sabe o que é... acontece que não aceito resultados assim, tão passivamente... não aceito, nem sou obrigado a “engolir sapos”, sejam eles barbudos, ou carecas! Só você não aproveitou a oportunidade pra entender que você também não é: há diversas formas de se rebelar!
Você abriu os olhos, no que se refere – sim, eu sei que você entendeu a ironia – a perda de tempo que era discutir, demonstrar opinião própria, argumentar... pois um doutor, um sujeito estudado, um professor de faculdade, não estava nem um pouco preocupado em pesquisar, estudar, buscar conhecimento... não demonstrou argumento, não procurou ser racional, caiu na pasmaceira dominante e repetiu todas as frases feitas. Não discutiu, em momento algum, política, pelo contrário, caiu na mesmice, na mediocridade de discutir voto, mesmo tendo nós repetido inúmeras vezes que não nos interessava tal discussão pueril e patética. O senhor é doutor, o senhor é professor! Eu sou um mero auxiliar de escritório, com ilusões de escritor e cronista, que mal e porcamente tem o ensino médio, e um período mal-concluído de curso de Turismo!
Veja, não fui eu quem mediu-o por minha própria medida, eu não tenho sistemas... não viajei na maionese, não resolvi que você era o inimigo! Você não é meu inimigo, não tenho por inimigos gente dominada e fraca. Não, você é apenas mais um ximango. Só isso. Você é que decidiu por mim o meu voto, você decidiu ter-me como inimigo, pois eu seria obrigado a votar no adversário de teu candidato. Você separou as pessoas entre “aliados” e “inimigos”, demonizou uns e beatificou outros. E eu acabei, mesmo, separando as pessoas também... se não me engano, e bem me lembro, não há muitos independentes... sim!! Independentes! Por enquanto, sou eu e os outros. É a separação que faço. Adivinha em que grupo você se encontra!? Não se ofenda, todo ximango é dos “outros”!
Não me importa em quem você vote... nunca fiz segredo sobre o que penso, no que se refere a qualquer um dos candidatos! Sempre deixei claro que não pretendo escolher nenhuma das duas piras purulentas que sobraram no segundo turno. Mas você decidiu por mim, resolveu que eu devia escolher uma delas, e obviamente, que teria de ser o adversário! Oh, capitan, my capitan...
Quando faltaram-lhe argumentos para apoiar a sua falta de argumentos, quando faltaram-lhe razões para justificar em quem, e porque, vai votar, decidiu esquivar-se, decidiu usar da mesma arma do teu candidato: atacou os “inimigos” e acusou o “golpe sofrido”, monitorou o que diziam e fingiu-se vítima de um suposto monitoramento! A gente monitora a quem nos monitora primeiro. Neste país tornou-se proibido ter pensamento independente, mostrar-se descontente, saber e querer mais e melhor... e principalmente, tornou-se proibido discordar da maioria! E você sabe que isso não é democracia... mas pssssit! Não espalha! Sabe que ninguém é obrigado a escolher entre dois lados!
Você não admite e critica “os que reclamam de tudo”... oh capitan, my capitan! Francamente!! É tão mais sábio, então, fechar os olhos e dizer que está tudo muito melhor, como jamais esteve antes, na história deste país! Esperar sentado que a revolução comece, que a grande mudança chegue por si mesma, que o país que queremos brote do chão! É... que idiotas são os independentes e os sonhadores... tome cuidado conosco, ximango! Somos mais perigosos que quem vai votar... no outro!
A mim nunca interessou trocar seis por meia-dúzia. Eu falei diversas vezes, que lamentaria muito o dia em que viesse a votar em qualquer uma das duas pestes negras que amanhã estarão disputando a presidência. Sempre falei da mudança no sistema... me diga, qual deles vai mudá-lo, mesmo? O teu candidato!? Ah é, já tá mudando?? Rá!! Eu duvido!! Ambos tiveram o mesmo tempo para fazer o que devia ser feito, e não o fizeram! Só você não entendeu que não vou festejar nenhum dos dois que saia vitorioso! Ganhe um, ganhe o outro, e sairemos todos perdendo! Você, os “aliados” e os “inimigos”! Eu e os outros! Todos perdemos! E, independente de quem faça mais votos... algum deles vai perder!? CLARO que não!! De qualquer maneira, a equação é bem simples: eles ganham, nós perdemos! O Brasil perde, como vem perdendo há séculos. É você ainda querendo agir como o moleque imbecil que diz: “o meu candidato vai ganhar, hã-hã-hããã...” e a tua vida, se não ficar um pouco mais difícil, vai continuar a merma porra.
De que adiantou? O que foi que conseguiu, mermo? Ah, sim... você me convenceu!! É perda de tempo discutir política com imbecis que só discutem eleição!! Oh, capitan, my capitan... obrigado!! Foi muito gozado vê-lo chatear-se, quando lhe mostraram que fingir-se de vítima de inimigos cruéis a lhe espionar e monitorar não era, nem de longe, a melhor forma de convencer a voltarem-se para o teu lado! Doutor ximango, quando quis falar grosso, foi solenemente ignorado, daí tentou puxar conversa, tentou ser afável e simpático, quis ser assunto, quis recitar algumas pérolas de sabedoria... de cujas quais, nem metade aplica em sua vida, visto que não as aplicou, em momento algum, dentro do “debate de idéias”. Tentou provocar briga e perdeu a guerra... e isso, muito antes de a guerra começar! Oh, capitan, my capitan... você é inteligente, então SEJA inteligente! Não seja presunçoso, estar com a maioria nem sempre é estar com a razão! Porque quem andou monitorando não é doutor, não quer dizer que lhe falte discernimento! Não está bom do jeito que está, e antes também não estava melhor que agora. Eu não vou escolher alternar as panelinhas só pelo “bem” da alternância de poder. Isso é patético. Não é difícil entender: se vou escolher alguém, ou um grupo, um modelo, vou escolher o melhor! Entre dois modelos iguais, não há como existir um melhor. Oh, capitan, my capitan... você é o doutor, e tua cabeça de ximango não te deixa enxergar... que o meu voto nunca foi do teu candidato, e muito menos do adversário!

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