O
segundo turno das eleições é amanhã. Vou
lá votar porque sou obrigado. Só isso. Se não
fosse obrigatório, nem perderia meu tempo... sim, perder meu
tempo! Sabe, ximango velho, ainda bem que você me abriu os
olhos! Quanto à “perda de tempo” em lutar contra “o
inevitável”?! Não, sabe o que é... acontece
que não aceito resultados assim, tão passivamente...
não aceito, nem sou obrigado a “engolir sapos”, sejam eles
barbudos, ou carecas! Só você não aproveitou a
oportunidade pra entender que você também não é:
há diversas formas de se rebelar!
Você
abriu os olhos, no que se refere – sim, eu sei que você
entendeu a ironia – a perda de tempo que era discutir, demonstrar
opinião própria, argumentar... pois um doutor, um
sujeito estudado, um professor de faculdade, não estava nem um
pouco preocupado em pesquisar, estudar, buscar conhecimento... não
demonstrou argumento, não procurou ser racional, caiu na
pasmaceira dominante e repetiu todas as frases feitas. Não
discutiu, em momento algum, política, pelo contrário,
caiu na mesmice, na mediocridade de discutir voto, mesmo tendo nós
repetido inúmeras vezes que não nos interessava tal
discussão pueril e patética. O senhor é doutor,
o senhor é professor! Eu sou um mero auxiliar de escritório,
com ilusões de escritor e cronista, que mal e porcamente tem o
ensino médio, e um período mal-concluído de
curso de Turismo!
Veja,
não fui eu quem mediu-o por minha própria medida, eu
não tenho sistemas... não viajei na maionese, não
resolvi que você era o inimigo! Você não é
meu inimigo, não tenho por inimigos gente dominada e fraca.
Não, você é apenas mais um ximango. Só
isso. Você é que decidiu por mim o meu voto, você
decidiu ter-me como inimigo, pois eu seria obrigado a votar no
adversário de teu candidato. Você separou as pessoas
entre “aliados” e “inimigos”, demonizou uns e beatificou
outros. E eu acabei, mesmo, separando as pessoas também... se
não me engano, e bem me lembro, não há muitos
independentes... sim!! Independentes! Por enquanto, sou eu e os
outros. É a separação que faço. Adivinha
em que grupo você se encontra!? Não se ofenda, todo
ximango é dos “outros”!
Não
me importa em quem você vote... nunca fiz segredo sobre o que
penso, no que se refere a qualquer um dos candidatos! Sempre deixei
claro que não pretendo escolher nenhuma das duas piras
purulentas que sobraram no segundo turno. Mas você decidiu por
mim, resolveu que eu devia escolher uma delas, e obviamente, que
teria de ser o adversário! Oh, capitan, my capitan...
Quando
faltaram-lhe argumentos para apoiar a sua falta de argumentos, quando
faltaram-lhe razões para justificar em quem, e porque, vai
votar, decidiu esquivar-se, decidiu usar da mesma arma do teu
candidato: atacou os “inimigos” e acusou o “golpe sofrido”,
monitorou o que diziam e fingiu-se vítima de um suposto
monitoramento! A gente monitora a quem nos monitora primeiro. Neste
país tornou-se proibido ter pensamento independente,
mostrar-se descontente, saber e querer mais e melhor... e
principalmente, tornou-se proibido discordar da maioria! E você
sabe que isso não é democracia... mas pssssit! Não
espalha! Sabe que ninguém é obrigado a escolher entre
dois lados!
Você
não admite e critica “os que reclamam de tudo”... oh
capitan, my capitan! Francamente!! É tão mais sábio,
então, fechar os olhos e dizer que está tudo muito
melhor, como jamais esteve antes, na história deste país!
Esperar sentado que a revolução comece, que a grande
mudança chegue por si mesma, que o país que queremos
brote do chão! É... que idiotas são os
independentes e os sonhadores... tome cuidado conosco, ximango! Somos
mais perigosos que quem vai votar... no outro!
A
mim nunca interessou trocar seis por meia-dúzia. Eu falei
diversas vezes, que lamentaria muito o dia em que viesse a votar em
qualquer uma das duas pestes negras que amanhã estarão
disputando a presidência. Sempre falei da mudança no
sistema... me diga, qual deles vai mudá-lo, mesmo? O teu
candidato!? Ah é, já tá mudando?? Rá!! Eu
duvido!! Ambos tiveram o mesmo tempo para fazer o que devia ser
feito, e não o fizeram! Só você não
entendeu que não vou festejar nenhum dos dois que saia
vitorioso! Ganhe um, ganhe o outro, e sairemos todos perdendo! Você,
os “aliados” e os “inimigos”! Eu e os outros! Todos perdemos!
E, independente de quem faça mais votos... algum deles vai
perder!? CLARO que não!! De qualquer maneira, a equação
é bem simples: eles ganham, nós perdemos! O Brasil
perde, como vem perdendo há séculos. É você
ainda querendo agir como o moleque imbecil que diz: “o meu
candidato vai ganhar, hã-hã-hããã...”
e a tua vida, se não ficar um pouco mais difícil, vai
continuar a merma porra.
De
que adiantou? O que foi que conseguiu, mermo? Ah, sim... você
me convenceu!! É perda de tempo discutir política com
imbecis que só discutem eleição!! Oh, capitan,
my capitan... obrigado!! Foi muito gozado vê-lo chatear-se,
quando lhe mostraram que fingir-se de vítima de inimigos
cruéis a lhe espionar e monitorar não era, nem de
longe, a melhor forma de convencer a voltarem-se para o teu lado!
Doutor ximango, quando quis falar grosso, foi solenemente ignorado,
daí tentou puxar conversa, tentou ser afável e
simpático, quis ser assunto, quis recitar algumas pérolas
de sabedoria... de cujas quais, nem metade aplica em sua vida, visto
que não as aplicou, em momento algum, dentro do “debate de
idéias”. Tentou provocar briga e perdeu a guerra... e isso,
muito antes de a guerra começar! Oh, capitan, my capitan...
você é inteligente, então SEJA inteligente! Não
seja presunçoso, estar com a maioria nem sempre é estar
com a razão! Porque quem andou monitorando não é
doutor, não quer dizer que lhe falte discernimento! Não
está bom do jeito que está, e antes também não
estava melhor que agora. Eu não vou escolher alternar as
panelinhas só pelo “bem” da alternância de poder.
Isso é patético. Não é difícil
entender: se vou escolher alguém, ou um grupo, um modelo, vou
escolher o melhor! Entre dois modelos iguais, não há
como existir um melhor. Oh, capitan, my capitan... você é
o doutor, e tua cabeça de ximango não te deixa
enxergar... que o meu voto nunca foi do teu candidato, e muito menos
do adversário!

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