Hoje chamam de mini mercado, ou mercadinho, mas, na nossa infância, chamavam de armazém, venda, ou taberninha... local onde você encontra de tudo: pão, misturas, erva mate e pupunha a granel, pirarucu seco pro almoço de sexta-feira santa, uma caninha da boa, envelhecida em barris de carvalho e um ou dois dedos de prosa... entre e fique a vontade!
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Júlio Reny - Não chores Lola
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Do Esperar e do Surpreender
É.
Eu espero. Talvez não devesse... ai, que bobagem a minha, é
LÓGICO!! que não devia perder meu tempo a esperar! Mas
eu espero. E me aborreço por perder tempo, esperando. E fico
decepcionado, pois o que eu esperava não aconteceu, quem eu
esperava simplesmente passou batido, me ignorou, me deixou à
espera. Inútil e frustrante espera. E o que mais eu poderia
esperar?!
E
eu espero. Não sei mais por que, nem pra que. Não tem
mais sentido esperar. Mas ainda espero. Por quem espero, eu sei... e
mesmo sabendo que nada posso esperar, ainda assim, eu espero.
Esperei, um dia, que também fosse esperado algo de mim. Fiz o
que era esperado. E me disseram que não era bem dessa forma
que esperavam. E me aborreci. Tempo perdido para nada, esperanças
frustradas. Normal, já aconteceu tantas vezes que você
poderia esperar que eu estivesse acostumado. Mas não, ainda
dói frustrar-se com a esperança. E o que se poderia
esperar?!
Aí
têm momentos em que você liga o “fock off”, não
pensa mais nisso, deixa pra lá, quase esquece que algum dia
ficou lá, esperando por alguém, ou alguma coisa... e
aí, justo nesses momentos, é que acontece algo! Você
não esperava mais! Isso te faz perguntar qual o sentido de se
ter esperanças... e que dizer daqueles de quem não se
espera nada? Nem mesmo um “bom dia”!?
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Viver de Brisa
Enfim...
vendo o pessoal da TL falar em almoço, fome, etc, e ainda sob
os efeitos entorpecentes decorrentes da ingestão de uma torta
fria de frango, pouco saboreada, porque tinha mais ervilhas que
espinhas num jaraqui – e detesto ervilhas!! Também não
sou muito fã de jaraqui.
Pois,
como dizia, estavam falando em almoço, e eu, de minha parte,
tinha acabado de almoçar, estava sentindo meus olhos pesarem,
com o sono que advém de uma refeição, quando
comecei a pensar, como ocorreu outras vezes: “que bom seria se não
tivéssemos que comer, pra nos sustentar, nem dormir, pra
descansar e recuperar as forças!” É sim! Eu acho essa
idéia bacana... têm vezes que como sem a menor vontade.
Como apenas porque tá na hora, é meio-dia, portanto,
horário de almoço. Ponto. Como qualquer coisa por aí,
pra não sentir fome e agüentar até a hora de ir-me
embora pra casa e jantar. E sim, aí até mesmo um prato
que eu aprecie muito; pizza de quatro queijos; matrinxã com
arroz, feijão, farofa e vinagrete; feijoada; vatapá;
sopa de capeletti... enfim, qualquer um desses pratos não faz
a mínima diferença pra meu paladar, se não estou
nem mesmo afim de comer. Claro, quando tô azul de fome, mesmo
aquilo de que não gosto muito vira um verdadeiro manjar dos
deuses! Como por exemplo: sopa de legumes, risoto de frango, pão
com tucumã...!
Pois
então... não seria genial que não precisássemos
comer?! Sim, desde muito piá, eu tenho esse hábito de
devanear... aí penso em diversas coisas, algumas vezes, várias
delas ao mesmo tempo: imagino histórias; penso em coisas do
cotidiano, que me aconteceram, ou então li/vi/ouvi em algum
lugar; lembro duma música de que goste muito, ou que ouvi
tocando por aí; lembro das pessoas que são importantes
pra mim, quem me provocam, invariavelmente, muitas saudades; penso
naquelas mulheres que amei, naquelas que ainda amo... no que gostaria
de ter tido, ou estar tendo agora, em tê-las aconchegadas em
meus braços, ou, ahn... problemas?! Afinal, não estou
me relacionando com ninguém, agora, mesmo... não é
nada bonita a solidão, então deixe-me refugiar nas
relações platônicas que crio e idealizo... é
o que tenho, pro momento, pra não terminar de enlouquecer...
enfim, voltando, por vezes penso, como falei acima: não seria
mesmo genial se você não precisasse comer pra se
alimentar?! Se você pudesse comer apenas o que quisesse, aquilo
que lhe apetecesse, QUANDO quisesse??
Imaginei
até uma história, um conto, talvez, com um personagem
que se alimentaria de brisa e de luz do sol, literalmente! Imaginei
que ele ficaria meses sem ingerir nada, talvez apenas água...
nem alimentos sólidos, nem bebidas de nenhum outro tipo. E
quando comesse, fosse só pra sentir o sabor, o cheiro, a
textura... enfim, comer apenas pelo prazer gastronômico! E
comeria apenas uma coisa, apenas aquilo que ele mais gostasse:
churros com doce de leite! Por que churros?! Bom, não, se eu
pudesse viver só de brisa, não seria esse o alimento
sólido que eu escolheria pra ser o único que eu
comeria, apenas de vez em quando. O mais provável é que
meu cardápio seria um pouco mais variado, então... por
quê?! Porque um dia, eu lembrei de uma vez, num passeio
despretensioso com minha namorada, à época, na rua da
praia, Centro de Porto Alegre, uns anos atrás, quando ela me
pediu pra pagar-lhe um churro com doce de leite. Era uma tarde
outonal de abril... essa imagem, essa cena me veio à mente,
num belo dia, então tive a idéia desse personagem... e
hoje, com os olhos a pesar, triste por ter que comer – e mal, ainda
por cima – lembrei-me dessa idéia mirabolante, desse
devaneio tolo, dessa idéia pra um conto que, até agora,
nunca saiu, e pensei: quem sabe, um dia, não aprendo a viver
de luz e de brisa?! Tem gente que diz que conseguiu! Ia ser uma
economia e tanto! E eu ia ficar sempre em forma!
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Letra e Música
Tenho
eu perdido a capacidade de me concentrar em outras coisas, outros
pensamentos, planos mais ahn... “concretos”??! Estarei eu
obcecado com nostalgias e saudades, de casa, de velhos tempos, tempos
mais simples, ou, ao menos na minha visão, mais felizes??!
Estarei obcecado com o que “deveria ter sido”, com o que não
tive, mas queria ter, mas imaginei, idealizei, planejei... algo que
tenho chamado de saudades do que não foi. Sim, eu sei, muita
gente já falou disso, talvez não com as mesmas
palavras. Alguém disse: “qual a palavra que nunca foi dita?”
Enfim, começo a pensar, mesmo, que tenho estado obcecado por
aquilo que não foi, tenho sentido saudades do que apenas
aconteceu em meus sonhos, ou em meus devaneios tolos a me torturar –
parafraseando Zé Ramalho. E tenho desejado e idealizado novos
encontros e reencontros, tenho vivido novamente romances platônicos,
como com minha atual musa virtual de corpo esbelto, pele morena,
longas madeixas negras e sorriso largo... ah, seu sorriso largo, como
me encanta!
Pois
ontem essa música estava me calando fundo no peito, essa
música, hoje, tem falado-me muito de mim mesmo. Tomo a
liberdade de dividir convosco a letra desta melodia:
ACRILIC
ON CANVAS (Legião Urbana)
É
saudade, então,
E
mais uma vez
De
você fiz o desenho mais perfeito que se fez
Os
traços copiei do que não aconteceu
As
cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei
com a promessa que nós dois nunca fizemos
De
um dia sermos três
Trabalhei
você em luz e sombras!
E
era sempre, não foi por mal
Eu
juro que nunca quis deixar você tão triste
Sempre
as mesmas desculpas
E
desculpas nem sempre são sinceras
Quase
nunca são
Preparei
a minha tela
Com
pedaços de lençóis que não chegamos a
sujar
A
armação fiz com madeira
Da
janela do teu quarto
Do
portão da tua casa
Fiz
paleta e cavalete
E
com lágrimas que não brincaram com você
Destilei
óleo de linhaça
Da
tua cama arranquei pedaços
Que
talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E
fiz, então, pincéis com seus cabelos
Fiz
carvão do baton que roubei de você
E
com ele marquei dois pontos de fuga
E
rabisquei meu horizonte
E
era sempre, não foi por mal
Eu
juro que não foi por mal
Eu
não queria machucar você
Prometo
que isso nunca mais vai acontecer mais uma vez
E
era sempre, sempre o mesmo novamente
A
mesma traição
Às
vezes é difícil esquecer:
“Sinto
muito, ela não mora mais aqui”
Mas
então, por que eu finjo
Que
acredito no que invento?
Nada
disso aconteceu assim
Não
foi desse jeito
Ninguém
sofreu
É
só você que me provoca essa saudade vazia
Tentando
pintar essas flores com o nome
De
“amor-perfeito”
E
“não-te-esqueças-de-mim”...
*Composição:
Dado Villa-lobos, Renato Russo, Renato Rocha, Marcelo Bonfá
Assinar:
Comentários (Atom)








