PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Do Esperar e do Surpreender


É. Eu espero. Talvez não devesse... ai, que bobagem a minha, é LÓGICO!! que não devia perder meu tempo a esperar! Mas eu espero. E me aborreço por perder tempo, esperando. E fico decepcionado, pois o que eu esperava não aconteceu, quem eu esperava simplesmente passou batido, me ignorou, me deixou à espera. Inútil e frustrante espera. E o que mais eu poderia esperar?!
E eu espero. Não sei mais por que, nem pra que. Não tem mais sentido esperar. Mas ainda espero. Por quem espero, eu sei... e mesmo sabendo que nada posso esperar, ainda assim, eu espero. Esperei, um dia, que também fosse esperado algo de mim. Fiz o que era esperado. E me disseram que não era bem dessa forma que esperavam. E me aborreci. Tempo perdido para nada, esperanças frustradas. Normal, já aconteceu tantas vezes que você poderia esperar que eu estivesse acostumado. Mas não, ainda dói frustrar-se com a esperança. E o que se poderia esperar?!
Aí têm momentos em que você liga o “fock off”, não pensa mais nisso, deixa pra lá, quase esquece que algum dia ficou lá, esperando por alguém, ou alguma coisa... e aí, justo nesses momentos, é que acontece algo! Você não esperava mais! Isso te faz perguntar qual o sentido de se ter esperanças... e que dizer daqueles de quem não se espera nada? Nem mesmo um “bom dia”!?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Viver de Brisa

Enfim... vendo o pessoal da TL falar em almoço, fome, etc, e ainda sob os efeitos entorpecentes decorrentes da ingestão de uma torta fria de frango, pouco saboreada, porque tinha mais ervilhas que espinhas num jaraqui – e detesto ervilhas!! Também não sou muito fã de jaraqui.
Pois, como dizia, estavam falando em almoço, e eu, de minha parte, tinha acabado de almoçar, estava sentindo meus olhos pesarem, com o sono que advém de uma refeição, quando comecei a pensar, como ocorreu outras vezes: “que bom seria se não tivéssemos que comer, pra nos sustentar, nem dormir, pra descansar e recuperar as forças!” É sim! Eu acho essa idéia bacana... têm vezes que como sem a menor vontade. Como apenas porque tá na hora, é meio-dia, portanto, horário de almoço. Ponto. Como qualquer coisa por aí, pra não sentir fome e agüentar até a hora de ir-me embora pra casa e jantar. E sim, aí até mesmo um prato que eu aprecie muito; pizza de quatro queijos; matrinxã com arroz, feijão, farofa e vinagrete; feijoada; vatapá; sopa de capeletti... enfim, qualquer um desses pratos não faz a mínima diferença pra meu paladar, se não estou nem mesmo afim de comer. Claro, quando tô azul de fome, mesmo aquilo de que não gosto muito vira um verdadeiro manjar dos deuses! Como por exemplo: sopa de legumes, risoto de frango, pão com tucumã...!
Pois então... não seria genial que não precisássemos comer?! Sim, desde muito piá, eu tenho esse hábito de devanear... aí penso em diversas coisas, algumas vezes, várias delas ao mesmo tempo: imagino histórias; penso em coisas do cotidiano, que me aconteceram, ou então li/vi/ouvi em algum lugar; lembro duma música de que goste muito, ou que ouvi tocando por aí; lembro das pessoas que são importantes pra mim, quem me provocam, invariavelmente, muitas saudades; penso naquelas mulheres que amei, naquelas que ainda amo... no que gostaria de ter tido, ou estar tendo agora, em tê-las aconchegadas em meus braços, ou, ahn... problemas?! Afinal, não estou me relacionando com ninguém, agora, mesmo... não é nada bonita a solidão, então deixe-me refugiar nas relações platônicas que crio e idealizo... é o que tenho, pro momento, pra não terminar de enlouquecer... enfim, voltando, por vezes penso, como falei acima: não seria mesmo genial se você não precisasse comer pra se alimentar?! Se você pudesse comer apenas o que quisesse, aquilo que lhe apetecesse, QUANDO quisesse??
Imaginei até uma história, um conto, talvez, com um personagem que se alimentaria de brisa e de luz do sol, literalmente! Imaginei que ele ficaria meses sem ingerir nada, talvez apenas água... nem alimentos sólidos, nem bebidas de nenhum outro tipo. E quando comesse, fosse só pra sentir o sabor, o cheiro, a textura... enfim, comer apenas pelo prazer gastronômico! E comeria apenas uma coisa, apenas aquilo que ele mais gostasse: churros com doce de leite! Por que churros?! Bom, não, se eu pudesse viver só de brisa, não seria esse o alimento sólido que eu escolheria pra ser o único que eu comeria, apenas de vez em quando. O mais provável é que meu cardápio seria um pouco mais variado, então... por quê?! Porque um dia, eu lembrei de uma vez, num passeio despretensioso com minha namorada, à época, na rua da praia, Centro de Porto Alegre, uns anos atrás, quando ela me pediu pra pagar-lhe um churro com doce de leite. Era uma tarde outonal de abril... essa imagem, essa cena me veio à mente, num belo dia, então tive a idéia desse personagem... e hoje, com os olhos a pesar, triste por ter que comer – e mal, ainda por cima – lembrei-me dessa idéia mirabolante, desse devaneio tolo, dessa idéia pra um conto que, até agora, nunca saiu, e pensei: quem sabe, um dia, não aprendo a viver de luz e de brisa?! Tem gente que diz que conseguiu! Ia ser uma economia e tanto! E eu ia ficar sempre em forma!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Letra e Música


Tenho eu perdido a capacidade de me concentrar em outras coisas, outros pensamentos, planos mais ahn... “concretos”??! Estarei eu obcecado com nostalgias e saudades, de casa, de velhos tempos, tempos mais simples, ou, ao menos na minha visão, mais felizes??! Estarei obcecado com o que “deveria ter sido”, com o que não tive, mas queria ter, mas imaginei, idealizei, planejei... algo que tenho chamado de saudades do que não foi. Sim, eu sei, muita gente já falou disso, talvez não com as mesmas palavras. Alguém disse: “qual a palavra que nunca foi dita?” Enfim, começo a pensar, mesmo, que tenho estado obcecado por aquilo que não foi, tenho sentido saudades do que apenas aconteceu em meus sonhos, ou em meus devaneios tolos a me torturar – parafraseando Zé Ramalho. E tenho desejado e idealizado novos encontros e reencontros, tenho vivido novamente romances platônicos, como com minha atual musa virtual de corpo esbelto, pele morena, longas madeixas negras e sorriso largo... ah, seu sorriso largo, como me encanta!
 Pois ontem essa música estava me calando fundo no peito, essa música, hoje, tem falado-me muito de mim mesmo. Tomo a liberdade de dividir convosco a letra desta melodia:

ACRILIC ON CANVAS (Legião Urbana)

É saudade, então,
E mais uma vez
De você fiz o desenho mais perfeito que se fez
Os traços copiei do que não aconteceu
As cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei você em luz e sombras!

E era sempre, não foi por mal
Eu juro que nunca quis deixar você tão triste
Sempre as mesmas desculpas
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são

Preparei a minha tela
Com pedaços de lençóis que não chegamos a sujar
A armação fiz com madeira
Da janela do teu quarto
Do portão da tua casa
Fiz paleta e cavalete
E com lágrimas que não brincaram com você
Destilei óleo de linhaça
Da tua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E fiz, então, pincéis com seus cabelos
Fiz carvão do baton que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte

E era sempre, não foi por mal
Eu juro que não foi por mal
Eu não queria machucar você
Prometo que isso nunca mais vai acontecer mais uma vez

E era sempre, sempre o mesmo novamente
A mesma traição

Às vezes é difícil esquecer:
Sinto muito, ela não mora mais aqui”
Mas então, por que eu finjo
Que acredito no que invento?
Nada disso aconteceu assim
Não foi desse jeito
Ninguém sofreu
É só você que me provoca essa saudade vazia
Tentando pintar essas flores com o nome
De “amor-perfeito”
E “não-te-esqueças-de-mim”...

*Composição: Dado Villa-lobos, Renato Russo, Renato Rocha, Marcelo Bonfá

LEGIÃO URBANA-ACRILIC ON CANVAS