Tenho
eu perdido a capacidade de me concentrar em outras coisas, outros
pensamentos, planos mais ahn... “concretos”??! Estarei eu
obcecado com nostalgias e saudades, de casa, de velhos tempos, tempos
mais simples, ou, ao menos na minha visão, mais felizes??!
Estarei obcecado com o que “deveria ter sido”, com o que não
tive, mas queria ter, mas imaginei, idealizei, planejei... algo que
tenho chamado de saudades do que não foi. Sim, eu sei, muita
gente já falou disso, talvez não com as mesmas
palavras. Alguém disse: “qual a palavra que nunca foi dita?”
Enfim, começo a pensar, mesmo, que tenho estado obcecado por
aquilo que não foi, tenho sentido saudades do que apenas
aconteceu em meus sonhos, ou em meus devaneios tolos a me torturar –
parafraseando Zé Ramalho. E tenho desejado e idealizado novos
encontros e reencontros, tenho vivido novamente romances platônicos,
como com minha atual musa virtual de corpo esbelto, pele morena,
longas madeixas negras e sorriso largo... ah, seu sorriso largo, como
me encanta!
Pois
ontem essa música estava me calando fundo no peito, essa
música, hoje, tem falado-me muito de mim mesmo. Tomo a
liberdade de dividir convosco a letra desta melodia:
ACRILIC
ON CANVAS (Legião Urbana)
É
saudade, então,
E
mais uma vez
De
você fiz o desenho mais perfeito que se fez
Os
traços copiei do que não aconteceu
As
cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei
com a promessa que nós dois nunca fizemos
De
um dia sermos três
Trabalhei
você em luz e sombras!
E
era sempre, não foi por mal
Eu
juro que nunca quis deixar você tão triste
Sempre
as mesmas desculpas
E
desculpas nem sempre são sinceras
Quase
nunca são
Preparei
a minha tela
Com
pedaços de lençóis que não chegamos a
sujar
A
armação fiz com madeira
Da
janela do teu quarto
Do
portão da tua casa
Fiz
paleta e cavalete
E
com lágrimas que não brincaram com você
Destilei
óleo de linhaça
Da
tua cama arranquei pedaços
Que
talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E
fiz, então, pincéis com seus cabelos
Fiz
carvão do baton que roubei de você
E
com ele marquei dois pontos de fuga
E
rabisquei meu horizonte
E
era sempre, não foi por mal
Eu
juro que não foi por mal
Eu
não queria machucar você
Prometo
que isso nunca mais vai acontecer mais uma vez
E
era sempre, sempre o mesmo novamente
A
mesma traição
Às
vezes é difícil esquecer:
“Sinto
muito, ela não mora mais aqui”
Mas
então, por que eu finjo
Que
acredito no que invento?
Nada
disso aconteceu assim
Não
foi desse jeito
Ninguém
sofreu
É
só você que me provoca essa saudade vazia
Tentando
pintar essas flores com o nome
De
“amor-perfeito”
E
“não-te-esqueças-de-mim”...
*Composição:
Dado Villa-lobos, Renato Russo, Renato Rocha, Marcelo Bonfá



Nenhum comentário:
Postar um comentário