PESCANDO NO BODOSAL

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Viver de Brisa

Enfim... vendo o pessoal da TL falar em almoço, fome, etc, e ainda sob os efeitos entorpecentes decorrentes da ingestão de uma torta fria de frango, pouco saboreada, porque tinha mais ervilhas que espinhas num jaraqui – e detesto ervilhas!! Também não sou muito fã de jaraqui.
Pois, como dizia, estavam falando em almoço, e eu, de minha parte, tinha acabado de almoçar, estava sentindo meus olhos pesarem, com o sono que advém de uma refeição, quando comecei a pensar, como ocorreu outras vezes: “que bom seria se não tivéssemos que comer, pra nos sustentar, nem dormir, pra descansar e recuperar as forças!” É sim! Eu acho essa idéia bacana... têm vezes que como sem a menor vontade. Como apenas porque tá na hora, é meio-dia, portanto, horário de almoço. Ponto. Como qualquer coisa por aí, pra não sentir fome e agüentar até a hora de ir-me embora pra casa e jantar. E sim, aí até mesmo um prato que eu aprecie muito; pizza de quatro queijos; matrinxã com arroz, feijão, farofa e vinagrete; feijoada; vatapá; sopa de capeletti... enfim, qualquer um desses pratos não faz a mínima diferença pra meu paladar, se não estou nem mesmo afim de comer. Claro, quando tô azul de fome, mesmo aquilo de que não gosto muito vira um verdadeiro manjar dos deuses! Como por exemplo: sopa de legumes, risoto de frango, pão com tucumã...!
Pois então... não seria genial que não precisássemos comer?! Sim, desde muito piá, eu tenho esse hábito de devanear... aí penso em diversas coisas, algumas vezes, várias delas ao mesmo tempo: imagino histórias; penso em coisas do cotidiano, que me aconteceram, ou então li/vi/ouvi em algum lugar; lembro duma música de que goste muito, ou que ouvi tocando por aí; lembro das pessoas que são importantes pra mim, quem me provocam, invariavelmente, muitas saudades; penso naquelas mulheres que amei, naquelas que ainda amo... no que gostaria de ter tido, ou estar tendo agora, em tê-las aconchegadas em meus braços, ou, ahn... problemas?! Afinal, não estou me relacionando com ninguém, agora, mesmo... não é nada bonita a solidão, então deixe-me refugiar nas relações platônicas que crio e idealizo... é o que tenho, pro momento, pra não terminar de enlouquecer... enfim, voltando, por vezes penso, como falei acima: não seria mesmo genial se você não precisasse comer pra se alimentar?! Se você pudesse comer apenas o que quisesse, aquilo que lhe apetecesse, QUANDO quisesse??
Imaginei até uma história, um conto, talvez, com um personagem que se alimentaria de brisa e de luz do sol, literalmente! Imaginei que ele ficaria meses sem ingerir nada, talvez apenas água... nem alimentos sólidos, nem bebidas de nenhum outro tipo. E quando comesse, fosse só pra sentir o sabor, o cheiro, a textura... enfim, comer apenas pelo prazer gastronômico! E comeria apenas uma coisa, apenas aquilo que ele mais gostasse: churros com doce de leite! Por que churros?! Bom, não, se eu pudesse viver só de brisa, não seria esse o alimento sólido que eu escolheria pra ser o único que eu comeria, apenas de vez em quando. O mais provável é que meu cardápio seria um pouco mais variado, então... por quê?! Porque um dia, eu lembrei de uma vez, num passeio despretensioso com minha namorada, à época, na rua da praia, Centro de Porto Alegre, uns anos atrás, quando ela me pediu pra pagar-lhe um churro com doce de leite. Era uma tarde outonal de abril... essa imagem, essa cena me veio à mente, num belo dia, então tive a idéia desse personagem... e hoje, com os olhos a pesar, triste por ter que comer – e mal, ainda por cima – lembrei-me dessa idéia mirabolante, desse devaneio tolo, dessa idéia pra um conto que, até agora, nunca saiu, e pensei: quem sabe, um dia, não aprendo a viver de luz e de brisa?! Tem gente que diz que conseguiu! Ia ser uma economia e tanto! E eu ia ficar sempre em forma!

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