Enfim...
vendo o pessoal da TL falar em almoço, fome, etc, e ainda sob
os efeitos entorpecentes decorrentes da ingestão de uma torta
fria de frango, pouco saboreada, porque tinha mais ervilhas que
espinhas num jaraqui – e detesto ervilhas!! Também não
sou muito fã de jaraqui.
Pois,
como dizia, estavam falando em almoço, e eu, de minha parte,
tinha acabado de almoçar, estava sentindo meus olhos pesarem,
com o sono que advém de uma refeição, quando
comecei a pensar, como ocorreu outras vezes: “que bom seria se não
tivéssemos que comer, pra nos sustentar, nem dormir, pra
descansar e recuperar as forças!” É sim! Eu acho essa
idéia bacana... têm vezes que como sem a menor vontade.
Como apenas porque tá na hora, é meio-dia, portanto,
horário de almoço. Ponto. Como qualquer coisa por aí,
pra não sentir fome e agüentar até a hora de ir-me
embora pra casa e jantar. E sim, aí até mesmo um prato
que eu aprecie muito; pizza de quatro queijos; matrinxã com
arroz, feijão, farofa e vinagrete; feijoada; vatapá;
sopa de capeletti... enfim, qualquer um desses pratos não faz
a mínima diferença pra meu paladar, se não estou
nem mesmo afim de comer. Claro, quando tô azul de fome, mesmo
aquilo de que não gosto muito vira um verdadeiro manjar dos
deuses! Como por exemplo: sopa de legumes, risoto de frango, pão
com tucumã...!
Pois
então... não seria genial que não precisássemos
comer?! Sim, desde muito piá, eu tenho esse hábito de
devanear... aí penso em diversas coisas, algumas vezes, várias
delas ao mesmo tempo: imagino histórias; penso em coisas do
cotidiano, que me aconteceram, ou então li/vi/ouvi em algum
lugar; lembro duma música de que goste muito, ou que ouvi
tocando por aí; lembro das pessoas que são importantes
pra mim, quem me provocam, invariavelmente, muitas saudades; penso
naquelas mulheres que amei, naquelas que ainda amo... no que gostaria
de ter tido, ou estar tendo agora, em tê-las aconchegadas em
meus braços, ou, ahn... problemas?! Afinal, não estou
me relacionando com ninguém, agora, mesmo... não é
nada bonita a solidão, então deixe-me refugiar nas
relações platônicas que crio e idealizo... é
o que tenho, pro momento, pra não terminar de enlouquecer...
enfim, voltando, por vezes penso, como falei acima: não seria
mesmo genial se você não precisasse comer pra se
alimentar?! Se você pudesse comer apenas o que quisesse, aquilo
que lhe apetecesse, QUANDO quisesse??
Imaginei
até uma história, um conto, talvez, com um personagem
que se alimentaria de brisa e de luz do sol, literalmente! Imaginei
que ele ficaria meses sem ingerir nada, talvez apenas água...
nem alimentos sólidos, nem bebidas de nenhum outro tipo. E
quando comesse, fosse só pra sentir o sabor, o cheiro, a
textura... enfim, comer apenas pelo prazer gastronômico! E
comeria apenas uma coisa, apenas aquilo que ele mais gostasse:
churros com doce de leite! Por que churros?! Bom, não, se eu
pudesse viver só de brisa, não seria esse o alimento
sólido que eu escolheria pra ser o único que eu
comeria, apenas de vez em quando. O mais provável é que
meu cardápio seria um pouco mais variado, então... por
quê?! Porque um dia, eu lembrei de uma vez, num passeio
despretensioso com minha namorada, à época, na rua da
praia, Centro de Porto Alegre, uns anos atrás, quando ela me
pediu pra pagar-lhe um churro com doce de leite. Era uma tarde
outonal de abril... essa imagem, essa cena me veio à mente,
num belo dia, então tive a idéia desse personagem... e
hoje, com os olhos a pesar, triste por ter que comer – e mal, ainda
por cima – lembrei-me dessa idéia mirabolante, desse
devaneio tolo, dessa idéia pra um conto que, até agora,
nunca saiu, e pensei: quem sabe, um dia, não aprendo a viver
de luz e de brisa?! Tem gente que diz que conseguiu! Ia ser uma
economia e tanto! E eu ia ficar sempre em forma!




gostei muito, assunto que muito me interessa COMIDA!!!
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