O
sistema está errado. Os problemas estão aí, são
graves e não estão sendo atacados. No congresso,
acharam de oficializar a semana de “trabalho” de três dias.
E você, pra ganhar uns dois salários mínimos, tem
uma semana de trabalho de seis dias... e só um domingo por
mês!
A
educação, a saúde, a ascensão social só
se percebem quando o governo muda o sistema de avaliação.
Você muda o governo, espera que o governo novo seja um sistema
novo, que vá implantar mudanças de fato. Não
raro, você se decepciona. Nas próximas eleições,
também não raro, você opta por retornar ao
antigo, na esperança de que a época em que a coisa não
era melhor, mas parecia menos pior. Raramente o antigo não
resolve fuleirar, chutar o balde e se locupletar demais, governando
de menos.
Não
adianta, o sistema está errado. O certo mesmo é
desistir, não se importar mais com o sistema, a política,
essa classe dos políticos. Pouco importa em quem se vota,
mesmo renovando continua tudo na mesma. Os políticos jovens
não são mais confiáveis do que os antigos, quem
se envolve nesse mundo não é sério. Não
conheço ninguém sério envolvido com política!
Tanto faz se engajar em campanha, aliás, só mediamente
pagamento, ou um empreguinho, algo assim... só assim pra essa
gente fazer algo por você, só em ano de eleição
mesmo! Na verdade, o melhor é até anular o voto! Já
que, pouco importa... o teu voto não vai fazer a menor
diferença, não vai trazer nenhuma melhoria, nenhuma
mudança. Futuro não tem, o sistema está errado e
nunca vai mudar! Certo?!
Hoje
nem o voto nulo tem o mesmo valor, não tem mais aquele
“gramur”. Tendo nascido no interior, ainda tive a oportunidade de
conhecer as cédulas de papel para votação. No
tempo da cédula, o voto nulo era mais criativo, era uma forma
de protesto, contra o sistema, contra os governantes e os políticos,
contra a sociedade e a situação da cidade, do Estado,
do país, até mesmo do mundo! Nos anos 80, no Rio de
Janeiro, quem estava decepcionado com a política, mesmo no
período de reabertura política, votou Tião, um
chimpanzé do zoológico, para a prefeitura municipal
carioca. Você podia votar em Jesus Cristo, para endireitar o
Brasil, se não quisesse escolher um dos quase trinta
candidatos à presidência, em 1989, dentre os quais
estavam Collor, Lula, Maluf e Ulisses Guimarães.
O
voto nulo não tem mais charme e isso foi a única coisa
que a urna eletrônica estragou, nas eleições. De
qualquer forma, continua tendo, sim, o seu valor, como verdadeiro
protesto quando você sabe, no íntimo, que os candidatos
que nos são apresentados não são o que de
melhor, naquele momento, ou para aquele cargo, ou para sua cidade,
sua comunidade, etc. Não me venham com aquela onda do voto
útil, além de ser obrigado a votar, você tem que
escolher o “menos pior”, ou o “mais palatável” entre
dois ou mais políticos simplesmente intragáveis. Você
não é obrigado a escolher “ o que tem”,
independente da sua vontade, da sua consciência. Se nenhum
candidato lhe representa, não escolha nenhum, simples assim!
Porém,
o voto nulo não deve ser banalizado, não deve ser
utilizado sem parcimônia, ou critério. Já
banalizaram o tal voto “útil”, não precisa ocorrer
também com o nulo. Ainda há pessoas sérias e
interessadas, buscando fazer algo, buscando melhorar a situação
do seu bairro, sua cidade, seu povo, sua comunidade. Sim, são
poucos, mas eles estão aí, procurando bem, a gente
encontra, sejam eles jovens, tentando entrar para a vida pública,
ou alguns da antiga, que ainda lutam dentro do sistema, para
modificá-lo, ou usá-lo em favor do povo. Em se
encontrando um desses, sentindo que nos deparamos com um desses, é
sensato dar-lhes um voto de confiança. Não esperar para
ver o que dirão as pesquisas, não aceitar sem
questionar os argumentos em defesa do “voto útil”, para
eleger “quem tem mais chances”, ou usando e abusando do voto
nulo, sem um mínimo de critério. Se no segundo turno,
no segundo tempo do jogo eleitoral não estiver mais aquele bom
candidato dentro do pleito, bom, aí ou se escolhe um que se
assemelhe a ele, ou, não havendo nenhum que você
identifique, que mereça o seu voto de confiança, usa-se
do voto nulo, que é melhor do que o “voto útil”,
dado sem convicção, sem razão, sem critério,
sem parcimônia. Usado apenas para não deixar se eleger
um desafeto, na maioria das vezes. O problema é eleger alguém
que, em tese, não é da mesma corrente ideológica,
mas na prática se assemelha bastante a quem não
queremos ver no poder.
É
interessante saber quando a gente pode, ou deve usar o voto nulo e
quando podemos escolher um candidato engajado e afim de jogo. Quem
sabe, elegendo os esforçados, acabamos por conseguir mudar o
sistema!?











