PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

2º Tempo

O sistema está errado. Os problemas estão aí, são graves e não estão sendo atacados. No congresso, acharam de oficializar a semana de “trabalho” de três dias. E você, pra ganhar uns dois salários mínimos, tem uma semana de trabalho de seis dias... e só um domingo por mês!
A educação, a saúde, a ascensão social só se percebem quando o governo muda o sistema de avaliação. Você muda o governo, espera que o governo novo seja um sistema novo, que vá implantar mudanças de fato. Não raro, você se decepciona. Nas próximas eleições, também não raro, você opta por retornar ao antigo, na esperança de que a época em que a coisa não era melhor, mas parecia menos pior. Raramente o antigo não resolve fuleirar, chutar o balde e se locupletar demais, governando de menos.
Não adianta, o sistema está errado. O certo mesmo é desistir, não se importar mais com o sistema, a política, essa classe dos políticos. Pouco importa em quem se vota, mesmo renovando continua tudo na mesma. Os políticos jovens não são mais confiáveis do que os antigos, quem se envolve nesse mundo não é sério. Não conheço ninguém sério envolvido com política! Tanto faz se engajar em campanha, aliás, só mediamente pagamento, ou um empreguinho, algo assim... só assim pra essa gente fazer algo por você, só em ano de eleição mesmo! Na verdade, o melhor é até anular o voto! Já que, pouco importa... o teu voto não vai fazer a menor diferença, não vai trazer nenhuma melhoria, nenhuma mudança. Futuro não tem, o sistema está errado e nunca vai mudar! Certo?!
Hoje nem o voto nulo tem o mesmo valor, não tem mais aquele “gramur”. Tendo nascido no interior, ainda tive a oportunidade de conhecer as cédulas de papel para votação. No tempo da cédula, o voto nulo era mais criativo, era uma forma de protesto, contra o sistema, contra os governantes e os políticos, contra a sociedade e a situação da cidade, do Estado, do país, até mesmo do mundo! Nos anos 80, no Rio de Janeiro, quem estava decepcionado com a política, mesmo no período de reabertura política, votou Tião, um chimpanzé do zoológico, para a prefeitura municipal carioca. Você podia votar em Jesus Cristo, para endireitar o Brasil, se não quisesse escolher um dos quase trinta candidatos à presidência, em 1989, dentre os quais estavam Collor, Lula, Maluf e Ulisses Guimarães.
O voto nulo não tem mais charme e isso foi a única coisa que a urna eletrônica estragou, nas eleições. De qualquer forma, continua tendo, sim, o seu valor, como verdadeiro protesto quando você sabe, no íntimo, que os candidatos que nos são apresentados não são o que de melhor, naquele momento, ou para aquele cargo, ou para sua cidade, sua comunidade, etc. Não me venham com aquela onda do voto útil, além de ser obrigado a votar, você tem que escolher o “menos pior”, ou o “mais palatável” entre dois ou mais políticos simplesmente intragáveis. Você não é obrigado a escolher “ o que tem”, independente da sua vontade, da sua consciência. Se nenhum candidato lhe representa, não escolha nenhum, simples assim!
Porém, o voto nulo não deve ser banalizado, não deve ser utilizado sem parcimônia, ou critério. Já banalizaram o tal voto “útil”, não precisa ocorrer também com o nulo. Ainda há pessoas sérias e interessadas, buscando fazer algo, buscando melhorar a situação do seu bairro, sua cidade, seu povo, sua comunidade. Sim, são poucos, mas eles estão aí, procurando bem, a gente encontra, sejam eles jovens, tentando entrar para a vida pública, ou alguns da antiga, que ainda lutam dentro do sistema, para modificá-lo, ou usá-lo em favor do povo. Em se encontrando um desses, sentindo que nos deparamos com um desses, é sensato dar-lhes um voto de confiança. Não esperar para ver o que dirão as pesquisas, não aceitar sem questionar os argumentos em defesa do “voto útil”, para eleger “quem tem mais chances”, ou usando e abusando do voto nulo, sem um mínimo de critério. Se no segundo turno, no segundo tempo do jogo eleitoral não estiver mais aquele bom candidato dentro do pleito, bom, aí ou se escolhe um que se assemelhe a ele, ou, não havendo nenhum que você identifique, que mereça o seu voto de confiança, usa-se do voto nulo, que é melhor do que o “voto útil”, dado sem convicção, sem razão, sem critério, sem parcimônia. Usado apenas para não deixar se eleger um desafeto, na maioria das vezes. O problema é eleger alguém que, em tese, não é da mesma corrente ideológica, mas na prática se assemelha bastante a quem não queremos ver no poder.
É interessante saber quando a gente pode, ou deve usar o voto nulo e quando podemos escolher um candidato engajado e afim de jogo. Quem sabe, elegendo os esforçados, acabamos por conseguir mudar o sistema!?

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