PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Não Faço Seu Tipo


Não sou seu tipo. Eu sei que não, não mesmo! Nem de longe, nem de perto, nem de lado, nem tirando os óculos, nem... enfim!
Fisicamente, sei que não faço teu tipo, não sou agradável aos olhos. Desconfio que, como pessoa, também não, tenho inseguranças demais, que me travam, perdi um pouco da naturalidade ao falar consigo, etc. Faço coisas feias, me intrometo, só depois me chateio, percebendo que estou sendo inconveniente, ou dizendo bobagens só pela vontade de dizer alguma coisa, de falar com você...
Sim, já sei que não faço seu tipo, mas você faz muito o meu! Em todos os sentidos, por todos os motivos, até pelo que nem sei explicar, você é meu tipo... de pessoa, de mulher, de garota... fato é que sou seu fã, esteja certo, ou errado, isso!
Por que, por que, por que fui me apaixonar por você?! Todos os dias me pergunto, sei somente que és meu tipo... por isso me policio, por isso hesito tanto em alguns momentos, em outros tomo coragem e meto os pés pelas mãos, por isso quero me adaptar, tomar jeito, modificar o que tiver de modificar, chegar o mais próximo possível de um ideal. Sei que não faço, absolutamente, mas quero, realmente, me tornar, ser esse, fazer o seu tipo!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

COTAS


Ultimamente, o STF, Supremo Tribunal Federal, tem resolvido mostrar trabalho, votando pela constitucionalidade, ou não, de leis um tanto ou quanto... espinhosas! Daquelas que chamam a atenção na mídia, nos jornais, nas redes sociais, etc. Daquelas que todo mundo tem uma opinião a respeito, mas que a maioria de nós não sabe muito, ou não faz nenhuma ideia sobre o assunto. Na semana anterior, estavam votando no STF a constitucionalidade do aborto de anencéfalos – que as redes de TV e grades grupos de notícias falavam com a boca cheia, como se o caboclo ribeirinho, lá do interior de Carauari fosse obrigado a saber que isso é o mesmo que feto concebido sem cérebro! Bem, imagine o furdunço que rolou pelo twitter e Facebook, principais redes sociais em Terras Brasilis, por conta disso! Houveram opiniões bem construídas, abalizadas, tanto a favor, quanto contra a lei, mas a maioria, como costuma acontecer nesta terra de povo inteligente, bem educado, bem informado e nem um pouco preconceituoso, se digladiou em defesa de ideias pré-concebidas a respeito, tão ferrenhamente, fazendo inveja ao mais fundamentalista dos terroristas! De qualquer forma, acho um tanto curioso o STF estar votando essas pautas, com cobertura ampla das grandes redes de mídia, com alguma celeridade, até... terá algo a ver com o fato deste ano ser de eleições, mesmo que não majoritárias...?! Não... claro que não! Rá! Que ideia! Que blasfêmia!!
Bem, mas então... ontem, o STF decidiu sobre outra lei, a das cotas raciais para o ingresso nas universidades públicas. Esse é assunto antigo, já, mas hoje, graça aos senhores ministros do STF, voltou à tona!
Quando começou toda esta conversa, nem lembro em que ano foi, fui contrário à ideia. Afinal, por que favorecer uma etnia, justo num país multimiscigenado, como é o nosso?! Não seria mais correto estender as cotas para os estudantes de baixa renda, das classes D e E?! Pois é, hoje, de uma certa forma, sou favorável às cotas, mas dentro de alguns parâmetros, que já comecei a citar. Não restringindo apenas a um grupo étnico e aos tais “pardos”, que, pela concepção geral, até eu posso me definir como tal – só que não o faço. Quer dizer: ok, está correto o Estado brasileiro compensar, de alguma forma, os séculos de exploração e escravidão pelos quais os negros passaram em nosso país. Mas sim, e quanto aos índios?! Estes, além de terem sofrido exploração e escravidão, foram expulsos de suas próprias terras, sem contar que, em pleno século XXI, são tratados ainda como cidadãos de terceira categoria! Eles também não merecem receber alguma compensação?! Aff, que bobagem a minha... lógico que não! São índios!
Mas enfim... as cotas seriam a solução definitiva, ou uma compensação justa?! Bom, para serem realmente justas, teriam de ser espraiadas a quem recebe o famigerado bolsa-família, tem renda familiar inferior a dois salários mínimos, que só frequentar escolas públicas, etc. ALIÁS!, senhores ministros, universidade pública deveria ser, prioritariamente, para quem estudou em escola pública, nos ensinos fundamental e médio! Ponto final! A equação não é tão complicada assim e, fosse feita, não haveria a necessidade de cotas! Não é tão simples assim, mas é simples, sim! Porque, afinal de contas, é uma coisa um tanto quanto lógica, se você puder frequentar escolas particulares no ensino básico, presume-se que possa arcar, mais facilmente, pelo menos, com uma faculdade particular!
Creio que o sistema de cotas mais próximo do ideal que conheci foi o da UEA, Universidade Estadual do Amazonas, onde pelo menos metade das vagas são destinadas a estudantes de escolas públicas nascidos, ou que vivam no estado desde a infância, sendo a outra metade dividida entre amazonenses que cursaram escolas particulares, indígenas e por último, bem por último, os imigrantes que não estudaram em escolas amazonenses, sejam elas públicas, ou privadas, os “estrangeiros”, que se não conseguirem uma determinada nota, podem perder sua vaga, inclusive, para os três outros grupos! Sei lá, isso me parece mais correto, mais próximo do ideal, sim. Acho, até, que as universidades poderiam se espelhar nesse modelo de seleção, as estaduais, pelo menos.
Porém, obviamente, as cotas não são a solução definitiva, nem nos países que as adotaram – até onde sei, os Estados Unidos são o país cujo modelo estamos tentando copiar aqui – são apenas um paliativo, algo a ser utilizado por um período de tempo, até, quem sabe... talvez... por que não...?! Até uma maior qualificação de nossas escolas públicas, da educação de base dos nossos Brasis, ou talvez, quem sabe... quem sabe!, uma reforma na educação, de verdade, bem estudada, bem estruturada, com investimentos massivos, etc. Que tal...?!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Dois a Dançar


Te vi, teus cabelos, teu sorriso doce, teu olhar parecia me chamar. Estavas tão bela quanto nunca, tão linda como sempre.
Meus passos, incertos, meu olhar, um pouco receoso de teus amigos, um certo medo de aproximar-me... até que me vi frente a frente contigo, olhando teus olhos serenos, um sorriso tímido e encantado nos lábios, sem saber o que dizer.
Meu coração subitamente encheu-se de ti, as pessoas ao redor, agora, pareciam fantasmas, ou éramos nós, que estávamos em outra dimensão, envoltos por uma névoa e uma luz próprias, só nossas, que surgiam da minha camisa, de teu vestido, imaculadamente brancos.
Ao olhar nos teus olhos e sorrir pra teu sorriso, ouvi uma música antiga tocar. Tu foste quem tomou a iniciativa, me perguntaste se queria te tirar para dançar. Te disse que não sabia dançar, mas me prontifiquei de imediato.
Riste do meu jeito, delicadamente pousaste as mãos em meus ombros, com os pés descalços, delicadamente pisaste em meus sapatos. Com as mãos, te aparei pelas costas, te segurei delicadamente, com apenas um olhar e o mais lindo sorriso, indicaste como começar e então te conduzi, rodopiamos no salão e parecíamos flutuar e girar, um na órbita do outro, ao som melodioso da bela música.

Falta Foco


Não falta tempo para ele escrever. Não lhe falta tempo para planejar! Ele quer muito, ele deseja, tão fortemente quanto possa se desejar algo, “voltar para casa”, voltar ao Norte. Ele é teimoso, você sabe, você o entende melhor do que pensa, melhor do que gostaria de admitir! Ele simplesmente não desistiu, pretende tentar de novo. Tantas vezes quantas forem necessárias! A teimosia, e algo mais, o movem a querer sempre voltar e tentar outra vez. Bem, sim, a situação anda bem difícil, ultimamente, as coisas sempre tendem a piorar, muito, antes de começarem a melhorar. Não têm lhe faltado ideias, não tem lhe faltado vontade, o que tem lhe faltado é foco, concentração!
É muita distração. Consciente e inconscientemente. Antes, ele se orgulhava de ter tanta inspiração, de ser tão prolífico, de escrever uma média de quinze textos por mês, algo em torno disso... você se lembra?! Óbvio que sim! Sim, ele chegou a te culpar, sim, mas não pelos teus motivos! Ok, um equívoco até que aceitável, pela imagem que se criou dele, pela culpa e frustração que se pode sentir, por essas coisas do coração, etc. Só que, ele chegou a crer que a fonte havia secado, que não teria mais insights, não conseguiria mais inspirar-se, como antes, quando sentia-se inspirado por sua musa, com quem teria esgotado todas as boas idéias, toda a poesia... mas não era nada disso! Enfim, e nada do que você havia pensado, também!
Preocupações, algumas reais, outras mesquinhas, a situação, aparentemente sem solução alguma, uma certa preguiça, um certo desânimo com a vida, o desejo e a vontade, como um “gostaria de...”, sem direção, desfocado, sufocando-o, deixando-o sem a concentração necessária, para seus escritos, para traçar os planos, trabalhar as idéias, projetar os próximos passos, atos, ações; as distrações e pequenas irritações, com pequenos equívocos e atitudes, suas e de outros, são desculpas para tirá-lo da direção que pretende seguir.
Interessante como uma certa mudança de foco lhe deixa mais atenta, mas é bom, você percebe certas pequenas idéias que pra ele não são grandes atitudes, são apenas pequenas mudanças que ele faz sem nem se dar conta. Pois a atitude que ele está procurando mudar é essa falta de concentração, essa sua falta de foco, quase natural nele... ele sempre soube que era preciso. Não é só a atitude, a visão que tem de mudar, trata-se de manter o foco, cuidar apenas para fazer os desvios e atalhos certos, saber lidar com uma certa margem de erro, que sempre existe, com a qual não sabemos trabalhar – só diremos isto: você também não sabe! Tem que aprender, sim, a saber que terá, fatalmente, algumas falhas, uma margem de erro com a qual tem que se contar. O foco servirá para que possa adequar seus planos, entre outras coisas, a essa margem de erro. Ele precisa, muito, manter o foco no que realmente importa.