
Ultimamente,
o STF, Supremo Tribunal Federal, tem resolvido mostrar trabalho,
votando pela constitucionalidade, ou não, de leis um tanto ou
quanto... espinhosas! Daquelas que chamam a atenção na
mídia, nos jornais, nas redes sociais, etc. Daquelas que todo
mundo tem uma opinião a respeito, mas que a maioria de nós
não sabe muito, ou não faz nenhuma ideia sobre o
assunto. Na semana anterior, estavam votando no STF a
constitucionalidade do aborto de anencéfalos – que as redes
de TV e grades grupos de notícias falavam com a boca cheia,
como se o caboclo ribeirinho, lá do interior de Carauari fosse
obrigado a saber que isso é o mesmo que feto concebido sem
cérebro! Bem, imagine o furdunço que rolou pelo twitter
e Facebook, principais redes sociais em Terras Brasilis, por conta
disso! Houveram opiniões bem construídas, abalizadas,
tanto a favor, quanto contra a lei, mas a maioria, como costuma
acontecer nesta terra de povo inteligente, bem educado, bem informado
e nem um pouco preconceituoso, se digladiou em defesa de ideias
pré-concebidas a respeito, tão ferrenhamente, fazendo
inveja ao mais fundamentalista dos terroristas! De qualquer forma,
acho um tanto curioso o STF estar votando essas pautas, com cobertura
ampla das grandes redes de mídia, com alguma celeridade,
até... terá algo a ver com o fato deste ano ser de
eleições, mesmo que não majoritárias...?!
Não... claro que não! Rá! Que ideia! Que
blasfêmia!!
Bem,
mas então... ontem, o STF decidiu sobre outra lei, a das cotas
raciais para o ingresso nas universidades públicas. Esse é
assunto antigo, já, mas hoje, graça aos senhores
ministros do STF, voltou à tona!
Quando
começou toda esta conversa, nem lembro em que ano foi, fui
contrário à ideia. Afinal, por que favorecer uma etnia,
justo num país multimiscigenado, como é o nosso?! Não
seria mais correto estender as cotas para os estudantes de baixa
renda, das classes D e E?! Pois é, hoje, de uma certa forma,
sou favorável às cotas, mas dentro de alguns
parâmetros, que já comecei a citar. Não
restringindo apenas a um grupo étnico e aos tais “pardos”,
que, pela concepção geral, até eu posso me
definir como tal – só que não o faço. Quer
dizer: ok, está correto o Estado brasileiro compensar, de
alguma forma, os séculos de exploração e
escravidão pelos quais os negros passaram em nosso país.
Mas sim, e quanto aos índios?! Estes, além de terem
sofrido exploração e escravidão, foram expulsos
de suas próprias terras, sem contar que, em pleno século
XXI, são tratados ainda como cidadãos de terceira
categoria! Eles também não merecem receber alguma
compensação?! Aff, que bobagem a minha... lógico
que não! São índios!
Mas
enfim... as cotas seriam a solução definitiva, ou uma
compensação justa?! Bom, para serem realmente justas,
teriam de ser espraiadas a quem recebe o famigerado bolsa-família,
tem renda familiar inferior a dois salários mínimos,
que só frequentar escolas públicas, etc. ALIÁS!,
senhores ministros, universidade pública deveria ser,
prioritariamente, para quem estudou em escola pública, nos
ensinos fundamental e médio! Ponto final! A equação
não é tão complicada assim e, fosse feita, não
haveria a necessidade de cotas! Não é tão
simples assim, mas é simples, sim! Porque, afinal de contas, é
uma coisa um tanto quanto lógica, se você puder
frequentar escolas particulares no ensino básico, presume-se
que possa arcar, mais facilmente, pelo menos, com uma faculdade
particular!
Creio
que o sistema de cotas mais próximo do ideal que conheci foi o
da UEA, Universidade Estadual do Amazonas, onde pelo menos metade das
vagas são destinadas a estudantes de escolas públicas
nascidos, ou que vivam no estado desde a infância, sendo a
outra metade dividida entre amazonenses que cursaram escolas
particulares, indígenas e por último, bem por último,
os imigrantes que não estudaram em escolas amazonenses, sejam
elas públicas, ou privadas, os “estrangeiros”, que se não
conseguirem uma determinada nota, podem perder sua vaga, inclusive,
para os três outros grupos! Sei lá, isso me parece mais
correto, mais próximo do ideal, sim. Acho, até, que as
universidades poderiam se espelhar nesse modelo de seleção,
as estaduais, pelo menos.
Porém,
obviamente, as cotas não são a solução
definitiva, nem nos países que as adotaram – até onde
sei, os Estados Unidos são o país cujo modelo estamos
tentando copiar aqui – são apenas um paliativo, algo a ser
utilizado por um período de tempo, até, quem sabe...
talvez... por que não...?! Até uma maior qualificação
de nossas escolas públicas, da educação de base
dos nossos Brasis, ou talvez, quem sabe... quem sabe!, uma reforma na
educação, de verdade, bem estudada, bem estruturada,
com investimentos massivos, etc. Que tal...?!