PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Falta Foco


Não falta tempo para ele escrever. Não lhe falta tempo para planejar! Ele quer muito, ele deseja, tão fortemente quanto possa se desejar algo, “voltar para casa”, voltar ao Norte. Ele é teimoso, você sabe, você o entende melhor do que pensa, melhor do que gostaria de admitir! Ele simplesmente não desistiu, pretende tentar de novo. Tantas vezes quantas forem necessárias! A teimosia, e algo mais, o movem a querer sempre voltar e tentar outra vez. Bem, sim, a situação anda bem difícil, ultimamente, as coisas sempre tendem a piorar, muito, antes de começarem a melhorar. Não têm lhe faltado ideias, não tem lhe faltado vontade, o que tem lhe faltado é foco, concentração!
É muita distração. Consciente e inconscientemente. Antes, ele se orgulhava de ter tanta inspiração, de ser tão prolífico, de escrever uma média de quinze textos por mês, algo em torno disso... você se lembra?! Óbvio que sim! Sim, ele chegou a te culpar, sim, mas não pelos teus motivos! Ok, um equívoco até que aceitável, pela imagem que se criou dele, pela culpa e frustração que se pode sentir, por essas coisas do coração, etc. Só que, ele chegou a crer que a fonte havia secado, que não teria mais insights, não conseguiria mais inspirar-se, como antes, quando sentia-se inspirado por sua musa, com quem teria esgotado todas as boas idéias, toda a poesia... mas não era nada disso! Enfim, e nada do que você havia pensado, também!
Preocupações, algumas reais, outras mesquinhas, a situação, aparentemente sem solução alguma, uma certa preguiça, um certo desânimo com a vida, o desejo e a vontade, como um “gostaria de...”, sem direção, desfocado, sufocando-o, deixando-o sem a concentração necessária, para seus escritos, para traçar os planos, trabalhar as idéias, projetar os próximos passos, atos, ações; as distrações e pequenas irritações, com pequenos equívocos e atitudes, suas e de outros, são desculpas para tirá-lo da direção que pretende seguir.
Interessante como uma certa mudança de foco lhe deixa mais atenta, mas é bom, você percebe certas pequenas idéias que pra ele não são grandes atitudes, são apenas pequenas mudanças que ele faz sem nem se dar conta. Pois a atitude que ele está procurando mudar é essa falta de concentração, essa sua falta de foco, quase natural nele... ele sempre soube que era preciso. Não é só a atitude, a visão que tem de mudar, trata-se de manter o foco, cuidar apenas para fazer os desvios e atalhos certos, saber lidar com uma certa margem de erro, que sempre existe, com a qual não sabemos trabalhar – só diremos isto: você também não sabe! Tem que aprender, sim, a saber que terá, fatalmente, algumas falhas, uma margem de erro com a qual tem que se contar. O foco servirá para que possa adequar seus planos, entre outras coisas, a essa margem de erro. Ele precisa, muito, manter o foco no que realmente importa.

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