PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 27 de abril de 2012

COTAS


Ultimamente, o STF, Supremo Tribunal Federal, tem resolvido mostrar trabalho, votando pela constitucionalidade, ou não, de leis um tanto ou quanto... espinhosas! Daquelas que chamam a atenção na mídia, nos jornais, nas redes sociais, etc. Daquelas que todo mundo tem uma opinião a respeito, mas que a maioria de nós não sabe muito, ou não faz nenhuma ideia sobre o assunto. Na semana anterior, estavam votando no STF a constitucionalidade do aborto de anencéfalos – que as redes de TV e grades grupos de notícias falavam com a boca cheia, como se o caboclo ribeirinho, lá do interior de Carauari fosse obrigado a saber que isso é o mesmo que feto concebido sem cérebro! Bem, imagine o furdunço que rolou pelo twitter e Facebook, principais redes sociais em Terras Brasilis, por conta disso! Houveram opiniões bem construídas, abalizadas, tanto a favor, quanto contra a lei, mas a maioria, como costuma acontecer nesta terra de povo inteligente, bem educado, bem informado e nem um pouco preconceituoso, se digladiou em defesa de ideias pré-concebidas a respeito, tão ferrenhamente, fazendo inveja ao mais fundamentalista dos terroristas! De qualquer forma, acho um tanto curioso o STF estar votando essas pautas, com cobertura ampla das grandes redes de mídia, com alguma celeridade, até... terá algo a ver com o fato deste ano ser de eleições, mesmo que não majoritárias...?! Não... claro que não! Rá! Que ideia! Que blasfêmia!!
Bem, mas então... ontem, o STF decidiu sobre outra lei, a das cotas raciais para o ingresso nas universidades públicas. Esse é assunto antigo, já, mas hoje, graça aos senhores ministros do STF, voltou à tona!
Quando começou toda esta conversa, nem lembro em que ano foi, fui contrário à ideia. Afinal, por que favorecer uma etnia, justo num país multimiscigenado, como é o nosso?! Não seria mais correto estender as cotas para os estudantes de baixa renda, das classes D e E?! Pois é, hoje, de uma certa forma, sou favorável às cotas, mas dentro de alguns parâmetros, que já comecei a citar. Não restringindo apenas a um grupo étnico e aos tais “pardos”, que, pela concepção geral, até eu posso me definir como tal – só que não o faço. Quer dizer: ok, está correto o Estado brasileiro compensar, de alguma forma, os séculos de exploração e escravidão pelos quais os negros passaram em nosso país. Mas sim, e quanto aos índios?! Estes, além de terem sofrido exploração e escravidão, foram expulsos de suas próprias terras, sem contar que, em pleno século XXI, são tratados ainda como cidadãos de terceira categoria! Eles também não merecem receber alguma compensação?! Aff, que bobagem a minha... lógico que não! São índios!
Mas enfim... as cotas seriam a solução definitiva, ou uma compensação justa?! Bom, para serem realmente justas, teriam de ser espraiadas a quem recebe o famigerado bolsa-família, tem renda familiar inferior a dois salários mínimos, que só frequentar escolas públicas, etc. ALIÁS!, senhores ministros, universidade pública deveria ser, prioritariamente, para quem estudou em escola pública, nos ensinos fundamental e médio! Ponto final! A equação não é tão complicada assim e, fosse feita, não haveria a necessidade de cotas! Não é tão simples assim, mas é simples, sim! Porque, afinal de contas, é uma coisa um tanto quanto lógica, se você puder frequentar escolas particulares no ensino básico, presume-se que possa arcar, mais facilmente, pelo menos, com uma faculdade particular!
Creio que o sistema de cotas mais próximo do ideal que conheci foi o da UEA, Universidade Estadual do Amazonas, onde pelo menos metade das vagas são destinadas a estudantes de escolas públicas nascidos, ou que vivam no estado desde a infância, sendo a outra metade dividida entre amazonenses que cursaram escolas particulares, indígenas e por último, bem por último, os imigrantes que não estudaram em escolas amazonenses, sejam elas públicas, ou privadas, os “estrangeiros”, que se não conseguirem uma determinada nota, podem perder sua vaga, inclusive, para os três outros grupos! Sei lá, isso me parece mais correto, mais próximo do ideal, sim. Acho, até, que as universidades poderiam se espelhar nesse modelo de seleção, as estaduais, pelo menos.
Porém, obviamente, as cotas não são a solução definitiva, nem nos países que as adotaram – até onde sei, os Estados Unidos são o país cujo modelo estamos tentando copiar aqui – são apenas um paliativo, algo a ser utilizado por um período de tempo, até, quem sabe... talvez... por que não...?! Até uma maior qualificação de nossas escolas públicas, da educação de base dos nossos Brasis, ou talvez, quem sabe... quem sabe!, uma reforma na educação, de verdade, bem estudada, bem estruturada, com investimentos massivos, etc. Que tal...?!

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