PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Retratos pra Lelê


Sou muito sentimental. E emocional demais. Absurdamente emocional... e absurdamente emotivo, amor... hoje tive de me esforçar para não ir às lágrimas, ao ver um comercial de drogaria que, desconfio eu... foi feito justamente com essa finalidade! Não posso ver mais certas peças publicitárias... acredite, nem mesmo peças publicitárias! Não posso mais te ver entrando e saindo num relance, nas redes sociais... essa tua falta de tempo que nos afasta... que te permite postar uma foto, curtir o status de um colega qualquer, mas para mim, o tempo é sempre muito escasso... melhor nem gastá-lo! Pois é, só de pensar nisso... estou emotivo demais. Aqui, onde o inferno se recusa a ir embora, deixando confusos os beija-flores, que vêm até a laranjeira ao lado da janela do meu quarto atrás das flores, que deveriam estar começando a desabrochar, eu fico, mesmo, emotivo. Taciturno, na verdade.
Não emo, minha querida, emo, não. Eu não tenho tendência à tristeza... minha tendência é à depressão! Não gosto de franja, meu cabelo é desgrenhado e horrível, minha cara é horrível, sou naturalmente branco feito papel, não preciso de muita coisa pra realçar minhas olheiras, por vezes aprofundadas pela insônia e pela autoflagelação da depressão bipolar, decorrente do pensamento incessante em você... além do que, detesto tênis pretos com cadarços cor de pincel marca-texto.
Aqui, era pra ter idéias mais floridas, deveríamos estar em plena primavera, estação das flores e blablablá... mas o frio é quem tem persistido por aqui, é quem tem dado as cartas. Na serra, penso que, como aqui, as flores também não desabrocharam. É que elas já devem ter percebido que é perda de tempo, não poderão te esperar... até elas sabem que, meio prevendo que por aqui eu estaria, você resolveu que a próxima vez que vier ao sul, irá pra Santa Catarina. Então, por isso mesmo, as flores resolveram entrar em greve e não desabrochar, o inverno resolveu aproveitar e dar uma esticadinha até... quem sabe o próximo inverno!
Maldita estética do frio... por aqui existe esse negócio! E eu não me sinto bem nesse contexto. Aqui, sou mais depressivo, aqui se torna mais fácil sucumbir ao comodismo e ao desespero. Aqui, eu posso relaxar... no mau sentido! Posso me entregar à rotina, aqui, a solidão é bem maior, aqui tua ausência se faz bem mais presente, pesa sobre meu peito, pisa na minha garganta com um salto agulha. Aqui, não há a chance de nos pecharmos na próxima esquina, não existem as oportunidades de esbarrarmos no ônibus de volta pra casa, não tem como te ver do outro lado da avenida, nem de talvez te abanar um “xau” tímido, antes de te ver embarcar no coletivo que te leva ao trabalho. Aqui, só há perder horas na frente de um computador, olhando para um lindo avatar sorridente, esperando você ficar on-line, pra depois esperar, inutilmente, que tenha algum tempo, nem que seja, pelo menos, para dizer um “oi”, ou para ler um texto longo, de quase 160 caracteres – o tamanho de um sms. E por vezes, estando longe demais, sinto-me também distante, na verdade, distanciado, apartado, e a frustração se faz forte demais para segurar. Porque não tem um dia sequer pra se apaziguar o que só vai crescendo, se acumulando dentro de mim. Então tento me controlar, não soltar tantas indiretas, não liberar tantos spoilers da minha solidão, não demonstrar a falta que você me faz, praticamente o tempo todo. Eu sabia, eu sabia que era um erro nos preservarmos, tentarmos estupidamente preservar a própria mente e a do outro, sabia que não devíamos encanar, que era melhor termos participado mais da vida um do outro, sim, fazermos mais coisas juntos, darmos mais companhia um ao outro... eu sabia, mas não disse nada! E agora, minhas mensagens não te fazem mais sorrir, desconfio eu, minha companhia não lhe é mais agradável, porque estou longe demais pra ser algo mais que um coleguinha virtual e não aceito ser menos que amigo... minhas indiretas te sufocam, mas você distanciar e silenciar também me sufoca! Me desculpe por isso. Só que não é bobagem, para mim, não é bobagem, não consigo crer que seja bobagem. Não quero te sufocar com excesso de atenção, mas não quero que a tua desatenção me sufoque, também.
Estou dedicando a você este texto e vou postá-lo, mais tarde, no blog, mas não tenho nenhuma certeza de que vá lê-lo, sou um blogueiro frustrado que tem nove seguidores e a noção de que, há meses, ninguém lê uma linha sequer do que escrevo. E, curiosamente, dos nove seguidores, dois são perfis de duas redes diferentes, ambos de você mesma... minha leitora preferida e mais frequente não frequenta mais meu blog, não dá RT, não curte mais quando compartilho... se for algo que você escreveu, aí sim, aí você curte, sinal de que tenho bom gosto! Será que estou fazendo a leitura errada?!
Enfim, esse silêncio todo é maior do que posso suportar, todo esse isolamento e distanciamento me tiram o pouco de ar que já recebo. E se nos falaremos só quando, no auge da minha asfixia, começar a te sufocar... bem, então como faremos?! Você não fazer o mais simples, depois não saber o que fazer, me deixa completamente sem ação e com um grande sentimento de culpa por... vamos falar francamente: ser completa e perdidamente apaixonado por você! É o que faz meus olhos brilharem (*-*) quando te vêem e meu peito doer... é o que me faz mais sentimental e emotivo. Não emo! Gótico, talvez... sim, gótico, a depressão tem mais a ver comigo que a tristeza... o pessimismo, a baixa auto-estima, mesclada com o sentimento angustiante da inconformidade. Eu sei, não sou nada evoluído. Eu romantizo, mesmo, sem pudor algum... e sou suficientemente pessimista para não me iludir com qualquer perspectiva boa. Emo é um colorido que chora.
Quando você estava nascendo, eu já tinha vivido mais ou menos uma década e havia conhecido um movimento vindo da Inglaterra, lugar tão frio, nevoento e lúgubre quanto o extremo Sul do Brasil, portanto tão deprimente quanto. Eram os tais de góticos, ou darks, com seus cabelos desgrenhados, tênis desamarrados, roupas excessivamente largas e amarrotadas e morbidez. Eu meio que me identifiquei com a turma de Robert Smith (The Cure) e outros. Você os tivesse conhecido, amor, saberia que a estética emo é tão superficial que não arranha nem sequer a superfície da minha tristeza. Enfim, tanto faz, não é importante!
Já falei do meu karma. Não me fale do seu, eu já sei qual é, sei que não se aplica a mim, a nós, a essa relação... j´sei que todo momento em que me apaixonar vou me concentrar demais no objeto da paixão, que no fundo, não estará nem um pouco interessada no que se passa comigo, nessas três vezes em que me apaixonei de verdade, apenas uma pessoa deixou acontecer, não tentou me encher de proteções, nem isolar-se para se preservar, não se preocupou tanto se iria conseguir corresponder plenamente meus sentimentos, ou não. A verdadeira grande bobagem foi se preocupar demais com o que viria depois, se não desse certo, querer preservar-nos e preservar um ao outro, em vez de deixar acontecer, fosse o que fosse. Essa minha primeira grande paixão, primeira verdadeira paixão, não é mais minha paixão. Há anos não é mais a musa que me inspira. Mas é uma das pessoas ainda importantes em minha vida, é uma grande amiga, a quem prezo muito, de quem me orgulho muito de ter em meu círculo de relações. Nos preocupamos mutuamente e um fica sempre contente com a felicidade do outro. Será que, se tivéssemos nos preocupado em nos preservar, e também um ao outro, teríamos ainda a boa relação que temos até hoje? Não nos casamos, não ficamos juntos, não houve mais flertes, ou paqueras, não temos “amizade com vantagens”, e mesmo assim, 8 anos depois, ainda temos uma boa ligação, gostamos, às vezes, de conversar, e até de brincar, um com o outro. Então, meu amor, foi mal falar em permitir-se, na teoria, e não termos nos permitido tanto assim, na prática. Segundo minha experiência, e meu karma, isso não dá lá muito certo... me dá, realmente, um temor muito grande de que acabemos não tendo uma relação tão legal assim, seja como for, ainda mais se quiser insistir em voltarmos a ser apenas colegas virtuais. Teu karma não se aplica a mim, isso é mais do que óbvio, quanto ao meu... bem!
Sei que tudo isso te incomoda, sei que não gosta nem de nomear este sentimento que tenho por você, mas não sei mesmo o que fazer, a não ser pedir perdão. Não sei ser diferente, infelizmente... não sei nem se, tivesse um amor mais desprendido por você, não ficaria também frustrado, embora um pouco menos. É um karma estar apaixonado por quem não gosta tanto assim da gente, nem sequer cogita-nos, não está disposta a ver-nos com outros olhos – às vezes dizendo não ver-nos sequer como pessoa do sexo oposto – parece inclusive insistir em procurar príncipes e passar por nós sem ver que podemos ser aquela famigerada lagartixa... desculpe, sinto muita raiva de mim mesmo, por não conseguir sublimar isso, não conseguir libertar-me das romantizações, do platonismo, da inconformidade: “por que não mereço uma chance? por que prefere os rolos? por que se envolver por caras que não lhe merecem? por que não posso eu tentar fazê-la feliz? será que teme ser feliz a meu lado e prefere sofrer ao lado de outro mais 'ideal'?” Me perdoe... você diz que já esteve do outro lado, ok, sinto-me um pouco confortado por isso, mas tem dias que é difícil pensar que, se a pessoa nos entende tão bem, por que negar qualquer possibilidade? Me perdoe novamente, esse é o pior ângulo de mim mesmo...
Mas é apenas um retrato, esse, de mim, de meu desespero, de minha paixão exagerada. Como diz uma música do Vanguart: “... e o que resta é tão pouco, como sou pouco contigo, mas você em mim exagera e és meu mais novo vacilo...” Talvez o maior, quase certeza de que o melhor vacilo. Choro e ranjo os dentes, mas no fundo gosto de enlouquecer pensando em você. Gosto muito de você. Te quero sempre muito bem, mas o que quero mesmo, de verdade, pra ser sincero... é você comigo.

Vazio Existencial


Sinto uma fome crescendo
Mas não devia sentir
Nem me compete admiti-la.
A broca não está na minha barriga
Está furando é meu peito
E deixando lá um vazio existencial
Deixa um buraco no meu coração
Onde só tem tua ausência!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Pensar em Você


Pensar em você é me torturar
Me flagelar
Enlouquecer...
Pensar em você é me entender
Compreender melhor o que você me faz
E o que eu sinto...
Pensar em você é me desgastar
(Aos teus olhos)
É te querer demais!!
O tempo todo...
E te querer bem
Querer teu bem
(Acredite!!)
Tua satisfação
Tua felicidade...
Pensar em você me maltrata
E me agrada o coração
Penso em você e me fixo
Me concentro mais em você
Do que em mim mesmo
Penso em você
E agradeço por poder ter te conhecido
Penso em você
E fico feliz
Por ter você participando em minha vida
Num momento em que tinha muito a aprender
E fico orgulhoso
Por ter participado também da sua
(Mesmo que só um pouco...)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

É Complicado...


É complicado. É complicado se readaptar! Se readaptar sem se acomodar novamente é realmente complicado. Você, a cada dia que passa, sente, descobre mais uma prova de que se precipitou em desistir e vir embora de volta. Porque, você sabe, já antes não sentia-se mais inteiro quando voltava à terra dos seus pais. Sim, todos dizem isso, você nasceu aí... mesmo aqueles que têm um outro entendimento sobre a vida, encarnações, etc, parecem não te entender. Ou não aceitam, não admitem que você encontre, tão longe da casa onde cresceu, o teu lugar, onde corpo, alma e espírito estão unidos, onde, de alguma forma, sente maiores identificação e ligação. De que adianta querer traduzir em palavras? Não há, na nossa linguagem limitada, definição para isso que você sente, cada vez que volta ao seu lugar, ao seu shangrilá pessoal. Você conclui que não se precipitou porque, não importa o momento, qualquer um seria ruim para vir embora. Nunca chegaria o momento certo! Talvez você não devesse é ter ido para lá novamente... agora, não tem mais jeito, seu coração ficou na margem de lá do rio Negro!
E agora você está de volta à velha rotina que não desejava mais ter. Agora está mais difícil se readaptar. Aqui, você sabe, a tentação de acomodar-se é muito grande. Você não gosta da rotina daqui... você não gosta desse ritmo acelerado só durante três meses do ano. Te asseguraram que do pior do inverno, você escapou... tudo ótimo, não fosse pelo fato de ninguém ter te avisado que ainda estava frio aí, quando você chegou! Você teme perder a cor que ganhou de presente, desta vez... como se o sol tivesse, enfim, te aceitado como um dos filhos daquela terra. Você nunca estranhou tanto o sotaque dos seus pais. Agora você realmente se sente estranho... um caboclo acanhado, no meio dos gaúch0s, em meio àquela gente que vive nas terras frias e que parecem mais europeus que brasileiros. Você se pega, às vezes, estranhando a própria fala, achando estranho o som das palavras, o “R” carregado, o “S” sem chiar... é complicado! Antes, você estava, de certa forma, dividido, estava com o coração para lá, mas tinha ainda algum resquício das raízes da família, dos seus pais, de pelo menos dois dos teus avós... era fluente em duas línguas, de dois Brasis diferentes, mas que você conseguia perceber pontos em comum. Agora, você que está diferente. A sua cor é outra, há apenas um sotaque que te soa natural, e não é mais aquele dos teus pais! Você assiste a um curta-metragem na tv local, contando a história de um garoto que saiu da mesma terra que você, da mesma região onde cresceu, resolveu correr mundo, para buscar lugar pra chamar de seu, que então acaba chegando à mística Machu Picchu. Quando ele está prestes a ir embora, vem a menina peruana para dizer o óbvio que lhe havia passado despercebido, com uma única frase: “Eres inca”. “Você é inca!”, disse-lhe ela. Quer dizer, ele havia, enfim, encontrado o seu lugar no mundo, que só ele não tinha percebido... você se identifica com a história, vai quase às lágrimas, sente uma saudade imensa de lá, do teu lugar, da sua “garota inca”... de diferente do garoto do filme, você é quem percebeu ter encontrado teu lugar, teu espaço... não precisou de ninguém pra te dizer isso. Mas, de repente, gostaria que ela tivesse vindo te dizer que estava se precipitando! Você voltou e agora sente que podia ter suportado um pouco mais...
Desta vez, você esteve lá e passou por poucas e boas... mas ainda haviam formas de continuar, pra seguir com a rotina que havia adotado, que lhe era mais natural. Só que você sucumbiu ao medo e ao desespero, resolveu se precipitar e vir embora. Todos te diziam que era o melhor, que era a única saída. Todos, menos um! Agora, você vê que ele é que estava com a razão! Lá, você estava se aproximando do seu ideal, estava mantendo hábitos mais saudáveis, tinha uma rotina diferente. Aí, você nem gosta da rotina. Não se sente bem... e sabe que pode acabar se acomodando... você teme se acomodar outra vez. Porque se conhece suficientemente bem. Se isso acontecer, talvez você nunca mais consiga voltar para lá. Nem poderá vê-las novamente. Ela quis te animar, não te deixar cair no desânimo, por ir embora, então não disse adeus... isso foi bom, mas se cair no velho círculo vicioso e se acomodar, você sabe, e ela também, que vocês não mais se verão, nesta vida. É complicado. Pra você, é muito complicado!!
Mas agora é necessário: você não tem como manter, aí, a rotina que vinha mantendo lá, e não quer voltar ao círculo vicioso da velha rotina daí, nem ao desânimo e ao comodismo... pois crie uma nova rotina! E faça o melhor que puder, para voltar o mais rápido possível para lá! “Eres inca!” E quer voltar ao teu shangrilá! Ao teu éden! Ou qualquer coisa assim... é complicado, mas melhor que sucumbir ao desespero e ao desânimo, enquanto espera dela a mesma saudade que você já sente... invente um curso pra fazer, escreve mais textos sobre outros assuntos, quem sabe aquele teu velho projeto de livro... que o texto a quatro mãos com ela, miou mesmo! É complicado! Mude a rotina, não caia na pasmaceira, ou vai ficar louco e perdê-la... e nunca mais voltar ao teu shangrilá. Porque é complicado!

sábado, 22 de outubro de 2011

Carência, Karma, Utopia...


Ah, quem dera... se de repente, num futuro retorno a Manaus, a primeira (e eterna ex) namorada dissesse ter cansado de ficar pulando por relacionamentos que se desgastam em semanas, ou meses, desejasse mesmo ter uma relação mais duradoura... e, estando eu por ali, dando sopa... enfim... sacumé!
Ah, mas se em vez de me provocar e brincar comigo, e me usar, aquela ex-colega de trabalho deixasse sua extensa lista de parceiros para ter algo mais sério e verdadeiro comigo!? Ou pelo menos ter me incluído nessa lista...
E se aquela menininha – na atitude e não na idade – acadêmica de direito, que conheci numa entrevista de emprego, de repente dissesse que faço falta em sua vida, que até começou a pensar em mim... de um jeito diferente!? Tipo, agora resolvesse que havia sido um erro iludir-me e não me dar uma chance...?!
Como seria?? O que é que eu faria?! Me manteria fiel a uma paixão que, eu sei, não me dá nenhuma esperança?! Sucumbiria à solução mais fácil, a tentação provocada pela extrema carência afetiva?! Hoje eu não sei responder a essas questões... sei apenas que sinto muita falta de um beijo... não precisamente na boca, de língua, poderia ser no rosto, desde que com carinho... um abraço, então!! Daqueles apertados, demorados... faz, sim, muita falta... mais que o sexo. Uma amiga, que anda afastada por conta de um vacilo feio, seu em relação a mim, costumava dizer que carência afetiva de homem é a tal da “seca”, em outras palavras... falta de sexo! Simples assim! E eu costumo dizer que, se o problema todo fosse esse, engoliria meu orgulho e pagaria para ter o prazer que estaria me fazendo falta. Mas nada é tão fácil assim...
Em julho deste ano, completaram “apenas” cinco anos – CINCO ANOS!!! - em que não tenho nenhuma relação mais ou menos estável com alguém... tipo namoro. Se for contar paqueras, ficadas, rolos... dá mais ou menos isso também. Se é muito tempo...? Sim, é bastante tempo... é um tempo pra si mesmo que ninguém precisa! Mas eu tô tendo esse tempinho pra mim, infelizmente... “Nossa!! E como é que você ainda não surtou?!” Até meus surtos são controlados... porque na verdade, eu surto por conta desse pequeno problema uma pá de vezes... neste exato momento, estou surtando.
Tenho pra mim que isso é um pequeno karma pelo qual tenho de passar nesta encarnação. Talvez eu devesse, mas não consigo me resignar... é doloroso você ter a consciência de que passará a vida privado de algo, porque, sei lá, é algo que você tem em débito de outras encarnações anteriores, ou é algo por que você deve passar, para seu aprendizado... e você não pode fazer nada a respeito e não consegue se resignar!
Por conta desse meu pequeno karma, eu incrivelmente somente me apaixono por quem não gosta de mim, pelo menos não da forma “certa”... e não é que me apaixone fácil... não, até o ano passado, tive somente duas paixões verdadeiras... daquilo que considero como tal... de não importar a distância, você ter olhos, pensamentos, coração pra aquela pessoa, preocupar-se com ela, chegar a sonhar com ela, vocês falarem-se hoje e, assim que se separarem, ou desligar o telefone, desconectar o messenger, já sentir a falta da outra pessoa... querê-la sempre ao seu lado e tal... sim, pois é, eu sei que você entendeu!
Imagine você, dizer “eu te amo” a uma pessoa e ela perguntar de volta: “o quê, mas já...?!” Desconcertante, não é?! Pois é, sinto falta de receber carinho, também de dar, sinto falta de receber e demonstrar afeto, livremente, de me declarar a uma pessoa sem ela querer assustar-se, sem causar-lhe desconforto, sem que queira preservar-se de qualquer idéia, ou imaginação mais romântica a meu respeito, e eu a respeito dela. Por vezes, sinto-me culpado por ter certos sentimentos, e sequer sonhar ter qualquer relação mais íntima e pessoal, de afeto e companheirismo por determinada pessoa.
Até então, havia vivido duas verdadeiras paixões. Pois hoje, vivo uma terceira... achei que, acontecesse o acontecesse, iria ser o melhor. Por vezes, ela é a razão dos meus surtos. Ainda mais que estamos novamente longes e distantes. Nos preservamos mutuamente de certas coisas, de alguma forma, fiz, ou faço parte de sua vida de maneira praticamente paralela, se houveram, mesmo, cogitações da sua parte suas a meu respeito, como cogito, ainda que estando novamente muito longe, não tenho bem certeza, mas caso tenham havido, talvez tenhamos deixado de lado, mesmo, fatores que poderiam tornar, mesmo os laços de amizade, mais fortes, resistentes... sim, não haveriam diferenças, a falta de um não seria mais sentida pelo outro do que o inverso, as sensações seriam absolutamente as mesmas – ou pelo menos, bastante parecidas. Impor muitas regras e querer prever e adivinhar o desenrolar, a evolução dessa relação também foram erros graves, nos esquivamos demais um do outro, por conta disso. Foi burrice! Deveríamos, caso ter cogitado as possibilidades, não apresentá-las teoricamente, se um de nós não pretendia levar essas cogitações ao campo da relação, propriamente dita, nada deveria ter sido dito. Ou simplesmente, cogitando, ou não, ter-nos deixado levar para onde o coração nos empurrasse... fosse para o que fosse!
Penso que gostaria de ter tido mais liberdade para me expressar, demonstrar, sem receios, meus sentimentos, dar-lhes o devido nome, não deixar de usar determinadas palavras, por medo de chateá-la, espantá-la, incomodá-la, desconcertá-la, ou qualquer coisa assim... penso que talvez venham a dizer-me o que já fora dito antes, sobre, mas queria poder demonstrar mais abertamente meu afeto, meu carinho, sem ter de olhar para os lados, para não causar nenhum constrangimento. Há tempos espero por um abraço demorado, por um longo beijo... românticos, apaixonados, ou fraternos, realmente, tanto faz. Ter aquela cabecinha pousada em meu ombro, ter uma maior receptividade a esses carinhos e demonstrações de... amor! E afeto... obter o justo reconhecimento e a correspondência, mesmo que em parte, da pessoa certa, neste momento – porque não há distração que despenda tanto de minhas lembranças, preocupações, saudades, ultimamente – sei que não passa de uma utopia.
O que não era pra ser, para nenhum de nós, uma utopia, ter estreitado mais os laços, fazermos, efetivamente, parte do círculo de relações afetivas um do outro, pelos mais diversos motivos alegados, até mesmo o “não se sabe o dia de amanhã”, também foi incluído na tal utopia, num ideal “inalcançável”. E nunca foi. Enfim... se é pra tirarmos algum aprendizado disso... pois que se viva esse karma, então.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Meu Sentimento


O meu sentimento por você tem nome. É confuso, é estranho, às vezes... e é o que sinto. Queria que fosse sublime. Gostaria que fosse correspondido, mas ser sublimado seria muito mais interessante. Como o Mestre tentou nos ensinar... como é com os espíritos verdadeiramente elevados... porém, sou ainda muito humano, imperfeito. Por vezes tão imperfeito que me julgo desmerecedor de ter tal sentimento... já você, merece tanto desse sentimento quanto conseguir arrecadar ao longo da tua caminhada. Você merece que alimentem tal sentimento por si... seja da forma que for. Mesmo dessa forma imperfeita que sinto.
Esse sentimento me veio cedo, de forma inusitada. Alimento por você esse sentimento desde a primeira vez que te vi, numa foto, num blog... foi à primeira vista. Quanto mais fui te conhecendo, mais isso foi crescendo dentro de mim. Até dar a impressão de que, mesmo não sendo correspondido, ou não sendo sentido da mesma forma, na mesma intensidade, criávamos algum tipo de vínculo, de ligação, espiritual, em que sabíamos o que cada um estava pensando, antes mesmo de ser dito, de chegarmos a sonhar um com o outro.
O que sinto por você, por vezes, me causa estranhas emoções, mas não tem diminuído, um dia sequer. Só tem feito aumentar, mesmo agora. Nos conhecemos pessoalmente, conversamos, descobrimos defeitos e qualidades, um do outro, e te conhecendo realmente, como creio que venho te conhecendo, meu sentimento não arrefeceu, não me desiludi, não me desenganei... o sentimento quase tornou-se uma certeza.
Às vezes sinto-me culpado, minha cabeça não ajuda, viaja em grande velocidade, para todas as direções... me perco em emaranhados de estradas, e bolas, e desvios, e retornos, algumas vezes sombrios e ermos, outras vezes, quase despenco em abismos de negativismo e imaginações enganosas, que só provam como meu sentimento ainda está imperfeito. Mas é verdadeiro, pelo menos! Vivo esse sentimento à distância, vivo-o em meus pensamentos, às vezes me maltratando, realizando certos desejos que escondo, inclusive de você, dentro de meu coração. Vivo-o também na nossa relação, nesse carinho mútuo que temos, acredito eu, nesse respeito, nessa... amizade, que é o mais próximo daquela forma sublime que eu gostaria que esse sentimento por você assumisse, pois me faz muito bem... será, que com o tempo...? Qual das duas maneiras...? Bom, seja do jeito que for.
Não ouso dizer teu nome, cometi algumas gafes, como se esse sentimento as justificasse, não quero, nem quis, te expor... queria nomear esse sentimento por você, mas já sabe qual é, permito-me senti-lo, então, quanto ao nome, isso só diz respeito a nós e mais ninguém...

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Coração Sushi


Tô aqui
Você não me vê,
Eu vejo você...

Tô aqui
E daí, né?
Grande coisa.
Aqui é “lá”
Lá é muito longe
Mas está aqui
Dentro de meu coração
Dentro de mim

Tome ele
Pegue ele
Engula-o
Degluta-o.
Eu deixo!

Lá é longe
Quero a ponte sobre o rio
Para tornar pra mim
Logo ali.

Você taí
Eu te vejo,
Mas e daí, né?
Não sei o que dizer
Estou errado demais
Pra me dirigir a você.
Te ofereço meu coração

Pega,
Engole,
Mastigar pra quê?
Já está amaciado que chegue,
Pode devorar
Meu coração de sushi

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Norte e Sul


De volta ao Sul, mais uma vez. Me precipitei. Podia ter esperado um pouco mais, podia ter tentado uma outra saída, podia ter esgotado, de verdade, todas as possibilidades, antes de sair correndo e entrar no primeiro avião rumo a Porto Alegre. Não era o momento de voltar. Ainda não é. Nem sei quando seria.
Desta vez, meu coração, parte de minha alma, creio que o melhor de mim, ficou lá pra trás, ficou no Norte. Ficou em Manaus. E tenta se comunicar com ela. Não tem obtido sucesso. Eu tenho procurado me comunicar com minha melhor parte, mas ela não me traz de lá as notícias que espero.
Não espero que ninguém entenda, mesmo. Nem ela. De volta ao Sul, tenho de me policiar o tempo todo, para não cair no marasmo, não me deixar acomodar, buscar saídas, travar o bom combate, lutar por objetivos que considere justos, fazer planos e buscar meios de cumpri-los. Das outras vezes anteriores em que tive de voltar ao Sul, voltei a velha vidinha, me deixei desanimar, me deixei acomodar, me deixei cair nas trevas do lado negro de meu coração. No Sul, sou sombrio, triste, soturno, solitário. Sou praticamente nulo, várias vezes não me sinto uma pessoa, apenas extensão de outras pessoas, de minha família – por exemplo. Meu círculo de amizades se reduz a minha família, praticamente!
No Norte, tenho de me impor, tenho de me abrir, de me mostrar para as pessoas. Tenho que ser uma pessoa. Meu círculo de amizades – e mesmo de colegas – no Norte é maior, e formado em bem menos tempo, que no Sul. Não há zona de conforto, no Norte, não há porto seguro, aliás, em lugar algum, em pessoa nenhuma! Ninguém, nem nada, pode ser nosso porto seguro, a não ser nós mesmos. Amigos, família, amores, lugares, podem ser, no máximo, nossos esteios. Algo em que nos apoiarmos, firmarmos o pé, tomarmos impulso para o próximo salto.
No Norte, meu porto é mais seguro, porque EU sou mais seguro. Mais seguro de mim mesmo. É fato... desculpa aí. Não pode haver uma relação tão recente com o Norte. Faz 8 anos que fui lá da primeira vez. 8 anos! Não era pra ter nenhum tipo de ligação com o Norte! Mas o fato, puro e simples, é esse: neste retorno ao Sul, mal o avião decolava, meus olhos encheram-se de lágrimas. Foi uma despedida amarga do Norte. Foi algo que nunca aconteceu. Nunca fiquei tão abalado por ter de ir embora, como desta vez. É certo que meu coração por lá ficou de vez. É bobagem pensar em um “lugar melhor” para os próximos planos. Não espero, nem quero que você me entenda! Lá é que me sinto inteiro. Lá é que me sinto um indivíduo, uma pessoa.
No Norte é onde me sinto completo. Nenhuma tristeza, nenhuma depressão é tão crua e tão cruel quanto a que sinto no Sul. Lá, não me deixo cair na obscuridade tão facilmente. Lá sinto que meu humor é igual aquele chão, mais iluminado e mais quente. Aqui, meu humor é mais frio e nevoento, como o chão daqui. E eu não gosto disso. No Sul, relaxo muito, no mau sentido, tanto que ganho peso novamente, temo ficar novamente bem acima do peso. Porque é o que sempre acontece, toda vez que volto pra cá.
Aprendi muita coisa nova, desta vez, no Norte. Estou procurando usar isso para manter-me forte. Está difícil assumir uma postura mais... nortista, no Sul. Mas é o que tenho de fazer. Seguir com o plano. Procurar chegar onde pretendia chegar, onde ainda pretendo chegar. Procurar não me acomodar, não aceitar o fracasso que me fez voltar antes do tempo, não deixar-me cair nas sombras e tornar-me novamente soturno e taciturno. Mesmo sem seu apoio, de quem sabe que não podemos mais ser apenas colegas de internet. A distância física foi vencida, outras distâncias também foram, não há mais como impor muros e barreiras... enfim, não quero voltar ao Sul e me anular de novo. Preciso manter a cabeça fora do buraco, manter a cabeça em planos úteis e no Norte, onde está meu coração, na curva do rio Negro. No Norte está a Luz, não posso me deixar sucumbir nas Trevas do Sul. Não espero que ninguém entenda. Espero estar mais forte. Só isso.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Porta-jóias da Amazônia


Enfim, o avião levanta voo
Lá de cima eu vejo
As luzes de Manaus
Penso nelas como jóias
E na cidade
Como o porta-jóias da Amazônia
À medida que o avião sobe
E nos afastamos da cidade
Sinto um aperto no peito
E lágrimas correm pelo meu rosto
É uma saudade antecipada
Do meu “eu” caboclo
Que fica lá embaixo
Assistindo a decolagem
Da aeronave que leva um outro “eu”
Para o Sul
Para muito longe do meu solo
Levando algumas jóias comigo
Deixando a principal que trouxe comigo
Para trás
Deixando o coração
Cada vez mais caboclo
Cada dia mais amazônida
Mais uma jóia escondida
Dentre tantas outras
No porta-jóias da Amazônia

sábado, 8 de outubro de 2011

E Se...


E se nada disso estivesse acontecendo? E se os acontecimentos da última semana não tivessem ocorrido? Se eu tivesse me mudado antes de terem desistido do negócio, se não tivesse ido para o Núcleo 15... será que teria passado por tudo isso? Se tivesse preferido trocar o negócio como panfleteiro da marca de planos de saúde pelo de venda de assinaturas de tv a cabo... será que agora não estaria já bem melhor...? Ou pelo menos, o que já é grande coisa, teria evitado de passar pelo que passei, nas últimas semanas? E se tivesse feito diferente... se já tivesse partido?! Se tivesse vindo, feito a prova objetiva e ido embora? Estaria voltando só agora, para esperar pelo tal teste de aptidão física do concurso... por que não pensei nisso antes!? E, se não tivesse vindo, se não tivesse nem me inscrito para o concurso??
E se não tivesse me deixado iludir por juras de amor feitas por e-mail, e não tivesse vindo, da primeira vez, há oito anos? Como teria sido minha vida? Será que teria vindo até Manaus, algum dia?! São tantos os “ses”, tantas as possibilidades, tantos os destinos paralelos que se criariam a partir delas... é impossível imaginar todos, até mesmo prevê-los. Eu sei que, se não tivesse vindo, desta vez, não conheceria minha musa inspiradora. E não consigo mais imaginar minha vida sem ela, sem sua risada, sem seu positivismo, que me faz repensar alguns conceitos que eu tinha... inclusive sobre os “ses”.
Às vezes, em momentos de tribulação, como foi o início deste mês, e o final do anterior, é inevitável pensar nas outras possibilidades, pensar que, se tivesse dobrado à direita, em vez da esquerda, as coisas seriam bem diferentes, as tribulações menores. Talvez fossem, talvez não, mas não há como saber. Pode ser que esses pensamentos sejam um tipo de penitência, por te tomado um caminho, quando podia se ter tomado outro, ou podem ser também um modo de imaginar situações melhores e mais favoráveis que pela qual se está passando, servindo como fuga da triste realidade, uma válvula de escape... de qualquer forma, não deixa de ser um exercício de imaginação.

A Palavra Certa


Quero te dizer
Mas não sei como te falar.
Pareço sem iniciativa,
Quando, na verdade,
Penso demais,
Procurando as palavras
E o momento certo
Pra te falar!

Me Precipitei...

Me precipitei em voltar.
Me precipitei em achar que
Num concurso
O destino esperado iria se realizar.
Me precipitei em desistir.
Quando tudo parecia sem solução
Não me acalmei
Procurei fugir
Não esperei,
Não permaneci.
Me precipitei com você,
Acreditei ter visto um lado seu diferente
Não só o lado que você mostra
A todos os outros homens...
Me precipitei em me entregar,
Me precipitei para o precipício
Da depressão e da decepção...

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Antes de Partir


Queria vestir minha melhor roupa
Pegar o Executivo, para não suar muito,
Ir até o lugar onde nos encontramos de primeira vez
                                                                            (de propósito)
E lá te aguardar,
Ansioso e receoso,
Para te ver mais uma vez,
Para conversarmos,
Para procurar dialogar também,
Não apenas ser um espectador do teu monólogo
                                                             (sei que te incomoda)
Quero ter mais essa chance
Quero poder te ver só mais uma vez
Quero ter mais uma de nossas conversas
Deliciosas de se recordar,
Quem sabe uma foto de lembrança
Desses momentos
Não queria ter de fazê-lo,
Mas quero despedir-me direito
Antes de partir

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Eu Sou um Panda Vermelho!


Eu sou um panda vermelho!
Rosto, braços,
Pernas, mãos, pés
E ombros
Queimados de sol;
Peito, barriga,
Quadris e coxas
Brancas feito leite!

Um Clima Outonal


Adoro Manaus
Em clima outonal,
O cinza do céu,
O vento premeditando chuva,
Que ameaça,
Mas não se precipita,
Prudentemente espera,
Conferindo ao Centro histórico
Um ar romântico
Que lhe cai tão bem...

Poema de Verão I


O calor da tarde arrefece
E o vento
Que sopra deliciosamente
Me faz planar
Até junto de ti...
Ou te faz flanar
E vir até mim,
Sentando-se a meu lado.