Sou
muito sentimental. E emocional demais. Absurdamente emocional... e
absurdamente emotivo, amor... hoje tive de me esforçar para
não ir às lágrimas, ao ver um comercial de
drogaria que, desconfio eu... foi feito justamente com essa
finalidade! Não posso ver mais certas peças
publicitárias... acredite, nem mesmo peças
publicitárias! Não posso mais te ver entrando e saindo
num relance, nas redes sociais... essa tua falta de tempo que nos
afasta... que te permite postar uma foto, curtir o status de um
colega qualquer, mas para mim, o tempo é sempre muito
escasso... melhor nem gastá-lo! Pois é, só de
pensar nisso... estou emotivo demais. Aqui, onde o inferno se recusa
a ir embora, deixando confusos os beija-flores, que vêm até
a laranjeira ao lado da janela do meu quarto atrás das flores,
que deveriam estar começando a desabrochar, eu fico, mesmo,
emotivo. Taciturno, na verdade.
Não
emo, minha querida, emo, não. Eu não tenho tendência
à tristeza... minha tendência é à
depressão! Não gosto de franja, meu cabelo é
desgrenhado e horrível, minha cara é horrível,
sou naturalmente branco feito papel, não preciso de muita
coisa pra realçar minhas olheiras, por vezes aprofundadas pela
insônia e pela autoflagelação da depressão
bipolar, decorrente do pensamento incessante em você... além
do que, detesto tênis pretos com cadarços cor de pincel
marca-texto.
Aqui,
era pra ter idéias mais floridas, deveríamos estar em
plena primavera, estação das flores e blablablá...
mas o frio é quem tem persistido por aqui, é quem tem
dado as cartas. Na serra, penso que, como aqui, as flores também
não desabrocharam. É que elas já devem ter
percebido que é perda de tempo, não poderão te
esperar... até elas sabem que, meio prevendo que por aqui eu
estaria, você resolveu que a próxima vez que vier ao
sul, irá pra Santa Catarina. Então, por isso mesmo, as
flores resolveram entrar em greve e não desabrochar, o inverno
resolveu aproveitar e dar uma esticadinha até... quem sabe o
próximo inverno!
Maldita
estética do frio... por aqui existe esse negócio! E eu
não me sinto bem nesse contexto. Aqui, sou mais depressivo,
aqui se torna mais fácil sucumbir ao comodismo e ao desespero.
Aqui, eu posso relaxar... no mau sentido! Posso me entregar à
rotina, aqui, a solidão é bem maior, aqui tua ausência
se faz bem mais presente, pesa sobre meu peito, pisa na minha
garganta com um salto agulha. Aqui, não há a chance de
nos pecharmos na próxima esquina, não existem as
oportunidades de esbarrarmos no ônibus de volta pra casa, não
tem como te ver do outro lado da avenida, nem de talvez te abanar um
“xau” tímido, antes de te ver embarcar no coletivo que te
leva ao trabalho. Aqui, só há perder horas na frente de
um computador, olhando para um lindo avatar sorridente, esperando
você ficar on-line, pra depois esperar, inutilmente, que tenha
algum tempo, nem que seja, pelo menos, para dizer um “oi”, ou
para ler um texto longo, de quase 160 caracteres – o tamanho de um
sms. E por vezes, estando longe demais, sinto-me também
distante, na verdade, distanciado, apartado, e a frustração
se faz forte demais para segurar. Porque não tem um dia sequer
pra se apaziguar o que só vai crescendo, se acumulando dentro
de mim. Então tento me controlar, não soltar tantas
indiretas, não liberar tantos spoilers da minha solidão,
não demonstrar a falta que você me faz, praticamente o
tempo todo. Eu sabia, eu sabia que era um erro nos preservarmos,
tentarmos estupidamente preservar a própria mente e a do
outro, sabia que não devíamos encanar, que era melhor
termos participado mais da vida um do outro, sim, fazermos mais
coisas juntos, darmos mais companhia um ao outro... eu sabia, mas não
disse nada! E agora, minhas mensagens não te fazem mais
sorrir, desconfio eu, minha companhia não lhe é mais
agradável, porque estou longe demais pra ser algo mais que um
coleguinha virtual e não aceito ser menos que amigo... minhas
indiretas te sufocam, mas você distanciar e silenciar também
me sufoca! Me desculpe por isso. Só que não é
bobagem, para mim, não é bobagem, não consigo
crer que seja bobagem. Não quero te sufocar com excesso de
atenção, mas não quero que a tua desatenção
me sufoque, também.
Estou
dedicando a você este texto e vou postá-lo, mais tarde,
no blog, mas não tenho nenhuma certeza de que vá lê-lo,
sou um blogueiro frustrado que tem nove seguidores e a noção
de que, há meses, ninguém lê uma linha sequer do
que escrevo. E, curiosamente, dos nove seguidores, dois são
perfis de duas redes diferentes, ambos de você mesma... minha
leitora preferida e mais frequente não frequenta mais meu
blog, não dá RT, não curte mais quando
compartilho... se for algo que você escreveu, aí sim, aí
você curte, sinal de que tenho bom gosto! Será que estou
fazendo a leitura errada?!
Enfim,
esse silêncio todo é maior do que posso suportar, todo
esse isolamento e distanciamento me tiram o pouco de ar que já
recebo. E se nos falaremos só quando, no auge da minha
asfixia, começar a te sufocar... bem, então como
faremos?! Você não fazer o mais simples, depois não
saber o que fazer, me deixa completamente sem ação e
com um grande sentimento de culpa por... vamos falar francamente: ser
completa e perdidamente apaixonado por você! É o que faz
meus olhos brilharem (*-*) quando te vêem e meu peito doer... é
o que me faz mais sentimental e emotivo. Não emo! Gótico,
talvez... sim, gótico, a depressão tem mais a ver
comigo que a tristeza... o pessimismo, a baixa auto-estima, mesclada
com o sentimento angustiante da inconformidade. Eu sei, não
sou nada evoluído. Eu romantizo, mesmo, sem pudor algum... e
sou suficientemente pessimista para não me iludir com qualquer
perspectiva boa. Emo é um colorido que chora.
Quando
você estava nascendo, eu já tinha vivido mais ou menos
uma década e havia conhecido um movimento vindo da Inglaterra,
lugar tão frio, nevoento e lúgubre quanto o extremo Sul
do Brasil, portanto tão deprimente quanto. Eram os tais de
góticos, ou darks, com seus cabelos desgrenhados, tênis
desamarrados, roupas excessivamente largas e amarrotadas e morbidez.
Eu meio que me identifiquei com a turma de Robert Smith (The Cure) e
outros. Você os tivesse conhecido, amor, saberia que a estética
emo é tão superficial que não arranha nem sequer
a superfície da minha tristeza. Enfim, tanto faz, não é
importante!
Já
falei do meu karma. Não me fale do seu, eu já sei qual
é, sei que não se aplica a mim, a nós, a essa
relação... j´sei que todo momento em que me
apaixonar vou me concentrar demais no objeto da paixão, que no
fundo, não estará nem um pouco interessada no que se
passa comigo, nessas três vezes em que me apaixonei de verdade,
apenas uma pessoa deixou acontecer, não tentou me encher de
proteções, nem isolar-se para se preservar, não
se preocupou tanto se iria conseguir corresponder plenamente meus
sentimentos, ou não. A verdadeira grande bobagem foi se
preocupar demais com o que viria depois, se não desse certo,
querer preservar-nos e preservar um ao outro, em vez de deixar
acontecer, fosse o que fosse. Essa minha primeira grande paixão,
primeira verdadeira paixão, não é mais minha
paixão. Há anos não é mais a musa que me
inspira. Mas é uma das pessoas ainda importantes em minha
vida, é uma grande amiga, a quem prezo muito, de quem me
orgulho muito de ter em meu círculo de relações.
Nos preocupamos mutuamente e um fica sempre contente com a felicidade
do outro. Será que, se tivéssemos nos preocupado em nos
preservar, e também um ao outro, teríamos ainda a boa
relação que temos até hoje? Não nos
casamos, não ficamos juntos, não houve mais flertes, ou
paqueras, não temos “amizade com vantagens”, e mesmo
assim, 8 anos depois, ainda temos uma boa ligação,
gostamos, às vezes, de conversar, e até de brincar, um
com o outro. Então, meu amor, foi mal falar em permitir-se, na
teoria, e não termos nos permitido tanto assim, na prática.
Segundo minha experiência, e meu karma, isso não dá
lá muito certo... me dá, realmente, um temor muito
grande de que acabemos não tendo uma relação tão
legal assim, seja como for, ainda mais se quiser insistir em
voltarmos a ser apenas colegas virtuais. Teu karma não se
aplica a mim, isso é mais do que óbvio, quanto ao
meu... bem!
Sei
que tudo isso te incomoda, sei que não gosta nem de nomear
este sentimento que tenho por você, mas não sei mesmo o
que fazer, a não ser pedir perdão. Não sei ser
diferente, infelizmente... não sei nem se, tivesse um amor
mais desprendido por você, não ficaria também
frustrado, embora um pouco menos. É um karma estar apaixonado
por quem não gosta tanto assim da gente, nem sequer
cogita-nos, não está disposta a ver-nos com outros
olhos – às vezes dizendo não ver-nos sequer como
pessoa do sexo oposto – parece inclusive insistir em procurar
príncipes e passar por nós sem ver que podemos ser
aquela famigerada lagartixa... desculpe, sinto muita raiva de mim
mesmo, por não conseguir sublimar isso, não conseguir
libertar-me das romantizações, do platonismo, da
inconformidade: “por que não mereço uma chance? por
que prefere os rolos? por que se envolver por caras que não
lhe merecem? por que não posso eu tentar fazê-la feliz?
será que teme ser feliz a meu lado e prefere sofrer ao lado de
outro mais 'ideal'?” Me perdoe... você diz que já
esteve do outro lado, ok, sinto-me um pouco confortado por isso, mas
tem dias que é difícil pensar que, se a pessoa nos
entende tão bem, por que negar qualquer possibilidade? Me
perdoe novamente, esse é o pior ângulo de mim mesmo...
Mas
é apenas um retrato, esse, de mim, de meu desespero, de minha
paixão exagerada. Como diz uma música do Vanguart: “...
e o que resta é tão pouco, como sou pouco contigo, mas
você em mim exagera e és meu mais novo vacilo...”
Talvez o maior, quase certeza de que o melhor vacilo. Choro e ranjo
os dentes, mas no fundo gosto de enlouquecer pensando em você.
Gosto muito de você. Te quero sempre muito bem, mas o que quero
mesmo, de verdade, pra ser sincero... é você comigo.
















