E se nada disso estivesse acontecendo? E se os
acontecimentos da última semana não tivessem ocorrido? Se eu tivesse me mudado
antes de terem desistido do negócio, se não tivesse ido para o Núcleo 15... será
que teria passado por tudo isso? Se tivesse preferido trocar o negócio como
panfleteiro da marca de planos de saúde pelo de venda de assinaturas de tv a
cabo... será que agora não estaria já bem melhor...? Ou pelo menos, o que já é
grande coisa, teria evitado de passar pelo que passei, nas últimas semanas? E
se tivesse feito diferente... se já tivesse partido?! Se tivesse vindo, feito a
prova objetiva e ido embora? Estaria voltando só agora, para esperar pelo tal
teste de aptidão física do concurso... por que não pensei nisso antes!? E, se não
tivesse vindo, se não tivesse nem me inscrito para o concurso??
E se não tivesse me deixado iludir por juras de
amor feitas por e-mail, e não tivesse vindo, da primeira vez, há oito anos? Como
teria sido minha vida? Será que teria vindo até Manaus, algum dia?! São tantos
os “ses”, tantas as possibilidades, tantos os destinos paralelos que se
criariam a partir delas... é impossível imaginar todos, até mesmo prevê-los. Eu
sei que, se não tivesse vindo, desta vez, não conheceria minha musa
inspiradora. E não consigo mais imaginar minha vida sem ela, sem sua risada,
sem seu positivismo, que me faz repensar alguns conceitos que eu tinha... inclusive
sobre os “ses”.
Às vezes, em momentos de tribulação, como foi o início
deste mês, e o final do anterior, é inevitável pensar nas outras
possibilidades, pensar que, se tivesse dobrado à direita, em vez da esquerda,
as coisas seriam bem diferentes, as tribulações menores. Talvez fossem, talvez
não, mas não há como saber. Pode ser que esses pensamentos sejam um tipo de
penitência, por te tomado um caminho, quando podia se ter tomado outro, ou
podem ser também um modo de imaginar situações melhores e mais favoráveis que
pela qual se está passando, servindo como fuga da triste realidade, uma válvula
de escape... de qualquer forma, não deixa de ser um exercício de imaginação.

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