PESCANDO NO BODOSAL

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Retratos pra Lelê


Sou muito sentimental. E emocional demais. Absurdamente emocional... e absurdamente emotivo, amor... hoje tive de me esforçar para não ir às lágrimas, ao ver um comercial de drogaria que, desconfio eu... foi feito justamente com essa finalidade! Não posso ver mais certas peças publicitárias... acredite, nem mesmo peças publicitárias! Não posso mais te ver entrando e saindo num relance, nas redes sociais... essa tua falta de tempo que nos afasta... que te permite postar uma foto, curtir o status de um colega qualquer, mas para mim, o tempo é sempre muito escasso... melhor nem gastá-lo! Pois é, só de pensar nisso... estou emotivo demais. Aqui, onde o inferno se recusa a ir embora, deixando confusos os beija-flores, que vêm até a laranjeira ao lado da janela do meu quarto atrás das flores, que deveriam estar começando a desabrochar, eu fico, mesmo, emotivo. Taciturno, na verdade.
Não emo, minha querida, emo, não. Eu não tenho tendência à tristeza... minha tendência é à depressão! Não gosto de franja, meu cabelo é desgrenhado e horrível, minha cara é horrível, sou naturalmente branco feito papel, não preciso de muita coisa pra realçar minhas olheiras, por vezes aprofundadas pela insônia e pela autoflagelação da depressão bipolar, decorrente do pensamento incessante em você... além do que, detesto tênis pretos com cadarços cor de pincel marca-texto.
Aqui, era pra ter idéias mais floridas, deveríamos estar em plena primavera, estação das flores e blablablá... mas o frio é quem tem persistido por aqui, é quem tem dado as cartas. Na serra, penso que, como aqui, as flores também não desabrocharam. É que elas já devem ter percebido que é perda de tempo, não poderão te esperar... até elas sabem que, meio prevendo que por aqui eu estaria, você resolveu que a próxima vez que vier ao sul, irá pra Santa Catarina. Então, por isso mesmo, as flores resolveram entrar em greve e não desabrochar, o inverno resolveu aproveitar e dar uma esticadinha até... quem sabe o próximo inverno!
Maldita estética do frio... por aqui existe esse negócio! E eu não me sinto bem nesse contexto. Aqui, sou mais depressivo, aqui se torna mais fácil sucumbir ao comodismo e ao desespero. Aqui, eu posso relaxar... no mau sentido! Posso me entregar à rotina, aqui, a solidão é bem maior, aqui tua ausência se faz bem mais presente, pesa sobre meu peito, pisa na minha garganta com um salto agulha. Aqui, não há a chance de nos pecharmos na próxima esquina, não existem as oportunidades de esbarrarmos no ônibus de volta pra casa, não tem como te ver do outro lado da avenida, nem de talvez te abanar um “xau” tímido, antes de te ver embarcar no coletivo que te leva ao trabalho. Aqui, só há perder horas na frente de um computador, olhando para um lindo avatar sorridente, esperando você ficar on-line, pra depois esperar, inutilmente, que tenha algum tempo, nem que seja, pelo menos, para dizer um “oi”, ou para ler um texto longo, de quase 160 caracteres – o tamanho de um sms. E por vezes, estando longe demais, sinto-me também distante, na verdade, distanciado, apartado, e a frustração se faz forte demais para segurar. Porque não tem um dia sequer pra se apaziguar o que só vai crescendo, se acumulando dentro de mim. Então tento me controlar, não soltar tantas indiretas, não liberar tantos spoilers da minha solidão, não demonstrar a falta que você me faz, praticamente o tempo todo. Eu sabia, eu sabia que era um erro nos preservarmos, tentarmos estupidamente preservar a própria mente e a do outro, sabia que não devíamos encanar, que era melhor termos participado mais da vida um do outro, sim, fazermos mais coisas juntos, darmos mais companhia um ao outro... eu sabia, mas não disse nada! E agora, minhas mensagens não te fazem mais sorrir, desconfio eu, minha companhia não lhe é mais agradável, porque estou longe demais pra ser algo mais que um coleguinha virtual e não aceito ser menos que amigo... minhas indiretas te sufocam, mas você distanciar e silenciar também me sufoca! Me desculpe por isso. Só que não é bobagem, para mim, não é bobagem, não consigo crer que seja bobagem. Não quero te sufocar com excesso de atenção, mas não quero que a tua desatenção me sufoque, também.
Estou dedicando a você este texto e vou postá-lo, mais tarde, no blog, mas não tenho nenhuma certeza de que vá lê-lo, sou um blogueiro frustrado que tem nove seguidores e a noção de que, há meses, ninguém lê uma linha sequer do que escrevo. E, curiosamente, dos nove seguidores, dois são perfis de duas redes diferentes, ambos de você mesma... minha leitora preferida e mais frequente não frequenta mais meu blog, não dá RT, não curte mais quando compartilho... se for algo que você escreveu, aí sim, aí você curte, sinal de que tenho bom gosto! Será que estou fazendo a leitura errada?!
Enfim, esse silêncio todo é maior do que posso suportar, todo esse isolamento e distanciamento me tiram o pouco de ar que já recebo. E se nos falaremos só quando, no auge da minha asfixia, começar a te sufocar... bem, então como faremos?! Você não fazer o mais simples, depois não saber o que fazer, me deixa completamente sem ação e com um grande sentimento de culpa por... vamos falar francamente: ser completa e perdidamente apaixonado por você! É o que faz meus olhos brilharem (*-*) quando te vêem e meu peito doer... é o que me faz mais sentimental e emotivo. Não emo! Gótico, talvez... sim, gótico, a depressão tem mais a ver comigo que a tristeza... o pessimismo, a baixa auto-estima, mesclada com o sentimento angustiante da inconformidade. Eu sei, não sou nada evoluído. Eu romantizo, mesmo, sem pudor algum... e sou suficientemente pessimista para não me iludir com qualquer perspectiva boa. Emo é um colorido que chora.
Quando você estava nascendo, eu já tinha vivido mais ou menos uma década e havia conhecido um movimento vindo da Inglaterra, lugar tão frio, nevoento e lúgubre quanto o extremo Sul do Brasil, portanto tão deprimente quanto. Eram os tais de góticos, ou darks, com seus cabelos desgrenhados, tênis desamarrados, roupas excessivamente largas e amarrotadas e morbidez. Eu meio que me identifiquei com a turma de Robert Smith (The Cure) e outros. Você os tivesse conhecido, amor, saberia que a estética emo é tão superficial que não arranha nem sequer a superfície da minha tristeza. Enfim, tanto faz, não é importante!
Já falei do meu karma. Não me fale do seu, eu já sei qual é, sei que não se aplica a mim, a nós, a essa relação... j´sei que todo momento em que me apaixonar vou me concentrar demais no objeto da paixão, que no fundo, não estará nem um pouco interessada no que se passa comigo, nessas três vezes em que me apaixonei de verdade, apenas uma pessoa deixou acontecer, não tentou me encher de proteções, nem isolar-se para se preservar, não se preocupou tanto se iria conseguir corresponder plenamente meus sentimentos, ou não. A verdadeira grande bobagem foi se preocupar demais com o que viria depois, se não desse certo, querer preservar-nos e preservar um ao outro, em vez de deixar acontecer, fosse o que fosse. Essa minha primeira grande paixão, primeira verdadeira paixão, não é mais minha paixão. Há anos não é mais a musa que me inspira. Mas é uma das pessoas ainda importantes em minha vida, é uma grande amiga, a quem prezo muito, de quem me orgulho muito de ter em meu círculo de relações. Nos preocupamos mutuamente e um fica sempre contente com a felicidade do outro. Será que, se tivéssemos nos preocupado em nos preservar, e também um ao outro, teríamos ainda a boa relação que temos até hoje? Não nos casamos, não ficamos juntos, não houve mais flertes, ou paqueras, não temos “amizade com vantagens”, e mesmo assim, 8 anos depois, ainda temos uma boa ligação, gostamos, às vezes, de conversar, e até de brincar, um com o outro. Então, meu amor, foi mal falar em permitir-se, na teoria, e não termos nos permitido tanto assim, na prática. Segundo minha experiência, e meu karma, isso não dá lá muito certo... me dá, realmente, um temor muito grande de que acabemos não tendo uma relação tão legal assim, seja como for, ainda mais se quiser insistir em voltarmos a ser apenas colegas virtuais. Teu karma não se aplica a mim, isso é mais do que óbvio, quanto ao meu... bem!
Sei que tudo isso te incomoda, sei que não gosta nem de nomear este sentimento que tenho por você, mas não sei mesmo o que fazer, a não ser pedir perdão. Não sei ser diferente, infelizmente... não sei nem se, tivesse um amor mais desprendido por você, não ficaria também frustrado, embora um pouco menos. É um karma estar apaixonado por quem não gosta tanto assim da gente, nem sequer cogita-nos, não está disposta a ver-nos com outros olhos – às vezes dizendo não ver-nos sequer como pessoa do sexo oposto – parece inclusive insistir em procurar príncipes e passar por nós sem ver que podemos ser aquela famigerada lagartixa... desculpe, sinto muita raiva de mim mesmo, por não conseguir sublimar isso, não conseguir libertar-me das romantizações, do platonismo, da inconformidade: “por que não mereço uma chance? por que prefere os rolos? por que se envolver por caras que não lhe merecem? por que não posso eu tentar fazê-la feliz? será que teme ser feliz a meu lado e prefere sofrer ao lado de outro mais 'ideal'?” Me perdoe... você diz que já esteve do outro lado, ok, sinto-me um pouco confortado por isso, mas tem dias que é difícil pensar que, se a pessoa nos entende tão bem, por que negar qualquer possibilidade? Me perdoe novamente, esse é o pior ângulo de mim mesmo...
Mas é apenas um retrato, esse, de mim, de meu desespero, de minha paixão exagerada. Como diz uma música do Vanguart: “... e o que resta é tão pouco, como sou pouco contigo, mas você em mim exagera e és meu mais novo vacilo...” Talvez o maior, quase certeza de que o melhor vacilo. Choro e ranjo os dentes, mas no fundo gosto de enlouquecer pensando em você. Gosto muito de você. Te quero sempre muito bem, mas o que quero mesmo, de verdade, pra ser sincero... é você comigo.

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