Ela
veio, sentou-se ao meu lado, no metrô, ficou me encarando, com
seu sorriso mais cínico e sacana. Pus os fones nos ouvidos,
liguei meu mp e virei para o lado, preferia olhar a escuridão
pela janela, a olhar nos olhos dela... não quero mais olhar
pra solidão...
Mas,
no mp tocou uma música da nossa banda indie favorita... e
então, percebi que a solidão não tinha vindo
sozinha... fui golpeado, diversas vezes, pela carência, até
sentir meus olhos arderem, marejados, meu peito doer... desci do
metrô, peguei o ônibus lotação, sempre
acompanhado das duas, a solidão de um lado, a carência
do outro... quando chego em casa, quando vou jantar, até
quando vou dormir, elas vão para a cama comigo... e foi mais
forte que eu, o choro veio di com tudo!
Desde
o início da viagem para casa, quando comecei a ser agredido
pelas duas, tive de me esforçar, para não desabar no
trem, nem no coletivo... a quem recorrer?! Não é nada
fácil enfrentá-las sozinho... não dava pra
guardar pra mim, quem é louco de guardar pra si tanta dor?!
Sem poder explodir, sem poder desabafar... àquela hora da
noite, para quem ligar, para quem mandar mensagem, para quem pedir
socorro?! A uns, só iria perturbar o sono, atrapalharia seu
descanso, pra acordarem cedo e irem trabalhar, hoje pela manhã...
a outros, iria ter que aguentar discursos de como lhes dou medo,
muito tempo depois, quando a ajuda não fosse mais
necessária...
Pouco
importam os meus sentimentos, o meu desejo, convicções,
ou o que for! Eu só... eu só queria alguém do
meu lado! Não importa quem, nem de onde vem, se é
baiana, paulista, mineira, maranhense, parintinense, ou
porto-alegrense! Eu só me sinto, me sinto solitário
demais, me sinto muito carente... naquele momento, para aquelas duas
irem-se embora, bastava que alguém quisesse me fazer
companhia, que quisesse sentar-se ao meu lado, segurar minha mão,
passar os dedos delgados pelos meus cabelos... eu juro, eu não
quero saber se vai rolar algo mais, só quero que alguém
se importe, que me escute, que me procure, pra conversar, de vez em
quando... quero que me abrace, que me dê um chamego, um
afago... qualquer coisa... só preciso, eu só preciso de
alguém, pra espantar a solidão, pra poder me defender,
quando a carência vier me esmurrar... não precisa ficar
pra sempre do meu lado, basta que passe um tempo comigo... só
até eu ficar bem, talvez, só até eu poder voltar
a andar sozinho... não importa se de perto, ou de longe... por
que acham que eu, mesmo de longe, procuro mostrar-me atento,
solícito...? Porque sou um cara estranho, porque tenho essa
idéia besta que, uma ligação, um SMS, uma
palavra, um pequeno gesto qualquer, mesmo vindo de fora dos círculos
da matrix, uma demonstração de carinho... que isso pode
fazer quase tanto bem quanto os que vêm de perto... e eu, eu
não sei de nada, não sei se peço muito, eu só
quero que alguém me veja, me note, não me tema, me
toque... alguém! Eu só preciso... eu só quero um
colo...












