PESCANDO NO BODOSAL

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Sobre Por Que Continuamos Correndo Atrás do Próprio Rabo

Tucanato teve roubalheira? Ok, não se vote mais neles... mas o estrelato também não tem roubalheiras? Sim, as tem, e aos milhares, tal e qual. Luiz Inácio e Fernando Cardoso são amigos de longa data, ninguém fala muito a respeito porque "certas coisas não devem chegar aos ouvidos das massas"... pois muito bem, tendo conhecimento da privataria e dos mensaleiros, e da relação direta de uns com outros, o que vamos fazer a respeito? Vamos escolher o lado "menos pior"... como SEMPRE se faz neste país, desde os tempos de 1700 e guaraná de rolha? Ou vamos tentar mudar e buscar alternativas viáveis a toda essa bandalheira, tucana, estrelada, fogareira (que esteve com os tucanos antes, que está na vice-presidência dos estrelados agora), rosista, da pomba-rola, e por aí vai? E não me venham com "mas tô votando é na pessoa..."! Chega! Chega dessas discussões que estão muito mais pra brigas de torcidas organizadas que pra posicionamentos políticos! Chega das trocas de acusações como "argumentos"! Chega dessa imbecilidade torpe de “argumentar” com alguém que discorda das tuas crenças no governo com “mas o do fulano também teve roubalheira!” Isso não é justificativa! E se descrês, isso também não serve como justificativa, lembre-se que o governo que apoiavas fez tão pouco, ou até menos que o atual! Chega de "discorda de mim? então cê é coxinha leitor de Veja!" ou "discorda de mim? comunistazinho fã de Fidel Castro!" Chega disso! Ou A GENTE faz algo pra mudar o país, ou ninguém faz! Não esperem pelo messias tucano, muito menos pelo grande líder estrelado! Viu que não deu certo, não insista!

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Sobre Pesseguinhos

Um massacre, um caso terrível, um caso escabroso, um caso brutal! E vergonhoso, sobretudo para aquela nossa velha conhecida, a grande mídia!
Já faz um tempinho, eu nem lembro mais qual foi mesmo aquele mês, assassinaram o pai, a mãe, a avó e a tia, de quebra suicidaram o menino Marcelo Pesseghini. Todos os dias chegam novas “informações” pra tentar nos convencer que aquele moleque de 13 anos era um assassino frio e calculista, sem emoções, que planejara e executara todo o crime, sozinho, sem ajuda de absolutamente ninguém.
Ah, mas o que você esperava da gRobo? A gRobo mente!” Sim, mas meu caro amigo fã da “mídia ninja”, não é só ela que está cagando fora do penico, são todas (TODAS!!!) as grandes redes de comunicação desta federação de Estados que estão nos contando rigorosamente a mesma história, sem tirar, nem por! Se você tentar trocar de canal, vai ver, apenas reproduzida com outras palavras, sem mudar sequer um pouquinho que seja, o sentido, nos telejornais da manhã, da tarde e da noite, na emissora do seu Sílvio, na rede com nome que homenageia os primeiros exploradores paulistas, na grande rede de tv carioca, na rede dos bispos universalistas... nem adianta, meu amigo, eles todos vão te contar exatamente a mesma mentira! E, dependendo do teu grau de simpatia “política”, você vai acreditar! Toda nova informação que elas trazem, sem nenhuma exclusividade, é apenas mais um cravo no caixão do menino Pesseghini e família, pura e simplesmente!
Ah, a possibilidade “remota” de ter havido queima de arquivo, já que, num primeiro momento, chegaram a cometer a inconfidência de informar, que a mãe do menino Marcelo, também ela uma policial militar, vinha investigando o envolvimento de colegas de farda em assaltos a bancos e caixas eletrônicos, foi sumariamente sepultada. Ninguém foi mais a fundo no assunto. Ninguém mais falou nisso, aliás, todos tomaram um Doril e até mesmo a lembrança de já terem mencionado qualquer coisa a respeito, sumiu! E, da mesma forma, por onde anda a tal da vizinha da família, que teria observado uma movimentação estranha de policiais, na madrugada da morte dos Pesseghinis? Que fim levou (deram) o coronel que comandava o batalhão, onde estava lotado o casal Pesseghini, que, num primeiro momento, admitiu a investigação, que mencionou, inclusive um relatório preliminar, feito por sua subordinada, onde constariam os nomes de alguns colegas de corporação – num segundo momento, teria negado a história – mesmo?!
Ninguém mais se interessou por essa outra linha de investigação, nem mesmo a polícia tem tratado dela – o que é mais grave. Todas as informações “noticiadas”, ultimamente, só falam do menino, do seu suposto mau relacionamento com a família, da sua predileção por jogos de computador violentos, da sua meia-dúzia de amigos nerds e mentirosos, na escola... nem mesmo o seu quadro clínico “inusitado” (ele sofreria de fibrose cística), é mais levado em conta, não se leva mais em conta nenhuma informação que destoe da versão oficial que nos chega diariamente, por rádio, jornal, tv e internet. Parece haver, por parte da grande mídia e do poder público, uma espécie de vergonhoso pacto de silêncio. Numa hora dessas que a gente se pergunta: “E a tal da 'mídia ninja', o que tá fazendo, que não tá falando desse assunto?” e aí a gente se lembra... ah, é, muito mais importante é dar um “outro enfoque” ao que se veicula sobre aquele país árabe, lá do outro lado do mundo, que está em guerra civil, do que àquilo que ocorre logo ali, do lado do nosso quintal.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sobre Mais Médicos Cubanos...

Vocês viram aquela cena, no Jornal Nacional – provavelmente deve ter passado também naquele telejornal da tv dos bispos, aquela sim, tem “credibilidade” – dos estudantes e representantes de ONGs, que recepcionaram os primeiros médicos cubanos a chegar no Brasil, pelo aeroporto de Recife? E aí, o que acharam?! Bom, eu, particularmente, tenho uma palavrinha para aquela claque, digo, a manifestação daquela gente, mas tenho quase absoluta certeza, vocês não vão gostar muito: a palavra é 'patético'. Simplesmente patético! Sinto que até os médicos cubanos sentiram vergonha por nossos estudantes.
Não, não sou, de forma alguma, contra o governo brasileiro contratar médicos estrangeiros, para suprir a deficiência de profissionais da área, ou de qualquer outra área, sobretudo para as regiões mais carentes, como argumentam o governo e seus partidários. Tampouco se eles forem cubanos, me é indiferente o seu país de origem, me interessa muito mais se têm competência para o trabalho.
Até sou simpático, favorável, mesmo, desde que, primeiramente, invista-se em alguma infraestrutura, em condições mínimas para esses (e outros, inclusive brasileiros) médicos exercerem satisfatoriamente o seu trabalho. De fato, não sei qual o número de profissionais que temos na federação, nem se é o suficiente para atender satisfatoriamente à demanda. O que sabemos, de fato? O que se fala, desde que me entendo por gente, e vocês também?! É que os profissionais da área da saúde, mesmo com promessas de salários faraônicos, não aceitam trabalhar em regiões 'remotas' e isoladas, não somente por serem remotas e/ou isoladas, mas também porque não há as mínimas condições para se exercitar a profissão, as prefeituras, o governo, o poder público, ou a iniciativa privada, ou de grupos sem fins lucrativos, não oferecem-lhes essa oportunidade. O programa Mais Médicos seria mais eficiente se fosse “Mais Hospitais”. Sei lá, eu acho!
Outra coisa, é que o governo federal contratou outros médicos estrangeiros no programa Mais Médicos, mas não fez o mesmo quanto aos médicos cubanos, esses não estão dentro do programa, ao menos, do jeito que eu entendi esse programa. Não serão empregados pelo SUS. Não receberão o mesmo salário, não terão os mesmos direitos, como o de ter por perto suas famílias, ou o de escolher aonde querem ser lotados, por exemplo. Os médicos cubanos são outro programa do governo federal, como mencionou um amigo, são como aquela empresa, ou cooperativa, que o governo contrata terceirizada, para executar serviços onde falte pessoal especializado da própria autarquia.
Nada contra, eu repito, os cubanos virem para cá, há anos têm ido pra Flórida e ninguém é contra, também. Mas, se não observarem essas duas pequenas condições que expomos acima, não posso ter nada a favor, também. Aos cubanos que estão chegando – e que em breve estarão desembarcando também aqui em Porto Alegre – posso apenas recepcioná-los com um “sinto muito”...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Acordei Cansado

Hoje acordei cansado. Hoje acordei querendo que ainda fosse ontem, querendo mais duas horas, pelo menos, de sono. Acordei desejando dormir apenas o dia inteiro. Mas não sei se adiantaria, pra acabar com todo esse sono e todo esse cansaço, que ora sinto. Parece que tenho trabalhado duro, nas horas em que estou dormindo. Parece que tenho andado pra caramba, por muitos lugares.
Em um sonho, estou fazendo compras num misto de mercadinho, ou taberninha, com lojinha de conveniência de posto de combustíveis. Sou barrado na saída, porque em frente à porta de vidro estacionaram uma moto, dentro do estabelecimento! Quando consigo sair, dou de cara com meu irmão, saímos juntos, conversamos enquanto caminhamos, por uma estrada de chão, que supostamente nos leva pra casa.
No outro, estou indo numa casa lotérica, para pagar uma conta e “fazer uma fezinha”. Até anotei os números, mas não me serviram de grande coisa, ainda. Em outro, vou buscar minha “filha”, no cursinho, ou na escola, parece, no Centro, para almoçarmos, nesse vou de moto. Ainda em outro, viajava para o Pará, ou o Paraná, a noite toda, dirigindo um carro vermelho, e parava, de manhãzinha, para esticar as pernas, próximo de um caminhão, cujo dono dormia debaixo do dito, sob uma lona azul, em um buraco na pista, que até parecia toca de tatu.
Por fim, acordei de um sonho, com minha morena-sol, deitada, cochilando em meus braços, em um sofá, aninhada feito uma gata e reclamando porque não queria ter que acordar cedo. Pensando, agora, bem que eu podia ainda estar lá...

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Elvis Até o Tucupi

No dia de hoje(16/08), Elvis Presley faz aniversário... não, não é de nascimento: é que, no dia de hoje, há exatos 36 anos, o cantor teria morrido, por causa de uma overdose de remédios para dormir, ou qualquer coisa assim. Pelo menos, como diria o radialista amazonense Waldir Correa, é o que a História conta!
Se você procurar no Google, até, lá vai ter a mesma informação! Claro, agora se buscar no Google o nome 'Elvis Presley', acrescido de 'teoria da conspiração', vai encontrar várias outras informações que contradizem a 'versão oficial'. Os teóricos da conspiração, por exemplo, dizem que Elvis Presley não morreu coisa nenhuma, que ainda estaria vivo até hoje, andando por aí, belo e faceiro!
Enfim, dizem também que nem Micheal Jackson, nem Jim Morrison teriam morrido; que Paul McCartney, este sim, teria morrido num acidente de moto, nos anos 60; que o assassinato de John Lennon teria sido engendrado pela CIA e o MI6; que Bruce Lee teria sido morto pela máfia chinesa, em Hong Kong, etc.
Dizem alguns teóricos que Elvis teria cansado de fazer shows em Las Vegas, da fama, etc, ou que teria entregue à CIA alguns artistas simpatizantes da URSS, nos tempos da Guerra Fria, e que, portanto, precisava e desejava deixar tudo pra trás, mudar de identidade, pra isso forjando a própria morte e desaparecer das vistas de todo mundo, possivelmente se refugiando no Hawaii, ou nas Ilhas Virgens. Mas, por que justamente o 50º Estado norte-americano?! Bom, Elvis fez uns filmes por lá e, dizem, gostou muito do lugar, coisa e tal. Por isso mesmo, deveria ser o primeiro lugar onde procurariam o rei do rock, assim que os boatos sobre sua morte ter sido forjada começassem a aparecer, certo!?
Pois, presumindo que realmente Elvis Presley tenha cansado da vidinha de astro pop semi-decadente, fazendo shows pra turistas nos cassinos de Las Vegas... ou aquela outra versão... ele talvez tenha pensado em todos os prováveis lugares mais isolados, dentro dos Estados Unidos, imaginou que o único onde ninguém nunca teria coragem de procurá-lo não seria o Hawaii, mas sim o Alaska! Só que ele detestava o frio, não conseguiria ficar por muito tempo em um lugar onde o inverno dura os 365 dias do ano. Ele, então, pensaria em procurar outros lugares, em outros países. O mundo é grande, mesmo dividido em 2, como estava na época, era muito grande, ainda! Lugar para sumir era o que não faltava.
Então, Elvis Presley teria levado um bom tempo, lendo National Geographic, lendo mapas e livros de geografia, pesquisando revistas e prospectos de agências de turismo, em busca do melhor destino onde esconder-se e mudar de vida. Digamos que ele tenha escolhido o Brasil. Pensa inicialmente no Rio de Janeiro... mas aí lembra que muitos dos seus compatriotas costumam visitar com frequência essa cidade costeira brasileira. Alguns amigos seus, inclusive, já lhe mostraram as fotos de férias tiradas lá. Mesmo sendo o Brasil, precisava ser um local pouco conhecido, pouco explorado, principalmente por seus compatriotas! Digamos que Elvis, então, se depara com uma bela foto da floresta amazônica, ao lado da qual há uma legenda que diz: “near of Manaus”.
Ele então se resolve, traça um plano infalível, ajeita os últimos detalhes, conta com a ajuda de um amigo, já expert em mortes simuladas, inclusive a própria, em 1973... e é dado como morto, colocando no caixão o corpo de um indigente bastante parecido em seu lugar, para ser velado e enterrado.
Tempos depois, com uma nova identidade, seu amigo e ele embarcaram num vôo para o Rio de Janeiro, provavelmente saindo de Miami, e lá chegando, pegam um ônibus, ou carona com caminhoneiros e viajantes até o Pará, até o rio Amazonas, onde pegam um barco que os leva até o porto de Manaus.
Chegou, estabeleceu-se num bairro mais ou menos distante do Centro e, pra não levantar suspeitas, começa a trabalhar carregando frutas e pescado pelo rio Negro e igarapés da capital amazonense e cidades próximas. Depois de alguns anos, quem sabe, levantou uns trocados e comprou uma banca, em alguma feira da cidade, tipo a da Pan Air... e lá ficou vendendo tucupi, banana, peixe, farinha, essas coisas...
Quando o senhorzinho, que até então falava, contando essas reminiscências, se deu conta, o seu amigo chinês, que já lhe cutucava há um bom tempo, aprontava um soco de uma polegada para calar o velho. E quase todo mundo, naquele bar na beira do barranco que desce para o rio Negro, o escutava com mais atenção. Seu Élvio, como lhe conheciam nos Educandos, deu uma pigarreada, desconversou, enrolou a língua, aparentando estar meio grogue: “É, bom... enfim, isso é história que o povo conta, né mermo...?!”
Levantou-se, foi até o balcão, cochichou algo no ouvido da dona Arminda, dona do bar, que lhe entregou uma chave, com olhar desconfiado. Seus passos eram acompanhados pelos frequentadores, meio trôpegos. Voltou, entregou a chave, agradeceu, pediu mais uma Cerpa “tinindo de gelada”, pediu também uma ficha, foi até a jukebox no outro canto do bar. Depositou a ficha, escolheu algumas músicas e, assim que a voz inconfundível de Nunes Filho começou a entoar “Estou subindo pelas paredes”, se pôs a dançar sozinho, para os risos dos presentes e tranquilidade do Véio Jack.

Arrivals & Departures

Domingo de sol masseta e temperaturas agradáveis e eu fui no aeroporto ver os aviões decolar e aterrissar. Fui ver as pessoas partirem e chegarem, fui ver as pessoas se despedirem e recepcionarem os parentes e amigos que vieram, ou estavam indo pra longe. Cada avião que descia, eu imaginava de onde vinha, seus passageiros, por quê vinham para cá. Cada avião que subia, imaginava qual seria seu destino, arriscava uns palpites: "este vai para o Rio, aquele vai para São Paulo, o outro lá vai para Salvador, ou Fortaleza..." e o papagaio charão dentro de mim, balançava com alvoroço as asas e sussurrava: "tu bem que querias estar levantando voo num desses, né!"

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Mãos de Frankenstein

Minhas mãos, elas me apavoram. Elas são grandes, são feias, aparentam rudeza, aparentam rusticidade. Meus dedos não são longos, nem finos, nem compridos, são largos! Não tenho dedos curtos, pois não seriam proporcionais. Não tenho mãos para segurar a pena, escrevo de teimoso, tenho mãos é pra segurar uma pá, uma enxada, uma marreta... tenho mãos de pedreiro, mãos de boxeador, mãos de padeiro – pra socar bem a massa do pão, pra isso tenho boas mãos! Quem vê minhas mãos, não consegue imaginá-las fazendo um trabalho artesanal delicado, ou carinhando um gatinho, um cachorrinho. Não consigo imaginar uma garota imaginando minhas mãos a lhe acariciar o rosto, os cabelos, o corpo, etc. Tenho mãos é de verdugo, mãos de lutador de UFC, mãos que poriam medo no Spider. Eu mesmo tenho medo das minhas mãos! Não sei do que elas são capazes. Sobretudo no frio, sobretudo no inverno, elas me metem medo. Elas ficam geladas, ficam roxas, parecem grandes mãos de defunto, de mordomo de filme de terror, parecem, sei lá... mãos de Frankenstein!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Vinte Dias dos Pais

Amanhã é domingo, é Dia dos Pais. O vigésimo! Já fazem 20 anos! Parece que o vi ainda ontem. Parece até que não faz muito tempo, ele me criticou por minhas posições políticas, tão revolucionárias, tão conservadoras e tão radicais. Parece que foi no meu último aniversário que ele me deu aquele exemplar de “Aventuras de Tibicuera”, do Érico Veríssimo. Na verdade, eu devia ter uns 11, 12 anos, quando ele me presenteou com esse livro, que li e reli, várias vezes depois. “20 Mil Léguas Submarinas” e “As Aventuras de Tibicuera” foram minhas portas de entrada para o mundo dos livros, para o gosto pela literatura.
Sim, já fazem 20 anos... nem parece que fazem tantos anos, desde que fomos pela primeira vez ao cinema. Ou desde a última vez que ele nos levou para passar as férias na praia, em Floripa. Já se vão vinte... vinte dias dos pais sem o meu, sem ele por aqui. Parece que foi ontem, a nossa última briga, antes da madrugada em que ele sofreu o segundo e fulminante infarto. Parece que ele não levou mágoas ao desencarnar. Ele me visitou em alguns sonhos, depois daquilo. Me ofereceu bons conselhos, me deu boas idéias para um conto, um poema, um texto... tantas e tantas vezes! Me deu conselhos amorosos. Em um sonho que tive pela primeira vez com ela, foi ele quem me fez perceber, enfim, que tinha me apaixonado. Ele foi quem me disse pra arriscar e persistir, “caso valesse a pena”.
Vinte anos sem ele, imagine. Vinte Dias dos Pais sem meu pai. Parece incrível...! ele, ainda assim, continua sendo meu guia, meu melhor amigo. Vinte anos sem sua presença física e nem parece que ele esteve, sequer um dia, longe!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

De Conchinha

Eu só queria... eu gostaria... ah! Como dizer...?! Não sei escolher as palavras certas.
É que, neste momento, eu só queria... é que eu desejaria... eu gostaria... ah! Como é difícil!!
O que eu queria fazer... o que quero te dizer é... eu gostaria... queria ser... bem...
Queria ser, neste instante, a tua concha, a tua ostra, tua vieira, quem sabe, o teu marisco da pedra, ou da areia, do mar, ou do rio-mar, talvez... queria mesmo que você fosse minha jóia, meu tesouro, meu relicário, minha pérola negra, talvez, quem sabe... queria mantê-la aconchegada, segura, protegida.
Queria, neste momento, talvez, estar cheirando teu cabelo, deitado, com você ressonando nos meus braços... queria dormir de conchinha com você. Só não sei como dizer isto...

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Besta Romântico

Peço desculpas. Sim, eu assumo, sou mesmo um cara romântico, não tenho como negar. E nem acho que isso seja motivo de orgulho!
Porque é fato, cê tem que ser tolo, tem que ser muito leso, pra ser romântico, num mundo de fanfarrões.
Me finjo, ou me sinto um pouco poeta, recorto e colo, na minha mente, na linha do tempo, na linha da vida da palma de minha mão, frases e textos, e sentenças sentimentais, às vezes, tenho lampejos e crio as minhas próprias sentimentalidades, da minha própria verve, da minha própria lavra.
Pra ser romântico o cara tem que ter perdido o senso de ridículo, não temer soar brega, expor sem medo sentimentos, ideias, desejos, pensamentos tolos, pieguices. Romântico é tímido, digo isso porque eu sou tímido, mas não conheci ninguém romântico(a) e “descolado(a)”. Sei ser zueiro, travestido no meu personagem topetudo, principalmente, mas não sei ser boçal. Não existe ninguém romântico(a) que seja fanfarrão e boçal!
Romântico não tem muito senso de realidade, romântico é sonhador demais. Ser realista, parece, é meio incompatível com romantismo. Uma coisa é tentar forçar a realidade, fingir que a ignora. Romântico apenas não a percebe, se recusa a aceitá-la, às vezes.
Por exemplo: não vejo sentido nisso, não tenho como crer que seja possível, me recuso a crer que não deva desejar, querer (alguém como) você. Não consigo ver empecilho. Me recuso, terminantemente, a aceitar que não mereça (alguém como) você, que não mereça ter/fazer parte da vida de alguém (como você). Não consigo ver nada de errado em desejar ter uma boa voz, algum talento em tocar um instrumento, pra fazer uma serenata, cantar-lhe alguma canção romântica. Não vejo o que há de errado em desejar esquentar seus pés nas noites de frio, desejar ser sua concha, lhe abrigar no meu abraço, ou debaixo do meu iglu, ser seu Porto Seguro, balançar na rede e molhar os pés no mar ao seu lado. Não encontro nenhum problema em querer completar as suas músicas! Eu sei, é um defeito muito grave...
Romântico não pensa, diz o que lhe vem, deixa pra se arrepender depois. Seria, sim, mais fácil 'dar pedradas' e, se não dessem certo, dar risinhos, pra não deixar um clima tenso. Coisas de fanfarrões, no entanto, não de românticos. Não consigo ver graça nisso. Se gosto, gosto, tenho de dizer, pra todos ouvirem, verem. Gosto de flores, de oferecer canções, de namorar sorrisos, mesmo de longe... de admirar sua aparência, seus gostos, suas músicas e filmes favoritos... de dizer estas sentimentalidades num texto, de jogar palavras ao vento, na esperança de que você as pegue no ar, que te façam, pelo menos, sorrir, quem sabe algumas guardar para si...
Romântico tem que ser esperançoso, e também teimoso. Romântico pode não saber definir o que sente, se você der uma definição para aquilo, ele dará de ombros e dirá, “seja o que for, que seja, então”.
Pois é, eu sei, posso estar errado em ser assim, este é meu maior defeito. Peço desculpas, mas na verdade, até que gosto.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Universo Particular

Já construí um iglu, um abrigo pra me(nos) proteger do frio intenso, pra esquentar meus pés cansados e gelados, pra esquentar minhas mãos doloridas e congeladas, para acender a lareira e preparar um capuccino pra você. Por que diabos acho romântica a ideia de te fazer um capuccino?! Ah, sei lá, pouco importa, só tenho a vontade de fazê-lo!
Agora construí um lugar muito mais legal. Um lugar bastante amplo, repleto de janelas, tem até uma clarabóia no teto, inundado da luz do sol, onde não entra calor, nem frio, tem plantas e folhagens, algumas orquídeas, algumas hortênsias, meus livros, minhas revistas, os jornais do dia, com todas as notícias que vale a pena se saber, todas minhas músicas favoritas, todos meus filmes, séries e desenhos preferidos. Uma escrivaninha, repleta de manuscritos, com tudo o que já escrevi e tudo que ainda vou escrever, todos os pensamentos, textos, planos pra melhorar o mundo, invenções exóticas, desenhos de projetos e esquemas de vida, filosofias, romances que comecei e não terminei, alguns que nem bem comecei a imaginar, poesias e prosas inspiradas no teu sorriso, numa música que gostas, e em você. Objetos e fotos da infância, espalhadas pela sala, em molduras e porta-retratos por todo lado, mobílias e memórias de cada momento que tive, de solidão, de alegria, etc, de cada vez que te fiz rir. Minhas praias, minhas cidades, cada um dos meus lugares favoritos, daqueles que já fui trocentas vezes, ou uma só, daqueles que ainda não fui, mas quero ir, daqueles que gostaria de te apresentar, daqueles com que sonho, daqueles que me fazem acalmar e pensar. E todos meus amigos, todas minhas famílias, a que tenho, a que me tem, aquela com que sonho, desde menino, todos meus bichos, gatos e cães, e até o porquinho da Índia, que tive aos 8 anos. E todos meus amores, passados, presentes, futuros, eternos!
Se quiser deixar algo de seu, ficarei grato, guardarei com todo cuidado e com todo carinho. Aqui cabe tudo, cada impressão, cada experiência, cada desejo, cada pensamento, cada sentimento. Bem vinda ao meu universo particular!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

No Meu Iglu #2

Aqui, dentro do meu iglu, estamos protegidos das intempéries que caem lá fora; nem chuva, nem vento e nem granizo podem invadir e derrubar essas paredes. O frio, aqui, não entra nem com nojo, pode fazer cem graus abaixo de zero, pode cair a maior nevasca do mundo, lá fora, que aqui dentro estaremos seguros e quentes.
Construí o meu iglu para me entocar e fugir do frio gélido que me persegue, me irrita os olhos, congela meu nariz, pés e mãos, congestiona as vias respiratórias, etc.
Construí meu iglu para não deixar o frio e as pessoas chatas entrarem, para o calor e as pessoas que gosto não quererem sair, com paredes grossas de tijolos pesados e inteiriços, revestidas com peles de urso polar, de morsa e de lobo. Fiz uma cama enorme, num quarto espaçoso e ricamente decorado, cheia de almofadas, travesseiros e cobertores, onde, se você deitar, não quererá mais levantar! No meio de meu iglu fica a lareira, que também nos serve de fogão de pedra, à lenha, coloquei sobre as chamas uma grelha, onde assamos uns bons bifes, como numa parrilla e uma chaleira começa a chiar, com a água, que começa a ferver, para um delicioso capuccino, que estará à sua espera, pra te esquentar, quando você chegar, sacudindo os casacos, salpicados de flocos de gelo e batendo as botinhas na soleira da porta. No meu iglu tem um confortável divã, bem do lado de minha poltrona, onde você pode se refestelar, colocar os pés pra cima, observar o fogo da lareira, saborear o café, conversar sobre o frio e as coisas do dia-a-dia, assistir ao noticiário na tv, escutar uma boa música, aconchegar a cabecinha em meu ombro e esquecer dos problemas. No meu iglu posso desfrutar do teu sorriso, da tua risada, da tua voz, do teu perfume, da tua companhia, chego quase desejar que o inverno nunca mais vá embora. Um dia, quem sabe...

terça-feira, 16 de julho de 2013

No Meu Iglu

Bicho, tá muito frio, tá frio demais! A noite passada e a madrugada foram geladas! Quem diz que gosta de frio não conhece o frio, não faz ideia do que passei, não imagina nem o quão desconfortável se sentiria.Tente imaginar um corte de carne fechado dentro de um frigorífico, como se sentiria. Tente ao menos imaginar o que aquele frango congelado dentro do freezer te diria sobre as 'maravilhas' do frio congelante, se pudesse! Se isso ainda não adiantar, ponha a cabeça dentro do freezer e mantenha-a assim por uns dez minutos! Sim, será bem divertido...
Já dissemos antes, frio é bom pra comer e pra dormir. Às vezes penso, poderíamos ser como os ursos e os jacarés, irmos dormir no inverno e acordarmos apenas na primavera. Só que algum dos nossos antepassados resolveu não proceder assim e cá estamos. Correndo para pegar o trem, para sair da rua gelada, para chegar o mais rápido possível em casa, comer qualquer besteira a título de jantar e correr para debaixo das cobertas, assistir um pouco de tv e dormir, o máximo possível, encasulado como uma lagarta, para transformar-se em mariposa. Dureza é enrolar e aquecer bem os pés, isso costuma levar horas, e quando você enfim consegue, já é hora de levantar.
Mas essa noite eu consegui, descobri uma maneira! Peguei todos os cobertores à disposição, mais meu edredom, construí um iglu, lá dentro forrei as paredes com peles de lobos, ursos polares e morsas, fiz uma cama quentinha, acendi uma fogueira, pus uma água para esquentar e fazer um capuccino, até ajeitei um lugar aconchegante, bem do meu lado, pra esperar você, pro caso de, algum dia, quem sabe, talvez, você quiser vir passar um pouquinho de frio. Meu iglu foi feito numa noite e já tem lugar pra dois.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Recorrentes

Estou numa estrada. Numa via muito larga, lá ao fundo, depois de um capinzal, há os contornos de uma galpão, ou depósito antigo, ou qualquer coisa assim. Vários ônibus de cor vermelha, ou alaranjada, parados em fila dupla, no acostamento. Parece que não sei bem onde estou, que sei apenas que preciso ir embora, já é tarde, não sei direito como. Um motora de camisa cor de rosa aponta para uma outra estradinha, escura e ladeada por árvores sinistras, parece que diz, depois daquela estradinha encontrarei uma estação de trem, de metrô, algo assim. Não sinto exatamente medo, vou para lá, percebendo logo que, além de muito pouco iluminada, a estradinha é mais comprida do que imaginava. Espero encontrar uma plataforma de metrô moderna, mas quando chego ao fim da estrada, vejo o que parece uma antiga estação de trem, daquelas que há no interior do estado, antiga e aparentemente fechada, um poste de luz aceso, apenas e uns trilhos cobertos por mato, como se estivessem abandonados.
Antes, ainda: estou chegando numa estação rodoviária. Parece a de Porto Alegre, até, só talvez um pouco menor. Novamente é noite, a estação parece quase vazia, apenas um mendigo deitado sobre papelões, que me cumprimenta, um casal de velhinhos num outro box, umas pessoas que não consigo distinguir muito bem, pois estão mais longe. Parece que vejo uma menininha correndo lá adiante, mas não tenho bem certeza. É noite, é tarde, estou procurando, parece, um lugar para lanchar, mas não tem, está tudo fechado. Estou com uma mala, estou esperando o ônibus, pra onde, não sei, só sei que vou viajar. Pra algum lugar, qualquer lugar, enfim, pouco importa.
Sim, são sonhos e o sonho, por si só, é uma viagem. Parecem ser recorrentes, os cenários eram diferentes, mas o motivo era o mesmo, a viagem. A viagem da vida? O desejo de viajar, partir, pra qualquer lugar, apenas mudar de ares? Estarei prestes a viajar, ir para algum destino que ainda ignoro? Será a grande viagem se aproximando? Bem, não é o que se espera, mas não descartamos possibilidades. Vai que...
Bem, nos sonhos, a alma cigana se manifesta de alguma forma.

Os Grevistas vs. Os Manifestantes

Oh, sim, eles conseguiram, em parte, o que pretendiam. Boicotaram a proposta de paralisação no início do mês, deixaram passar esses dez dias de calmaria, sem protestos, e forçaram uma greve geral, um dia nacional de “lutas”... os sindicalistas fecharam estradas, bancos e escolas, conseguiram o que queriam, tiveram a sua própria manifestação, tiveram de volta as câmeras e holofotes, tiveram a chance de divulgar as suas velhas, batidas, surradas pautas de reivindicação. Ok!
Como dissemos, os grevistas conseguiram apenas parte do que pretendiam. Não se pode ter tudo. Não foi o que nos disseram? Eles esperavam nos ludibriar, acharam mesmo que iam nos convencer, não apenas que têm força, que conseguem parar o país e pressionar os políticos, os grandes empresários e a grande mídia (esse último, eles não tentaram). Acharam também que nos convenceriam que estiveram, todo o tempo, do nosso lado, apesar de alguns comentários ácidos sobre os protestos dos meses de maio e junho, emitidos por dirigentes das suas agremiações. Quiseram mostrar que estavam lutando pelas mesmas bandeiras dos novos movimentos, como o do Passe Livre, de São Paulo, pedindo-nos apenas para ignorarmos a sua ligação com partidos políticos tradicionais, muitos dos quais, do governo e/ou base aliada. Seus comandantes, um tanto arrogantes e soberbos, imaginaram que conseguiriam trazer os manifestantes para o seu lado, que teriam o apoio e a adesão dos novos movimentos à sua marcha programada, com apoio velado dos partidos, no momento, afinal de contas, né... achavam que iriam colar a sua imagem à dos manifestantes dos protestos de maio e junho mas, como no caso dos militantes partidários, dos vândalos e dos brigões, os sindicalistas também não representaram, hoje, aqueles manifestantes.
Sabemos o que foi dito na tv, provavelmente nos portais e sites de notícias e o que será dito na revista Veja da próxima semana – possivelmente concordando, pela primeira vez na história, com a Carta Capital – que houveram “manifestações” no tal “dia nacional de lutas”. Sabemos, também, que essa afirmação, além de falsa, pretende induzir ao erro. Não houveram manifestações me parte alguma. O que houve, em maio e junho, foram manifestações organizadas “de forma desorganizada”, por várias pessoas, em vários lugares, ao mesmo tempo, através das redes sociais, isso nós sabemos, vocês sabem, todo mundo sabe, são protestos compartilhados por vários novos movimentos apartidários, nem por isso apolíticos. O que houve hoje foi uma paralisação, um feriado informal, uma greve “geral”, como tantas outras que houveram antes, até 2002, mais ou menos, curiosamente só até 2002, quer dizer, houve uma greve geral após mais de dez anos de calmaria, hoje. São coisas diferentes! A despeito do que duas das maiores empresas de comunicação do Rio e São Paulo disseram, em seus noticiários regionais e nacionais, os sindicalistas não são, não representam, muito menos hoje, os novos movimentos, os manifestantes, ou as vozes das ruas. A greve “geral” não tem, não teve, nada a ver com as manifestações e protestos anteriores, tanto que os sindicalistas e os grêmios estudantis foram pegos de calças curtas, tanto quanto a grande mídia e os políticos. São dois movimentos diferentes, distintos. Esse de hoje fingiu que ouviu a voz daqueles do mês passado, embora não tenham aprendido nenhuma lição e, sendo assim, permanecerão como os políticos e a mídia: destoantes daqueles novos movimentos!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Tem Culpa Quem?!

Olhaí como estão as coisas no nosso Brazil varonew! Os mensaleiros foram condenados, mas estão por aí, soltos, uns já até voltaram ao Congresso! O STF tá bancando, com o nosso dinheiro, as férias de familiares na Europa e na Disney! E essas manifestações, então!? Bem no meio da Copa das Confederações, atrapalhando a grande festa do futebol MUNDIAL!! E esses vândalos da direita golpista (KK), infiltrados no meio dos protestos pacíficos, só causando confusão, atrapalhando o trabalho digno e honesto da política na dispersão de manifestantes, destruindo patrimônio público, saqueando lojas e magazines. QUE VERGONHA!! E esses reacionários safados, agora quebraram a cara, hein! Hein!? Tentaram convocar greve geral, mas não levaram! Os partidos políticos, que tão bem representam todas correntes ideológicas (KK) brazileiras, não conseguiram se impor nas últimas manifestações mas as centrais sindicais, que estas sim, representam muito bem a classe trabalhadora – e ganham uma boa beirada do governo e partidos, pra isso – não deixaram esses golpistas se meterem naquilo que não conhecem e pararem nosso amado país, ainda mais logo após uma vitória acachapante da nossa seleção, em uma emocionante final de copa! Queriam fazer feriadão e baderna, é, maninho?! AQUI, NÃÃÃOOO!!
Mas a gente sabe bem de quem é a culpa de tudo isso! Este país tá do jeito que tá por culpa do FHC!!
    HEIN?! COMO É?? TEM CULPA QUEM?!? Você ainda está buscando culpados?! Estão alardeando que a culpa é toda de Dilma, que é de Fernando Henrique, alguns poucos, à boca pequena, sussurram que o grande culpado, de verdade, é Luiz Inácio... outros dizem que foram os militares – não te duvido – Fernando de Mello, Dom Pedro I, Dom João VI, Pedro Álvares Cabral... gentes que, dizem as lendas, têm até toadas sobre, pro cd do bicentenário, sempre lutaram pelos trabalhadores, pelos jovens, pelas minorias, pelo povo, pela gente, enfim, dizem que as manifestações são meros devaneios tolos de um povo alienado e acomodado, que nem bem acordou, já teria voltado a cochilar. Gente séria, bem intencionada e honesta tem repetido quanto à greve geral, aparentemente convocada pelos mesmos grupos das manifestações, as mesmas bobagens ditadas acerca dos protestos. Naqueles, sem os partidos, sem uma liderança e sem um foco – de preferência, um catalisador “seguro” aceitável – para a indignação geral, nada daria certo, nenhuma pressão surtiria efeito, os nossos governantes continuariam cegos e, em pouquíssimos dias, iriam estar desmobilizados. Era com o que contavam, mas... enfim! Pois, nesta, sem o aval das grandes forças e centrais sindicais, que ultimamente, como no caso dos partidos, não têm mais cumprido com sua função primordial de representação das classes trabalhadoras, trocando isso por um alinhamento com o patronato e os governos, não haveria como mobilizar os trabalhadores e parar o país, por motivos “suspeitos” e “golpistas”!
    Oh, sim, realmente, está tudo normal... fora uns ônibus queimados, linhas que não circularam, ou que saíram com uma hora de atraso. Fora as escolas públicas, que amanheceram sem aulas. Fora o trem urbano, que passou em “operação padrão”, mais lento, por conta de “fissuras” nos trilhos. Não pararam o país, só fizeram ele andar mais devagar! Muito bem, senhores líderes sindicais, vocês conseguiram, nos venceram! E de quem é a culpa, mesmo?! Desse país bitolado, desse grenalismo globalizado e mal disfarçado, das manipulações de informação, que dizem ser praticadas por aquela grande rede de comunicação carioca e por aquela grande revista semanal paulista, embora aceitem as informações dúbias de uma revista de importância capital e de uma rede de comunicação pertencente àquela igreja neo-pentecostal... de quem é a culpa?! Quem é o grande culpado? Será o “neoliberal”, apenas um dos maiores pensadores de esquerda do país? Será a “guerrilheira”? Será o “torneiro mecânico”? Ou, quem sabe, será o “caçador de marajás”? Tem culpa quem, afinal? Tem culpa eu? Tem culpa tu?! Te digo, sem medo de errar: tem culpa nós, e não adianta nada procurar inimigos infiltrados, ou conspiradores malignos, a serviço do grande cão americano, dos generais de Cuba, ou de quem quer que seja! Somos nós quem tem que arrumar essa bagunça toda!

terça-feira, 25 de junho de 2013

Grenalizando - Você Está Fazendo Isto Errado!

O Rio Grande do Sul é uma província com mais contrastes do que possa imaginar sua vã filosofia. Tem uma riqueza cultural e uma diversidade étnica muito pouco difundidas. O Rio Grande do Sul tem muitas tradições e peculiaridades. A bombacha, o churrasco, o chimarrão, o orgulho gaúcho, o passado revolucionário, tudo isso todo mundo já conhece, até mesmo no Brazil. Mas há uma tradição que é daqui, é pouco divulgada, na periferia da qual fazemos parte, chamada Brasil, e é simplesmente ignorada no país desenvolvido e civilizado do Sudeste: a grenalização!
Primeiro, caro turista, um pouco de história, vamos às origens da grenalização! Há quem diga que essa nossa tradição remonta aos tempos da Revolução Farroupilha. Não, isso é um engano da parte de alguns historiadores gaúchos e brasileiros. Ao contrário do que nos foi ensinado, até há uns 15 anos, nas carteiras escolares, a motivação principal e primordial dos farroupilhas não era política, nem social, mas sim, de ordem econômica! Só um pequeno grupo é que trouxe à pauta dos revolucionários a República e o abolicionismo. Enfim, mas essa tradição começou, de fato, com uma revolução: a Federalista, de 1893, quatro anos após a proclamação da República. Acontece que, após o golpe que depôs Pedro II e derrubou o velho sistema monarquista, não se modificou muita coisa, por exemplo, mudou-se apenas a denominação das unidades da Federação, de Províncias para Estados. Os federalistas do Rio Grande do Sul defendiam, justamente, a descentralização política e uma maior autonomia dos Estados, em relação ao governo federal, coisas que o novo regime, provavelmente, deve ter prometido e depois não trouxe. A partir dessa época é que se começou a tradição, pois, na Província de São Pedro, todos, de alguma forma, tomaram partido, todos se posicionaram, ou favoráveis à revolução, à causa do federalismo, ou à manutenção do poder central, ou seja, das tropas legalistas. Daí por diante, todo mundo tinha de se definir como alguma coisa, ou como maragato (federalista), ou como chimango (governista).
Tá, mas de onde surgiu a expressão 'grenalismo'?” Bem, caro turista, imaginamos que você saiba que há dois grandes clubes de futebol, que monopolizam as paixões, por aqui, o Sport Club Internacional e o Grêmio de Football Porto-alegrense. Aqui não há outros times que rivalizem em grandeza, nem em conquistas, aos dois maiores, ambos da capital da província. Há, portanto, uma dicotomia futebolística, mais ou menos como a dicotomia política, dos tempos de guerra civil, aqui, ou você é colorado, ou é gremista. O grande clássico de futebol já surgiu, nos anos 1910, com essa divisão e, lá pelos anos 1940, ganhou a alcunha de gre-Nal. E até que faz sentido!
Então, assim é que surgiram, posteriormente, as expressões grenalismo, grenalização, grenalizar e por aí vai! Grenalizar nada mais é do que a atitude, bastante gaúcha, como você agora já sabe, de se posicionar, de ter uma opinião sobre absolutamente tudo – ou quase – seja a favor, ou contrária. Aqui se é, ou colorado, ou gremista; ou revolucionário, ou conservador; ou de esquerda, ou de direita; ou governista, ou oposicionista – é, ainda temos alguns maragatos e chimangos; ou getulista, ou brizolista – algumas vezes, ambos ao mesmo tempo, mas são casos raros, como papai, por exemplo.
Sim, algumas vezes essa tradição pode ser um tanto incômoda, às vezes causa transtornos e atrapalha o desenvolvimento da província. Vários projetos importantes, por exemplo, estão empacados, muitos deles, há mais de 20 anos, por causa da nossa atitude grenalista. Quando o governo quer avançar algum projeto de importância, a oposição atrapalha. E vice-versa...
Recentemente, caro turista, percebemos – e você também, agora, estando de posse destas importantes informações pra toda vida – que a turminha animadinha lá do grande país desenvolvido e civilizado do Sudeste, que tem liderado por lá, as manifestações pela redução das tarifas do transporte público, contra a corrupção, pelo respeito à diversidade, contra as PECs 33 e 37, contra os gastos exorbitantes com os eventos FIFA, etc, assim como a grande mídia do “centro” do país e alguns partidos políticos da ala governista, têm grenalizado a parada toda – e o pior, como se soubessem fazê-lo! A título de curiosidade, caro turista, pergunte a qualquer membro do MPL (Movimento pelo Passe Livre, SP) se ele sabe que está grenalizando o próprio movimento e os manifestos e se sabe o que quer dizer grenalizar. Surpreenda-se se ele souber, amigo turista! Alguns partidos da base governista (federal, que fique bem claro) tacharam manifestantes apartidários de “grupos nazi-fascistas infiltrados” por estes não admitirem que militantes dos referidos partidos – ditos “de esquerda” – participassem dos protestos, que, de certa forma, são CONTRA eles! Uma repórter do canal de notícias afiliado da grande rede de tevê dos bispos da IURD, falando sobre os protestos em Porto Alegre e evocando a relação “esquerda-direita”, diz que um jovem, que pichava, na imagem das câmeras, um prédio público com o símbolo ANARQUISTA, usava uma jaqueta de um “grupo radical de direita” – sendo que os anarquistas não se inserem no grenalismo político, por não serem favoráveis nem à esquerda e muito menos à direita! Se trata de um grupo radical, sim, mas anti-sistema (QUALQUER sistema), anti-governo (QUALQUER governo), portanto... nem colorado, nem gremista, nem maragato, nem chimango, nem de “esquerda”, nem de “direita”! Preste atenção, caro turista! Eles estão grenalizando a parada, e estão fazendo isto MUITO errado!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Sejamos Racionais...

Faltou bom senso. Pelo que vi por aí, pelo que andaram falando, a respeito dos protestos, até sexta-feira passada, faltou e tem faltado bom senso. A animação deste humilde blogueiro com o despertar da população para todos os equívocos de quase 20 anos de governo “de esquerda” – “ué, mas não são só 10?” não, filhotinho, não são – para tudo o que tem acontecido, para todas as pautas que deveriam interessar mais que o futebol e a novela desde sempre se esvaiu um pouco porque... tem faltado bom senso! Na verdade, o bom senso, nestes últimos dias, foi dar uma banda, não avisou pra onde foi e mandou dizer que não sabe quando, nem SE, volta!
Oh, mas você estava vibrando tanto com as manifestações, estava até feliz ao ver que o gigante despertou, e tals...” Pois é, amigos, pois é! Tanto que há dias venho pedindo pra galera não se desmobilizar, nos canais por onde nos comunicamos, nas redes sociais e por este blog. Tenho reconhecido que há uma certa ingenuidade de minha parte, um certo otimismo, até, pelo fato de os manifestantes não recorrerem às bandeiras dos partidos tradicionais e usarem a sua própria voz para fazer suas reivindicações e protestar, de principalmente não aceitarem nenhum direcionamento político-partidário, quanto por quê, ou contra quem, protestar.
Propus a vocês não aceitar, muito menos tentar dicotomizar o movimento, grenalizar os manifestos, dividir e separar os manifestantes entre “esquerda” e “direita”, “filhos da luta” e “filhos da puta”, “revolucionários” e “reacionários”, o “seu” lado e o “nosso”.
Eu sei, sim, que não sou nenhum formador de opinião, um Paulo Henrique Amorim, ou Arnaldo Jabor, pra manipular as informações ao meu bel-prazer e direcionar as opiniões de vocês. Nem quero ser como nenhum desses dois aí! Mas sei, também, que tinha uma galera aí mais respeitável e com muito mais know-how pedindo exatamente a mesma coisa que eu! A gente propôs aos militantes não tentarem direcionar o movimento para as suas próprias causas, a gente pediu pra tentarem compreender e escutar a voz das ruas, a unirem-se, se assim o desejarem, às causas DOS MANIFESTANTES, sem dicotomizar nada, sem eleger vítimas e algozes, heróis e vilões. A gente pediu aos manifestantes pra não deixarem de lado o caráter APARTIDÁRIO do movimento, mas aceitarem a participação dos militantes partidários, desde que estes aceitassem as novas regras e abaixar as suas bandeiras.
A princípio, a falta de bom senso vinha da parte dos governantes, da força policial, dos meios de comunicação. Tava fácil saber quem eram “eles” e quem éramos “nós”. Agora, a falta de bom senso se tornou, aparentemente, geral! Por debaixo dos panos, boa parte dos políticos de carreira e grande parte da mídia nacional novamente se juntaram e estão conseguindo o que almejavam, desmobilizar os manifestantes e direcionar a opinião de setores da sociedade, tão “livres” e “engajados”, jogando-os CONTRA o povo nas ruas.
Está certíssimo, manifestantes pacíficos e apartidários não têm de agredir ninguém que milite nos partidos políticos tradicionais. Ser contra os partidos políticos e sua tentativa nefasta de cooptar o movimento não dá razão a ninguém para levantar a mão e espancar militantes da agremiação que seja! Por outro lado, por que insistir em carregar bandeiras partidárias numa passeata que está PEDINDO para NÃO se impor NENHUM direcionamento político-partidário?! Por que querer forçar e insistir, para quê tumultuar um movimento, só para impor a sua ideologia e as suas pautas, que não têm NADA a ver?! Assim não, companheiro...!
Dizem que skinheads foram... “participar” dos manifestos! E você acreditou?! Me diz, skinhead indo a uma manifestação pacífica e apartidária – que alguns membros de partidos políticos estão conseguindo tornar ANTI-partidário – vai protestar contra... O QUÊ??! Me diz, onde, em qual parte do teu mundo bipolar, espancar homossexuais, negros e nordestinos é “protestar”?! ONDE quebradeiras e saques são tidos como “manifestação da indignação popular”?! Por favor, mate-me essa curiosidade...
Eu já falei aqui, vi os manifestantes lá no início, antes dos paulistas se adonarem e rebatizarem o movimento de “Passe Livre”. O movimento deu supercerto em Porto Alegre, onde tudo, de fato, começou. A pressão popular surtiu algum efeito positivo. E mesmo quando decidiram pela independência política em relação aos partidos tradicionais, nas se demonizou, nem hostilizou-se os partidários, que aqui foram mais civilizados do que nos “grandes estados brazileiros”. Mas, os novos “donos” do movimento disseram que não vão mais chamar os jovens para mais protestos. Os partidos, impedidos de participar dos protestos CONTRÁRIOS a suas velhas práticas, a seus membros no Congresso, governo E oposição, conseguiram convencer parte da sociedade, boa parte dos revolucionários de shopping center de que “a direita”, seja quem for, teria cooptado o movimento e que um “golpe de Estado” estaria sendo armado DENTRO dos protestos e manifestações mais recentes. Não vi ninguém dentre os que se definem de esquerda indo perguntar a algum manifestante se tal informação era procedente. Um vlogueiro paulista postou um vídeo no Youtube, “denunciando” a “manipulação” da direita e vi muita gente de bem, que considerava, até ontem, o jovem vlogueiro um mero nerd tonto e neurótico, de repente, compartilhando o tal vídeo e chamando a atenção para seus alarmismos e teorias conspiracionistas, como se fossem “a grande revelação por trás dos demoníacos protestos”! Dele nunca esperei nenhum bom senso, mesmo, mas das outras pessoas... gente... pensem um pouco, antes de regurgitar o que a paulicéia diz por aí! É preciso adquirir o bom senso!

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Analisando Esta Cadeia Hereditária

ARRÁ!! EU JÁ ENTENDI O QUE ELES QUEREM!! Não, amigo, você ainda não entendeu. E a continuar dessa maneira, vai ficar sem entender, mesmo! E, particularmente, aproveitando uma expressão que está muito em voga novamente, por estes dias – vandalismo – quero dizer que acho isso tudo bárbaro! A poeira das últimas manifestações ainda nem baixou e já apareceu a turma de intelectuais políticos e militantes engajados tentando – tentando, nada mais do que isso – entender, explicar, esmiuçar, analisar o atual movimento, denominado em São Paulo do “Passe Livre”.
Alguns estão tentando analisar os recentes protestos pelo viés histórico, 1968, anos de chumbo, coisa e tal. E acho muito interessante essa relação que fazem. Mas tem um pessoal que está observando o fenômeno como se fosse um experimento, ou pesquisa científica, com agentes e observadores, que estão do lado de fora, apenas estudando o fenômeno. Eles estão desconsiderando os fatores novos deste fenômeno político e o estão observando sob uma ótica antiquada, calcada na mesma velha dicotomia esquerda-direita, direitos e deveres, que não ajuda, nem um pouco, a entender estas últimas manifestações, muito antes pelo contrário!
Nos últimos dias, esse é o assunto que tem dominado a pauta. Tem muita gente falando a respeito e muita gente falando muita besteira – inclusive este humilde blogueiro que ora escreve este post! Gentes de quem eu nem esperava, reagindo, e mal, aos manifestos porque, obviamente, não os estão entendendo, não lhes caiu a ficha, ainda, não manjaram o que está acontecendo direito... isso me parece até, de certa forma, surpreendente! As grandes redes estão em polvorosa, em verdadeira festa, com os protestos. É absolutamente ultrajante o tratamento que aquela importante emissora carioca de tv tem dado aos manifestos, nos seus telejornais e plantões. Uns amigos discordaram veementemente da exclusão, por parte dos manifestantes, dos partidos políticos, alguns chegaram a dizer que se tratava de um equívoco e um desrespeito, pois os manifestantes estariam isolando do processo todo uma gente que vem defendendo os ideais dos quais a galera que, segundo estes, nunca – acho uma afirmação muito forte, mas enfim – participaram ativamente das lutas políticas antes. Não, amigos... não façam assim! Procurem se informar, antes! Entendam que estamos em meio a uma crise político-partidária no Brasil, e no Brazil também... que a galera não tem se sentido representada por boa parte dos partidos, ou por partido algum, seja de direita, seja de esquerda, seja da coluna do meio, que é até natural que os manifestantes queiram um movimento independente, plural, apartidário, e que isso não significa, de forma alguma, “apolítico”. Ouvi, ontem, numa rádio, alguém dizer que um “movimento sem líderes(!?)” e apartidário não teria, portanto, ideologia. Amigo, o movimento pode não ter a TUA ideologia – embora hajam, certamente, manifestantes que simpatizem com ela – nem a de um partido, muito embora a maioria dos partidos políticos, hoje, não tenham mais uma linha ideológica definida. Aliás, tudo o que o movimento é, com certeza, é político e vem trazendo, sim, ideologia(s)! Teve um amigo que até compartilhou um texto de Plínio de Arruda, que, antes de representar a sua opinião sobre os protestos, fazia muito mais a defesa da participação ativa dos partidos políticos – o dele, principalmente, imagino eu – nesses protestos, como que catalisando, focalizando e ditando as pautas das reivindicações e indignações. NÃO, AMIGO! POR FAVOR, NÃO!! Isso não é lucidez, é mais uma atitude (“oh, céus, não diga isso, Deus me livre e guarde”, desculpa aí, amigo) reacionária e de vender o seu peixe.
O texto que li, de Heloísa Helena, ex-senadora por Alagoas, manifestando sua opinião, exaltando, até, as recentes marchas populares pelo Brasil afora, as manifestações e protestos, como forma de pressão aos políticos, ao poder público, em todos seus âmbitos, uma certa vibração, até, sem – aparentemente – querer puxar a brasa para o seu assado, isto, sim, foi uma atitude elogiável e lúcida, que aliás, só me faz admirar ainda mais esta mulher.
Algumas pessoas querem restringir as pautas dos protestos. Querem direcionar as reivindicações e reclamações, querem ditar contra o que, ou quem, vale a pena protestar e bradar palavras de ordem. Não sei se é conscientemente, mas tem gente meio que protegendo algumas “vítimas” do movimento! Gente que não vê problema algum se você entoar as palavras de ordem contra o congresso – ou alguns membros, apenas – contra o governador, ou o prefeito, mas que chegam a “temer” um golpe de estado se você, ou alguém, soltar algo tipo “Fora Dilma”. Os esquerdinhas querem controlar o movimento, direcionar o foco para assuntos que ELES consideram relevantes, em detrimento de outros que consideram “equivocados”. Os partidos políticos e os grandes grupos de mídia já estão visivelmente incomodados e preocupados com as manifestações. Os esquerdinhas e os reacinhas querem puxar o movimento para suas causas, querem levar a galera como se fosse boiada para os temas que mais lhes agradem. Ou esvaziar o movimento, o que lhes parecer mais fácil! Há e sempre haverá alguém, revolucionário, ou reaça, afim de desqualificar os protestos, se alguém for pra rua reclamar por algo que não lhes pareça admissível discutir. É muita gente preferindo a manutenção de um sistema Vista bugado a um movimento de descontentamento geral e irrestrito agitando e pressionando pelas mudanças que se quer, que vão muito além da passagem do ônibus, dos números oficiais de institutos de pesquisas, ou propagandas governamentais, que não correspondem à realidade. É muito cacique preferindo manter as coisas como estão a permitir que o próprio povo force, fuce, faça por onde mudar, buscar as melhorias que há tempos esperamos e queremos. Já tem governante e administrador nos devolvendo os 20 centavos, que é pra ver se a galera se satisfaz, fica alegrinha e volta pra casa, dando-lhes um refresco. Mais do que nunca, esse é o momento de tomarmos nosso lugar, de ocupar os espaços públicos e as redes sociais – why not?! – continuar mobilizados e nos manifestar. Vamos pra rua, mostrar como é que se faz!

terça-feira, 18 de junho de 2013

Vamos Pra Rua!

Não são mais só por 20 centavos. Não são mais só na Avenida Paulista, nem só no Largo da Prefeitura, Largo Glênio Perez, Praça Montevidéu, avenidas Sete de Setembro e Borges de Medeiros. É no Brasil todo! Galera acordou, galera tá na rua, tá aparecendo nos telejornais do horário nobre, quando estes não se concentravam em mostrar os atos de vandalismo de meia dúzia, porque, afinal de contas, imagens de destruição são mais espetaculares e sensacionais! Mas o importante é que a galera acordou, foi protestar, nas ruas e nas redes sociais. E a coisa tá ficando cada vez mais divertida!
Mas, e qual o problema se o motivo fosse “apenas” por 20 centavos?! Isso já não basta pras pessoas saírem às ruas e protestar?? Quando os protestos começaram, em maio passado, antes de atravessar o rio Mampituba e chegarem à Avenida Paulista, a motivação foi “apenas” o aumento da passagem de ônibus, na capital gaúcha, de R$ 2,85 para R$ 3,05. De primeiro, o movimento tinha uma direção e uns diretores, membros de grupos estudantis, ligados a partidos políticos, da situação, em âmbitos estadual e federal e radicais de oposição. Estes mesmos diretores das passeatas e manifestações incitaram a violência, os atos de vandalismo, as agreções ao secretário municipal de transportes, na base de bandeiradas e a tentativa de invasão da prefeitura. Não, não concordei com esses atos isolados, não gostei da participação dos partidos políticos infiltrados no protesto. Desculpem os amigos partidários. Mas concordei totalmente com os protestos “quase invisíveis”, para a grande mídia brazileira, com as motivações dos protestos. Em Southern Iranduba não estou pagando 20 centavos a mais, mas 30, na passagem de ônibus! Lá, nem com as manifestações na capital, ali pertinho, a galera se animou a se manifestar. Já em Porto Alegre, as manifestações surtiram algum efeito, uma ação popular contra o reajuste da tarifa resultou numa liminar, que baixou a tarifa de volta para os R$ 2,85 de antes do reajuste.
Quando os protestos aqui deram em alguma coisa positiva, atravessaram o rio Mampituba, chegaram a São Paulo, chegaram na Paulista, começaram por “apenas” 20 centavos, começaram com amigos meus das redes sociais se animando, se agitando, aplaudindo, apoiando o movimento que eu já tinha visto um mês antes, do qual eu já havia falado com alguns mais bem informados, já tinha comentado, já tinha me mostrado favorável. Mas, sabe o que é... alguns amigos me vêem como uma contradição, uma incógnita, porque não sou “reaça”, nem “comuna”, os deixo confusos.
É divertido observar a evolução do movimento pelas reações nas redes sociais. Quem era contrário, começou a ficar favorável, quem era a favor, está revendo os seus conceitos e mudando de opinião. Curioso e divertido tudo isso... porque, no final das contas, não é mais apenas as tarifas absurdas do transporte público: é todo o resto! As mudanças, que a gente só vê na propaganda oficial, e tem ainda quem acredite – e reclame da manipulação de informações praticada por uma importante rede carioca de tv! O movimento, agora, é contra a corrupção, é contra a PEC 37, contra as obras superfaturadas para a Copa do Mundo e a das Confederações, é contra a interferência do Congresso na Justiça. Os revolucionários socialistas de shopping center tão sem entender nada porque as bandeiras de praxe não estão lá, porque os partidos políticos não estão representados, não estão falando, não estão sendo ouvidos. Os reacionários conservadores de classe média baixa, leitores de Veja, estão delirando, porque os manifestantes não estão perdoando ninguém, não estão escolhendo contra quem lançar palavras de ordem e contra quem não lançar, não estão mais aceitando o direcionamento partidário, de esquerda, ou de direita. Só o problema é que eles não conseguem disfarçar a alegria quando a polícia ataca e o sangue jorra na tela.
O mais importante agora é que nem os reaças e nem os comunas estão entendendo mais nada! É impagável vê-los sem saber como reagir a tudo isso, não saberem de que lado ficar. Relaxa, pessoal! É que o movimento não é mais de, nem contra vocês! Esse movimento é nosso! Vocês são bem-vindos! Mas esse movimento é da galera, somos nós que estamos no controle, ou descontrole, como queiram! Aproveita, vamos pra rua!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Ela Te Vem

Ela veio te assombrar nos sonhos, pouco antes do aniversário dela. Só até você entender que, não importa quanto tempo passe, o que tenha acontecido entre vocês, o que estejam vivendo, no momento, ou a distância que lhes separe, você a ama, sempre amou e sempre amará. Sem motivo, sem sentido, sem razão, sem expectativas, somente isso, somente a ama, simples assim.
E ela ainda te vem. Mas não te causa mais espanto, nem culpa, nem atormenta. Ela não te assombra mais. Numa bela noite, em que você até delirou, por causa da febre, ela te apareceu, deitada em tua cama, coberta apenas com um lençol branco, um olhar brejeiro, um sorriso sensual e provocante, te perguntando, insinuante, qual tinha sido a melhor transa da tua vida. Ou qualquer coisa assim... acordaste lembrando daquela noite, não é mesmo!?
Uns dias depois, ela te veio novamente, com um sorriso doce, como de uns dez anos atrás, um sorriso meigo e afetuoso. Ela só te veio por causa do teu abraço. Só queria estar em teus braços, dentro de teu sonho, aconchegada em tuas lembranças. E você só a abraçou por gostar de tê-la aconchegada à tua memória, de ter o calor de seu corpo, envolvê-la ternamente em teus braços, em teu abraço largo. Nada de mais. São só sonhos! Lembranças, somente. Só uns sentimentos antigos, que não se preocupam em ir embora, que você não se preocupa em expulsá-los mais, em correr contra a correnteza. Só isso!


quinta-feira, 13 de junho de 2013

Te Namorar

Dia desses curti tua foto e fiquei um bom tempo a observando. E pensando em alguma coisa pra dizer, algum comentário pra fazer. Algo que não soasse cretino, ou uma bobagem qualquer, pra dizer só por dizer. Pensei em elogiar seu sorriso, ou o seu olhar, ou dizer como você parece mais linda a cada dia... desisti, com medo de me repetir, de me tornar cansativo, perdi as contas de quantas vezes disse isso. Pensei em elogiar as tuas roupas, em dizer-lhe que a estética do frio lhe cai muito bem... até pareceu uma boa idéia, mas achei que já não era a hora. Algumas vezes eu sinto que deixei passar o momento, que é melhor não dizer mais nada. Só ficar observando teu olhar, tua boca, teu sorriso, o gorro caído meio de lado sobre tua cabeça, os teus cabelos emoldurando suavemente teu rosto. Um sorriso meio bobo nos lábios... nos meus, nos meus! Fico mais um bom tempo te admirando. Te namorando com o olhar. Namorando tua foto. Abestado, abestalhado, pensando apenas no quanto você é linda, no quanto me encanta, que estou, provavelmente, incontestavelmente, absurdamente apaixonado por você! Que queria, que quero muito, que gostaria demais, te namorar!