Tucanato
teve roubalheira? Ok, não se vote mais neles... mas o
estrelato também não tem roubalheiras? Sim, as tem, e
aos milhares, tal e qual. Luiz Inácio e Fernando Cardoso são
amigos de longa data, ninguém fala muito a respeito porque
"certas coisas não devem chegar aos ouvidos das
massas"... pois muito bem, tendo conhecimento da privataria e
dos mensaleiros, e da relação direta de uns com outros,
o que vamos fazer a respeito? Vamos escolher o lado "menos
pior"... como SEMPRE se faz neste país, desde os tempos
de 1700 e guaraná de rolha? Ou vamos tentar mudar e buscar
alternativas viáveis a toda essa bandalheira, tucana,
estrelada, fogareira (que esteve com os tucanos antes, que está
na vice-presidência dos estrelados agora), rosista, da
pomba-rola, e por aí vai? E não me venham com "mas
tô votando é na pessoa..."! Chega! Chega dessas
discussões que estão muito mais pra brigas de torcidas
organizadas que pra posicionamentos políticos! Chega das
trocas de acusações como "argumentos"! Chega
dessa imbecilidade torpe de “argumentar” com alguém que
discorda das tuas crenças no governo com “mas o do fulano
também teve roubalheira!” Isso não é
justificativa! E se descrês, isso também não
serve como justificativa, lembre-se que o governo que apoiavas fez
tão pouco, ou até menos que o atual! Chega de "discorda
de mim? então cê é coxinha leitor de Veja!"
ou "discorda de mim? comunistazinho fã de Fidel Castro!"
Chega disso! Ou A GENTE faz algo pra mudar o país, ou ninguém
faz! Não esperem pelo messias tucano, muito menos pelo grande
líder estrelado! Viu que não deu certo, não
insista!
Hoje chamam de mini mercado, ou mercadinho, mas, na nossa infância, chamavam de armazém, venda, ou taberninha... local onde você encontra de tudo: pão, misturas, erva mate e pupunha a granel, pirarucu seco pro almoço de sexta-feira santa, uma caninha da boa, envelhecida em barris de carvalho e um ou dois dedos de prosa... entre e fique a vontade!
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Sobre Pesseguinhos
Um
massacre, um caso terrível, um caso escabroso, um caso brutal!
E vergonhoso, sobretudo para aquela nossa velha conhecida, a grande
mídia!
Já
faz um tempinho, eu nem lembro mais qual foi mesmo aquele mês,
assassinaram o pai, a mãe, a avó e a tia, de quebra
suicidaram o menino Marcelo Pesseghini. Todos os dias chegam novas
“informações” pra tentar nos convencer que aquele
moleque de 13 anos era um assassino frio e calculista, sem emoções,
que planejara e executara todo o crime, sozinho, sem ajuda de
absolutamente ninguém.
“Ah,
mas o que você esperava da gRobo? A gRobo mente!” Sim, mas
meu caro amigo fã da “mídia ninja”, não é
só ela que está cagando fora do penico, são
todas (TODAS!!!) as grandes redes de comunicação desta
federação de Estados que estão nos contando
rigorosamente a mesma
história, sem tirar, nem por! Se você tentar trocar de
canal, vai ver, apenas reproduzida com outras palavras, sem mudar
sequer um pouquinho que seja, o sentido, nos telejornais da manhã,
da tarde e da noite, na emissora do seu Sílvio, na rede com
nome que homenageia os primeiros exploradores paulistas, na grande
rede de tv carioca, na rede dos bispos universalistas... nem adianta,
meu amigo, eles todos vão te contar exatamente a mesma
mentira! E, dependendo do teu grau de simpatia “política”,
você vai
acreditar! Toda nova informação que elas trazem, sem
nenhuma exclusividade, é apenas mais um cravo no caixão
do menino Pesseghini e família, pura e simplesmente!
Ah,
a possibilidade “remota” de ter havido queima de arquivo, já
que, num primeiro momento, chegaram a cometer a inconfidência
de informar, que a mãe do menino Marcelo, também ela
uma policial militar, vinha investigando o envolvimento de colegas de
farda em assaltos a bancos e caixas eletrônicos, foi
sumariamente sepultada. Ninguém foi mais a fundo no assunto.
Ninguém mais falou nisso, aliás, todos tomaram um Doril
e até mesmo a lembrança de já terem mencionado
qualquer coisa a respeito, sumiu! E, da mesma forma, por onde anda a
tal da vizinha da família, que teria observado uma
movimentação estranha de policiais, na madrugada da
morte dos Pesseghinis? Que fim levou (deram) o coronel que comandava
o batalhão, onde estava lotado o casal Pesseghini, que, num
primeiro momento, admitiu a investigação, que
mencionou, inclusive um relatório preliminar, feito por sua
subordinada, onde constariam os nomes de alguns colegas de corporação
– num segundo momento, teria negado a história – mesmo?!
Ninguém
mais se interessou por essa outra linha de investigação,
nem mesmo a polícia tem tratado dela – o que é mais
grave. Todas as informações “noticiadas”,
ultimamente, só falam do menino, do seu suposto mau
relacionamento com a família, da sua predileção
por jogos de computador violentos, da sua meia-dúzia de amigos
nerds e mentirosos, na escola... nem mesmo o seu quadro clínico
“inusitado” (ele sofreria de fibrose cística), é
mais levado em conta, não se leva mais em conta nenhuma
informação que destoe da versão
oficial que nos chega
diariamente, por rádio, jornal, tv e internet. Parece haver,
por parte da grande mídia e do poder público, uma
espécie de vergonhoso pacto de silêncio.
Numa hora dessas que a gente se pergunta: “E a tal da 'mídia
ninja', o que tá fazendo, que não tá falando
desse assunto?” e aí a gente se lembra... ah, é,
muito mais importante é dar um “outro enfoque” ao que se
veicula sobre aquele país árabe, lá do outro
lado do mundo, que está em guerra civil, do que àquilo
que ocorre logo ali, do lado do nosso quintal.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Sobre Mais Médicos Cubanos...
Vocês
viram aquela cena, no Jornal Nacional – provavelmente deve ter
passado também naquele telejornal da tv dos bispos, aquela
sim, tem “credibilidade” – dos estudantes e representantes de
ONGs, que recepcionaram os primeiros médicos cubanos a chegar
no Brasil, pelo aeroporto de Recife? E aí, o que acharam?!
Bom, eu, particularmente, tenho uma palavrinha para aquela claque,
digo, a manifestação daquela gente, mas tenho quase
absoluta certeza, vocês não vão gostar muito: a
palavra é 'patético'. Simplesmente patético!
Sinto que até os médicos cubanos sentiram vergonha por
nossos estudantes.
Não,
não sou, de forma alguma, contra o governo brasileiro
contratar médicos estrangeiros, para suprir a deficiência
de profissionais da área, ou de qualquer outra área,
sobretudo para as regiões mais carentes, como argumentam o
governo e seus partidários. Tampouco se eles forem cubanos, me
é indiferente o seu país de origem, me interessa muito
mais se têm competência para o trabalho.
Até
sou simpático, favorável, mesmo, desde que,
primeiramente, invista-se em alguma infraestrutura, em condições
mínimas para esses (e outros, inclusive brasileiros) médicos
exercerem satisfatoriamente o seu trabalho. De fato, não sei
qual o número de profissionais que temos na federação,
nem se é o suficiente para atender satisfatoriamente à
demanda. O que sabemos, de fato? O que se fala, desde que me entendo
por gente, e vocês também?! É que os
profissionais da área da saúde, mesmo com promessas de
salários faraônicos, não aceitam trabalhar em
regiões 'remotas' e isoladas, não somente por serem
remotas e/ou isoladas, mas também porque não há
as mínimas condições para se exercitar a
profissão, as prefeituras, o governo, o poder público,
ou a iniciativa privada, ou de grupos sem fins lucrativos, não
oferecem-lhes essa oportunidade. O programa Mais Médicos seria
mais eficiente se fosse “Mais Hospitais”. Sei lá, eu acho!
Outra
coisa, é que o governo federal contratou outros médicos
estrangeiros no programa Mais Médicos, mas não fez o
mesmo quanto aos médicos cubanos, esses não estão
dentro do programa, ao menos, do jeito que eu entendi esse programa.
Não serão empregados pelo SUS. Não receberão
o mesmo salário, não terão os mesmos direitos,
como o de ter por perto suas famílias, ou o de escolher aonde
querem ser lotados, por exemplo. Os médicos cubanos são
outro programa do governo federal, como mencionou um amigo, são
como aquela empresa, ou cooperativa, que o governo contrata
terceirizada, para executar serviços onde falte pessoal
especializado da própria autarquia.
Nada
contra, eu repito, os cubanos virem para cá, há anos
têm ido pra Flórida e ninguém é contra,
também. Mas, se não observarem essas duas pequenas
condições que expomos acima, não posso ter nada
a favor, também. Aos cubanos que estão chegando – e
que em breve estarão desembarcando também aqui em Porto
Alegre – posso apenas recepcioná-los com um “sinto
muito”...
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Acordei Cansado
Hoje
acordei cansado. Hoje acordei querendo que ainda fosse ontem,
querendo mais duas horas, pelo menos, de sono. Acordei desejando
dormir apenas o dia inteiro. Mas não sei se adiantaria, pra
acabar com todo esse sono e todo esse cansaço, que ora sinto.
Parece que tenho trabalhado duro, nas horas em que estou dormindo.
Parece que tenho andado pra caramba, por muitos lugares.
Em
um sonho, estou fazendo compras num misto de mercadinho, ou
taberninha, com lojinha de conveniência de posto de
combustíveis. Sou barrado na saída, porque em frente à
porta de vidro estacionaram uma moto, dentro do estabelecimento!
Quando consigo sair, dou de cara com meu irmão, saímos
juntos, conversamos enquanto caminhamos, por uma estrada de chão,
que supostamente nos leva pra casa.
No
outro, estou indo numa casa lotérica, para pagar uma conta e
“fazer uma fezinha”. Até anotei os números, mas não
me serviram de grande coisa, ainda. Em outro, vou buscar minha
“filha”, no cursinho, ou na escola, parece, no Centro, para
almoçarmos, nesse vou de moto. Ainda em outro, viajava para o
Pará, ou o Paraná, a noite toda, dirigindo um carro
vermelho, e parava, de manhãzinha, para esticar as pernas,
próximo de um caminhão, cujo dono dormia debaixo do
dito, sob uma lona azul, em um buraco na pista, que até
parecia toca de tatu.
Por
fim, acordei de um sonho, com minha morena-sol, deitada, cochilando
em meus braços, em um sofá, aninhada feito uma gata e
reclamando porque não queria ter que acordar cedo. Pensando,
agora, bem que eu podia ainda estar lá...
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Elvis Até o Tucupi
No
dia de hoje(16/08), Elvis Presley faz aniversário... não,
não é de nascimento: é que, no dia de hoje, há
exatos 36 anos, o cantor teria morrido, por causa de uma overdose de
remédios para dormir, ou qualquer coisa assim. Pelo menos,
como diria o radialista amazonense Waldir Correa, é o que a
História conta!
Se
você procurar no Google, até, lá vai ter a mesma
informação! Claro, agora se buscar no Google o nome
'Elvis Presley', acrescido de 'teoria da conspiração',
vai encontrar várias outras informações que
contradizem a 'versão oficial'. Os teóricos da
conspiração, por exemplo, dizem que Elvis Presley não
morreu coisa nenhuma, que ainda estaria vivo até hoje, andando
por aí, belo e faceiro!
Enfim,
dizem também que nem Micheal Jackson, nem Jim Morrison teriam
morrido; que Paul McCartney, este sim, teria morrido num acidente de
moto, nos anos 60; que o assassinato de John Lennon teria sido
engendrado pela CIA e o MI6; que Bruce Lee teria sido morto pela
máfia chinesa, em Hong Kong, etc.
Dizem
alguns teóricos
que Elvis teria cansado de fazer shows em Las Vegas, da fama, etc, ou
que teria entregue à CIA alguns artistas simpatizantes da
URSS, nos tempos da Guerra Fria, e que, portanto, precisava e
desejava deixar tudo pra trás, mudar de identidade, pra isso
forjando a própria morte e desaparecer das vistas de todo
mundo, possivelmente se refugiando no Hawaii, ou nas Ilhas Virgens.
Mas, por que justamente o 50º Estado norte-americano?! Bom,
Elvis fez uns filmes por lá e, dizem, gostou muito do lugar,
coisa e tal. Por isso mesmo, deveria ser o primeiro lugar onde
procurariam o rei do rock, assim que os boatos sobre sua morte ter
sido forjada começassem a aparecer, certo!?
Pois,
presumindo que realmente
Elvis Presley tenha cansado da vidinha de astro pop semi-decadente,
fazendo shows pra turistas nos cassinos de Las Vegas... ou aquela
outra versão... ele talvez tenha pensado em todos os prováveis
lugares mais isolados, dentro dos Estados Unidos, imaginou que o
único onde ninguém nunca teria coragem de procurá-lo
não seria o Hawaii, mas sim o Alaska! Só que ele
detestava o frio, não conseguiria ficar por muito tempo em um
lugar onde o inverno dura os 365 dias do ano. Ele, então,
pensaria em procurar outros lugares, em outros países. O mundo
é grande, mesmo dividido em 2, como estava na época,
era muito grande, ainda! Lugar para sumir era o que não
faltava.
Então,
Elvis Presley teria
levado um bom tempo, lendo National Geographic, lendo mapas e livros
de geografia, pesquisando revistas e prospectos de agências de
turismo, em busca do melhor destino onde esconder-se e mudar de vida.
Digamos que ele tenha escolhido o Brasil. Pensa inicialmente no Rio
de Janeiro... mas aí lembra que muitos dos seus compatriotas
costumam visitar com frequência essa cidade costeira
brasileira. Alguns amigos seus, inclusive, já lhe mostraram as
fotos de férias tiradas lá. Mesmo sendo o Brasil,
precisava ser um local pouco conhecido, pouco explorado,
principalmente por seus compatriotas! Digamos que Elvis, então,
se depara com uma bela foto da floresta amazônica, ao lado da
qual há uma legenda que diz: “near of
Manaus”.
Ele
então se resolve,
traça um plano infalível, ajeita os últimos
detalhes, conta com a ajuda de um amigo, já expert em mortes
simuladas, inclusive a própria, em 1973... e é dado
como morto, colocando no caixão o corpo de um indigente
bastante parecido em seu lugar, para ser velado e enterrado.
Tempos
depois, com uma nova
identidade, seu amigo e ele embarcaram num vôo para o Rio de
Janeiro, provavelmente saindo de Miami, e lá chegando, pegam
um ônibus, ou carona com caminhoneiros e viajantes até o
Pará, até o rio Amazonas, onde pegam um barco que os
leva até o porto de Manaus.
Chegou,
estabeleceu-se num bairro mais ou menos distante do Centro e, pra não
levantar suspeitas, começa a trabalhar carregando frutas e
pescado pelo rio Negro e igarapés da capital amazonense e
cidades próximas. Depois de alguns anos, quem sabe, levantou
uns trocados e comprou uma banca, em alguma feira da cidade, tipo a
da Pan Air... e lá ficou vendendo tucupi, banana, peixe,
farinha, essas coisas...
Quando
o senhorzinho, que até então falava, contando essas
reminiscências, se deu conta, o seu amigo chinês, que já
lhe cutucava há um bom tempo, aprontava um soco de uma
polegada para calar o velho. E quase todo mundo, naquele bar na beira
do barranco que desce para o rio Negro, o escutava com mais atenção.
Seu Élvio, como lhe conheciam nos Educandos, deu uma
pigarreada, desconversou, enrolou a língua, aparentando estar
meio grogue: “É, bom... enfim, isso é história
que o povo conta, né mermo...?!”
Levantou-se,
foi até o balcão, cochichou algo no ouvido da dona
Arminda, dona do bar, que lhe entregou uma chave, com olhar
desconfiado. Seus passos eram acompanhados pelos frequentadores, meio
trôpegos. Voltou, entregou a chave, agradeceu, pediu mais uma
Cerpa “tinindo de gelada”, pediu também uma ficha, foi até
a jukebox no outro canto do bar. Depositou a ficha, escolheu algumas
músicas e, assim que a voz inconfundível de Nunes Filho
começou a entoar “Estou subindo pelas paredes”, se pôs
a dançar sozinho, para os risos dos presentes e tranquilidade
do Véio Jack.
Arrivals & Departures
Domingo
de sol masseta e temperaturas agradáveis e eu fui no aeroporto
ver os aviões decolar e aterrissar. Fui ver as pessoas
partirem e chegarem, fui ver as pessoas se despedirem e recepcionarem
os parentes e amigos que vieram, ou estavam indo pra longe. Cada
avião que descia, eu imaginava de onde vinha, seus
passageiros, por quê vinham para cá. Cada avião
que subia, imaginava qual seria seu destino, arriscava uns palpites:
"este vai para o Rio, aquele vai para São Paulo, o outro
lá vai para Salvador, ou Fortaleza..." e o papagaio
charão dentro de mim, balançava com alvoroço as
asas e sussurrava: "tu bem que querias estar levantando voo num
desses, né!"
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Mãos de Frankenstein
Minhas
mãos, elas me apavoram. Elas são grandes, são
feias, aparentam rudeza, aparentam rusticidade. Meus dedos não
são longos, nem finos, nem compridos, são largos! Não
tenho dedos curtos, pois não seriam proporcionais. Não
tenho mãos para segurar a pena, escrevo de teimoso, tenho mãos
é pra segurar uma pá, uma enxada, uma marreta... tenho
mãos de pedreiro, mãos de boxeador, mãos de
padeiro – pra socar bem a massa do pão, pra isso tenho boas
mãos! Quem vê minhas mãos, não consegue
imaginá-las fazendo um trabalho artesanal delicado, ou
carinhando um gatinho, um cachorrinho. Não consigo imaginar
uma garota imaginando minhas mãos a lhe acariciar o rosto, os
cabelos, o corpo, etc. Tenho mãos é de verdugo, mãos
de lutador de UFC, mãos que poriam medo no Spider. Eu mesmo
tenho medo das minhas mãos! Não sei do que elas são
capazes. Sobretudo no frio, sobretudo no inverno, elas me metem medo.
Elas ficam geladas, ficam roxas, parecem grandes mãos de
defunto, de mordomo de filme de terror, parecem, sei lá...
mãos de Frankenstein!
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Vinte Dias dos Pais
Amanhã
é domingo, é Dia dos Pais. O vigésimo! Já
fazem 20 anos! Parece que o vi ainda ontem. Parece até que não
faz muito tempo, ele me criticou por minhas posições
políticas, tão revolucionárias, tão
conservadoras e tão radicais. Parece que foi no meu último
aniversário que ele me deu aquele exemplar de “Aventuras de
Tibicuera”, do Érico Veríssimo. Na verdade, eu devia
ter uns 11, 12 anos, quando ele me presenteou com esse livro, que li
e reli, várias vezes depois. “20 Mil Léguas
Submarinas” e “As Aventuras de Tibicuera” foram minhas portas
de entrada para o mundo dos livros, para o gosto pela literatura.
Sim,
já fazem 20 anos... nem parece que fazem tantos anos, desde
que fomos pela primeira vez ao cinema. Ou desde a última vez
que ele nos levou para passar as férias na praia, em Floripa.
Já se vão vinte... vinte dias dos pais sem o meu, sem
ele por aqui. Parece que foi ontem, a nossa última briga,
antes da madrugada em que ele sofreu o segundo e fulminante infarto.
Parece que ele não levou mágoas ao desencarnar. Ele me
visitou em alguns sonhos, depois daquilo. Me ofereceu bons conselhos,
me deu boas idéias para um conto, um poema, um texto... tantas
e tantas vezes! Me deu conselhos amorosos. Em um sonho que tive pela
primeira vez com ela, foi ele quem me fez perceber, enfim, que tinha
me apaixonado. Ele foi quem me disse pra arriscar e persistir, “caso
valesse a pena”.
Vinte
anos sem ele, imagine. Vinte Dias dos Pais sem meu pai. Parece
incrível...! ele, ainda assim, continua sendo meu guia, meu
melhor amigo. Vinte anos sem sua presença física e nem
parece que ele esteve, sequer um dia, longe!
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
De Conchinha
Eu
só queria... eu gostaria... ah! Como dizer...?! Não sei
escolher as palavras certas.
É
que, neste momento, eu só queria... é que eu
desejaria... eu gostaria... ah! Como é difícil!!
O
que eu queria fazer... o que quero te dizer é... eu
gostaria... queria ser... bem...
Queria
ser, neste instante, a tua concha, a tua ostra, tua vieira, quem
sabe, o teu marisco da pedra, ou da areia, do mar, ou do rio-mar,
talvez... queria mesmo que você fosse minha jóia, meu
tesouro, meu relicário, minha pérola negra, talvez,
quem sabe... queria mantê-la aconchegada, segura, protegida.
Queria,
neste momento, talvez, estar cheirando teu cabelo, deitado, com você
ressonando nos meus braços... queria dormir de conchinha com
você. Só não sei como dizer isto...
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Besta Romântico
Peço
desculpas. Sim, eu assumo, sou mesmo um cara romântico, não
tenho como negar. E nem acho que isso seja motivo de orgulho!
Porque
é fato, cê tem que ser tolo, tem que ser muito leso, pra
ser romântico, num mundo de fanfarrões.
Me
finjo, ou me sinto um pouco poeta, recorto e colo, na minha mente, na
linha do tempo, na linha da vida da palma de minha mão, frases
e textos, e sentenças sentimentais, às vezes, tenho
lampejos e crio as minhas próprias sentimentalidades, da minha
própria verve, da minha própria lavra.
Pra
ser romântico o cara tem que ter perdido o senso de ridículo,
não temer soar brega, expor sem medo sentimentos, ideias,
desejos, pensamentos tolos, pieguices. Romântico é
tímido, digo isso porque eu sou tímido, mas não
conheci ninguém romântico(a) e “descolado(a)”. Sei
ser zueiro, travestido no meu personagem topetudo, principalmente,
mas não sei ser boçal. Não existe ninguém
romântico(a) que seja fanfarrão e boçal!
Romântico
não tem muito senso de realidade, romântico é
sonhador demais. Ser realista, parece, é meio incompatível
com romantismo. Uma coisa é tentar forçar a realidade,
fingir que a ignora. Romântico apenas não a percebe, se
recusa a aceitá-la, às vezes.
Por
exemplo: não vejo sentido nisso, não tenho como crer
que seja possível, me recuso a crer que não deva
desejar, querer (alguém como) você. Não consigo
ver empecilho. Me recuso, terminantemente, a aceitar que não
mereça (alguém como) você, que não mereça
ter/fazer parte da vida de alguém (como você). Não
consigo ver nada de errado em desejar ter uma boa voz, algum talento
em tocar um instrumento, pra fazer uma serenata, cantar-lhe alguma
canção romântica. Não vejo o que há
de errado em desejar esquentar seus pés nas noites de frio,
desejar ser sua concha, lhe abrigar no meu abraço, ou debaixo
do meu iglu, ser seu Porto Seguro, balançar na rede e molhar
os pés no mar ao seu lado. Não encontro nenhum problema
em querer completar as suas músicas! Eu sei, é um
defeito muito grave...
Romântico
não pensa, diz o que lhe vem, deixa pra se arrepender depois.
Seria, sim, mais fácil 'dar pedradas' e, se não dessem
certo, dar risinhos, pra não deixar um clima tenso. Coisas de
fanfarrões, no entanto, não de românticos. Não
consigo ver graça nisso. Se gosto, gosto, tenho de dizer, pra
todos ouvirem, verem. Gosto de flores, de oferecer canções,
de namorar sorrisos, mesmo de longe... de admirar sua aparência,
seus gostos, suas músicas e filmes favoritos... de dizer estas
sentimentalidades num texto, de jogar palavras ao vento, na esperança
de que você as pegue no ar, que te façam, pelo menos,
sorrir, quem sabe algumas guardar para si...
Romântico
tem que ser esperançoso, e também teimoso. Romântico
pode não saber definir o que sente, se você der uma
definição para aquilo, ele dará de ombros e
dirá, “seja o que for, que seja, então”.
Pois
é, eu sei, posso estar errado em ser assim, este é meu
maior defeito. Peço desculpas, mas na verdade, até que
gosto.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Universo Particular
Já
construí um iglu, um abrigo pra me(nos) proteger do frio
intenso, pra esquentar meus pés cansados e gelados, pra
esquentar minhas mãos doloridas e congeladas, para acender a
lareira e preparar um capuccino pra você. Por que diabos acho
romântica a ideia de te fazer um capuccino?! Ah, sei lá,
pouco importa, só tenho a vontade de fazê-lo!
Agora
construí um lugar muito mais legal. Um lugar bastante amplo,
repleto de janelas, tem até uma clarabóia no teto,
inundado da luz do sol, onde não entra calor, nem frio, tem
plantas e folhagens, algumas orquídeas, algumas hortênsias,
meus livros, minhas revistas, os jornais do dia, com todas as
notícias que vale a pena se saber, todas minhas músicas
favoritas, todos meus filmes, séries e desenhos preferidos.
Uma escrivaninha, repleta de manuscritos, com tudo o que já
escrevi e tudo que ainda vou escrever, todos os pensamentos, textos,
planos pra melhorar o mundo, invenções exóticas,
desenhos de projetos e esquemas de vida, filosofias, romances que
comecei e não terminei, alguns que nem bem comecei a imaginar,
poesias e prosas inspiradas no teu sorriso, numa música que
gostas, e em você. Objetos e fotos da infância,
espalhadas pela sala, em molduras e porta-retratos por todo lado,
mobílias e memórias de cada momento que tive, de
solidão, de alegria, etc, de cada vez que te fiz rir. Minhas
praias, minhas cidades, cada um dos meus lugares favoritos, daqueles
que já fui trocentas vezes, ou uma só, daqueles que
ainda não fui, mas quero ir, daqueles que gostaria de te
apresentar, daqueles com que sonho, daqueles que me fazem acalmar e
pensar. E todos meus amigos, todas minhas famílias, a que
tenho, a que me tem, aquela com que sonho, desde menino, todos meus
bichos, gatos e cães, e até o porquinho da Índia,
que tive aos 8 anos. E todos meus amores, passados, presentes,
futuros, eternos!
Se
quiser deixar algo de seu, ficarei grato, guardarei com todo cuidado
e com todo carinho. Aqui cabe tudo, cada impressão, cada
experiência, cada desejo, cada pensamento, cada sentimento. Bem
vinda ao meu universo particular!
quarta-feira, 17 de julho de 2013
No Meu Iglu #2
Aqui,
dentro do meu iglu, estamos protegidos das intempéries que
caem lá fora; nem chuva, nem vento e nem granizo podem invadir
e derrubar essas paredes. O frio, aqui, não entra nem com
nojo, pode fazer cem graus abaixo de zero, pode cair a maior nevasca
do mundo, lá fora, que aqui dentro estaremos seguros e
quentes.
Construí
o meu iglu para me entocar e fugir do frio gélido que me
persegue, me irrita os olhos, congela meu nariz, pés e mãos,
congestiona as vias respiratórias, etc.
Construí
meu iglu para não deixar o frio e as pessoas chatas entrarem,
para o calor e as pessoas que gosto não quererem sair, com
paredes grossas de tijolos pesados e inteiriços, revestidas
com peles de urso polar, de morsa e de lobo. Fiz uma cama enorme, num
quarto espaçoso e ricamente decorado, cheia de almofadas,
travesseiros e cobertores, onde, se você deitar, não
quererá mais levantar! No meio de meu iglu fica a lareira, que
também nos serve de fogão de pedra, à lenha,
coloquei sobre as chamas uma grelha, onde assamos uns bons bifes,
como numa parrilla e uma chaleira começa a chiar, com a água,
que começa a ferver, para um delicioso capuccino, que estará
à sua espera, pra te esquentar, quando você chegar,
sacudindo os casacos, salpicados de flocos de gelo e batendo as
botinhas na soleira da porta. No meu iglu tem um confortável
divã, bem do lado de minha poltrona, onde você pode se
refestelar, colocar os pés pra cima, observar o fogo da
lareira, saborear o café, conversar sobre o frio e as coisas
do dia-a-dia, assistir ao noticiário na tv, escutar uma boa
música, aconchegar a cabecinha em meu ombro e esquecer dos
problemas. No meu iglu posso desfrutar do teu sorriso, da tua risada,
da tua voz, do teu perfume, da tua companhia, chego quase desejar que
o inverno nunca mais vá embora. Um dia, quem sabe...
terça-feira, 16 de julho de 2013
No Meu Iglu
Bicho,
tá muito frio, tá frio demais! A noite passada e a
madrugada foram geladas! Quem diz que gosta de frio não
conhece o frio, não faz ideia do que passei, não
imagina nem o quão desconfortável se sentiria.Tente
imaginar um corte de carne fechado dentro de um frigorífico,
como se sentiria. Tente ao menos imaginar o que aquele frango
congelado dentro do freezer te diria sobre as 'maravilhas' do frio
congelante, se pudesse! Se isso ainda não adiantar, ponha a
cabeça dentro do freezer e mantenha-a assim por uns dez
minutos! Sim, será bem divertido...
Já
dissemos antes, frio é bom pra comer e pra dormir. Às
vezes penso, poderíamos ser como os ursos e os jacarés,
irmos dormir no inverno e acordarmos apenas na primavera. Só
que algum dos nossos antepassados resolveu não proceder assim
e cá estamos. Correndo para pegar o trem, para sair da rua
gelada, para chegar o mais rápido possível em casa,
comer qualquer besteira a título de jantar e correr para
debaixo das cobertas, assistir um pouco de tv e dormir, o máximo
possível, encasulado como uma lagarta, para transformar-se em
mariposa. Dureza é enrolar e aquecer bem os pés, isso
costuma levar horas, e quando você enfim consegue, já é
hora de levantar.
Mas
essa noite eu consegui, descobri uma maneira! Peguei todos os
cobertores à disposição, mais meu edredom,
construí um iglu, lá dentro forrei as paredes com peles
de lobos, ursos polares e morsas, fiz uma cama quentinha, acendi uma
fogueira, pus uma água para esquentar e fazer um capuccino,
até ajeitei um lugar aconchegante, bem do meu lado, pra
esperar você, pro caso de, algum dia, quem sabe, talvez, você
quiser vir passar um pouquinho de frio. Meu iglu foi feito numa noite
e já tem lugar pra dois.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Recorrentes
Estou
numa estrada. Numa via muito larga, lá ao fundo, depois de um
capinzal, há os contornos de uma galpão, ou depósito
antigo, ou qualquer coisa assim. Vários ônibus de cor
vermelha, ou alaranjada, parados em fila dupla, no acostamento.
Parece que não sei bem onde estou, que sei apenas que preciso
ir embora, já é tarde, não sei direito como. Um
motora de camisa cor de rosa aponta para uma outra estradinha, escura
e ladeada por árvores sinistras, parece que diz, depois
daquela estradinha encontrarei uma estação de trem, de
metrô, algo assim. Não sinto exatamente medo, vou para
lá, percebendo logo que, além de muito pouco iluminada,
a estradinha é mais comprida do que imaginava. Espero
encontrar uma plataforma de metrô moderna, mas quando chego ao
fim da estrada, vejo o que parece uma antiga estação de
trem, daquelas que há no interior do estado, antiga e
aparentemente fechada, um poste de luz aceso, apenas e uns trilhos
cobertos por mato, como se estivessem abandonados.
Antes,
ainda: estou chegando numa estação rodoviária.
Parece a de Porto Alegre, até, só talvez um pouco
menor. Novamente é noite, a estação parece quase
vazia, apenas um mendigo deitado sobre papelões, que me
cumprimenta, um casal de velhinhos num outro box, umas pessoas que
não consigo distinguir muito bem, pois estão mais
longe. Parece que vejo uma menininha correndo lá adiante, mas
não tenho bem certeza. É noite, é tarde, estou
procurando, parece, um lugar para lanchar, mas não tem, está
tudo fechado. Estou com uma mala, estou esperando o ônibus, pra
onde, não sei, só sei que vou viajar. Pra algum lugar,
qualquer lugar, enfim, pouco importa.
Sim,
são sonhos e o sonho, por si só, é uma viagem.
Parecem ser recorrentes, os cenários eram diferentes, mas o
motivo era o mesmo, a viagem. A viagem da vida? O desejo de viajar,
partir, pra qualquer lugar, apenas mudar de ares? Estarei prestes a
viajar, ir para algum destino que ainda ignoro? Será a grande
viagem se aproximando? Bem, não é o que se espera, mas
não descartamos possibilidades. Vai que...
Bem,
nos sonhos, a alma cigana se manifesta de alguma forma.
Os Grevistas vs. Os Manifestantes
Oh,
sim, eles conseguiram, em parte, o que pretendiam. Boicotaram a
proposta de paralisação no início do mês,
deixaram passar esses dez dias de calmaria, sem protestos, e forçaram
uma greve geral, um dia nacional de “lutas”... os sindicalistas
fecharam estradas, bancos e escolas, conseguiram o que queriam,
tiveram a sua própria manifestação, tiveram de
volta as câmeras e holofotes, tiveram a chance de divulgar as
suas velhas, batidas, surradas pautas de reivindicação.
Ok!
Como
dissemos, os grevistas conseguiram apenas parte
do que pretendiam. Não se pode ter tudo. Não foi o que
nos disseram? Eles esperavam nos ludibriar, acharam mesmo que iam nos
convencer, não apenas que têm força, que
conseguem parar o país e pressionar os políticos, os
grandes empresários e a grande mídia (esse último,
eles não tentaram). Acharam também que nos convenceriam
que estiveram, todo o tempo, do nosso lado, apesar de alguns
comentários ácidos sobre os protestos dos meses de maio
e junho, emitidos por dirigentes das suas agremiações.
Quiseram mostrar que estavam lutando pelas mesmas bandeiras dos novos
movimentos, como o do Passe Livre, de São Paulo, pedindo-nos
apenas para ignorarmos a sua ligação com partidos
políticos tradicionais, muitos dos quais, do governo e/ou base
aliada. Seus comandantes, um tanto arrogantes e soberbos, imaginaram
que conseguiriam trazer os manifestantes para o seu lado, que teriam
o apoio e a adesão dos novos movimentos à sua marcha
programada, com apoio velado dos partidos, no momento, afinal de
contas, né... achavam que iriam colar a sua imagem à
dos manifestantes dos protestos de maio e junho mas, como no caso dos
militantes partidários, dos vândalos e dos brigões,
os sindicalistas também
não representaram, hoje, aqueles manifestantes.
Sabemos
o que foi dito na tv, provavelmente nos portais e sites de notícias
e o que será dito na revista Veja da próxima semana –
possivelmente concordando, pela primeira vez na história, com
a Carta Capital – que houveram “manifestações” no
tal “dia nacional de lutas”. Sabemos, também, que essa
afirmação, além de falsa, pretende induzir ao
erro. Não houveram manifestações me parte
alguma. O que houve, em maio e junho, foram manifestações
organizadas “de forma desorganizada”, por várias pessoas,
em vários lugares, ao mesmo tempo, através das redes
sociais, isso nós sabemos, vocês sabem, todo mundo sabe,
são protestos compartilhados por vários novos
movimentos apartidários, nem por isso apolíticos. O que
houve hoje foi uma paralisação, um feriado informal,
uma greve “geral”, como tantas outras que houveram antes, até
2002, mais ou menos, curiosamente só até 2002, quer
dizer, houve uma greve geral após mais de dez anos de
calmaria, hoje. São coisas diferentes! A despeito do que duas
das maiores empresas de comunicação do Rio e São
Paulo disseram, em seus noticiários regionais e nacionais, os
sindicalistas não são, não representam, muito
menos hoje, os novos movimentos, os manifestantes, ou as vozes das
ruas. A greve “geral” não tem, não teve, nada a ver
com as manifestações e protestos anteriores, tanto que
os sindicalistas e os grêmios estudantis foram pegos de calças
curtas, tanto quanto a grande
mídia
e os políticos. São dois movimentos diferentes,
distintos. Esse de hoje fingiu que ouviu a voz daqueles do mês
passado, embora não tenham aprendido nenhuma lição
e, sendo assim, permanecerão como os políticos e a
mídia: destoantes daqueles novos movimentos!
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Tem Culpa Quem?!
Olhaí
como estão as coisas no nosso Brazil varonew! Os mensaleiros
foram condenados, mas estão por aí, soltos, uns já
até voltaram ao Congresso! O STF tá bancando, com o
nosso dinheiro, as férias de familiares na Europa e na Disney!
E essas manifestações, então!? Bem no meio da
Copa das Confederações, atrapalhando a grande festa do
futebol MUNDIAL!! E esses vândalos da direita golpista (KK),
infiltrados no meio dos protestos pacíficos, só
causando confusão, atrapalhando o trabalho digno e honesto da
política na dispersão de manifestantes, destruindo
patrimônio público, saqueando lojas e magazines. QUE
VERGONHA!! E esses reacionários safados, agora quebraram a
cara, hein! Hein!? Tentaram convocar greve geral, mas não
levaram! Os partidos políticos, que tão bem representam
todas correntes ideológicas (KK) brazileiras, não
conseguiram se impor nas últimas manifestações
mas as centrais sindicais, que estas sim, representam muito bem a
classe trabalhadora – e ganham uma boa beirada do governo e
partidos, pra isso – não deixaram esses golpistas se meterem
naquilo que não conhecem e pararem nosso amado país,
ainda mais logo após uma vitória acachapante da nossa
seleção, em uma emocionante final de copa! Queriam
fazer feriadão e baderna, é, maninho?! AQUI, NÃÃÃOOO!!
Mas
a gente sabe bem de quem é a culpa de tudo isso! Este país
tá do jeito que tá por culpa do FHC!!
HEIN?!
COMO É?? TEM CULPA QUEM?!? Você ainda está
buscando culpados?! Estão alardeando que a culpa é
toda de Dilma, que é de Fernando Henrique, alguns poucos, à
boca pequena, sussurram que o grande culpado, de verdade, é
Luiz Inácio... outros dizem que foram os militares – não
te duvido – Fernando de Mello, Dom Pedro I, Dom João VI,
Pedro Álvares Cabral... gentes que, dizem as lendas, têm
até toadas sobre, pro cd do bicentenário, sempre
lutaram pelos trabalhadores, pelos jovens, pelas minorias, pelo
povo, pela gente, enfim, dizem que as manifestações
são meros devaneios tolos de um povo alienado e acomodado,
que nem bem acordou, já teria voltado a cochilar. Gente
séria, bem intencionada e honesta tem repetido quanto à
greve geral, aparentemente convocada pelos mesmos grupos
das manifestações,
as mesmas bobagens ditadas acerca dos protestos. Naqueles, sem os
partidos, sem uma liderança e sem um foco – de preferência,
um catalisador “seguro” aceitável – para a indignação
geral, nada daria certo, nenhuma pressão surtiria efeito, os
nossos governantes continuariam cegos e, em pouquíssimos
dias, iriam estar desmobilizados. Era com o que contavam, mas...
enfim! Pois, nesta, sem o aval das grandes forças e centrais
sindicais, que ultimamente, como no caso dos partidos, não
têm mais cumprido com sua função primordial de
representação das classes trabalhadoras, trocando isso
por um alinhamento com o patronato e os governos, não haveria
como mobilizar os trabalhadores e parar o país, por motivos
“suspeitos” e “golpistas”!
Oh,
sim, realmente, está tudo normal... fora uns ônibus
queimados, linhas que não circularam, ou que saíram
com uma hora de atraso. Fora as escolas públicas, que
amanheceram sem aulas. Fora o trem urbano, que passou em “operação
padrão”, mais lento, por conta de “fissuras” nos
trilhos. Não pararam o país, só fizeram ele
andar mais devagar! Muito bem, senhores líderes sindicais,
vocês conseguiram, nos venceram! E de quem é a culpa,
mesmo?! Desse país bitolado, desse grenalismo globalizado e
mal disfarçado, das manipulações de informação,
que dizem ser praticadas por aquela grande rede de comunicação
carioca e por aquela grande revista semanal paulista, embora aceitem
as informações dúbias de uma revista de
importância capital e de uma rede de comunicação
pertencente àquela igreja neo-pentecostal... de quem é
a culpa?! Quem é o grande culpado? Será o
“neoliberal”, apenas um dos maiores pensadores de esquerda do
país? Será a “guerrilheira”? Será o
“torneiro mecânico”? Ou, quem sabe, será o “caçador
de marajás”? Tem culpa quem, afinal? Tem culpa eu? Tem
culpa tu?! Te digo, sem medo de errar: tem culpa nós, e não
adianta nada procurar inimigos infiltrados, ou conspiradores
malignos, a serviço do grande cão americano, dos
generais de Cuba, ou de quem quer que seja! Somos nós quem
tem que arrumar essa bagunça toda!
terça-feira, 25 de junho de 2013
Grenalizando - Você Está Fazendo Isto Errado!
O
Rio Grande do Sul é uma província com mais contrastes
do que possa imaginar sua vã filosofia. Tem uma riqueza
cultural e uma diversidade étnica muito pouco difundidas. O
Rio Grande do Sul tem muitas tradições e
peculiaridades. A bombacha, o churrasco, o chimarrão, o
orgulho gaúcho, o passado revolucionário, tudo isso
todo mundo já conhece, até mesmo no Brazil. Mas há
uma tradição que é daqui, é pouco
divulgada, na periferia da qual fazemos parte, chamada Brasil, e é
simplesmente ignorada no país desenvolvido e civilizado do
Sudeste: a grenalização!
Primeiro,
caro turista, um pouco de história, vamos às origens da
grenalização! Há quem diga que essa nossa
tradição remonta aos tempos da Revolução
Farroupilha. Não, isso é um engano da parte de alguns
historiadores gaúchos e brasileiros. Ao contrário do
que nos foi ensinado, até há uns 15 anos, nas carteiras
escolares, a motivação principal e primordial dos
farroupilhas não era política, nem social, mas sim, de
ordem econômica! Só um pequeno grupo é que trouxe
à pauta dos revolucionários a República e o
abolicionismo. Enfim, mas essa tradição começou,
de fato, com uma revolução: a Federalista, de 1893,
quatro anos após a proclamação da República.
Acontece que, após o golpe que depôs Pedro II e derrubou
o velho sistema monarquista, não se modificou muita coisa, por
exemplo, mudou-se apenas a denominação das unidades da
Federação, de Províncias para Estados. Os
federalistas do Rio Grande do Sul defendiam, justamente, a
descentralização política e uma maior autonomia
dos Estados, em relação ao governo federal, coisas que
o novo regime, provavelmente, deve ter prometido e depois não
trouxe. A partir dessa época é que se começou a
tradição, pois, na Província de São
Pedro, todos, de alguma forma, tomaram partido, todos se
posicionaram, ou favoráveis à revolução,
à causa do federalismo, ou à manutenção
do poder central, ou seja, das tropas legalistas. Daí por
diante, todo mundo tinha de se definir como alguma coisa, ou como
maragato (federalista), ou como chimango (governista).
“Tá,
mas de onde surgiu a expressão 'grenalismo'?” Bem, caro
turista, imaginamos que você saiba que há dois grandes
clubes de futebol, que monopolizam as paixões, por aqui, o
Sport Club Internacional e o Grêmio de Football
Porto-alegrense. Aqui não há outros times que rivalizem
em grandeza, nem em conquistas, aos dois maiores, ambos da capital da
província. Há, portanto, uma dicotomia futebolística,
mais ou menos como a dicotomia política, dos tempos de guerra
civil, aqui, ou você é colorado, ou é gremista. O
grande clássico de futebol já surgiu, nos anos 1910,
com essa divisão e, lá pelos anos 1940, ganhou a
alcunha de gre-Nal. E até que faz sentido!
Então,
assim é que surgiram, posteriormente, as expressões
grenalismo, grenalização, grenalizar e
por aí vai! Grenalizar nada mais é do que a atitude,
bastante gaúcha, como você agora já sabe, de se
posicionar, de ter uma opinião sobre absolutamente tudo – ou
quase – seja a favor, ou contrária. Aqui se é, ou
colorado, ou gremista; ou revolucionário, ou conservador; ou
de esquerda, ou de direita; ou governista, ou oposicionista – é,
ainda temos alguns maragatos e chimangos; ou getulista, ou brizolista
– algumas vezes, ambos ao mesmo tempo, mas são casos raros,
como papai, por exemplo.
Sim,
algumas vezes essa tradição pode ser um tanto incômoda,
às vezes causa transtornos e atrapalha o desenvolvimento da
província. Vários projetos importantes, por exemplo,
estão empacados, muitos deles, há mais de 20 anos, por
causa da nossa atitude grenalista. Quando o governo quer avançar
algum projeto de importância, a oposição
atrapalha. E vice-versa...
Recentemente,
caro turista, percebemos – e você também, agora,
estando de posse destas importantes informações pra
toda vida – que a turminha animadinha lá do grande país
desenvolvido e civilizado do Sudeste, que tem liderado por lá,
as manifestações pela redução das tarifas
do transporte público, contra a corrupção, pelo
respeito à diversidade, contra as PECs 33 e 37, contra os
gastos exorbitantes com os eventos FIFA, etc, assim como a grande
mídia do “centro” do país e alguns partidos
políticos da ala governista, têm grenalizado a parada
toda – e o pior, como se soubessem fazê-lo! A título
de curiosidade, caro turista, pergunte a qualquer membro do MPL
(Movimento pelo Passe Livre, SP) se ele sabe que está
grenalizando o próprio movimento e os manifestos e se sabe o
que quer dizer grenalizar. Surpreenda-se se ele souber, amigo
turista! Alguns partidos da base governista (federal, que fique bem
claro) tacharam manifestantes apartidários de “grupos
nazi-fascistas infiltrados” por estes não admitirem que
militantes dos referidos partidos – ditos “de esquerda” –
participassem dos protestos, que, de certa forma, são CONTRA
eles! Uma repórter do canal de notícias afiliado da
grande rede de tevê dos bispos da IURD, falando sobre os
protestos em Porto Alegre e evocando a relação
“esquerda-direita”, diz que um jovem, que pichava, na imagem das
câmeras, um prédio público com o símbolo
ANARQUISTA, usava uma jaqueta de um “grupo radical de direita” –
sendo que os anarquistas não se inserem no grenalismo
político, por não serem favoráveis nem à
esquerda e muito menos à direita! Se trata de um grupo
radical, sim, mas anti-sistema (QUALQUER sistema), anti-governo
(QUALQUER governo), portanto... nem colorado, nem gremista, nem
maragato, nem chimango, nem de “esquerda”, nem de “direita”!
Preste atenção, caro turista! Eles estão
grenalizando a parada, e estão fazendo isto MUITO errado!
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Sejamos Racionais...
Faltou
bom senso. Pelo que vi por aí, pelo que andaram falando, a
respeito dos protestos, até sexta-feira passada, faltou e tem
faltado bom senso. A animação deste humilde blogueiro
com o despertar da população para todos os equívocos
de quase 20 anos de governo “de esquerda” – “ué, mas
não são só 10?” não, filhotinho, não
são – para tudo o que tem acontecido, para todas as pautas
que deveriam interessar mais
que o futebol e a novela desde sempre se esvaiu um pouco porque...
tem faltado bom senso! Na verdade, o bom senso, nestes últimos
dias, foi dar uma banda, não avisou pra onde foi e mandou
dizer que não sabe quando, nem SE, volta!
“Oh,
mas você estava vibrando tanto com as manifestações,
estava até feliz ao ver que o gigante despertou, e tals...”
Pois é, amigos, pois é! Tanto que há dias venho
pedindo pra galera não se desmobilizar, nos canais por onde
nos comunicamos, nas redes sociais e por este blog. Tenho reconhecido
que há uma certa ingenuidade de minha parte, um certo
otimismo, até, pelo fato de os manifestantes não
recorrerem às bandeiras dos partidos tradicionais e usarem a
sua própria voz para fazer suas reivindicações e
protestar, de principalmente não aceitarem nenhum
direcionamento político-partidário, quanto por quê,
ou contra quem, protestar.
Propus
a vocês não aceitar, muito menos tentar
dicotomizar o movimento,
grenalizar os manifestos, dividir e separar os manifestantes entre
“esquerda” e “direita”, “filhos da luta” e “filhos da
puta”, “revolucionários” e “reacionários”, o
“seu” lado e o “nosso”.
Eu
sei, sim, que não sou nenhum formador de opinião,
um Paulo Henrique Amorim, ou
Arnaldo Jabor, pra manipular as informações ao meu
bel-prazer e direcionar as opiniões de vocês. Nem quero
ser como nenhum desses dois aí! Mas sei, também, que
tinha uma galera aí mais respeitável e com muito mais
know-how pedindo
exatamente a mesma coisa que eu! A gente propôs aos militantes
não tentarem direcionar o movimento para as suas próprias
causas, a gente pediu pra tentarem compreender e escutar a voz das
ruas, a unirem-se, se assim o desejarem, às causas DOS
MANIFESTANTES, sem dicotomizar nada, sem eleger vítimas e
algozes, heróis e vilões. A gente pediu aos
manifestantes pra não deixarem de lado o caráter
APARTIDÁRIO do movimento, mas aceitarem a participação
dos militantes partidários, desde que estes aceitassem as
novas regras e abaixar as suas bandeiras.
A
princípio, a falta de bom senso vinha da parte dos
governantes, da força policial, dos meios de comunicação.
Tava fácil saber quem eram “eles” e quem éramos
“nós”. Agora, a falta de bom senso se tornou,
aparentemente, geral! Por debaixo dos panos, boa parte dos políticos
de carreira e grande parte da mídia nacional
novamente se juntaram e estão
conseguindo o que almejavam, desmobilizar os manifestantes e
direcionar a opinião de setores da sociedade, tão
“livres” e “engajados”, jogando-os CONTRA o povo nas ruas.
Está
certíssimo, manifestantes pacíficos e apartidários
não têm de agredir ninguém que milite nos
partidos políticos tradicionais. Ser contra os partidos
políticos e sua tentativa nefasta de cooptar o movimento não
dá razão a ninguém para levantar a mão e
espancar militantes da agremiação que seja! Por outro
lado, por que insistir em carregar bandeiras partidárias numa
passeata que está PEDINDO para NÃO se impor NENHUM
direcionamento político-partidário?! Por que querer
forçar e insistir, para quê tumultuar um movimento, só
para impor a sua ideologia e as suas pautas, que não têm
NADA a ver?! Assim não, companheiro...!
Dizem
que skinheads foram... “participar” dos manifestos! E você
acreditou?! Me diz, skinhead indo a uma manifestação
pacífica e apartidária – que alguns membros de
partidos políticos estão conseguindo tornar
ANTI-partidário – vai protestar contra... O QUÊ??! Me
diz, onde, em qual parte do teu mundo bipolar, espancar homossexuais,
negros e nordestinos é “protestar”?! ONDE quebradeiras e
saques são tidos como “manifestação da
indignação popular”?! Por favor, mate-me essa
curiosidade...
Eu
já falei aqui, vi os manifestantes lá no início,
antes dos paulistas se adonarem e rebatizarem o movimento de “Passe
Livre”. O movimento deu supercerto em Porto Alegre, onde tudo, de
fato, começou. A pressão popular surtiu algum
efeito positivo. E mesmo quando
decidiram pela independência política em relação
aos partidos tradicionais, nas se demonizou, nem hostilizou-se os
partidários, que aqui foram mais civilizados do que nos
“grandes estados brazileiros”. Mas, os novos “donos” do
movimento disseram que não vão mais chamar os jovens
para mais protestos. Os partidos, impedidos de participar dos
protestos CONTRÁRIOS a suas velhas práticas, a seus
membros no Congresso, governo E oposição, conseguiram
convencer parte da sociedade, boa parte dos revolucionários de
shopping center de que “a direita”, seja quem for, teria cooptado
o movimento e que um “golpe de Estado” estaria sendo armado
DENTRO dos protestos e manifestações mais recentes. Não
vi ninguém
dentre os que se definem de esquerda indo perguntar a algum
manifestante se tal informação era procedente. Um
vlogueiro paulista postou um vídeo no Youtube, “denunciando”
a “manipulação” da direita e vi muita gente de bem,
que considerava, até ontem, o jovem vlogueiro um mero nerd
tonto e neurótico, de repente, compartilhando o tal vídeo
e chamando a atenção para seus alarmismos e teorias
conspiracionistas, como se fossem “a grande revelação
por trás dos demoníacos protestos”! Dele nunca
esperei nenhum bom senso, mesmo, mas das outras pessoas... gente...
pensem um pouco, antes de regurgitar o que a paulicéia diz por
aí! É preciso adquirir o bom senso!
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Analisando Esta Cadeia Hereditária
ARRÁ!!
EU JÁ ENTENDI O QUE ELES QUEREM!! Não, amigo, você
ainda não entendeu. E a continuar dessa maneira, vai ficar sem
entender, mesmo! E, particularmente, aproveitando uma expressão
que está muito em voga novamente, por estes dias –
vandalismo – quero dizer que acho isso tudo bárbaro! A
poeira das últimas manifestações ainda nem
baixou e já apareceu a turma de intelectuais políticos
e militantes engajados tentando – tentando, nada
mais do que isso – entender, explicar, esmiuçar, analisar o
atual movimento, denominado em São Paulo do “Passe Livre”.
Alguns
estão tentando analisar os recentes protestos pelo viés
histórico, 1968, anos de chumbo, coisa e tal. E acho muito
interessante essa relação que fazem. Mas tem um pessoal
que está observando o fenômeno como se fosse um
experimento, ou pesquisa científica, com agentes e
observadores, que estão do lado de fora, apenas estudando o
fenômeno. Eles estão desconsiderando os fatores novos
deste fenômeno político e o estão observando sob
uma ótica antiquada, calcada na mesma velha dicotomia
esquerda-direita, direitos e deveres, que não ajuda, nem um
pouco, a entender estas últimas manifestações,
muito antes pelo contrário!
Nos
últimos dias, esse é o assunto que tem dominado a
pauta. Tem muita gente falando a respeito e muita gente falando muita
besteira – inclusive este humilde blogueiro que ora escreve este
post! Gentes de quem eu nem esperava, reagindo, e mal, aos manifestos
porque, obviamente, não os estão entendendo, não
lhes caiu a ficha, ainda, não manjaram o que está
acontecendo direito... isso me parece até, de certa forma,
surpreendente! As grandes redes estão em polvorosa, em
verdadeira festa, com os protestos. É absolutamente ultrajante
o tratamento que aquela importante emissora carioca de tv tem dado
aos manifestos, nos seus telejornais e plantões. Uns amigos
discordaram veementemente da exclusão, por parte dos
manifestantes, dos partidos políticos, alguns chegaram a dizer
que se tratava de um equívoco e um desrespeito, pois os
manifestantes estariam isolando do processo todo uma gente que vem
defendendo os ideais dos quais a galera que, segundo estes, nunca
– acho uma afirmação muito forte, mas enfim –
participaram ativamente das lutas políticas antes. Não,
amigos... não façam assim! Procurem se informar, antes!
Entendam que estamos em meio a uma crise político-partidária
no Brasil, e no Brazil também... que a galera não tem
se sentido representada por boa parte dos partidos, ou por partido
algum, seja de direita, seja de esquerda, seja da coluna do meio, que
é até natural que os manifestantes queiram um movimento
independente, plural, apartidário, e que isso não
significa, de forma alguma, “apolítico”. Ouvi, ontem, numa
rádio, alguém dizer que um “movimento sem
líderes(!?)” e apartidário não teria,
portanto, ideologia. Amigo, o movimento pode não ter a TUA
ideologia – embora
hajam, certamente, manifestantes que simpatizem com ela – nem a de
um partido, muito embora a maioria dos partidos políticos,
hoje, não tenham mais uma linha ideológica definida.
Aliás, tudo o que o movimento é, com certeza, é
político e vem trazendo, sim, ideologia(s)! Teve um amigo que
até compartilhou um texto de Plínio de Arruda, que,
antes de representar a sua opinião sobre os protestos, fazia
muito mais a defesa da participação ativa dos partidos
políticos – o dele, principalmente, imagino eu – nesses
protestos, como que catalisando, focalizando e ditando as pautas das
reivindicações e indignações. NÃO,
AMIGO! POR FAVOR, NÃO!! Isso não é lucidez, é
mais uma atitude (“oh, céus, não diga isso, Deus me
livre e guarde”, desculpa aí, amigo) reacionária e de
vender o seu peixe.
O
texto que li, de Heloísa Helena, ex-senadora por Alagoas,
manifestando sua opinião, exaltando, até, as recentes
marchas populares pelo Brasil afora, as manifestações e
protestos, como forma de pressão aos políticos, ao
poder público, em todos seus âmbitos, uma certa
vibração, até, sem – aparentemente – querer
puxar a brasa para o seu assado, isto, sim, foi uma atitude elogiável
e lúcida, que aliás, só me faz admirar ainda
mais esta mulher.
Algumas
pessoas querem restringir as pautas dos protestos. Querem direcionar
as reivindicações e reclamações, querem
ditar contra o que, ou quem, vale a pena protestar e bradar palavras
de ordem. Não sei se é conscientemente, mas tem gente
meio que protegendo algumas “vítimas” do movimento! Gente
que não vê problema algum se você entoar as
palavras de ordem contra o congresso – ou alguns membros, apenas –
contra o governador, ou o prefeito, mas que chegam a “temer” um
golpe de estado se
você, ou alguém, soltar algo tipo “Fora Dilma”. Os
esquerdinhas querem controlar o movimento, direcionar o foco para
assuntos que ELES consideram relevantes, em detrimento de outros que
consideram “equivocados”. Os partidos políticos e os
grandes grupos de mídia já estão visivelmente
incomodados e preocupados com as manifestações. Os
esquerdinhas e os reacinhas querem puxar o movimento para suas
causas, querem levar a galera como se fosse boiada para os temas que
mais lhes agradem. Ou esvaziar o movimento, o que lhes parecer mais
fácil! Há e sempre haverá alguém,
revolucionário, ou reaça, afim de desqualificar os
protestos, se alguém for pra rua reclamar por algo que não
lhes pareça admissível discutir. É muita gente
preferindo a manutenção de um sistema Vista bugado a um
movimento de descontentamento geral e irrestrito agitando e
pressionando pelas mudanças que se quer, que vão muito
além da passagem do ônibus, dos números oficiais
de institutos de pesquisas, ou propagandas governamentais, que não
correspondem à realidade. É muito cacique preferindo
manter as coisas como estão a permitir que o próprio
povo force, fuce, faça por onde mudar, buscar as melhorias que
há tempos esperamos e queremos. Já tem governante e
administrador nos devolvendo os 20 centavos, que é pra ver se
a galera se satisfaz, fica alegrinha e volta pra casa, dando-lhes um
refresco. Mais do que nunca, esse é o momento de tomarmos
nosso lugar, de ocupar os espaços públicos e as redes
sociais – why not?! – continuar mobilizados e nos manifestar.
Vamos pra rua, mostrar como é que se faz!
terça-feira, 18 de junho de 2013
Vamos Pra Rua!
Não
são mais só por 20 centavos. Não são mais
só na Avenida Paulista, nem só no Largo da Prefeitura,
Largo Glênio Perez, Praça Montevidéu, avenidas
Sete de Setembro e Borges de Medeiros. É no Brasil todo!
Galera acordou, galera tá na rua, tá aparecendo nos
telejornais do horário nobre, quando estes não se
concentravam em mostrar os atos de vandalismo de meia dúzia,
porque, afinal de contas, imagens de destruição são
mais espetaculares e sensacionais! Mas o importante é que a
galera acordou, foi protestar, nas ruas e nas redes sociais. E a
coisa tá ficando cada vez mais divertida!
Mas,
e qual o problema se o motivo fosse “apenas” por 20 centavos?!
Isso já não basta pras pessoas saírem às
ruas e protestar?? Quando os protestos começaram, em maio
passado, antes de atravessar o rio Mampituba e chegarem à
Avenida Paulista, a motivação foi “apenas” o
aumento da passagem de ônibus, na capital gaúcha, de R$
2,85 para R$ 3,05. De primeiro, o movimento tinha uma direção
e uns diretores, membros de grupos estudantis, ligados a partidos
políticos, da situação, em âmbitos
estadual e federal e radicais de oposição. Estes mesmos
diretores das passeatas e manifestações incitaram a
violência, os atos de vandalismo, as agreções ao
secretário municipal de transportes, na base de bandeiradas e
a tentativa de invasão da prefeitura. Não, não
concordei com esses atos isolados, não gostei da participação
dos partidos políticos infiltrados no protesto. Desculpem os
amigos partidários. Mas concordei totalmente com os protestos
“quase invisíveis”, para a grande mídia brazileira,
com as motivações dos protestos. Em Southern Iranduba
não estou pagando 20 centavos a mais, mas 30, na passagem de
ônibus! Lá, nem com as manifestações na
capital, ali pertinho, a galera se animou a se manifestar. Já
em Porto Alegre, as manifestações surtiram algum
efeito, uma ação popular contra o reajuste da tarifa
resultou numa liminar, que baixou a tarifa de volta para os R$ 2,85
de antes do reajuste.
Quando
os protestos aqui deram em alguma coisa positiva, atravessaram o rio
Mampituba, chegaram a São Paulo, chegaram na Paulista,
começaram por “apenas” 20 centavos, começaram com
amigos meus das redes sociais se animando, se agitando, aplaudindo,
apoiando o movimento que eu já tinha visto um mês antes,
do qual eu já havia falado com alguns mais bem informados, já
tinha comentado, já tinha me mostrado favorável. Mas,
sabe o que é... alguns amigos me vêem como uma
contradição, uma incógnita, porque não
sou “reaça”, nem “comuna”, os deixo confusos.
É
divertido observar a evolução do movimento pelas
reações nas redes sociais. Quem era contrário,
começou a ficar favorável, quem era a favor, está
revendo os seus conceitos e mudando de opinião. Curioso e
divertido tudo isso... porque, no final das contas, não é
mais apenas as tarifas absurdas do transporte público: é
todo o resto! As mudanças, que a gente só vê na
propaganda oficial, e tem ainda quem acredite – e reclame da
manipulação de informações praticada por
uma importante rede carioca de tv! O movimento, agora, é
contra a corrupção, é contra a PEC 37, contra as
obras superfaturadas para a Copa do Mundo e a das Confederações,
é contra a interferência do Congresso na Justiça.
Os revolucionários socialistas de shopping center tão
sem entender nada porque as bandeiras de praxe não estão
lá, porque os partidos políticos não estão
representados, não estão falando, não estão
sendo ouvidos. Os reacionários conservadores de classe média
baixa, leitores de Veja, estão delirando, porque os
manifestantes não estão perdoando ninguém, não
estão escolhendo contra quem lançar palavras de ordem e
contra quem não lançar, não estão mais
aceitando o direcionamento partidário, de esquerda, ou de
direita. Só o problema é que eles não conseguem
disfarçar a alegria quando a polícia ataca e o sangue
jorra na tela.
O
mais importante agora é que nem os reaças e nem os
comunas estão entendendo mais nada! É impagável
vê-los sem saber como reagir a tudo isso, não saberem de
que lado ficar. Relaxa, pessoal! É que o movimento não
é mais de, nem contra vocês! Esse movimento é
nosso! Vocês são bem-vindos! Mas esse movimento é
da galera, somos nós que estamos no controle, ou descontrole,
como queiram! Aproveita, vamos pra rua!
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Ela Te Vem
Ela
veio te assombrar nos sonhos, pouco antes do aniversário dela.
Só até você entender que, não importa
quanto tempo passe, o que tenha acontecido entre vocês, o que
estejam vivendo, no momento, ou a distância que lhes separe,
você a ama, sempre amou e sempre amará. Sem motivo, sem
sentido, sem razão, sem expectativas, somente isso, somente a
ama, simples assim.
E
ela ainda te vem. Mas não te causa mais espanto, nem culpa,
nem atormenta. Ela não te assombra mais. Numa bela noite, em
que você até delirou, por causa da febre, ela te
apareceu, deitada em tua cama, coberta apenas com um lençol
branco, um olhar brejeiro, um sorriso sensual e provocante, te
perguntando, insinuante, qual tinha sido a melhor transa da tua vida.
Ou qualquer coisa assim... acordaste lembrando daquela noite, não
é mesmo!?
Uns
dias depois, ela te veio novamente, com um sorriso doce, como de uns
dez anos atrás, um sorriso meigo e afetuoso. Ela só te
veio por causa do teu abraço. Só queria estar em teus
braços, dentro de teu sonho, aconchegada em tuas lembranças.
E você só a abraçou por gostar de tê-la
aconchegada à tua memória, de ter o calor de seu corpo,
envolvê-la ternamente em teus braços, em teu abraço
largo. Nada de mais. São só sonhos! Lembranças,
somente. Só uns sentimentos antigos, que não se
preocupam em ir embora, que você não se preocupa em
expulsá-los mais, em correr contra a correnteza. Só
isso!
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Te Namorar
Dia
desses curti tua foto e fiquei um bom tempo a observando. E pensando
em alguma coisa pra dizer, algum comentário pra fazer. Algo
que não soasse cretino, ou uma bobagem qualquer, pra dizer só
por dizer. Pensei em elogiar seu sorriso, ou o seu olhar, ou dizer
como você parece mais linda a cada dia... desisti, com medo de
me repetir, de me tornar cansativo, perdi as contas de quantas vezes
disse isso. Pensei em elogiar as tuas roupas, em dizer-lhe que a
estética do frio lhe cai muito bem... até pareceu uma
boa idéia, mas achei que já não era a hora.
Algumas vezes eu sinto que deixei passar o momento, que é
melhor não dizer mais nada. Só ficar observando teu
olhar, tua boca, teu sorriso, o gorro caído meio de lado sobre
tua cabeça, os teus cabelos emoldurando suavemente teu rosto.
Um sorriso meio bobo nos lábios... nos meus, nos meus! Fico
mais um bom tempo te admirando. Te namorando com o olhar. Namorando
tua foto. Abestado, abestalhado, pensando apenas no quanto você
é linda, no quanto me encanta, que estou, provavelmente,
incontestavelmente, absurdamente apaixonado por você! Que
queria, que quero muito, que gostaria demais, te namorar!
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