Estou
numa estrada. Numa via muito larga, lá ao fundo, depois de um
capinzal, há os contornos de uma galpão, ou depósito
antigo, ou qualquer coisa assim. Vários ônibus de cor
vermelha, ou alaranjada, parados em fila dupla, no acostamento.
Parece que não sei bem onde estou, que sei apenas que preciso
ir embora, já é tarde, não sei direito como. Um
motora de camisa cor de rosa aponta para uma outra estradinha, escura
e ladeada por árvores sinistras, parece que diz, depois
daquela estradinha encontrarei uma estação de trem, de
metrô, algo assim. Não sinto exatamente medo, vou para
lá, percebendo logo que, além de muito pouco iluminada,
a estradinha é mais comprida do que imaginava. Espero
encontrar uma plataforma de metrô moderna, mas quando chego ao
fim da estrada, vejo o que parece uma antiga estação de
trem, daquelas que há no interior do estado, antiga e
aparentemente fechada, um poste de luz aceso, apenas e uns trilhos
cobertos por mato, como se estivessem abandonados.
Antes,
ainda: estou chegando numa estação rodoviária.
Parece a de Porto Alegre, até, só talvez um pouco
menor. Novamente é noite, a estação parece quase
vazia, apenas um mendigo deitado sobre papelões, que me
cumprimenta, um casal de velhinhos num outro box, umas pessoas que
não consigo distinguir muito bem, pois estão mais
longe. Parece que vejo uma menininha correndo lá adiante, mas
não tenho bem certeza. É noite, é tarde, estou
procurando, parece, um lugar para lanchar, mas não tem, está
tudo fechado. Estou com uma mala, estou esperando o ônibus, pra
onde, não sei, só sei que vou viajar. Pra algum lugar,
qualquer lugar, enfim, pouco importa.
Sim,
são sonhos e o sonho, por si só, é uma viagem.
Parecem ser recorrentes, os cenários eram diferentes, mas o
motivo era o mesmo, a viagem. A viagem da vida? O desejo de viajar,
partir, pra qualquer lugar, apenas mudar de ares? Estarei prestes a
viajar, ir para algum destino que ainda ignoro? Será a grande
viagem se aproximando? Bem, não é o que se espera, mas
não descartamos possibilidades. Vai que...
Bem,
nos sonhos, a alma cigana se manifesta de alguma forma.

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