Oh,
sim, eles conseguiram, em parte, o que pretendiam. Boicotaram a
proposta de paralisação no início do mês,
deixaram passar esses dez dias de calmaria, sem protestos, e forçaram
uma greve geral, um dia nacional de “lutas”... os sindicalistas
fecharam estradas, bancos e escolas, conseguiram o que queriam,
tiveram a sua própria manifestação, tiveram de
volta as câmeras e holofotes, tiveram a chance de divulgar as
suas velhas, batidas, surradas pautas de reivindicação.
Ok!
Como
dissemos, os grevistas conseguiram apenas parte
do que pretendiam. Não se pode ter tudo. Não foi o que
nos disseram? Eles esperavam nos ludibriar, acharam mesmo que iam nos
convencer, não apenas que têm força, que
conseguem parar o país e pressionar os políticos, os
grandes empresários e a grande mídia (esse último,
eles não tentaram). Acharam também que nos convenceriam
que estiveram, todo o tempo, do nosso lado, apesar de alguns
comentários ácidos sobre os protestos dos meses de maio
e junho, emitidos por dirigentes das suas agremiações.
Quiseram mostrar que estavam lutando pelas mesmas bandeiras dos novos
movimentos, como o do Passe Livre, de São Paulo, pedindo-nos
apenas para ignorarmos a sua ligação com partidos
políticos tradicionais, muitos dos quais, do governo e/ou base
aliada. Seus comandantes, um tanto arrogantes e soberbos, imaginaram
que conseguiriam trazer os manifestantes para o seu lado, que teriam
o apoio e a adesão dos novos movimentos à sua marcha
programada, com apoio velado dos partidos, no momento, afinal de
contas, né... achavam que iriam colar a sua imagem à
dos manifestantes dos protestos de maio e junho mas, como no caso dos
militantes partidários, dos vândalos e dos brigões,
os sindicalistas também
não representaram, hoje, aqueles manifestantes.
Sabemos
o que foi dito na tv, provavelmente nos portais e sites de notícias
e o que será dito na revista Veja da próxima semana –
possivelmente concordando, pela primeira vez na história, com
a Carta Capital – que houveram “manifestações” no
tal “dia nacional de lutas”. Sabemos, também, que essa
afirmação, além de falsa, pretende induzir ao
erro. Não houveram manifestações me parte
alguma. O que houve, em maio e junho, foram manifestações
organizadas “de forma desorganizada”, por várias pessoas,
em vários lugares, ao mesmo tempo, através das redes
sociais, isso nós sabemos, vocês sabem, todo mundo sabe,
são protestos compartilhados por vários novos
movimentos apartidários, nem por isso apolíticos. O que
houve hoje foi uma paralisação, um feriado informal,
uma greve “geral”, como tantas outras que houveram antes, até
2002, mais ou menos, curiosamente só até 2002, quer
dizer, houve uma greve geral após mais de dez anos de
calmaria, hoje. São coisas diferentes! A despeito do que duas
das maiores empresas de comunicação do Rio e São
Paulo disseram, em seus noticiários regionais e nacionais, os
sindicalistas não são, não representam, muito
menos hoje, os novos movimentos, os manifestantes, ou as vozes das
ruas. A greve “geral” não tem, não teve, nada a ver
com as manifestações e protestos anteriores, tanto que
os sindicalistas e os grêmios estudantis foram pegos de calças
curtas, tanto quanto a grande
mídia
e os políticos. São dois movimentos diferentes,
distintos. Esse de hoje fingiu que ouviu a voz daqueles do mês
passado, embora não tenham aprendido nenhuma lição
e, sendo assim, permanecerão como os políticos e a
mídia: destoantes daqueles novos movimentos!

Nenhum comentário:
Postar um comentário