PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Os Grevistas vs. Os Manifestantes

Oh, sim, eles conseguiram, em parte, o que pretendiam. Boicotaram a proposta de paralisação no início do mês, deixaram passar esses dez dias de calmaria, sem protestos, e forçaram uma greve geral, um dia nacional de “lutas”... os sindicalistas fecharam estradas, bancos e escolas, conseguiram o que queriam, tiveram a sua própria manifestação, tiveram de volta as câmeras e holofotes, tiveram a chance de divulgar as suas velhas, batidas, surradas pautas de reivindicação. Ok!
Como dissemos, os grevistas conseguiram apenas parte do que pretendiam. Não se pode ter tudo. Não foi o que nos disseram? Eles esperavam nos ludibriar, acharam mesmo que iam nos convencer, não apenas que têm força, que conseguem parar o país e pressionar os políticos, os grandes empresários e a grande mídia (esse último, eles não tentaram). Acharam também que nos convenceriam que estiveram, todo o tempo, do nosso lado, apesar de alguns comentários ácidos sobre os protestos dos meses de maio e junho, emitidos por dirigentes das suas agremiações. Quiseram mostrar que estavam lutando pelas mesmas bandeiras dos novos movimentos, como o do Passe Livre, de São Paulo, pedindo-nos apenas para ignorarmos a sua ligação com partidos políticos tradicionais, muitos dos quais, do governo e/ou base aliada. Seus comandantes, um tanto arrogantes e soberbos, imaginaram que conseguiriam trazer os manifestantes para o seu lado, que teriam o apoio e a adesão dos novos movimentos à sua marcha programada, com apoio velado dos partidos, no momento, afinal de contas, né... achavam que iriam colar a sua imagem à dos manifestantes dos protestos de maio e junho mas, como no caso dos militantes partidários, dos vândalos e dos brigões, os sindicalistas também não representaram, hoje, aqueles manifestantes.
Sabemos o que foi dito na tv, provavelmente nos portais e sites de notícias e o que será dito na revista Veja da próxima semana – possivelmente concordando, pela primeira vez na história, com a Carta Capital – que houveram “manifestações” no tal “dia nacional de lutas”. Sabemos, também, que essa afirmação, além de falsa, pretende induzir ao erro. Não houveram manifestações me parte alguma. O que houve, em maio e junho, foram manifestações organizadas “de forma desorganizada”, por várias pessoas, em vários lugares, ao mesmo tempo, através das redes sociais, isso nós sabemos, vocês sabem, todo mundo sabe, são protestos compartilhados por vários novos movimentos apartidários, nem por isso apolíticos. O que houve hoje foi uma paralisação, um feriado informal, uma greve “geral”, como tantas outras que houveram antes, até 2002, mais ou menos, curiosamente só até 2002, quer dizer, houve uma greve geral após mais de dez anos de calmaria, hoje. São coisas diferentes! A despeito do que duas das maiores empresas de comunicação do Rio e São Paulo disseram, em seus noticiários regionais e nacionais, os sindicalistas não são, não representam, muito menos hoje, os novos movimentos, os manifestantes, ou as vozes das ruas. A greve “geral” não tem, não teve, nada a ver com as manifestações e protestos anteriores, tanto que os sindicalistas e os grêmios estudantis foram pegos de calças curtas, tanto quanto a grande mídia e os políticos. São dois movimentos diferentes, distintos. Esse de hoje fingiu que ouviu a voz daqueles do mês passado, embora não tenham aprendido nenhuma lição e, sendo assim, permanecerão como os políticos e a mídia: destoantes daqueles novos movimentos!

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