PESCANDO NO BODOSAL

quarta-feira, 17 de julho de 2013

No Meu Iglu #2

Aqui, dentro do meu iglu, estamos protegidos das intempéries que caem lá fora; nem chuva, nem vento e nem granizo podem invadir e derrubar essas paredes. O frio, aqui, não entra nem com nojo, pode fazer cem graus abaixo de zero, pode cair a maior nevasca do mundo, lá fora, que aqui dentro estaremos seguros e quentes.
Construí o meu iglu para me entocar e fugir do frio gélido que me persegue, me irrita os olhos, congela meu nariz, pés e mãos, congestiona as vias respiratórias, etc.
Construí meu iglu para não deixar o frio e as pessoas chatas entrarem, para o calor e as pessoas que gosto não quererem sair, com paredes grossas de tijolos pesados e inteiriços, revestidas com peles de urso polar, de morsa e de lobo. Fiz uma cama enorme, num quarto espaçoso e ricamente decorado, cheia de almofadas, travesseiros e cobertores, onde, se você deitar, não quererá mais levantar! No meio de meu iglu fica a lareira, que também nos serve de fogão de pedra, à lenha, coloquei sobre as chamas uma grelha, onde assamos uns bons bifes, como numa parrilla e uma chaleira começa a chiar, com a água, que começa a ferver, para um delicioso capuccino, que estará à sua espera, pra te esquentar, quando você chegar, sacudindo os casacos, salpicados de flocos de gelo e batendo as botinhas na soleira da porta. No meu iglu tem um confortável divã, bem do lado de minha poltrona, onde você pode se refestelar, colocar os pés pra cima, observar o fogo da lareira, saborear o café, conversar sobre o frio e as coisas do dia-a-dia, assistir ao noticiário na tv, escutar uma boa música, aconchegar a cabecinha em meu ombro e esquecer dos problemas. No meu iglu posso desfrutar do teu sorriso, da tua risada, da tua voz, do teu perfume, da tua companhia, chego quase desejar que o inverno nunca mais vá embora. Um dia, quem sabe...

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