PESCANDO NO BODOSAL

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Sobre Pesseguinhos

Um massacre, um caso terrível, um caso escabroso, um caso brutal! E vergonhoso, sobretudo para aquela nossa velha conhecida, a grande mídia!
Já faz um tempinho, eu nem lembro mais qual foi mesmo aquele mês, assassinaram o pai, a mãe, a avó e a tia, de quebra suicidaram o menino Marcelo Pesseghini. Todos os dias chegam novas “informações” pra tentar nos convencer que aquele moleque de 13 anos era um assassino frio e calculista, sem emoções, que planejara e executara todo o crime, sozinho, sem ajuda de absolutamente ninguém.
Ah, mas o que você esperava da gRobo? A gRobo mente!” Sim, mas meu caro amigo fã da “mídia ninja”, não é só ela que está cagando fora do penico, são todas (TODAS!!!) as grandes redes de comunicação desta federação de Estados que estão nos contando rigorosamente a mesma história, sem tirar, nem por! Se você tentar trocar de canal, vai ver, apenas reproduzida com outras palavras, sem mudar sequer um pouquinho que seja, o sentido, nos telejornais da manhã, da tarde e da noite, na emissora do seu Sílvio, na rede com nome que homenageia os primeiros exploradores paulistas, na grande rede de tv carioca, na rede dos bispos universalistas... nem adianta, meu amigo, eles todos vão te contar exatamente a mesma mentira! E, dependendo do teu grau de simpatia “política”, você vai acreditar! Toda nova informação que elas trazem, sem nenhuma exclusividade, é apenas mais um cravo no caixão do menino Pesseghini e família, pura e simplesmente!
Ah, a possibilidade “remota” de ter havido queima de arquivo, já que, num primeiro momento, chegaram a cometer a inconfidência de informar, que a mãe do menino Marcelo, também ela uma policial militar, vinha investigando o envolvimento de colegas de farda em assaltos a bancos e caixas eletrônicos, foi sumariamente sepultada. Ninguém foi mais a fundo no assunto. Ninguém mais falou nisso, aliás, todos tomaram um Doril e até mesmo a lembrança de já terem mencionado qualquer coisa a respeito, sumiu! E, da mesma forma, por onde anda a tal da vizinha da família, que teria observado uma movimentação estranha de policiais, na madrugada da morte dos Pesseghinis? Que fim levou (deram) o coronel que comandava o batalhão, onde estava lotado o casal Pesseghini, que, num primeiro momento, admitiu a investigação, que mencionou, inclusive um relatório preliminar, feito por sua subordinada, onde constariam os nomes de alguns colegas de corporação – num segundo momento, teria negado a história – mesmo?!
Ninguém mais se interessou por essa outra linha de investigação, nem mesmo a polícia tem tratado dela – o que é mais grave. Todas as informações “noticiadas”, ultimamente, só falam do menino, do seu suposto mau relacionamento com a família, da sua predileção por jogos de computador violentos, da sua meia-dúzia de amigos nerds e mentirosos, na escola... nem mesmo o seu quadro clínico “inusitado” (ele sofreria de fibrose cística), é mais levado em conta, não se leva mais em conta nenhuma informação que destoe da versão oficial que nos chega diariamente, por rádio, jornal, tv e internet. Parece haver, por parte da grande mídia e do poder público, uma espécie de vergonhoso pacto de silêncio. Numa hora dessas que a gente se pergunta: “E a tal da 'mídia ninja', o que tá fazendo, que não tá falando desse assunto?” e aí a gente se lembra... ah, é, muito mais importante é dar um “outro enfoque” ao que se veicula sobre aquele país árabe, lá do outro lado do mundo, que está em guerra civil, do que àquilo que ocorre logo ali, do lado do nosso quintal.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sobre Mais Médicos Cubanos...

Vocês viram aquela cena, no Jornal Nacional – provavelmente deve ter passado também naquele telejornal da tv dos bispos, aquela sim, tem “credibilidade” – dos estudantes e representantes de ONGs, que recepcionaram os primeiros médicos cubanos a chegar no Brasil, pelo aeroporto de Recife? E aí, o que acharam?! Bom, eu, particularmente, tenho uma palavrinha para aquela claque, digo, a manifestação daquela gente, mas tenho quase absoluta certeza, vocês não vão gostar muito: a palavra é 'patético'. Simplesmente patético! Sinto que até os médicos cubanos sentiram vergonha por nossos estudantes.
Não, não sou, de forma alguma, contra o governo brasileiro contratar médicos estrangeiros, para suprir a deficiência de profissionais da área, ou de qualquer outra área, sobretudo para as regiões mais carentes, como argumentam o governo e seus partidários. Tampouco se eles forem cubanos, me é indiferente o seu país de origem, me interessa muito mais se têm competência para o trabalho.
Até sou simpático, favorável, mesmo, desde que, primeiramente, invista-se em alguma infraestrutura, em condições mínimas para esses (e outros, inclusive brasileiros) médicos exercerem satisfatoriamente o seu trabalho. De fato, não sei qual o número de profissionais que temos na federação, nem se é o suficiente para atender satisfatoriamente à demanda. O que sabemos, de fato? O que se fala, desde que me entendo por gente, e vocês também?! É que os profissionais da área da saúde, mesmo com promessas de salários faraônicos, não aceitam trabalhar em regiões 'remotas' e isoladas, não somente por serem remotas e/ou isoladas, mas também porque não há as mínimas condições para se exercitar a profissão, as prefeituras, o governo, o poder público, ou a iniciativa privada, ou de grupos sem fins lucrativos, não oferecem-lhes essa oportunidade. O programa Mais Médicos seria mais eficiente se fosse “Mais Hospitais”. Sei lá, eu acho!
Outra coisa, é que o governo federal contratou outros médicos estrangeiros no programa Mais Médicos, mas não fez o mesmo quanto aos médicos cubanos, esses não estão dentro do programa, ao menos, do jeito que eu entendi esse programa. Não serão empregados pelo SUS. Não receberão o mesmo salário, não terão os mesmos direitos, como o de ter por perto suas famílias, ou o de escolher aonde querem ser lotados, por exemplo. Os médicos cubanos são outro programa do governo federal, como mencionou um amigo, são como aquela empresa, ou cooperativa, que o governo contrata terceirizada, para executar serviços onde falte pessoal especializado da própria autarquia.
Nada contra, eu repito, os cubanos virem para cá, há anos têm ido pra Flórida e ninguém é contra, também. Mas, se não observarem essas duas pequenas condições que expomos acima, não posso ter nada a favor, também. Aos cubanos que estão chegando – e que em breve estarão desembarcando também aqui em Porto Alegre – posso apenas recepcioná-los com um “sinto muito”...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Acordei Cansado

Hoje acordei cansado. Hoje acordei querendo que ainda fosse ontem, querendo mais duas horas, pelo menos, de sono. Acordei desejando dormir apenas o dia inteiro. Mas não sei se adiantaria, pra acabar com todo esse sono e todo esse cansaço, que ora sinto. Parece que tenho trabalhado duro, nas horas em que estou dormindo. Parece que tenho andado pra caramba, por muitos lugares.
Em um sonho, estou fazendo compras num misto de mercadinho, ou taberninha, com lojinha de conveniência de posto de combustíveis. Sou barrado na saída, porque em frente à porta de vidro estacionaram uma moto, dentro do estabelecimento! Quando consigo sair, dou de cara com meu irmão, saímos juntos, conversamos enquanto caminhamos, por uma estrada de chão, que supostamente nos leva pra casa.
No outro, estou indo numa casa lotérica, para pagar uma conta e “fazer uma fezinha”. Até anotei os números, mas não me serviram de grande coisa, ainda. Em outro, vou buscar minha “filha”, no cursinho, ou na escola, parece, no Centro, para almoçarmos, nesse vou de moto. Ainda em outro, viajava para o Pará, ou o Paraná, a noite toda, dirigindo um carro vermelho, e parava, de manhãzinha, para esticar as pernas, próximo de um caminhão, cujo dono dormia debaixo do dito, sob uma lona azul, em um buraco na pista, que até parecia toca de tatu.
Por fim, acordei de um sonho, com minha morena-sol, deitada, cochilando em meus braços, em um sofá, aninhada feito uma gata e reclamando porque não queria ter que acordar cedo. Pensando, agora, bem que eu podia ainda estar lá...

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Elvis Até o Tucupi

No dia de hoje(16/08), Elvis Presley faz aniversário... não, não é de nascimento: é que, no dia de hoje, há exatos 36 anos, o cantor teria morrido, por causa de uma overdose de remédios para dormir, ou qualquer coisa assim. Pelo menos, como diria o radialista amazonense Waldir Correa, é o que a História conta!
Se você procurar no Google, até, lá vai ter a mesma informação! Claro, agora se buscar no Google o nome 'Elvis Presley', acrescido de 'teoria da conspiração', vai encontrar várias outras informações que contradizem a 'versão oficial'. Os teóricos da conspiração, por exemplo, dizem que Elvis Presley não morreu coisa nenhuma, que ainda estaria vivo até hoje, andando por aí, belo e faceiro!
Enfim, dizem também que nem Micheal Jackson, nem Jim Morrison teriam morrido; que Paul McCartney, este sim, teria morrido num acidente de moto, nos anos 60; que o assassinato de John Lennon teria sido engendrado pela CIA e o MI6; que Bruce Lee teria sido morto pela máfia chinesa, em Hong Kong, etc.
Dizem alguns teóricos que Elvis teria cansado de fazer shows em Las Vegas, da fama, etc, ou que teria entregue à CIA alguns artistas simpatizantes da URSS, nos tempos da Guerra Fria, e que, portanto, precisava e desejava deixar tudo pra trás, mudar de identidade, pra isso forjando a própria morte e desaparecer das vistas de todo mundo, possivelmente se refugiando no Hawaii, ou nas Ilhas Virgens. Mas, por que justamente o 50º Estado norte-americano?! Bom, Elvis fez uns filmes por lá e, dizem, gostou muito do lugar, coisa e tal. Por isso mesmo, deveria ser o primeiro lugar onde procurariam o rei do rock, assim que os boatos sobre sua morte ter sido forjada começassem a aparecer, certo!?
Pois, presumindo que realmente Elvis Presley tenha cansado da vidinha de astro pop semi-decadente, fazendo shows pra turistas nos cassinos de Las Vegas... ou aquela outra versão... ele talvez tenha pensado em todos os prováveis lugares mais isolados, dentro dos Estados Unidos, imaginou que o único onde ninguém nunca teria coragem de procurá-lo não seria o Hawaii, mas sim o Alaska! Só que ele detestava o frio, não conseguiria ficar por muito tempo em um lugar onde o inverno dura os 365 dias do ano. Ele, então, pensaria em procurar outros lugares, em outros países. O mundo é grande, mesmo dividido em 2, como estava na época, era muito grande, ainda! Lugar para sumir era o que não faltava.
Então, Elvis Presley teria levado um bom tempo, lendo National Geographic, lendo mapas e livros de geografia, pesquisando revistas e prospectos de agências de turismo, em busca do melhor destino onde esconder-se e mudar de vida. Digamos que ele tenha escolhido o Brasil. Pensa inicialmente no Rio de Janeiro... mas aí lembra que muitos dos seus compatriotas costumam visitar com frequência essa cidade costeira brasileira. Alguns amigos seus, inclusive, já lhe mostraram as fotos de férias tiradas lá. Mesmo sendo o Brasil, precisava ser um local pouco conhecido, pouco explorado, principalmente por seus compatriotas! Digamos que Elvis, então, se depara com uma bela foto da floresta amazônica, ao lado da qual há uma legenda que diz: “near of Manaus”.
Ele então se resolve, traça um plano infalível, ajeita os últimos detalhes, conta com a ajuda de um amigo, já expert em mortes simuladas, inclusive a própria, em 1973... e é dado como morto, colocando no caixão o corpo de um indigente bastante parecido em seu lugar, para ser velado e enterrado.
Tempos depois, com uma nova identidade, seu amigo e ele embarcaram num vôo para o Rio de Janeiro, provavelmente saindo de Miami, e lá chegando, pegam um ônibus, ou carona com caminhoneiros e viajantes até o Pará, até o rio Amazonas, onde pegam um barco que os leva até o porto de Manaus.
Chegou, estabeleceu-se num bairro mais ou menos distante do Centro e, pra não levantar suspeitas, começa a trabalhar carregando frutas e pescado pelo rio Negro e igarapés da capital amazonense e cidades próximas. Depois de alguns anos, quem sabe, levantou uns trocados e comprou uma banca, em alguma feira da cidade, tipo a da Pan Air... e lá ficou vendendo tucupi, banana, peixe, farinha, essas coisas...
Quando o senhorzinho, que até então falava, contando essas reminiscências, se deu conta, o seu amigo chinês, que já lhe cutucava há um bom tempo, aprontava um soco de uma polegada para calar o velho. E quase todo mundo, naquele bar na beira do barranco que desce para o rio Negro, o escutava com mais atenção. Seu Élvio, como lhe conheciam nos Educandos, deu uma pigarreada, desconversou, enrolou a língua, aparentando estar meio grogue: “É, bom... enfim, isso é história que o povo conta, né mermo...?!”
Levantou-se, foi até o balcão, cochichou algo no ouvido da dona Arminda, dona do bar, que lhe entregou uma chave, com olhar desconfiado. Seus passos eram acompanhados pelos frequentadores, meio trôpegos. Voltou, entregou a chave, agradeceu, pediu mais uma Cerpa “tinindo de gelada”, pediu também uma ficha, foi até a jukebox no outro canto do bar. Depositou a ficha, escolheu algumas músicas e, assim que a voz inconfundível de Nunes Filho começou a entoar “Estou subindo pelas paredes”, se pôs a dançar sozinho, para os risos dos presentes e tranquilidade do Véio Jack.

Arrivals & Departures

Domingo de sol masseta e temperaturas agradáveis e eu fui no aeroporto ver os aviões decolar e aterrissar. Fui ver as pessoas partirem e chegarem, fui ver as pessoas se despedirem e recepcionarem os parentes e amigos que vieram, ou estavam indo pra longe. Cada avião que descia, eu imaginava de onde vinha, seus passageiros, por quê vinham para cá. Cada avião que subia, imaginava qual seria seu destino, arriscava uns palpites: "este vai para o Rio, aquele vai para São Paulo, o outro lá vai para Salvador, ou Fortaleza..." e o papagaio charão dentro de mim, balançava com alvoroço as asas e sussurrava: "tu bem que querias estar levantando voo num desses, né!"

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Mãos de Frankenstein

Minhas mãos, elas me apavoram. Elas são grandes, são feias, aparentam rudeza, aparentam rusticidade. Meus dedos não são longos, nem finos, nem compridos, são largos! Não tenho dedos curtos, pois não seriam proporcionais. Não tenho mãos para segurar a pena, escrevo de teimoso, tenho mãos é pra segurar uma pá, uma enxada, uma marreta... tenho mãos de pedreiro, mãos de boxeador, mãos de padeiro – pra socar bem a massa do pão, pra isso tenho boas mãos! Quem vê minhas mãos, não consegue imaginá-las fazendo um trabalho artesanal delicado, ou carinhando um gatinho, um cachorrinho. Não consigo imaginar uma garota imaginando minhas mãos a lhe acariciar o rosto, os cabelos, o corpo, etc. Tenho mãos é de verdugo, mãos de lutador de UFC, mãos que poriam medo no Spider. Eu mesmo tenho medo das minhas mãos! Não sei do que elas são capazes. Sobretudo no frio, sobretudo no inverno, elas me metem medo. Elas ficam geladas, ficam roxas, parecem grandes mãos de defunto, de mordomo de filme de terror, parecem, sei lá... mãos de Frankenstein!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Vinte Dias dos Pais

Amanhã é domingo, é Dia dos Pais. O vigésimo! Já fazem 20 anos! Parece que o vi ainda ontem. Parece até que não faz muito tempo, ele me criticou por minhas posições políticas, tão revolucionárias, tão conservadoras e tão radicais. Parece que foi no meu último aniversário que ele me deu aquele exemplar de “Aventuras de Tibicuera”, do Érico Veríssimo. Na verdade, eu devia ter uns 11, 12 anos, quando ele me presenteou com esse livro, que li e reli, várias vezes depois. “20 Mil Léguas Submarinas” e “As Aventuras de Tibicuera” foram minhas portas de entrada para o mundo dos livros, para o gosto pela literatura.
Sim, já fazem 20 anos... nem parece que fazem tantos anos, desde que fomos pela primeira vez ao cinema. Ou desde a última vez que ele nos levou para passar as férias na praia, em Floripa. Já se vão vinte... vinte dias dos pais sem o meu, sem ele por aqui. Parece que foi ontem, a nossa última briga, antes da madrugada em que ele sofreu o segundo e fulminante infarto. Parece que ele não levou mágoas ao desencarnar. Ele me visitou em alguns sonhos, depois daquilo. Me ofereceu bons conselhos, me deu boas idéias para um conto, um poema, um texto... tantas e tantas vezes! Me deu conselhos amorosos. Em um sonho que tive pela primeira vez com ela, foi ele quem me fez perceber, enfim, que tinha me apaixonado. Ele foi quem me disse pra arriscar e persistir, “caso valesse a pena”.
Vinte anos sem ele, imagine. Vinte Dias dos Pais sem meu pai. Parece incrível...! ele, ainda assim, continua sendo meu guia, meu melhor amigo. Vinte anos sem sua presença física e nem parece que ele esteve, sequer um dia, longe!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

De Conchinha

Eu só queria... eu gostaria... ah! Como dizer...?! Não sei escolher as palavras certas.
É que, neste momento, eu só queria... é que eu desejaria... eu gostaria... ah! Como é difícil!!
O que eu queria fazer... o que quero te dizer é... eu gostaria... queria ser... bem...
Queria ser, neste instante, a tua concha, a tua ostra, tua vieira, quem sabe, o teu marisco da pedra, ou da areia, do mar, ou do rio-mar, talvez... queria mesmo que você fosse minha jóia, meu tesouro, meu relicário, minha pérola negra, talvez, quem sabe... queria mantê-la aconchegada, segura, protegida.
Queria, neste momento, talvez, estar cheirando teu cabelo, deitado, com você ressonando nos meus braços... queria dormir de conchinha com você. Só não sei como dizer isto...

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Besta Romântico

Peço desculpas. Sim, eu assumo, sou mesmo um cara romântico, não tenho como negar. E nem acho que isso seja motivo de orgulho!
Porque é fato, cê tem que ser tolo, tem que ser muito leso, pra ser romântico, num mundo de fanfarrões.
Me finjo, ou me sinto um pouco poeta, recorto e colo, na minha mente, na linha do tempo, na linha da vida da palma de minha mão, frases e textos, e sentenças sentimentais, às vezes, tenho lampejos e crio as minhas próprias sentimentalidades, da minha própria verve, da minha própria lavra.
Pra ser romântico o cara tem que ter perdido o senso de ridículo, não temer soar brega, expor sem medo sentimentos, ideias, desejos, pensamentos tolos, pieguices. Romântico é tímido, digo isso porque eu sou tímido, mas não conheci ninguém romântico(a) e “descolado(a)”. Sei ser zueiro, travestido no meu personagem topetudo, principalmente, mas não sei ser boçal. Não existe ninguém romântico(a) que seja fanfarrão e boçal!
Romântico não tem muito senso de realidade, romântico é sonhador demais. Ser realista, parece, é meio incompatível com romantismo. Uma coisa é tentar forçar a realidade, fingir que a ignora. Romântico apenas não a percebe, se recusa a aceitá-la, às vezes.
Por exemplo: não vejo sentido nisso, não tenho como crer que seja possível, me recuso a crer que não deva desejar, querer (alguém como) você. Não consigo ver empecilho. Me recuso, terminantemente, a aceitar que não mereça (alguém como) você, que não mereça ter/fazer parte da vida de alguém (como você). Não consigo ver nada de errado em desejar ter uma boa voz, algum talento em tocar um instrumento, pra fazer uma serenata, cantar-lhe alguma canção romântica. Não vejo o que há de errado em desejar esquentar seus pés nas noites de frio, desejar ser sua concha, lhe abrigar no meu abraço, ou debaixo do meu iglu, ser seu Porto Seguro, balançar na rede e molhar os pés no mar ao seu lado. Não encontro nenhum problema em querer completar as suas músicas! Eu sei, é um defeito muito grave...
Romântico não pensa, diz o que lhe vem, deixa pra se arrepender depois. Seria, sim, mais fácil 'dar pedradas' e, se não dessem certo, dar risinhos, pra não deixar um clima tenso. Coisas de fanfarrões, no entanto, não de românticos. Não consigo ver graça nisso. Se gosto, gosto, tenho de dizer, pra todos ouvirem, verem. Gosto de flores, de oferecer canções, de namorar sorrisos, mesmo de longe... de admirar sua aparência, seus gostos, suas músicas e filmes favoritos... de dizer estas sentimentalidades num texto, de jogar palavras ao vento, na esperança de que você as pegue no ar, que te façam, pelo menos, sorrir, quem sabe algumas guardar para si...
Romântico tem que ser esperançoso, e também teimoso. Romântico pode não saber definir o que sente, se você der uma definição para aquilo, ele dará de ombros e dirá, “seja o que for, que seja, então”.
Pois é, eu sei, posso estar errado em ser assim, este é meu maior defeito. Peço desculpas, mas na verdade, até que gosto.