Um
massacre, um caso terrível, um caso escabroso, um caso brutal!
E vergonhoso, sobretudo para aquela nossa velha conhecida, a grande
mídia!
Já
faz um tempinho, eu nem lembro mais qual foi mesmo aquele mês,
assassinaram o pai, a mãe, a avó e a tia, de quebra
suicidaram o menino Marcelo Pesseghini. Todos os dias chegam novas
“informações” pra tentar nos convencer que aquele
moleque de 13 anos era um assassino frio e calculista, sem emoções,
que planejara e executara todo o crime, sozinho, sem ajuda de
absolutamente ninguém.
“Ah,
mas o que você esperava da gRobo? A gRobo mente!” Sim, mas
meu caro amigo fã da “mídia ninja”, não é
só ela que está cagando fora do penico, são
todas (TODAS!!!) as grandes redes de comunicação desta
federação de Estados que estão nos contando
rigorosamente a mesma
história, sem tirar, nem por! Se você tentar trocar de
canal, vai ver, apenas reproduzida com outras palavras, sem mudar
sequer um pouquinho que seja, o sentido, nos telejornais da manhã,
da tarde e da noite, na emissora do seu Sílvio, na rede com
nome que homenageia os primeiros exploradores paulistas, na grande
rede de tv carioca, na rede dos bispos universalistas... nem adianta,
meu amigo, eles todos vão te contar exatamente a mesma
mentira! E, dependendo do teu grau de simpatia “política”,
você vai
acreditar! Toda nova informação que elas trazem, sem
nenhuma exclusividade, é apenas mais um cravo no caixão
do menino Pesseghini e família, pura e simplesmente!
Ah,
a possibilidade “remota” de ter havido queima de arquivo, já
que, num primeiro momento, chegaram a cometer a inconfidência
de informar, que a mãe do menino Marcelo, também ela
uma policial militar, vinha investigando o envolvimento de colegas de
farda em assaltos a bancos e caixas eletrônicos, foi
sumariamente sepultada. Ninguém foi mais a fundo no assunto.
Ninguém mais falou nisso, aliás, todos tomaram um Doril
e até mesmo a lembrança de já terem mencionado
qualquer coisa a respeito, sumiu! E, da mesma forma, por onde anda a
tal da vizinha da família, que teria observado uma
movimentação estranha de policiais, na madrugada da
morte dos Pesseghinis? Que fim levou (deram) o coronel que comandava
o batalhão, onde estava lotado o casal Pesseghini, que, num
primeiro momento, admitiu a investigação, que
mencionou, inclusive um relatório preliminar, feito por sua
subordinada, onde constariam os nomes de alguns colegas de corporação
– num segundo momento, teria negado a história – mesmo?!
Ninguém
mais se interessou por essa outra linha de investigação,
nem mesmo a polícia tem tratado dela – o que é mais
grave. Todas as informações “noticiadas”,
ultimamente, só falam do menino, do seu suposto mau
relacionamento com a família, da sua predileção
por jogos de computador violentos, da sua meia-dúzia de amigos
nerds e mentirosos, na escola... nem mesmo o seu quadro clínico
“inusitado” (ele sofreria de fibrose cística), é
mais levado em conta, não se leva mais em conta nenhuma
informação que destoe da versão
oficial que nos chega
diariamente, por rádio, jornal, tv e internet. Parece haver,
por parte da grande mídia e do poder público, uma
espécie de vergonhoso pacto de silêncio.
Numa hora dessas que a gente se pergunta: “E a tal da 'mídia
ninja', o que tá fazendo, que não tá falando
desse assunto?” e aí a gente se lembra... ah, é,
muito mais importante é dar um “outro enfoque” ao que se
veicula sobre aquele país árabe, lá do outro
lado do mundo, que está em guerra civil, do que àquilo
que ocorre logo ali, do lado do nosso quintal.

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