PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Controlada

Ela é a moça que sonha
O tempo não lhe escorregar
Seus segredos
Não vem a tona
Porque hão de se preservar
Como pode assim um coração
A sete chaves se trancar
Pode esconder a emoção
Com tanta ternura no olhar
É só lembrar pra ver
É, parece que ela tem na ponta dos dedos
O caminho que trilhar
Parece sofrer com a espera de tudo que sonhar
Mas é seu jeito de levar
Qualquer coisa que lhe destoa
É pouca para lhe faltar
Sabe a hora de rir à toa
E também a hora de chorar
Ela pode ter um novo amor
Para em mil pedaços revirar
Peca na incerteza da paixão
Mas num passo sabe contornar
É só lembrar pra ver
É, parece que ela sente as cores do vento
O destino que traçar
Parece temer a força que vem de dentro
Encantar, pra nunca mais deixar
Pra sempre me levar
A Sete Chaves”, Maglore
Ela se fecha, tímida, dentro de uma armadura. Eu sei, eu tentei fazê-la baixar a guarda, tentei atravessar suas defesas. Estava encantado por ela, sentia-me atraído pelo que havia apenas vislumbrado da sua real beleza, do seu ser, através de seus escudos. Quis convencê-la, quis abrir meus portos a essa nação amiga. Sequer arranhei a pintura da sua armadura reluzente.
Ela defende-se, diz que tem medo de se machucar, que não consegue deixar ninguém entrar no seu universo particular. Diz que talvez tenha medo de amar, de se apaixonar. Sei lá... penso que talvez ela esteja se fechando para não libertar a fera, com medo de não agradar, com receio de machucar, quem tenta dela se aproximar.
Sua alegria é comedida, seu riso é baixo e tímido. Ela se mostra em pequenas partes, só por alguns segundos, se você for rápido, conseguirá vê-la, ou pelo menos percebê-la se revelar. Quando ela escreve é que consegue se mostrar mais... mas não muito! Seus humores, suas emoções são bem guardadas, para não ferir ninguém e não colocá-la em apuros. Ela quer se apaixonar, ela quer amar livremente. Eu quero que ela seja feliz, que encontre alguém por quem não sinta receios. Tem que destrancar os cadeados, retirar a armadura, soltar as feras, deixá-las sem vigias e ver no que vai dar.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Só no Empurrão

Andaram interpretando tudo errado. A Bíblia foi toda mal interpretada, por todo esse tempo. O livro do Genesis foi ensinado errado, até hoje. O pecado original não teve nada a ver com morder um fruto, ainda mais um suposto fruto proibido! Tampouco teve a participação de Eva! O pecado original começou por Adão sozinho, sem ajuda nenhuma! E de que ajuda precisaria, para cometer tal pecado?
A preguiça, o comodismo, o conformismo, esses foram o pecado original da humanidade. Ou melhor: dos homens. De nós, homens. Deus não criou o homem para ficar parado, estagnado, estacionado no eternamente no mesmo lugar. O homem não foi criado para ficar acomodado confortavelmente, apenas contemplando a criação. Fora criado para questionar, procurar entender, conhecer, fora criado para crescer, evoluir, progredir, tomar parte ativa da criação; não apenas assistir a tudo, passivamente. Foi daí que entrou a Eva na história!
Por si mesmo, o homem não progride. O homem tem de ter alguma motivação para crescer, evoluir. Sem ter alguém para empurrá-lo em frente, para estimulá-lo a buscar o progresso, a não se acomodar, não se contentar com as coisas como estão. O homem sonha grandes conquistas, para si, mas se for só por si mesmo, não corre atrás. O homem se acomoda rápido, diante de um obstáculo mais difícil já pensa em desistir. E contenta-se muito fácil com pouca coisa. Se fosse pela força de vontade de Adão, teríamos continuado no tal Jardim do Éden, somente comendo, dormindo e contemplando a vida. Por isso, Deus pôs Eva no paraíso, para forçar Adão a sair da pasmaceira. Forçá-lo a comer do fruto do conhecimento e começar a perceber aquilo que a mulher já intuía há MUITO tempo!
Homem se acostuma à rotina. Se contenta rápido com o que tem. Se conforma. Se acomoda. Homem tem preguiça demais. O homem precisa do outro para desafiá-lo a conquistar mais, para forçá-lo a ir em frente, a buscar algo mais, a fazer melhor do que já fez, para não estagnar e achar que está bem assim. Como o amigo, que reclamou por mais de mês da greve dos professores da sua faculdade, e quando, enfim, eles terminaram a greve e voltaram às aulas, ele queria ir pra casa, em vez de estudar. E foi a sua namorada quem o fez mudar de ideia. Isso é assim, homem funciona assim, ainda! As mulheres é que são práticas. Os homens é que são sonhadores. As mulheres é que são mais ativas e decididas. Homem decidido é o que tem alguém para incentivá-lo, nem que seja na base do chingão. Homem que é homem procrastina ao máximo e protela a decisão. Homem decidido tem uma mulher a lhe empurrar... provavelmente!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Seu Nome

Gosto do seu nome. Gosto do gosto do seu nome nos meus lábios, quando o digo, quando lhe chamo, quando o recito inteiro, em minha mente, saboreando cada letra. Cada fonema, cada sílaba, o som de cada letra, para mim, é como se fosse uma nota, um acorde, da mais linda canção que jamais se ouviu.
Gosto do seu nome inteiro, toda vez que o digo, ouço, ou leio, vejo você se desenhando, materializando-se sutilmente nele, sua boca, seu sorriso, seus olhos, seu rosto, seu cabelo, seu corpo inteiro!
Gosto do seu apelido, um diminutivo pequeno, singelo e bonito do seu nome. Gosto do seu apelido, gosto de como ele se encaixa perfeitamente, de como ele lhe representa tão bem. Você é bela, muito bela, por dentro, por fora, belos são, portanto, seu nome e seu apelido. Amo o seu nome, gosto muito de você!

Idoso

Acordou até que descansado, enfim, depois de um fim de semana pouco descansado e muito mal-dormido. Mas a sensação de que não dormiu o suficiente persiste. Sente o mau-humor começar a apossar-se de si, queria que fosse domingo, mas não, é mais uma segunda-feira, é mais uma semana que se inicia. Não tem jeito, tem que levantar.
Então levanta-se, sente as costas doerem terrivelmente, como se estivesse entrevado, como se ficasse difícil andar. Esse é um daqueles dias úteis em que sente-se completamente inútil e imprestável. Com tantas dores e tanto sono, está sentindo-se um velho, com centenas de milhares de anos e muitíssimo mau-humor. Está sentindo-se um idoso, hoje, e não está gostando nada disso!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Entregar-se Ao Ócio

Mais uma segunda-feira, uma segunda meio diferente, que vem antes e depois de um sábado! O feriado estadual de Revolução Farroupilha veio em boa hora, é mais ou menos como um sábado, puxando o freio, em meio à semana corrida e altamente estressante. Serve para recarregar as baterias, tomar um fôlego, antes de um salto importante, de continuar a caminhada, antes de voltar pra batalha.
Serve para abrir as janelas do quarto, espanar a poeira e tirar as cobertas para fora, para pegar sol, tirar os ácaros e evitar o mofo. Serve para lembrar os tempos de infância, quando, nos dias sem escola, acordava-se um pouco mais tarde e sentava-se na frente da tv, com uma caneca de nescau e um pãozinho com manteiga, para assistir aos desenhos, pela manhã.
Serve para aproveitar e lavar algumas roupas, não deixar que elas se acumulem e atrapalhem os planos para o sábado “de verdade”, que pode ser, assim, mais proveitoso para o lazer. Serve para deixar de lado as preocupações, a rotina e o trabalho, mesmo que por apenas 24 horas! Serve para desintoxicar-se um pouco da internet, das redes sociais. Serve para isolar-se um pouco do mundo, ler todas notícias num jornal só e deixar de assistir aos telejornais, que todos eles mentem, só que com uns, você simpatiza, com outros, nem isso.
Serve para jogar conversa fiada, ouvir um pouco de boa música, ler um livro, ou escrever um, ou mais de um, ou começar a pensar nisso, como um projeto de vida. Serve para dar uma cochilada, após o almoço, e não ficar com aquela cara de sono, por boa parte da tarde, como no escritório. No feriado pode-se entregar ao ócio sem culpa, entregar-se à leseira baré sem remorso algum. Deixar os pensamentos virem até você, as ideias chegarem feito onda do mar batendo nos pés, com calma e tranquilidade...
Pensar num novo texto, em vários novos textos, imaginar, deixar a criatividade livre, sem amarras; planejar as próximas férias, sem preocupar-se se as terá e quando serão... pensar na próxima viagem pra casa, planejar várias outras coisas, delirar um pouco, sonhar, imaginar novos encontros e reencontros, como gostaria, ou como espera que sejam.
O único senão do feriado foi não postar uma música no mural dela. Fez falta ver sua paixão platônica. Ela é a luz dos seus olhos. Mas o feriado foi bom, a trouxe a sua memória como uma saudade doce... e serviu para desafogar um pouco, para dar um pouco de espaço. Deixar que a calma do dia a traga à mente...
O feriado serviu até para se jogar um clássico Ba-Vi – e ser goleado, com o Vitória, no Winning Eleven, antes de jantar, assistir a sua série favorita e ir dormir! E hoje, o dia está se acabando, de novo, amanhã será sábado, outra vez. Aproveite e entregue-se (um pouco mais) ao ócio!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

ILESO

Nenhum stalk fica sem nenhuma consequência. Nenhuma espiada fica impune e nenhum stalker sai ileso. Você começou isso, você não conseguirá parar, para a outra pessoa, também há um certo incômodo, mas pra você, quem disse que não haveriam consequências? Nenhum stalker sai ileso!
Você deu aquela vasculhada no perfil de quem te chamou a atenção, você dá uma espiada nas suas fotos, dá uma escutada nas suas músicas favoritas. Descobre gostos semelhantes, percebe supostas afinidades. Quer conhecê-la melhor, quer saber mais sobre quem é ela. Você se vicia na pessoa, sua ausência lhe provoca sentimento de falta, ressente-se de algo como uma crise de abstinência da pessoa, tem flutuações de humor, conforme ela aparece e desaparece. Quer estar por dentro, quer participar um pouco da sua vida, quer saber todas as novidades dela.
E você se apega. Ela talvez não saiba, ou, quem sabe, note, mas é sem querer, que te cativa e te fascina! Não tem desculpa, você conhecia os riscos que corria. Você está começando a gostar dela. Você sente-se atraído pela pessoa. Você lê algumas frases soltas na linha do tempo dela e se perde em preocupações e especulações. Fica enciumado, com algum comentário, menção, ou algo que ela curte. Não devia...
Você começou a pensar nela, fora das redes sociais. Você fica imaginando como seria, quando – e se – vocês se encontrarem. Você acredita que talvez a tenha espiado demais. Você racionaliza, diz a si mesmo que se acostumou demais à vida “offline” um tanto solitária, e à “online”, mais agitada. Racionaliza a possível carência que talvez sinta. Começa a ter pensamentos meio românticos em relação a ela. Chega a sonhar com ela, ou pelo menos crê que foi com ela... você pensa que possa mesmo estar se apaixonando pela pessoa. O nome dela é um mantra que você entoa, algumas vezes.
Você sabia que nenhuma espiadinha ficaria impune! Você está mudado, você tem mudado seus gostos, ou eles têm se adaptado, por ela. Você se importa demais com o que ela diz, ou pensa, ou com o que acha que agradaria, ou, pelo contrário, desagradaria a pessoa. Sim, você está perdido. Seu coração vai pagar o preço e não tem como ser de outro jeito! Não importa o que digam, nenhuma lei é mais forte que essa e nenhum stalker sai ileso.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Nando Me Daria Razão

Sabe quando a gente ouve uma música no rádio, logo pensa na pessoa e sorri, meio abestalhado, pensando na pessoa, presta atenção na letra, se identifica com aquilo que o cantor diz na canção, chega a quase dizer em voz alta: “Nando Reis me entende!”?
Sabe quando você fecha os olhos, para pensar, e a primeira coisa que te vem à mente é o nome da pessoa? E com o nome dela vem tudo o mais, a sua imagem, do seu sorriso, do brilho do seu olhar? E quando parece que você só tem pensado na pessoa, antes de dormir, tem que fazer uma oração, pedindo que os anjos cuidem dela, senão não consegue pegar no sono? E quando acorda, pela manhã, um sorriso bobo, de orelha a orelha, se abre no teu rosto, só porque já começou a pensar nela de novo?
Sabe quando você só sente que o seu dia estará completo depois que vê aquela pessoa? Quando você se sente muito melhor, mais bem-disposto, só por ela estar presente? Que, exatamente por poder vê-la só durante cinco dias da semana, você não tem mais gostado tanto dos teus finais de semana?
Sabe, quando você descobre uma música nova e pensa imediatamente se ela também gostou daquela música, tanto quanto você? Sabe aquela felicidade que se sente, quando encontra mais alguma coisa em comum entre você e a outra pessoa? Quando você passa a noite pensando numa música, para oferecer a ela, no outro dia, pela manhã? E quando você fica imaginando o olhar dela, quando ouvir a música, quando você espera ter acertado, que aquela seja uma das favoritas dela?
Sabe quando você sente um encantamento, quando a vê, quando ela curte algo que você posta, nas redes sociais, sem que você espere? E quando qualquer coisa que ela diz já é motivo de encantamento? Quando você começa a achar que só ela poderia te dizer as mais amargas verdades sem te causar tanto trauma...? E quando você passa horas só pensando em algo perfeito para lhe dizer, de um modo rebuscado, mas acaba optando pelo mais simples, para não estragar a situação, você diz apenas “você está linda, hoje”?
Sabe, quando tudo o que mais queria era estar com a pessoa, agora, olhar o brilho no fundo dos olhos dessa pessoa, ouvir, embevecidamente, a sua voz? Apenas estar ali, junto dela, não querer mais sair do lado dela, sentir o calor do sol e a brisa do mar ao lado dela, aconchegando-a no teu corpo, sentir o doce e leve roçar dos seus cabelos no teu rosto, ela pousar suavemente sua cabecinha em teu ombro? Sabe o que é ficar imaginando como seria cada dia ao lado da pessoa, desejar tê-la ao teu lado e ficar, pelo resto da vida, ao lado da pessoa? E sabe, quando percebe que talvez aquele fascínio todo que você está sentido pela pessoa possa mesmo significar que você encontra-se perdidamente apaixonado pela pessoa?
Pois é... pois é...

Sabe, quando a gente tem vontade de encontrar
A novidade em uma pessoa
Quando o tempo passa rápido
Quando você está ao lado da pessoa
Quando dá vontade de ficar ao lado dela
E nunca mais sair...
Sabe, quando a felicidade invade
Quando pensa na imagem da pessoa
Quando lembra que seus lábios encontraram
Outros lábios de uma pessoa
E o beijo esperado ainda está molhado
E guardado ali em sua boca
Que se abre e sorri feliz
Quando fala o nome daquela pessoa
Quando quer beijar de novo muitos lábios
Desejados da sua pessoa
Quando quer que acabe logo a viagem
Que levou ela pra longe daqui...
Sabe quando passa a nuvem brasa
Ar de coco, sopro do ar que trás essa pessoa
Quando quer ali deitar, se alimentar
E entregar seu corpo pra pessoa
Quando pensa porque não disse a verdade
É que eu queria que ela estivesse aqui...
Eu sei... sei.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Quisera eu...

Queria só ter ficado no stalk... não ter me deixado levar pelo lado sentimental... simplesmente observar, sem envolvimento, com desapego. Só olhar não tira pedaço, dizem... só queria! Não deu muito certo... não tem não querer, ela fascina, ela cativa, não tem por que, apenas acontece, me apeguei, me apaixonei! Não sei, talvez fosse melhor não... mas eu sei, penso que não quero me desapaixonar. Não sei se estou certo, mas me parece loucura, se alguém não se apaixonar por ela!
Queria ter parado, naquele dia, ter falado mais que meia palavra, ou bem melhor, ter conversado com ela. Queria ter lhe conhecido um pouco antes, um pouco mais, um pouco melhor e em outras circunstâncias. Quisera saber sempre a palavra certa a dizer, saber exatamente o que fazer pra lhe agradar. Queria saber cantar e tocar violão, queria poder, agora mesmo, cantar, só para ela, aquela canção antiga dos Engenheiros, cujo refrão fala o seu nome.
Quisera não me grilar, ficar cheio de dúvidas, me questionar se a mereceria, se terei nova oportunidade – se é que tive alguma – ou se encontrarei alguém assim, como ela. Queria não romantizar, nem imaginar, tampouco maquinar ideias pra convencê-la de que não precisa mais procurar, ou mesmo esperar, que seja eu o cara certo pra ela.
Queria eu ter a vida ganha, quisera que minha vida desse muito certo, para que pudesse, assim, viver em função da sua. Minha vontade era fazer todas suas vontades, ou pelo menos algumas, nos seus mínimos detalhes... queria algo absolutamente incrível, ir ao show daquela cantora na qual sou vidrado, que ela estivesse, ou além da brincadeira, aceitasse ir lá comigo, conseguíssemos, talvez, seu autógrafo e tirar algumas fotos... sim, sim, um sonho! Sonhar não custa nada, por enquanto!
Queria poder dar-lhe, ou quem sabe levá-la, na viagem que ela mais quisesse fazer na vida. Queria que aceitasse fazer-me companhia, na minha. Quisera uma tarde de primavera ao seu lado, sentados num banco da Redenção, bebendo chimarrão. Quisera uma conversa longa, na praça do shopping, na frente do qual nos cruzamos, aquele dia, quem sabe após um cineminha, ou num almoço de sábado. Quisera um dia, só um dia, escutando músicas, somente, aconchegando-a entre meus braços... quisera fazê-la rir, quisera, num dia cinzento e melancólico, poder alegrá-la, com um gesto, uma ligação, ou um vídeo musical no seu mural do Face. Quisera, um dia, num beijo, tocar seus lábios.
Queria saber o que fazer para estar a seu lado. Para estar e para ficar, mesmo distante, a seu lado. Queria poder admirá-la além de uma tela, a cada detalhe seu, da cabeça aos pés, observar sua beleza por todos os ângulos, em luzes e sombras, embasbacado, por horas, por anos, pelo resto desta vida, por toda vida.
Queria apenas aprender isso, como aceitar a situação, que, por ora, ou talvez... sei lá (não quero nem pensar nisso)! Que estou distante demais para estreitar qualquer laço, mesmo os de amizade, que não me deprecie tanto por não ser cult – a não ser que ter assistido a filarmônica de Manaus, duas vezes, no Teatro Amazonas, já valha para receber o título. Quero aprender a ser menos inseguro, permitir-me sentir o enternecimento que uma mera aparição sua já me provoca, continuar a admirá-la, a aceitar em mim esse sentimento platônico, girando como satélite em torno dela, a não duvidar da fé, esperar sem temores tolos, acreditar no que puder ser e aceitar o que tiver de ser. Quero apenas deixar todos os grilos, não quero me consumir, só me permitir sentir isso, seja lá o que for. Quero não sentir ciúmes indevidos quando ela curtir ou comentar algo. Ah... queria só mais uma coisinha: que tudo isso fosse tão fácil de fazer, quanto é de querer!


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Deixa a Chuva Cair

Chove lá fora, aqui dentro faz tanto frio... e tanta umidade! A chuva cai há horas, sem parar, molhando tudo, molhando o piso, molhando meus sapatos e as mangas do meu casaco. Encharcando meu humor, me deixando chateado.
Ah, de que adianta tanto reclamar?! A chuva não vai parar tão cedo e hoje o sol não vai mais voltar! Deixa chover, deixa Deus lavar o mundo, lavar meu corpo e meu espírito. Deixa a água correr, escorrer levando toda impureza que houver em meu coração, todo pensamento ruim e mesquinho que não me permita crescer.
Deixa a chuva levar minhas dúvidas, minhas indecisões, incertezas e tristezas. Deixa a chuva lavar, levar embora tudo de ruim, deixa aqui só a fé no Criador, que nos constrói e nos governa, a crença no Mestre, o Amor e o carinho. Limpa, lava, leva, traz, deixa chover, deixa a chuva cair!

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A Vizinha de Janela

De manhã até a noite ali, sentado, esperando... esperando, na sua mesa de trabalho, em frente à janela. Faça frio, ou calor; faça chuva, ou faça sol, esperava ela passar. O dia não poderia começar sem que a garota passasse, no seu andar gracioso e altivo. O dia não estava completo, sem ver seus olhos castanhos, sua pele morena, seus cabelos bem penteados, seu sorriso, seus piercings e seus brincos.
Todas as manhãs, o que ainda dava-lhe forças para levantar, para não desanimar e se acomodar de vez era a possibilidade de olhar pela janela e vê-la passar. Ter a vizinha da frente, nem que fosse pelo olhar, apenas, guardada na retina, sempre tão bonita, com suas calças, suas blusas, seus vestidos... observar os discos que trazia para casa, as revistas e os jornais que lia, tentar adivinhar quais músicas gostava de ouvir, quais autores e livros eram seus favoritos, se preferia gatos a cães. Imaginava, algum dia, ir até lá fora, atravessar a rua e trocar algumas palavras com ela, presentear-lhe, quem sabe, com o DVD do seu filme favorito... sonhos, sonhos! Ele apertava os olhos, tentando voltar para a vida real, para a velha escrivaninha em frente a janela. A vizinha passa por ela, olha para o seu lado, sorri na sua direção. De vez em quando ele a vê sorrir, de vez em quando ela parece aperceber-se de que é observada, que provoca o interesse dele, de vez em quando ele sente que seu sorriso é para ele. E ele sorri de volta, timidamente. É assim que a tem, paciência...
Outro dia ele a viu, numa manhã ensolarada, passeando, abrindo o seu mais belo e largo sorriso, acenando, parecendo ser para ele. Fez menção de acenar de volta, logo o sorriso desmaiou, logo mudou de ideia: não era com ele. Outro rapaz correra na direção dela, era o sorriso dele que correspondia ao dela, não era o seu. Sorte dele, naquele dia ela nem reparar na janela aberta, do outro lado. Sorte dele a janela não transparecer todo o ambiente, de repente tão pesado e claustrofóbico, não deixá-la perceber o ciúme que nele se instalara, que teria dificuldades em disfarçar. Enfim, já fazia muito tempo, estava em frente àquela janela. Talvez fosse hora de fechá-la, ou quem sabe, de trocar a paisagem...

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sonolento...(2)

Falta pouco, agora, para começar o feriado prolongado, de longe, um dos mais aguardados. Muito embora não esteja nos planos viajar, ou passar o dia em algum balneário, ou qualquer coisa assim. Mas, só pelo fato de poder dormir um pouco mais, acordar mais tarde, já vale muito a pena. Oportunidade para dar um descanso para o corpo e para a mente.
Há dias em que parece difícil levantar pela manhã, a vontade de ficar na cama, debaixo das cobertas, simplesmente é imensa, a ideia de passar o dia dormindo, por demais sedutora. E há dias em que parece muito mais difícil levantar de manhã, o sono que teima em não ir embora, a cada dia maior, a vontade nem é de continuar na cama, mas de fugir, deste lugar, talvez deste mundo, a vontade é de continuar dormindo, continuar sonhando aquele sonho, tão legal...
Sem vontade, sem ânimo, trôpego, tonto, sonolento, lento, talvez até um pouco desmotivado... minha vontade, nesses últimos dias, era sempre de estar em um outro lugar qualquer, acordava pela manhã com os olhos ardendo e assim passava o dia, até a noite, as pálpebras pesando feito chumbo. O trabalho parecia mais massante que de costume, as redes sociais andavam sem nenhuma graça, ou quase nenhuma, pois toda graça que eu via estava em você, num novo post seu, em algum comentário seu. Do feriado, só tenho isso a lamentar, não ter você ao alcance do olhar, nem do teclar...
Mas enfim ele chegou, e o feriado vou aproveitar, descansar, repousar, desintoxicar um pouco. Recarregar as baterias, reciclar, ou botar pra funcionar, algumas ideias. Esta noite vou me abrigar no meu refúgio mental, no meu paraíso particular, balouçar na nossa rede, à sombra dos coqueiros, sob a brisa do mar, ao som de Coeur de Pirate – e de tudo mais que me remeta a algo bom, e que me remeta a você... deixar o feriado passar, preguiçoso, preguiçosamente esgotá-lo, depois, espero, menos sonolento, e mais atento, vou voltar.


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Sonolento...(1)

Sonolento...
Olhos ardendo, desde o amanhecer, leseira baré já bem cedo, o frio lá fora deixando, aqui dentro, aquele mau-humor.
Só estava querendo...
Que o feriado prolongado estivesse começando hoje, que o calor tivesse voltado, que pudesse dormir até mais tarde, que estivesse na beira de uma praia, recebendo no rosto a brisa do mar.
Estava te querendo...
Estava querendo uma rede, uma praia, um sol e palmeiras, estava querendo nós dois, enroscados feito gatos, dentro da rede, cochilando preguiçosamente, tua cabeça repousando no meu ombro, minha mão, distraída, passeando por teus cabelos.
Estava só um pouco sonolento... sonhando, meio acordado, meio cochilando, decidi que só queria isso, um tempinho sonolento e preguiçoso com você.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Motivos Para Sorrir

Motivos para sorrir... eu preciso de algum. Bom, talvez já o tenha! A gente nem para muito pra pensar nisso. É tanto chorare, numa segunda-feira pela manhã, é tanto mau humor a nos contagiar, é aquela dor delícia na coluna, aquele friozinho maldito, desmentindo a previsão daqueles siberianos da meteorologia local, que diziam vir um “calor intenso”, de pouco mais de 20 graus; o trem, que demora mais do que o necessário, só pra poder encher os vagões... são tantas pequeninas coisas a querer nos irritar, que acabamos nos deixando levar pelo semblante fechado. “É assim mesmo, hoje é segunda-feira!”
Motivos para sorrir... nos acostumamos, ficamos de cenho carregado, emburrados, nem discutimos, nem procuramos algum motivo, nem queremos saber se existe algum. Tanto que, me parece incrível alguém conseguir pensar, justo numa segunda de manhã, num motivo que seja para sorrir. Mais surpreendente ainda, achar quem consiga pensar em dez! 10!! DEZ!!! motivos para sorrir... me surpreende, ao ponto de me pegar pensando em motivos para sorrir. Buscando algum, na memória. Ok, não chego a pensar em dez, assim, de supetão, mas, à medida que penso, sorrio ao pensar nas duas, ou três razões que, imagino, me façam sorrir.
Meu Inter vencer, de goleada e de virada, um daqueles times do “eixo do mal”, depois de um vacilo inexplicável do goleiro colorado. As peripécias e histórias, que minha sobrinha, de quase 3 aninhos, conta, no final de semana. Saber que hoje é segunda-feira e, portanto, vou rever muita gente, com a qual me acostumei a encontrar, pelas redes sociais, já que a distância física não permite nos esbarrarmos na padaria da esquina, no domingo. Mais uma semana para dar uma stalkeadinha básica naquela moça, cuja mera lembrança, ao acordar, pela manhã, ainda meio sonolento, já me fez sorrir... ainda que, quase todo final de semana, minha mente tenha se ocupado com outras preocupações, ao vê-la, um sorriso quase bobo se desenha no cenho carregado e um aperto de saudade no peito se faz sentir. Procurar 10 motivos para sorrir é quase um desperdício de energia, quando apenas pensar nos seus belos olhos já pode ser motivo suficiente para me fazer sorrir.