Queria
só ter ficado no stalk... não ter me deixado levar pelo
lado sentimental... simplesmente observar, sem envolvimento, com
desapego. Só olhar não tira pedaço, dizem... só
queria! Não deu muito certo... não tem não
querer, ela fascina, ela cativa, não tem por que, apenas
acontece, me apeguei, me apaixonei! Não sei, talvez fosse
melhor não... mas eu sei, penso que não quero me
desapaixonar. Não sei se estou certo, mas me parece loucura,
se alguém não se apaixonar por ela!
Queria
ter parado, naquele dia, ter falado mais que meia palavra, ou bem
melhor, ter conversado com ela. Queria ter lhe conhecido um pouco
antes, um pouco mais, um pouco melhor e em outras circunstâncias.
Quisera saber sempre a palavra certa a dizer, saber exatamente o que
fazer pra lhe agradar. Queria saber cantar e tocar violão,
queria poder, agora mesmo, cantar, só para ela, aquela canção
antiga dos Engenheiros, cujo refrão fala o seu nome.
Quisera
não me grilar, ficar cheio de dúvidas, me questionar se
a mereceria, se terei nova oportunidade – se é que tive
alguma – ou se encontrarei alguém assim, como ela. Queria
não romantizar, nem imaginar, tampouco maquinar ideias pra
convencê-la de que não precisa mais procurar, ou mesmo
esperar, que seja eu o cara certo pra ela.
Queria
eu ter a vida ganha, quisera que minha vida desse muito certo, para
que pudesse, assim, viver em função da sua. Minha
vontade era fazer todas suas vontades, ou pelo menos algumas, nos
seus mínimos detalhes... queria algo absolutamente incrível,
ir ao show daquela cantora na qual sou vidrado, que ela estivesse, ou
além da brincadeira, aceitasse ir lá comigo,
conseguíssemos, talvez, seu autógrafo e tirar algumas
fotos... sim, sim, um sonho! Sonhar não custa nada, por
enquanto!
Queria
poder dar-lhe, ou quem sabe levá-la, na viagem que ela mais
quisesse fazer na vida. Queria que aceitasse fazer-me companhia, na
minha. Quisera uma tarde de primavera ao seu lado, sentados num banco
da Redenção, bebendo chimarrão. Quisera uma
conversa longa, na praça do shopping, na frente do qual nos
cruzamos, aquele dia, quem sabe após um cineminha, ou num
almoço de sábado. Quisera um dia, só um dia,
escutando músicas, somente, aconchegando-a entre meus
braços... quisera fazê-la rir, quisera, num dia cinzento
e melancólico, poder alegrá-la, com um gesto, uma
ligação, ou um vídeo musical no seu mural do
Face. Quisera, um dia, num beijo, tocar seus lábios.
Queria
saber o que fazer para estar a seu lado. Para estar e para ficar,
mesmo distante, a seu lado. Queria poder admirá-la além
de uma tela, a cada detalhe seu, da cabeça aos pés,
observar sua beleza por todos os ângulos, em luzes e sombras,
embasbacado, por horas, por anos, pelo resto desta vida, por toda
vida.
Queria
apenas aprender isso, como aceitar a situação, que, por
ora, ou talvez... sei lá (não quero nem pensar nisso)!
Que estou distante demais para estreitar qualquer laço, mesmo
os de amizade, que não me deprecie tanto por não ser
cult – a não ser que ter assistido a filarmônica de
Manaus, duas vezes, no Teatro Amazonas, já valha para receber
o título. Quero aprender a ser menos inseguro, permitir-me
sentir o enternecimento que uma mera aparição sua já
me provoca, continuar a admirá-la, a aceitar em mim esse
sentimento platônico, girando como satélite em torno
dela, a não duvidar da fé, esperar sem temores tolos,
acreditar no que puder ser e aceitar o que tiver de ser. Quero apenas
deixar todos os grilos, não quero me consumir, só me
permitir sentir isso, seja lá o que for. Quero não
sentir ciúmes indevidos quando ela curtir ou comentar algo.
Ah... queria só mais uma coisinha: que tudo isso fosse tão
fácil de fazer, quanto é de querer!


Nenhum comentário:
Postar um comentário