PESCANDO NO BODOSAL

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Quisera eu...

Queria só ter ficado no stalk... não ter me deixado levar pelo lado sentimental... simplesmente observar, sem envolvimento, com desapego. Só olhar não tira pedaço, dizem... só queria! Não deu muito certo... não tem não querer, ela fascina, ela cativa, não tem por que, apenas acontece, me apeguei, me apaixonei! Não sei, talvez fosse melhor não... mas eu sei, penso que não quero me desapaixonar. Não sei se estou certo, mas me parece loucura, se alguém não se apaixonar por ela!
Queria ter parado, naquele dia, ter falado mais que meia palavra, ou bem melhor, ter conversado com ela. Queria ter lhe conhecido um pouco antes, um pouco mais, um pouco melhor e em outras circunstâncias. Quisera saber sempre a palavra certa a dizer, saber exatamente o que fazer pra lhe agradar. Queria saber cantar e tocar violão, queria poder, agora mesmo, cantar, só para ela, aquela canção antiga dos Engenheiros, cujo refrão fala o seu nome.
Quisera não me grilar, ficar cheio de dúvidas, me questionar se a mereceria, se terei nova oportunidade – se é que tive alguma – ou se encontrarei alguém assim, como ela. Queria não romantizar, nem imaginar, tampouco maquinar ideias pra convencê-la de que não precisa mais procurar, ou mesmo esperar, que seja eu o cara certo pra ela.
Queria eu ter a vida ganha, quisera que minha vida desse muito certo, para que pudesse, assim, viver em função da sua. Minha vontade era fazer todas suas vontades, ou pelo menos algumas, nos seus mínimos detalhes... queria algo absolutamente incrível, ir ao show daquela cantora na qual sou vidrado, que ela estivesse, ou além da brincadeira, aceitasse ir lá comigo, conseguíssemos, talvez, seu autógrafo e tirar algumas fotos... sim, sim, um sonho! Sonhar não custa nada, por enquanto!
Queria poder dar-lhe, ou quem sabe levá-la, na viagem que ela mais quisesse fazer na vida. Queria que aceitasse fazer-me companhia, na minha. Quisera uma tarde de primavera ao seu lado, sentados num banco da Redenção, bebendo chimarrão. Quisera uma conversa longa, na praça do shopping, na frente do qual nos cruzamos, aquele dia, quem sabe após um cineminha, ou num almoço de sábado. Quisera um dia, só um dia, escutando músicas, somente, aconchegando-a entre meus braços... quisera fazê-la rir, quisera, num dia cinzento e melancólico, poder alegrá-la, com um gesto, uma ligação, ou um vídeo musical no seu mural do Face. Quisera, um dia, num beijo, tocar seus lábios.
Queria saber o que fazer para estar a seu lado. Para estar e para ficar, mesmo distante, a seu lado. Queria poder admirá-la além de uma tela, a cada detalhe seu, da cabeça aos pés, observar sua beleza por todos os ângulos, em luzes e sombras, embasbacado, por horas, por anos, pelo resto desta vida, por toda vida.
Queria apenas aprender isso, como aceitar a situação, que, por ora, ou talvez... sei lá (não quero nem pensar nisso)! Que estou distante demais para estreitar qualquer laço, mesmo os de amizade, que não me deprecie tanto por não ser cult – a não ser que ter assistido a filarmônica de Manaus, duas vezes, no Teatro Amazonas, já valha para receber o título. Quero aprender a ser menos inseguro, permitir-me sentir o enternecimento que uma mera aparição sua já me provoca, continuar a admirá-la, a aceitar em mim esse sentimento platônico, girando como satélite em torno dela, a não duvidar da fé, esperar sem temores tolos, acreditar no que puder ser e aceitar o que tiver de ser. Quero apenas deixar todos os grilos, não quero me consumir, só me permitir sentir isso, seja lá o que for. Quero não sentir ciúmes indevidos quando ela curtir ou comentar algo. Ah... queria só mais uma coisinha: que tudo isso fosse tão fácil de fazer, quanto é de querer!


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