Hoje chamam de mini mercado, ou mercadinho, mas, na nossa infância, chamavam de armazém, venda, ou taberninha... local onde você encontra de tudo: pão, misturas, erva mate e pupunha a granel, pirarucu seco pro almoço de sexta-feira santa, uma caninha da boa, envelhecida em barris de carvalho e um ou dois dedos de prosa... entre e fique a vontade!
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Um Ano Depois
Um ano de lamentações. Um ano de "por que não tentam esquecer e seguir a vida?! Já aconteceu, foi uma fatalidade, não tem mais volta..." Um ano depois e, de fato, as pessoas, os pais, parentes de vítimas e sobreviventes do incêndio na boate Kiss, de Santa Maria, Rio Grande do Sul, não se recuperaram, não conseguem ainda seguir adiante, não esqueceram as 243 mortes. Este que ora escreve não entende como poderiam, ou por que deveriam, mesmo, esquecer.
Uma semana depois, o Brazil e a Periferia tinham se irmanado na dor, tinham se integrado num único país, todos se interessavam, buscavam saber em que pé estavam a perícia e as investigações, o que e como, de fato, havia acontecido naquela madrugada de sábado para domingo, dia 27 de janeiro de 2013. Todos estavam perplexos, todos estavam entristecidos. Todos os cidadãos começaram a pedir providências para que em suas cidades não ocorresse tragédia semelhante. Todos os cidadãos questionaram o poder público e a iniciativa privada sobre a situação das casas noturnas, casas de show, restaurantes e boates de todo Brazil, se estariam regulares e, principalmente, se eram seguras!
As prefeituras de Porto Alegre, Manaus, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, João Pessoa, Curitiba, Cuiabá, Palmas do Tocantins e boa parte das cidades e capitais brazileiras e periféricas se mexeram, mandaram fiscais às ruas, o Corpo de Bombeiros de cada cidade procedeu à vistoria para prevenção de incêndios e outros desastres, o Opinião, o Porão, o Remulo's e Carmen's Club foram fechados por não estarem adequados e apresentarem alvarás de funcionamento vencidos, ou inadequados para o exercício do empreendimento.
O Ministério Público parecia disposto a apurar todas as responsabilidades, "duela a quién duela", dos músicos da banda de fandango; dos donos do empreendimento de entretenimento santa-mariense; do corpo de bombeiros, responsável por averiguar se o PPI, plano de prevenção contra incêndios, estava dentro dos conformes; do poder público municipal, Prefeitura e Secretarias Municipais responsáveis pela fiscalização e concessão de alvará para funcionamento da boate Kiss. Os meses se passaram, a polícia e o MP começaram a se desentender quanto às responsabilidades de cada órgão e/ou instituição, a Prefeitura e secretarias municipais foram "perdoadas", ou qualquer coisa assim.
As cidades, Estados, corpo de bombeiros de cada província, etc, voltaram ao velho status quo depois de alguns meses da tragédia na boate santa-mariense. O próprio cidadão comum meio que esqueceu-se, deixou de lado, "seguiu em frente"... há outras tragédias cotidianas com que se preocupar. E não, o cidadão comum não está errado em agir assim! É até natural... não é natural fazer pouco dos que ainda não conseguiram prosseguir, daqueles que em Santa Maria vivem, dos que sobreviveram à tragédia, etc. Lá, os últimos 365 dias ainda não trouxeram alento àquelas almas torturadas. Para piorar, a Justiça, lenta, morosa, ainda não deu andamento aos processos. O MP responsabilizou uns, deixou de lado outros. Os únicos a puxar cadeia, mesmo assim, por um curto espaço de tempo, foram os donos da boate e dois integrantes da banda que lá tocava, naquela noite fatídica. Ainda estão respondendo em liberdade. O bombeiro responsável pela fiscalização do alvará de segurança da casa noturna também responde em liberdade, inclusive indícios de favorecimento de empresas que vendem extintores de incêndio e recargas, e de cobrança de propina, para agilizar concessões de PPIs. Os pais, mães, irmãos e sobreviventes ainda carregam as sequelas físicas e morais daquela noite. Sentem-se impotentes, diante da morosidade da Justiça, da lerdeza em se finalizar este caso e punir os responsáveis. Um ano sem conseguir fechar de vez essa chaga, um ano sem fechar a tampa desse caixão. Uma data que não tem como ser esquecida. Ainda não.
Que num futuro próximo, os santa-marienses possam encontrar a paz e seguir em frente.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
BORA DÁ UM ROLÊ
Puxa! O que seria de mim sem o Fantástico nas noites de domingo?! Não fosse por esse fantástico programa - com o perdão da redundância - e todo seu didatismo diletante, para explicar-me o que é, afinal de contas, esse tal do rolezinho, que "é a nova febre nos shopping centers do país" (sendo que emos, leleks, punks, manos, etc praticam os rolês nos centros de compras há uns 10 anos, Brazil afora - incluindo as periferias, obviamente) eu jamais saberia... e muito menos me importaria!
Sim, porque só se fala em outra coisa, é muito necessário que entendamos o que essa "nova modalidade" realmente representa. Era muito necessário que a mentirosa e mal-intencionada Rede gRobo chamasse uma antropófaga para explicar que as pessoas estão ganhando mais, gastando mais, se inserindo na "nova" crassimédia e que isso estaria, de alguma forma, ligado à gênese dos rolês, quando "as classes menos abastadas começariam a tomar o seu lugar nos locais antes ocupados apenas pelas classes mais altas"... que significa o Fantástico fazendo coro às vozes que politizaram o ~tal do rolezinho~, falando em "apartheid social" e outras asneiras.
O Cansástico apenas esqueceu de avisar que o rolezinho, que já está quase completando uma década só virou assunto, nas últimas semanas porque:
1 - Alguns praticantes do rolezinho começaram a cometer também vandalismos e incitar violência e balbúrdia em ambientes públicos fechados, como shopping centers, provocando pânico em outros frequentadores - independente da porra da crassi sociau!!
2 - Isso se deu na cidade de São Paulo, capital do Estado de São Paulo, República Federativa do Brasil. Como você bem sabe, é lá que se concentra a maior parte das grandes empresas de comunicação. Fosse em qualquer outro lugar dos Aliados, portanto fora do Eixo (SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO), como em Pedrinhas - MA, ou Santa Maria - RS, só alcançaria essas grandes redes caso houvessem mortes! E...
3 - A modalidade foi politizada, ou seja, grupos dessa e daquela orientações políticas se posicionaram contra, ou a favor, com intuitos não muito genuínos...
NÃO, não foi por nenhum outro motivo! NÃO, isso não é uma "nova modalidade" só porque a mulecada, que antes combinava os encontros no orkut, agora combina via Facebook. Não, a moda agora é politizar até se você colar chiclete embaixo do assento do ônibus! A moda agora é copiar todo tipo de imbecilidade que algum malino no Eixo copiou dos estrangeiros e resolveu "inaugurar" na sua belíssima maior cidade do Brazil. Nada mais, nada menos!
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