PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

FELIZ NOVO MUNDO

O mundo já acabou. Hoje é recém o sétimo dia após o fim do mundo velho. E as pessoas?! Agem como se estivessem ainda no velho mundo, reclamam das mesmas coisas, continuam cometendo os mesmos erros, esperando os problemas resolverem-se sozinhos, as soluções surgirem em um passe de mágica. Continuam reclamando, ou acreditando em todas ações de governo, em todos os âmbitos. Pior: continuam reclamando dos políticos nas redes sociais, mas não fazem a menor questão de ir às ruas para protestar contra os descalabros e pedir mudanças, continuam votando de forma “útil”, exatamente como lhes foi ensinado pelos próprios políticos!
O mundo acabou faz sete dias; a passagem do ônibus aumentou duas vezes no mesmo ano, os vereadores se deram aumento bem acima da inflação e do próprio aumento do salário mínimo e as pessoas não reclamaram abertamente, aceitaram caladas, como se não pudessem fazer nada a respeito. Exatamente como no mundo velho! Pessoas continuam se dividindo e brigando por sistemas políticos banalizados e falidos, que só ajudaram a destruir o velho mundo, continuam se dicotomizando, se dizendo de “esquerda”, ou de “direita”, como se ainda tivesse algum sentido nessa dicotomia. Continua a intolerância por conta da religião, ou por falta de uma; por causa da cor da pele, da etnia, da nacionalidade, das escolhas sexuais e/ou afetivas.
O mundo velho acabou! Aceite isso! Mude sua cabeça! É um mundo novo que começa agora, recém nasceu e já exige idéias novas, pensamentos reciclados, novas visões políticas, espirituais, etc! Comece a agitar-se, a trabalhar, junte sua turma, pense, converse, discuta! O que você quer mudar, como quer construir o novo mundo que só está começando? O que pertence ao velho mundo, deixe para trás, que se queime nas cinzas do velho! O que puder reciclar, revisar e retomar, traga para o novo, adapte e reconstrua, do jeito que deveria ser! Mas o melhor é a quebra de paradigmas, o fim de pragmatismos, as idéias e ideais novos.
Adeus mundo velho! Deixe-o para trás, sem remorso, sem peso, sem tristeza, sem saudade, sem nostalgia... ele acabou-se! Feliz Novo Mundo! Que venham as realizações e os novos desafios! Chegou a hora de deixar os pequenos vícios que chamamos “tradições” para lá e recomeçar, construindo novos hábitos, novas tradições para o Novo Mundo que está chegando! Bem-vindo, 2013!

O Mais Lindo Arco-Íris

Cara, sou completamente apaixonado por essa garota! Cara, como eu adoro ela! Sou perdido por essa menina, é muito amor, viu! É muito ponto de exclamação, também! São muitas constatações de uma só vez, com um sorriso de orelha a orelha! Foi na tarde de um belo dia em que nada parecia dar certo, o marasmo e a melancolia tomavam conta do meu ser, em que o mundo estava próximo de se acabar, e todo contra mim, nessa tarde é que, enfim, me convenci, que me dei conta de como sou apaixonado por ela!
Estava desenxavido, chateado, bolado com algumas pessoas, até irritadiço. Bastou ela aparecer, só uma curtida sua e todos os problemas sumiram de vista, toda chateação foi esquecida, as nuvens escuras e carregadas de melancolia, tristeza e raiva desvaneceram, sopradas para longe de mim, a tarde quente e seca repentinamente ficou muito mais bonita e colorida ante a mera insinuação de seu sorriso! Percebi, então, que gosto mesmo muito dela, que apenas visualizar o seu sorriso já me aquece o coração, já me tira qualquer cansaço. Percebi que não queria mais que o mundo se acabasse... por causa dela, ela não mereceria um fim do mundo apocalíptico, do tipo que todo mundo falava, justo agora!
Como diz Lulu, ela me faz tão bem... desde a primeira vez e demorei tanto para ver... desde o dia que a segui, o menor gesto seu já me faz sorrir... nem precisa muito, o seu sorriso já me faz sorrir feito bobo! Desde o início, desde sempre! Depois da chuva sempre vem o arco-íris. Ela é como um arco-íris, pra mim! Ela me colore, quando estou cinzento, me ameniza, quando estou me sentindo pesado de tristezas e frustrações.
Gostaria de, só por um dia, ser Lucky Prichard, para amenizá-la, para fazê-la feliz! Gosto quando faço suas pequenas vontades. Gosto quando encontro um som que lhe ilumine um pouco a manhã atarefada. Gostaria de fazer por ela o que ela me faz sentir, e que acho, ela nem desconfia... cara! Sou muito apaixonado por essa mulher! Essa menina é o mais lindo arco-íris que já vi na vida! Gosto muito dela, viu!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Um Não Sei Quê...

Cara, sou completamente apaixonado por essa garota! Posso estar exacerbado de preocupações; posso estar triste, deprimido, ou frustrado; posso estar com um mau humor do cão, sem vontade nenhuma e não rindo para nada, até mesmo soltando as patas em meio mundo! Basta ela aparecer e esqueço todos os problemas.
Ela tem algo que me balança, que me agita dentro do peito, que com o mínimo esforço me faz sorrir! Ela tem alguma coisa que me irrita, um não sei quê que me enfeitiça! Algo no seu jeito que me fascina, ela tem alguma coisa que não consigo decifrar, não consigo compreender... tem algo nela sem o qual já não consigo mais ficar.
Ela tem um não sei quê que me dá vontade de ter não sei o quê com ela! Ela tem alguma coisa, no seu sorriso, no seu olhar, no seu jeito de falar, que me faz sentir vivo! Não sei o que ela tem que me fascina e atrai tanto. Há algo nela que me faz querer fazer algo por ela só o tempo todo. Algo que lhe agrada procuro conhecer, pra ver se me agrada também. A música que ela adora, dou uma escutada e também começo a gostar! Os filmes que lhe agradam, eu vejo com outros olhos, pra ver se não cometi alguma injustiça na primeira vista.
Nela há algo que em mim parece reverberar, um não sei quê que, de alguma forma, toca fundo em mim. É um não sei quê que me transborda de uma maneira que não sei explicar! Cara, ela tem algo que me desorienta e me faz sentir bem assim! Ela tem um não sei quê que só eu sei como me faz bem. Cara, sou perdidamente apaixonado por essa mulher! Essa garota tem um não sei quê que nem sei direito o que é, mas que me faz tanto bem que, parafraseando Lulu, também quero fazer isso por ela... e muito!

Something in the way she moves
Attracts me like no other lover
Something in the way she woos me

I don't want to leave her now
You know I believe and how

Somewhere in her smile she knows
That I don't need no other lover
Something in her style that shows me

I don't want to leave her now
You know I believe and how

You're asking me will my love grow
I don't know, I don't know!
You stick around now it may show
I don't know, I don't know!

Something in the way she knows
And all I have to do is think of her
Something in the things she shows me

I don't want to leave her now
You know I believe and how

                                                      ( Something – The Beatles)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O Mundo Vai Se Acabar...

Falta pouco, agora... é questão de tempo, é questão de horas, agora, para a Profecia Maia, seja ela qual for, começar a se cumprir. É o fim dos tempos, o fim dos dias, o fim de todas as coisas, o fim do mundo. Estou chateado. É que a gente se apega a cada coisa... se apega a umas pessoas que nem sei! Olha, já nem queria mais que terminasse... podia ter ficado um tempinho a mais. Talvez não tivesse perdido tempo com uns equívocos, se eu soubesse antes... é triste, mas não tem mais jeito. O mundo vai acabar!
Sim, o mundo vai acabar e eu nem encontrei latinhas de refrigerantes com nossos nomes. Pelo menos nas latinhas poderíamos nos reunir! Só que não rolou... o mundo vai se acabar e nem assim vou estar perto de você. O mundo vai se acabar e não vou mais poder te dedicar músicas no teu mural, como quase toda manhã. Sinto até falta, me sinto em débito com você, quem sabe temo até ser esquecido, quando falho um dia.
O mundo vai se acabar e não vou poder te convidar para o próximo Lollapalooza Brasil... nem se tiver grana pra isso! Mesmo que tivesse condições financeiras, o mundo vai se acabar e não poderia ir, nem sozinho, nem dando uma passadinha aí, pra ver se você gostaria de ir comigo.
O mundo vai se acabar e ainda não criei coragem pra te cutucar no Face! Tão difícil conciliar desejo e vontade, mesmo que para uma ousadia tão virtual!
O mundo vai acabar e tudo o que já imaginei contigo vai ficar só no campo das ideias, só na lembrança, lá, onde quer que eu vá... não sei se lá nos reencontraremos, e se for possível, nem quanto tempo irá demorar. O mundo vai acabar e jamais teremos tomado um chimarrão da Chimarruts, por exemplo!
O mundo vai acabar, sim, e estou muito chateado, porque até hoje não achei o momento adequado, nem as palavras, nem a maneira certa de te dizer “Ana, sou completamente apaixonado por você”. Na minha cabeça eu já te disse isso quase um milhão de vezes...
Não, ok, eu sei, tem mais jeito não, agora é meio tarde pra isso... o mundo vai se acabar e esperei demais. Agora o jeito é aceitar, me resignar. E pelo menos levar comigo a satisfação de um dia ter te visto, em ao menos um pouquinho ter conhecido você.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Paralelas (Parte #2)

Lembro da primeira vez que fui a Iranduba. Ainda não tinha a Ponte do Bilhão, se chegava de balsa, pelo porto do Cacau Pirera. Não sou motorista, sou pedestre, por isso gostava mais da viagem de balsa. Enfim... não fiquei no Cacau, fui até o Centro de Iranduba, num ônibus que me lembrou os “bons e velhos” coletivos da Real Rodovias – mais velhos do que bom, tanto num caso quanto no outro. Lá chegando... como explicar de uma forma que vocês possam entender...? Bem, a sensação não foi de estranhamento, mas sim de familiaridade. Não, não dejá vù, como se já tivesse estado ali. De familiaridade, mesmo! “Oh, mas você não é nortista, deve ter estranhado muito, você vem de um lugar muito diferente...” ouvi um radialista e ex-senador cara de pau dizendo mais ou menos isso, outro dia, se referindo ao caso de uma mulher que veio do Mato Grosso, em busca de tratamento pro filho e tal. Mas não vamos falar dele, não por agora! E não, as diferenças não conseguem ser tão gritantes fora dos bancos de escola e da telinha do plim-plim!
Quando cheguei no centro de Iranduba, percebi bem uma ideia pré-concebida desmoronando diante dos meus olhos. Ali, no centro da cidade, me vi como se estivesse no centro de Sapucaia, ou de Esteio! Ok, talvez há uns 15, ou 20 anos, mas ainda assim, me senti de volta a Sapucaia, tendo apenas atravessado uma ponte! Tão próximo da capital do Estado – 25 km separam Iranduba de Manaus, mais ou menos a mesma distância entre Sapucaia e Porto Alegre – e com um certo ar mais bucólico, interiorano... isso, as duas cidades têm, muito!
Parece que os brasileiros sentimos um certo fascínio por nos considerarmos num mundo à parte, num mundo ocupado somente pelo Brasil, que parecemos não gostar muito da ideia dele como um só país. Os sulistas e nortistas fomos ensinados a ver-nos tão diferentes quanto os ingleses e os franceses. As grandes redes midiáticas de Rio e São Paulo colaboram bastante para nos vermos assim, fortalecem os estereótipos e escondem os pontos em comum.
Por isso que escrevi, outro dia, um outro texto, brincando com a série Fringe! Parece que vivemos em mundos distantes, quando encontramo-nos com as semelhanças, com o que achamos que temos de bom, ou de mau, refletido num paraense, num catarinense, num pernambucano, é como se tivéssemos atravessado um portal para uma outra dimensão, porque, afinal, aprendemos que o Brasil são vários países, várias nações, com culturas muito distintas, somos levados a crer que sair de Rio Branco, no Acre, rumo a Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul, equivaleria a uma viagem de Portugal ao Japão, o que, talvez infelizmente pra você, não é bem verdade!
A sensação de estar atravessando por mundos paralelos tem aumentado, este ano. Lembro disso a cada dia quente que tem feito, abafado do amanhecer até o meio da madrugada! No supermercado vi costela de tambaqui, tem pra vender – ok, é do Mato Grosso e deve ser de açude, mas quem não tem cão... outro dia vi no jornal, a mesma rede de supermercados anunciar tambaqui fresco, inteiro, à venda! Imagine a felicidade, qualquer dia vai sair ruelo assado na brasa, uma caldeirada, uma costelinha grelhada! Posso fazer suco de açaí, cupuaçu, graviola e até taperebá! Qualquer mercado tem as polpas congeladas pra você comprar! No litoral encontrei uma boa tapiocaria e tomei sorvete de cupuaçu, no verão passado. Talvez o planeta esteja invertido, mas, quem sabe, eu esteja em alguma terra paralela, muito parecida com a nossa, mas onde as nossas culturas e climas, tão diferentes, sejam bem mais semelhantes!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Gripe

Calor. Sentado a uma mesa de escritório, derretendo em suor como se estivesse subindo correndo a Costa e Silva sob o sol do meio-dia. Preguiça monstruosa, cansaço, desânimo, sono que não se acaba mais, dores de cabeça, dores no corpo, tosse, garganta arranhando e olhos irritados, nariz entupido... sim, são todos sintomas de gripe. Falta de apetite não sei se é sintoma também, talvez seja, talvez seja mais pelo calor que pela doença... quem é que vai querer sentir o bucho cheio, pesado, enquanto derrete e deixa poças de suor por onde passa?!
Mas o pior dos sintomas da gripe, com toda a certeza, é o mau humor. Tudo chateia, tudo cansa, um maldito telefone tocando parece reverberar lá dentro da tua cabeça, te irritando a ponto de querer destroçar o aparelho com um machado Viking! Com o calor já tem sido difícil pensar, de vez em quando, com a gripe fica quase impraticável! Sim, ainda há algumas coisas e pessoas que te fazem sorrir. Algumas ideias perambulam, também, mas cadê coragem para escrevê-las, falar sobre, praticá-las?! E não sei de ninguém que fique feliz por ficar doente. Não faz nem sentido gostar de se entupir de remédios, antibióticos e passar o dia fungando, com náuseas e enjôos, prenhe de vírus. É dureza não poder aproveitar o arzinho do shopping. Não poder aproveitar as boas coisas do verão. Não poder ligar o ventilador direto em cima de você, assim tendo que tentar dormir à noite suando feito um condenado no corredor da morte. Se estivesse frio, não pense que a coisa estaria muito melhor! Com gripe, nenhum clima é bom! Nem um fim de semana na praia é bem aproveitado quando se está doente! Tudo fica menos suportável que de costume quando se está com gripe! Pois essa gripe tem de ir-se embora antes da sexta-feira! Quero pelo menos aproveitar o Fim do Mundo!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

OS SINAIS!! (Ou um ano muito atípico...)

É o fim dos tempos, mesmo. O fim do mundo está próximo, falta pouco, agora, vá se preparando, faça suas orações, se conecte com seu Deus interior, busque uma crença em que se agarrar, se reconcilie com sua família, com seus amigos, perdoe aquele(a) ex-namorado(a), que é pra não levar consigo nenhum ressentimento, nenhuma mágoa, para a outra vida, para o Céu, para a Eternidade, ou pra onde quer que a gente vá, após o fim de tudo (espero ir pra alguma praia do Caribe, depois que o mundo se acabar).
Porque o mundo VAI acabar, isso é praticamente certo! Não tem mais desculpa, não adianta nem chamar a NASA, pra vir dizer que nada irá acontecer. Ontem encontraram uma centúria, até então desconhecida, do profeta Nostradamus, que dá a entender que o mundo acabará depois que o hit “Gangnam Style”, do rapper(!!) coreano Psy chegar a um bilhão de visualizações. Sei de caboclo que tá abrindo o Youtube toda hora, pra ver se chega logo ao bilhão de “views”! Sim, tem gente doida pra que o mundo se acabe de uma vez, cuidado com eles!
Há quem diga que não pode estar faltando água neste verão, por conta do alto volume de chuvas do último inverno... qual, o de 2011?? Porque não me lembro, sinceramente, de um inverno tão quente e seco quanto o que tivemos, neste ano! Agosto, que costuma ser o mês mais gelado e encharcado do inverno, teve temperaturas de quase 40 graus, dignas do auge do verão! Olha, se isso não é o sinal do final dos tempos se aproximando, não sei mais o que pode ser...
Se você ainda está em dúvida quanto à proximidade do fim do mundo, o que me diz desses outros sinais?!? O Corinthians foi campeão da Libertadores! Não era justo ele, que nunca seria?? E o pior de tudo: ainda pode vir a ser também campeão do Mundial de clubes!! Um time argentino largou o jogo da final da Copa Sul-Americana pela metade! Um amistoso entre as seleções brasileira e argentina foi adiado porque... FALTOU ENERGIA na cidade onde ocorreria a partida! Toda essa onda de le-le-les, tchê-tcherere e etc, o que são?? Sinais do fim do mundo! E o maior, o mais óbvio dos sinais de que o fim está realmente próximo: JOSÉ SARNEY ESTÁ DE VOLTA À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA!!! Ok, isso é porque resolveram passear todos por Paris, a presidente Dilma, o vice-presidente e o presidente da Câmara dos Deputados, mas... uma múmia viva está de volta ao governo, mesmo que por alguns dias, ou semanas, mesmo que na finaleira do ano! ISSO pode, sim, provocar o fim do mundo!! De que provas mais você precisa para crer que estamos condenados, que desta vez o mundo acaba?!
Sim, ok, o mundo pode acabar, a despeito disso tudo, como também pode não acabar, apesar de tudo isso. Sobrevivendo, ou não, a 2012, podemos ter uma certeza: de que este ano foi, pelo menos, bastante estranho! Vai demorar para termos um ano tão atípico quanto este de 2012... assim esperamos! Um ótimo Fim dos Tempos pra você, Feliz Natal e Próspero 2013!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

AH, Uma Praia!

Após o almoço, lá vem ela: a leseira, não importa onde eu esteja, na Praça São Sebastião, debaixo das árvores que ainda têm, na prainha atrás da Usina do Gasômetro, no escritório, ou no mundo da Lua, ela é Baré, com certeza, da rocha que é. Desconfio que até no dia do Fim do Mundo, após o meio-dia, ela virá! Ah, não voltei o mesmo lá do Norte, ela nunca mais me deixou, toma conta de mim dia sim, dia também... oh, leseira baré! Um sono, um cansaço, uma preguiça, até de pensar! Sabe, quando os olhos pesam, parecem ter vontade própria, insistindo em se fechar mesmo que você não queira? Pois é...
E a leseira lembra sono, que parece que ainda não recuperei, desde a noite de segunda-feira. Não conseguia dormir, tamanho o calor, o ventilador não dava conta, o suor escorria, o bafo quente sufocava até os pensamentos. Só queria dormir, um pouco que fosse, só queria que aquele ventilador fosse mais potente, ou melhor, se transformasse num aparelho split, ou qualquer coisa assim! Desejava que a chuva, que estava prevista, chegasse logo. Não me importava mais nem que fosse uma tempestade capaz de inundar e levar tudo, desde que também levasse aquele calor abafado embora. Naquela hora, encharcado umas dez vezes de suor só tinha um desejo: estar bem longe, do meu quarto abafado, do calor da noite, em um outro lugar.
Cara, como gostaria de estar numa praia, àquela hora! Podia ser o Cacau Pirêra, prainha do Gasômetro, praia da Figueira! Podia ser Capão da Canoa, Quintão, Pinhal, Cidreira... não, não precisava ser praia de cartão postal! Qualquer uma já servia! Num calor daqueles, impossível é dormir, impossível é não querer se teletransportar para uma ilha paradisíaca, para qualquer beira de rio, de lagoa, ou de mar, ouvir o som da brisa que acaricia a gente, dormir balouçando numa rede branquinha, como a areia, o pé descalço deslizando na água, quem sabe, quem sabe, um certo alguém ao lado, aproveitando contigo o teu paraíso pessoal... ah, amigo, mesmo com a chuva e o climinha mais ameno que faz hoje, queria estar lá, espairecer, descansar o cérebro, repassar o ano e projetar alguma coisa para janeiro... só aproveitar a paisagem e curtir um dia de cada vez!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Vai Que...


Falta pouco, agora... onze dias! Sim, onze dias! Só onze dias, apenas onze dias, nada mais além de onze dias! Para quê; para terminar alguma promoção; para começar as férias de verão; para partir em uma viagem há muito ansiosamente esperada; para reencontrar a família, ou a uma pessoa amiga a quem se gosta muito e há tempos não se vê; para a chegada do Natal; para entrar o 13º na sua conta; para terminar o mês e acabar o ano?! Não, não se trata de nada disso, não é nada tão simples assim.
Você sabe, todo mundo já sabe, só se fala em outra coisa, desde metade do ano passado, pelo menos. É o maior evento, um evento de proporções bíblicas! E falta bem pouco, agora, mais onze dias, apenas, para a data fatídica, aquela que, segundo dizem, os maias previram para o fim de tudo, o fim dos tempos, o fim do mundo como nós o conhecemos. O fim da odisséia humana na Terra, eu serei seu Adão e você será minha pequena Eva! Ops, desculpem, eu me empolguei...
Pois, que vergonha, você aí tendo tantas certezas absolutas, tranquilão, sabendo o que realmente quer, planejando a vida como se o mundo não estivesse pra acabar, daqui há pouco mais de uma semana! Ok, não se tem certeza alguma de que o mundo posso vir a acabar. Tampouco de que não possa! Vai que acabe... e aí?! E as reformas pessoais, ficam pra quando chegar lá no outro mundo?! Tem tanta certeza de que todo mundo que realmente interessa estará no lugar pra onde você for?! Melhor fazer uma consulta a respeito, porque vai que... né!?
Se tudo irá se acabar numa sexta-feira, como, a que horas, não se sabe. Sabia de várias razões para o mundo acabar, pra humanidade e a vida se extinguirem na Terra, pra até desejar que tudo fosse destruído. Isso até há uns quatro dias atrás, quinze dias antes do dia 21 de dezembro, quando a visão do seu sorriso, a leve arritmia no peito, ao trocar algumas palavras com ela, o que desencadeou um pensamento: de que o mundo não pode acabar, não agora, ainda não, não sem revê-la, às portas de algum shopping center! Não sem dizer-lhe o quanto faz bem ver o seu sorriso, seus olhos, seu cabelo... não sem ao menos dizer o quanto as pessoas importantes o são, para mim. Não sei se terei todo tempo do mundo pra fazer tudo o que quero, o que gosto, o que posso. O mundo pode, mesmo, vir a se acabar, daqui há 11 dias! Será que irei ao mesmo lugar para onde irão todos de quem gosto, será que irei para junto de meus pais, ou das filhotas de meu coração?! Posso ter certeza?!? Acho que você não pode se dar ao luxo de alimentar certezas, quem é importante pra você, o que quer fazer agora mesmo e não faz, porque falta tempo, porque há coisas mais prementes, porque o mundo não vai acabar amanhã e por isso pode adiar certos assuntos! Vai que o mundo acabe mesmo, e aí...!?


 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Paralelas (Parte #1)

FRINGE! Pense só, na quarta temporada da série se descobre que o menino aquele lá não deixou de existir, como os observadores disseram no último episódio da terceira temporada! Ele apenas foi “transplantado” de lugar, no espaço e no tempo. E descobre, em um outro lugar, em um país exótico e bem diferente, que há mais cidades sendo afetadas por aquele problema que a gente viu lá na série, o universo querendo se escangalhar, aquela loucura toda. Agora o nome dele mudou um pouco, a sua vida deu uma reviravolta muito doida, mano. Agora ele se chama Pedro Bispo.
Só que nas primeiras temporadas, era meio que centrado nas cidades de Nova York e Boston, nos Estados Unidos. E essas duas cidades eram interligadas a versões paralelas delas. Agora, a coisa fica um pouco mais estranha! Pedro Bispo levanta-se, no primeiro episódio da quarta temporada, atrasado, suado, com o calor abafado que já faz de manhã bem cedo. “Égua!” pensa, ainda sem entender direito o que acontece a sua volta, “Que sonho doido pá porra foi esse?!” Tudo ainda está bem fresco, vívido, na sua memória.
Levanta-se meio grogue, vai até o banheiro, toma uma ducha fria, para acordar-se melhor, veste-se, toma um café de “tresontonti”, apressado e sai da casinha simples de madeira, onde mora, sobe quase correndo a ladeira, vai até a parada de ônibus. Dali há cinco minutos entra na lotação e ruma para o Centro da cidade. Lá chegando, ele se depara com algo incrível, inusitado, algo inesperado: o rio Negro e a Ponte do Bilhão, por onde passava o metrô de superfície, que pegava todos os dias para o trabalho, no Centro de Manaus, não estavam mais lá! Até o nome da estação de trem havia mudado: não era mais Iranduba! Era um outro nome, um que ele jamais havia ouvido falar em toda sua vida: SAPUCAIA!! Estação Sapucaia! Onde diabos era aquilo?! “Eta, caroço!!”, pensou Pedro, embasbacado. “O 'quéqui' tá acontecendo aqui?! E onde é aqui?? Onde é que eu tô?! Não é possível, será que... ENTÃO TUDO AQUILO NÃO FOI SÓ UM SONHO???”

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Coxinhas, Tretas e O Fim do Mundo

Não é o politicamente correto que está dominando este mundo. Não, é o pensamento coxinha. É a #£rra do pensamento coxinha! Todo mundo agora resolveu querer ser playboy. Ou defender o teu “sagrado” direito de ser playboy! O que dá na mesma, isso significa que o mundo vai mesmo acabar. Por causa da ***** desse pensamento coxinha dominante. E o Zé Povinho – personagem de algumas charges do cartunista Iotti, que com certeza é totalmente apartado da nossa realidade, não tem nada a ver comigo ou contigo, não é mesmo – não reage!
Tu estás bem no meio da Faixa de Gaza, vendo dois patrícios brigando, o “ortodoxo chato e irracional” contra o “progressista social-democrata”. E, em vez de deixá-los resolver suas picuinhas, ou de ao menos se contentar em apenas ficar assistindo, tu resolves participar, reagir àquilo, tomar partido! E indiretamente, tu acabas dando razão ao tal “ortodoxo”, quando vem tomar as dores do outro e defendes o “sagrado” direito dele fazer merda e agir inconsequente. Afinal, “ninguém mais pode errar, que chato!” Mais uma vez, é o ******* do pensamento coxinha se manifestando!
De que adiantam todas as campanhas de conscientização sobre os malefícios do álcool, sobretudo no trânsito? De que adianta, me diz, de que adianta tentar coibir o uso do álcool por motoristas, de que adianta tudo isso, se tu ainda vai te condoer pelo “pobre” menino rico? “Poxa vida, mas não se pode mais errar nessa vida...” NÃO, SEU COXINHA DO *******!! Se TU não podes errar, não podes pôr a tua vida e a de outrem em risco, o playboyzinho, só porque é famoso, pode!? NÃO!! ELE TAMBÉM NÃO!!
Ah, porque tu me ofendestes, me chamou de bosta, vou te meter um processo, puxa vida...” SIM, SEU BOSTA, ISSO MESMO!! Tu só fez uma merdinha inocente, só bebeu um ou dois cálices de vinho a mais, depois saiu pra dirigir a tua possante caminhonete de trocentos e tantos cavalos e o errado passa a ser quem, mesmo que grosseiramente, tentou te alertar pra merda que tu fez. Só porque te deu um xingão de guri em porta de escola! Tu é um bosta, mesmo!
E tu, meu caro amigo, ainda me passas a tarde floodando a linha do tempo das redes sociais tentando provar por A+B que errado é quem procura andar conforme as regras, quem acha que as leis deveriam valer pra todos! Vem tu engrossar a claque dos que batem palmas e veneram essas “celebridades”, os “intocáveis”, a quem é permitido tudo e a quem ninguém tem o direito de repreender. E agora, esses intocáveis têm todo o direito do mundo de agir de maneira infantil e inconsequente, sem ninguém lhes importunar, sob o risco de o mundo ficar “politicamente correto” demais! O assunto que poderia – na verdade, penso que DEVERIA, mas, pra não ser “politicamente incorreto”, direi que a gente até poderia – ser debatido mesmo, sobre os riscos da mistura de álcool e direção, ficou de lado, relegado a um enésimo plano, porque o relevante mesmo é discutir quem tem razão entre os dois moleques se estapeando no pátio do Colégio Israelita. O intolerável mesmo passou a ser qualquer trouxinha com um pouco mais de grana que tu, ou eu, ser chamado de bosta porque fez alguma merda. ESSE é o tal pensamento coxinha, cara. E tu ainda vens e procura me reforçar essa ideia! Cara, o mundo vai acabar, cara. E vai ser por tua culpa!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Amanhecer Mais Colorido

O fim de semana começou tão azul, so blue, so sad... puxa vida, mesmo com todo aquele sol, na última sexta-feira do mês de novembro, as ruas andavam tão sombrias, soturnas! Pra onde quer que a gente olhasse, havia alguma pessoa so blue. É, por aqui parecia que o fim de semana seria mesmo muito triste! Luiz Fernando Veríssimo estava melhorando, mas ainda inspirando cuidados... parece que ainda está, mas agora não encontra-se mais no CTI! Uma boa notícia, a quem interessar possa, já em uma segunda-feira. Que, aliás, começou mais iluminada que de costume, muito ensolarada e quente. E sem nem mesmo sombras daquelas cores mais tristonhas, depressivas e taciturnas! Nem parece com segunda-feira, quase!
Parte dos resultados previstos, os acertei. Lamento apenas que os da loteria, que eram bem mais interessantes, não consegui acertar... enfim, pra quem não sabe, ontem foi a última rodada do campeonato brasileiro 2012. Agora volta o Esquenta na sua emissora favorita, amigo, alegria, alegria! Sim, verdade, nem tudo são flores. Ontem houve transmissão ao vivo de alguns clássicos, como no caso do gre-Nal. O último do viadeiro da Azenha. Aquele em que a torcida tricolina daria um fias... digo, um espetáculo maravilhoso e o time “elitizado” do bairro Azenha, em Porto Alegre, iria golear o seu maior rival, o gigante do bairro Praia de Belas, Internacional! Como sempre, eles esqueceram de combinar com os colorados! E isso que eles tiveram uma força toda especial do seu 12º jogador, que entrou em campo, fazendo um verdadeiro estrago no jogo, teve nome e sobrenome. “Rá!! Era o torcedor!!” Não, não... era o juiz, mesmo, Heber Roberto Lopes!
E a você que não esteve no estádio, não assistiu ao jogo nem pelo rádio, nem mesmo pelo pay-per-view e, portanto, não está entendendo que negócio é esse de possível interdição de estádio do grêmio, mal começando a se preparar para inaugurar a tal arena, de expulsão do técnico tricolino, etc?! O que foi que aconteceu?! E a história essa do rojão, que deixou surdo o preparador físico do Inter, e o quebra-quebra provocado por Saimon, jogador gremista, que achou de atacar o técnico interino (INTERINO, veja bem!!) colorado, já depois dos 45 minutos do 2º tempo, quando o juiz já tinha dado cinco minutos de acréscimo?! É, ninguém falou a respeito disso, não até hoje, ontem parecia estar proibido, nos programas esportivos locais, citar esses “pequenos percalços” do jogo. Todas as presepadas provocadas pelo time so blue antes, durante e depois do jogo foram temporariamente esquecidas e, quando alguém insistia em falar de algum problema, debitava na conta do técnico interino, ou então, do árbitro, seo Heber. Hoje é que lembraram de falar dos “torcedores” vândalos, que depredaram o estádio e atiraram rojões em direção de torcedores e comissão técnica do Internacional, até porque programas de repercussão nacional, como o Fantástico, mostraram as imagens. Aí, não tinha como negar, dizer que tudo havia sido perfeito, que o tricolino é um torcedor cordial e civilizado, etc. Nem que o técnico tricolino não é destemperado – para dizer o mínimo. Quanto ao árbitro, todos seus erros foram editados e seu único acerto – apitar o fim do jogo depois de quase seis minutos de violências e provocações dos jogadores e comissão técnica gremistas contra os colorados – foi interpretado, sabe lá Deus como, sendo o único erro. É normal por aqui, não se preocupe, não se apavore, não sinta-se culpado(a), a crônica jornalística esportiva do sul do Brasil tem apenas um lado e distorce, ou omite os fatos, conforme as suas “necessidades”. De qualquer forma: o campeonato já acabou, a festa que eles quiseram fazer na despedida do “olímpico” foi estragada, por eles mesmo e pelo Clube Atlético, em Belo Horizonte.
Pois então, a noite não teve mais rojão nenhum espocando no ouvido de ninguém e o amanhecer foi mais colorido. O novembro terminou mais sombrio e melancólico, mas parece que, até o fim do mundo, o dezembro será quente, alegre e florido. É o que parece!

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

51: Não Eras Uma Boa Ideia

Foi o mais próximo de um músico que conheci. Pessoalmente, quero dizer. Não é o Zé da Folha, esse eu conheço como qualquer pessoa que já tenha frequentado o calçadão da Rua da Praia (ou Rua dos Andradas, para quem preferir), ou a Praça da Alfândega, conhece, de ver de passagem, de ouví-lo tocar seu violão, bater o pandeiro com o pé e assoprar sua folhinha. É, ele é um músico de rua, como tantos outros que nunca, ou quase nunca, chegam à grande mídia. Mas parece que o Jô Soares entrevistou o Zé da Folha, uma vez. Sim, foi só isso... lhe rendeu umas matérias no Jornal do Almoço – um jornalístico local, da afiliada gaúcha da Rede Globo – uma participação numa vinheta de fim de ano da emissora e uns meses de plateia lotada parada no calçadão para vê-lo tocar.
Antes que perca o fio da meada, no dia do músico tentei pensar em alguém que eu conhecesse a quem pudesse parabenizar pela data. Só lembrei de um amigo. Tocava violão, viola e guitarra. Não tinha um timbre vocal lá muito bonito, mas cantava razoavelmente bem, afinado e dentro do tom. Pensei em cumprimentá-lo pelo seu dia, e então lembrei que só em pensamentos e preces poderia fazê-lo. Não poderei fazê-lo mais, pelo menos, não diretamente.
Dia desses vi que o Botafogo, seu time, tinha empatado com o rival do meu, atrapalhando-o de encostar no Fluminense, campeão desta temporada. Pensei em comentar com ele e desisti na hora. Não poderia mais falar do seu time, do campeonato, dos resultados, de futebol, enfim. Nem conversar sobre música, política e coisas do gênero. Mas falávamos sobretudo de música e futebol. Conversávamos sobre os rumos da música popular brasileira, sobre esse tal sertanejo universitário, sobre o funk, que nos parecia tudo, menos música, sobre o Latino, o tchê-tchê-rere-tchê-tchê, etc. Conversávamos sobre o campeonato brasileiro, da série A e até da série B, comentávamos até o campeonato amazonense. Comentávamos os rumos da política no Amazonas, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul, no Brasil. Não teremos mais essa possibilidade. Talvez sim, mas aí, enfim... é que na semana das eleições ele faleceu, com apenas 51 anos de idade. Não foi uma boa idéia!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Aquiles & Sansão: O Único Certo

Eram altas horas da madrugada. A chuvarada que a noite passada prometia já miou e a madrugada continuava como fora o dia, morna, úmida, abafada. O silêncio reinava, sonolento, sobre aquela rua do bairro Floresta, logo atrás do Shopping Total. No quintal, não haviam nem ruídos de insetos, ou de morcegos, que vinham voando, nas noites quentes que prenunciam o verão, para morder as goiabas e comer as cigarras, empoleirados nos galhos da árvore.
Aquiles cochilava, inicialmente aconchegado, enroscado por entre as longas e robustas pernas de Sansão, mas, conforme a noite ia passando, a chuva ia parando, o friozinho acabava não chegando, enquanto a madrugada avançava devagar, o gato ia lentamente rolando, se esticando e se afastando do amigo canino. No mais, continuavam ambos cochilando, virando para um lado e para outro, Sansão, de vez em quando, levantando-se e rodando, meio sonambulico, sobre as próprias patas, à procura de um lugarzinho mais frio no piso da garagem.
Sabe-se lá que horas eram, bicho não usa relógio, tudo o que Aquiles sabia era que àquela hora seus donos ainda não haviam de ter acordado e que estava longe a hora de acordarem. E justo àquela hora, quando enfim parecia que conseguiria dormir um sono profundo... ele sobressaltou-se! Um ruído quebrava de forma um tanto violenta o silêncio da madrugada. Não um ruído, não: um som ruidoso, renitente, insistente, um barulho extremamente irritante cortava o ar da madrugada: o latido quase ininterrupto de um cão. Um! Apenas um, só um único e solitário cão! Mesmo com seus irritantes latidos ininterruptos quebrando o silêncio na pacata rua residencial do bairro Floresta, nenhum outro cão respondia, ninguém mais fazia ruído, ninguém, nenhum outro cão, ou gato, ou rato, reagia, não faziam sequer menção de responder-lhe, da forma que fosse. Era só ele, aquele cão solitário, aparentemente indo e vindo, latindo sozinho. Só, sozinho, somente ele, um único, solitário, o único certo, a latir. Sansão balançou as orelhas, deu uma ou duas piscadelas. Aquiles notou, meio sonolento, que não era o único irritado com aquela interrupção brusca e sem sentido do silêncio e de seu sono reparador.
Ouviram, então, um outro som, um grito, bastante alto, transparecendo enorme irritação. Ambos sobressaltaram-se, fitaram-se com os olhos esbugalhados. Mas enfim, o único certo calou-se e o silêncio voltou a reinar. Sem trocarem nem grunhidos, Sansão voltara a esticar-se na lage fria da garagem e Aquiles a se enroscar entre as patas do amigo.
Acordaram praticamente juntos, o sol já estava um pouco alto no céu. Andressa vinha com a sua comida, estava com umas olheiras e um ar de cansaço. Quando saiu de perto, como se pudesse entender o que dizia, Sansão sussurrou para o gato:
Ela também não dormiu bem, essa noite.”
Aquiles piscou lentamente os olhos, abanou as orelhas e concordou, num tom mal-humorado: “Também pudera! Parecia que ia chover e refrescar, mas depois que a chuva se foi parece que abafou mais ainda! E depois, no meio da madrugada, aquele infeliz a latir sem motivo algum! Quem conseguiria dormir?”
A gente não sabe se ele não tinha alguma razão bastante boa”, contemporizou Sansão, meio em dúvida.
Fora acordar a vizinhança e ser mais uma razão para atrapalhar o nosso sono e nosso humor, eu não vejo nenhuma outra razão. Boa, então, menos! Qual é, cara, tu sabes que ouço tão bem quanto tu, que dificilmente um som estranho escapa aos nossos ouvidos. E ontem à noite, fora aquele solitário nervosinho, não tinha nenhum outro som fora do normal, nada que lhe servisse de motivo... é verdade, ou não é?!”
Sansão coçou a orelha, concordando, por fim: “Sim, Aquiles, tu tens razão... aquele cachorro só estava latindo, também não consegui perceber nada que pudesse fazer ele agir daquela maneira. Acho que é mais ou menos como Walter disse, certa vez, a vontade de falar, às vezes, é mais importante do que a mensagem que se diz.”
O gato levantou uma das sobrancelhas, meio desconfiado: “Então tu quer me dizer que aquele cão podia estar só... como é que os humanos dizem... desabafando?!”
Tu deves convir de que pode ser...”
Sim, ok”, concordou Aquiles, meio a contragosto, “mas sei lá, cara, prefiro o diálogo a isso. Mesmo uma briga de cão e gato tem mais razão de ser do que latidos a esmo! Um gato e uma gata gritando são como em 9 e ½ Semanas de Amor, como em O Império dos Sentidos!”
Não quero nem saber que filme achas que é, quando uma porção de cães correm atrás de uma mesma cadela”, riu-se Sansão, gargalhando, quando Aquiles brincou: “Quem Vai Ficar com Mary?”.
Ok, ok, e quando é só um cão, ou um gato, sozinho, só, somente ele, solitário, latindo, ou miando?”
Bom...” começou Aquiles, coçando o queixo. “Daí acho que é alguém que ama demais a própria voz, o próprio latido, ou o próprio miado. Alguém que se considera o único sábio, o único que tem algo a dizer. E quando resolve soltar a voz, independente do que os outros vão preferir, aí é fuleiragem, meu amigo!”


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Muito Linda

    Do nada, o peito palpita, nervoso por sob a blusa básica branca. Sem mais nem menos, os olhos ardem, marejados, a boca seca, a garganta parece apertar, a cabeça gira num caleidoscópio de ideias, liquidificando, misturando pensamentos, sentimentos e emoções. "Do nada"...? "Sem mais nem menos"?! Não mesmo, do nada, nada!! O coração dispara acelerado por um simples motivo, uma boa razão. 
   É por seu sorriso, pelos seus lindos olhos que as borboletas dançam em meu estômago, pela sua pele e seus cabelos que o coração parece querr fugir do peito, batendo a 300km/h. Por isso e por tudo o mais! Feito um adolescente nervoso, tímido, com as mãos suadas e frias, paraliso como se estivesse pessoalmente à sua frente, sem saber o que dizer, nem mesmo se deveria. Toda essa tempestade dentro de mim, toda essa confusão de emoções, sentimentos, pensamentos, tudo o que queria dizer-lhe, tudo o que senti, e sinto, traduzido em apenas duas palavras:...

Fim de Sem(ana)

     A noite começa a cair, termina mais um dia, acaba-se mais uma semana, as pessoas começam a planejar as baladas, há shows, há cinema, alguns falam em ir às cachoeiras de Presidente Figueiredo, outros falam em cair na estrada e descer até Imbeverly Hills. Ele também planeja o seu fim de Sem(Ana): tem Skyfall, que ele ainda não viu, quer muito ver; tem a Feira do Livro, no seu último final de sem(Ana), na Praça da Alfândega; tem o aniversário da sua sobrinha mais nova, no domingo, 3 aninhos, já, puxa vida, como o tempo passa rápido...
Está cansado, algumas coisas a que se propôs fazer, as fez, missão dada - ou assumida voluntariamente - é missão cumprida, capitão! Agora ele se despede dos 'amigos' twitteiros, se despede do Face, deixa mais um texto engatilhado para postar no blog, na segunda-feira, na próxima semana. Amanhã vai acordar mais tarde. Amanhã vai passar bem longe de um computador. Pretende aproveitar o tempo livre, caminhar mais, pegar mais sol - quase tão quente quanto em Manaus. Não verá seu nome, sequer seu avatar, sua mente talvez se perca, divagando sobre ela. Só por isso, lamenta ser fim de sem(Ana), pois são dois dias sem vê-la.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Brega... E Quem Não É...?!

    Olho para você, vejo os teus olhos, fico um bom tempo a observá-los, hipnotizado, imagino, um dia poder te olhoar nos olhos, provavelmente neles me perder de vez.
   Olho o teu sorriso, simplesmente o sorriso mais lindo de todos, o mais lindo que já vi. Todos os dias que te vejo, vejo o teu sorriso, vejo teus lábios, tua boca, a boca mais perfeita que já vi. Observo-a e desejo beijar teus lábios, tua boca e não parar. Penso em te beijar a cada vez que te vejo, penso em te beijar a cada minuto, a cada instante, acariciar teus cabelos, sonho acordado, a cada vez que te vejo.

 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Outro Em Seu Lugar

Ele andava meio preocupado. Ela deu uma sumida, por um tempo. Logo ficou aliviado, pois ela já retornara e ele pode voltar a stalkeá-la. Mas, algo ali estava diferente, alguma coisa estava errada. Ele voltou a ficar preocupado, não sabia bem o que poderia ser. Antes, até rolava uma interação, a ele não interessava mais ninguém, quando ela desapareceu uns dias, ele se ocupou de outras coisas. Não era só questão de exclusividade, e era, ao mesmo tempo. O que lhe atraía nela não atraía em mais ninguém. Bem, ela o reconhecia assim, ele se aceitou, tipo assim, um stalker só seu, todo seu. E agora, ele desconfiava, já havia outro em seu lugar... andava meio preocupado. Ela deu uma sumida, por um tempo. Logo ficou aliviado, pois ela já retornara e ele pode voltar a stalkeá-la. Mas, algo ali estava diferente, alguma coisa estava errada. Ele voltou a ficar preocupado, não sabia bem o que poderia ser. Antes, até rolava uma interação, a ele não interessava mais ninguém, quando ela desapareceu uns dias, ele se ocupou de outras coisas. Não era só questão de exclusividade, e era, ao mesmo tempo. O que lhe atraía nela não atraía em mais ninguém. Bem, ela o reconhecia assim, ele se aceitou, tipo assim, um stalker só seu, todo seu. E agora, ele desconfiava, já havia outro em seu lugar...

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Finados

Os mais antigos levam isso mais a sério e nem pensam muito sobre a origem desses costumes. Um dia e um mês certos para se sentir saudades dos entes queridos. Um dia em que os mais velhos ainda vão aos cemitérios, visitar os túmulos, lembrar de quem já foi; maridos, esposas, pais e mães, irmãos, tios, avós... muitos nem sabem que muito antes de Cristo as pessoas já tinham esse hábito, muitos povos já reservavam um dia no seu calendário para cultuar os seus mortos. O dia de finados, no nosso calendário, coincide com a mesma data em que os antigos romanos veneravam os seus próprios falecidos. Sim, antes do cristianismo, antes mesmo de Jesus de Nazaré vir a este mundo. Enfim, independente da origem da data...
Visitar túmulos e cemitérios não faz muito sentido pra mim. Para outras pessoas, isso parece fazer algum sentido, é assim que fazem para lembrar das pessoas amadas, então tudo bem. Dia de finados é mais um feriado, um dia a mais de descanso. Um dia para dar um passeio, para aproveitar uma praia. Essa era a minha vontade... mas não ir a cemitérios. Só fui até lá uma vez, no dia do enterro do corpo de meu pai. Depois, nunca mais. Ele não está lá, para mim, não é lá que vou encontrá-lo. Está em outro lugar e não é indo ao cemitério que o encontrarei. Não é com data marcada que a saudade vem. É com uma foto antiga, uma música, uma lembrança... como quando eu era menino e ele nos levava a Gramado, Canela, ou Nova Petrópolis, na serra... ou quando íamos a Florianópolis, nas férias de verão... ou quando assistíamos juntos aos episódios de James West, Perdidos no Espaço, Terra de Gigantes, O Túnel do Tempo... se hoje tenho uma certa predileção por séries meio “nerds”, muito disso foi por “culpa” dele!
Meu dia de finados particular é no dia e na hora que for, é quando lembro essas pequenas coisas e sinto falta. É quando penso em como seria minha vida, como estaríamos agora, se ele estivesse aqui conosco até hoje... quando ele aparece em meus sonhos, também. No último de que me lembro, ele me aconselhava de que, se estivesse mesmo certo de estar apaixonado por ela, deveria apostar tudo nisso, deveria investir nesse sentimento, na possível relação. Foi o que entendi... hoje imaginei se ele estaria lá onde quer que esteja, se perguntando afinal o que estou esperando.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

2º Tempo

O sistema está errado. Os problemas estão aí, são graves e não estão sendo atacados. No congresso, acharam de oficializar a semana de “trabalho” de três dias. E você, pra ganhar uns dois salários mínimos, tem uma semana de trabalho de seis dias... e só um domingo por mês!
A educação, a saúde, a ascensão social só se percebem quando o governo muda o sistema de avaliação. Você muda o governo, espera que o governo novo seja um sistema novo, que vá implantar mudanças de fato. Não raro, você se decepciona. Nas próximas eleições, também não raro, você opta por retornar ao antigo, na esperança de que a época em que a coisa não era melhor, mas parecia menos pior. Raramente o antigo não resolve fuleirar, chutar o balde e se locupletar demais, governando de menos.
Não adianta, o sistema está errado. O certo mesmo é desistir, não se importar mais com o sistema, a política, essa classe dos políticos. Pouco importa em quem se vota, mesmo renovando continua tudo na mesma. Os políticos jovens não são mais confiáveis do que os antigos, quem se envolve nesse mundo não é sério. Não conheço ninguém sério envolvido com política! Tanto faz se engajar em campanha, aliás, só mediamente pagamento, ou um empreguinho, algo assim... só assim pra essa gente fazer algo por você, só em ano de eleição mesmo! Na verdade, o melhor é até anular o voto! Já que, pouco importa... o teu voto não vai fazer a menor diferença, não vai trazer nenhuma melhoria, nenhuma mudança. Futuro não tem, o sistema está errado e nunca vai mudar! Certo?!
Hoje nem o voto nulo tem o mesmo valor, não tem mais aquele “gramur”. Tendo nascido no interior, ainda tive a oportunidade de conhecer as cédulas de papel para votação. No tempo da cédula, o voto nulo era mais criativo, era uma forma de protesto, contra o sistema, contra os governantes e os políticos, contra a sociedade e a situação da cidade, do Estado, do país, até mesmo do mundo! Nos anos 80, no Rio de Janeiro, quem estava decepcionado com a política, mesmo no período de reabertura política, votou Tião, um chimpanzé do zoológico, para a prefeitura municipal carioca. Você podia votar em Jesus Cristo, para endireitar o Brasil, se não quisesse escolher um dos quase trinta candidatos à presidência, em 1989, dentre os quais estavam Collor, Lula, Maluf e Ulisses Guimarães.
O voto nulo não tem mais charme e isso foi a única coisa que a urna eletrônica estragou, nas eleições. De qualquer forma, continua tendo, sim, o seu valor, como verdadeiro protesto quando você sabe, no íntimo, que os candidatos que nos são apresentados não são o que de melhor, naquele momento, ou para aquele cargo, ou para sua cidade, sua comunidade, etc. Não me venham com aquela onda do voto útil, além de ser obrigado a votar, você tem que escolher o “menos pior”, ou o “mais palatável” entre dois ou mais políticos simplesmente intragáveis. Você não é obrigado a escolher “ o que tem”, independente da sua vontade, da sua consciência. Se nenhum candidato lhe representa, não escolha nenhum, simples assim!
Porém, o voto nulo não deve ser banalizado, não deve ser utilizado sem parcimônia, ou critério. Já banalizaram o tal voto “útil”, não precisa ocorrer também com o nulo. Ainda há pessoas sérias e interessadas, buscando fazer algo, buscando melhorar a situação do seu bairro, sua cidade, seu povo, sua comunidade. Sim, são poucos, mas eles estão aí, procurando bem, a gente encontra, sejam eles jovens, tentando entrar para a vida pública, ou alguns da antiga, que ainda lutam dentro do sistema, para modificá-lo, ou usá-lo em favor do povo. Em se encontrando um desses, sentindo que nos deparamos com um desses, é sensato dar-lhes um voto de confiança. Não esperar para ver o que dirão as pesquisas, não aceitar sem questionar os argumentos em defesa do “voto útil”, para eleger “quem tem mais chances”, ou usando e abusando do voto nulo, sem um mínimo de critério. Se no segundo turno, no segundo tempo do jogo eleitoral não estiver mais aquele bom candidato dentro do pleito, bom, aí ou se escolhe um que se assemelhe a ele, ou, não havendo nenhum que você identifique, que mereça o seu voto de confiança, usa-se do voto nulo, que é melhor do que o “voto útil”, dado sem convicção, sem razão, sem critério, sem parcimônia. Usado apenas para não deixar se eleger um desafeto, na maioria das vezes. O problema é eleger alguém que, em tese, não é da mesma corrente ideológica, mas na prática se assemelha bastante a quem não queremos ver no poder.
É interessante saber quando a gente pode, ou deve usar o voto nulo e quando podemos escolher um candidato engajado e afim de jogo. Quem sabe, elegendo os esforçados, acabamos por conseguir mudar o sistema!?

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Tamo Junto

Aquele momento em que você sente um aperto no peito. Em que você quer muito ter a palavra certa e quanto mais pensa, mais fica sem saber o que dizer. Em que gostaria muito mesmo de saber o que fazer, ter como ajudar, mas sente-se com as mãos atadas. Exasperador, não? A outra pessoa com problemas e você não sabe o que fazer para ajudar. Não tem como ajudar. E isso é desesperador... eu sei! Ninguém gosta de deixar os que se gosta na mão. E é com essa impressão que a gente fica.
Tem pessoas por quem eu faria qualquer coisa, a quem daria tudo, se me fosse permitido. Há pessoas por quem simplesmente morreria, por quem daria minha vida, há pessoas por quem esqueço meus próprios problemas e me concentro para descobrir uma forma de resolver os seus. Fico frustrado quando vejo que não tenho condição alguma de ajudar; temo atrapalhar, mais do que auxiliar. Sinto-me mal por querer fazer algo pela pessoa e não saber como, nem o quê.
A tristeza do outro me entristece também, independente do motivo, de se estar distante, ou do que for. Não sei o quanto uma pessoa ficou mal por conta de determinada situação, sei que ela está mal e isso me faz mal também. Como se a chateação, a frustração, a tristeza, fosse minha, como se o lance chato tivesse sido comigo... ou talvez me sinta responsável, de alguma forma, pela chateação alheia. O seu desespero me desespera! Querer ter como ajudar, seja do jeito que for, querer fazer alguma coisa, qualquer coisa, pela pessoa, que possa salvar-lhe o dia e frustrar-se porque apenas melhorar um pouquinho só o seu humor não nos basta. Quem nunca? Talvez sofra de alguma síndrome, da necessidade de ser o herói de alguém, de ser o salvador da sua pátria... ou alguma coisa assim. Não necessariamente querer o reconhecimento, apenas querer demais, por gostar demais dessa pessoa, ser, como disse, o seu herói, salvá-la das enrascadas, não deixar seu dia azedar, essas coisas. O seu problema talvez nem seja meu problema, mas acaba se tornando. Não é apenas uma expressão, dita da boca pra fora, quando se trata de quem queremos bem.