Hoje chamam de mini mercado, ou mercadinho, mas, na nossa infância, chamavam de armazém, venda, ou taberninha... local onde você encontra de tudo: pão, misturas, erva mate e pupunha a granel, pirarucu seco pro almoço de sexta-feira santa, uma caninha da boa, envelhecida em barris de carvalho e um ou dois dedos de prosa... entre e fique a vontade!
O
mundo já acabou. Hoje é recém o sétimo
dia após o fim do mundo velho. E as pessoas?! Agem como se
estivessem ainda no velho mundo, reclamam das mesmas coisas,
continuam cometendo os mesmos erros, esperando os problemas
resolverem-se sozinhos, as soluções surgirem em um
passe de mágica. Continuam reclamando, ou acreditando em todas
ações de governo, em todos os âmbitos. Pior:
continuam reclamando dos políticos nas redes sociais, mas não
fazem a menor questão de ir às ruas para protestar
contra os descalabros e pedir mudanças, continuam votando de
forma “útil”, exatamente como lhes foi ensinado pelos
próprios políticos!
O
mundo acabou faz sete dias; a passagem do ônibus aumentou duas
vezes no mesmo ano, os vereadores se deram aumento bem acima da
inflação e do próprio aumento do salário
mínimo e as pessoas não reclamaram abertamente,
aceitaram caladas, como se não pudessem fazer nada a respeito.
Exatamente como no mundo velho! Pessoas continuam se dividindo e
brigando por sistemas políticos banalizados e falidos, que só
ajudaram a destruir o velho mundo, continuam se dicotomizando, se
dizendo de “esquerda”, ou de “direita”, como se ainda tivesse
algum sentido nessa dicotomia. Continua a intolerância por
conta da religião, ou por falta de uma; por causa da cor da
pele, da etnia, da nacionalidade, das escolhas sexuais e/ou afetivas.
O
mundo velho acabou! Aceite isso! Mude sua cabeça! É um
mundo novo que começa agora, recém nasceu e já
exige idéias novas, pensamentos reciclados, novas visões
políticas, espirituais, etc! Comece a agitar-se, a trabalhar,
junte sua turma, pense, converse, discuta! O que você quer
mudar, como quer construir o novo mundo que só está
começando? O que pertence ao velho mundo, deixe para trás,
que se queime nas cinzas do velho! O que puder reciclar, revisar e
retomar, traga para o novo, adapte e reconstrua, do jeito que deveria
ser! Mas o melhor é a quebra de paradigmas, o fim de
pragmatismos, as idéias e ideais novos.
Adeus
mundo velho! Deixe-o para trás, sem remorso, sem peso, sem
tristeza, sem saudade, sem nostalgia... ele acabou-se! Feliz Novo
Mundo! Que venham as realizações e os novos desafios!
Chegou a hora de deixar os pequenos vícios que chamamos
“tradições” para lá e recomeçar,
construindo novos hábitos, novas tradições para
o Novo Mundo que está chegando! Bem-vindo, 2013!
Cara,
sou completamente apaixonado por essa garota! Cara, como eu adoro
ela! Sou perdido por essa menina, é muito amor, viu! É
muito ponto de exclamação, também! São
muitas constatações de uma só vez, com um
sorriso de orelha a orelha! Foi na tarde de um belo dia em que nada
parecia dar certo, o marasmo e a melancolia tomavam conta do meu ser,
em que o mundo estava próximo de se acabar, e todo contra mim,
nessa tarde é que, enfim, me convenci, que me dei conta de
como sou apaixonado por ela!
Estava
desenxavido, chateado, bolado com algumas pessoas, até
irritadiço. Bastou ela aparecer, só uma curtida sua e
todos os problemas sumiram de vista, toda chateação foi
esquecida, as nuvens escuras e carregadas de melancolia, tristeza e
raiva desvaneceram, sopradas para longe de mim, a tarde quente e seca
repentinamente ficou muito mais bonita e colorida ante a mera
insinuação de seu sorriso! Percebi, então, que
gosto mesmo muito dela, que apenas visualizar o seu sorriso já
me aquece o coração, já me tira qualquer
cansaço. Percebi que não queria mais que o mundo se
acabasse... por causa dela, ela não mereceria um fim do mundo
apocalíptico, do tipo que todo mundo falava, justo agora!
Como
diz Lulu, ela me faz tão bem... desde a primeira vez e demorei
tanto para ver... desde o dia que a segui, o menor gesto seu já
me faz sorrir... nem precisa muito, o seu sorriso já me faz
sorrir feito bobo! Desde o início, desde sempre! Depois da
chuva sempre vem o arco-íris. Ela é como um arco-íris,
pra mim! Ela me colore, quando estou cinzento, me ameniza, quando
estou me sentindo pesado de tristezas e frustrações.
Gostaria
de, só por um dia, ser Lucky Prichard, para amenizá-la,
para fazê-la feliz! Gosto quando faço suas pequenas
vontades. Gosto quando encontro um som que lhe ilumine um pouco a
manhã atarefada. Gostaria de fazer por ela o que ela me faz
sentir, e que acho, ela nem desconfia... cara! Sou muito apaixonado
por essa mulher! Essa menina é o mais lindo arco-íris
que já vi na vida! Gosto muito dela, viu!
Cara,
sou completamente apaixonado por essa garota! Posso estar exacerbado
de preocupações; posso estar triste, deprimido, ou
frustrado; posso estar com um mau humor do cão, sem vontade
nenhuma e não rindo para nada, até mesmo soltando as
patas em meio mundo! Basta ela aparecer e esqueço todos os
problemas.
Ela
tem algo que me balança, que me agita dentro do peito, que com
o mínimo esforço me faz sorrir! Ela tem alguma coisa
que me irrita, um não sei quê que me enfeitiça!
Algo no seu jeito que me fascina, ela tem alguma coisa que não
consigo decifrar, não consigo compreender... tem algo nela sem
o qual já não consigo mais ficar.
Ela
tem um não sei quê que me dá vontade de ter não
sei o quê com ela! Ela tem alguma coisa, no seu sorriso, no seu
olhar, no seu jeito de falar, que me faz sentir vivo! Não sei
o que ela tem que me fascina e atrai tanto. Há algo nela que
me faz querer fazer algo por ela só o tempo todo. Algo que lhe
agrada procuro conhecer, pra ver se me agrada também. A música
que ela adora, dou uma escutada e também começo a
gostar! Os filmes que lhe agradam, eu vejo com outros olhos, pra ver
se não cometi alguma injustiça na primeira vista.
Nela
há algo que em mim parece reverberar, um não sei quê
que, de alguma forma, toca fundo em mim. É um não sei
quê que me transborda de uma maneira que não sei
explicar! Cara, ela tem algo que me desorienta e me faz sentir bem
assim! Ela tem um não sei quê que só eu sei como
me faz bem. Cara, sou perdidamente apaixonado por essa mulher! Essa
garota tem um não sei quê que nem sei direito o que é,
mas que me faz tanto bem que, parafraseando Lulu, também quero
fazer isso por ela... e muito!
Falta
pouco, agora... é questão de tempo, é questão
de horas, agora, para a Profecia Maia, seja ela qual for, começar
a se cumprir. É o fim dos tempos, o fim dos dias, o fim de
todas as coisas, o fim do mundo. Estou chateado. É que a gente
se apega a cada coisa... se apega a umas pessoas que nem sei! Olha,
já nem queria mais que terminasse... podia ter ficado um
tempinho a mais. Talvez não tivesse perdido tempo com uns
equívocos, se eu soubesse antes... é triste, mas não
tem mais jeito. O mundo vai acabar!
Sim,
o mundo vai acabar e eu nem encontrei latinhas de refrigerantes com
nossos nomes. Pelo menos nas latinhas poderíamos nos reunir!
Só que não rolou... o mundo vai se acabar e nem assim
vou estar perto de você. O mundo vai se acabar e não vou
mais poder te dedicar músicas no teu mural, como quase toda
manhã. Sinto até falta, me sinto em débito com
você, quem sabe temo até ser esquecido, quando falho um
dia.
O
mundo vai se acabar e não vou poder te convidar para o próximo
Lollapalooza Brasil... nem se tiver grana pra isso! Mesmo que tivesse
condições financeiras, o mundo vai se acabar e não
poderia ir, nem sozinho, nem dando uma passadinha aí, pra ver
se você gostaria de ir comigo.
O
mundo vai se acabar e ainda não criei coragem pra te cutucar
no Face! Tão difícil conciliar desejo e vontade, mesmo
que para uma ousadia tão virtual!
O
mundo vai acabar e tudo o que já imaginei contigo vai ficar só
no campo das ideias, só na lembrança, lá, onde
quer que eu vá... não sei se lá nos
reencontraremos, e se for possível, nem quanto tempo irá
demorar. O mundo vai acabar e jamais teremos tomado um chimarrão
da Chimarruts, por exemplo!
O
mundo vai acabar, sim, e estou muito chateado, porque até hoje
não achei o momento adequado, nem as palavras, nem a maneira
certa de te dizer “Ana, sou completamente apaixonado por você”.
Na minha cabeça eu já te disse isso quase um milhão
de vezes...
Não,
ok, eu sei, tem mais jeito não, agora é meio tarde pra
isso... o mundo vai se acabar e esperei demais. Agora o jeito é
aceitar, me resignar. E pelo menos levar comigo a satisfação
de um dia ter te visto, em ao menos um pouquinho ter conhecido você.
Lembro
da primeira vez que fui a Iranduba. Ainda não tinha a Ponte do
Bilhão, se chegava de balsa, pelo porto do Cacau Pirera. Não
sou motorista, sou pedestre, por isso gostava mais da viagem de
balsa. Enfim... não fiquei no Cacau, fui até o Centro
de Iranduba, num ônibus que me lembrou os “bons e velhos”
coletivos da Real Rodovias – mais velhos do que bom, tanto num caso
quanto no outro. Lá chegando... como explicar de uma forma que
vocês possam entender...? Bem, a sensação não
foi de estranhamento, mas sim de familiaridade. Não, não
dejá vù, como se já tivesse estado ali. De
familiaridade, mesmo! “Oh, mas você não é
nortista, deve ter estranhado muito, você vem de um lugar muito
diferente...” ouvi um radialista e ex-senador cara de pau dizendo
mais ou menos isso, outro dia, se referindo ao caso de uma mulher que
veio do Mato Grosso, em busca de tratamento pro filho e tal. Mas não
vamos falar dele, não por agora! E não, as diferenças
não conseguem ser tão gritantes fora dos bancos de
escola e da telinha do plim-plim!
Quando
cheguei no centro de Iranduba, percebi bem uma ideia pré-concebida
desmoronando diante dos meus olhos. Ali, no centro da cidade, me vi
como se estivesse no centro de Sapucaia, ou de Esteio! Ok, talvez há
uns 15, ou 20 anos, mas ainda assim, me senti de volta a Sapucaia,
tendo apenas atravessado uma ponte! Tão próximo da
capital do Estado – 25 km separam Iranduba de Manaus, mais ou menos
a mesma distância entre Sapucaia e Porto Alegre – e com um
certo ar mais bucólico, interiorano... isso, as duas cidades
têm, muito!
Parece
que os brasileiros sentimos um certo fascínio por nos
considerarmos num mundo à parte, num mundo ocupado somente
pelo Brasil, que parecemos não gostar muito da ideia dele como
um só país. Os sulistas e nortistas fomos ensinados a
ver-nos tão diferentes quanto os ingleses e os franceses. As
grandes redes midiáticas de Rio e São Paulo colaboram
bastante para nos vermos assim, fortalecem os estereótipos e
escondem os pontos em comum.
Por
isso que escrevi, outro dia, um outro texto, brincando com a série
Fringe! Parece que vivemos em mundos distantes, quando encontramo-nos
com as semelhanças, com o que achamos que temos de bom, ou de
mau, refletido num paraense, num catarinense, num pernambucano, é
como se tivéssemos atravessado um portal para uma outra
dimensão, porque, afinal, aprendemos que o Brasil são
vários países, várias nações, com
culturas muito distintas, somos levados a crer que sair de Rio
Branco, no Acre, rumo a Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande
do Sul, equivaleria a uma viagem de Portugal ao Japão, o que,
talvez infelizmente pra você, não é bem verdade!
A
sensação de estar atravessando por mundos paralelos tem
aumentado, este ano. Lembro disso a cada dia quente que tem feito,
abafado do amanhecer até o meio da madrugada! No supermercado
vi costela de tambaqui, tem pra vender – ok, é do Mato
Grosso e deve ser de açude, mas quem não tem cão...
outro dia vi no jornal, a mesma rede de supermercados anunciar
tambaqui fresco, inteiro, à venda! Imagine a felicidade,
qualquer dia vai sair ruelo assado na brasa, uma caldeirada, uma
costelinha grelhada! Posso fazer suco de açaí, cupuaçu,
graviola e até taperebá! Qualquer mercado tem as polpas
congeladas pra você comprar! No litoral encontrei uma boa
tapiocaria e tomei sorvete de cupuaçu, no verão
passado. Talvez o planeta esteja invertido, mas, quem sabe, eu esteja
em alguma terra paralela, muito parecida com a nossa, mas onde as
nossas culturas e climas, tão diferentes, sejam bem mais
semelhantes!
Calor.
Sentado a uma mesa de escritório, derretendo em suor como se
estivesse subindo correndo a Costa e Silva sob o sol do meio-dia.
Preguiça monstruosa, cansaço, desânimo, sono que
não se acaba mais, dores de cabeça, dores no corpo,
tosse, garganta arranhando e olhos irritados, nariz entupido... sim,
são todos sintomas de gripe. Falta de apetite não sei
se é sintoma também, talvez seja, talvez seja mais pelo
calor que pela doença... quem é que vai querer sentir o
bucho cheio, pesado, enquanto derrete e deixa poças de suor
por onde passa?!
Mas
o pior dos sintomas da gripe, com toda a certeza, é o mau
humor. Tudo chateia, tudo cansa, um maldito telefone tocando parece
reverberar lá dentro da tua cabeça, te irritando a
ponto de querer destroçar o aparelho com um machado Viking!
Com o calor já tem sido difícil pensar, de vez em
quando, com a gripe fica quase impraticável! Sim, ainda há
algumas coisas e pessoas que te fazem sorrir. Algumas ideias
perambulam, também, mas cadê coragem para escrevê-las,
falar sobre, praticá-las?! E não sei de ninguém
que fique feliz por ficar doente. Não faz nem sentido gostar
de se entupir de remédios, antibióticos e passar o dia
fungando, com náuseas e enjôos, prenhe de vírus.
É dureza não poder aproveitar o arzinho do shopping.
Não poder aproveitar as boas coisas do verão. Não
poder ligar o ventilador direto em cima de você, assim tendo
que tentar dormir à noite suando feito um condenado no
corredor da morte. Se estivesse frio, não pense que a coisa
estaria muito melhor! Com gripe, nenhum clima é bom! Nem um
fim de semana na praia é bem aproveitado quando se está
doente! Tudo fica menos suportável que de costume quando se
está com gripe! Pois essa gripe tem de ir-se embora antes da
sexta-feira! Quero pelo menos aproveitar o Fim do Mundo!
É
o fim dos tempos, mesmo. O fim do mundo está próximo,
falta pouco, agora, vá se preparando, faça suas
orações, se conecte com seu Deus interior, busque uma
crença em que se agarrar, se reconcilie com sua família,
com seus amigos, perdoe aquele(a) ex-namorado(a), que é pra
não levar consigo nenhum ressentimento, nenhuma mágoa,
para a outra vida, para o Céu, para a Eternidade, ou pra onde
quer que a gente vá, após o fim de tudo (espero ir pra
alguma praia do Caribe, depois que o mundo se acabar).
Porque
o mundo VAI acabar, isso é praticamente certo! Não tem
mais desculpa, não adianta nem chamar a NASA, pra vir dizer
que nada irá acontecer. Ontem encontraram uma centúria,
até então desconhecida, do profeta Nostradamus, que dá
a entender que o mundo acabará depois que o hit “Gangnam
Style”, do rapper(!!) coreano Psy chegar a um bilhão de
visualizações. Sei de caboclo que tá abrindo o
Youtube toda hora, pra ver se chega logo ao bilhão de “views”!
Sim, tem gente doida pra que o mundo se acabe de uma vez, cuidado com
eles!
Há
quem diga que não pode estar faltando água neste verão,
por conta do alto volume de chuvas do último inverno... qual,
o de 2011?? Porque não me lembro, sinceramente, de um inverno
tão quente e seco quanto o que tivemos, neste ano! Agosto, que
costuma ser o mês mais gelado e encharcado do inverno, teve
temperaturas de quase 40 graus, dignas do auge do verão! Olha,
se isso não é o sinal do final dos tempos se
aproximando, não sei mais o que pode ser...
Se
você ainda está em dúvida quanto à
proximidade do fim do mundo, o que me diz desses outros sinais?!? O
Corinthians foi campeão da Libertadores! Não era justo
ele, que nunca seria?? E o pior de tudo: ainda pode vir a ser também
campeão do Mundial de clubes!! Um time argentino largou o jogo
da final da Copa Sul-Americana pela metade! Um amistoso entre as
seleções brasileira e argentina foi adiado porque...
FALTOU ENERGIA na cidade onde ocorreria a partida! Toda essa onda de
le-le-les, tchê-tcherere e etc, o que são?? Sinais do
fim do mundo! E o maior, o mais óbvio dos sinais de que o fim
está realmente próximo: JOSÉ SARNEY ESTÁ
DE VOLTA À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA!!! Ok, isso é
porque resolveram passear todos por Paris, a presidente Dilma, o
vice-presidente e o presidente da Câmara dos Deputados, mas...
uma múmia viva está de volta ao governo, mesmo que por
alguns dias, ou semanas, mesmo que na finaleira do ano! ISSO pode,
sim, provocar o fim do mundo!! De que provas mais você precisa
para crer que estamos condenados, que desta vez o mundo acaba?!
Sim,
ok, o mundo pode acabar, a despeito disso tudo, como também
pode não acabar, apesar de tudo isso. Sobrevivendo, ou não,
a 2012, podemos ter uma certeza: de que este ano foi, pelo menos,
bastante estranho! Vai demorar para termos um ano tão atípico
quanto este de 2012... assim esperamos! Um ótimo Fim dos
Tempos pra você, Feliz Natal e Próspero 2013!
Após
o almoço, lá vem ela: a leseira, não importa
onde eu esteja, na Praça São Sebastião, debaixo
das árvores que ainda têm, na prainha atrás da
Usina do Gasômetro, no escritório, ou no mundo da Lua,
ela é Baré, com certeza, da rocha que é.
Desconfio que até no dia do Fim do Mundo, após o
meio-dia, ela virá! Ah, não voltei o mesmo lá do
Norte, ela nunca mais me deixou, toma conta de mim dia sim, dia
também... oh, leseira baré! Um sono, um cansaço,
uma preguiça, até de pensar! Sabe, quando os olhos
pesam, parecem ter vontade própria, insistindo em se fechar
mesmo que você não queira? Pois é...
E
a leseira lembra sono, que parece que ainda não recuperei,
desde a noite de segunda-feira. Não conseguia dormir, tamanho
o calor, o ventilador não dava conta, o suor escorria, o bafo
quente sufocava até os pensamentos. Só queria dormir,
um pouco que fosse, só queria que aquele ventilador fosse mais
potente, ou melhor, se transformasse num aparelho split, ou qualquer
coisa assim! Desejava que a chuva, que estava prevista, chegasse
logo. Não me importava mais nem que fosse uma tempestade capaz
de inundar e levar tudo, desde que também levasse aquele calor
abafado embora. Naquela hora, encharcado umas dez vezes de suor só
tinha um desejo: estar bem longe, do meu quarto abafado, do calor da
noite, em um outro lugar.
Cara,
como gostaria de estar numa praia, àquela hora! Podia ser o
Cacau Pirêra, prainha do Gasômetro, praia da Figueira!
Podia ser Capão da Canoa, Quintão, Pinhal, Cidreira...
não, não precisava ser praia de cartão postal!
Qualquer uma já servia! Num calor daqueles, impossível
é dormir, impossível é não querer se
teletransportar para uma ilha paradisíaca, para qualquer beira
de rio, de lagoa, ou de mar, ouvir o som da brisa que acaricia a
gente, dormir balouçando numa rede branquinha, como a areia, o
pé descalço deslizando na água, quem sabe, quem
sabe, um certo alguém ao lado, aproveitando contigo o teu
paraíso pessoal... ah, amigo, mesmo com a chuva e o climinha
mais ameno que faz hoje, queria estar lá, espairecer,
descansar o cérebro, repassar o ano e projetar alguma coisa
para janeiro... só aproveitar a paisagem e curtir um dia de
cada vez!
Falta pouco, agora... onze dias! Sim, onze dias! Só onze dias, apenas onze dias, nada mais além de onze dias! Para quê; para terminar alguma promoção; para começar as férias de verão; para partir em uma viagem há muito ansiosamente esperada; para reencontrar a família, ou a uma pessoa amiga a quem se gosta muito e há tempos não se vê; para a chegada do Natal; para entrar o 13º na sua conta; para terminar o mês e acabar o ano?! Não, não se trata de nada disso, não é nada tão simples assim. Você sabe, todo mundo já sabe, só se fala em outra coisa, desde metade do ano passado, pelo menos. É o maior evento, um evento de proporções bíblicas! E falta bem pouco, agora, mais onze dias, apenas, para a data fatídica, aquela que, segundo dizem, os maias previram para o fim de tudo, o fim dos tempos, o fim do mundo como nós o conhecemos. O fim da odisséia humana na Terra, eu serei seu Adão e você será minha pequena Eva! Ops, desculpem, eu me empolguei... Pois, que vergonha, você aí tendo tantas certezas absolutas, tranquilão, sabendo o que realmente quer, planejando a vida como se o mundo não estivesse pra acabar, daqui há pouco mais de uma semana! Ok, não se tem certeza alguma de que o mundo posso vir a acabar. Tampouco de que não possa! Vai que acabe... e aí?! E as reformas pessoais, ficam pra quando chegar lá no outro mundo?! Tem tanta certeza de que todo mundo que realmente interessa estará no lugar pra onde você for?! Melhor fazer uma consulta a respeito, porque vai que... né!? Se tudo irá se acabar numa sexta-feira, como, a que horas, não se sabe. Sabia de várias razões para o mundo acabar, pra humanidade e a vida se extinguirem na Terra, pra até desejar que tudo fosse destruído. Isso até há uns quatro dias atrás, quinze dias antes do dia 21 de dezembro, quando a visão do seu sorriso, a leve arritmia no peito, ao trocar algumas palavras com ela, o que desencadeou um pensamento: de que o mundo não pode acabar, não agora, ainda não, não sem revê-la, às portas de algum shopping center! Não sem dizer-lhe o quanto faz bem ver o seu sorriso, seus olhos, seu cabelo... não sem ao menos dizer o quanto as pessoas importantes o são, para mim. Não sei se terei todo tempo do mundo pra fazer tudo o que quero, o que gosto, o que posso. O mundo pode, mesmo, vir a se acabar, daqui há 11 dias! Será que irei ao mesmo lugar para onde irão todos de quem gosto, será que irei para junto de meus pais, ou das filhotas de meu coração?! Posso ter certeza?!? Acho que você não pode se dar ao luxo de alimentar certezas, quem é importante pra você, o que quer fazer agora mesmo e não faz, porque falta tempo, porque há coisas mais prementes, porque o mundo não vai acabar amanhã e por isso pode adiar certos assuntos! Vai que o mundo acabe mesmo, e aí...!?
FRINGE!
Pense só, na quarta temporada da série se descobre que
o menino aquele lá não deixou de existir, como os
observadores disseram no último episódio da terceira
temporada! Ele apenas foi “transplantado” de lugar, no espaço
e no tempo. E descobre, em um outro lugar, em um país exótico
e bem diferente, que há mais cidades sendo afetadas por aquele
problema que a gente viu lá na série, o universo
querendo se escangalhar, aquela loucura toda. Agora o nome dele mudou
um pouco, a sua vida deu uma reviravolta muito doida, mano. Agora ele
se chama Pedro Bispo.
Só
que nas primeiras temporadas, era meio que centrado nas cidades de
Nova York e Boston, nos Estados Unidos. E essas duas cidades eram
interligadas a versões paralelas delas. Agora, a coisa fica um
pouco mais estranha! Pedro Bispo levanta-se, no primeiro episódio
da quarta temporada, atrasado, suado, com o calor abafado que já
faz de manhã bem cedo. “Égua!” pensa, ainda sem
entender direito o que acontece a sua volta, “Que sonho doido pá
porra foi esse?!” Tudo ainda está bem fresco, vívido,
na sua memória.
Levanta-se
meio grogue, vai até o banheiro, toma uma ducha fria, para
acordar-se melhor, veste-se, toma um café de “tresontonti”,
apressado e sai da casinha simples de madeira, onde mora, sobe quase
correndo a ladeira, vai até a parada de ônibus. Dali há
cinco minutos entra na lotação e ruma para o Centro da
cidade. Lá chegando, ele se depara com algo incrível,
inusitado, algo inesperado: o rio Negro e a Ponte do Bilhão,
por onde passava o metrô de superfície, que pegava todos
os dias para o trabalho, no Centro de Manaus, não estavam mais
lá! Até o nome da estação de trem havia
mudado: não era mais Iranduba! Era um outro nome, um que ele
jamais havia ouvido falar em toda sua vida: SAPUCAIA!! Estação
Sapucaia! Onde diabos era aquilo?! “Eta, caroço!!”, pensou
Pedro, embasbacado. “O 'quéqui' tá acontecendo aqui?!
E onde é aqui?? Onde é que eu tô?! Não é
possível, será que... ENTÃO TUDO AQUILO NÃO
FOI SÓ UM SONHO???”
Não
é o politicamente correto que está dominando este
mundo. Não, é o pensamento coxinha. É a #£rra
do pensamento coxinha! Todo mundo agora resolveu querer ser playboy.
Ou defender o teu “sagrado” direito de ser playboy! O que dá
na mesma, isso significa que o mundo vai mesmo acabar. Por causa da
***** desse pensamento coxinha dominante. E o Zé Povinho –
personagem de algumas charges do cartunista Iotti, que com certeza é
totalmente apartado da nossa realidade, não tem nada a ver
comigo ou contigo, não é mesmo – não reage!
Tu
estás bem no meio da Faixa de Gaza, vendo dois patrícios
brigando, o “ortodoxo chato e irracional” contra o “progressista
social-democrata”. E, em vez de deixá-los resolver suas
picuinhas, ou de ao menos se contentar em apenas ficar assistindo, tu
resolves participar, reagir àquilo, tomar partido! E
indiretamente, tu acabas dando razão ao tal “ortodoxo”,
quando vem tomar as dores do outro e defendes o “sagrado” direito
dele fazer merda e agir inconsequente. Afinal, “ninguém mais
pode errar, que chato!” Mais uma vez, é o ******* do
pensamento coxinha se manifestando!
De
que adiantam todas as campanhas de conscientização
sobre os malefícios do álcool, sobretudo no trânsito?
De que adianta, me diz, de que adianta tentar coibir o uso do álcool
por motoristas, de que adianta tudo isso, se tu ainda vai te condoer
pelo “pobre” menino rico? “Poxa vida, mas não se pode
mais errar nessa vida...” NÃO, SEU COXINHA DO *******!! Se
TU não podes errar, não podes pôr a tua vida e a
de outrem em risco, o playboyzinho, só porque é famoso,
pode!? NÃO!! ELE TAMBÉM NÃO!!
“Ah,
porque tu me ofendestes, me chamou de bosta, vou te meter um
processo, puxa vida...” SIM, SEU BOSTA, ISSO MESMO!! Tu só
fez uma merdinha inocente, só bebeu um ou dois cálices
de vinho a mais, depois saiu pra dirigir a tua possante caminhonete
de trocentos e tantos cavalos e o errado passa a ser quem, mesmo que
grosseiramente, tentou te alertar pra merda que tu fez. Só
porque te deu um xingão de guri em porta de escola! Tu é
um bosta, mesmo!
E
tu, meu caro amigo, ainda me passas a tarde floodando a linha do
tempo das redes sociais tentando provar por A+B que errado é
quem procura andar conforme as regras, quem acha que as leis deveriam
valer pra todos! Vem tu engrossar a claque dos que batem palmas e
veneram essas “celebridades”, os “intocáveis”, a quem
é permitido tudo e a quem ninguém tem o direito de
repreender. E agora, esses intocáveis têm todo o direito
do mundo de agir de maneira infantil e inconsequente, sem ninguém
lhes importunar, sob o risco de o mundo ficar “politicamente
correto” demais! O assunto que poderia – na verdade, penso que
DEVERIA, mas, pra não ser “politicamente incorreto”, direi
que a gente até poderia – ser debatido mesmo, sobre os
riscos da mistura de álcool e direção, ficou de
lado, relegado a um enésimo plano, porque o relevante mesmo é
discutir quem tem razão entre os dois moleques se estapeando
no pátio do Colégio Israelita. O intolerável
mesmo passou a ser qualquer trouxinha com um pouco mais de grana que
tu, ou eu, ser chamado de bosta porque fez alguma merda. ESSE é
o tal pensamento coxinha, cara. E tu ainda vens e procura me reforçar
essa ideia! Cara, o mundo vai acabar, cara. E vai ser por tua culpa!
O
fim de semana começou tão azul, so blue, so sad... puxa
vida, mesmo com todo aquele sol, na última sexta-feira do mês
de novembro, as ruas andavam tão sombrias, soturnas! Pra onde
quer que a gente olhasse, havia alguma pessoa so blue. É, por
aqui parecia que o fim de semana seria mesmo muito triste! Luiz
Fernando Veríssimo estava melhorando, mas ainda inspirando
cuidados... parece que ainda está, mas agora não
encontra-se mais no CTI! Uma boa notícia, a quem interessar
possa, já em uma segunda-feira. Que, aliás, começou
mais iluminada que de costume, muito ensolarada e quente. E sem nem
mesmo sombras daquelas cores mais tristonhas, depressivas e
taciturnas! Nem parece com segunda-feira, quase!
Parte
dos resultados previstos, os acertei. Lamento apenas que os da
loteria, que eram bem mais interessantes, não consegui
acertar... enfim, pra quem não sabe, ontem foi a última
rodada do campeonato brasileiro 2012. Agora volta o Esquenta na sua
emissora favorita, amigo, alegria, alegria! Sim, verdade, nem tudo
são flores. Ontem houve transmissão ao vivo de alguns
clássicos, como no caso do gre-Nal. O último do
viadeiro da Azenha. Aquele em que a torcida tricolina daria um
fias... digo, um espetáculo maravilhoso e o time “elitizado”
do bairro Azenha, em Porto Alegre, iria golear o seu maior rival, o
gigante do bairro Praia de Belas, Internacional! Como sempre, eles
esqueceram de combinar com os colorados! E isso que eles tiveram uma
força toda especial do seu 12º jogador, que entrou em
campo, fazendo um verdadeiro estrago no jogo, teve nome e sobrenome.
“Rá!! Era o torcedor!!” Não, não... era o
juiz, mesmo, Heber Roberto Lopes!
E
a você que não esteve no estádio, não
assistiu ao jogo nem pelo rádio, nem mesmo pelo pay-per-view
e, portanto, não está entendendo que negócio é
esse de possível interdição de estádio do
grêmio, mal começando a se preparar para inaugurar a tal
arena, de expulsão do técnico tricolino, etc?! O que
foi que aconteceu?! E a história essa do rojão, que
deixou surdo o preparador físico do Inter, e o quebra-quebra
provocado por Saimon, jogador gremista, que achou de atacar o técnico
interino (INTERINO, veja bem!!) colorado, já depois dos 45
minutos do 2º tempo, quando o juiz já tinha dado cinco
minutos de acréscimo?! É, ninguém falou a
respeito disso, não até hoje, ontem parecia estar
proibido, nos programas esportivos locais, citar esses “pequenos
percalços” do jogo. Todas as presepadas provocadas pelo time
so blue antes, durante e depois do jogo foram temporariamente
esquecidas e, quando alguém insistia em falar de algum
problema, debitava na conta do técnico interino, ou então,
do árbitro, seo Heber. Hoje é que lembraram de falar
dos “torcedores” vândalos, que depredaram o estádio
e atiraram rojões em direção de torcedores e
comissão técnica do Internacional, até porque
programas de repercussão nacional, como o Fantástico,
mostraram as imagens. Aí, não tinha como negar, dizer
que tudo havia sido perfeito, que o tricolino é um torcedor
cordial e civilizado, etc. Nem que o técnico tricolino não
é destemperado – para dizer o mínimo. Quanto ao
árbitro, todos seus erros foram editados e seu único
acerto – apitar o fim do jogo depois de quase seis minutos de
violências e provocações dos jogadores e comissão
técnica gremistas contra os colorados – foi interpretado,
sabe lá Deus como, sendo o único erro. É normal
por aqui, não se preocupe, não se apavore, não
sinta-se culpado(a), a crônica jornalística esportiva do
sul do Brasil tem apenas um lado e distorce, ou omite os fatos,
conforme as suas “necessidades”. De qualquer forma: o campeonato
já acabou, a festa que eles quiseram fazer na despedida do
“olímpico” foi estragada, por eles mesmo e pelo Clube
Atlético, em Belo Horizonte.
Pois
então, a noite não teve mais rojão nenhum
espocando no ouvido de ninguém e o amanhecer foi mais
colorido. O novembro terminou mais sombrio e melancólico, mas
parece que, até o fim do mundo, o dezembro será quente,
alegre e florido. É o que parece!
Foi
o mais próximo de um músico que conheci. Pessoalmente,
quero dizer. Não é o Zé da Folha, esse eu
conheço como qualquer pessoa que já tenha frequentado o
calçadão da Rua da Praia (ou Rua dos Andradas, para
quem preferir), ou a Praça da Alfândega, conhece, de ver
de passagem, de ouví-lo tocar seu violão, bater o
pandeiro com o pé e assoprar sua folhinha. É, ele é
um músico de rua, como tantos outros que nunca, ou quase
nunca, chegam à grande mídia. Mas parece que o Jô
Soares entrevistou o Zé da Folha, uma vez. Sim, foi só
isso... lhe rendeu umas matérias no Jornal do Almoço –
um jornalístico local, da afiliada gaúcha da Rede Globo
– uma participação numa vinheta de fim de ano da
emissora e uns meses de plateia lotada parada no calçadão
para vê-lo tocar.
Antes
que perca o fio da meada, no dia do músico tentei pensar em
alguém que eu conhecesse a quem pudesse parabenizar pela data.
Só lembrei de um amigo. Tocava violão, viola e
guitarra. Não tinha um timbre vocal lá muito bonito,
mas cantava razoavelmente bem, afinado e dentro do tom. Pensei em
cumprimentá-lo pelo seu dia, e então lembrei que só
em pensamentos e preces poderia fazê-lo. Não poderei
fazê-lo mais, pelo menos, não diretamente.
Dia
desses vi que o Botafogo, seu time, tinha empatado com o rival do
meu, atrapalhando-o de encostar no Fluminense, campeão desta
temporada. Pensei em comentar com ele e desisti na hora. Não
poderia mais falar do seu time, do campeonato, dos resultados, de
futebol, enfim. Nem conversar sobre música, política e
coisas do gênero. Mas falávamos sobretudo de música
e futebol. Conversávamos sobre os rumos da música
popular brasileira, sobre esse tal sertanejo universitário,
sobre o funk, que nos parecia tudo, menos música, sobre o
Latino, o tchê-tchê-rere-tchê-tchê, etc.
Conversávamos sobre o campeonato brasileiro, da série A
e até da série B, comentávamos até o
campeonato amazonense. Comentávamos os rumos da política
no Amazonas, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul, no Brasil. Não
teremos mais essa possibilidade. Talvez sim, mas aí, enfim...
é que na semana das eleições ele faleceu, com
apenas 51 anos de idade. Não foi uma boa idéia!
Eram
altas horas da madrugada. A chuvarada que a noite passada prometia já
miou e a madrugada continuava como fora o dia, morna, úmida,
abafada. O silêncio reinava, sonolento, sobre aquela rua do
bairro Floresta, logo atrás do Shopping Total. No quintal, não
haviam nem ruídos de insetos, ou de morcegos, que vinham
voando, nas noites quentes que prenunciam o verão, para morder
as goiabas e comer as cigarras, empoleirados nos galhos da árvore.
Aquiles
cochilava, inicialmente aconchegado, enroscado por entre as longas e
robustas pernas de Sansão, mas, conforme a noite ia passando,
a chuva ia parando, o friozinho acabava não chegando, enquanto
a madrugada avançava devagar, o gato ia lentamente rolando, se
esticando e se afastando do amigo canino. No mais, continuavam ambos
cochilando, virando para um lado e para outro, Sansão, de vez
em quando, levantando-se e rodando, meio sonambulico, sobre as
próprias patas, à procura de um lugarzinho mais frio no
piso da garagem.
Sabe-se
lá que horas eram, bicho não usa relógio, tudo o
que Aquiles sabia era que àquela hora seus donos ainda não
haviam de ter acordado e que estava longe a hora de acordarem. E
justo àquela hora, quando enfim parecia que conseguiria dormir
um sono profundo... ele sobressaltou-se! Um ruído quebrava de
forma um tanto violenta o silêncio da madrugada. Não um
ruído, não: um som ruidoso, renitente, insistente, um
barulho extremamente irritante cortava o ar da madrugada: o latido
quase ininterrupto de um cão. Um! Apenas um, só um
único e solitário cão! Mesmo com seus irritantes
latidos ininterruptos quebrando o silêncio na pacata rua
residencial do bairro Floresta, nenhum outro cão respondia,
ninguém mais fazia ruído, ninguém, nenhum outro
cão, ou gato, ou rato, reagia, não faziam sequer menção
de responder-lhe, da forma que fosse. Era só ele, aquele cão
solitário, aparentemente indo e vindo, latindo sozinho. Só,
sozinho, somente ele, um único, solitário, o único
certo, a latir. Sansão balançou as orelhas, deu uma ou
duas piscadelas. Aquiles notou, meio sonolento, que não era o
único irritado com aquela interrupção brusca e
sem sentido do silêncio e de seu sono reparador.
Ouviram,
então, um outro som, um grito, bastante alto, transparecendo
enorme irritação. Ambos sobressaltaram-se, fitaram-se
com os olhos esbugalhados. Mas enfim, o único certo calou-se e
o silêncio voltou a reinar. Sem trocarem nem grunhidos, Sansão
voltara a esticar-se na lage fria da garagem e Aquiles a se enroscar
entre as patas do amigo.
Acordaram
praticamente juntos, o sol já estava um pouco alto no céu.
Andressa vinha com a sua comida, estava com umas olheiras e um ar de
cansaço. Quando saiu de perto, como se pudesse entender o que
dizia, Sansão sussurrou para o gato:
“Ela
também não dormiu bem, essa noite.”
Aquiles
piscou lentamente os olhos, abanou as orelhas e concordou, num tom
mal-humorado: “Também pudera! Parecia que ia chover e
refrescar, mas depois que a chuva se foi parece que abafou mais
ainda! E depois, no meio da madrugada, aquele infeliz a latir sem
motivo algum! Quem conseguiria dormir?”
“A
gente não sabe se ele não tinha alguma razão
bastante boa”, contemporizou Sansão, meio em dúvida.
“Fora
acordar a vizinhança e ser mais uma razão para
atrapalhar o nosso sono e nosso humor, eu não vejo nenhuma
outra razão. Boa, então, menos! Qual é, cara, tu
sabes que ouço tão bem quanto tu, que dificilmente um
som estranho escapa aos nossos ouvidos. E ontem à noite, fora
aquele solitário nervosinho, não tinha nenhum outro som
fora do normal, nada que lhe servisse de motivo... é verdade,
ou não é?!”
Sansão
coçou a orelha, concordando, por fim: “Sim, Aquiles, tu tens
razão... aquele cachorro só estava latindo, também
não consegui perceber nada que pudesse fazer ele agir daquela
maneira. Acho que é mais ou menos como Walter disse, certa
vez, a vontade de falar, às vezes, é mais importante do
que a mensagem que se diz.”
O
gato levantou uma das sobrancelhas, meio desconfiado: “Então
tu quer me dizer que aquele cão podia estar só... como
é que os humanos dizem... desabafando?!”
“Tu
deves convir de que pode ser...”
“Sim,
ok”, concordou Aquiles, meio a contragosto, “mas sei lá,
cara, prefiro o diálogo a isso. Mesmo uma briga de cão
e gato tem mais razão de ser do que latidos a esmo! Um gato e
uma gata gritando são como em 9 e ½ Semanas de Amor,
como em O Império dos Sentidos!”
“Não
quero nem saber que filme achas que é, quando uma porção
de cães correm atrás de uma mesma cadela”, riu-se
Sansão, gargalhando, quando Aquiles brincou: “Quem Vai Ficar
com Mary?”.
“Ok,
ok, e quando é só um cão, ou um gato, sozinho,
só, somente ele, solitário, latindo, ou miando?”
“Bom...”
começou Aquiles, coçando o queixo. “Daí acho
que é alguém que ama demais a própria voz, o
próprio latido, ou o próprio miado. Alguém que
se considera o único sábio, o único que tem algo
a dizer. E quando resolve soltar a voz, independente do que os outros
vão preferir, aí é fuleiragem, meu amigo!”
Do nada, o peito palpita, nervoso por sob a
blusa básica branca. Sem mais nem menos, os olhos ardem, marejados, a
boca seca, a garganta parece apertar, a cabeça gira num caleidoscópio de
ideias, liquidificando, misturando pensamentos, sentimentos e emoções.
"Do nada"...? "Sem mais nem menos"?! Não mesmo, do nada, nada!! O
coração dispara acelerado por um simples motivo, uma boa razão. É por
seu sorriso, pelos seus lindos olhos que
as borboletas dançam em meu estômago, pela sua pele e seus cabelos que o
coração parece querr fugir do peito, batendo a 300km/h. Por isso e por
tudo o mais! Feito um adolescente nervoso, tímido, com as mãos suadas e
frias, paraliso como se estivesse pessoalmente à sua frente, sem saber o
que dizer, nem mesmo se deveria. Toda essa tempestade dentro de mim,
toda essa confusão de emoções, sentimentos, pensamentos, tudo o que
queria dizer-lhe, tudo o que senti, e sinto, traduzido em apenas duas
palavras:...
A noite começa a cair, termina mais um dia,
acaba-se mais uma semana, as pessoas começam a planejar as baladas, há
shows, há cinema, alguns falam em ir às cachoeiras de Presidente
Figueiredo, outros falam em cair na estrada e descer até Imbeverly
Hills. Ele também planeja o seu fim de Sem(Ana): tem Skyfall, que ele
ainda não viu, quer muito ver; tem a Feira do Livro, no seu último final
de sem(Ana), na Praça da Alfândega; tem o
aniversário da sua sobrinha mais nova, no domingo, 3 aninhos, já, puxa
vida, como o tempo passa rápido...
Está cansado, algumas coisas a
que se propôs fazer, as fez, missão dada - ou assumida voluntariamente -
é missão cumprida, capitão! Agora ele se despede dos 'amigos'
twitteiros, se despede do Face, deixa mais um texto engatilhado para
postar no blog, na segunda-feira, na próxima semana. Amanhã vai acordar
mais tarde. Amanhã vai passar bem longe de um computador. Pretende
aproveitar o tempo livre, caminhar mais, pegar mais sol - quase tão
quente quanto em Manaus. Não verá seu nome, sequer seu avatar, sua mente
talvez se perca, divagando sobre ela. Só por isso, lamenta ser fim de
sem(Ana), pois são dois dias sem vê-la.
Olho
para você, vejo os teus olhos, fico um bom tempo a observá-los,
hipnotizado, imagino, um dia poder te olhoar nos olhos, provavelmente
neles me perder de vez. Olho o teu sorriso, simplesmente o sorriso
mais lindo de todos, o mais lindo que já vi. Todos os dias que te vejo,
vejo o teu sorriso, vejo teus lábios, tua boca, a boca mais perfeita que
já vi. Observo-a e desejo beijar teus lábios, tua boca e não parar.
Penso em te beijar a cada vez que te vejo, penso em te beijar a cada
minuto, a cada instante, acariciar teus cabelos, sonho acordado, a cada
vez que te vejo.
Ele andava meio preocupado. Ela deu uma
sumida, por um tempo. Logo ficou aliviado, pois ela já retornara e ele
pode voltar a stalkeá-la. Mas, algo ali estava diferente, alguma coisa
estava errada. Ele voltou a ficar preocupado, não sabia bem o que
poderia ser. Antes, até rolava uma interação, a ele não interessava mais
ninguém, quando ela desapareceu uns dias, ele se ocupou de outras
coisas. Não era só questão de exclusividade, e era, ao mesmo tempo. O
que lhe atraía nela não atraía em mais ninguém. Bem, ela o reconhecia
assim, ele se aceitou, tipo assim, um stalker só seu, todo seu. E agora,
ele desconfiava, já havia outro em seu lugar... andava meio preocupado. Ela deu uma
sumida, por um tempo. Logo ficou aliviado, pois ela já retornara e ele
pode voltar a stalkeá-la. Mas, algo ali estava diferente, alguma coisa
estava errada. Ele voltou a ficar preocupado, não sabia bem o que
poderia ser. Antes, até rolava uma interação, a ele não interessava mais
ninguém, quando ela desapareceu uns dias, ele se ocupou de outras
coisas. Não era só questão de exclusividade, e era, ao mesmo tempo. O
que lhe atraía nela não atraía em mais ninguém. Bem, ela o reconhecia
assim, ele se aceitou, tipo assim, um stalker só seu, todo seu. E agora,
ele desconfiava, já havia outro em seu lugar...
Os
mais antigos levam isso mais a sério e nem pensam muito sobre
a origem desses costumes. Um dia e um mês certos para se sentir
saudades dos entes queridos. Um dia em que os mais velhos ainda vão
aos cemitérios, visitar os túmulos, lembrar de quem já
foi; maridos, esposas, pais e mães, irmãos, tios,
avós... muitos nem sabem que muito antes de Cristo as pessoas
já tinham esse hábito, muitos povos já
reservavam um dia no seu calendário para cultuar os seus
mortos. O dia de finados, no nosso calendário, coincide com a
mesma data em que os antigos romanos veneravam os seus próprios
falecidos. Sim, antes do cristianismo, antes mesmo de Jesus de Nazaré
vir a este mundo. Enfim, independente da origem da data...
Visitar
túmulos e cemitérios não faz muito sentido pra
mim. Para outras pessoas, isso parece fazer algum sentido, é
assim que fazem para lembrar das pessoas amadas, então tudo
bem. Dia de finados é mais um feriado, um dia a mais de
descanso. Um dia para dar um passeio, para aproveitar uma praia. Essa
era a minha vontade... mas não ir a cemitérios. Só
fui até lá uma vez, no dia do enterro do corpo de meu
pai. Depois, nunca mais. Ele não está lá, para
mim, não é lá que vou encontrá-lo. Está
em outro lugar e não é indo ao cemitério que o
encontrarei. Não é com data marcada que a saudade vem.
É com uma foto antiga, uma música, uma lembrança...
como quando eu era menino e ele nos levava a Gramado, Canela, ou Nova
Petrópolis, na serra... ou quando íamos a
Florianópolis, nas férias de verão... ou quando
assistíamos juntos aos episódios de James West,
Perdidos no Espaço, Terra de Gigantes, O Túnel do
Tempo... se hoje tenho uma certa predileção por séries
meio “nerds”, muito disso foi por “culpa” dele!
Meu
dia de finados particular é no dia e na hora que for, é
quando lembro essas pequenas coisas e sinto falta. É quando
penso em como seria minha vida, como estaríamos agora, se ele
estivesse aqui conosco até hoje... quando ele aparece em meus
sonhos, também. No último de que me lembro, ele me
aconselhava de que, se estivesse mesmo certo de estar apaixonado por
ela, deveria apostar tudo nisso, deveria investir nesse sentimento,
na possível relação. Foi o que entendi... hoje
imaginei se ele estaria lá onde quer que esteja, se
perguntando afinal o que estou esperando.
O
sistema está errado. Os problemas estão aí, são
graves e não estão sendo atacados. No congresso,
acharam de oficializar a semana de “trabalho” de três dias.
E você, pra ganhar uns dois salários mínimos, tem
uma semana de trabalho de seis dias... e só um domingo por
mês!
A
educação, a saúde, a ascensão social só
se percebem quando o governo muda o sistema de avaliação.
Você muda o governo, espera que o governo novo seja um sistema
novo, que vá implantar mudanças de fato. Não
raro, você se decepciona. Nas próximas eleições,
também não raro, você opta por retornar ao
antigo, na esperança de que a época em que a coisa não
era melhor, mas parecia menos pior. Raramente o antigo não
resolve fuleirar, chutar o balde e se locupletar demais, governando
de menos.
Não
adianta, o sistema está errado. O certo mesmo é
desistir, não se importar mais com o sistema, a política,
essa classe dos políticos. Pouco importa em quem se vota,
mesmo renovando continua tudo na mesma. Os políticos jovens
não são mais confiáveis do que os antigos, quem
se envolve nesse mundo não é sério. Não
conheço ninguém sério envolvido com política!
Tanto faz se engajar em campanha, aliás, só mediamente
pagamento, ou um empreguinho, algo assim... só assim pra essa
gente fazer algo por você, só em ano de eleição
mesmo! Na verdade, o melhor é até anular o voto! Já
que, pouco importa... o teu voto não vai fazer a menor
diferença, não vai trazer nenhuma melhoria, nenhuma
mudança. Futuro não tem, o sistema está errado e
nunca vai mudar! Certo?!
Hoje
nem o voto nulo tem o mesmo valor, não tem mais aquele
“gramur”. Tendo nascido no interior, ainda tive a oportunidade de
conhecer as cédulas de papel para votação. No
tempo da cédula, o voto nulo era mais criativo, era uma forma
de protesto, contra o sistema, contra os governantes e os políticos,
contra a sociedade e a situação da cidade, do Estado,
do país, até mesmo do mundo! Nos anos 80, no Rio de
Janeiro, quem estava decepcionado com a política, mesmo no
período de reabertura política, votou Tião, um
chimpanzé do zoológico, para a prefeitura municipal
carioca. Você podia votar em Jesus Cristo, para endireitar o
Brasil, se não quisesse escolher um dos quase trinta
candidatos à presidência, em 1989, dentre os quais
estavam Collor, Lula, Maluf e Ulisses Guimarães.
O
voto nulo não tem mais charme e isso foi a única coisa
que a urna eletrônica estragou, nas eleições. De
qualquer forma, continua tendo, sim, o seu valor, como verdadeiro
protesto quando você sabe, no íntimo, que os candidatos
que nos são apresentados não são o que de
melhor, naquele momento, ou para aquele cargo, ou para sua cidade,
sua comunidade, etc. Não me venham com aquela onda do voto
útil, além de ser obrigado a votar, você tem que
escolher o “menos pior”, ou o “mais palatável” entre
dois ou mais políticos simplesmente intragáveis. Você
não é obrigado a escolher “ o que tem”,
independente da sua vontade, da sua consciência. Se nenhum
candidato lhe representa, não escolha nenhum, simples assim!
Porém,
o voto nulo não deve ser banalizado, não deve ser
utilizado sem parcimônia, ou critério. Já
banalizaram o tal voto “útil”, não precisa ocorrer
também com o nulo. Ainda há pessoas sérias e
interessadas, buscando fazer algo, buscando melhorar a situação
do seu bairro, sua cidade, seu povo, sua comunidade. Sim, são
poucos, mas eles estão aí, procurando bem, a gente
encontra, sejam eles jovens, tentando entrar para a vida pública,
ou alguns da antiga, que ainda lutam dentro do sistema, para
modificá-lo, ou usá-lo em favor do povo. Em se
encontrando um desses, sentindo que nos deparamos com um desses, é
sensato dar-lhes um voto de confiança. Não esperar para
ver o que dirão as pesquisas, não aceitar sem
questionar os argumentos em defesa do “voto útil”, para
eleger “quem tem mais chances”, ou usando e abusando do voto
nulo, sem um mínimo de critério. Se no segundo turno,
no segundo tempo do jogo eleitoral não estiver mais aquele bom
candidato dentro do pleito, bom, aí ou se escolhe um que se
assemelhe a ele, ou, não havendo nenhum que você
identifique, que mereça o seu voto de confiança, usa-se
do voto nulo, que é melhor do que o “voto útil”,
dado sem convicção, sem razão, sem critério,
sem parcimônia. Usado apenas para não deixar se eleger
um desafeto, na maioria das vezes. O problema é eleger alguém
que, em tese, não é da mesma corrente ideológica,
mas na prática se assemelha bastante a quem não
queremos ver no poder.
É
interessante saber quando a gente pode, ou deve usar o voto nulo e
quando podemos escolher um candidato engajado e afim de jogo. Quem
sabe, elegendo os esforçados, acabamos por conseguir mudar o
sistema!?
Aquele
momento em que você sente um aperto no peito. Em que você
quer muito ter a palavra certa e quanto mais pensa, mais fica sem
saber o que dizer. Em que gostaria muito mesmo de saber o que fazer,
ter como ajudar, mas sente-se com as mãos atadas. Exasperador,
não? A outra pessoa com problemas e você não sabe
o que fazer para ajudar. Não tem como ajudar. E isso é
desesperador... eu sei! Ninguém gosta de deixar os que se
gosta na mão. E é com essa impressão que a gente
fica.
Tem
pessoas por quem eu faria qualquer coisa, a quem daria tudo, se me
fosse permitido. Há pessoas por quem simplesmente morreria,
por quem daria minha vida, há pessoas por quem esqueço
meus próprios problemas e me concentro para descobrir uma
forma de resolver os seus. Fico frustrado quando vejo que não
tenho condição alguma de ajudar; temo atrapalhar, mais
do que auxiliar. Sinto-me mal por querer fazer algo pela pessoa e não
saber como, nem o quê.
A
tristeza do outro me entristece também, independente do
motivo, de se estar distante, ou do que for. Não sei o quanto
uma pessoa ficou mal por conta de determinada situação,
sei que ela está mal e isso me faz mal também. Como se
a chateação, a frustração, a tristeza,
fosse minha, como se o lance chato tivesse sido comigo... ou talvez
me sinta responsável, de alguma forma, pela chateação
alheia. O seu desespero me desespera! Querer ter como ajudar, seja do
jeito que for, querer fazer alguma coisa, qualquer coisa, pela
pessoa, que possa salvar-lhe o dia e frustrar-se porque apenas
melhorar um pouquinho só o seu humor não nos basta.
Quem nunca? Talvez sofra de alguma síndrome, da necessidade de
ser o herói de alguém, de ser o salvador da sua
pátria... ou alguma coisa assim. Não necessariamente
querer o reconhecimento, apenas querer demais, por gostar demais
dessa pessoa, ser, como disse, o seu herói, salvá-la
das enrascadas, não deixar seu dia azedar, essas coisas. O seu
problema talvez nem seja meu problema, mas acaba se tornando. Não
é apenas uma expressão, dita da boca pra fora, quando
se trata de quem queremos bem.