PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

51: Não Eras Uma Boa Ideia

Foi o mais próximo de um músico que conheci. Pessoalmente, quero dizer. Não é o Zé da Folha, esse eu conheço como qualquer pessoa que já tenha frequentado o calçadão da Rua da Praia (ou Rua dos Andradas, para quem preferir), ou a Praça da Alfândega, conhece, de ver de passagem, de ouví-lo tocar seu violão, bater o pandeiro com o pé e assoprar sua folhinha. É, ele é um músico de rua, como tantos outros que nunca, ou quase nunca, chegam à grande mídia. Mas parece que o Jô Soares entrevistou o Zé da Folha, uma vez. Sim, foi só isso... lhe rendeu umas matérias no Jornal do Almoço – um jornalístico local, da afiliada gaúcha da Rede Globo – uma participação numa vinheta de fim de ano da emissora e uns meses de plateia lotada parada no calçadão para vê-lo tocar.
Antes que perca o fio da meada, no dia do músico tentei pensar em alguém que eu conhecesse a quem pudesse parabenizar pela data. Só lembrei de um amigo. Tocava violão, viola e guitarra. Não tinha um timbre vocal lá muito bonito, mas cantava razoavelmente bem, afinado e dentro do tom. Pensei em cumprimentá-lo pelo seu dia, e então lembrei que só em pensamentos e preces poderia fazê-lo. Não poderei fazê-lo mais, pelo menos, não diretamente.
Dia desses vi que o Botafogo, seu time, tinha empatado com o rival do meu, atrapalhando-o de encostar no Fluminense, campeão desta temporada. Pensei em comentar com ele e desisti na hora. Não poderia mais falar do seu time, do campeonato, dos resultados, de futebol, enfim. Nem conversar sobre música, política e coisas do gênero. Mas falávamos sobretudo de música e futebol. Conversávamos sobre os rumos da música popular brasileira, sobre esse tal sertanejo universitário, sobre o funk, que nos parecia tudo, menos música, sobre o Latino, o tchê-tchê-rere-tchê-tchê, etc. Conversávamos sobre o campeonato brasileiro, da série A e até da série B, comentávamos até o campeonato amazonense. Comentávamos os rumos da política no Amazonas, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul, no Brasil. Não teremos mais essa possibilidade. Talvez sim, mas aí, enfim... é que na semana das eleições ele faleceu, com apenas 51 anos de idade. Não foi uma boa idéia!

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