PESCANDO NO BODOSAL

terça-feira, 25 de junho de 2013

Grenalizando - Você Está Fazendo Isto Errado!

O Rio Grande do Sul é uma província com mais contrastes do que possa imaginar sua vã filosofia. Tem uma riqueza cultural e uma diversidade étnica muito pouco difundidas. O Rio Grande do Sul tem muitas tradições e peculiaridades. A bombacha, o churrasco, o chimarrão, o orgulho gaúcho, o passado revolucionário, tudo isso todo mundo já conhece, até mesmo no Brazil. Mas há uma tradição que é daqui, é pouco divulgada, na periferia da qual fazemos parte, chamada Brasil, e é simplesmente ignorada no país desenvolvido e civilizado do Sudeste: a grenalização!
Primeiro, caro turista, um pouco de história, vamos às origens da grenalização! Há quem diga que essa nossa tradição remonta aos tempos da Revolução Farroupilha. Não, isso é um engano da parte de alguns historiadores gaúchos e brasileiros. Ao contrário do que nos foi ensinado, até há uns 15 anos, nas carteiras escolares, a motivação principal e primordial dos farroupilhas não era política, nem social, mas sim, de ordem econômica! Só um pequeno grupo é que trouxe à pauta dos revolucionários a República e o abolicionismo. Enfim, mas essa tradição começou, de fato, com uma revolução: a Federalista, de 1893, quatro anos após a proclamação da República. Acontece que, após o golpe que depôs Pedro II e derrubou o velho sistema monarquista, não se modificou muita coisa, por exemplo, mudou-se apenas a denominação das unidades da Federação, de Províncias para Estados. Os federalistas do Rio Grande do Sul defendiam, justamente, a descentralização política e uma maior autonomia dos Estados, em relação ao governo federal, coisas que o novo regime, provavelmente, deve ter prometido e depois não trouxe. A partir dessa época é que se começou a tradição, pois, na Província de São Pedro, todos, de alguma forma, tomaram partido, todos se posicionaram, ou favoráveis à revolução, à causa do federalismo, ou à manutenção do poder central, ou seja, das tropas legalistas. Daí por diante, todo mundo tinha de se definir como alguma coisa, ou como maragato (federalista), ou como chimango (governista).
Tá, mas de onde surgiu a expressão 'grenalismo'?” Bem, caro turista, imaginamos que você saiba que há dois grandes clubes de futebol, que monopolizam as paixões, por aqui, o Sport Club Internacional e o Grêmio de Football Porto-alegrense. Aqui não há outros times que rivalizem em grandeza, nem em conquistas, aos dois maiores, ambos da capital da província. Há, portanto, uma dicotomia futebolística, mais ou menos como a dicotomia política, dos tempos de guerra civil, aqui, ou você é colorado, ou é gremista. O grande clássico de futebol já surgiu, nos anos 1910, com essa divisão e, lá pelos anos 1940, ganhou a alcunha de gre-Nal. E até que faz sentido!
Então, assim é que surgiram, posteriormente, as expressões grenalismo, grenalização, grenalizar e por aí vai! Grenalizar nada mais é do que a atitude, bastante gaúcha, como você agora já sabe, de se posicionar, de ter uma opinião sobre absolutamente tudo – ou quase – seja a favor, ou contrária. Aqui se é, ou colorado, ou gremista; ou revolucionário, ou conservador; ou de esquerda, ou de direita; ou governista, ou oposicionista – é, ainda temos alguns maragatos e chimangos; ou getulista, ou brizolista – algumas vezes, ambos ao mesmo tempo, mas são casos raros, como papai, por exemplo.
Sim, algumas vezes essa tradição pode ser um tanto incômoda, às vezes causa transtornos e atrapalha o desenvolvimento da província. Vários projetos importantes, por exemplo, estão empacados, muitos deles, há mais de 20 anos, por causa da nossa atitude grenalista. Quando o governo quer avançar algum projeto de importância, a oposição atrapalha. E vice-versa...
Recentemente, caro turista, percebemos – e você também, agora, estando de posse destas importantes informações pra toda vida – que a turminha animadinha lá do grande país desenvolvido e civilizado do Sudeste, que tem liderado por lá, as manifestações pela redução das tarifas do transporte público, contra a corrupção, pelo respeito à diversidade, contra as PECs 33 e 37, contra os gastos exorbitantes com os eventos FIFA, etc, assim como a grande mídia do “centro” do país e alguns partidos políticos da ala governista, têm grenalizado a parada toda – e o pior, como se soubessem fazê-lo! A título de curiosidade, caro turista, pergunte a qualquer membro do MPL (Movimento pelo Passe Livre, SP) se ele sabe que está grenalizando o próprio movimento e os manifestos e se sabe o que quer dizer grenalizar. Surpreenda-se se ele souber, amigo turista! Alguns partidos da base governista (federal, que fique bem claro) tacharam manifestantes apartidários de “grupos nazi-fascistas infiltrados” por estes não admitirem que militantes dos referidos partidos – ditos “de esquerda” – participassem dos protestos, que, de certa forma, são CONTRA eles! Uma repórter do canal de notícias afiliado da grande rede de tevê dos bispos da IURD, falando sobre os protestos em Porto Alegre e evocando a relação “esquerda-direita”, diz que um jovem, que pichava, na imagem das câmeras, um prédio público com o símbolo ANARQUISTA, usava uma jaqueta de um “grupo radical de direita” – sendo que os anarquistas não se inserem no grenalismo político, por não serem favoráveis nem à esquerda e muito menos à direita! Se trata de um grupo radical, sim, mas anti-sistema (QUALQUER sistema), anti-governo (QUALQUER governo), portanto... nem colorado, nem gremista, nem maragato, nem chimango, nem de “esquerda”, nem de “direita”! Preste atenção, caro turista! Eles estão grenalizando a parada, e estão fazendo isto MUITO errado!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Sejamos Racionais...

Faltou bom senso. Pelo que vi por aí, pelo que andaram falando, a respeito dos protestos, até sexta-feira passada, faltou e tem faltado bom senso. A animação deste humilde blogueiro com o despertar da população para todos os equívocos de quase 20 anos de governo “de esquerda” – “ué, mas não são só 10?” não, filhotinho, não são – para tudo o que tem acontecido, para todas as pautas que deveriam interessar mais que o futebol e a novela desde sempre se esvaiu um pouco porque... tem faltado bom senso! Na verdade, o bom senso, nestes últimos dias, foi dar uma banda, não avisou pra onde foi e mandou dizer que não sabe quando, nem SE, volta!
Oh, mas você estava vibrando tanto com as manifestações, estava até feliz ao ver que o gigante despertou, e tals...” Pois é, amigos, pois é! Tanto que há dias venho pedindo pra galera não se desmobilizar, nos canais por onde nos comunicamos, nas redes sociais e por este blog. Tenho reconhecido que há uma certa ingenuidade de minha parte, um certo otimismo, até, pelo fato de os manifestantes não recorrerem às bandeiras dos partidos tradicionais e usarem a sua própria voz para fazer suas reivindicações e protestar, de principalmente não aceitarem nenhum direcionamento político-partidário, quanto por quê, ou contra quem, protestar.
Propus a vocês não aceitar, muito menos tentar dicotomizar o movimento, grenalizar os manifestos, dividir e separar os manifestantes entre “esquerda” e “direita”, “filhos da luta” e “filhos da puta”, “revolucionários” e “reacionários”, o “seu” lado e o “nosso”.
Eu sei, sim, que não sou nenhum formador de opinião, um Paulo Henrique Amorim, ou Arnaldo Jabor, pra manipular as informações ao meu bel-prazer e direcionar as opiniões de vocês. Nem quero ser como nenhum desses dois aí! Mas sei, também, que tinha uma galera aí mais respeitável e com muito mais know-how pedindo exatamente a mesma coisa que eu! A gente propôs aos militantes não tentarem direcionar o movimento para as suas próprias causas, a gente pediu pra tentarem compreender e escutar a voz das ruas, a unirem-se, se assim o desejarem, às causas DOS MANIFESTANTES, sem dicotomizar nada, sem eleger vítimas e algozes, heróis e vilões. A gente pediu aos manifestantes pra não deixarem de lado o caráter APARTIDÁRIO do movimento, mas aceitarem a participação dos militantes partidários, desde que estes aceitassem as novas regras e abaixar as suas bandeiras.
A princípio, a falta de bom senso vinha da parte dos governantes, da força policial, dos meios de comunicação. Tava fácil saber quem eram “eles” e quem éramos “nós”. Agora, a falta de bom senso se tornou, aparentemente, geral! Por debaixo dos panos, boa parte dos políticos de carreira e grande parte da mídia nacional novamente se juntaram e estão conseguindo o que almejavam, desmobilizar os manifestantes e direcionar a opinião de setores da sociedade, tão “livres” e “engajados”, jogando-os CONTRA o povo nas ruas.
Está certíssimo, manifestantes pacíficos e apartidários não têm de agredir ninguém que milite nos partidos políticos tradicionais. Ser contra os partidos políticos e sua tentativa nefasta de cooptar o movimento não dá razão a ninguém para levantar a mão e espancar militantes da agremiação que seja! Por outro lado, por que insistir em carregar bandeiras partidárias numa passeata que está PEDINDO para NÃO se impor NENHUM direcionamento político-partidário?! Por que querer forçar e insistir, para quê tumultuar um movimento, só para impor a sua ideologia e as suas pautas, que não têm NADA a ver?! Assim não, companheiro...!
Dizem que skinheads foram... “participar” dos manifestos! E você acreditou?! Me diz, skinhead indo a uma manifestação pacífica e apartidária – que alguns membros de partidos políticos estão conseguindo tornar ANTI-partidário – vai protestar contra... O QUÊ??! Me diz, onde, em qual parte do teu mundo bipolar, espancar homossexuais, negros e nordestinos é “protestar”?! ONDE quebradeiras e saques são tidos como “manifestação da indignação popular”?! Por favor, mate-me essa curiosidade...
Eu já falei aqui, vi os manifestantes lá no início, antes dos paulistas se adonarem e rebatizarem o movimento de “Passe Livre”. O movimento deu supercerto em Porto Alegre, onde tudo, de fato, começou. A pressão popular surtiu algum efeito positivo. E mesmo quando decidiram pela independência política em relação aos partidos tradicionais, nas se demonizou, nem hostilizou-se os partidários, que aqui foram mais civilizados do que nos “grandes estados brazileiros”. Mas, os novos “donos” do movimento disseram que não vão mais chamar os jovens para mais protestos. Os partidos, impedidos de participar dos protestos CONTRÁRIOS a suas velhas práticas, a seus membros no Congresso, governo E oposição, conseguiram convencer parte da sociedade, boa parte dos revolucionários de shopping center de que “a direita”, seja quem for, teria cooptado o movimento e que um “golpe de Estado” estaria sendo armado DENTRO dos protestos e manifestações mais recentes. Não vi ninguém dentre os que se definem de esquerda indo perguntar a algum manifestante se tal informação era procedente. Um vlogueiro paulista postou um vídeo no Youtube, “denunciando” a “manipulação” da direita e vi muita gente de bem, que considerava, até ontem, o jovem vlogueiro um mero nerd tonto e neurótico, de repente, compartilhando o tal vídeo e chamando a atenção para seus alarmismos e teorias conspiracionistas, como se fossem “a grande revelação por trás dos demoníacos protestos”! Dele nunca esperei nenhum bom senso, mesmo, mas das outras pessoas... gente... pensem um pouco, antes de regurgitar o que a paulicéia diz por aí! É preciso adquirir o bom senso!

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Analisando Esta Cadeia Hereditária

ARRÁ!! EU JÁ ENTENDI O QUE ELES QUEREM!! Não, amigo, você ainda não entendeu. E a continuar dessa maneira, vai ficar sem entender, mesmo! E, particularmente, aproveitando uma expressão que está muito em voga novamente, por estes dias – vandalismo – quero dizer que acho isso tudo bárbaro! A poeira das últimas manifestações ainda nem baixou e já apareceu a turma de intelectuais políticos e militantes engajados tentando – tentando, nada mais do que isso – entender, explicar, esmiuçar, analisar o atual movimento, denominado em São Paulo do “Passe Livre”.
Alguns estão tentando analisar os recentes protestos pelo viés histórico, 1968, anos de chumbo, coisa e tal. E acho muito interessante essa relação que fazem. Mas tem um pessoal que está observando o fenômeno como se fosse um experimento, ou pesquisa científica, com agentes e observadores, que estão do lado de fora, apenas estudando o fenômeno. Eles estão desconsiderando os fatores novos deste fenômeno político e o estão observando sob uma ótica antiquada, calcada na mesma velha dicotomia esquerda-direita, direitos e deveres, que não ajuda, nem um pouco, a entender estas últimas manifestações, muito antes pelo contrário!
Nos últimos dias, esse é o assunto que tem dominado a pauta. Tem muita gente falando a respeito e muita gente falando muita besteira – inclusive este humilde blogueiro que ora escreve este post! Gentes de quem eu nem esperava, reagindo, e mal, aos manifestos porque, obviamente, não os estão entendendo, não lhes caiu a ficha, ainda, não manjaram o que está acontecendo direito... isso me parece até, de certa forma, surpreendente! As grandes redes estão em polvorosa, em verdadeira festa, com os protestos. É absolutamente ultrajante o tratamento que aquela importante emissora carioca de tv tem dado aos manifestos, nos seus telejornais e plantões. Uns amigos discordaram veementemente da exclusão, por parte dos manifestantes, dos partidos políticos, alguns chegaram a dizer que se tratava de um equívoco e um desrespeito, pois os manifestantes estariam isolando do processo todo uma gente que vem defendendo os ideais dos quais a galera que, segundo estes, nunca – acho uma afirmação muito forte, mas enfim – participaram ativamente das lutas políticas antes. Não, amigos... não façam assim! Procurem se informar, antes! Entendam que estamos em meio a uma crise político-partidária no Brasil, e no Brazil também... que a galera não tem se sentido representada por boa parte dos partidos, ou por partido algum, seja de direita, seja de esquerda, seja da coluna do meio, que é até natural que os manifestantes queiram um movimento independente, plural, apartidário, e que isso não significa, de forma alguma, “apolítico”. Ouvi, ontem, numa rádio, alguém dizer que um “movimento sem líderes(!?)” e apartidário não teria, portanto, ideologia. Amigo, o movimento pode não ter a TUA ideologia – embora hajam, certamente, manifestantes que simpatizem com ela – nem a de um partido, muito embora a maioria dos partidos políticos, hoje, não tenham mais uma linha ideológica definida. Aliás, tudo o que o movimento é, com certeza, é político e vem trazendo, sim, ideologia(s)! Teve um amigo que até compartilhou um texto de Plínio de Arruda, que, antes de representar a sua opinião sobre os protestos, fazia muito mais a defesa da participação ativa dos partidos políticos – o dele, principalmente, imagino eu – nesses protestos, como que catalisando, focalizando e ditando as pautas das reivindicações e indignações. NÃO, AMIGO! POR FAVOR, NÃO!! Isso não é lucidez, é mais uma atitude (“oh, céus, não diga isso, Deus me livre e guarde”, desculpa aí, amigo) reacionária e de vender o seu peixe.
O texto que li, de Heloísa Helena, ex-senadora por Alagoas, manifestando sua opinião, exaltando, até, as recentes marchas populares pelo Brasil afora, as manifestações e protestos, como forma de pressão aos políticos, ao poder público, em todos seus âmbitos, uma certa vibração, até, sem – aparentemente – querer puxar a brasa para o seu assado, isto, sim, foi uma atitude elogiável e lúcida, que aliás, só me faz admirar ainda mais esta mulher.
Algumas pessoas querem restringir as pautas dos protestos. Querem direcionar as reivindicações e reclamações, querem ditar contra o que, ou quem, vale a pena protestar e bradar palavras de ordem. Não sei se é conscientemente, mas tem gente meio que protegendo algumas “vítimas” do movimento! Gente que não vê problema algum se você entoar as palavras de ordem contra o congresso – ou alguns membros, apenas – contra o governador, ou o prefeito, mas que chegam a “temer” um golpe de estado se você, ou alguém, soltar algo tipo “Fora Dilma”. Os esquerdinhas querem controlar o movimento, direcionar o foco para assuntos que ELES consideram relevantes, em detrimento de outros que consideram “equivocados”. Os partidos políticos e os grandes grupos de mídia já estão visivelmente incomodados e preocupados com as manifestações. Os esquerdinhas e os reacinhas querem puxar o movimento para suas causas, querem levar a galera como se fosse boiada para os temas que mais lhes agradem. Ou esvaziar o movimento, o que lhes parecer mais fácil! Há e sempre haverá alguém, revolucionário, ou reaça, afim de desqualificar os protestos, se alguém for pra rua reclamar por algo que não lhes pareça admissível discutir. É muita gente preferindo a manutenção de um sistema Vista bugado a um movimento de descontentamento geral e irrestrito agitando e pressionando pelas mudanças que se quer, que vão muito além da passagem do ônibus, dos números oficiais de institutos de pesquisas, ou propagandas governamentais, que não correspondem à realidade. É muito cacique preferindo manter as coisas como estão a permitir que o próprio povo force, fuce, faça por onde mudar, buscar as melhorias que há tempos esperamos e queremos. Já tem governante e administrador nos devolvendo os 20 centavos, que é pra ver se a galera se satisfaz, fica alegrinha e volta pra casa, dando-lhes um refresco. Mais do que nunca, esse é o momento de tomarmos nosso lugar, de ocupar os espaços públicos e as redes sociais – why not?! – continuar mobilizados e nos manifestar. Vamos pra rua, mostrar como é que se faz!

terça-feira, 18 de junho de 2013

Vamos Pra Rua!

Não são mais só por 20 centavos. Não são mais só na Avenida Paulista, nem só no Largo da Prefeitura, Largo Glênio Perez, Praça Montevidéu, avenidas Sete de Setembro e Borges de Medeiros. É no Brasil todo! Galera acordou, galera tá na rua, tá aparecendo nos telejornais do horário nobre, quando estes não se concentravam em mostrar os atos de vandalismo de meia dúzia, porque, afinal de contas, imagens de destruição são mais espetaculares e sensacionais! Mas o importante é que a galera acordou, foi protestar, nas ruas e nas redes sociais. E a coisa tá ficando cada vez mais divertida!
Mas, e qual o problema se o motivo fosse “apenas” por 20 centavos?! Isso já não basta pras pessoas saírem às ruas e protestar?? Quando os protestos começaram, em maio passado, antes de atravessar o rio Mampituba e chegarem à Avenida Paulista, a motivação foi “apenas” o aumento da passagem de ônibus, na capital gaúcha, de R$ 2,85 para R$ 3,05. De primeiro, o movimento tinha uma direção e uns diretores, membros de grupos estudantis, ligados a partidos políticos, da situação, em âmbitos estadual e federal e radicais de oposição. Estes mesmos diretores das passeatas e manifestações incitaram a violência, os atos de vandalismo, as agreções ao secretário municipal de transportes, na base de bandeiradas e a tentativa de invasão da prefeitura. Não, não concordei com esses atos isolados, não gostei da participação dos partidos políticos infiltrados no protesto. Desculpem os amigos partidários. Mas concordei totalmente com os protestos “quase invisíveis”, para a grande mídia brazileira, com as motivações dos protestos. Em Southern Iranduba não estou pagando 20 centavos a mais, mas 30, na passagem de ônibus! Lá, nem com as manifestações na capital, ali pertinho, a galera se animou a se manifestar. Já em Porto Alegre, as manifestações surtiram algum efeito, uma ação popular contra o reajuste da tarifa resultou numa liminar, que baixou a tarifa de volta para os R$ 2,85 de antes do reajuste.
Quando os protestos aqui deram em alguma coisa positiva, atravessaram o rio Mampituba, chegaram a São Paulo, chegaram na Paulista, começaram por “apenas” 20 centavos, começaram com amigos meus das redes sociais se animando, se agitando, aplaudindo, apoiando o movimento que eu já tinha visto um mês antes, do qual eu já havia falado com alguns mais bem informados, já tinha comentado, já tinha me mostrado favorável. Mas, sabe o que é... alguns amigos me vêem como uma contradição, uma incógnita, porque não sou “reaça”, nem “comuna”, os deixo confusos.
É divertido observar a evolução do movimento pelas reações nas redes sociais. Quem era contrário, começou a ficar favorável, quem era a favor, está revendo os seus conceitos e mudando de opinião. Curioso e divertido tudo isso... porque, no final das contas, não é mais apenas as tarifas absurdas do transporte público: é todo o resto! As mudanças, que a gente só vê na propaganda oficial, e tem ainda quem acredite – e reclame da manipulação de informações praticada por uma importante rede carioca de tv! O movimento, agora, é contra a corrupção, é contra a PEC 37, contra as obras superfaturadas para a Copa do Mundo e a das Confederações, é contra a interferência do Congresso na Justiça. Os revolucionários socialistas de shopping center tão sem entender nada porque as bandeiras de praxe não estão lá, porque os partidos políticos não estão representados, não estão falando, não estão sendo ouvidos. Os reacionários conservadores de classe média baixa, leitores de Veja, estão delirando, porque os manifestantes não estão perdoando ninguém, não estão escolhendo contra quem lançar palavras de ordem e contra quem não lançar, não estão mais aceitando o direcionamento partidário, de esquerda, ou de direita. Só o problema é que eles não conseguem disfarçar a alegria quando a polícia ataca e o sangue jorra na tela.
O mais importante agora é que nem os reaças e nem os comunas estão entendendo mais nada! É impagável vê-los sem saber como reagir a tudo isso, não saberem de que lado ficar. Relaxa, pessoal! É que o movimento não é mais de, nem contra vocês! Esse movimento é nosso! Vocês são bem-vindos! Mas esse movimento é da galera, somos nós que estamos no controle, ou descontrole, como queiram! Aproveita, vamos pra rua!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Ela Te Vem

Ela veio te assombrar nos sonhos, pouco antes do aniversário dela. Só até você entender que, não importa quanto tempo passe, o que tenha acontecido entre vocês, o que estejam vivendo, no momento, ou a distância que lhes separe, você a ama, sempre amou e sempre amará. Sem motivo, sem sentido, sem razão, sem expectativas, somente isso, somente a ama, simples assim.
E ela ainda te vem. Mas não te causa mais espanto, nem culpa, nem atormenta. Ela não te assombra mais. Numa bela noite, em que você até delirou, por causa da febre, ela te apareceu, deitada em tua cama, coberta apenas com um lençol branco, um olhar brejeiro, um sorriso sensual e provocante, te perguntando, insinuante, qual tinha sido a melhor transa da tua vida. Ou qualquer coisa assim... acordaste lembrando daquela noite, não é mesmo!?
Uns dias depois, ela te veio novamente, com um sorriso doce, como de uns dez anos atrás, um sorriso meigo e afetuoso. Ela só te veio por causa do teu abraço. Só queria estar em teus braços, dentro de teu sonho, aconchegada em tuas lembranças. E você só a abraçou por gostar de tê-la aconchegada à tua memória, de ter o calor de seu corpo, envolvê-la ternamente em teus braços, em teu abraço largo. Nada de mais. São só sonhos! Lembranças, somente. Só uns sentimentos antigos, que não se preocupam em ir embora, que você não se preocupa em expulsá-los mais, em correr contra a correnteza. Só isso!


quinta-feira, 13 de junho de 2013

Te Namorar

Dia desses curti tua foto e fiquei um bom tempo a observando. E pensando em alguma coisa pra dizer, algum comentário pra fazer. Algo que não soasse cretino, ou uma bobagem qualquer, pra dizer só por dizer. Pensei em elogiar seu sorriso, ou o seu olhar, ou dizer como você parece mais linda a cada dia... desisti, com medo de me repetir, de me tornar cansativo, perdi as contas de quantas vezes disse isso. Pensei em elogiar as tuas roupas, em dizer-lhe que a estética do frio lhe cai muito bem... até pareceu uma boa idéia, mas achei que já não era a hora. Algumas vezes eu sinto que deixei passar o momento, que é melhor não dizer mais nada. Só ficar observando teu olhar, tua boca, teu sorriso, o gorro caído meio de lado sobre tua cabeça, os teus cabelos emoldurando suavemente teu rosto. Um sorriso meio bobo nos lábios... nos meus, nos meus! Fico mais um bom tempo te admirando. Te namorando com o olhar. Namorando tua foto. Abestado, abestalhado, pensando apenas no quanto você é linda, no quanto me encanta, que estou, provavelmente, incontestavelmente, absurdamente apaixonado por você! Que queria, que quero muito, que gostaria demais, te namorar!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Enquanto Isso, No Mundo do Inverso...

Yoani Sanchéz fala o que se passa em seu país. Sai quando lhe permitem, volta porque APESAR DE TUDO, aquele é seu país. Ela fala o que vive, o que sua família vive, o que seus amigos vivem. Ela NÃO AJUDA um grupo governamental a vigiar seu povo. Ela não foge do seu país pra, AÍ SIM, dar uma entrevista para um grande jornal europeu, em troca de uma boa quantia, para falar daquilo que "lhe desagrada e é contrário a seus princípios". QUEM é o hipócrita?? QUEM está errado?? Não sei nem se há alguém "errado" de fato nessa história... mas, se você acha que tem... se está lendo o texto conforme estão lhe  ditando... por favor, assista o vídeo abaixo, é bastante esclarecedor!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Em Um Relacionamento Sério

Estou em um relacionamento sério com ela. Seríssimo! É quase como um casamento, ela me fez seu prisioneiro, não me deixa em paz, quer exclusividade, não me deixa pensar direito, não me permite concentrar, não admite eu focalizar as idéias. Durante o fim de semana, não deixou sequer eu sair, tive de ficar e me dedicar inteiramente, de corpo, mente e espírito, nesses últimos dias, dedicar todo meu sábado e todo meu domingo... não a ela, exatamente... mas a livrar-me dela!
Esse relacionamento me intoxicou, me prostrou, passei meu fim de semana todo, ou quase, jogado na cama, sem vontade de comer, com muita vontade de dormir, mas sem conseguir direito. Dor de cabeça, garganta escangalhada, olhos ardendo, cabeça em brasa, corpo todo fervendo, tosse, catarro, nariz congestionado nas duas vias. Alucinações, sonhos estranhos, suadores e sensações de muito, muito frio. Faz tempo que não vinha assim, tão violenta. Essa tá sendo a pior gripe dos últimos 300 anos!
Em compensação, algumas conclusões interessantes advieram com esse período de delírios de febre, espirros, tosses e dores por todo o corpo. Talvez consiga falar a respeito, alguma hora.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Cheiro no Cangote

Quisera te abraçar apertado, quisera te dar um beijo no pescoço, quisera te dar um cheiro no cangote. Cheiro, não, cafungada! De te deixar toda arrepiada e com as pernas bambas! Quero me impregnar do teu cheiro, tornar meus pulmões plenos de você, guardar teu aroma, tua lembrança na minha memória olfativa, desvendar cada um dos aromas do teu perfume favorito, notar como ele harmoniza com tuas fragrâncias naturais.
Quero saber como teus aromas se harmonizam com os meus, quero guardar teu cheiro em minhas mãos, em meus braços, na minha memória. Pra, mesmo quando estiver distante, sentir o teu cheiro, para cada aroma, cada fragrância que eu sentir me lembrar de você, de nós dois, enquanto não estamos, de novo, juntos!