Faltou
bom senso. Pelo que vi por aí, pelo que andaram falando, a
respeito dos protestos, até sexta-feira passada, faltou e tem
faltado bom senso. A animação deste humilde blogueiro
com o despertar da população para todos os equívocos
de quase 20 anos de governo “de esquerda” – “ué, mas
não são só 10?” não, filhotinho, não
são – para tudo o que tem acontecido, para todas as pautas
que deveriam interessar mais
que o futebol e a novela desde sempre se esvaiu um pouco porque...
tem faltado bom senso! Na verdade, o bom senso, nestes últimos
dias, foi dar uma banda, não avisou pra onde foi e mandou
dizer que não sabe quando, nem SE, volta!
“Oh,
mas você estava vibrando tanto com as manifestações,
estava até feliz ao ver que o gigante despertou, e tals...”
Pois é, amigos, pois é! Tanto que há dias venho
pedindo pra galera não se desmobilizar, nos canais por onde
nos comunicamos, nas redes sociais e por este blog. Tenho reconhecido
que há uma certa ingenuidade de minha parte, um certo
otimismo, até, pelo fato de os manifestantes não
recorrerem às bandeiras dos partidos tradicionais e usarem a
sua própria voz para fazer suas reivindicações e
protestar, de principalmente não aceitarem nenhum
direcionamento político-partidário, quanto por quê,
ou contra quem, protestar.
Propus
a vocês não aceitar, muito menos tentar
dicotomizar o movimento,
grenalizar os manifestos, dividir e separar os manifestantes entre
“esquerda” e “direita”, “filhos da luta” e “filhos da
puta”, “revolucionários” e “reacionários”, o
“seu” lado e o “nosso”.
Eu
sei, sim, que não sou nenhum formador de opinião,
um Paulo Henrique Amorim, ou
Arnaldo Jabor, pra manipular as informações ao meu
bel-prazer e direcionar as opiniões de vocês. Nem quero
ser como nenhum desses dois aí! Mas sei, também, que
tinha uma galera aí mais respeitável e com muito mais
know-how pedindo
exatamente a mesma coisa que eu! A gente propôs aos militantes
não tentarem direcionar o movimento para as suas próprias
causas, a gente pediu pra tentarem compreender e escutar a voz das
ruas, a unirem-se, se assim o desejarem, às causas DOS
MANIFESTANTES, sem dicotomizar nada, sem eleger vítimas e
algozes, heróis e vilões. A gente pediu aos
manifestantes pra não deixarem de lado o caráter
APARTIDÁRIO do movimento, mas aceitarem a participação
dos militantes partidários, desde que estes aceitassem as
novas regras e abaixar as suas bandeiras.
A
princípio, a falta de bom senso vinha da parte dos
governantes, da força policial, dos meios de comunicação.
Tava fácil saber quem eram “eles” e quem éramos
“nós”. Agora, a falta de bom senso se tornou,
aparentemente, geral! Por debaixo dos panos, boa parte dos políticos
de carreira e grande parte da mídia nacional
novamente se juntaram e estão
conseguindo o que almejavam, desmobilizar os manifestantes e
direcionar a opinião de setores da sociedade, tão
“livres” e “engajados”, jogando-os CONTRA o povo nas ruas.
Está
certíssimo, manifestantes pacíficos e apartidários
não têm de agredir ninguém que milite nos
partidos políticos tradicionais. Ser contra os partidos
políticos e sua tentativa nefasta de cooptar o movimento não
dá razão a ninguém para levantar a mão e
espancar militantes da agremiação que seja! Por outro
lado, por que insistir em carregar bandeiras partidárias numa
passeata que está PEDINDO para NÃO se impor NENHUM
direcionamento político-partidário?! Por que querer
forçar e insistir, para quê tumultuar um movimento, só
para impor a sua ideologia e as suas pautas, que não têm
NADA a ver?! Assim não, companheiro...!
Dizem
que skinheads foram... “participar” dos manifestos! E você
acreditou?! Me diz, skinhead indo a uma manifestação
pacífica e apartidária – que alguns membros de
partidos políticos estão conseguindo tornar
ANTI-partidário – vai protestar contra... O QUÊ??! Me
diz, onde, em qual parte do teu mundo bipolar, espancar homossexuais,
negros e nordestinos é “protestar”?! ONDE quebradeiras e
saques são tidos como “manifestação da
indignação popular”?! Por favor, mate-me essa
curiosidade...
Eu
já falei aqui, vi os manifestantes lá no início,
antes dos paulistas se adonarem e rebatizarem o movimento de “Passe
Livre”. O movimento deu supercerto em Porto Alegre, onde tudo, de
fato, começou. A pressão popular surtiu algum
efeito positivo. E mesmo quando
decidiram pela independência política em relação
aos partidos tradicionais, nas se demonizou, nem hostilizou-se os
partidários, que aqui foram mais civilizados do que nos
“grandes estados brazileiros”. Mas, os novos “donos” do
movimento disseram que não vão mais chamar os jovens
para mais protestos. Os partidos, impedidos de participar dos
protestos CONTRÁRIOS a suas velhas práticas, a seus
membros no Congresso, governo E oposição, conseguiram
convencer parte da sociedade, boa parte dos revolucionários de
shopping center de que “a direita”, seja quem for, teria cooptado
o movimento e que um “golpe de Estado” estaria sendo armado
DENTRO dos protestos e manifestações mais recentes. Não
vi ninguém
dentre os que se definem de esquerda indo perguntar a algum
manifestante se tal informação era procedente. Um
vlogueiro paulista postou um vídeo no Youtube, “denunciando”
a “manipulação” da direita e vi muita gente de bem,
que considerava, até ontem, o jovem vlogueiro um mero nerd
tonto e neurótico, de repente, compartilhando o tal vídeo
e chamando a atenção para seus alarmismos e teorias
conspiracionistas, como se fossem “a grande revelação
por trás dos demoníacos protestos”! Dele nunca
esperei nenhum bom senso, mesmo, mas das outras pessoas... gente...
pensem um pouco, antes de regurgitar o que a paulicéia diz por
aí! É preciso adquirir o bom senso!

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