ARRÁ!!
EU JÁ ENTENDI O QUE ELES QUEREM!! Não, amigo, você
ainda não entendeu. E a continuar dessa maneira, vai ficar sem
entender, mesmo! E, particularmente, aproveitando uma expressão
que está muito em voga novamente, por estes dias –
vandalismo – quero dizer que acho isso tudo bárbaro! A
poeira das últimas manifestações ainda nem
baixou e já apareceu a turma de intelectuais políticos
e militantes engajados tentando – tentando, nada
mais do que isso – entender, explicar, esmiuçar, analisar o
atual movimento, denominado em São Paulo do “Passe Livre”.
Alguns
estão tentando analisar os recentes protestos pelo viés
histórico, 1968, anos de chumbo, coisa e tal. E acho muito
interessante essa relação que fazem. Mas tem um pessoal
que está observando o fenômeno como se fosse um
experimento, ou pesquisa científica, com agentes e
observadores, que estão do lado de fora, apenas estudando o
fenômeno. Eles estão desconsiderando os fatores novos
deste fenômeno político e o estão observando sob
uma ótica antiquada, calcada na mesma velha dicotomia
esquerda-direita, direitos e deveres, que não ajuda, nem um
pouco, a entender estas últimas manifestações,
muito antes pelo contrário!
Nos
últimos dias, esse é o assunto que tem dominado a
pauta. Tem muita gente falando a respeito e muita gente falando muita
besteira – inclusive este humilde blogueiro que ora escreve este
post! Gentes de quem eu nem esperava, reagindo, e mal, aos manifestos
porque, obviamente, não os estão entendendo, não
lhes caiu a ficha, ainda, não manjaram o que está
acontecendo direito... isso me parece até, de certa forma,
surpreendente! As grandes redes estão em polvorosa, em
verdadeira festa, com os protestos. É absolutamente ultrajante
o tratamento que aquela importante emissora carioca de tv tem dado
aos manifestos, nos seus telejornais e plantões. Uns amigos
discordaram veementemente da exclusão, por parte dos
manifestantes, dos partidos políticos, alguns chegaram a dizer
que se tratava de um equívoco e um desrespeito, pois os
manifestantes estariam isolando do processo todo uma gente que vem
defendendo os ideais dos quais a galera que, segundo estes, nunca
– acho uma afirmação muito forte, mas enfim –
participaram ativamente das lutas políticas antes. Não,
amigos... não façam assim! Procurem se informar, antes!
Entendam que estamos em meio a uma crise político-partidária
no Brasil, e no Brazil também... que a galera não tem
se sentido representada por boa parte dos partidos, ou por partido
algum, seja de direita, seja de esquerda, seja da coluna do meio, que
é até natural que os manifestantes queiram um movimento
independente, plural, apartidário, e que isso não
significa, de forma alguma, “apolítico”. Ouvi, ontem, numa
rádio, alguém dizer que um “movimento sem
líderes(!?)” e apartidário não teria,
portanto, ideologia. Amigo, o movimento pode não ter a TUA
ideologia – embora
hajam, certamente, manifestantes que simpatizem com ela – nem a de
um partido, muito embora a maioria dos partidos políticos,
hoje, não tenham mais uma linha ideológica definida.
Aliás, tudo o que o movimento é, com certeza, é
político e vem trazendo, sim, ideologia(s)! Teve um amigo que
até compartilhou um texto de Plínio de Arruda, que,
antes de representar a sua opinião sobre os protestos, fazia
muito mais a defesa da participação ativa dos partidos
políticos – o dele, principalmente, imagino eu – nesses
protestos, como que catalisando, focalizando e ditando as pautas das
reivindicações e indignações. NÃO,
AMIGO! POR FAVOR, NÃO!! Isso não é lucidez, é
mais uma atitude (“oh, céus, não diga isso, Deus me
livre e guarde”, desculpa aí, amigo) reacionária e de
vender o seu peixe.
O
texto que li, de Heloísa Helena, ex-senadora por Alagoas,
manifestando sua opinião, exaltando, até, as recentes
marchas populares pelo Brasil afora, as manifestações e
protestos, como forma de pressão aos políticos, ao
poder público, em todos seus âmbitos, uma certa
vibração, até, sem – aparentemente – querer
puxar a brasa para o seu assado, isto, sim, foi uma atitude elogiável
e lúcida, que aliás, só me faz admirar ainda
mais esta mulher.
Algumas
pessoas querem restringir as pautas dos protestos. Querem direcionar
as reivindicações e reclamações, querem
ditar contra o que, ou quem, vale a pena protestar e bradar palavras
de ordem. Não sei se é conscientemente, mas tem gente
meio que protegendo algumas “vítimas” do movimento! Gente
que não vê problema algum se você entoar as
palavras de ordem contra o congresso – ou alguns membros, apenas –
contra o governador, ou o prefeito, mas que chegam a “temer” um
golpe de estado se
você, ou alguém, soltar algo tipo “Fora Dilma”. Os
esquerdinhas querem controlar o movimento, direcionar o foco para
assuntos que ELES consideram relevantes, em detrimento de outros que
consideram “equivocados”. Os partidos políticos e os
grandes grupos de mídia já estão visivelmente
incomodados e preocupados com as manifestações. Os
esquerdinhas e os reacinhas querem puxar o movimento para suas
causas, querem levar a galera como se fosse boiada para os temas que
mais lhes agradem. Ou esvaziar o movimento, o que lhes parecer mais
fácil! Há e sempre haverá alguém,
revolucionário, ou reaça, afim de desqualificar os
protestos, se alguém for pra rua reclamar por algo que não
lhes pareça admissível discutir. É muita gente
preferindo a manutenção de um sistema Vista bugado a um
movimento de descontentamento geral e irrestrito agitando e
pressionando pelas mudanças que se quer, que vão muito
além da passagem do ônibus, dos números oficiais
de institutos de pesquisas, ou propagandas governamentais, que não
correspondem à realidade. É muito cacique preferindo
manter as coisas como estão a permitir que o próprio
povo force, fuce, faça por onde mudar, buscar as melhorias que
há tempos esperamos e queremos. Já tem governante e
administrador nos devolvendo os 20 centavos, que é pra ver se
a galera se satisfaz, fica alegrinha e volta pra casa, dando-lhes um
refresco. Mais do que nunca, esse é o momento de tomarmos
nosso lugar, de ocupar os espaços públicos e as redes
sociais – why not?! – continuar mobilizados e nos manifestar.
Vamos pra rua, mostrar como é que se faz!

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