PESCANDO NO BODOSAL

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Analisando Esta Cadeia Hereditária

ARRÁ!! EU JÁ ENTENDI O QUE ELES QUEREM!! Não, amigo, você ainda não entendeu. E a continuar dessa maneira, vai ficar sem entender, mesmo! E, particularmente, aproveitando uma expressão que está muito em voga novamente, por estes dias – vandalismo – quero dizer que acho isso tudo bárbaro! A poeira das últimas manifestações ainda nem baixou e já apareceu a turma de intelectuais políticos e militantes engajados tentando – tentando, nada mais do que isso – entender, explicar, esmiuçar, analisar o atual movimento, denominado em São Paulo do “Passe Livre”.
Alguns estão tentando analisar os recentes protestos pelo viés histórico, 1968, anos de chumbo, coisa e tal. E acho muito interessante essa relação que fazem. Mas tem um pessoal que está observando o fenômeno como se fosse um experimento, ou pesquisa científica, com agentes e observadores, que estão do lado de fora, apenas estudando o fenômeno. Eles estão desconsiderando os fatores novos deste fenômeno político e o estão observando sob uma ótica antiquada, calcada na mesma velha dicotomia esquerda-direita, direitos e deveres, que não ajuda, nem um pouco, a entender estas últimas manifestações, muito antes pelo contrário!
Nos últimos dias, esse é o assunto que tem dominado a pauta. Tem muita gente falando a respeito e muita gente falando muita besteira – inclusive este humilde blogueiro que ora escreve este post! Gentes de quem eu nem esperava, reagindo, e mal, aos manifestos porque, obviamente, não os estão entendendo, não lhes caiu a ficha, ainda, não manjaram o que está acontecendo direito... isso me parece até, de certa forma, surpreendente! As grandes redes estão em polvorosa, em verdadeira festa, com os protestos. É absolutamente ultrajante o tratamento que aquela importante emissora carioca de tv tem dado aos manifestos, nos seus telejornais e plantões. Uns amigos discordaram veementemente da exclusão, por parte dos manifestantes, dos partidos políticos, alguns chegaram a dizer que se tratava de um equívoco e um desrespeito, pois os manifestantes estariam isolando do processo todo uma gente que vem defendendo os ideais dos quais a galera que, segundo estes, nunca – acho uma afirmação muito forte, mas enfim – participaram ativamente das lutas políticas antes. Não, amigos... não façam assim! Procurem se informar, antes! Entendam que estamos em meio a uma crise político-partidária no Brasil, e no Brazil também... que a galera não tem se sentido representada por boa parte dos partidos, ou por partido algum, seja de direita, seja de esquerda, seja da coluna do meio, que é até natural que os manifestantes queiram um movimento independente, plural, apartidário, e que isso não significa, de forma alguma, “apolítico”. Ouvi, ontem, numa rádio, alguém dizer que um “movimento sem líderes(!?)” e apartidário não teria, portanto, ideologia. Amigo, o movimento pode não ter a TUA ideologia – embora hajam, certamente, manifestantes que simpatizem com ela – nem a de um partido, muito embora a maioria dos partidos políticos, hoje, não tenham mais uma linha ideológica definida. Aliás, tudo o que o movimento é, com certeza, é político e vem trazendo, sim, ideologia(s)! Teve um amigo que até compartilhou um texto de Plínio de Arruda, que, antes de representar a sua opinião sobre os protestos, fazia muito mais a defesa da participação ativa dos partidos políticos – o dele, principalmente, imagino eu – nesses protestos, como que catalisando, focalizando e ditando as pautas das reivindicações e indignações. NÃO, AMIGO! POR FAVOR, NÃO!! Isso não é lucidez, é mais uma atitude (“oh, céus, não diga isso, Deus me livre e guarde”, desculpa aí, amigo) reacionária e de vender o seu peixe.
O texto que li, de Heloísa Helena, ex-senadora por Alagoas, manifestando sua opinião, exaltando, até, as recentes marchas populares pelo Brasil afora, as manifestações e protestos, como forma de pressão aos políticos, ao poder público, em todos seus âmbitos, uma certa vibração, até, sem – aparentemente – querer puxar a brasa para o seu assado, isto, sim, foi uma atitude elogiável e lúcida, que aliás, só me faz admirar ainda mais esta mulher.
Algumas pessoas querem restringir as pautas dos protestos. Querem direcionar as reivindicações e reclamações, querem ditar contra o que, ou quem, vale a pena protestar e bradar palavras de ordem. Não sei se é conscientemente, mas tem gente meio que protegendo algumas “vítimas” do movimento! Gente que não vê problema algum se você entoar as palavras de ordem contra o congresso – ou alguns membros, apenas – contra o governador, ou o prefeito, mas que chegam a “temer” um golpe de estado se você, ou alguém, soltar algo tipo “Fora Dilma”. Os esquerdinhas querem controlar o movimento, direcionar o foco para assuntos que ELES consideram relevantes, em detrimento de outros que consideram “equivocados”. Os partidos políticos e os grandes grupos de mídia já estão visivelmente incomodados e preocupados com as manifestações. Os esquerdinhas e os reacinhas querem puxar o movimento para suas causas, querem levar a galera como se fosse boiada para os temas que mais lhes agradem. Ou esvaziar o movimento, o que lhes parecer mais fácil! Há e sempre haverá alguém, revolucionário, ou reaça, afim de desqualificar os protestos, se alguém for pra rua reclamar por algo que não lhes pareça admissível discutir. É muita gente preferindo a manutenção de um sistema Vista bugado a um movimento de descontentamento geral e irrestrito agitando e pressionando pelas mudanças que se quer, que vão muito além da passagem do ônibus, dos números oficiais de institutos de pesquisas, ou propagandas governamentais, que não correspondem à realidade. É muito cacique preferindo manter as coisas como estão a permitir que o próprio povo force, fuce, faça por onde mudar, buscar as melhorias que há tempos esperamos e queremos. Já tem governante e administrador nos devolvendo os 20 centavos, que é pra ver se a galera se satisfaz, fica alegrinha e volta pra casa, dando-lhes um refresco. Mais do que nunca, esse é o momento de tomarmos nosso lugar, de ocupar os espaços públicos e as redes sociais – why not?! – continuar mobilizados e nos manifestar. Vamos pra rua, mostrar como é que se faz!

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