PESCANDO NO BODOSAL

terça-feira, 18 de junho de 2013

Vamos Pra Rua!

Não são mais só por 20 centavos. Não são mais só na Avenida Paulista, nem só no Largo da Prefeitura, Largo Glênio Perez, Praça Montevidéu, avenidas Sete de Setembro e Borges de Medeiros. É no Brasil todo! Galera acordou, galera tá na rua, tá aparecendo nos telejornais do horário nobre, quando estes não se concentravam em mostrar os atos de vandalismo de meia dúzia, porque, afinal de contas, imagens de destruição são mais espetaculares e sensacionais! Mas o importante é que a galera acordou, foi protestar, nas ruas e nas redes sociais. E a coisa tá ficando cada vez mais divertida!
Mas, e qual o problema se o motivo fosse “apenas” por 20 centavos?! Isso já não basta pras pessoas saírem às ruas e protestar?? Quando os protestos começaram, em maio passado, antes de atravessar o rio Mampituba e chegarem à Avenida Paulista, a motivação foi “apenas” o aumento da passagem de ônibus, na capital gaúcha, de R$ 2,85 para R$ 3,05. De primeiro, o movimento tinha uma direção e uns diretores, membros de grupos estudantis, ligados a partidos políticos, da situação, em âmbitos estadual e federal e radicais de oposição. Estes mesmos diretores das passeatas e manifestações incitaram a violência, os atos de vandalismo, as agreções ao secretário municipal de transportes, na base de bandeiradas e a tentativa de invasão da prefeitura. Não, não concordei com esses atos isolados, não gostei da participação dos partidos políticos infiltrados no protesto. Desculpem os amigos partidários. Mas concordei totalmente com os protestos “quase invisíveis”, para a grande mídia brazileira, com as motivações dos protestos. Em Southern Iranduba não estou pagando 20 centavos a mais, mas 30, na passagem de ônibus! Lá, nem com as manifestações na capital, ali pertinho, a galera se animou a se manifestar. Já em Porto Alegre, as manifestações surtiram algum efeito, uma ação popular contra o reajuste da tarifa resultou numa liminar, que baixou a tarifa de volta para os R$ 2,85 de antes do reajuste.
Quando os protestos aqui deram em alguma coisa positiva, atravessaram o rio Mampituba, chegaram a São Paulo, chegaram na Paulista, começaram por “apenas” 20 centavos, começaram com amigos meus das redes sociais se animando, se agitando, aplaudindo, apoiando o movimento que eu já tinha visto um mês antes, do qual eu já havia falado com alguns mais bem informados, já tinha comentado, já tinha me mostrado favorável. Mas, sabe o que é... alguns amigos me vêem como uma contradição, uma incógnita, porque não sou “reaça”, nem “comuna”, os deixo confusos.
É divertido observar a evolução do movimento pelas reações nas redes sociais. Quem era contrário, começou a ficar favorável, quem era a favor, está revendo os seus conceitos e mudando de opinião. Curioso e divertido tudo isso... porque, no final das contas, não é mais apenas as tarifas absurdas do transporte público: é todo o resto! As mudanças, que a gente só vê na propaganda oficial, e tem ainda quem acredite – e reclame da manipulação de informações praticada por uma importante rede carioca de tv! O movimento, agora, é contra a corrupção, é contra a PEC 37, contra as obras superfaturadas para a Copa do Mundo e a das Confederações, é contra a interferência do Congresso na Justiça. Os revolucionários socialistas de shopping center tão sem entender nada porque as bandeiras de praxe não estão lá, porque os partidos políticos não estão representados, não estão falando, não estão sendo ouvidos. Os reacionários conservadores de classe média baixa, leitores de Veja, estão delirando, porque os manifestantes não estão perdoando ninguém, não estão escolhendo contra quem lançar palavras de ordem e contra quem não lançar, não estão mais aceitando o direcionamento partidário, de esquerda, ou de direita. Só o problema é que eles não conseguem disfarçar a alegria quando a polícia ataca e o sangue jorra na tela.
O mais importante agora é que nem os reaças e nem os comunas estão entendendo mais nada! É impagável vê-los sem saber como reagir a tudo isso, não saberem de que lado ficar. Relaxa, pessoal! É que o movimento não é mais de, nem contra vocês! Esse movimento é nosso! Vocês são bem-vindos! Mas esse movimento é da galera, somos nós que estamos no controle, ou descontrole, como queiram! Aproveita, vamos pra rua!

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