Não
são mais só por 20 centavos. Não são mais
só na Avenida Paulista, nem só no Largo da Prefeitura,
Largo Glênio Perez, Praça Montevidéu, avenidas
Sete de Setembro e Borges de Medeiros. É no Brasil todo!
Galera acordou, galera tá na rua, tá aparecendo nos
telejornais do horário nobre, quando estes não se
concentravam em mostrar os atos de vandalismo de meia dúzia,
porque, afinal de contas, imagens de destruição são
mais espetaculares e sensacionais! Mas o importante é que a
galera acordou, foi protestar, nas ruas e nas redes sociais. E a
coisa tá ficando cada vez mais divertida!
Mas,
e qual o problema se o motivo fosse “apenas” por 20 centavos?!
Isso já não basta pras pessoas saírem às
ruas e protestar?? Quando os protestos começaram, em maio
passado, antes de atravessar o rio Mampituba e chegarem à
Avenida Paulista, a motivação foi “apenas” o
aumento da passagem de ônibus, na capital gaúcha, de R$
2,85 para R$ 3,05. De primeiro, o movimento tinha uma direção
e uns diretores, membros de grupos estudantis, ligados a partidos
políticos, da situação, em âmbitos
estadual e federal e radicais de oposição. Estes mesmos
diretores das passeatas e manifestações incitaram a
violência, os atos de vandalismo, as agreções ao
secretário municipal de transportes, na base de bandeiradas e
a tentativa de invasão da prefeitura. Não, não
concordei com esses atos isolados, não gostei da participação
dos partidos políticos infiltrados no protesto. Desculpem os
amigos partidários. Mas concordei totalmente com os protestos
“quase invisíveis”, para a grande mídia brazileira,
com as motivações dos protestos. Em Southern Iranduba
não estou pagando 20 centavos a mais, mas 30, na passagem de
ônibus! Lá, nem com as manifestações na
capital, ali pertinho, a galera se animou a se manifestar. Já
em Porto Alegre, as manifestações surtiram algum
efeito, uma ação popular contra o reajuste da tarifa
resultou numa liminar, que baixou a tarifa de volta para os R$ 2,85
de antes do reajuste.
Quando
os protestos aqui deram em alguma coisa positiva, atravessaram o rio
Mampituba, chegaram a São Paulo, chegaram na Paulista,
começaram por “apenas” 20 centavos, começaram com
amigos meus das redes sociais se animando, se agitando, aplaudindo,
apoiando o movimento que eu já tinha visto um mês antes,
do qual eu já havia falado com alguns mais bem informados, já
tinha comentado, já tinha me mostrado favorável. Mas,
sabe o que é... alguns amigos me vêem como uma
contradição, uma incógnita, porque não
sou “reaça”, nem “comuna”, os deixo confusos.
É
divertido observar a evolução do movimento pelas
reações nas redes sociais. Quem era contrário,
começou a ficar favorável, quem era a favor, está
revendo os seus conceitos e mudando de opinião. Curioso e
divertido tudo isso... porque, no final das contas, não é
mais apenas as tarifas absurdas do transporte público: é
todo o resto! As mudanças, que a gente só vê na
propaganda oficial, e tem ainda quem acredite – e reclame da
manipulação de informações praticada por
uma importante rede carioca de tv! O movimento, agora, é
contra a corrupção, é contra a PEC 37, contra as
obras superfaturadas para a Copa do Mundo e a das Confederações,
é contra a interferência do Congresso na Justiça.
Os revolucionários socialistas de shopping center tão
sem entender nada porque as bandeiras de praxe não estão
lá, porque os partidos políticos não estão
representados, não estão falando, não estão
sendo ouvidos. Os reacionários conservadores de classe média
baixa, leitores de Veja, estão delirando, porque os
manifestantes não estão perdoando ninguém, não
estão escolhendo contra quem lançar palavras de ordem e
contra quem não lançar, não estão mais
aceitando o direcionamento partidário, de esquerda, ou de
direita. Só o problema é que eles não conseguem
disfarçar a alegria quando a polícia ataca e o sangue
jorra na tela.
O
mais importante agora é que nem os reaças e nem os
comunas estão entendendo mais nada! É impagável
vê-los sem saber como reagir a tudo isso, não saberem de
que lado ficar. Relaxa, pessoal! É que o movimento não
é mais de, nem contra vocês! Esse movimento é
nosso! Vocês são bem-vindos! Mas esse movimento é
da galera, somos nós que estamos no controle, ou descontrole,
como queiram! Aproveita, vamos pra rua!

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