PESCANDO NO BODOSAL

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Universo Particular

Já construí um iglu, um abrigo pra me(nos) proteger do frio intenso, pra esquentar meus pés cansados e gelados, pra esquentar minhas mãos doloridas e congeladas, para acender a lareira e preparar um capuccino pra você. Por que diabos acho romântica a ideia de te fazer um capuccino?! Ah, sei lá, pouco importa, só tenho a vontade de fazê-lo!
Agora construí um lugar muito mais legal. Um lugar bastante amplo, repleto de janelas, tem até uma clarabóia no teto, inundado da luz do sol, onde não entra calor, nem frio, tem plantas e folhagens, algumas orquídeas, algumas hortênsias, meus livros, minhas revistas, os jornais do dia, com todas as notícias que vale a pena se saber, todas minhas músicas favoritas, todos meus filmes, séries e desenhos preferidos. Uma escrivaninha, repleta de manuscritos, com tudo o que já escrevi e tudo que ainda vou escrever, todos os pensamentos, textos, planos pra melhorar o mundo, invenções exóticas, desenhos de projetos e esquemas de vida, filosofias, romances que comecei e não terminei, alguns que nem bem comecei a imaginar, poesias e prosas inspiradas no teu sorriso, numa música que gostas, e em você. Objetos e fotos da infância, espalhadas pela sala, em molduras e porta-retratos por todo lado, mobílias e memórias de cada momento que tive, de solidão, de alegria, etc, de cada vez que te fiz rir. Minhas praias, minhas cidades, cada um dos meus lugares favoritos, daqueles que já fui trocentas vezes, ou uma só, daqueles que ainda não fui, mas quero ir, daqueles que gostaria de te apresentar, daqueles com que sonho, daqueles que me fazem acalmar e pensar. E todos meus amigos, todas minhas famílias, a que tenho, a que me tem, aquela com que sonho, desde menino, todos meus bichos, gatos e cães, e até o porquinho da Índia, que tive aos 8 anos. E todos meus amores, passados, presentes, futuros, eternos!
Se quiser deixar algo de seu, ficarei grato, guardarei com todo cuidado e com todo carinho. Aqui cabe tudo, cada impressão, cada experiência, cada desejo, cada pensamento, cada sentimento. Bem vinda ao meu universo particular!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

No Meu Iglu #2

Aqui, dentro do meu iglu, estamos protegidos das intempéries que caem lá fora; nem chuva, nem vento e nem granizo podem invadir e derrubar essas paredes. O frio, aqui, não entra nem com nojo, pode fazer cem graus abaixo de zero, pode cair a maior nevasca do mundo, lá fora, que aqui dentro estaremos seguros e quentes.
Construí o meu iglu para me entocar e fugir do frio gélido que me persegue, me irrita os olhos, congela meu nariz, pés e mãos, congestiona as vias respiratórias, etc.
Construí meu iglu para não deixar o frio e as pessoas chatas entrarem, para o calor e as pessoas que gosto não quererem sair, com paredes grossas de tijolos pesados e inteiriços, revestidas com peles de urso polar, de morsa e de lobo. Fiz uma cama enorme, num quarto espaçoso e ricamente decorado, cheia de almofadas, travesseiros e cobertores, onde, se você deitar, não quererá mais levantar! No meio de meu iglu fica a lareira, que também nos serve de fogão de pedra, à lenha, coloquei sobre as chamas uma grelha, onde assamos uns bons bifes, como numa parrilla e uma chaleira começa a chiar, com a água, que começa a ferver, para um delicioso capuccino, que estará à sua espera, pra te esquentar, quando você chegar, sacudindo os casacos, salpicados de flocos de gelo e batendo as botinhas na soleira da porta. No meu iglu tem um confortável divã, bem do lado de minha poltrona, onde você pode se refestelar, colocar os pés pra cima, observar o fogo da lareira, saborear o café, conversar sobre o frio e as coisas do dia-a-dia, assistir ao noticiário na tv, escutar uma boa música, aconchegar a cabecinha em meu ombro e esquecer dos problemas. No meu iglu posso desfrutar do teu sorriso, da tua risada, da tua voz, do teu perfume, da tua companhia, chego quase desejar que o inverno nunca mais vá embora. Um dia, quem sabe...

terça-feira, 16 de julho de 2013

No Meu Iglu

Bicho, tá muito frio, tá frio demais! A noite passada e a madrugada foram geladas! Quem diz que gosta de frio não conhece o frio, não faz ideia do que passei, não imagina nem o quão desconfortável se sentiria.Tente imaginar um corte de carne fechado dentro de um frigorífico, como se sentiria. Tente ao menos imaginar o que aquele frango congelado dentro do freezer te diria sobre as 'maravilhas' do frio congelante, se pudesse! Se isso ainda não adiantar, ponha a cabeça dentro do freezer e mantenha-a assim por uns dez minutos! Sim, será bem divertido...
Já dissemos antes, frio é bom pra comer e pra dormir. Às vezes penso, poderíamos ser como os ursos e os jacarés, irmos dormir no inverno e acordarmos apenas na primavera. Só que algum dos nossos antepassados resolveu não proceder assim e cá estamos. Correndo para pegar o trem, para sair da rua gelada, para chegar o mais rápido possível em casa, comer qualquer besteira a título de jantar e correr para debaixo das cobertas, assistir um pouco de tv e dormir, o máximo possível, encasulado como uma lagarta, para transformar-se em mariposa. Dureza é enrolar e aquecer bem os pés, isso costuma levar horas, e quando você enfim consegue, já é hora de levantar.
Mas essa noite eu consegui, descobri uma maneira! Peguei todos os cobertores à disposição, mais meu edredom, construí um iglu, lá dentro forrei as paredes com peles de lobos, ursos polares e morsas, fiz uma cama quentinha, acendi uma fogueira, pus uma água para esquentar e fazer um capuccino, até ajeitei um lugar aconchegante, bem do meu lado, pra esperar você, pro caso de, algum dia, quem sabe, talvez, você quiser vir passar um pouquinho de frio. Meu iglu foi feito numa noite e já tem lugar pra dois.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Recorrentes

Estou numa estrada. Numa via muito larga, lá ao fundo, depois de um capinzal, há os contornos de uma galpão, ou depósito antigo, ou qualquer coisa assim. Vários ônibus de cor vermelha, ou alaranjada, parados em fila dupla, no acostamento. Parece que não sei bem onde estou, que sei apenas que preciso ir embora, já é tarde, não sei direito como. Um motora de camisa cor de rosa aponta para uma outra estradinha, escura e ladeada por árvores sinistras, parece que diz, depois daquela estradinha encontrarei uma estação de trem, de metrô, algo assim. Não sinto exatamente medo, vou para lá, percebendo logo que, além de muito pouco iluminada, a estradinha é mais comprida do que imaginava. Espero encontrar uma plataforma de metrô moderna, mas quando chego ao fim da estrada, vejo o que parece uma antiga estação de trem, daquelas que há no interior do estado, antiga e aparentemente fechada, um poste de luz aceso, apenas e uns trilhos cobertos por mato, como se estivessem abandonados.
Antes, ainda: estou chegando numa estação rodoviária. Parece a de Porto Alegre, até, só talvez um pouco menor. Novamente é noite, a estação parece quase vazia, apenas um mendigo deitado sobre papelões, que me cumprimenta, um casal de velhinhos num outro box, umas pessoas que não consigo distinguir muito bem, pois estão mais longe. Parece que vejo uma menininha correndo lá adiante, mas não tenho bem certeza. É noite, é tarde, estou procurando, parece, um lugar para lanchar, mas não tem, está tudo fechado. Estou com uma mala, estou esperando o ônibus, pra onde, não sei, só sei que vou viajar. Pra algum lugar, qualquer lugar, enfim, pouco importa.
Sim, são sonhos e o sonho, por si só, é uma viagem. Parecem ser recorrentes, os cenários eram diferentes, mas o motivo era o mesmo, a viagem. A viagem da vida? O desejo de viajar, partir, pra qualquer lugar, apenas mudar de ares? Estarei prestes a viajar, ir para algum destino que ainda ignoro? Será a grande viagem se aproximando? Bem, não é o que se espera, mas não descartamos possibilidades. Vai que...
Bem, nos sonhos, a alma cigana se manifesta de alguma forma.

Os Grevistas vs. Os Manifestantes

Oh, sim, eles conseguiram, em parte, o que pretendiam. Boicotaram a proposta de paralisação no início do mês, deixaram passar esses dez dias de calmaria, sem protestos, e forçaram uma greve geral, um dia nacional de “lutas”... os sindicalistas fecharam estradas, bancos e escolas, conseguiram o que queriam, tiveram a sua própria manifestação, tiveram de volta as câmeras e holofotes, tiveram a chance de divulgar as suas velhas, batidas, surradas pautas de reivindicação. Ok!
Como dissemos, os grevistas conseguiram apenas parte do que pretendiam. Não se pode ter tudo. Não foi o que nos disseram? Eles esperavam nos ludibriar, acharam mesmo que iam nos convencer, não apenas que têm força, que conseguem parar o país e pressionar os políticos, os grandes empresários e a grande mídia (esse último, eles não tentaram). Acharam também que nos convenceriam que estiveram, todo o tempo, do nosso lado, apesar de alguns comentários ácidos sobre os protestos dos meses de maio e junho, emitidos por dirigentes das suas agremiações. Quiseram mostrar que estavam lutando pelas mesmas bandeiras dos novos movimentos, como o do Passe Livre, de São Paulo, pedindo-nos apenas para ignorarmos a sua ligação com partidos políticos tradicionais, muitos dos quais, do governo e/ou base aliada. Seus comandantes, um tanto arrogantes e soberbos, imaginaram que conseguiriam trazer os manifestantes para o seu lado, que teriam o apoio e a adesão dos novos movimentos à sua marcha programada, com apoio velado dos partidos, no momento, afinal de contas, né... achavam que iriam colar a sua imagem à dos manifestantes dos protestos de maio e junho mas, como no caso dos militantes partidários, dos vândalos e dos brigões, os sindicalistas também não representaram, hoje, aqueles manifestantes.
Sabemos o que foi dito na tv, provavelmente nos portais e sites de notícias e o que será dito na revista Veja da próxima semana – possivelmente concordando, pela primeira vez na história, com a Carta Capital – que houveram “manifestações” no tal “dia nacional de lutas”. Sabemos, também, que essa afirmação, além de falsa, pretende induzir ao erro. Não houveram manifestações me parte alguma. O que houve, em maio e junho, foram manifestações organizadas “de forma desorganizada”, por várias pessoas, em vários lugares, ao mesmo tempo, através das redes sociais, isso nós sabemos, vocês sabem, todo mundo sabe, são protestos compartilhados por vários novos movimentos apartidários, nem por isso apolíticos. O que houve hoje foi uma paralisação, um feriado informal, uma greve “geral”, como tantas outras que houveram antes, até 2002, mais ou menos, curiosamente só até 2002, quer dizer, houve uma greve geral após mais de dez anos de calmaria, hoje. São coisas diferentes! A despeito do que duas das maiores empresas de comunicação do Rio e São Paulo disseram, em seus noticiários regionais e nacionais, os sindicalistas não são, não representam, muito menos hoje, os novos movimentos, os manifestantes, ou as vozes das ruas. A greve “geral” não tem, não teve, nada a ver com as manifestações e protestos anteriores, tanto que os sindicalistas e os grêmios estudantis foram pegos de calças curtas, tanto quanto a grande mídia e os políticos. São dois movimentos diferentes, distintos. Esse de hoje fingiu que ouviu a voz daqueles do mês passado, embora não tenham aprendido nenhuma lição e, sendo assim, permanecerão como os políticos e a mídia: destoantes daqueles novos movimentos!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Tem Culpa Quem?!

Olhaí como estão as coisas no nosso Brazil varonew! Os mensaleiros foram condenados, mas estão por aí, soltos, uns já até voltaram ao Congresso! O STF tá bancando, com o nosso dinheiro, as férias de familiares na Europa e na Disney! E essas manifestações, então!? Bem no meio da Copa das Confederações, atrapalhando a grande festa do futebol MUNDIAL!! E esses vândalos da direita golpista (KK), infiltrados no meio dos protestos pacíficos, só causando confusão, atrapalhando o trabalho digno e honesto da política na dispersão de manifestantes, destruindo patrimônio público, saqueando lojas e magazines. QUE VERGONHA!! E esses reacionários safados, agora quebraram a cara, hein! Hein!? Tentaram convocar greve geral, mas não levaram! Os partidos políticos, que tão bem representam todas correntes ideológicas (KK) brazileiras, não conseguiram se impor nas últimas manifestações mas as centrais sindicais, que estas sim, representam muito bem a classe trabalhadora – e ganham uma boa beirada do governo e partidos, pra isso – não deixaram esses golpistas se meterem naquilo que não conhecem e pararem nosso amado país, ainda mais logo após uma vitória acachapante da nossa seleção, em uma emocionante final de copa! Queriam fazer feriadão e baderna, é, maninho?! AQUI, NÃÃÃOOO!!
Mas a gente sabe bem de quem é a culpa de tudo isso! Este país tá do jeito que tá por culpa do FHC!!
    HEIN?! COMO É?? TEM CULPA QUEM?!? Você ainda está buscando culpados?! Estão alardeando que a culpa é toda de Dilma, que é de Fernando Henrique, alguns poucos, à boca pequena, sussurram que o grande culpado, de verdade, é Luiz Inácio... outros dizem que foram os militares – não te duvido – Fernando de Mello, Dom Pedro I, Dom João VI, Pedro Álvares Cabral... gentes que, dizem as lendas, têm até toadas sobre, pro cd do bicentenário, sempre lutaram pelos trabalhadores, pelos jovens, pelas minorias, pelo povo, pela gente, enfim, dizem que as manifestações são meros devaneios tolos de um povo alienado e acomodado, que nem bem acordou, já teria voltado a cochilar. Gente séria, bem intencionada e honesta tem repetido quanto à greve geral, aparentemente convocada pelos mesmos grupos das manifestações, as mesmas bobagens ditadas acerca dos protestos. Naqueles, sem os partidos, sem uma liderança e sem um foco – de preferência, um catalisador “seguro” aceitável – para a indignação geral, nada daria certo, nenhuma pressão surtiria efeito, os nossos governantes continuariam cegos e, em pouquíssimos dias, iriam estar desmobilizados. Era com o que contavam, mas... enfim! Pois, nesta, sem o aval das grandes forças e centrais sindicais, que ultimamente, como no caso dos partidos, não têm mais cumprido com sua função primordial de representação das classes trabalhadoras, trocando isso por um alinhamento com o patronato e os governos, não haveria como mobilizar os trabalhadores e parar o país, por motivos “suspeitos” e “golpistas”!
    Oh, sim, realmente, está tudo normal... fora uns ônibus queimados, linhas que não circularam, ou que saíram com uma hora de atraso. Fora as escolas públicas, que amanheceram sem aulas. Fora o trem urbano, que passou em “operação padrão”, mais lento, por conta de “fissuras” nos trilhos. Não pararam o país, só fizeram ele andar mais devagar! Muito bem, senhores líderes sindicais, vocês conseguiram, nos venceram! E de quem é a culpa, mesmo?! Desse país bitolado, desse grenalismo globalizado e mal disfarçado, das manipulações de informação, que dizem ser praticadas por aquela grande rede de comunicação carioca e por aquela grande revista semanal paulista, embora aceitem as informações dúbias de uma revista de importância capital e de uma rede de comunicação pertencente àquela igreja neo-pentecostal... de quem é a culpa?! Quem é o grande culpado? Será o “neoliberal”, apenas um dos maiores pensadores de esquerda do país? Será a “guerrilheira”? Será o “torneiro mecânico”? Ou, quem sabe, será o “caçador de marajás”? Tem culpa quem, afinal? Tem culpa eu? Tem culpa tu?! Te digo, sem medo de errar: tem culpa nós, e não adianta nada procurar inimigos infiltrados, ou conspiradores malignos, a serviço do grande cão americano, dos generais de Cuba, ou de quem quer que seja! Somos nós quem tem que arrumar essa bagunça toda!