Cheguei
por aqui pensando em escrever outra coisa. Idéias têm
surgido, o que não tem surgido são bons posts! Aí,
que fazer, com todas aquelas idéias, em tão pouco
tempo, também?! Bora deixar pra lá, se couberem ainda,
bom, se não... descartemos-as.
Ontem
de manhã, escutando ao rádio, enquanto tomava banho,
ouço o locutor de uma rádio AM de grande audiência
no Rio Grande do Sul, falar de uma tentativa de assalto, ocorrida na
noite anterior, que teria sido impedida por um vigilante noturno, que
flagrou a ocorrência e atirou no suspeito, no tórax. É,
assim que começa o dia dos campeões, amigo... enfim, o
tal suposto assaltante, estando ferido, foi encaminhado, por dois
soldados da Brigada Militar, que chegaram depois de todo ocorrido,
para o hospital de pronto-socorro mais próximo. E o vigilante,
por sua vez, por estar com um revólver frio, uma arma sem
porte e sem procedência, foi detido pelos mesmos brigadianos.
Não sei... tem algo de errado nessa história aí??
Tudo
bem, até parece claro, pra maioria das pessoas, que há
algo de errado nesse caso. Você pode dizer: “Hei! A polícia
prendeu o cara errado!”. Pois o locutor da rádio – a
saber, o ex-senador gaúcho Sérgio Zambiasi – disse
mais ou menos isso mesmo. Disse ele, que os policiais militares
teriam “exagerado” no rigor, ao “prender” o tal vigilante
noturno... se bem que o termo espertamente usado pelo locutor não
é o mais correto. O termo certo seria “deter”, que pode
ter um sentido parecido, mas não é a mesma coisa, não
mesmo! Nada como ter ex-brigadianos na família...
Pois,
pensando pelo lado puramente racional, técnico e prático,
não vejo, na ação dos policiais, nada de tão
errado. Se analisarmos friamente, muito antes pelo contrário,
os agentes policiais agiram corretamente, em conformidade com sua
função e dentro da normalidade. Nesse caso de terem
encontrado, de um lado, um homem ferido, baleado, e de outro, um
homem que baleou uma pessoa, a sangue frio, ainda por cima com uma
arma sem procedência! Vamos entrar no mérito da
tentativa de assalto e da conseqüente reação para
evitar o crime? Ok. O vigilante não agiu em conformidade com a
sua função ao abordar um suspeito e evitar que este
cometesse um assalto, que poderia ser seguido de morte, ok, mas ainda
essa não é a função do vigilante. Essa
deveria ter sido a função dos brigadianos! Onde estavam
os policiais, no momento da tentativa de assalto? Eles é que
são treinados pra cuidar de uma situação dessas,
eles é que são preparados para evitar, da melhor
maneira possível, que suspeitos cometam seus crimes e vítimas
se machuquem! Se você perguntar “onde estavam os policiais,
nessa hora?”, aí vou concordar contigo.
O
vigilante, ele é treinado pra vigiar, pra observar um
determinado lugar e dar o alarme, quando for necessário. Essa
é a função de um vigilante! O que ele fez,
estava acima da sua alçada! Quando a família, vítima
do assalto que o suspeito tentava cometer, já estava rendida,
dominada, o vigilante teve a atitude de reagir, de impedir o assalto,
e o fez lançando mão de uma arma que estava consigo,
que não deveria estar em sua mão – e o tal estatuto
do desarmamento, cadê – e atirou, provavelmente pra matar!
Ok, era um bandido, ok, tinha de ser parado, não vou negar
isso, mas não vou negar que o vigilante, com sua atitude,
também colocou em risco a vida daquelas pessoas que ali
estavam! Nem adianta negar isso. Pelo que entendi, o vigilante,
quando atirou, tentou matar o bandido – ou marginal, galerito,
cheira-cola, fuma-pedra, ou o nome que você quiser lhe dar.
Gesto nobre?! Não considero! Foi um gesto arriscado o do
vigilante! Arriscado e assassino! Uma tentativa de fazer “justiça”
com as próprias mãos... porque, né... a polícia
não age, quando age, e prende, os juízes soltam... as
cadeias estão superlotadas, não consertam ninguém,
só servem pro sujeito voltar pior pra sociedade... e toda
aquela lenga-lenga de sempre, pra te iludir, me convencer e
justificar ações como a que o vigilante tentou cometer.
Não adianta, senhor senador, você não convence
que esse sujeito, esse vigilante noturno, foi um herói. Herói
salva pessoas, não tira, ou não tenta tirar a vida
alheia. Não acredito nesse tipo de herói, salvo em
casos MUITO específicos. Uma tentativa de assalto não é
um desses casos!
O
suspeito já deve ter recebido alta, já devem ter sido
averiguadas a acusação contra ele e a sua ficha corrida
na delegacia, ele já deve ter sido encaminhado para o Central,
onde vai amargar alguns meses, ou anos – em se tratando de um
assaltante “pé-de-chinelo” – de privação
da liberdade. E não creio que seja injusta. Quanto ao
vigilante, já passou uma noite na cadeia, 24 horas detido numa
delegacia, pra prestar esclarecimentos, pra pagar a sua dupla
infração, portar arma sem licença e ferir uma
pessoa a tiros. Não acho injusto. Nunca encostei, jamais
pegaria numa arma de verdade, mas se fosse comigo, não
reclamaria nenhuma pretensa injustiça. Não sou
simpático, nem creio na eficácia dessa lei, que ainda
encontra-se implícita no inconsciente coletivo, no imaginário
popular, a do olho por olho, dente por dente. Essa foi uma das
primeiras leis, inscrita no Código de Hamurabi, há uns
trocentos anos atrás. A quem acha que esse foi um código
de leis perfeito, e que continuaria tendo serventia nos nossos dias,
eu pergunto: já imaginou o quão violento era o mundo,
nos tempos de Hamurabi, da Babilônia, do Egito antigo, do reino
de Israel, das cidades-estados gregas? Não importa o quão
profícua seja sua imaginação, não chega
nem perto do que era, mesmo!

Sim,
eu sei, também sei das barbáries que ainda são
cometidas mundo afora, nos nossos dias. Também leio jornal! E
ouço aquela rádio AM citada acima! E vejo o Jornal
Nacional... de vez em quando, quando não tenho nada melhor pra
assistir... mesmo tamanhas atrocidades, como o atentado cometido pelo
rapaz, ontem, numa escola da comunidade de Realengo, no Rio de
Janeiro, não justifica que se pense em “fazer justiça”,
“olho por olho, dente por dente”. Quem acha que justifica, me
desculpe, não é muito diferente do menino esse que
matou 12 crianças e depois se suicidou. Um crime terrível,
eu sei, uma tragédia, concordo. Acho que tinham de ter
conseguido impedí-lo de se matar, pelo menos, já que
não se pôde, por trocentos motivos que a gente conhece,
e alguns imaginários, evitar o pior. Ele tinha problemas
psíquicos, isso é o que dizem todos os especialistas –
pelo menos os das grandes redes de tevê – num mundo perfeito
ele seria constantemente acompanhado e vigiado de bons e
bem-remunerados pelo Estado psicólogos, psiquiatras,
analistas, seria tratado, seria medicado, se fosse constatada a
necessidade disso. Num país um pouquinho mais sério,
como disse, talvez tivessem evitado que ele tirasse a própria
vida, teriam o levado a justiça, para se explicar, ser
condenado e sofrer a punição mais indicada para um
crime hediondo como esse.
Agora
que é tarde pra se ver tudo isso, me irrita profundamente a
cobertura que a grande mídia dá ao caso, a indústria
do choro, como alguém falou hoje mais cedo, no twitter.com, a
exploração da dor dos familiares das crianças
assassinadas, da loucura e das ilusões psicóticas de um
covarde, além de covarde, um canalha, pois não aguentou
o peso da própria cruz e quis “punir” outras pessoas por
aquilo que considerava a miséria de sua vida, levando-as
consigo para o outro lado da vida, onde espero sinceramente, estejam
melhores, ou pelo menos, menos piores que ele. Quando liguei a tevê,
ontem, ao chegar em casa, e hoje pela manhã, a dor no peito
foi enorme, todo crime, todo abuso que cometem contra as crianças
me causam imensa dor, imensa tristeza, me fazem sentir mal. Agora, a
exploração de tragédias como essa, de
atrocidades, fazendo verdadeira publicidade de acontecimentos
terríveis, mais do que cobrir o fato jornalístico, isso
me causa revolta, raiva, indignação, não só
contra os que cometeram tais atos de violência, como contra
essas grandes redes midiáticas e seus diretores! Assistindo ao
Record News, hoje pela manhã, quase desejei que o imbecil que
atacou aquela escola levantasse da sua gaveta no necrotério e
atirasse no imbecil que se dizia repórter e atrapalhava os
funcionários do hospital, os bombeiros, a polícia, de
socorrerem de forma mais eficiente os sobreviventes. Ok, a rede da
família Marinho não fica nem um pouco atrás no
sensacionalismo e na exploração da dor! Não
concordo com a linha de cobertura tomada por nenhuma dessas emissoras
de tevê. A notícia já foi, agora eles tentam
fazer render o assunto até o próximo escândalo,
ou a próxima tragédia, a próxima barbárie,
mais preocupados com a audiência do que com as pessoas que
estão sofrendo neste momento com mais esse crime.

Se
esse menino não tivesse sido tão covarde, se tivesse
aceito arcar com as conseqüências dos seus atos, eu
defenderia uma pena mais rigorosa que as penas rigorosas das quais
temos conhecimento... claro, excetuando a pena de morte, que há
anos desisti de pensar nela como uma solução para o
controle da violência. Quer país mais violento que os
Estados Unidos?! Pois bem, eu também tenho um lado negro,
também penso que as penas poderiam ser mais rigorosas contra
determinados tipos de crimes, independente de o réu ser
primário, secundário, ou ter ensino superior.
Principalmente em se falando de crimes considerados hediondos, tipo
ouvir funk no talo com seu celular dentro do metrô.
Brincadeiras à parte, esse tipo de gente é, sim,
criminosa e tinha de ser coibida. Obviamente, não com prisão
perpétua, que acho justa pra seqüestradores,
estupradores, etc. Para o casal Nardoni, também, acho digno
que ficassem pelo resto de suas vidas, ou pelo menos até
estarem velhos demais pra cometer qualquer atrocidade, numa cadeia. O
mesmo para os irmãos Cravinhos e aquela menina, a Suzane von
Richtoffen... ou alguma coisa assim! Para o garoto lá de
Realengo e para pedófilos – principalmente os que abusam
física e moralmente de crianças e adolescentes, não
se contentam apenas em olhar fotos e assistir vídeos – eu
defenderia, além de uma prisão bastante longa, com
sistema diferenciado de progressão da pena, a castração.
Igual àquela que estão propondo em São Paulo??
Não, o Eixo do Mal ainda tá pegando leve! Falo em
castração mesmo, que nem se faz com touro,
extirpando-se os testículos, mesmo! Castração
física! Vai doer? Vai traumatizar esse tipo de gente? Sem
dúvida que vai! Posso estar errado, aliás, com toda
certeza estou errado, além de sendo radical! Mas acho que é
uma idéia apreciável, é uma pena menos branda,
que dá uma mensagem clara a essa gente, imagino até que
muitos deles buscariam uma ajuda psicológica, para evitar um
mal pior pra suas vidas!
Enfim...
pensando demais em atos e palavras a esmo e sem sentido. Tenho mais
em que pensar. Se eu tivesse o poder de mudar o mundo... pena desse
nosso pobre mundo! Vou lá desopilar, até semana que
vem.