PESCANDO NO BODOSAL

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Serração que baixa, Aeroporto que fecha!


Nove dias. Semana que vem, espero, estarei embarcando. Por um motivo tolo qualquer, não estou me sentindo tão animado quanto era pra estar. Paradoxalmente, estava, até há bem pouco tempo, agoniado, buscando de todas maneiras uma forma de fazer essa bendita viagem. Nesses últimos dias, tenho sentido-me estranhamente deprimido. Não sei se por conta da viagem. Não, é provável que tenha sido pelos feriados. Alguns me deixam assim, um pouco pra baixo. É assim no Natal, Ano Novo, dia dos namorados – que não é feriado, mas enfim, você entendeu – e também, algumas vezes, na Páscoa.
Ainda assim, sinto uma certa ansiosidade quanto à viagem. Uma certa insegurança, talvez seja melhor dizer. Me preocupam as notícias sobre os aeroportos, os aviões e o clima. E elas têm sido bastante preocupantes, mesmo. Semana passada, caiu um sêneca, um avião de pequeno porte, no aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus. É, é pra lá que eu vou. Não costumo me assustar com notícias como essa, ou melhor, não costumava... depois que soube do número precário de controladores de vôo e das trocentas horas acumuladas, quase sem descanso algum, por pilotos e comissários de vôo das principais companhias aéreas... está bem como dizem por aí, cada vez mais rodoviárias e aeroportos, bem como motoristas e pilotos, estão parecidos. Oremos...
E hoje pela manhã, mais uma daquelas temidas notícias, numa rádio local: o aeroporto Salgado Filho amanhecera fechado para vôos e decolagens, por causa da serração que baixou sobre Porto Alegre e região. E tá chegando... a Copa?! Não, não, o que menos me preocupa é essa joça de Copa do Mundo. Tá chegando é a época de serrações, mesmo, aquela época maravilhosa em que o aeroporto fecha por qualquer bobagem, até por uma nuvenzinha cobrindo o sol. Hoje, segunda-feira, está começando a temporada. Todo inverno é a mesma história, não precisa nem ser um fog londrino, basta uma neblinazinha baixar pra avião nenhum subir, nem descer, por aqui. Aí, se você precisa ir pra São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, ou Curitiba, por exemplo, com alguma urgência, pra alguma reunião importante de negócios, ou qualquer coisa assim... nem conte com um possível atraso... conte logo com um provável cancelamento, mesmo! Não do vôo – embora esse também possa acontecer – mas do negócio importante! Sim, que não sei de empresário nenhum que espere passar a “hora da neblina” pra fazer seus negócios e reuniões. É assim mesmo, isso acontece sempre, por aqui, todo inverno é assim. E ainda há quem se ache mais isolado do resto do país que nós, aqui. Experimente ter seis meses de inverno mais rigoroso que no resto do país!
Mas não tem como resolver esse problema??” Diz que tem, aí, uma forma de solucionar o problema da neblina, pelo menos amenizar, quem sabe... é, diz que tem um aparelho que permitiria as aeronaves pousarem e decolarem no Salgado Filho em meio a pior das serrações, tipo aquelas que dão frequentemente – inclusive no verão – lá pra Serra. Diz que até pra fog londrino, esse aparelhinho serve! E já está lá no aeroporto, há uns bons duns três, ou quatro anos... falta o quê? Ah, nada demais, só falta instalar e por o trem pra funcionar... é, só isso! O que estão esperando?! Bom, diz a nossa querida Infraero que só tá esperando a finalização das obras extensão da pista e do terminal 1 do Salgado Filho. Que ainda nem começou, diga-se de passagem, porque... bem, o governo federal espera pela prefeitura de Porto Alegre retirar todas as famílias que moram de invasão logo atrás do aeroporto, nas vilas Dique e Nazaré. Ou seja... né!
E você não quer dizer isso, você quer evitar reduzir tudo ao mesmo papo de sempre, mas fica difícil não pensar: “E ainda querem fazer Copa por aqui!” Pois é, também procuro evitar falar a frase feita do momento. Porque até parece que o problema surgiu só agora, porque daqui há pouco tempo o Brasil e o Eixo do Mal sediarão dois dos mais importantes eventos esportivos do mundo. Ou então, que isso só será problema daqui há três anos. NÃO!! O problema JÁ ESTÁ aí faz tempo, há anos! Não é nem um caso isolado nos aeroportos brasileiros, pois Florianópolis, Curitiba e São Paulo também passam por essa mesma aberração de terem de fechar seus aeroportos por conta de uma serraçãozinha à toa! Os governos se sucedem, e esperam que a situação se resolva por conta própria. E com o crescimento da demanda, a situação só se agrava.
Só espero que tudo dê certo, quando chegar o dia, daqui há nove dias... se tiver sorte, só precisarei voltar lá por novembro, quando costuma parar essa palhaçada de fechar aeroporto por causa de neblina. Enfim, o negócio é mesmo torcer para que as condições meteorológicas sejam propícias, que são Pedro colabore com a gente. Porque não poderemos contar com a Infraero, nem com a empresa aérea, se der algo errado, quando começar esse inverno infernal!

Aeroportos, Trem e Bala


22 de Abril de 2011. Nesta data, por volta do ano 1500, segundo os livros de história, Pedro Álvares Cabral teria “descoberto” o Brasil. Acredito no que dizem vários historiadores, que ele veio para cá com uma missão bem simples, tomar posse do nosso território para a coroa portuguesa. Enfim, não é por esse motivo que hoje é feriado. Acontece que hoje é a sexta-feira da semana santa, Sexta-feira da Paixão, segundo a tradição Cristã. Não estou discutindo isso. Enfim, hoje faltam exatamente doze dias da data da minha viagem. Já falei sobre isso, é minha terceira viagem, mas sinto-me a cada dia mais nervoso, mais ansioso, como se essa fosse a primeira viagem – e é como se fosse, fazem quatro anos que não vôo de avião, nem vou pra lá.
De qualquer forma, nos últimos quatro anos sempre procurei estar informado, mesmo que haja alguma insegurança quanto ao que vou encontrar na “minha” cidade, já sei mais ou menos o que esperar desse meu reencontro com Manaus. O que realmente me causa um certo receio, alguma preocupação, é com a viagem em si. O que esperar da situação dos aeroportos, do vôo, das aeronaves, aí, já não sei. As informações que me chegam são quase sempre preocupantes. Não sei exatamente o que pode acontecer, já escolhi um vôo sem conexões porque, bem, tenho pavor só de pensar na possibilidade de haver atrasos e possibilidade de perder o vôo de conexão, um troço assim. Já vou ter que despachar bagagem, coisa que nunca fiz, que sempre que pude, aliás, eu evitei, mais por medo do estravio que por comodidade. Que por mim, eu despachava sempre, só ficaria com objetos pessoais e jornal na mão, mermo, o resto podia ir no bagageiro do avião que pra mim até seria melhor. Mas agora, por circunstâncias outras, terei de arriscar, terei de despachar uma mala, pelo menos. E isso deixa-me bastante inseguro.
Estavam falando na TV, esses dias, da situação dos aeroportos e da malha aérea do país agora, no nosso momento atual, e das projeções para a tal da Copa do Mundo, 2014. Era a primeira de uma série de reportagens especiais feitas por um telejornal noturno de uma grande rede midiática do Eixo do Mal. E pelo que pude ver, as projeções não são muito animadoras, antes pelo contrário! No outro dia pela manhã, no telejornal matutino da mesma emissora, uma reportagem mostrava a situação de improviso total do aeroporto de Goiânia, capital de Goiás. Ok, não será uma das cidades-sedes da Copa 2014, mas o aeroporto de Goiás seria estratégico para Brasília, que será cidade-sede. E a Infraero estava, segundo a reportagem – e a própria Infraero – construindo um “puxadinho”, para servir de terminal “provisório” para a demanda cada vez maior de passageiros. Claro, acho bem legal a idéia de uma Copa do Mundo no Brasil, sou totalmente a favor de que ocorra um evento dessa magnitude no país. Claro! Desde que o país tenha condições para sediar uma copa e/ou uma Olimpíada. O que não é o caso. A meu ver, seria melhor cancelar, ou adiar a Copa aqui no Brasil, pra um momento mais propício. Sim, sem dúvida! No momento, não estamos preparados nem pra dar conta da demanda interna e tampouco para a projeção de aumento dessa demanda para os próximos anos. No caso dos aeroportos, ainda, óbvio que temos outros gargalos, mas... a Infraero sabia há tempos que a demanda seria maior que o espaço físico para dar conta dela, isso já há uns bons cinco anos. Só que não buscou-se nenhuma forma de se atender melhor essa demanda, de se aumentar os espaços já existentes, nem de se criar novos espaços. E um evento como a Copa e a Olimpíada vai criar mais demanda do que as obras do governo pretendem suprir.
Não, claro, também acho ótimo que mais pessoas estejam viajando de avião, estejam indo conhecer outros países, tanto desenvolvidos, como França, Itália, Portugal, quanto os subdesenvolvidos, como Tailândia, São Paulo... acharia ótimo mesmo se a infraestrutura acompanhasse esse crescimento, esse incremento de demanda. A malha aérea, dizem, teria condições de aumentar sua oferta, mas a infraestrutura... bem!
Mas vou falar a verdade do que penso, gosto de voar, viajar de avião, coisa e tal, mas acho que o avião deveria ser um meio de transporte utilizado só para viagens internacionais, ou como último recurso, em caso de extrema necessidade, para viagens mais longas. Acho que as viagens aéreas deveriam ser mais caras, mesmo, e que o padrão de qualidade deveria continuar sendo aquele que foi perdido, o da VARIG. “Oh, como você é elitista! Então como faríamos, como você faria, pra cruzar o país?” Ora, pra que temos estradas?! Para que temos essa imensidão de rios?! Na Europa, você pode cruzar praticamente o continente inteiro de trem. É romantismo da minha parte, eu sei, mas gostaria muito que pudéssemos cruzar o país de trem. Talvez complementando com outros meios de transporte, os barcos e balsas, os ônibus intermunicipais, e até mesmo os conurbados. De preferência, perfeitamente integrados, ou quase.
Sim, eu sei, já estou ultrapassando os limites do romantismo e indo às raias da utopia. Utopia esta que deu certo em outros lugares, e que, embora compreenda por que não daria certo por aqui, não deixo de sonhar com algo pelo menos parecido. Quem sabe, algum dia... o país estaria melhor integrado, se assim fosse. Poderíamos até sediar uma Copa. Agora, do jeito que estamos, nossas capitais estaduais praticamente isoladas umas das outras, nossos aeroportos acanhados, sem nem um projeto eficaz, a curto e médio prazos, um projeto para a instalação de um trem-bala que, para ligar apenas três cidades no Eixo do Mal, custará o preço de uma linha que, seguramente, poderia ligar Belém do Pará a Curitiba, no Paraná... melhor ceder a vez para o Qatar... que tal pegarmos a Copa de 2022? Iríamos, pelo menos, ganhar um tempinho pra nos adequar a nossas próprias necessidades...

terça-feira, 19 de abril de 2011

16 Dias


Dia 4 de Maio de 2011. Às 7 horas e 53 minutos da manhã de uma quarta-reira, se nada mais der errado, estarei partindo em viagem para Manaus, capital do Amazonas, (o que foi um dia) a Paris dos trópicos. Pra mim, pode ser chamada apenas e tão somente... de lar, mesmo! Meu lar! É, vou de casa – Porto Alegre – para meu lar.
Será uma viagem bastante longa, provavelmente cansativa, aliás, já está sendo! Escolhi um vôo sem conexões, mas com várias escalas, em Osório, Tramandaí, Imbé, Mariluz, Albatroz, Santa Terezinha, Rainha do Mar, Xangri-lá, Atlântida, Capão da Canoa, Capão Novo, Arroio Teixeira, Curumim, Bom Jesus, Arroio do Sal, Areias Brancas, Rondinha... hum... acho que não é bem essa a rota... mas é como se fosse, quase como um ônibus pinga-pinga para o litoral, sem sacolejos, buracos, engarrafamento, pedágio, etc. De qualquer forma, sinto-me mais inseguro do que se estivesse me preparando pra passar o feriadão em Capão!
Faz quase quatro anos que não volto a Manaus. Nem parece que já fui lá duas vezes. Até parece que nem passei 3 anos morando por lá. Faltam apenas 16 dias para a viagem, mas sinto-me estranhamente ansioso, como se fosse minha primeira viagem de avião, como se tivesse voltado no tempo e estivesse indo pela primeira vez a Manaus. Creio até que fiquei bem mais tranquilo da primeira vez que fui, em 2003! Esquisito, isso... sinto um frio na barriga, sinto-me ansioso e aflito, como se estivesse indo ao encontro de uma namorada. Efetivamente, irei rever pessoas com quem fiz amizade, pessoas que amo, como se fossem minha família, que quero muito bem e que sempre me receberam muito bem... também, quase como se fosse da família! É até legal, sair da casa da minha família, aqui no sul... pra voltar pra casa da minha família!
Eventualmente, espero encontrar, e gostaria bastante de conhecer pessoalmente algumas das minhas mais caras @s, das que acompanho há quase dois anos, através das redes sociais. Tipo “quero conhecer a pessoa por trás do avatar...” sim, acho que quero. Uma @ em especial, essa eu gostaria muito, mesmo, de conhecer... não pude evitar, tenho algumas espectativas a respeito desse possível encontro, que tanto pode ser combinado, quanto pode ser fortuito, quanto também pode ser... é, pois é... não faz parte das minhas melhores espectativas, mas... pode nem vir a acontecer! E esse é um dos meus menores receios... ela é deveras especial para mim, por inúmeros fatores, um deles é que me encontro perdido, totalmente apaixonado por ela. Às que não cogitam a possibilidade de homem apaixonar-se, trato de tranqüiliza-las: não estou falando de vocês! O fato é que me encontro cada dia mais, encantado. Meu medo é muito mais decepcioná-la do que decepcionar-me... embora essa possibilidade também exista. Em bem menor grau, mas enfim.
Estou há alguns meses preocupado com a cidade que vou encontrar... como estará? Como o povo tá cuidando dela? Já sei que estará diferente de como a deixei, quando de lá fui forçado a partir, o prefeito era outro, pelo menos, um pouco menos ruinzinho que esse que lá está, agora. Fico atento às notícias que de lá me chegam, via internet, sobretudo via twitter, onde sigo vários portais de notícias da região, bem como vários moradores da cidade – sim, ela está dentre eles. As notícias me preocupam, sei que às vezes há algum exagero de parte de alguns tuíteres, mas há tempos sinto que preciso ver a cidade, antes que mergulhe no terrível e inexorável caos para o qual, parece, encaminha-se. Tenho, às vezes, alguma ilusão de que poderei fazer algo pra ajudar a mudar esse quadro. Temo sinceramente pelo que os governantes e a prefeitura têm feito da nossa cidade.
Acho que há lugares que não vou reconhecer, porque estarão um tanto modificados, e outros, eu provavelmente não reconheça porque já não conheci, porque talvez não existissem, há oito e há quatro anos. A ponte, sobre o rio Negro, que ainda não ficou pronta, sei que não existia. E pelas poucas imagens que pude ver, sei que já mudou um pouco a feição da cidade. Vi o começo do PROSAMIM, o projeto de urbanização nos igarapés da cidade, vi alguma coisa ficando pronta, antes de voltar de lá, há, com certeza, ruas que não existiam antes. Quero me perder pela cidade, pelos becos e ruas que conhecia, mas cujo traçado anda meio esquecido, em algum mapa empoeirado, jogado a um canto da minha mente, quero também perder-me pelos novos cenários. Ouço algumas notícias preocupantes, esse prefeito não devia acabar com o passeio do Mindu, até porque isso pode acarretar o fim do parque. E acredite, tenho alguma memória afetiva do parque do Mindu.
Ontem tive um dos vários sonhos em que já me vejo lá. Nos últimos meses, eles têm ficado até mais frequentes. Ainda tenho alguns temores. Todo noticiário a respeito das oscilações climáticas e das situações dos aeroportos me chamam bastante atenção. Quero que essa viagem seja melhor que as anteriores, pelo menos melhor que a segunda, já que não dá pra esperar que seja perfeita... embora já esteja com saudades da velha e boa Varig! Pegarei um vôo repleto de escalas, como já falei antes, mas sem nenhuma conexão... porque, bem... não sei direito o que pode vir a acontecer, caso o vôo se atrase, ou qualquer coisa assim! A gente ouve algumas notícias e relatos um tanto preocupantes... a última vez que voei foi em 2007... não tive muito com que me preocupar. Pois, como estava dizendo, sonhei que já estava em Manaus. Acho que no aeroporto. Ligava meu celular e tentava sintonizar automaticamente as rádios de lá. E o engraçado é que, em vez disso, as emissoras FM que sintonizavam, eram as daqui, de Porto Alegre e região metropolitana. Bom, faz parte, sonho fala por metáforas, digamos assim.
Enfim, mal posso esperar! Quero que logo chegue o dia em que estarei embarcando no meu vôo, só descendo do avião em solo amazonense... depois de pouco menos de oito horas... isso, se o vôo chegar no horário programado! Oremos! Faltam dezesseis dias, ainda... só agora eu torço: corre um pouquinho, tempo, corre como a lebre!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O Inventor de Heróis e A Indústria de lágrimas


Cheguei por aqui pensando em escrever outra coisa. Idéias têm surgido, o que não tem surgido são bons posts! Aí, que fazer, com todas aquelas idéias, em tão pouco tempo, também?! Bora deixar pra lá, se couberem ainda, bom, se não... descartemos-as.
Ontem de manhã, escutando ao rádio, enquanto tomava banho, ouço o locutor de uma rádio AM de grande audiência no Rio Grande do Sul, falar de uma tentativa de assalto, ocorrida na noite anterior, que teria sido impedida por um vigilante noturno, que flagrou a ocorrência e atirou no suspeito, no tórax. É, assim que começa o dia dos campeões, amigo... enfim, o tal suposto assaltante, estando ferido, foi encaminhado, por dois soldados da Brigada Militar, que chegaram depois de todo ocorrido, para o hospital de pronto-socorro mais próximo. E o vigilante, por sua vez, por estar com um revólver frio, uma arma sem porte e sem procedência, foi detido pelos mesmos brigadianos. Não sei... tem algo de errado nessa história aí??
Tudo bem, até parece claro, pra maioria das pessoas, que há algo de errado nesse caso. Você pode dizer: “Hei! A polícia prendeu o cara errado!”. Pois o locutor da rádio – a saber, o ex-senador gaúcho Sérgio Zambiasi – disse mais ou menos isso mesmo. Disse ele, que os policiais militares teriam “exagerado” no rigor, ao “prender” o tal vigilante noturno... se bem que o termo espertamente usado pelo locutor não é o mais correto. O termo certo seria “deter”, que pode ter um sentido parecido, mas não é a mesma coisa, não mesmo! Nada como ter ex-brigadianos na família...
Pois, pensando pelo lado puramente racional, técnico e prático, não vejo, na ação dos policiais, nada de tão errado. Se analisarmos friamente, muito antes pelo contrário, os agentes policiais agiram corretamente, em conformidade com sua função e dentro da normalidade. Nesse caso de terem encontrado, de um lado, um homem ferido, baleado, e de outro, um homem que baleou uma pessoa, a sangue frio, ainda por cima com uma arma sem procedência! Vamos entrar no mérito da tentativa de assalto e da conseqüente reação para evitar o crime? Ok. O vigilante não agiu em conformidade com a sua função ao abordar um suspeito e evitar que este cometesse um assalto, que poderia ser seguido de morte, ok, mas ainda essa não é a função do vigilante. Essa deveria ter sido a função dos brigadianos! Onde estavam os policiais, no momento da tentativa de assalto? Eles é que são treinados pra cuidar de uma situação dessas, eles é que são preparados para evitar, da melhor maneira possível, que suspeitos cometam seus crimes e vítimas se machuquem! Se você perguntar “onde estavam os policiais, nessa hora?”, aí vou concordar contigo.
O vigilante, ele é treinado pra vigiar, pra observar um determinado lugar e dar o alarme, quando for necessário. Essa é a função de um vigilante! O que ele fez, estava acima da sua alçada! Quando a família, vítima do assalto que o suspeito tentava cometer, já estava rendida, dominada, o vigilante teve a atitude de reagir, de impedir o assalto, e o fez lançando mão de uma arma que estava consigo, que não deveria estar em sua mão – e o tal estatuto do desarmamento, cadê – e atirou, provavelmente pra matar! Ok, era um bandido, ok, tinha de ser parado, não vou negar isso, mas não vou negar que o vigilante, com sua atitude, também colocou em risco a vida daquelas pessoas que ali estavam! Nem adianta negar isso. Pelo que entendi, o vigilante, quando atirou, tentou matar o bandido – ou marginal, galerito, cheira-cola, fuma-pedra, ou o nome que você quiser lhe dar. Gesto nobre?! Não considero! Foi um gesto arriscado o do vigilante! Arriscado e assassino! Uma tentativa de fazer “justiça” com as próprias mãos... porque, né... a polícia não age, quando age, e prende, os juízes soltam... as cadeias estão superlotadas, não consertam ninguém, só servem pro sujeito voltar pior pra sociedade... e toda aquela lenga-lenga de sempre, pra te iludir, me convencer e justificar ações como a que o vigilante tentou cometer. Não adianta, senhor senador, você não convence que esse sujeito, esse vigilante noturno, foi um herói. Herói salva pessoas, não tira, ou não tenta tirar a vida alheia. Não acredito nesse tipo de herói, salvo em casos MUITO específicos. Uma tentativa de assalto não é um desses casos!
O suspeito já deve ter recebido alta, já devem ter sido averiguadas a acusação contra ele e a sua ficha corrida na delegacia, ele já deve ter sido encaminhado para o Central, onde vai amargar alguns meses, ou anos – em se tratando de um assaltante “pé-de-chinelo” – de privação da liberdade. E não creio que seja injusta. Quanto ao vigilante, já passou uma noite na cadeia, 24 horas detido numa delegacia, pra prestar esclarecimentos, pra pagar a sua dupla infração, portar arma sem licença e ferir uma pessoa a tiros. Não acho injusto. Nunca encostei, jamais pegaria numa arma de verdade, mas se fosse comigo, não reclamaria nenhuma pretensa injustiça. Não sou simpático, nem creio na eficácia dessa lei, que ainda encontra-se implícita no inconsciente coletivo, no imaginário popular, a do olho por olho, dente por dente. Essa foi uma das primeiras leis, inscrita no Código de Hamurabi, há uns trocentos anos atrás. A quem acha que esse foi um código de leis perfeito, e que continuaria tendo serventia nos nossos dias, eu pergunto: já imaginou o quão violento era o mundo, nos tempos de Hamurabi, da Babilônia, do Egito antigo, do reino de Israel, das cidades-estados gregas? Não importa o quão profícua seja sua imaginação, não chega nem perto do que era, mesmo!
Sim, eu sei, também sei das barbáries que ainda são cometidas mundo afora, nos nossos dias. Também leio jornal! E ouço aquela rádio AM citada acima! E vejo o Jornal Nacional... de vez em quando, quando não tenho nada melhor pra assistir... mesmo tamanhas atrocidades, como o atentado cometido pelo rapaz, ontem, numa escola da comunidade de Realengo, no Rio de Janeiro, não justifica que se pense em “fazer justiça”, “olho por olho, dente por dente”. Quem acha que justifica, me desculpe, não é muito diferente do menino esse que matou 12 crianças e depois se suicidou. Um crime terrível, eu sei, uma tragédia, concordo. Acho que tinham de ter conseguido impedí-lo de se matar, pelo menos, já que não se pôde, por trocentos motivos que a gente conhece, e alguns imaginários, evitar o pior. Ele tinha problemas psíquicos, isso é o que dizem todos os especialistas – pelo menos os das grandes redes de tevê – num mundo perfeito ele seria constantemente acompanhado e vigiado de bons e bem-remunerados pelo Estado psicólogos, psiquiatras, analistas, seria tratado, seria medicado, se fosse constatada a necessidade disso. Num país um pouquinho mais sério, como disse, talvez tivessem evitado que ele tirasse a própria vida, teriam o levado a justiça, para se explicar, ser condenado e sofrer a punição mais indicada para um crime hediondo como esse.
Agora que é tarde pra se ver tudo isso, me irrita profundamente a cobertura que a grande mídia dá ao caso, a indústria do choro, como alguém falou hoje mais cedo, no twitter.com, a exploração da dor dos familiares das crianças assassinadas, da loucura e das ilusões psicóticas de um covarde, além de covarde, um canalha, pois não aguentou o peso da própria cruz e quis “punir” outras pessoas por aquilo que considerava a miséria de sua vida, levando-as consigo para o outro lado da vida, onde espero sinceramente, estejam melhores, ou pelo menos, menos piores que ele. Quando liguei a tevê, ontem, ao chegar em casa, e hoje pela manhã, a dor no peito foi enorme, todo crime, todo abuso que cometem contra as crianças me causam imensa dor, imensa tristeza, me fazem sentir mal. Agora, a exploração de tragédias como essa, de atrocidades, fazendo verdadeira publicidade de acontecimentos terríveis, mais do que cobrir o fato jornalístico, isso me causa revolta, raiva, indignação, não só contra os que cometeram tais atos de violência, como contra essas grandes redes midiáticas e seus diretores! Assistindo ao Record News, hoje pela manhã, quase desejei que o imbecil que atacou aquela escola levantasse da sua gaveta no necrotério e atirasse no imbecil que se dizia repórter e atrapalhava os funcionários do hospital, os bombeiros, a polícia, de socorrerem de forma mais eficiente os sobreviventes. Ok, a rede da família Marinho não fica nem um pouco atrás no sensacionalismo e na exploração da dor! Não concordo com a linha de cobertura tomada por nenhuma dessas emissoras de tevê. A notícia já foi, agora eles tentam fazer render o assunto até o próximo escândalo, ou a próxima tragédia, a próxima barbárie, mais preocupados com a audiência do que com as pessoas que estão sofrendo neste momento com mais esse crime.
Se esse menino não tivesse sido tão covarde, se tivesse aceito arcar com as conseqüências dos seus atos, eu defenderia uma pena mais rigorosa que as penas rigorosas das quais temos conhecimento... claro, excetuando a pena de morte, que há anos desisti de pensar nela como uma solução para o controle da violência. Quer país mais violento que os Estados Unidos?! Pois bem, eu também tenho um lado negro, também penso que as penas poderiam ser mais rigorosas contra determinados tipos de crimes, independente de o réu ser primário, secundário, ou ter ensino superior. Principalmente em se falando de crimes considerados hediondos, tipo ouvir funk no talo com seu celular dentro do metrô. Brincadeiras à parte, esse tipo de gente é, sim, criminosa e tinha de ser coibida. Obviamente, não com prisão perpétua, que acho justa pra seqüestradores, estupradores, etc. Para o casal Nardoni, também, acho digno que ficassem pelo resto de suas vidas, ou pelo menos até estarem velhos demais pra cometer qualquer atrocidade, numa cadeia. O mesmo para os irmãos Cravinhos e aquela menina, a Suzane von Richtoffen... ou alguma coisa assim! Para o garoto lá de Realengo e para pedófilos – principalmente os que abusam física e moralmente de crianças e adolescentes, não se contentam apenas em olhar fotos e assistir vídeos – eu defenderia, além de uma prisão bastante longa, com sistema diferenciado de progressão da pena, a castração. Igual àquela que estão propondo em São Paulo?? Não, o Eixo do Mal ainda tá pegando leve! Falo em castração mesmo, que nem se faz com touro, extirpando-se os testículos, mesmo! Castração física! Vai doer? Vai traumatizar esse tipo de gente? Sem dúvida que vai! Posso estar errado, aliás, com toda certeza estou errado, além de sendo radical! Mas acho que é uma idéia apreciável, é uma pena menos branda, que dá uma mensagem clara a essa gente, imagino até que muitos deles buscariam uma ajuda psicológica, para evitar um mal pior pra suas vidas!
Enfim... pensando demais em atos e palavras a esmo e sem sentido. Tenho mais em que pensar. Se eu tivesse o poder de mudar o mundo... pena desse nosso pobre mundo! Vou lá desopilar, até semana que vem.