PESCANDO NO BODOSAL

terça-feira, 19 de abril de 2011

16 Dias


Dia 4 de Maio de 2011. Às 7 horas e 53 minutos da manhã de uma quarta-reira, se nada mais der errado, estarei partindo em viagem para Manaus, capital do Amazonas, (o que foi um dia) a Paris dos trópicos. Pra mim, pode ser chamada apenas e tão somente... de lar, mesmo! Meu lar! É, vou de casa – Porto Alegre – para meu lar.
Será uma viagem bastante longa, provavelmente cansativa, aliás, já está sendo! Escolhi um vôo sem conexões, mas com várias escalas, em Osório, Tramandaí, Imbé, Mariluz, Albatroz, Santa Terezinha, Rainha do Mar, Xangri-lá, Atlântida, Capão da Canoa, Capão Novo, Arroio Teixeira, Curumim, Bom Jesus, Arroio do Sal, Areias Brancas, Rondinha... hum... acho que não é bem essa a rota... mas é como se fosse, quase como um ônibus pinga-pinga para o litoral, sem sacolejos, buracos, engarrafamento, pedágio, etc. De qualquer forma, sinto-me mais inseguro do que se estivesse me preparando pra passar o feriadão em Capão!
Faz quase quatro anos que não volto a Manaus. Nem parece que já fui lá duas vezes. Até parece que nem passei 3 anos morando por lá. Faltam apenas 16 dias para a viagem, mas sinto-me estranhamente ansioso, como se fosse minha primeira viagem de avião, como se tivesse voltado no tempo e estivesse indo pela primeira vez a Manaus. Creio até que fiquei bem mais tranquilo da primeira vez que fui, em 2003! Esquisito, isso... sinto um frio na barriga, sinto-me ansioso e aflito, como se estivesse indo ao encontro de uma namorada. Efetivamente, irei rever pessoas com quem fiz amizade, pessoas que amo, como se fossem minha família, que quero muito bem e que sempre me receberam muito bem... também, quase como se fosse da família! É até legal, sair da casa da minha família, aqui no sul... pra voltar pra casa da minha família!
Eventualmente, espero encontrar, e gostaria bastante de conhecer pessoalmente algumas das minhas mais caras @s, das que acompanho há quase dois anos, através das redes sociais. Tipo “quero conhecer a pessoa por trás do avatar...” sim, acho que quero. Uma @ em especial, essa eu gostaria muito, mesmo, de conhecer... não pude evitar, tenho algumas espectativas a respeito desse possível encontro, que tanto pode ser combinado, quanto pode ser fortuito, quanto também pode ser... é, pois é... não faz parte das minhas melhores espectativas, mas... pode nem vir a acontecer! E esse é um dos meus menores receios... ela é deveras especial para mim, por inúmeros fatores, um deles é que me encontro perdido, totalmente apaixonado por ela. Às que não cogitam a possibilidade de homem apaixonar-se, trato de tranqüiliza-las: não estou falando de vocês! O fato é que me encontro cada dia mais, encantado. Meu medo é muito mais decepcioná-la do que decepcionar-me... embora essa possibilidade também exista. Em bem menor grau, mas enfim.
Estou há alguns meses preocupado com a cidade que vou encontrar... como estará? Como o povo tá cuidando dela? Já sei que estará diferente de como a deixei, quando de lá fui forçado a partir, o prefeito era outro, pelo menos, um pouco menos ruinzinho que esse que lá está, agora. Fico atento às notícias que de lá me chegam, via internet, sobretudo via twitter, onde sigo vários portais de notícias da região, bem como vários moradores da cidade – sim, ela está dentre eles. As notícias me preocupam, sei que às vezes há algum exagero de parte de alguns tuíteres, mas há tempos sinto que preciso ver a cidade, antes que mergulhe no terrível e inexorável caos para o qual, parece, encaminha-se. Tenho, às vezes, alguma ilusão de que poderei fazer algo pra ajudar a mudar esse quadro. Temo sinceramente pelo que os governantes e a prefeitura têm feito da nossa cidade.
Acho que há lugares que não vou reconhecer, porque estarão um tanto modificados, e outros, eu provavelmente não reconheça porque já não conheci, porque talvez não existissem, há oito e há quatro anos. A ponte, sobre o rio Negro, que ainda não ficou pronta, sei que não existia. E pelas poucas imagens que pude ver, sei que já mudou um pouco a feição da cidade. Vi o começo do PROSAMIM, o projeto de urbanização nos igarapés da cidade, vi alguma coisa ficando pronta, antes de voltar de lá, há, com certeza, ruas que não existiam antes. Quero me perder pela cidade, pelos becos e ruas que conhecia, mas cujo traçado anda meio esquecido, em algum mapa empoeirado, jogado a um canto da minha mente, quero também perder-me pelos novos cenários. Ouço algumas notícias preocupantes, esse prefeito não devia acabar com o passeio do Mindu, até porque isso pode acarretar o fim do parque. E acredite, tenho alguma memória afetiva do parque do Mindu.
Ontem tive um dos vários sonhos em que já me vejo lá. Nos últimos meses, eles têm ficado até mais frequentes. Ainda tenho alguns temores. Todo noticiário a respeito das oscilações climáticas e das situações dos aeroportos me chamam bastante atenção. Quero que essa viagem seja melhor que as anteriores, pelo menos melhor que a segunda, já que não dá pra esperar que seja perfeita... embora já esteja com saudades da velha e boa Varig! Pegarei um vôo repleto de escalas, como já falei antes, mas sem nenhuma conexão... porque, bem... não sei direito o que pode vir a acontecer, caso o vôo se atrase, ou qualquer coisa assim! A gente ouve algumas notícias e relatos um tanto preocupantes... a última vez que voei foi em 2007... não tive muito com que me preocupar. Pois, como estava dizendo, sonhei que já estava em Manaus. Acho que no aeroporto. Ligava meu celular e tentava sintonizar automaticamente as rádios de lá. E o engraçado é que, em vez disso, as emissoras FM que sintonizavam, eram as daqui, de Porto Alegre e região metropolitana. Bom, faz parte, sonho fala por metáforas, digamos assim.
Enfim, mal posso esperar! Quero que logo chegue o dia em que estarei embarcando no meu vôo, só descendo do avião em solo amazonense... depois de pouco menos de oito horas... isso, se o vôo chegar no horário programado! Oremos! Faltam dezesseis dias, ainda... só agora eu torço: corre um pouquinho, tempo, corre como a lebre!

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