Dia
4 de Maio de 2011. Às 7 horas e 53 minutos da manhã de
uma quarta-reira, se nada mais der errado, estarei partindo em viagem
para Manaus, capital do Amazonas, (o que foi um dia) a Paris dos
trópicos. Pra mim, pode ser chamada apenas e tão
somente... de lar, mesmo! Meu lar! É, vou de casa – Porto
Alegre – para meu lar.
Será
uma viagem bastante longa, provavelmente cansativa, aliás, já
está sendo! Escolhi um vôo sem conexões, mas com
várias escalas, em Osório, Tramandaí, Imbé,
Mariluz, Albatroz, Santa Terezinha, Rainha do Mar, Xangri-lá,
Atlântida, Capão da Canoa, Capão Novo, Arroio
Teixeira, Curumim, Bom Jesus, Arroio do Sal, Areias Brancas,
Rondinha... hum... acho que não é bem essa a rota...
mas é como se fosse, quase como um ônibus pinga-pinga
para o litoral, sem sacolejos, buracos, engarrafamento, pedágio,
etc. De qualquer forma, sinto-me mais inseguro do que se estivesse me
preparando pra passar o feriadão em Capão!
Faz
quase quatro anos que não volto a Manaus. Nem parece que já
fui lá duas vezes. Até parece que nem passei 3 anos
morando por lá. Faltam apenas 16 dias para a viagem, mas
sinto-me estranhamente ansioso, como se fosse minha primeira viagem
de avião, como se tivesse voltado no tempo e estivesse indo
pela primeira vez a Manaus. Creio até que fiquei bem mais
tranquilo da primeira vez que fui, em 2003! Esquisito, isso... sinto
um frio na barriga, sinto-me ansioso e aflito, como se estivesse indo
ao encontro de uma namorada. Efetivamente, irei rever pessoas com
quem fiz amizade, pessoas que amo, como se fossem minha família,
que quero muito bem e que sempre me receberam muito bem... também,
quase como se fosse da família! É até legal,
sair da casa da minha família, aqui no sul... pra voltar pra
casa da minha família!
Eventualmente,
espero encontrar, e gostaria bastante de conhecer pessoalmente
algumas das minhas mais caras @s, das que acompanho há quase
dois anos, através das redes sociais. Tipo “quero conhecer a
pessoa por trás do avatar...” sim, acho que quero. Uma @ em
especial, essa eu gostaria muito, mesmo, de conhecer... não
pude evitar, tenho algumas espectativas a respeito desse possível
encontro, que tanto pode ser combinado, quanto pode ser fortuito,
quanto também pode ser... é, pois é... não
faz parte das minhas melhores espectativas, mas... pode nem vir a
acontecer! E esse é um dos meus menores receios... ela é
deveras especial para mim, por inúmeros fatores, um deles é
que me encontro perdido, totalmente apaixonado por ela. Às que
não cogitam a possibilidade de homem apaixonar-se, trato de
tranqüiliza-las: não estou falando de vocês! O fato
é que me encontro cada dia mais, encantado. Meu medo é
muito mais decepcioná-la do que decepcionar-me... embora essa
possibilidade também exista. Em bem menor grau, mas enfim.
Estou
há alguns meses preocupado com a cidade que vou encontrar...
como estará? Como o povo tá cuidando dela? Já
sei que estará diferente de como a deixei, quando de lá
fui forçado a partir, o prefeito era outro, pelo menos, um
pouco menos ruinzinho que esse que lá está, agora. Fico
atento às notícias que de lá me chegam, via
internet, sobretudo via twitter, onde sigo vários portais de
notícias da região, bem como vários moradores da
cidade – sim, ela está dentre eles. As notícias me
preocupam, sei que às vezes há algum exagero de parte
de alguns tuíteres, mas há tempos sinto que preciso ver
a cidade, antes que mergulhe no terrível e inexorável
caos para o qual, parece, encaminha-se. Tenho, às vezes,
alguma ilusão de que poderei fazer algo pra ajudar a mudar
esse quadro. Temo sinceramente pelo que os governantes e a prefeitura
têm feito da nossa cidade.
Acho
que há lugares que não vou reconhecer, porque estarão
um tanto modificados, e outros, eu provavelmente não reconheça
porque já não conheci, porque talvez não
existissem, há oito e há quatro anos. A ponte, sobre o
rio Negro, que ainda não ficou pronta, sei que não
existia. E pelas poucas imagens que pude ver, sei que já mudou
um pouco a feição da cidade. Vi o começo do
PROSAMIM, o projeto de urbanização nos igarapés
da cidade, vi alguma coisa ficando pronta, antes de voltar de lá,
há, com certeza, ruas que não existiam antes. Quero me
perder pela cidade, pelos becos e ruas que conhecia, mas cujo traçado
anda meio esquecido, em algum mapa empoeirado, jogado a um canto da
minha mente, quero também perder-me pelos novos cenários.
Ouço algumas notícias preocupantes, esse prefeito não
devia acabar com o passeio do Mindu, até porque isso pode
acarretar o fim do parque. E acredite, tenho alguma memória
afetiva do parque do Mindu.
Ontem
tive um dos vários sonhos em que já me vejo lá.
Nos últimos meses, eles têm ficado até mais
frequentes. Ainda tenho alguns temores. Todo noticiário a
respeito das oscilações climáticas e das
situações dos aeroportos me chamam bastante atenção.
Quero que essa viagem seja melhor que as anteriores, pelo menos
melhor que a segunda, já que não dá pra esperar
que seja perfeita... embora já esteja com saudades da velha e
boa Varig! Pegarei um vôo repleto de escalas, como já
falei antes, mas sem nenhuma conexão... porque, bem... não
sei direito o que pode vir a acontecer, caso o vôo se atrase,
ou qualquer coisa assim! A gente ouve algumas notícias e
relatos um tanto preocupantes... a última vez que voei foi em
2007... não tive muito com que me preocupar. Pois, como estava
dizendo, sonhei que já estava em Manaus. Acho que no
aeroporto. Ligava meu celular e tentava sintonizar automaticamente as
rádios de lá. E o engraçado é que, em vez
disso, as emissoras FM que sintonizavam, eram as daqui, de Porto
Alegre e região metropolitana. Bom, faz parte, sonho fala por
metáforas, digamos assim.
Enfim,
mal posso esperar! Quero que logo chegue o dia em que estarei
embarcando no meu vôo, só descendo do avião em
solo amazonense... depois de pouco menos de oito horas... isso, se o
vôo chegar no horário programado! Oremos! Faltam
dezesseis dias, ainda... só agora eu torço: corre um
pouquinho, tempo, corre como a lebre!


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