PESCANDO NO BODOSAL

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O Inventor de Heróis e A Indústria de lágrimas


Cheguei por aqui pensando em escrever outra coisa. Idéias têm surgido, o que não tem surgido são bons posts! Aí, que fazer, com todas aquelas idéias, em tão pouco tempo, também?! Bora deixar pra lá, se couberem ainda, bom, se não... descartemos-as.
Ontem de manhã, escutando ao rádio, enquanto tomava banho, ouço o locutor de uma rádio AM de grande audiência no Rio Grande do Sul, falar de uma tentativa de assalto, ocorrida na noite anterior, que teria sido impedida por um vigilante noturno, que flagrou a ocorrência e atirou no suspeito, no tórax. É, assim que começa o dia dos campeões, amigo... enfim, o tal suposto assaltante, estando ferido, foi encaminhado, por dois soldados da Brigada Militar, que chegaram depois de todo ocorrido, para o hospital de pronto-socorro mais próximo. E o vigilante, por sua vez, por estar com um revólver frio, uma arma sem porte e sem procedência, foi detido pelos mesmos brigadianos. Não sei... tem algo de errado nessa história aí??
Tudo bem, até parece claro, pra maioria das pessoas, que há algo de errado nesse caso. Você pode dizer: “Hei! A polícia prendeu o cara errado!”. Pois o locutor da rádio – a saber, o ex-senador gaúcho Sérgio Zambiasi – disse mais ou menos isso mesmo. Disse ele, que os policiais militares teriam “exagerado” no rigor, ao “prender” o tal vigilante noturno... se bem que o termo espertamente usado pelo locutor não é o mais correto. O termo certo seria “deter”, que pode ter um sentido parecido, mas não é a mesma coisa, não mesmo! Nada como ter ex-brigadianos na família...
Pois, pensando pelo lado puramente racional, técnico e prático, não vejo, na ação dos policiais, nada de tão errado. Se analisarmos friamente, muito antes pelo contrário, os agentes policiais agiram corretamente, em conformidade com sua função e dentro da normalidade. Nesse caso de terem encontrado, de um lado, um homem ferido, baleado, e de outro, um homem que baleou uma pessoa, a sangue frio, ainda por cima com uma arma sem procedência! Vamos entrar no mérito da tentativa de assalto e da conseqüente reação para evitar o crime? Ok. O vigilante não agiu em conformidade com a sua função ao abordar um suspeito e evitar que este cometesse um assalto, que poderia ser seguido de morte, ok, mas ainda essa não é a função do vigilante. Essa deveria ter sido a função dos brigadianos! Onde estavam os policiais, no momento da tentativa de assalto? Eles é que são treinados pra cuidar de uma situação dessas, eles é que são preparados para evitar, da melhor maneira possível, que suspeitos cometam seus crimes e vítimas se machuquem! Se você perguntar “onde estavam os policiais, nessa hora?”, aí vou concordar contigo.
O vigilante, ele é treinado pra vigiar, pra observar um determinado lugar e dar o alarme, quando for necessário. Essa é a função de um vigilante! O que ele fez, estava acima da sua alçada! Quando a família, vítima do assalto que o suspeito tentava cometer, já estava rendida, dominada, o vigilante teve a atitude de reagir, de impedir o assalto, e o fez lançando mão de uma arma que estava consigo, que não deveria estar em sua mão – e o tal estatuto do desarmamento, cadê – e atirou, provavelmente pra matar! Ok, era um bandido, ok, tinha de ser parado, não vou negar isso, mas não vou negar que o vigilante, com sua atitude, também colocou em risco a vida daquelas pessoas que ali estavam! Nem adianta negar isso. Pelo que entendi, o vigilante, quando atirou, tentou matar o bandido – ou marginal, galerito, cheira-cola, fuma-pedra, ou o nome que você quiser lhe dar. Gesto nobre?! Não considero! Foi um gesto arriscado o do vigilante! Arriscado e assassino! Uma tentativa de fazer “justiça” com as próprias mãos... porque, né... a polícia não age, quando age, e prende, os juízes soltam... as cadeias estão superlotadas, não consertam ninguém, só servem pro sujeito voltar pior pra sociedade... e toda aquela lenga-lenga de sempre, pra te iludir, me convencer e justificar ações como a que o vigilante tentou cometer. Não adianta, senhor senador, você não convence que esse sujeito, esse vigilante noturno, foi um herói. Herói salva pessoas, não tira, ou não tenta tirar a vida alheia. Não acredito nesse tipo de herói, salvo em casos MUITO específicos. Uma tentativa de assalto não é um desses casos!
O suspeito já deve ter recebido alta, já devem ter sido averiguadas a acusação contra ele e a sua ficha corrida na delegacia, ele já deve ter sido encaminhado para o Central, onde vai amargar alguns meses, ou anos – em se tratando de um assaltante “pé-de-chinelo” – de privação da liberdade. E não creio que seja injusta. Quanto ao vigilante, já passou uma noite na cadeia, 24 horas detido numa delegacia, pra prestar esclarecimentos, pra pagar a sua dupla infração, portar arma sem licença e ferir uma pessoa a tiros. Não acho injusto. Nunca encostei, jamais pegaria numa arma de verdade, mas se fosse comigo, não reclamaria nenhuma pretensa injustiça. Não sou simpático, nem creio na eficácia dessa lei, que ainda encontra-se implícita no inconsciente coletivo, no imaginário popular, a do olho por olho, dente por dente. Essa foi uma das primeiras leis, inscrita no Código de Hamurabi, há uns trocentos anos atrás. A quem acha que esse foi um código de leis perfeito, e que continuaria tendo serventia nos nossos dias, eu pergunto: já imaginou o quão violento era o mundo, nos tempos de Hamurabi, da Babilônia, do Egito antigo, do reino de Israel, das cidades-estados gregas? Não importa o quão profícua seja sua imaginação, não chega nem perto do que era, mesmo!
Sim, eu sei, também sei das barbáries que ainda são cometidas mundo afora, nos nossos dias. Também leio jornal! E ouço aquela rádio AM citada acima! E vejo o Jornal Nacional... de vez em quando, quando não tenho nada melhor pra assistir... mesmo tamanhas atrocidades, como o atentado cometido pelo rapaz, ontem, numa escola da comunidade de Realengo, no Rio de Janeiro, não justifica que se pense em “fazer justiça”, “olho por olho, dente por dente”. Quem acha que justifica, me desculpe, não é muito diferente do menino esse que matou 12 crianças e depois se suicidou. Um crime terrível, eu sei, uma tragédia, concordo. Acho que tinham de ter conseguido impedí-lo de se matar, pelo menos, já que não se pôde, por trocentos motivos que a gente conhece, e alguns imaginários, evitar o pior. Ele tinha problemas psíquicos, isso é o que dizem todos os especialistas – pelo menos os das grandes redes de tevê – num mundo perfeito ele seria constantemente acompanhado e vigiado de bons e bem-remunerados pelo Estado psicólogos, psiquiatras, analistas, seria tratado, seria medicado, se fosse constatada a necessidade disso. Num país um pouquinho mais sério, como disse, talvez tivessem evitado que ele tirasse a própria vida, teriam o levado a justiça, para se explicar, ser condenado e sofrer a punição mais indicada para um crime hediondo como esse.
Agora que é tarde pra se ver tudo isso, me irrita profundamente a cobertura que a grande mídia dá ao caso, a indústria do choro, como alguém falou hoje mais cedo, no twitter.com, a exploração da dor dos familiares das crianças assassinadas, da loucura e das ilusões psicóticas de um covarde, além de covarde, um canalha, pois não aguentou o peso da própria cruz e quis “punir” outras pessoas por aquilo que considerava a miséria de sua vida, levando-as consigo para o outro lado da vida, onde espero sinceramente, estejam melhores, ou pelo menos, menos piores que ele. Quando liguei a tevê, ontem, ao chegar em casa, e hoje pela manhã, a dor no peito foi enorme, todo crime, todo abuso que cometem contra as crianças me causam imensa dor, imensa tristeza, me fazem sentir mal. Agora, a exploração de tragédias como essa, de atrocidades, fazendo verdadeira publicidade de acontecimentos terríveis, mais do que cobrir o fato jornalístico, isso me causa revolta, raiva, indignação, não só contra os que cometeram tais atos de violência, como contra essas grandes redes midiáticas e seus diretores! Assistindo ao Record News, hoje pela manhã, quase desejei que o imbecil que atacou aquela escola levantasse da sua gaveta no necrotério e atirasse no imbecil que se dizia repórter e atrapalhava os funcionários do hospital, os bombeiros, a polícia, de socorrerem de forma mais eficiente os sobreviventes. Ok, a rede da família Marinho não fica nem um pouco atrás no sensacionalismo e na exploração da dor! Não concordo com a linha de cobertura tomada por nenhuma dessas emissoras de tevê. A notícia já foi, agora eles tentam fazer render o assunto até o próximo escândalo, ou a próxima tragédia, a próxima barbárie, mais preocupados com a audiência do que com as pessoas que estão sofrendo neste momento com mais esse crime.
Se esse menino não tivesse sido tão covarde, se tivesse aceito arcar com as conseqüências dos seus atos, eu defenderia uma pena mais rigorosa que as penas rigorosas das quais temos conhecimento... claro, excetuando a pena de morte, que há anos desisti de pensar nela como uma solução para o controle da violência. Quer país mais violento que os Estados Unidos?! Pois bem, eu também tenho um lado negro, também penso que as penas poderiam ser mais rigorosas contra determinados tipos de crimes, independente de o réu ser primário, secundário, ou ter ensino superior. Principalmente em se falando de crimes considerados hediondos, tipo ouvir funk no talo com seu celular dentro do metrô. Brincadeiras à parte, esse tipo de gente é, sim, criminosa e tinha de ser coibida. Obviamente, não com prisão perpétua, que acho justa pra seqüestradores, estupradores, etc. Para o casal Nardoni, também, acho digno que ficassem pelo resto de suas vidas, ou pelo menos até estarem velhos demais pra cometer qualquer atrocidade, numa cadeia. O mesmo para os irmãos Cravinhos e aquela menina, a Suzane von Richtoffen... ou alguma coisa assim! Para o garoto lá de Realengo e para pedófilos – principalmente os que abusam física e moralmente de crianças e adolescentes, não se contentam apenas em olhar fotos e assistir vídeos – eu defenderia, além de uma prisão bastante longa, com sistema diferenciado de progressão da pena, a castração. Igual àquela que estão propondo em São Paulo?? Não, o Eixo do Mal ainda tá pegando leve! Falo em castração mesmo, que nem se faz com touro, extirpando-se os testículos, mesmo! Castração física! Vai doer? Vai traumatizar esse tipo de gente? Sem dúvida que vai! Posso estar errado, aliás, com toda certeza estou errado, além de sendo radical! Mas acho que é uma idéia apreciável, é uma pena menos branda, que dá uma mensagem clara a essa gente, imagino até que muitos deles buscariam uma ajuda psicológica, para evitar um mal pior pra suas vidas!
Enfim... pensando demais em atos e palavras a esmo e sem sentido. Tenho mais em que pensar. Se eu tivesse o poder de mudar o mundo... pena desse nosso pobre mundo! Vou lá desopilar, até semana que vem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário