Nove
dias. Semana que vem, espero, estarei embarcando. Por um motivo tolo
qualquer, não estou me sentindo tão animado quanto era
pra estar. Paradoxalmente, estava, até há bem pouco
tempo, agoniado, buscando de todas maneiras uma forma de fazer essa
bendita viagem. Nesses últimos dias, tenho sentido-me
estranhamente deprimido. Não sei se por conta da viagem. Não,
é provável que tenha sido pelos feriados. Alguns me
deixam assim, um pouco pra baixo. É assim no Natal, Ano Novo,
dia dos namorados – que não é feriado, mas enfim,
você entendeu – e também, algumas vezes, na Páscoa.
Ainda
assim, sinto uma certa ansiosidade quanto à viagem. Uma certa
insegurança, talvez seja melhor dizer. Me preocupam as
notícias sobre os aeroportos, os aviões e o clima. E
elas têm sido bastante preocupantes, mesmo. Semana passada,
caiu um sêneca, um avião de pequeno porte, no aeroporto
Eduardo Gomes, em Manaus. É, é pra lá que eu
vou. Não costumo me assustar com notícias como essa, ou
melhor, não costumava... depois que soube do número
precário de controladores de vôo e das trocentas horas
acumuladas, quase sem descanso algum, por pilotos e comissários
de vôo das principais companhias aéreas... está
bem como dizem por aí, cada vez mais rodoviárias e
aeroportos, bem como motoristas e pilotos, estão parecidos.
Oremos...
E
hoje pela manhã, mais uma daquelas temidas notícias,
numa rádio local: o aeroporto Salgado Filho amanhecera fechado
para vôos e decolagens, por causa da serração que
baixou sobre Porto Alegre e região. E tá chegando... a
Copa?! Não, não, o que menos me preocupa é essa
joça de Copa do Mundo. Tá chegando é a época
de serrações, mesmo, aquela época maravilhosa em
que o aeroporto fecha por qualquer bobagem, até por uma
nuvenzinha cobrindo o sol. Hoje, segunda-feira, está começando
a temporada. Todo inverno é a mesma história, não
precisa nem ser um fog londrino, basta uma neblinazinha baixar pra
avião nenhum subir, nem descer, por aqui. Aí, se você
precisa ir pra São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, ou
Curitiba, por exemplo, com alguma urgência, pra alguma reunião
importante de negócios, ou qualquer coisa assim... nem conte
com um possível atraso... conte logo com um provável
cancelamento, mesmo! Não do vôo – embora esse também
possa acontecer – mas do negócio importante! Sim, que não
sei de empresário nenhum que espere passar a “hora da
neblina” pra fazer seus negócios e reuniões. É
assim mesmo, isso acontece sempre, por aqui, todo inverno é
assim. E ainda há quem se ache mais isolado do resto do país
que nós, aqui. Experimente ter seis meses de inverno mais
rigoroso que no resto do país!
“Mas
não tem como resolver esse problema??” Diz que tem, aí,
uma forma de solucionar o problema da neblina, pelo menos amenizar,
quem sabe... é, diz que tem um aparelho que permitiria as
aeronaves pousarem e decolarem no Salgado Filho em meio a pior das
serrações, tipo aquelas que dão frequentemente –
inclusive no verão – lá pra Serra. Diz que até
pra fog londrino, esse aparelhinho serve! E já está lá
no aeroporto, há uns bons duns três, ou quatro anos...
falta o quê? Ah, nada demais, só falta instalar e por o
trem pra funcionar... é, só isso! O que estão
esperando?! Bom, diz a nossa querida Infraero que só tá
esperando a finalização das obras extensão da
pista e do terminal 1 do Salgado Filho. Que ainda nem começou,
diga-se de passagem, porque... bem, o governo federal espera pela
prefeitura de Porto Alegre retirar todas as famílias que moram
de invasão logo atrás do aeroporto, nas vilas Dique e
Nazaré. Ou seja... né!
E
você não quer dizer isso, você quer evitar reduzir
tudo ao mesmo papo de sempre, mas fica difícil não
pensar: “E ainda querem fazer Copa por aqui!” Pois é,
também procuro evitar falar a frase feita do momento. Porque
até parece que o problema surgiu só agora, porque daqui
há pouco tempo o Brasil e o Eixo do Mal sediarão dois
dos mais importantes eventos esportivos do mundo. Ou então,
que isso só será problema daqui há três
anos. NÃO!! O problema JÁ ESTÁ aí faz
tempo, há anos! Não é nem um caso isolado nos
aeroportos brasileiros, pois Florianópolis, Curitiba e São
Paulo também passam por essa mesma aberração de
terem de fechar seus aeroportos por conta de uma serraçãozinha
à toa! Os governos se sucedem, e esperam que a situação
se resolva por conta própria. E com o crescimento da demanda,
a situação só se agrava.
Só
espero que tudo dê certo, quando chegar o dia, daqui há
nove dias... se tiver sorte, só precisarei voltar lá
por novembro, quando costuma parar essa palhaçada de fechar
aeroporto por causa de neblina. Enfim, o negócio é
mesmo torcer para que as condições meteorológicas
sejam propícias, que são Pedro colabore com a gente.
Porque não poderemos contar com a Infraero, nem com a empresa
aérea, se der algo errado, quando começar esse inverno
infernal!





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