PESCANDO NO BODOSAL

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Serração que baixa, Aeroporto que fecha!


Nove dias. Semana que vem, espero, estarei embarcando. Por um motivo tolo qualquer, não estou me sentindo tão animado quanto era pra estar. Paradoxalmente, estava, até há bem pouco tempo, agoniado, buscando de todas maneiras uma forma de fazer essa bendita viagem. Nesses últimos dias, tenho sentido-me estranhamente deprimido. Não sei se por conta da viagem. Não, é provável que tenha sido pelos feriados. Alguns me deixam assim, um pouco pra baixo. É assim no Natal, Ano Novo, dia dos namorados – que não é feriado, mas enfim, você entendeu – e também, algumas vezes, na Páscoa.
Ainda assim, sinto uma certa ansiosidade quanto à viagem. Uma certa insegurança, talvez seja melhor dizer. Me preocupam as notícias sobre os aeroportos, os aviões e o clima. E elas têm sido bastante preocupantes, mesmo. Semana passada, caiu um sêneca, um avião de pequeno porte, no aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus. É, é pra lá que eu vou. Não costumo me assustar com notícias como essa, ou melhor, não costumava... depois que soube do número precário de controladores de vôo e das trocentas horas acumuladas, quase sem descanso algum, por pilotos e comissários de vôo das principais companhias aéreas... está bem como dizem por aí, cada vez mais rodoviárias e aeroportos, bem como motoristas e pilotos, estão parecidos. Oremos...
E hoje pela manhã, mais uma daquelas temidas notícias, numa rádio local: o aeroporto Salgado Filho amanhecera fechado para vôos e decolagens, por causa da serração que baixou sobre Porto Alegre e região. E tá chegando... a Copa?! Não, não, o que menos me preocupa é essa joça de Copa do Mundo. Tá chegando é a época de serrações, mesmo, aquela época maravilhosa em que o aeroporto fecha por qualquer bobagem, até por uma nuvenzinha cobrindo o sol. Hoje, segunda-feira, está começando a temporada. Todo inverno é a mesma história, não precisa nem ser um fog londrino, basta uma neblinazinha baixar pra avião nenhum subir, nem descer, por aqui. Aí, se você precisa ir pra São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, ou Curitiba, por exemplo, com alguma urgência, pra alguma reunião importante de negócios, ou qualquer coisa assim... nem conte com um possível atraso... conte logo com um provável cancelamento, mesmo! Não do vôo – embora esse também possa acontecer – mas do negócio importante! Sim, que não sei de empresário nenhum que espere passar a “hora da neblina” pra fazer seus negócios e reuniões. É assim mesmo, isso acontece sempre, por aqui, todo inverno é assim. E ainda há quem se ache mais isolado do resto do país que nós, aqui. Experimente ter seis meses de inverno mais rigoroso que no resto do país!
Mas não tem como resolver esse problema??” Diz que tem, aí, uma forma de solucionar o problema da neblina, pelo menos amenizar, quem sabe... é, diz que tem um aparelho que permitiria as aeronaves pousarem e decolarem no Salgado Filho em meio a pior das serrações, tipo aquelas que dão frequentemente – inclusive no verão – lá pra Serra. Diz que até pra fog londrino, esse aparelhinho serve! E já está lá no aeroporto, há uns bons duns três, ou quatro anos... falta o quê? Ah, nada demais, só falta instalar e por o trem pra funcionar... é, só isso! O que estão esperando?! Bom, diz a nossa querida Infraero que só tá esperando a finalização das obras extensão da pista e do terminal 1 do Salgado Filho. Que ainda nem começou, diga-se de passagem, porque... bem, o governo federal espera pela prefeitura de Porto Alegre retirar todas as famílias que moram de invasão logo atrás do aeroporto, nas vilas Dique e Nazaré. Ou seja... né!
E você não quer dizer isso, você quer evitar reduzir tudo ao mesmo papo de sempre, mas fica difícil não pensar: “E ainda querem fazer Copa por aqui!” Pois é, também procuro evitar falar a frase feita do momento. Porque até parece que o problema surgiu só agora, porque daqui há pouco tempo o Brasil e o Eixo do Mal sediarão dois dos mais importantes eventos esportivos do mundo. Ou então, que isso só será problema daqui há três anos. NÃO!! O problema JÁ ESTÁ aí faz tempo, há anos! Não é nem um caso isolado nos aeroportos brasileiros, pois Florianópolis, Curitiba e São Paulo também passam por essa mesma aberração de terem de fechar seus aeroportos por conta de uma serraçãozinha à toa! Os governos se sucedem, e esperam que a situação se resolva por conta própria. E com o crescimento da demanda, a situação só se agrava.
Só espero que tudo dê certo, quando chegar o dia, daqui há nove dias... se tiver sorte, só precisarei voltar lá por novembro, quando costuma parar essa palhaçada de fechar aeroporto por causa de neblina. Enfim, o negócio é mesmo torcer para que as condições meteorológicas sejam propícias, que são Pedro colabore com a gente. Porque não poderemos contar com a Infraero, nem com a empresa aérea, se der algo errado, quando começar esse inverno infernal!

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