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de Abril de 2011. Nesta data, por volta do ano 1500, segundo os
livros de história, Pedro Álvares Cabral teria
“descoberto” o Brasil. Acredito no que dizem vários
historiadores, que ele veio para cá com uma missão bem
simples, tomar posse do nosso território para a coroa
portuguesa. Enfim, não é por esse motivo que hoje é
feriado. Acontece que hoje é a sexta-feira da semana santa,
Sexta-feira da Paixão, segundo a tradição
Cristã. Não estou discutindo isso. Enfim, hoje faltam
exatamente doze dias da data da minha viagem. Já falei sobre
isso, é minha terceira viagem, mas sinto-me a cada dia mais
nervoso, mais ansioso, como se essa fosse a primeira viagem – e é
como se fosse, fazem quatro anos que não vôo de avião,
nem vou pra lá.
De
qualquer forma, nos últimos quatro anos sempre procurei estar
informado, mesmo que haja alguma insegurança quanto ao que vou
encontrar na “minha” cidade, já sei mais ou menos o que
esperar desse meu reencontro com Manaus. O que realmente me causa um
certo receio, alguma preocupação, é com a viagem
em si. O que esperar da situação dos aeroportos, do
vôo, das aeronaves, aí, já não sei. As
informações que me chegam são quase sempre
preocupantes. Não sei exatamente o que pode acontecer, já
escolhi um vôo sem conexões porque, bem, tenho pavor só
de pensar na possibilidade de haver atrasos e possibilidade de perder
o vôo de conexão, um troço assim. Já vou
ter que despachar bagagem, coisa que nunca fiz, que sempre que pude,
aliás, eu evitei, mais por medo do estravio que por
comodidade. Que por mim, eu despachava sempre, só ficaria com
objetos pessoais e jornal na mão, mermo, o resto podia ir no
bagageiro do avião que pra mim até seria melhor. Mas
agora, por circunstâncias outras, terei de arriscar, terei de
despachar uma mala, pelo menos. E isso deixa-me bastante inseguro.
Estavam
falando na TV, esses dias, da situação dos aeroportos e
da malha aérea do país agora, no nosso momento atual, e
das projeções para a tal da Copa do Mundo, 2014. Era a
primeira de uma série de reportagens especiais feitas por um
telejornal noturno de uma grande rede midiática do Eixo do
Mal. E pelo que pude ver, as projeções não são
muito animadoras, antes pelo contrário! No outro dia pela
manhã, no telejornal matutino da mesma emissora, uma
reportagem mostrava a situação de improviso total do
aeroporto de Goiânia, capital de Goiás. Ok, não
será uma das cidades-sedes da Copa 2014, mas o aeroporto de
Goiás seria estratégico para Brasília, que será
cidade-sede. E a Infraero estava, segundo a reportagem – e a
própria Infraero – construindo um “puxadinho”, para
servir de terminal “provisório” para a demanda cada vez
maior de passageiros. Claro, acho bem legal a idéia de uma
Copa do Mundo no Brasil, sou totalmente a favor de que ocorra um
evento dessa magnitude no país. Claro! Desde que o país
tenha condições para sediar uma copa e/ou uma
Olimpíada. O que não é o caso. A meu ver, seria
melhor cancelar, ou adiar a Copa aqui no Brasil, pra um momento mais
propício. Sim, sem dúvida! No momento, não
estamos preparados nem pra dar conta da demanda interna e tampouco
para a projeção de aumento dessa demanda para os
próximos anos. No caso dos aeroportos, ainda, óbvio que
temos outros gargalos, mas... a Infraero sabia há tempos que a
demanda seria maior que o espaço físico para dar conta
dela, isso já há uns bons cinco anos. Só que não
buscou-se nenhuma forma de se atender melhor essa demanda, de se
aumentar os espaços já existentes, nem de se criar
novos espaços. E um evento como a Copa e a Olimpíada
vai criar mais demanda do que as obras do governo pretendem suprir.
Não,
claro, também acho ótimo que mais pessoas estejam
viajando de avião, estejam indo conhecer outros países,
tanto desenvolvidos, como França, Itália, Portugal,
quanto os subdesenvolvidos, como Tailândia, São Paulo...
acharia ótimo mesmo se a infraestrutura acompanhasse esse
crescimento, esse incremento de demanda. A malha aérea, dizem,
teria condições de aumentar sua oferta, mas a
infraestrutura... bem!
Mas
vou falar a verdade do que penso, gosto de voar, viajar de avião,
coisa e tal, mas acho que o avião deveria ser um meio de
transporte utilizado só para viagens internacionais, ou como
último recurso, em caso de extrema necessidade, para viagens
mais longas. Acho que as viagens aéreas deveriam ser mais
caras, mesmo, e que o padrão de qualidade deveria continuar
sendo aquele que foi perdido, o da VARIG. “Oh, como você é
elitista! Então como faríamos, como você faria,
pra cruzar o país?” Ora, pra que temos estradas?! Para que
temos essa imensidão de rios?! Na Europa, você pode
cruzar praticamente o continente inteiro de trem. É romantismo
da minha parte, eu sei, mas gostaria muito que pudéssemos
cruzar o país de trem. Talvez complementando com outros meios
de transporte, os barcos e balsas, os ônibus intermunicipais, e
até mesmo os conurbados. De preferência, perfeitamente
integrados, ou quase.
Sim,
eu sei, já estou ultrapassando os limites do romantismo e indo
às raias da utopia. Utopia esta que deu certo em outros
lugares, e que, embora compreenda por que não daria certo por
aqui, não deixo de sonhar com algo pelo menos parecido. Quem
sabe, algum dia... o país estaria melhor integrado, se assim
fosse. Poderíamos até sediar uma Copa. Agora, do jeito
que estamos, nossas capitais estaduais praticamente isoladas umas das
outras, nossos aeroportos acanhados, sem nem um projeto eficaz, a
curto e médio prazos, um projeto para a instalação
de um trem-bala que, para ligar apenas três cidades no Eixo do
Mal, custará o preço de uma linha que, seguramente,
poderia ligar Belém do Pará a Curitiba, no Paraná...
melhor ceder a vez para o Qatar... que tal pegarmos a Copa de 2022?
Iríamos, pelo menos, ganhar um tempinho pra nos adequar a
nossas próprias necessidades...



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