PESCANDO NO BODOSAL

quinta-feira, 31 de março de 2011

OUVIDOS DE MERCADOR - MEMÓRIA DE ELEFANTE

    Ouvido seletivo?! Ah, sim, acredite nisso, minha querida. Você fala o que bem entende. Me desanca na frente das amigas e eu nem tiligo. Finjo-me de bobo, finjo que não é comigo. E não é mesmo. Mesmo assim, você fala na minha frente. E finge que é de outra pessoa que estão falando. Ok! Finjo que sou o otário que você pegou "por pena", chego a babar na gola da camisa, pra dar mais verossimilhança. Mas estou escutando cada palavra, cada riso de escárnio, cada suspiro, cada entonação dada a cada palavra. Gravo e salvo numa pasta, onde mais tarde tudo será analisado minuciosamente. Eu memorizo cada coisa e guardo para mim. Não falo nada. Até quando julgar oportuno. No momento certo, falo com você, te pergunto daquele dia, coloco na mesa cada palavra que fora dita, até a entonação utilizada. Você se espanta: mas então, eu ouvi e guardei tudo? Tudo mesmo?? É... eu não tenho ouvido seletivo coisa nenhuma. Você procura, consciente, ou inconscientemente, descobrir isso SEMPRE da pior maneira. Insiste em me fazer questionar a veracidade das teorias em que um dia acreditei, de que está num patamar evolutivo ligeiramente acima do meu. Detesto que você haja assim, quando esperava de ti um pouco mais... de consideração, pelo menos! Mas adoro te ver constrangida, ao deparar-se com algo totalmente inesperado... porque, afinal, sou homem! DEVIA ser igual a todos os outros... e agora que você viu que descartou depressa demais, o que fazer?! Você inverteu os papéis. Te vejo como você me via. E sei que não estou enganado. Quem é que deveria ter memória seletiva, mesmo...?!

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