Vocês
viram aquela cena, no Jornal Nacional – provavelmente deve ter
passado também naquele telejornal da tv dos bispos, aquela
sim, tem “credibilidade” – dos estudantes e representantes de
ONGs, que recepcionaram os primeiros médicos cubanos a chegar
no Brasil, pelo aeroporto de Recife? E aí, o que acharam?!
Bom, eu, particularmente, tenho uma palavrinha para aquela claque,
digo, a manifestação daquela gente, mas tenho quase
absoluta certeza, vocês não vão gostar muito: a
palavra é 'patético'. Simplesmente patético!
Sinto que até os médicos cubanos sentiram vergonha por
nossos estudantes.
Não,
não sou, de forma alguma, contra o governo brasileiro
contratar médicos estrangeiros, para suprir a deficiência
de profissionais da área, ou de qualquer outra área,
sobretudo para as regiões mais carentes, como argumentam o
governo e seus partidários. Tampouco se eles forem cubanos, me
é indiferente o seu país de origem, me interessa muito
mais se têm competência para o trabalho.
Até
sou simpático, favorável, mesmo, desde que,
primeiramente, invista-se em alguma infraestrutura, em condições
mínimas para esses (e outros, inclusive brasileiros) médicos
exercerem satisfatoriamente o seu trabalho. De fato, não sei
qual o número de profissionais que temos na federação,
nem se é o suficiente para atender satisfatoriamente à
demanda. O que sabemos, de fato? O que se fala, desde que me entendo
por gente, e vocês também?! É que os
profissionais da área da saúde, mesmo com promessas de
salários faraônicos, não aceitam trabalhar em
regiões 'remotas' e isoladas, não somente por serem
remotas e/ou isoladas, mas também porque não há
as mínimas condições para se exercitar a
profissão, as prefeituras, o governo, o poder público,
ou a iniciativa privada, ou de grupos sem fins lucrativos, não
oferecem-lhes essa oportunidade. O programa Mais Médicos seria
mais eficiente se fosse “Mais Hospitais”. Sei lá, eu acho!
Outra
coisa, é que o governo federal contratou outros médicos
estrangeiros no programa Mais Médicos, mas não fez o
mesmo quanto aos médicos cubanos, esses não estão
dentro do programa, ao menos, do jeito que eu entendi esse programa.
Não serão empregados pelo SUS. Não receberão
o mesmo salário, não terão os mesmos direitos,
como o de ter por perto suas famílias, ou o de escolher aonde
querem ser lotados, por exemplo. Os médicos cubanos são
outro programa do governo federal, como mencionou um amigo, são
como aquela empresa, ou cooperativa, que o governo contrata
terceirizada, para executar serviços onde falte pessoal
especializado da própria autarquia.
Nada
contra, eu repito, os cubanos virem para cá, há anos
têm ido pra Flórida e ninguém é contra,
também. Mas, se não observarem essas duas pequenas
condições que expomos acima, não posso ter nada
a favor, também. Aos cubanos que estão chegando – e
que em breve estarão desembarcando também aqui em Porto
Alegre – posso apenas recepcioná-los com um “sinto
muito”...

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